Se você assistir este "Anaconda" como uma comédia escrachada carregada de metalinguagem, com inúmeras referências ao filme original, vai se divertir, mas se esperar uma refilmagem que se leva à serio e focada no terror, este filme não é para você.
Filmado na Austrália, que passa pela Amazônia, é uma sátira ao Anaconda de 1997, este embora tenha sido feito com a intenção de um "filme de monstro'" acabou virando um clássico trash e ganhou várias sequências e esta releitura.
Sim, não é uma sequência ou refilmagem, mas um exercício metalinguístico que fala sobre o filme de 97 como o que ele realmente é, uma produção cinematográfica, e nessa subversão acaba dando um ar que revitaliza a franquia.
No enredo 4 amigos resolvem reviver os sonhos de adolescência quando faziam filmes no "quintal de casa", Doug (Jack Black), especializado em filmagens de casamento, Griff (Paul Rudd), um ator fracassado e dois amigos Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandie Newton). Tem também as divertidas e inusitadas participações de Ice Cube e Jennifer Lopez.
Na Amazônia, fazem contato com o dono de uma cobra, Santiago (Selton Mello, muito à vontade no personagem, com inglês afiado e cena pós-créditos) para o início das filmagens. É claro que tudo dá errado e vira uma grande confusão, com direito à cenas dignas de comédia pastelão como a sequência do javali.
Brasileiros podem se incomodar com o fato de ter uma portuguesa, Daniela Melchior, fazendo o papel que caberia a uma atriz brasileira e o "espanhol" nome "Santiago" para o personagem de Selton Mello, mas não acho nada muito problemático, mesmo porque brasileiros não falam inglês fluente como em todas as produções americanas que se passam no Brasil, mesmo que o Brasil seja a Austrália.
Partindo do sumiço de uma criança, que é algo rotineiro, e tendo como pano de fundo um incêndio florestal, a narrativa toma um caminho inesperado, mostrando como as pessoas podem ter percepções erradas em situações extremas e agem movidos por um sentimento de urgência, que impede um raciocínio coerente e lógico.
Ótimas atuações em um desenvolvimento cheio de tensão, apesar da narrativa lenta com uma constante sensação de claustrofobia, entre as paredes de uma cabana ou pelas chamas que se alastram e vão encurralando os personagens. À medida que as chamas se aproximam, as mentes também vão se descontrolando como o fogo.
pois tudo naquele mundo perfeitamente plastificado estava meio na cara que não era de verdade
Tirando os protagonistas, não há um aprofundamento dos demais personagens que transitam naquela perfeita bolha dos anos 50 com seus figurinos coloridos e cenários estilizados.
Passado distópico, crítica social, thriller psicológico, tudo junto e misturado. É instigante, mas não me pegou.
“Pecadores” seria apenas mais um “filme de vampiro”, não fosse o fato que aqui os vampiros são usados como metáforas. Estes seres sobrenaturais invadem o espaço dos negros e sugam seu sangue, mas enquanto fazem isso literalmente há um subtexto sobre a apropriação cultural da música, comida e costumes da comunidade negra americana.
Antes de entrar propriamente na ação “vampiresca”, há um longo prólogo no qual somos apresentados aos personagens no seu dia-a-dia, seus conflitos e interações para que pudéssemos nos importar com o que vai acontecer com estes personagens e não serem apenas mortes aleatórias, além de estabelecer o local e o contexto histórico, o Mississipi de 1932, da segregação racial e da Ku Klux Klan.
O blues tem papel central na narrativa, ao intuir que a música teria um pacto com o demônio, o personagem Sammie (Miles Caton) deixa clara essa alusão quando se vê dividido entre o blues e a fé cristã. Uma belíssima sequência unindo passado, presente e futuro, alude às raízes desse estilo musical como também ao legado que ele deixou na história e na cultura negra americana e o poder transcendental da música atravessando gerações.
Michael B. Jordan faz um belo trabalho como os gêmeos Stack e Smoke, com diferenças sutis para distinguir os irmãos, se destacando em um elenco primoroso, não há como apontar uma atuação destoante.
“Pecadores” é original na sua representação do sobrenatural para evocar o conflito racial, porém como filme de vampiro é apenas mais um filme de vampiro. E muitos que não captarem essa simbologia da trama, vão apenas achar que é um filme “comum” de vampiros com os habituais clichês sobre essas criaturas, sensibilidade à luz solar, ao alho, cruzes, estacas e que precisam de permissão para entrar em um ambiente.
O filme incorpora o realismo fantástico para se aprofundar nas várias camadas do subtexto racial e nesse sentido consegue um resultado brilhante. Os vampiros deturpam o que não possuem e resta aos negros a resistência para manter sua identidade.
A dúvida é quem são os verdadeiros pecadores, os brancos que deturpam e invadem o espaço que não é seu ou os negros que querem se divertir e celebrar, muitas vezes abandonando a fé cristã e se tornando “pecadores” segundo a doutrina religiosa?
Esse terceiro filme da franquia "Knives out", muda um pouco o foco da narrativa, ao invés de ser totalmente voltada para a descoberta do assassino, temos um enredo centrado em questionamentos do comportamento humano, da fé e da religiosidade.
É claro que existe uma trama a ser desvendada, mas mais do que apontar o "quem matou", questiona-se o "porque matou" e a narrativa tem como personagens protagonistas o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig, inspirado em detetives clássicos da literatura especialmente em Hercule Poirot, o personagem icônico de dama do mistério Agatha Christie) e o padre Jud Duplenticy (Josh O´Connor).
O primeiro encontro entre os dois se dá dentro de uma igreja, em que Blanc já deixa claro sua total falta de crença na religião ao passo que o padre Jud mostra-se, dentro de uma dor e uma fragilidade carregando uma culpa por uma morte que ele provocou, é um ser absolutamente seguro de sua fé.
Vi críticas as cenas excessivamente explicativas, mas um romance policial, que inspira a narrativa, é feito destas cenas, em que no final, o detetive é a figura central, explicando todos os detalhes de como o crime foi cometido.
O assassinato a ser investigado é do Monsenhor Jefferson Micks (Josh Brolin), um homem arrogante, egoísta e que quer impor sua presença como quase um Deus diante de seus paroquianos e para isso planeja a própria falsa morte, mas acaba sendo morto mesmo. Sua encenação da morte simulada e posterior ressureição, remete ao milagre bíblico de Lázaro.
Os personagens coadjuvantes são pouco desenvolvidos como o médico Nat Sharp (Jeremy Renner), a paroquiana Vera (Kerry Washington, careteira como sempre) e a funcionária da Paróquia Martha (Glenn Close), personagem pouco explorado pela importância que teria no final, mas que conta com a atuação segura e sempre excelente de uma grande atriz.
Toda a narrativa menos suntuosa, tantos em cenários quanto em diálogos, faz a trama mais reflexiva, não há as cenas exageradas e caricatas, os personagens tem suas falhas e defeitos puramente humanos, até Blanc se mostra mais falho, e na cena final, onde supostamente deveria revelar toda a trama do assassinato, não se furta a dizer que não conseguiu desvendar, embora seja para que o verdadeira assassinato se revelasse.
A explícita relação com a religiosidade, é feita quando Blanc, ao se preparar para revelar toda a trama e ser aclamado, a luz vinda dos vitrais da igreja o iluminam, como se fosse um ser sagrado prestes a realizar um milagre.
As atuações dos protagonistas são perfeitas, Josh O`Connor tem uma interpretação contida mas ao mesmo intensa ao deixar evidente a dor e culpa que o dilaceram, Daniel Craig entende que seu detetive deve parecer mais sério e menos caricato.
A terceira produção da franquia "Knives out" apresenta uma trama mais contemplativa, mais amarga, menos divertida que não deixa de expor a trama investigativa que envolve os espectadores mas entrega uma narrativa que tem outras camadas que vão além do mistério policial.
