Se a declaração de arrependimento de Tasso Jereissati fosse um filme seria este aqui. É o "Guerra Civil" desta franquia, não só porque é o mais bem feito, mas por conta do clima de conflito que permeia o filme. Se a mensagem do primeiro filme era "Você só é ateu porque teve um trauma com a religião" e a do segundo era "Vamos defender nossa fé nos tribunais" a desse é "Calma galera, vamos baixar os cartazes e conversar mais, independente de religião". Mesmo tendo ainda algumas limitações vistas nos filmes anteriores, a direção e a interpretação está melhor e o roteiro é mais redondo e bem amarrado. Se os filmes anteriores tinham várias sub-tramas que dificultavam acompanhar o filme, aqui as tramas paralelas estão mais conectadas a trama principal e não cansam o espectador (essa é pra você, Rian Johnson!) Enfim, se vc não tem paciência para ver esse tipo de filme e manja de inglês veja as críticas aos filmes da franquia no canal do Cinema Snob no YouTube.
Se você costumar ver filmes de heróis com frequência, vai ter várias vezes sensação de "déja vu", pois aqui temos reinos em disputa (Pantera Negra), rivalidade entre irmãos (Ragnarok), um vilão revoltado e com motivos plausíveis que enfrenta o herói em uma batalha mortal(Pantera Negra) numa arena (Ragnarok), um mundo escondido das pessoas comuns (Mulher Maravilha, Pantera Negra, Ragnarok) com uma ponte para se chegar até ele (qualquer filme do Thor) e uma trilha sonora oitentista cheia de sintetizadores (Ragnarok).
Ainda assim o filme busca outras referências menos óbvias quando coloca Aquaman e Mera em uma busca a lá Indiana Jones pelo tridente do primeiro soberano da Atlântida.
Comparando com os demais filmes da DC, esse e o da Amazona são os melhores (com a vantagem do filme com Momoa não ter câmera lenta a lá Zack Snyder, ou pelo menos eu não percebi), mas ainda dá tempo de chamar Brad Bird pra dirigir algum
Sim, é cheio de clichês. Sim, a gente já viu vários elementos desse filme em muitos outros como "Ensaio Sobre a Cegueira" e "Um Lugar Silencioso". Sim, Sandra Bullock está novamente fazendo papel de "mulher aventureira", mesmo assim, creio que o filme cumpre minimamente o que pretende (acredite, tem filme que nem isso consegue) fora que tem uma interpretação bacana de John Malkovich (Ok, também fazendo seu papel clássico de filho da puta desagradável) e de outro ator que aparece do meio pra frente na história (tá certo que a aparição dele foi um pouco de conveniência do roteiro, mas eu consegui ficar tenso em algumas situações que ele protagonizou)
O problema de um filme cujo foco seja a sua estética é que por muitas vezes a história acaba sendo deixada de lado. Confesso que os personagens são um tanto unidimensionais, mas quando os mesmos suspeitam que tem alguém os controlando faz um certo sentido que eles sejam planos. Além do quê, a graça do negócio é o jogo é a inovação do formato. Nos faz pensar como seriam outros filmes se fossem formatados assim como "Donnie Darko" ou "O Último Grande Herói"
Desde que eu assisti "Zootopia" que eu tenhi a convicção de que algumas cenas hoje em dia só podem ser filmadas com bonecos, animação ou, se for com atores reais, em alguma série da HBO. Tirando "Game of Thrones" ou "True Detective" onde mais você imaginaria alguém sendo despedaçado por cachorros? Ou tendo uma ejaculação monstra? Ou ostentando pentelhos de cor exótica? O próprio fato das strippers de carne e osso desse filme mostrarem menos que as bonecas diz muito sobre isso. Ademais, esse filme só não é o melhor feito com bonecos porque Peter Jackson fez "Meet the Feebles". E como o boneco parceiro de Melissa McCarthy é a cara de Harvey Keitel em "Vício Frenético"!
