Em algum momento, me incomodou um tom de ode a uma masculinidade caricata: faltava um homem na casa pra salvar todo mundo. Mas o filme tem vários outros méritos (no tema corajoso, na beleza das imagens e dos figurinos, no debate de religião, etc)
Os filmes dele são tudo igual mas iguais de um jeito muito interessante. Nesse aqui fiquei viajando nessa anti-atuação que ele promove nos atores. Em como parece que isso enfatiza suas ações. A apatia dos personagens, além do óbvio de compor a atmosfera desiludida, faz com que o filme se comunique diferente. É como se, esvaziados de expressão facial/ corporal demonstrando seus sentimentos, eles se expressassem por suas ações. Eles não fazem caras, eles pouco falam, eles fazem (materialismo?).
Muito bom na parte documental, às vezes criativo nas simulações, mas outras vezes forçado ou bobo nelas. Mas bem importante contar essa história agora.
Nossa, queria muito ver esse filme que não foi. O conceito e o formato parecem interessantes demais. A coisa de uma alegoria meio fantástica no microuniverso de uma cidade pequena para falar de crescimento do fascismo me remeteu ao excelente As harmonias de Werckmeister.
Fazer documentários de não filmes rende excelentes filmes, muito pelos diferentes graus de metalinguagem envolvidos, mas também porque em geral esses filmes não foram concluídos justo pelo quão ousados eram para seu contexto de produção.
Divertido, dei boas risadas. Tem um bom equilíbrio entre fazer comédia com coisas do nosso tempo e coisas mais universais (desgaste de relacionamentos). Mas um tanto estereotipado demais, em algumas coisas. No final, me ficou a sensação que funcionaria melhor como teatro mesmo.
Queria ter gostado mas não consegui. Tem uma energia meio "Ai que vida!" e, visto dessa forma, tem partes legais. Mas diferente do clássico maranhense, tenta ser sério ou discutir coisas sérias às vezes e, nessas partes, tem uns diálogos muito ruins que atrapalham. Por outro lado, a direção de arte entrega coisas interessantes.
É como se pra borrar a fronteira entre ficção e realidade ele fizesse várias fronteiras entre outras ficções e outras realidades de forma que a fronteira entre ficção e realidade vira só mais uma.
É um bom gancho pra debater muitos temas, e consegue promover conexão emocional com a história pra muita gente, mas a narrativa bastante linear e excessivamente heroica (que envolve simplificações, como colocar como se ele tivesse feito o sistema de primeira, sendo que na verdade ele só conseguiu depois de ter ficado famoso no TED e conseguido apoio) impede um desenvolvimento maior desses temas com a devida complexidade.
Um bocado corajoso e explícito nos comentários sobre o presente. Uns diálogos forçados mas que compõem com a ousadia e o desapego do realismo. Bem teatro, talvez qq coisa de Dogville no anti- cenário. Que câmera louca.
Tantas camadas e tantos temas. Um filme rico demais. Conseguiu uma proeza meio paradoxal de dialogar tanto com a ficção científica quanto com o cinema-verdade. É um filme de realismo intenso , de personagens muito verossímeis, mas ao mesmo tempo de extra-ordinário (embora possível) que invade a tela (do nada uma pegadinha, ida pra Marte sem volta...).
O bom equilíbrio entre os diversos personagens, todos bem desenvolvidos ao longo do filme, permite essa abordagem habilidosa dos vários temas. E é interessante que o personagem mais calado, o Deivinho, é o que dá o mote que funciona como fio condutor das várias histórias. A busca desse pequeno Galileu moderno periférico, em que se confunde a realização de um sonho, a perseguição de uma paixão e a saída/mudança da sua realidade, funciona como uma metáfora poética para a busca de todos os personagens pela superação da distância entre mundos (que em todos os outros casos, são mundos socialmente separados). É essa busca, e os caminhos que o Deivinho adota nela, que o coloca em conflito com seu pai, que tinha outros caminhos planejados. É um filme sobre caminhos possíveis para uma família negra periférica, e a importância da união pra conseguir trilhá-los.
