Roteiro bem complexo, me passou uma rasteira algumas vezes, conseguiu me enganar. Interessante pra isso o recurso de reiterado de mostrar flashes/cenas, e depois voltar a contar a história delas. Câmera muito habilidosa, se mexendo rápido, fazendo enquadramentos próximos e pouco usuais. Nessa opção de roteiro complexo se perdeu umas 2 vezes, com elementos que não faziam sentido (como assim tirar o cara escondido da prisão? Ele ia ficar foragido o resto da vida? Pq a senhora foi com o filho até o presídio? Não faz sentido). Mas ainda assim, não deixa de ser um bom filme. E muito legal ver no cinema lugares que não costumam ser retratados na telona.
Faz bem a coisa de deixar ambíguo se está ou não falando do sobrenatural. Mas no fundo é só um filme de gênero que não trata de temas muito interessantes (ou não aproxima neles). As atuações fracas e o final mal construído também não contribuem.
Bom trabalho de humanização de homens muito poderosos. Acho que muitos filmes que se passam nesse universo não conseguem fazer isso. Pelo menos não tanto, não desse jeito. E uma vibe muito a Grande Beleza, parece que o Paolo Sorrentino tá muito nisso mesmo de reflexão sobre grandes questões mais para o final da vida. Um certo de excesso de narrativa heroica, acho que seria mais interessante se o protagonista fosse menos virtuoso. Mas a gente perdoa por rodos os outros méritos do filme.
Carai, que pedrada Fassbinder. É muito cativante como a gente não sabe até onde vai a ingenuidade e onde começa a coragem na protagonista. A estrutura em duas partes da narrativa também funciona muito bem: primeiro, apresenta o problema de forma bem caricata, quase boa. Depois, faz uma guinada no andamento, com uma dose de surrealismo, e complexifica bastante o argumento, levantando várias questões novas.
Uma câmera bem criativa. Tem uma estética meio filme exaltação, com um monte de takes dos prédios altos vistos de baixo, dando sensação de imponência, e planos abertos nas fábricas, dando noção da dimensão delas. Mas essa estética é usada com ironia, o que dá uma sensação bem ambígua. Como é ambíguo também o protagonista, que até podia gerar compaixão pelo qual desiludido que ele tá, mas é uma pessoa tão insuportável que não rola.
Uma coisa meio Aki Kaurismäki. O amor no proletariado. O amor nos tempos do tédio. O amor impossível nesses países frios. Um Kaurismäki com mais palavras e colocando uma personagem forte no lugar daqueles personagens apáticos.
Foi a representação no cinema de mania/ surto mais impressionante que já vi. Pra quem já conviveu com alguém passando por isso, chega a ser tocante. Claro que incomoda um filme que a única mulher com papel relevante é a doida, pelo estereótipo de gênero. Claro que incomoda ver o grau de naturalidade/ aceitação social nas agressões contra a mulher (que é certamente muito presente hoje, mas que nesse filme me parece ter a cara de outro momento). Há coisas a se pensar no filme, mas há também momentos de muita humanidade (a castarse no jantar, em que o trabalhador surpreende com canto lírico por exemplo), e uma construção bem feita de personagens que de certa forma coletiviza/ socializa a loucura.
O toppy é fazer um antagonismo não óbvio. Não é herói X bandido. É dois escrotos se degladiando. Uma pseudoprogressista capitalista milionária e um pobre reaça extremista. É uma composição interessante.
O paia foi sequências muito longas de papo chato. Tipo, já entendi quem são os personagens, não precisa me submeter a tão longos minutos ouvindo papo reacionário alucinado de um lado e papo coach do outro.
A criança é provavelmente o personagem mais interessante e bem construído. Alguns esteriótipos batidos nos outros enfraquecem (a mulher da frágil da voz fina, o homem misterioso). Olhando pro conjunto da obra do Wim Wenders, mostra como ele tem uma capacidade impressionante de retratar outros países/culturas.
O Gabriel Mascaro tem uma criatividade muito grande pra enredos/ideias originais, e uma versatilidade muito grande pra explorar universos estéticos muito diversos (vaqueiros, neopetencostais, Amazônia, etc).
É um bom filme, mas apesar disso fiquei com a impressão que não conseguiu explorar tudo que dava pra explorar com essa boa ideia aqui...
Forte e interessante. Constrói personagens complexos, gerando simpatia e antipatia ao mesmo tempo. Com isso consegue retratar o conflito de classe complexo como de fato é nas relações domésticas. A câmera na mão se movendo pela casa ajuda a transmitir a sensação de espaço privado, e até alguma claustrofobia.
Me pareceu retratar com a devida complexidade um período crítico da história do Chile, ser crítico, e ainda assim didático o suficiente pra quem não conhece muito da história do país. A desconstrução do genocida é deliciosa, retratado como um louco.
Linguagens e ritmos muito originais. Mostra coisas da China que não são comuns de serem retratadas, como favelas, protestos, rock pesado... Agoniante a mudez da protagonista. Estrutura poética interessante.