"Ai, a crítica exagerou! Não é igual "Mulher-Gato" não! Maldito dia em que eu acreditei em vocês! Da próxima vez que alguém falar "Ain, a Marvel põe muita piada nos filme" eu vou pedir para ver essa tralha aqui e comparar com "Guardiões da Galáxia", por exemplo. Para você ter uma ideia, as cenas pós-créditos são melhores que o resto do filme: Um gancho para a sequência (com Woody Harrelson como Carnificina) e um teaser de "Aranhaverso" (ao menos com o Aranha a Sony acerta)
Não é tão bom quanto os dois primeiros filmes, mas tá longe de ser a merda que falaram. O humor pra mim está bem colocado, o que me incomodou foram as "invencionices". Para quê "Cachorro-Predador" se o monstro tem visão de calor e uma renca de artefatos de caça, inclusive consegue localizar uma máscara há quilômetros de distância? E o "Predador Evoluído" ele só é enorme? Apesar disso é um filme que tem todo o "gore" que filmes como "Venom" deveria ter e tem uma cara de filme oitentista, ainda que sem o mesmo talento e liberdade da época.
Na faculdade eu ouvi que comédia boa é aquela que o timing do comediante é usado a favor do filme. Geralmente nesse gênero os atores tem mais destaque que os diretores e mesmo alguns diretores que se destacam tem experiência de atuação (Chaplin, Woody Allen... até Blake Edwards já foi ator). O problema deste filme é o mesmo de filmes dos Trapalhões, Sergio Mallandro ou outros comediantes homens: muita piada fora de hora e que acaba travando a ação. Tudo é motivo pra fazer uma graça desnecessária. Faltou Paul Feig fazer o trabalho para qual ele foi contratado: dirigir. Como política de contenção de danos, a produtora Sony deu muito mais destaque às babaquices ditas para as garotas do que aos problemas reais do filme a fim de se eximir da culpa e pregar a pecha de "machista" em qualquer um que o criticasse. O nome disso é cortina de fumaça e parece que tá na moda por aqui. Por falar em moda, nesse filme as meninas usam marrom claro (acho).
Conforme escrevi na crítica de "Crimes em Happytime" tem coisas que só são possíveis em animação. Como reunir em um filme "live action" todos os vilões do Batman mais Gremilins, King Kong, Drácula e Voldemort? (aqui em dose dupla, pois seu intérprete no cinema, Ralph Fiennes é quem faz a voz do Comissário Gordon). Só não digo que é a melhor animação do Batman porque existe "A Máscara do Fantasma", mas aqui também se aventa a possibilidade de Bruce Wayne mudar de vida, deixar de ser sozinho e constituir uma família. Também tem o mérito de unir o Batman mais ingênuo dos anos 60 com sua porção mais obsessiva e psicótica dos dias atuais.
De tanto falarem que os diretores e roteiristas dos filmes da DC deveriam aprender com as animações o filme recente do Aquaman saiu colorido e mais aventureiro. Pois bem, ainda falta a DC um filme live action com o mesmo espírito anárquico e debochado desse dos Titãs (a Marvel tem "Deadpool", embora tenha sido feito pela Fox). Os caras tiveram a moral até de sacanear os próprios filmes da produtora como "Batman v. Superman" (Marthaaaaa!) e "Lanterna Verde" (esse o próprio Ryan Reynolds sacaneou em "Deadpool" outro filme citado nessa animação). É um filme tão bom que até o Stan Lee quis aparecer nele. E não tem vergonha de se assumir como um filme musical, provando que o gênero não vive só de "La, la, land" e "Mamma Mia". E um dos produtores é Will Arnett, que fez a voz do Batman em sua versão Lego. Enfim, falta ainda a DC a coragem de fazer algo parecido só que com atores reais (Lobo?)
A gente pode falar o que for da Netflix e suas séries meio parecidas e feitas com base no algoritmo, mas quando ela acerta, acerta com gosto. Ainda que o tema "quando você olha para o abismo,o abismo olha de volta" seja meio batido, bem como investigador criminal com problemas de relacionamento, aqui a produção conseguiu praticamente estender um filme de duas horas do David Fincher por quase 20 episódios de 40-50 minutos sem que isso canse o espectador ou que seja preciso encher linguiça demais.
É a melhor "série da HBO" que a Netflix poderia fazer, não te poupando de nada e te fazendo imergir no tema dos assassinatos em série bem quando o tema começou a ser estudado a fundo.