Os dois primeiros terços são realmente bons, bons diálogos, uma montagem com uma cortes e repetições doidas que dizem muito. Daí no último terço fica bobo, perde o foco nos dilemas interessantes que tinha construído e vira um pastelão meio "um casamento muito louco", com um final fraco.
Meio uma Medeia, desconstruída, história real, muito carioca. Só que nesse caso a tragédia é contada em tom de comédia. Bem construído e envolvente até, com uma guinada surpreendente. Sei lá, uma Medeia meio Nelson Rodrigues.
Roteiro bem complexo, me passou uma rasteira algumas vezes, conseguiu me enganar. Interessante pra isso o recurso de reiterado de mostrar flashes/cenas, e depois voltar a contar a história delas. Câmera muito habilidosa, se mexendo rápido, fazendo enquadramentos próximos e pouco usuais. Nessa opção de roteiro complexo se perdeu umas 2 vezes, com elementos que não faziam sentido (como assim tirar o cara escondido da prisão? Ele ia ficar foragido o resto da vida? Pq a senhora foi com o filho até o presídio? Não faz sentido). Mas ainda assim, não deixa de ser um bom filme. E muito legal ver no cinema lugares que não costumam ser retratados na telona.
Faz bem a coisa de deixar ambíguo se está ou não falando do sobrenatural. Mas no fundo é só um filme de gênero que não trata de temas muito interessantes (ou não aproxima neles). As atuações fracas e o final mal construído também não contribuem.
Bom trabalho de humanização de homens muito poderosos. Acho que muitos filmes que se passam nesse universo não conseguem fazer isso. Pelo menos não tanto, não desse jeito. E uma vibe muito a Grande Beleza, parece que o Paolo Sorrentino tá muito nisso mesmo de reflexão sobre grandes questões mais para o final da vida. Um certo de excesso de narrativa heroica, acho que seria mais interessante se o protagonista fosse menos virtuoso. Mas a gente perdoa por rodos os outros méritos do filme.
Carai, que pedrada Fassbinder. É muito cativante como a gente não sabe até onde vai a ingenuidade e onde começa a coragem na protagonista. A estrutura em duas partes da narrativa também funciona muito bem: primeiro, apresenta o problema de forma bem caricata, quase boa. Depois, faz uma guinada no andamento, com uma dose de surrealismo, e complexifica bastante o argumento, levantando várias questões novas.
Uma câmera bem criativa. Tem uma estética meio filme exaltação, com um monte de takes dos prédios altos vistos de baixo, dando sensação de imponência, e planos abertos nas fábricas, dando noção da dimensão delas. Mas essa estética é usada com ironia, o que dá uma sensação bem ambígua. Como é ambíguo também o protagonista, que até podia gerar compaixão pelo qual desiludido que ele tá, mas é uma pessoa tão insuportável que não rola.
Tudo é tempo
4.5 1Que coisa mais humana. Que sorte nos personagens. Que coisa mais aleatória que é uma eleição.
Pamfir
3.4 2Em algum momento, me incomodou um tom de ode a uma masculinidade caricata: faltava um homem na casa pra salvar todo mundo. Mas o filme tem vários outros méritos (no tema corajoso, na beleza das imagens e dos figurinos, no debate de religião, etc)
Luzes na Escuridão
3.5 31Os filmes dele são tudo igual mas iguais de um jeito muito interessante. Nesse aqui fiquei viajando nessa anti-atuação que ele promove nos atores. Em como parece que isso enfatiza suas ações. A apatia dos personagens, além do óbvio de compor a atmosfera desiludida, faz com que o filme se comunique diferente. É como se, esvaziados de expressão facial/ corporal demonstrando seus sentimentos, eles se expressassem por suas ações. Eles não fazem caras, eles pouco falam, eles fazem (materialismo?).
Mais um com um bom retrato de amores fudidos.