Que doideira. Inventou vários filmes e teatros e personagens, bons e ruins, meio bons e meio ruins, tudo dentro de um filme só. Vários graus de metalinguagem. Tanto vai e vem que a gente fica perdido que nem a cabeça dessa mulher
Uns plano-sequências bons demais. Que foi aquela cena da entrevista...
Pelo pouco que vi do Raul Ruiz, ele parece ser aficionado por policial/crime e coloca umas notas disso misturadas com os mais diversos gêneros e pra falar dos mais diversos temas.
Tem algo tipo uma inocência no cinema cubano, mas uma inocência que não é boba. Algo como uma inocência politizada. Talvez seja algum tipo de idealismo, sei que é bonito.
Como a violência pode ser tão cotidiana. Os registros são importantes demais, como divulgação e como documentos. A coragem dos cinegrafistas e dos moradores en geral é tão impressionante quanto a covardia dos invasores, escondidos atrás de suas armas.
"Jamais transmitirei idéias limpas, discursos eloqüentes ou imagens plásticas diante do lixo — apenas revelarei, através do som livre e do ritmo fúnebre, nossa condição de colonizados mal comportados. Dentro do lixo, é preciso ser radical. Daí o amor pelo cinema brasileiro tal como ele é: mal feito, pretensioso e sem pretensões e ilusões estéticas. Esmagado e explorado, o colonizado só pode inventar seu próprio sufocamento: o grito do protesto vem da mise en scène abortada. Ninguém pensa de forma limpa e estética de barriga vazia." Sganzerla
Cinco Tipos de Medo
3.8 10Roteiro bem complexo, me passou uma rasteira algumas vezes, conseguiu me enganar. Interessante pra isso o recurso de reiterado de mostrar flashes/cenas, e depois voltar a contar a história delas. Câmera muito habilidosa, se mexendo rápido, fazendo enquadramentos próximos e pouco usuais. Nessa opção de roteiro complexo se perdeu umas 2 vezes, com elementos que não faziam sentido (como assim tirar o cara escondido da prisão? Ele ia ficar foragido o resto da vida? Pq a senhora foi com o filho até o presídio? Não faz sentido). Mas ainda assim, não deixa de ser um bom filme. E muito legal ver no cinema lugares que não costumam ser retratados na telona.
Barba Ensopada de Sangue
3.1 12Faz bem a coisa de deixar ambíguo se está ou não falando do sobrenatural. Mas no fundo é só um filme de gênero que não trata de temas muito interessantes (ou não aproxima neles). As atuações fracas e o final mal construído também não contribuem.
A Graça
3.9 10Bom trabalho de humanização de homens muito poderosos. Acho que muitos filmes que se passam nesse universo não conseguem fazer isso. Pelo menos não tanto, não desse jeito. E uma vibe muito a Grande Beleza, parece que o Paolo Sorrentino tá muito nisso mesmo de reflexão sobre grandes questões mais para o final da vida.
Um certo de excesso de narrativa heroica, acho que seria mais interessante se o protagonista fosse menos virtuoso. Mas a gente perdoa por rodos os outros méritos do filme.
O Medo Devora a Alma
4.3 114 Assista AgoraCarai, que pedrada Fassbinder.
É muito cativante como a gente não sabe até onde vai a ingenuidade e onde começa a coragem na protagonista. A estrutura em duas partes da narrativa também funciona muito bem: primeiro, apresenta o problema de forma bem caricata, quase boa. Depois, faz uma guinada no andamento, com uma dose de surrealismo, e complexifica bastante o argumento, levantando várias questões novas.
São Paulo Sociedade Anônima
4.2 207Uma câmera bem criativa. Tem uma estética meio filme exaltação, com um monte de takes dos prédios altos vistos de baixo, dando sensação de imponência, e planos abertos nas fábricas, dando noção da dimensão delas. Mas essa estética é usada com ironia, o que dá uma sensação bem ambígua. Como é ambíguo também o protagonista, que até podia gerar compaixão pelo qual desiludido que ele tá, mas é uma pessoa tão insuportável que não rola.
Blackbird Blackbird Blackberry
3.9 9 Assista AgoraUma coisa meio Aki Kaurismäki. O amor no proletariado. O amor nos tempos do tédio. O amor impossível nesses países frios. Um Kaurismäki com mais palavras e colocando uma personagem forte no lugar daqueles personagens apáticos.
Os Incompreendidos
4.4 657 Assista AgoraTem uma coisa meio teatro do Tchekov, de banhar de temas bem universais com um enredo muito simples.
Uma Mulher Sob Influência
4.3 167 Assista AgoraFoi a representação no cinema de mania/ surto mais impressionante que já vi. Pra quem já conviveu com alguém passando por isso, chega a ser tocante. Claro que incomoda um filme que a única mulher com papel relevante é a doida, pelo estereótipo de gênero. Claro que incomoda ver o grau de naturalidade/ aceitação social nas agressões contra a mulher (que é certamente muito presente hoje, mas que nesse filme me parece ter a cara de outro momento). Há coisas a se pensar no filme, mas há também momentos de muita humanidade (a castarse no jantar, em que o trabalhador surpreende com canto lírico por exemplo), e uma construção bem feita de personagens que de certa forma coletiviza/ socializa a loucura.