Neste segundo telefilme, ainda antes da estreia da série, que se tornou um marco nas séries policias para a TV, Columbo volta com seu costumeiro desleixo, olhar distraído e jeito confuso, que esconde uma mente genial
No enredo Columbo investiga a morte do marido de Leslie Williams (Lee Grant) e como sempre, começa um jogo de gato e rato entre assassino e detetive, como no primeiro filme e que depois se tornaria a "receita" da série.
A trama mostra que Leslie é a assassina logo no começo e então vemos todos os detalhes de como a efervescente mente de Columbo funciona exposta em diálogos inteligentes e irônicos.
O "assassino" convidado de cada episódio era sempre um ator bastante conhecido e o duelo de atuações era um dos maiores trunfos dos filmes e posteriormente da série, que se tornou um fenômeno mundial ganhando inúmeros prêmios, assim como Peter Falk que teve o papel de sua vida.
A primeira produção com o personagem Columbo, que viria a ser o papel da vida de Peter Falk.
O icônico detetive se tornou um marco nas séries policiais com seu desleixo, capa de chuva surrada, charuto e o velho Peugeot 1959, que fazia com que todos os investigados subestimassem sua capacidade e até debochassem dele.
Nesta apresentação do personagem, Columbo investiga o assassinato da esposa de um psiquiatra (Gene Barry da série "Bat Masterson) e já mostra sua genialidade ao observar detalhes que levam à revelação do assassino.
O roteiro subverte à clássica trama de investigação, na qual o assassino é revelado ao final. Sabemos quem é o autor do crime desde a primeira cena, vemos como o assassinato é arquitetado e o desenvolvimento da trama será como Columbo vai descobrir o que aconteceu.
O jogo de gato e rato entre o detetive e o assassino, recheado de diálogos espirituosos, é o que envolve o espectador, sempre com uma excessiva educação, se desculpando por tudo, até que mostra que não era o sujeito atrapalhado e desligado que parecia ser.
Quando ao final descobrimos que as visões da protagonista, são acontecimentos que iriam acontecer e não que já aconteceram. Afinal era a casa que gerava as visões? já que quando ela liga para a antiga moradora, a mulher diz para ela que também teve visões.
A reviravolta final, que o título nacional entrega, causa uma certa surpresa, mas muita coisa fica sem explicação.
A história revolta como todo caso que envolve abuso de crianças.
Mostra uma mulher manipuladora e cruel, mas que aparentemente acreditava estar fazendo o bem daqueles que torturava.
A narrativa é um tanto lenta e repetitiva, aborda a forma como Jodie Hildebrant envolvia suas vítimas, como manipulou a mãe das crianças abusadas e torturadas (mas não eximo a mãe de culpa), como uma mente doentia tinha milhares de seguidores que lhe permitia ter uma vida confortável em propriedade de luxo e no final como se deu a prisão e julgamento.
“A substância” é um filme chocante, por vezes exagerado e apelativo, mas que constrói uma narrativa envolvente, cheia de camadas, eficaz embora perturbadora.
SPOILERS ABAIXO
Demi Moore é Elizabeth Sparkle, uma atriz que é descartada quando envelhece e desesperada por reaver a juventude perdida, recorre à uma droga que chega até ela de forma misteriosa e ao aplicar a tal “substância” acaba por gerar uma cópia jovem de si mesma, que nasce de sua costela (a semelhança bíblica com Eva nascendo da costela de Adão é proposital).
A cópia, que adota o nome de Sue (Margaret Qualley) não é fisicamente igual, é jovem e possui os padrões de beleza e sexualização que o mundo exige. Logo começa a querer mais e não faz a troca exigida a cada sete dias, se tornando ela também escrava da padronização imposta pela indústria do entretenimento.
Embora seja uma crítica bastante explícita à indústria da beleza, não deixa de ser uma crítica também às próprias mulheres, que se deixam levar pelas exigências dessa indústria e também da sociedade, começando a buscar uma beleza inacessível e a ilusória juventude eterna através de múltiplos procedimentos estéticos hoje disponíveis.
Os cenários e figurinos coloridos, a caricata atuação de Dennis Quaid como o empresário misógino, a exposição do corpo, ora belo e ora grotescamente deformado, formam um quadro propositalmente exagerado, refletindo o quanto esse mundo idealizado da estética é cruel.
Elizabeth não usufrui dos privilégios e vantagens que sua jovem versão passa a viver, enquanto Sue colhe os louros da fama e do sucesso, ela permanece escondida e solitária, observando à distância com tristeza e revolta, apesar de ouvir da misteriosa organização que ambas são uma só, não é isso que transparece, é como se o enredo mostrasse que tanto sacrifício em busca da juventude perdida, acaba não valendo, é só um sofrimento inútil que acaba sendo apenas isso, amargura e decepção.
Quem indaga de onde veio a tal droga e o que era a organização que a produz... são perguntas irrelevantes, já que o filme inteiro é uma alegoria, não existe tal droga que faça você “parir” uma cópia jovem, como não existe a fórmula da juventude. A “substância” é o desejo da perfeição que a sociedade nos impõe e o baque que sofremos quando percebemos que essa perfeição não existe.
A sequência final vai ao extremo do “body horror”, excessivo e impactante, de certa forma condena a sociedade atual que valoriza estes padrões estéticos, a ponto de muitas vezes destruir seu corpo em busca desse padrão inatingível. É uma crítica amarga e ácida, que gera desconforto, por vezes exaustão, não é uma experiência fácil, está longe de ser entretenimento, é sobretudo reflexão de uma sociedade doente, carente de sentimentos e que busca na aparência idealizada a realização plena.
Demi Moore merece todos os elogios, abrindo mão da vaidade tem uma atuação visceral que contribui de forma decisiva para o sustento da narrativa. Ironicamente perdeu o Oscar para uma atriz de 25 anos, o que acaba parecendo uma extensão de tudo que o filme mostrou
Assisti "Fargo" o filme, logo após ter visto a fabulosa primeira temporada da série "Fargo", cujo enredo nele se baseia. Comparar uma obra de uma hora e meia com uma série de 10 episódios, não parece justo, mas é inevitável. Talvez tivesse outra opinião se tivesse apenas o filme.
O filme parece simplista, esquemático, não conseguimos conhecer seus personagens, motivações, relacionamentos, personalidades, nada.
Marge é apenas uma mulher caipira grávida que tem um casamento amoroso com um sujeito bonachão e Jerry Lundegaard (William H. Macy) é pouco estruturado e bem menos maquiavélico, ambicioso e cruel que sua versão na série.
A raiz narrativa está presente, mas tudo de forma muito tênue, sem a força das interpretações e profundidade de sua versão posterior.
"Fargo" recebeu 7 indicações ao Oscar e ganhou duas, melhor roteiro original e melhor atriz para Frances McDormand, embora para mim seja um mistério que ela tenha sido premiada por esta atuação.
O filme se tornou cult, mas diante de seu remake no formato seriado, envelheceu mal. Vale como curiosidade para vermos de onde saiu o embrião da excelente série produzida muitos anos depois.
A informação que se trata de uma história real é uma brincadeira dos irmãos Coen, embora se baseie levemente em um caso verídico, toda a narrativa é ficcional.
Numa noite fria, Polly (Dakota Fanning, em boa atuação) recebe a visita de uma velha senhora que lhe entrega uma misteriosa caixa, o tal "presente maldito", que embora seja um título nacional genérico, descreve bem os acontecimentos da narrativa.
A partir daí a caixa "obriga" Polly a praticar uma série de atos contra si mesma, além de sofrer uma intensa tortura psicológica.
O filme carrega simbolismos, o principal deles é que você é quem mais pode fazer mal a você mesmo e desenvolve esse conceito em uma fábula alegórica que quem quiser explicações lógicas, não vai encontrar.
Apesar de entender tais simbologias, o desenvolvimento do enredo foi lento, repetitivo e muito cansativo. Na metade do filme estava querendo que acabasse logo.
Óbvio que ao assistir este documentário, somos imediatamente remetidos à "nossa" Jennifer, o caso de Suzanne Richtofen. A coincidência é ainda mais curiosa, quando até o namorado cúmplice tem o mesmo nome, Daniel.