Honestino
3.3 9Muito bom na parte documental, às vezes criativo nas simulações, mas outras vezes forçado ou bobo nelas.
Mas bem importante contar essa história agora.
La Frontera
3.4 1Latinos são dramáticos e isso é massa, mas os chilenos em especial às vezes são dramáticos de um jeito meio chato, meio cerimonioso.
Tirando isso, muito bonito e poético. Talvez me lembrou algo do Eliseo Subiela.
Os Ruminantes
3.7 3Nossa, queria muito ver esse filme que não foi. O conceito e o formato parecem interessantes demais. A coisa de uma alegoria meio fantástica no microuniverso de uma cidade pequena para falar de crescimento do fascismo me remeteu ao excelente As harmonias de Werckmeister.
Fazer documentários de não filmes rende excelentes filmes, muito pelos diferentes graus de metalinguagem envolvidos, mas também porque em geral esses filmes não foram concluídos justo pelo quão ousados eram para seu contexto de produção.
A Comilança
3.7 70 Assista AgoraBem feito e tal, mas pra que?
Fantasmas de Julho
3.2 2 Assista AgoraDivertido e original. Faz algumas boas conexões não óbvias.
O Convite
3.9 326 Assista AgoraDivertido, dei boas risadas. Tem um bom equilíbrio entre fazer comédia com coisas do nosso tempo e coisas mais universais (desgaste de relacionamentos). Mas um tanto estereotipado demais, em algumas coisas. No final, me ficou a sensação que funcionaria melhor como teatro mesmo.
A Juventude
4.0 358 Assista AgoraGosto do Torrentino pq tem uma pretensão de grandeza nos filmes, mesmo quando não consegue tanto como nesse.
Destaque pras cenas laterais com pegada surreal.
O Menino Selvagem
3.3 2Muito narrativo e pouco criativo. Pediram ter várias discussões interessantes nesse filme, mas ele não discute, só conta.
Quem Tem Com Que Me Pague, Não Me Deve Nada
2.2 1Queria ter gostado mas não consegui. Tem uma energia meio "Ai que vida!" e, visto dessa forma, tem partes legais. Mas diferente do clássico maranhense, tenta ser sério ou discutir coisas sérias às vezes e, nessas partes, tem uns diálogos muito ruins que atrapalham.
Por outro lado, a direção de arte entrega coisas interessantes.
Natal Amargo
3.3 34É como se pra borrar a fronteira entre ficção e realidade ele fizesse várias fronteiras entre outras ficções e outras realidades de forma que a fronteira entre ficção e realidade vira só mais uma.
O Menino que Descobriu o Vento
4.3 754É um bom gancho pra debater muitos temas, e consegue promover conexão emocional com a história pra muita gente, mas a narrativa bastante linear e excessivamente heroica (que envolve simplificações, como colocar como se ele tivesse feito o sistema de primeira, sendo que na verdade ele só conseguiu depois de ter ficado famoso no TED e conseguido apoio) impede um desenvolvimento maior desses temas com a devida complexidade.
A Fúria
3.0 5Um bocado corajoso e explícito nos comentários sobre o presente. Uns diálogos forçados mas que compõem com a ousadia e o desapego do realismo. Bem teatro, talvez qq coisa de Dogville no anti- cenário. Que câmera louca.
Marte Um
4.1 339 Assista AgoraTantas camadas e tantos temas. Um filme rico demais. Conseguiu uma proeza meio paradoxal de dialogar tanto com a ficção científica quanto com o cinema-verdade. É um filme de realismo intenso , de personagens muito verossímeis, mas ao mesmo tempo de extra-ordinário (embora possível) que invade a tela (do nada uma pegadinha, ida pra Marte sem volta...).