Se eu vir alguém que curtir essa série reclamar do filme sobre a Richtofen, eu vou trancafiar na cela do Ed Kemper.
Aliás, belo trabalho de caracterização de personagem. Todo assassino aqui está bem próximo de sua contra parte real, especialmente o Filho de Sam e o Ed, que rendeu a seu intérprete, Cameron Britton, indicação ao Primetime Emmy e agora fará o papel de Richard Jewell na segunda temporada de "Manhunter" (não confunda).
Hoje em dia zumbi já é uma coisa mais do que batida. Com exceção de "One cut of the dead" e "Train to busan" não se produz mas nada surpreendente sobre o tema.
Acrescente aí câmera tremida, vários cortes, baixa iluminação, e traminhas correndo em paralelo e que depois se entrelaçam. Tá feito o combo da desgraça das obras audiovisuais das primeiras década do século XXI e é isso que compõe essa minissérie do criador de "Black Mirror". Pelo menos na segunda metade da obra, depois que as tramas se unem, a obra fica até interessante.
Só isso e a performance de Andy Nyman como um produtor extremamente cusão, que te faz TORCER para que morra logo, salvam esta série de ser uma merda completa para mim (lembrando aqui que os zumbis correm assim como em "Extermínio"). Talvez na época esses clichês funcionassem, mas para mim já deu faz tempo.
Quando vocês falam que tal filme é ruim, é ruim eu fico com preguiça de conferir. Está sendo assim com "Solo" e "Terminator: Dark Fate" que eu não tive coragem de conferir até hoje e foi assim com "Pixels" e este aqui, os quais, talvez pela baixa expectativa eu achei menos ruins do que o que vocês dizem.
Não me levem a mal, isso aqui continua sendo uma porcaria, mas ao menos não é megalomaníaca como "Batman v. Superman" (até pela pouca relevância dos personagens) e é um tiquinho (só um pouquinho) mais coesa que "Liga da Justiça" (até porque só tem um diretor pra fazer merda em vez de dois no caso da LJ)
No entanto continua sendo um filme para espectadores com déficit de atenção (chegando ao cúmulo de repetir toda uma cena quando um personagem conta ao grupo porque estão lá), em que os clichês não funcionam, piegas (principalmente no terceiro ato), com personagens bastante planos, exceto pela Arlequina, Pistoleiro e um pouco, a Amanda Waller e um desespero tremendo para ser "Guardiões da Galáxia" porém sem o mesmo talento (não à toa chamaram James Gunn para a sequência).
Isso é tão evidente, que encheram o filme de músicas pop, mas de forma muito jogada e que não encaixa de forma natural como no filme da Marvel. Enquanto no filme de Gunn os personagens são apresentados de forma simples, sucinta e sem travar a história, aqui é exatamente o contrário. Chega no meio ainda com personagem sendo (mal) apresentado, quando é apresentado, o que não acontece com um personagem do grupo que morre logo de cara.
Para não dizer que o filme não tem qualidades, a interação entre os personagens é muito boa, o problema é que é boa até demais, haja vista que eles se conhecem a menos de 24h e são os vilões da história (e caso você não tenha se convencido os personagens repetem isso diversas vezes durante a obra).
Para piorar, ainda enfiam no filme um Coringa exageradíssimo e cuja relação com a Arlequina é bastante romantizada, diferente da animação, mídia de origem dela, e que se torna tão obsoleta quanto o namoro de Carla Perez e Alexandre Pires em "Cinderela Bahiana", pois ambos os casais se separaram depois dos filmes. Agora Arlequina protagoniza sua versão de "Minha vida em Marte", pois assim como Mônica Martelli ela resolve viver a solteirice em uma sequência do filme de origem.
Lado bom: Nossa, como tem gente preocupada com outros na internet
Lado ruim: NOSSA, COMO TEM GENTE PREOCUPADA COM OUTROS NA INTERNET
Ok, aqui as pessoas usam seu talento de "stalker" para algo bom, mas fico pensando o perigo dessa galera usando esse talento para prejudicar alguém. Até agora fico de cara em como essa galera consegue prestar atenção em pequeníssimos detalhes e usa isso a favor da lei
Queria ter gostado, mas é tanto plot twist que até Shyamalan se confundiria.