Carece de ritmo, e se restringe quase que à depoimentos bastante repetitivos, focando mais no trabalho da polícia em fazer Jennifer confessar, do que se aprofundar em uma análise da personalidade dos envolvidos e, principalmente, da protagonista.
Já vi vários episódios do canal Discovery ID, nos EUA este tipo de crime é mais comum, e ganham narrativas de 40 minutos. Acho que não há material e nem houve aprofundamento para um documentário de uma hora e meia
Depois de muito tempo, quase vinte anos após seu lançamento, assisti “O labirinto do fauno”, um dos mais conhecidos e premiados filmes de Guillermo Del Toro.
SPOILERS ABAIXO O apuro visual e técnico é marca registrada do diretor que faz de sua sinistra fábula, uma narrativa que consegue resgatar a essência sombria dos contos de fada originais, que não tinham nada das versões edulcoradas criadas posteriormente, principalmente pelos estúdios Disney.
Temos uma criança como protagonista, Ofélia (Ivana Barquera em atuação sensível ), menina que gosta de ler contos de fadas e mais do que isso, acaba mergulhando neles para fugir de sua realidade dolorosa. Obviamente os seres fantásticos e as situações vividas por Ofélia são fruto de uma mente criativa, acuada pela realidade atroz, a menina escapa para um mundo de faz de conta, mas que, embora encantador, não é feito de seres belos no sentido padrão do termo, então entendo daí a percepção que o mundo imaginário dialoga com o real e o espelha.
“O labirinto do fauno” é um filme que a princípio engana, parecendo ser destinado à crianças, mas além de personagens assustadores para os pequenos, tanto no mundo da fantasia como no real, há também cenas muito violentas.
Numa das cenas mais icônicas do filme, Ofélia encontra e tem que fugir do Homem Pálido, um ser que tem olhos nas palmas das mãos, uma das imagens mais lembradas do longa, existem semelhanças entre a terrível criatura e o padrasto cruel da menina, Vidal (Sergi Lopez), capitão do exército do ditador Francisco Franco, que tem como missão eliminar grupos de resistência ao final da guerra civil espanhola. O odioso capitão protagoniza uma das cenas mais violentas do filme, ao assassinar friamente um pai e um filho acusados de serem revolucionários, para depois descobrir que estavam falando a verdade e apenas caçavam coelhos na mata. Sua indiferença após descobrir o engano, é revoltante e marca a intenção em frisar que o personagem é o “lobo mau” do mundo real.
Del Toro não faz concessões para dar um final feliz ao seu conto de fadas, sua protagonista, uma criança morre , mas ao mesmo tempo vemos que ela alcança o seu objetivo, ser princesa do mundo subterrâneo ao lado dos pais. Ofélia foge literalmente da brutalidade para um mundo, dessa vez eterno, de fantasia, assim novamente os universos convivem e interagem entre si, com os efeitos do fabuloso sobre o real.
Repleto de alegorias e simbolismos, Del Toro se utiliza de sua habilidade em criar seres fantásticos e universos extraordinários, para refletir sobre um dos períodos mais opressivos e violentos da história da Espanha.
A nova versão de “Frankenstein” sob a direção de Guillermo Del Toro embora modifique muitos pontos da obra de Mary Shelley, mantém o principal, a abordagem filosófica existencial do romance.
SPOILERS ABAIXO
Há várias adaptações para o cinema, a maioria manteve apenas a ideia central, um cientista que constrói uma criatura a partir de pedaços de cadáveres, uma premissa perfeita para um filme de terror, deixando de lado todas as camadas psicológicas da obra.
Como era de se esperar, sendo um filme de Del Toro, o apuro estético é fabuloso, com um visual deslumbrante em cada uma de suas cenas, é um deleite para os olhos. Mesmo que o filme seja sem dúvida do cineasta espanhol, carregando todas as características que ele emprega em suas produções, soube respeitar o material em que se baseou.
Del Toro tem como hábito tirar beleza da monstruosidade como já havia feito em “A forma da água” e “O labirinto do fauno” e nesse não é diferente. A criatura de Del Toro nem chega a ser repugnante, é de certa forma bela e encontra na melancólica e excelente atuação de Jacob Elordi, uma representação perfeita de toda a carga dramática que o personagem carrega, um ser perdido no mundo, criado a partir da morte, que anseia por amor, compreensão e aceitação mas é rechaçado por todos, inclusive por aquele que o criou.
Por sua vez, o Victor Frankenstein vivido por Oscar Isaac, é o homem que brinca de Deus, arrogante, prepotente, que cria um ser que ele acreditava ser perfeito mas logo desiste do “Filho” e passa a querer destruí-lo quando percebe que sua criação resulta defeituosa. Há também uma alusão à paternidade, o cientista que teve um pai rígido, negligente e nada afetuoso, devolve para sua criação essa falta de amor paterno. A atuação de Isaac, o tempo todo numa performance frenética, considerei acima do tom, não existe uma dualidade, ele é insuportável o tempo todo, talvez de forma proposital, mas havia tanta necessidade de criar um personagem tão irascível, que não despertasse a menor empatia? Após deixar isso tão claro, que a criatura era um ser atormentado e infeliz, acuado pelo mundo que o rejeita, e Victor o vilão da narrativa, achei desnecessário ter que verbalizar isso quando William, ferido pela fúria da criatura, diz para Victor que era ele o verdadeiro monstro.
Mia Goth vivendo Elizabeth, é uma presença etérea e enigmática, típica dos personagens já vividos por ela. Seu envolvimento com a criatura, quase uma paixão, não existe no livro, assim como no livro ela é noiva de Victor, não de seu irmão William ((Felix Kammerer), que morre na infância, assassinado pela criatura como também a própria Elizabeth é estrangulada pelo monstro. Nesse ponto, a grande diferença em relação à obra literária, o ser perdido e solitário, mata as pessoas próximas de seu criador para se vingar mas no filme isso não acontece, Del Toro parece querer deixar claro que a criatura é apenas uma vítima de seu criador e seu acessos de fúria são apenas uma reação ao mundo que o rejeita.
Mia vive também Claire, a mãe de Vitor, mas maquiada está irreconhecível. Há talvez uma tentativa de insinuar algo na linha edipiana, embora o romance entre Victor e Elizabeth já termine antes de começar. Victor sente ciúme e odeia que sua criatura imperfeita desperte sentimentos em Elizabeth, o que faz com que deseje ainda mais destruir sua criação. Na verdade a moça se reconhece na criatura, já que diz que sempre se sentiu deslocada e não encontrava seu lugar no mundo.
Uma opção perfeita foi dividir a estrutura narrativa em duas partes, a primeira contada do ponto de vista do criador e depois da criatura, mas não a mesma história se repetindo, mas sendo continuada.
Del Toro dá bastante destaque à construção da criatura, que não aparece na obra de Shelley, criando uma descrição dos pormenores com uma base científica que resulta bastante interessante. Temos um personagem que não existe na obra original Henrich Harlander (Cristoph Waltz) que é o patrocinador do projeto de Victor, tio de Elizabeth, mas acaba sendo pouco explorado. Ele está morrendo, queria substituir seu corpo doente e para isso apoiou a ideia ousada, mas pouco depois morre.
Del Toro também faz de sua criatura um ser indestrutível, outra diferença da obra original, em certo momento ele diz “não consigo viver e não consigo morrer”, a vida para a perturbada criatura passa a ser um peso do qual quer se livrar mas não consegue, o que torna sua existência ainda mais dolorida. Só encontra um pouco de compreensão e amor em Elizabeth e no velho que o acolhe na fazenda em que se refugia, mas são breves momentos que logo descambam para a tragédia.
Pesando prós e contras, Del Toro faz um filme suntuoso, com uma criatura que mistura o belo e o grotesco, a gentileza e a violência, uma história macabra que dá espaço para o drama sensível, o aprofundamento na mente de criador e criatura, uma fábula gótica que não poderia faltar na filmografia do diretor, que parecia talhado para fazer uma adaptação de uma das mais famosas obras da literatura ocidental. Seu filme assombra mas ao mesmo nos encanta com sua criatura monstruosamente terna, que, como quase todo ser humano, quer apenas ser aceita e compreendida.