O bom equilíbrio entre os diversos personagens, todos bem desenvolvidos ao longo do filme, permite essa abordagem habilidosa dos vários temas. E é interessante que o personagem mais calado, o Deivinho, é o que dá o mote que funciona como fio condutor das várias histórias. A busca desse pequeno Galileu moderno periférico, em que se confunde a realização de um sonho, a perseguição de uma paixão e a saída/mudança da sua realidade, funciona como uma metáfora poética para a busca de todos os personagens pela superação da distância entre mundos (que em todos os outros casos, são mundos socialmente separados). É essa busca, e os caminhos que o Deivinho adota nela, que o coloca em conflito com seu pai, que tinha outros caminhos planejados. É um filme sobre caminhos possíveis para uma família negra periférica, e a importância da união pra conseguir trilhá-los.
A Noite do Espantalho
4.0 29Visualmente surpreendente e criativo, mas não me agrada tanto essa linha de excesso de folclorização do nordeste. E um tanto pedante talvez
O Drama
3.6 497 Assista AgoraOs dois primeiros terços são realmente bons, bons diálogos, uma montagem com uma cortes e repetições doidas que dizem muito. Daí no último terço fica bobo, perde o foco nos dilemas interessantes que tinha construído e vira um pastelão meio "um casamento muito louco", com um final fraco.
O Lobo Atrás da Porta
4.0 1,3K Assista AgoraMeio uma Medeia, desconstruída, história real, muito carioca. Só que nesse caso a tragédia é contada em tom de comédia. Bem construído e envolvente até, com uma guinada surpreendente. Sei lá, uma Medeia meio Nelson Rodrigues.
Cinco Tipos de Medo
3.7 27 Assista AgoraRoteiro bem complexo, me passou uma rasteira algumas vezes, conseguiu me enganar. Interessante pra isso o recurso de reiterado de mostrar flashes/cenas, e depois voltar a contar a história delas. Câmera muito habilidosa, se mexendo rápido, fazendo enquadramentos próximos e pouco usuais. Nessa opção de roteiro complexo se perdeu umas 2 vezes, com elementos que não faziam sentido (como assim tirar o cara escondido da prisão? Ele ia ficar foragido o resto da vida? Pq a senhora foi com o filho até o presídio? Não faz sentido). Mas ainda assim, não deixa de ser um bom filme. E muito legal ver no cinema lugares que não costumam ser retratados na telona.
Barba Ensopada de Sangue
2.9 13Faz bem a coisa de deixar ambíguo se está ou não falando do sobrenatural. Mas no fundo é só um filme de gênero que não trata de temas muito interessantes (ou não aproxima neles). As atuações fracas e o final mal construído também não contribuem.
A Graça
3.9 23 Assista AgoraBom trabalho de humanização de homens muito poderosos. Acho que muitos filmes que se passam nesse universo não conseguem fazer isso. Pelo menos não tanto, não desse jeito. E uma vibe muito a Grande Beleza, parece que o Paolo Sorrentino tá muito nisso mesmo de reflexão sobre grandes questões mais para o final da vida.
Um certo de excesso de narrativa heroica, acho que seria mais interessante se o protagonista fosse menos virtuoso. Mas a gente perdoa por rodos os outros méritos do filme.
O Medo Devora a Alma
4.3 116 Assista AgoraCarai, que pedrada Fassbinder.
É muito cativante como a gente não sabe até onde vai a ingenuidade e onde começa a coragem na protagonista. A estrutura em duas partes da narrativa também funciona muito bem: primeiro, apresenta o problema de forma bem caricata, quase boa. Depois, faz uma guinada no andamento, com uma dose de surrealismo, e complexifica bastante o argumento, levantando várias questões novas.
São Paulo Sociedade Anônima
4.2 215Uma câmera bem criativa. Tem uma estética meio filme exaltação, com um monte de takes dos prédios altos vistos de baixo, dando sensação de imponência, e planos abertos nas fábricas, dando noção da dimensão delas. Mas essa estética é usada com ironia, o que dá uma sensação bem ambígua. Como é ambíguo também o protagonista, que até podia gerar compaixão pelo qual desiludido que ele tá, mas é uma pessoa tão insuportável que não rola.