Bugonia
3.6 429 Assista AgoraO toppy é fazer um antagonismo não óbvio. Não é herói X bandido. É dois escrotos se degladiando. Uma pseudoprogressista capitalista milionária e um pobre reaça extremista. É uma composição interessante.
O paia foi sequências muito longas de papo chato. Tipo, já entendi quem são os personagens, não precisa me submeter a tão longos minutos ouvindo papo reacionário alucinado de um lado e papo coach do outro.
Ainda assim, belíssima sequência final.
Paris, Texas
4.3 757 Assista AgoraA criança é provavelmente o personagem mais interessante e bem construído. Alguns esteriótipos batidos nos outros enfraquecem (a mulher da frágil da voz fina, o homem misterioso).
Olhando pro conjunto da obra do Wim Wenders, mostra como ele tem uma capacidade impressionante de retratar outros países/culturas.
O Último Azul
3.7 210O Gabriel Mascaro tem uma criatividade muito grande pra enredos/ideias originais, e uma versatilidade muito grande pra explorar universos estéticos muito diversos (vaqueiros, neopetencostais, Amazônia, etc).
É um bom filme, mas apesar disso fiquei com a impressão que não conseguiu explorar tudo que dava pra explorar com essa boa ideia aqui...
A Criada
3.8 110 Assista AgoraForte e interessante. Constrói personagens complexos, gerando simpatia e antipatia ao mesmo tempo. Com isso consegue retratar o conflito de classe complexo como de fato é nas relações domésticas. A câmera na mão se movendo pela casa ajuda a transmitir a sensação de espaço privado, e até alguma claustrofobia.
Alma Corsária
4.0 38Às vezes bem despretensioso, às vezes bem pretensioso, mas muito inspirado. Combinação rara de filme doidão, divertido e manifesto ao mesmo tempo.
Os Colonos
3.8 49 Assista AgoraMe pareceu retratar com a devida complexidade um período crítico da história do Chile, ser crítico, e ainda assim didático o suficiente pra quem não conhece muito da história do país.
A desconstrução do genocida é deliciosa, retratado como um louco.
Levados Pelas Marés
3.6 15Linguagens e ritmos muito originais. Mostra coisas da China que não são comuns de serem retratadas, como favelas, protestos, rock pesado... Agoniante a mudez da protagonista. Estrutura poética interessante.
Historia y Geografía
3.8 2Que doideira. Inventou vários filmes e teatros e personagens, bons e ruins, meio bons e meio ruins, tudo dentro de um filme só. Vários graus de metalinguagem. Tanto vai e vem que a gente fica perdido que nem a cabeça dessa mulher
El realismo socialista
3.8 4 Assista AgoraUns plano-sequências bons demais. Que foi aquela cena da entrevista...
Pelo pouco que vi do Raul Ruiz, ele parece ser aficionado por policial/crime e coloca umas notas disso misturadas com os mais diversos gêneros e pra falar dos mais diversos temas.
O Tango do Viúvo e seu Espelho Deformador
3.1 2 Assista AgoraExercício de linguagem muito original.
E só.
Hello, Hemingway
3.9 3Tem algo tipo uma inocência no cinema cubano, mas uma inocência que não é boba. Algo como uma inocência politizada. Talvez seja algum tipo de idealismo, sei que é bonito.
This Closeness
3.5 17 Assista AgoraSei lá, me senti gastando muito tempo assistindo uns moleques bobos
Rio Babilônia
2.9 78Tão ambíguo. Meio (sexualmente) libertador e objetificador ao mesmo tempo. Crítica social e playboyzagem. Bem filmado e mal feito
A Telenovela Errante
3.1 4 Assista AgoraPois tá aí, um surrealismo mais sul do que realismo
Sem Chão
4.3 88 Assista AgoraComo a violência pode ser tão cotidiana. Os registros são importantes demais, como divulgação e como documentos. A coragem dos cinegrafistas e dos moradores en geral é tão impressionante quanto a covardia dos invasores, escondidos atrás de suas armas.
O título em português saiu melhor que o original.
A Mulher de Todos
3.9 73"Jamais transmitirei idéias limpas, discursos eloqüentes ou imagens plásticas diante do lixo — apenas revelarei, através do som livre e do ritmo fúnebre, nossa condição de colonizados mal comportados. Dentro do lixo, é preciso ser radical. Daí o amor pelo cinema brasileiro tal como ele é: mal feito, pretensioso e sem pretensões e ilusões estéticas. Esmagado e explorado, o colonizado só pode inventar seu próprio sufocamento: o grito do protesto vem da mise en scène abortada. Ninguém pensa de forma limpa e estética de barriga vazia." Sganzerla