Os mesmos comentários excessivamente elogiosos que houve em torno de "Longlegs" e confesso também, para mim, a mesma decepção. Melhor filme de terror dos últimos anos? Definitivamente não. Então a decepção vem da expectativa, não que seja ruim, mas não corresponde ao hype.
O elenco tem ótimas atuações com destaque para Julia Garner e Josh Brolin. Julia está soberba vivendo a professora acuada e perseguida como a responsável pelo sumiço das crianças e ainda enfrenta problemas com alcoolismo e Brolin vivendo o pai de uma das crianças desaparecidas nos dá a dimensão exata de seu desespero.
O filme tem uma fabulosa atmosfera de suspense e funciona muito bem, mas acho que construído sob uma base realista de crítica social, falando de bullying, polícia ineficiente, pais negligentes. vício em drogas, exagera ao focar em uma resolução totalmente sobrenatural e com um tom farsesco.
Um espaço considerado seguro, como um condomínio no subúrbio, revela-se aterrorizante, misterioso, sufocante. Não há tranquilidade nem para fazer compras em um supermercado que de repente é invadido por uma espécie de zumbi correndo alucinadamente.
É claro que com a parte final, quando o mistério é revelado, nem dá para reclamar que ninguém viu, dentro de um condomínio, para onde as crianças tinham ido, afinal condomínios tem câmeras, mas uma falha dessas acaba sendo irrelevante diante de toda a solução que é calcada no fantástico.
O documentário, embora tenha no título "filha" não se limita só ao depoimento de Kerri Rawson, mas também de investigadores que trabalharam no caso.
Dennis Rader, que ficou conhecido como BTK, abreviatura de "bind, torture, kill", ou, em português, "amarrar, torturar, matar", era casado, pai de dois filhos, e, ao contrário de muitos assassinos em série solitários, vivia uma existência em família aparentemente normal.
Kerri descreve o trauma e o sofrimento ao se descobrir filha de um monstro, que assassinou ao menos dez pessoas.
Prepotente e orgulhoso de seus atos hediondos, Rader só foi capturado em 2004 pela sua própria arrogância trinta após os primeiros assassinatos ocorridos em 1974, querendo reconhecimento pelos crimes, já que poucos se lembravam dos assassinatos, ele começa a enviar cartas para a polícia e acaba sendo capturado por evidências nas correspondências e um teste de DNA feito com material coletado de sua filha.
Dennis Rader ainda está vivo e cumpre pena de prisão perpétua.
O documentário é ágil ao descrever os fatos e emociona ao captar os sentimentos conflitantes da filha do assassino, que chega a visitá-lo na cadeia descrevendo o encontro.
A única pessoa da família do serial killer que concordou em participar da produção foi Kerri, nenhum familiar das vítimas aceitou participar o que deixou a série jornalisticamente menos rica, mas uma recusa bastante compreensível.
Baseado na peça teatral de Anthony Shaffer, o filme é isso, teatro filmado, tanto que na cena de encerramento, uma cortina se fecha.
Apenas dois atores em cena, simplesmente dois dos maiores atores de todos os tempos, Laurence Olivier e Michael Caine que travam um duelo de atuação magnífico, sendo ambos indicados ao Oscar.
Não sei na época, mas hoje uma das surpresas seria facilmente desvendada já que
quando o inspetor Doppler entra em cena, facilmente se nota que é Michael Caine sob maquiagem. A produção com o intuito de enganar o espectador, lista nos créditos iniciais atores fictícios que não aparecem no filme, entre eles Alec Cawthorne como o inspetor vivido, na verdade, por Caine.
Um tanto cansativo pela longa duração, mas sempre envolvente.
Não vi o filme dos anos 70 que dizem, ser mais fiel ao livro, que eu li, mas como faz muito tempo não lembro de detalhes.
Tem muita ação, um vilão desprezível e psicopata, na atuação um tanto "over" de John Travolta e Denzel Washington naquilo que faz de melhor, um personagem heroico.
Narrativa envolvente, cenas tensas e bastante violentas como
o protagonista voltando para casa com os litros de leite que a esposa pediu, mas um homem comum, que nunca havia pegado em uma arma, retornar para casa tranquilamente depois de assassinar alguém, sim era um psicopata assassino, mas foi uma morte à sangue frio, é bem inverossímil.
Enfim, perdoável porque é cinema, e como ação, o filme tem ótimas sequências, dois astros como protagonistas, codjuvados por um muito bom elenco de apoio.
Possessão demoníaca não está entre os meus temas preferidos e nem sou especialista no assunto, mas este é certamente um dos piores, senão o pior filme sobre possessão que eu já vi.
O filme é um amontoado de clichês sobre possessão demoníaca, o que não seria totalmente ruim se atuações, cenários e efeitos especiais não fossem de uma pobreza visual e narrativa constrangedoras.
A filha mata o pai e fica por isso mesmo? Vão acreditar que ela estava possuída e tudo bem?
Pobre Henry Thomas (o eterno garoto de "ET") que já fez algumas boas produções como "A maldição da residência Hill", o que não é o caso desta.
A única coisa que se salvou foi a canção fofa nos créditos finais, a bonitinha "I'll be your pet" de Katelyn Epperly, que embora pareça, não é uma canção das décadas de 50 0u 60.
Mais um filme que bebe na fonte de "Seven" mas sem chegar perto da qualidade deste.
Illeana (Angelina Jolie) é a agente especial convocada para ajudar na captura de um serial killer que rouba a identidade de suas vítimas passando a viver suas vidas.
Para mim foi bem previsível e acho que para a maioria que
Costa (Ethan Hawke) não era vítima mas sim o verdadeiro assassino e me parece bem forçado que a super agente, que nos dá a entender que teria uma espécie de sexto sentido ou vidência, se deixar seduzir por ele sem nem desconfiar que era o serial killer que perseguiam. A cena final da gravidez falsa, embora possa ser até um inesperado plot twist, também desconfiei, pois Illeana ter os filhos gêmeos de um serial killer, me pareceu incoerente.
Angelina Jolie é linda e sexy, mas ficar o filme inteiro com aquele carão de "sou linda e sexy" me irritou.
Tem uns policiais que falam francês, pois o filme se passa em Montreal no Canadá, que estão lá só para fazerem papel de trouxa, entre eles Olivier Martinez, que na época ainda era lindo e havia feito "Infidelidade" dois anos antes.
Tem também uma participação pequena de Kiefer Sutherland que acho que devia algum favor para o diretor ou estava com boletos para vencer.
Enfim, filme dos anos 2000, com cara de anos 90. Se não for muito exigente, é um passatempo razoável.
Anaconda
2.5 240Se você assistir este "Anaconda" como uma comédia escrachada carregada de metalinguagem, com inúmeras referências ao filme original, vai se divertir, mas se esperar uma refilmagem que se leva à serio e focada no terror, este filme não é para você.
Filmado na Austrália, que passa pela Amazônia, é uma sátira ao Anaconda de 1997, este embora tenha sido feito com a intenção de um "filme de monstro'" acabou virando um clássico trash e ganhou várias sequências e esta releitura.
Sim, não é uma sequência ou refilmagem, mas um exercício metalinguístico que fala sobre o filme de 97 como o que ele realmente é, uma produção cinematográfica, e nessa subversão acaba dando um ar que revitaliza a franquia.
No enredo 4 amigos resolvem reviver os sonhos de adolescência quando faziam filmes no "quintal de casa", Doug (Jack Black), especializado em filmagens de casamento, Griff (Paul Rudd), um ator fracassado e dois amigos Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandie Newton). Tem também as divertidas e inusitadas participações de Ice Cube e Jennifer Lopez.
Na Amazônia, fazem contato com o dono de uma cobra, Santiago (Selton Mello, muito à vontade no personagem, com inglês afiado e cena pós-créditos) para o início das filmagens. É claro que tudo dá errado e vira uma grande confusão, com direito à cenas dignas de comédia pastelão como a sequência do javali.
Brasileiros podem se incomodar com o fato de ter uma portuguesa, Daniela Melchior, fazendo o papel que caberia a uma atriz brasileira e o "espanhol" nome "Santiago" para o personagem de Selton Mello, mas não acho nada muito problemático, mesmo porque brasileiros não falam inglês fluente como em todas as produções americanas que se passam no Brasil, mesmo que o Brasil seja a Austrália.
Corta-fogo
3.0 32 Assista AgoraPartindo do sumiço de uma criança, que é algo rotineiro, e tendo como pano de fundo um incêndio florestal, a narrativa toma um caminho inesperado, mostrando como as pessoas podem ter percepções erradas em situações extremas e agem movidos por um sentimento de urgência, que impede um raciocínio coerente e lógico.
No final
apesar dos ferimentos físicos, todos sobrevivem
mas saem mais feridos psicologicamente.
Ótimas atuações em um desenvolvimento cheio de tensão, apesar da narrativa lenta com uma constante sensação de claustrofobia, entre as paredes de uma cabana ou pelas chamas que se alastram e vão encurralando os personagens. À medida que as chamas se aproximam, as mentes também vão se descontrolando como o fogo.
Não Se Preocupe, Querida
3.3 625 Assista AgoraFlorence Pugh é ótima atriz, carrega o filme nas costas, Harry Styles deve ser melhor cantando (nunca ouvi nada dele).
O plot twist final não me surpreendeu
pois tudo naquele mundo perfeitamente plastificado estava meio na cara que não era de verdade
Tirando os protagonistas, não há um aprofundamento dos demais personagens que transitam naquela perfeita bolha dos anos 50 com seus figurinos coloridos e cenários estilizados.
Passado distópico, crítica social, thriller psicológico, tudo junto e misturado. É instigante, mas não me pegou.
Pecadores
4.0 1,2K Assista Agora“Pecadores” seria apenas mais um “filme de vampiro”, não fosse o fato que aqui os vampiros são usados como metáforas. Estes seres sobrenaturais invadem o espaço dos negros e sugam seu sangue, mas enquanto fazem isso literalmente há um subtexto sobre a apropriação cultural da música, comida e costumes da comunidade negra americana.
Antes de entrar propriamente na ação “vampiresca”, há um longo prólogo no qual somos apresentados aos personagens no seu dia-a-dia, seus conflitos e interações para que pudéssemos nos importar com o que vai acontecer com estes personagens e não serem apenas mortes aleatórias, além de estabelecer o local e o contexto histórico, o Mississipi de 1932, da segregação racial e da Ku Klux Klan.
O blues tem papel central na narrativa, ao intuir que a música teria um pacto com o demônio, o personagem Sammie (Miles Caton) deixa clara essa alusão quando se vê dividido entre o blues e a fé cristã. Uma belíssima sequência unindo passado, presente e futuro, alude às raízes desse estilo musical como também ao legado que ele deixou na história e na cultura negra americana e o poder transcendental da música atravessando gerações.
Michael B. Jordan faz um belo trabalho como os gêmeos Stack e Smoke, com diferenças sutis para distinguir os irmãos, se destacando em um elenco primoroso, não há como apontar uma atuação destoante.
“Pecadores” é original na sua representação do sobrenatural para evocar o conflito racial, porém como filme de vampiro é apenas mais um filme de vampiro. E muitos que não captarem essa simbologia da trama, vão apenas achar que é um filme “comum” de vampiros com os habituais clichês sobre essas criaturas, sensibilidade à luz solar, ao alho, cruzes, estacas e que precisam de permissão para entrar em um ambiente.
O filme incorpora o realismo fantástico para se aprofundar nas várias camadas do subtexto racial e nesse sentido consegue um resultado brilhante. Os vampiros deturpam o que não possuem e resta aos negros a resistência para manter sua identidade.
A dúvida é quem são os verdadeiros pecadores, os brancos que deturpam e invadem o espaço que não é seu ou os negros que querem se divertir e celebrar, muitas vezes abandonando a fé cristã e se tornando “pecadores” segundo a doutrina religiosa?
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out
3.6 240 Assista AgoraSPOILERS ABAIXO
Esse terceiro filme da franquia "Knives out", muda um pouco o foco da narrativa, ao invés de ser totalmente voltada para a descoberta do assassino, temos um enredo centrado em questionamentos do comportamento humano, da fé e da religiosidade.
É claro que existe uma trama a ser desvendada, mas mais do que apontar o "quem matou", questiona-se o "porque matou" e a narrativa tem como personagens protagonistas o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig, inspirado em detetives clássicos da literatura especialmente em Hercule Poirot, o personagem icônico de dama do mistério Agatha Christie) e o padre Jud Duplenticy (Josh O´Connor).
O primeiro encontro entre os dois se dá dentro de uma igreja, em que Blanc já deixa claro sua total falta de crença na religião ao passo que o padre Jud mostra-se, dentro de uma dor e uma fragilidade carregando uma culpa por uma morte que ele provocou, é um ser absolutamente seguro de sua fé.
Vi críticas as cenas excessivamente explicativas, mas um romance policial, que inspira a narrativa, é feito destas cenas, em que no final, o detetive é a figura central, explicando todos os detalhes de como o crime foi cometido.
O assassinato a ser investigado é do Monsenhor Jefferson Micks (Josh Brolin), um homem arrogante, egoísta e que quer impor sua presença como quase um Deus diante de seus paroquianos e para isso planeja a própria falsa morte, mas acaba sendo morto mesmo. Sua encenação da morte simulada e posterior ressureição, remete ao milagre bíblico de Lázaro.
Os personagens coadjuvantes são pouco desenvolvidos como o médico Nat Sharp (Jeremy Renner), a paroquiana Vera (Kerry Washington, careteira como sempre) e a funcionária da Paróquia Martha (Glenn Close), personagem pouco explorado pela importância que teria no final, mas que conta com a atuação segura e sempre excelente de uma grande atriz.
Toda a narrativa menos suntuosa, tantos em cenários quanto em diálogos, faz a trama mais reflexiva, não há as cenas exageradas e caricatas, os personagens tem suas falhas e defeitos puramente humanos, até Blanc se mostra mais falho, e na cena final, onde supostamente deveria revelar toda a trama do assassinato, não se furta a dizer que não conseguiu desvendar, embora seja para que o verdadeira assassinato se revelasse.
A explícita relação com a religiosidade, é feita quando Blanc, ao se preparar para revelar toda a trama e ser aclamado, a luz vinda dos vitrais da igreja o iluminam, como se fosse um ser sagrado prestes a realizar um milagre.
As atuações dos protagonistas são perfeitas, Josh O`Connor tem uma interpretação contida mas ao mesmo intensa ao deixar evidente a dor e culpa que o dilaceram, Daniel Craig entende que seu detetive deve parecer mais sério e menos caricato.
A terceira produção da franquia "Knives out" apresenta uma trama mais contemplativa, mais amarga, menos divertida que não deixa de expor a trama investigativa que envolve os espectadores mas entrega uma narrativa que tem outras camadas que vão além do mistério policial.
Columbo: Resgate por um Homem Morto
3.0 2Neste segundo telefilme, ainda antes da estreia da série, que se tornou um marco nas séries policias para a TV, Columbo volta com seu costumeiro desleixo, olhar distraído e jeito confuso, que esconde uma mente genial
No enredo Columbo investiga a morte do marido de Leslie Williams (Lee Grant) e como sempre, começa um jogo de gato e rato entre assassino e detetive, como no primeiro filme e que depois se tornaria a "receita" da série.
A trama mostra que Leslie é a assassina logo no começo e então vemos todos os detalhes de como a efervescente mente de Columbo funciona exposta em diálogos inteligentes e irônicos.
O "assassino" convidado de cada episódio era sempre um ator bastante conhecido e o duelo de atuações era um dos maiores trunfos dos filmes e posteriormente da série, que se tornou um fenômeno mundial ganhando inúmeros prêmios, assim como Peter Falk que teve o papel de sua vida.
Fórmula Para Matar
4.3 4A primeira produção com o personagem Columbo, que viria a ser o papel da vida de Peter Falk.
O icônico detetive se tornou um marco nas séries policiais com seu desleixo, capa de chuva surrada, charuto e o velho Peugeot 1959, que fazia com que todos os investigados subestimassem sua capacidade e até debochassem dele.
Nesta apresentação do personagem, Columbo investiga o assassinato da esposa de um psiquiatra (Gene Barry da série "Bat Masterson) e já mostra sua genialidade ao observar detalhes que levam à revelação do assassino.
O roteiro subverte à clássica trama de investigação, na qual o assassino é revelado ao final. Sabemos quem é o autor do crime desde a primeira cena, vemos como o assassinato é arquitetado e o desenvolvimento da trama será como Columbo vai descobrir o que aconteceu.
O jogo de gato e rato entre o detetive e o assassino, recheado de diálogos espirituosos, é o que envolve o espectador, sempre com uma excessiva educação, se desculpando por tudo, até que mostra que não era o sujeito atrapalhado e desligado que parecia ser.
Here After
1.8 12Produção italo-americana filmado em Roma.
Suspense de possessão genérico, atuações de medianas para ruins, com narrativa arrastada e final sem surpresas.
A Última Premonição
2.6 170 Assista AgoraSuspense genérico que serve apenas como passatempo.
Quando ao final descobrimos que as visões da protagonista, são acontecimentos que iriam acontecer e não que já aconteceram.
Afinal era a casa que gerava as visões? já que quando ela liga para a antiga moradora, a mulher diz para ela que também teve visões.
A reviravolta final, que o título nacional entrega, causa uma certa surpresa, mas muita coisa fica sem explicação.
Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt
3.0 28 Assista AgoraA história revolta como todo caso que envolve abuso de crianças.
Mostra uma mulher manipuladora e cruel, mas que aparentemente acreditava estar fazendo o bem daqueles que torturava.
A narrativa é um tanto lenta e repetitiva, aborda a forma como Jodie Hildebrant envolvia suas vítimas, como manipulou a mãe das crianças abusadas e torturadas (mas não eximo a mãe de culpa), como uma mente doentia tinha milhares de seguidores que lhe permitia ter uma vida confortável em propriedade de luxo e no final como se deu a prisão e julgamento.
A Substância
3.9 1,9K Assista Agora“A substância” é um filme chocante, por vezes exagerado e apelativo, mas que constrói uma narrativa envolvente, cheia de camadas, eficaz embora perturbadora.
SPOILERS ABAIXO
Demi Moore é Elizabeth Sparkle, uma atriz que é descartada quando envelhece e desesperada por reaver a juventude perdida, recorre à uma droga que chega até ela de forma misteriosa e ao aplicar a tal “substância” acaba por gerar uma cópia jovem de si mesma, que nasce de sua costela (a semelhança bíblica com Eva nascendo da costela de Adão é proposital).
A cópia, que adota o nome de Sue (Margaret Qualley) não é fisicamente igual, é jovem e possui os padrões de beleza e sexualização que o mundo exige. Logo começa a querer mais e não faz a troca exigida a cada sete dias, se tornando ela também escrava da padronização imposta pela indústria do entretenimento.
Embora seja uma crítica bastante explícita à indústria da beleza, não deixa de ser uma crítica também às próprias mulheres, que se deixam levar pelas exigências dessa indústria e também da sociedade, começando a buscar uma beleza inacessível e a ilusória juventude eterna através de múltiplos procedimentos estéticos hoje disponíveis.
Os cenários e figurinos coloridos, a caricata atuação de Dennis Quaid como o empresário misógino, a exposição do corpo, ora belo e ora grotescamente deformado, formam um quadro propositalmente exagerado, refletindo o quanto esse mundo idealizado da estética é cruel.
Elizabeth não usufrui dos privilégios e vantagens que sua jovem versão passa a viver, enquanto Sue colhe os louros da fama e do sucesso, ela permanece escondida e solitária, observando à distância com tristeza e revolta, apesar de ouvir da misteriosa organização que ambas são uma só, não é isso que transparece, é como se o enredo mostrasse que tanto sacrifício em busca da juventude perdida, acaba não valendo, é só um sofrimento inútil que acaba sendo apenas isso, amargura e decepção.
Quem indaga de onde veio a tal droga e o que era a organização que a produz... são perguntas irrelevantes, já que o filme inteiro é uma alegoria, não existe tal droga que faça você “parir” uma cópia jovem, como não existe a fórmula da juventude. A “substância” é o desejo da perfeição que a sociedade nos impõe e o baque que sofremos quando percebemos que essa perfeição não existe.
A sequência final vai ao extremo do “body horror”, excessivo e impactante, de certa forma condena a sociedade atual que valoriza estes padrões estéticos, a ponto de muitas vezes destruir seu corpo em busca desse padrão inatingível. É uma crítica amarga e ácida, que gera desconforto, por vezes exaustão, não é uma experiência fácil, está longe de ser entretenimento, é sobretudo reflexão de uma sociedade doente, carente de sentimentos e que busca na aparência idealizada a realização plena.
Demi Moore merece todos os elogios, abrindo mão da vaidade tem uma atuação visceral que contribui de forma decisiva para o sustento da narrativa. Ironicamente perdeu o Oscar para uma atriz de 25 anos, o que acaba parecendo uma extensão de tudo que o filme mostrou
Fargo: Uma Comédia de Erros
3.9 976 Assista AgoraAssisti "Fargo" o filme, logo após ter visto a fabulosa primeira temporada da série "Fargo", cujo enredo nele se baseia. Comparar uma obra de uma hora e meia com uma série de 10 episódios, não parece justo, mas é inevitável. Talvez tivesse outra opinião se tivesse apenas o filme.
O filme parece simplista, esquemático, não conseguimos conhecer seus personagens, motivações, relacionamentos, personalidades, nada.
Marge é apenas uma mulher caipira grávida que tem um casamento amoroso com um sujeito bonachão e Jerry Lundegaard (William H. Macy) é pouco estruturado e bem menos maquiavélico, ambicioso e cruel que sua versão na série.
A raiz narrativa está presente, mas tudo de forma muito tênue, sem a força das interpretações e profundidade de sua versão posterior.
"Fargo" recebeu 7 indicações ao Oscar e ganhou duas, melhor roteiro original e melhor atriz para Frances McDormand, embora para mim seja um mistério que ela tenha sido premiada por esta atuação.
O filme se tornou cult, mas diante de seu remake no formato seriado, envelheceu mal. Vale como curiosidade para vermos de onde saiu o embrião da excelente série produzida muitos anos depois.
A informação que se trata de uma história real é uma brincadeira dos irmãos Coen, embora se baseie levemente em um caso verídico, toda a narrativa é ficcional.
Presente Maldito
2.3 63Numa noite fria, Polly (Dakota Fanning, em boa atuação) recebe a visita de uma velha senhora que lhe entrega uma misteriosa caixa, o tal "presente maldito", que embora seja um título nacional genérico, descreve bem os acontecimentos da narrativa.
A partir daí a caixa "obriga" Polly a praticar uma série de atos contra si mesma, além de sofrer uma intensa tortura psicológica.
O filme carrega simbolismos, o principal deles é que você é quem mais pode fazer mal a você mesmo e desenvolve esse conceito em uma fábula alegórica que quem quiser explicações lógicas, não vai encontrar.
Apesar de entender tais simbologias, o desenvolvimento do enredo foi lento, repetitivo e muito cansativo. Na metade do filme estava querendo que acabasse logo.
Os Assassinatos de Buckingham
2.8 9Produção indiana rodada em Londres, falada em inglês e hindi.
Narrativa lenta sobre policial em luto após perder um filho que insiste que o suspeito preso por um assassinato, era inocente.
Não consegue despertar muito interesse, o ritmo lento prejudica ainda mais e a revelação final decepciona.
O Que Jennifer Fez?
2.9 67 Assista AgoraÓbvio que ao assistir este documentário, somos imediatamente remetidos à "nossa" Jennifer, o caso de Suzanne Richtofen. A coincidência é ainda mais curiosa, quando até o namorado cúmplice tem o mesmo nome, Daniel.
Carece de ritmo, e se restringe quase que à depoimentos bastante repetitivos, focando mais no trabalho da polícia em fazer Jennifer confessar, do que se aprofundar em uma análise da personalidade dos envolvidos e, principalmente, da protagonista.
Já vi vários episódios do canal Discovery ID, nos EUA este tipo de crime é mais comum, e ganham narrativas de 40 minutos. Acho que não há material e nem houve aprofundamento para um documentário de uma hora e meia
O Labirinto do Fauno
4.2 2,9K Assista AgoraDepois de muito tempo, quase vinte anos após seu lançamento, assisti “O labirinto do fauno”, um dos mais conhecidos e premiados filmes de Guillermo Del Toro.
SPOILERS ABAIXO
O apuro visual e técnico é marca registrada do diretor que faz de sua sinistra fábula, uma narrativa que consegue resgatar a essência sombria dos contos de fada originais, que não tinham nada das versões edulcoradas criadas posteriormente, principalmente pelos estúdios Disney.
Temos uma criança como protagonista, Ofélia (Ivana Barquera em atuação sensível ), menina que gosta de ler contos de fadas e mais do que isso, acaba mergulhando neles para fugir de sua realidade dolorosa. Obviamente os seres fantásticos e as situações vividas por Ofélia são fruto de uma mente criativa, acuada pela realidade atroz, a menina escapa para um mundo de faz de conta, mas que, embora encantador, não é feito de seres belos no sentido padrão do termo, então entendo daí a percepção que o mundo imaginário dialoga com o real e o espelha.
“O labirinto do fauno” é um filme que a princípio engana, parecendo ser destinado à crianças, mas além de personagens assustadores para os pequenos, tanto no mundo da fantasia como no real, há também cenas muito violentas.
Numa das cenas mais icônicas do filme, Ofélia encontra e tem que fugir do Homem Pálido, um ser que tem olhos nas palmas das mãos, uma das imagens mais lembradas do longa, existem semelhanças entre a terrível criatura e o padrasto cruel da menina, Vidal (Sergi Lopez), capitão do exército do ditador Francisco Franco, que tem como missão eliminar grupos de resistência ao final da guerra civil espanhola. O odioso capitão protagoniza uma das cenas mais violentas do filme, ao assassinar friamente um pai e um filho acusados de serem revolucionários, para depois descobrir que estavam falando a verdade e apenas caçavam coelhos na mata. Sua indiferença após descobrir o engano, é revoltante e marca a intenção em frisar que o personagem é o “lobo mau” do mundo real.
Del Toro não faz concessões para dar um final feliz ao seu conto de fadas, sua protagonista, uma criança morre , mas ao mesmo tempo vemos que ela alcança o seu objetivo, ser princesa do mundo subterrâneo ao lado dos pais. Ofélia foge literalmente da brutalidade para um mundo, dessa vez eterno, de fantasia, assim novamente os universos convivem e interagem entre si, com os efeitos do fabuloso sobre o real.
Repleto de alegorias e simbolismos, Del Toro se utiliza de sua habilidade em criar seres fantásticos e universos extraordinários, para refletir sobre um dos períodos mais opressivos e violentos da história da Espanha.
Frankenstein
3.7 596 Assista AgoraA nova versão de “Frankenstein” sob a direção de Guillermo Del Toro embora modifique muitos pontos da obra de Mary Shelley, mantém o principal, a abordagem filosófica existencial do romance.
SPOILERS ABAIXO
Há várias adaptações para o cinema, a maioria manteve apenas a ideia central, um cientista que constrói uma criatura a partir de pedaços de cadáveres, uma premissa perfeita para um filme de terror, deixando de lado todas as camadas psicológicas da obra.
Como era de se esperar, sendo um filme de Del Toro, o apuro estético é fabuloso, com um visual deslumbrante em cada uma de suas cenas, é um deleite para os olhos. Mesmo que o filme seja sem dúvida do cineasta espanhol, carregando todas as características que ele emprega em suas produções, soube respeitar o material em que se baseou.
Del Toro tem como hábito tirar beleza da monstruosidade como já havia feito em “A forma da água” e “O labirinto do fauno” e nesse não é diferente. A criatura de Del Toro nem chega a ser repugnante, é de certa forma bela e encontra na melancólica e excelente atuação de Jacob Elordi, uma representação perfeita de toda a carga dramática que o personagem carrega, um ser perdido no mundo, criado a partir da morte, que anseia por amor, compreensão e aceitação mas é rechaçado por todos, inclusive por aquele que o criou.
Por sua vez, o Victor Frankenstein vivido por Oscar Isaac, é o homem que brinca de Deus, arrogante, prepotente, que cria um ser que ele acreditava ser perfeito mas logo desiste do “Filho” e passa a querer destruí-lo quando percebe que sua criação resulta defeituosa. Há também uma alusão à paternidade, o cientista que teve um pai rígido, negligente e nada afetuoso, devolve para sua criação essa falta de amor paterno. A atuação de Isaac, o tempo todo numa performance frenética, considerei acima do tom, não existe uma dualidade, ele é insuportável o tempo todo, talvez de forma proposital, mas havia tanta necessidade de criar um personagem tão irascível, que não despertasse a menor empatia? Após deixar isso tão claro, que a criatura era um ser atormentado e infeliz, acuado pelo mundo que o rejeita, e Victor o vilão da narrativa, achei desnecessário ter que verbalizar isso quando William, ferido pela fúria da criatura, diz para Victor que era ele o verdadeiro monstro.
Mia Goth vivendo Elizabeth, é uma presença etérea e enigmática, típica dos personagens já vividos por ela. Seu envolvimento com a criatura, quase uma paixão, não existe no livro, assim como no livro ela é noiva de Victor, não de seu irmão William ((Felix Kammerer), que morre na infância, assassinado pela criatura como também a própria Elizabeth é estrangulada pelo monstro. Nesse ponto, a grande diferença em relação à obra literária, o ser perdido e solitário, mata as pessoas próximas de seu criador para se vingar mas no filme isso não acontece, Del Toro parece querer deixar claro que a criatura é apenas uma vítima de seu criador e seu acessos de fúria são apenas uma reação ao mundo que o rejeita.
Mia vive também Claire, a mãe de Vitor, mas maquiada está irreconhecível. Há talvez uma tentativa de insinuar algo na linha edipiana, embora o romance entre Victor e Elizabeth já termine antes de começar. Victor sente ciúme e odeia que sua criatura imperfeita desperte sentimentos em Elizabeth, o que faz com que deseje ainda mais destruir sua criação. Na verdade a moça se reconhece na criatura, já que diz que sempre se sentiu deslocada e não encontrava seu lugar no mundo.
Uma opção perfeita foi dividir a estrutura narrativa em duas partes, a primeira contada do ponto de vista do criador e depois da criatura, mas não a mesma história se repetindo, mas sendo continuada.
Del Toro dá bastante destaque à construção da criatura, que não aparece na obra de Shelley, criando uma descrição dos pormenores com uma base científica que resulta bastante interessante. Temos um personagem que não existe na obra original Henrich Harlander (Cristoph Waltz) que é o patrocinador do projeto de Victor, tio de Elizabeth, mas acaba sendo pouco explorado. Ele está morrendo, queria substituir seu corpo doente e para isso apoiou a ideia ousada, mas pouco depois morre.
Del Toro também faz de sua criatura um ser indestrutível, outra diferença da obra original, em certo momento ele diz “não consigo viver e não consigo morrer”, a vida para a perturbada criatura passa a ser um peso do qual quer se livrar mas não consegue, o que torna sua existência ainda mais dolorida. Só encontra um pouco de compreensão e amor em Elizabeth e no velho que o acolhe na fazenda em que se refugia, mas são breves momentos que logo descambam para a tragédia.
Pesando prós e contras, Del Toro faz um filme suntuoso, com uma criatura que mistura o belo e o grotesco, a gentileza e a violência, uma história macabra que dá espaço para o drama sensível, o aprofundamento na mente de criador e criatura, uma fábula gótica que não poderia faltar na filmografia do diretor, que parecia talhado para fazer uma adaptação de uma das mais famosas obras da literatura ocidental. Seu filme assombra mas ao mesmo nos encanta com sua criatura monstruosamente terna, que, como quase todo ser humano, quer apenas ser aceita e compreendida.
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraOs mesmos comentários excessivamente elogiosos que houve em torno de "Longlegs" e confesso também, para mim, a mesma decepção. Melhor filme de terror dos últimos anos? Definitivamente não. Então a decepção vem da expectativa, não que seja ruim, mas não corresponde ao hype.
O elenco tem ótimas atuações com destaque para Julia Garner e Josh Brolin. Julia está soberba vivendo a professora acuada e perseguida como a responsável pelo sumiço das crianças e ainda enfrenta problemas com alcoolismo e Brolin vivendo o pai de uma das crianças desaparecidas nos dá a dimensão exata de seu desespero.
O filme tem uma fabulosa atmosfera de suspense e funciona muito bem, mas acho que construído sob uma base realista de crítica social, falando de bullying, polícia ineficiente, pais negligentes. vício em drogas, exagera ao focar em uma resolução totalmente sobrenatural e com um tom farsesco.
Um espaço considerado seguro, como um condomínio no subúrbio, revela-se aterrorizante, misterioso, sufocante. Não há tranquilidade nem para fazer compras em um supermercado que de repente é invadido por uma espécie de zumbi correndo alucinadamente.
É claro que com a parte final, quando o mistério é revelado, nem dá para reclamar que ninguém viu, dentro de um condomínio, para onde as crianças tinham ido, afinal condomínios tem câmeras, mas uma falha dessas acaba sendo irrelevante diante de toda a solução que é calcada no fantástico.
Meu Pai, o Assassino BTK
3.2 17 Assista AgoraCONTÉM SPOILERS
O documentário, embora tenha no título "filha" não se limita só ao depoimento de Kerri Rawson, mas também de investigadores que trabalharam no caso.
Dennis Rader, que ficou conhecido como BTK, abreviatura de "bind, torture, kill", ou, em português, "amarrar, torturar, matar", era casado, pai de dois filhos, e, ao contrário de muitos assassinos em série solitários, vivia uma existência em família aparentemente normal.
Kerri descreve o trauma e o sofrimento ao se descobrir filha de um monstro, que assassinou ao menos dez pessoas.
Prepotente e orgulhoso de seus atos hediondos, Rader só foi capturado em 2004 pela sua própria arrogância trinta após os primeiros assassinatos ocorridos em 1974, querendo reconhecimento pelos crimes, já que poucos se lembravam dos assassinatos, ele começa a enviar cartas para a polícia e acaba sendo capturado por evidências nas correspondências e um teste de DNA feito com material coletado de sua filha.
Dennis Rader ainda está vivo e cumpre pena de prisão perpétua.
O documentário é ágil ao descrever os fatos e emociona ao captar os sentimentos conflitantes da filha do assassino, que chega a visitá-lo na cadeia descrevendo o encontro.
A única pessoa da família do serial killer que concordou em participar da produção foi Kerri, nenhum familiar das vítimas aceitou participar o que deixou a série jornalisticamente menos rica, mas uma recusa bastante compreensível.
Trama Diabólica
4.2 81Baseado na peça teatral de Anthony Shaffer, o filme é isso, teatro filmado, tanto que na cena de encerramento, uma cortina se fecha.
Apenas dois atores em cena, simplesmente dois dos maiores atores de todos os tempos, Laurence Olivier e Michael Caine que travam um duelo de atuação magnífico, sendo ambos indicados ao Oscar.
Não sei na época, mas hoje uma das surpresas seria facilmente desvendada já que
quando o inspetor Doppler entra em cena, facilmente se nota que é Michael Caine sob maquiagem.
A produção com o intuito de enganar o espectador, lista nos créditos iniciais atores fictícios que não aparecem no filme, entre eles Alec Cawthorne como o inspetor vivido, na verdade, por Caine.
Um tanto cansativo pela longa duração, mas sempre envolvente.
O Sequestro do Metrô 1 2 3
3.2 670 Assista AgoraNão vi o filme dos anos 70 que dizem, ser mais fiel ao livro, que eu li, mas como faz muito tempo não lembro de detalhes.
Tem muita ação, um vilão desprezível e psicopata, na atuação um tanto "over" de John Travolta e Denzel Washington naquilo que faz de melhor, um personagem heroico.
Narrativa envolvente, cenas tensas e bastante violentas como
o assassinato dos reféns.
Eu tinha certezas que a cena final seria
o protagonista voltando para casa com os litros de leite que a esposa pediu, mas um homem comum, que nunca havia pegado em uma arma, retornar para casa tranquilamente depois de assassinar alguém, sim era um psicopata assassino, mas foi uma morte à sangue frio, é bem inverossímil.
Enfim, perdoável porque é cinema, e como ação, o filme tem ótimas sequências, dois astros como protagonistas, codjuvados por um muito bom elenco de apoio.
A Maldição do Colar
1.7 17 Assista AgoraPossessão demoníaca não está entre os meus temas preferidos e nem sou especialista no assunto, mas este é certamente um dos piores, senão o pior filme sobre possessão que eu já vi.
O filme é um amontoado de clichês sobre possessão demoníaca, o que não seria totalmente ruim se atuações, cenários e efeitos especiais não fossem de uma pobreza visual e narrativa constrangedoras.
O final não poderia ser mais sem noção
A filha mata o pai e fica por isso mesmo? Vão acreditar que ela estava possuída e tudo bem?
Pobre Henry Thomas (o eterno garoto de "ET") que já fez algumas boas produções como "A maldição da residência Hill", o que não é o caso desta.
A única coisa que se salvou foi a canção fofa nos créditos finais, a bonitinha "I'll be your pet" de Katelyn Epperly, que embora pareça, não é uma canção das décadas de 50 0u 60.
Poder Absoluto
3.5 88 Assista AgoraO filme tem uma ótima sequência inicial com
Luther (Clint Eastwood) testemunhando um assassinato. Achei meio absurdo ele só reconhecer que o homem era o presidente quando o vê na TV.
Após esse começo eletrizante, a narrativa entra em um ritmo mais lento, mas bem envolvente.
O ótimo elenco ainda tem Laura Linney, Ed Harris e Gene Hackman e com Clint Eastwood em grande forma.
Roubando Vidas
3.5 711 Assista AgoraMais um filme que bebe na fonte de "Seven" mas sem chegar perto da qualidade deste.
Illeana (Angelina Jolie) é a agente especial convocada para ajudar na captura de um serial killer que rouba a identidade de suas vítimas passando a viver suas vidas.
Para mim foi bem previsível e acho que para a maioria que
Costa (Ethan Hawke) não era vítima mas sim o verdadeiro assassino e me parece bem forçado que a super agente, que nos dá a entender que teria uma espécie de sexto sentido ou vidência, se deixar seduzir por ele sem nem desconfiar que era o serial killer que perseguiam.
A cena final da gravidez falsa, embora possa ser até um inesperado plot twist, também desconfiei, pois Illeana ter os filhos gêmeos de um serial killer, me pareceu incoerente.
Angelina Jolie é linda e sexy, mas ficar o filme inteiro com aquele carão de "sou linda e sexy" me irritou.
Tem uns policiais que falam francês, pois o filme se passa em Montreal no Canadá, que estão lá só para fazerem papel de trouxa, entre eles Olivier Martinez, que na época ainda era lindo e havia feito "Infidelidade" dois anos antes.
Tem também uma participação pequena de Kiefer Sutherland que acho que devia algum favor para o diretor ou estava com boletos para vencer.
Enfim, filme dos anos 2000, com cara de anos 90. Se não for muito exigente, é um passatempo razoável.