O pior de você ter um diretor que também é roteirista é quando ele tem ganas de querer colocar reviravoltas na história e aí não tem alguém pra cortá-lo e botá-lo nos eixos. Uma coisa é ser cirúrgico e usar a reviravolta no roteiro com parcimônia e no momento certo a outra é usar como se fosse enfeite em árvore de natal. Mais do que nunca, é previso saber contar bem uma boa história e muitas vezes o roteiro cheio de viradas acaba confundindo o espectador ou o irritando, tamanha a suspensão de descrença a ser exigida.
A única qualidade que eu destaco aqui é o fato de o cinema japonês não poupar jovens e crianças de se darem mal e sofrerem em filmes de terror. Mas não me desceu.
Falar sobre a genialidade deste filme é chover no molhado. Só queria destacar como mesmo com poucos o Zé conseguiu lançar um filme, de um gênero pouco explorado no país e ao mesmo tempo estar atualizado com as suas tendências mundo afora, pois tinha um pé no sobrenatural (embora o personagem não o seja) e outro no torture porn de uma pessoa comum (o que se tornaria mais forte com o passar do tempo, mas já se manifestava naquela década com "Peeping Tom" e "The Blood Feast").
E o melhor de tudo: com uma cara brasileira, o que é acentuado pelo fato de se passar em uma cidade do interior.
E como aquilo que é regional também se torna original, o Cinema Snob acabou por dar o devido reconhecimento ao filme
Já que o primeiro filme deu certo, por que não voltar com o personagem? (No Terror isso é até comum, mas no Brasil, nem o Terror, nem as continuações provavelmente, eram comuns) Em vez de fazer o filme inteiro colorido, por que não fazer apenas uma parte, mas que seja marcante e explore bem as cores? Já que não dá para fazer um inferno com fogo, por que não fazê-lo gelado? (Acho que no "Inferno" de Dante Alighieri tem algo assim) Já que não tem neve, por que não usar pipoca?
E é assim aos trancos e barrancos que Mojica dá continuidade à saga de seu personagem e vai fixando-o no imaginário do brasileiro, ainda fazendo a transição do campo para a cidade e aqui novamente temos a história se passando em uma cidade do interior (com cenas que teriam sido gravadas em Bonsucesso, Guarulhos, bem como "As aventuras de Pedro Malasarte" do Mazarópi).
Infelizmente levaria 40 anos para o diretor concluir a trilogia.
Ainda na brincadeira de "Parasita" ser cópia de "Sonho de Verão" o Pedro Ivo perguntou ao Louis Chilson qual filme nacional ele compararia com o "Coringa" e este aqui foi citado. Mais pelo figurino do Jece Valadão do que pelo seu personagem porque enquanto no filme de Joaquim Phoenix o protagonista é perturbado,feito de trouxa e acaba surtando aqui o Jece já é um sacana libertino logo de cara, mais preocupado em deflorar mulheres do que em propagar o caos social, o que não o deixa menos subversivo, pois toda vez que o personagem tenta empreender (quase sempre um negócio ligado à sacanagem) acaba preso.
Por influência de um amigo cantor lírico comunista (Paulo Fortes, roubando a cena) acaba conhecendo alguns revolucionários e o modo como os planos pessoais do protagonista e os objetivos do grupo se entrelaçam é hilário. Mas não se enganem: Não é só o Valadão que é sacana aqui. Todo mundo, com exceção talvez de uma personagem importante para o desfecho da trama do protagonista no filme, apresenta um desvio de conduta em algum momento do filme.
Vale lembrar que o argumento original do filme é texto do Marcos Rey, autor de vários livros da Série Vagalume e também da obra que originou "Paty, a mulher proibida" recomendado pelo Debandalarga em seu canal. Muito do mérito do filme se deve a esse material de origem
Se Roberto Benigni fosse menos bufão e mais sarcástico era capaz de "A vida é bela" ser mais parecido com este aqui. Aqui também vemos a Segunda Guerra pela ótica de uma criança só que dessa vez, do lado contrário. Em vez de uma criança judia, temos um membro da Juventude Nazista, cujo amigo imaginário assume a figura do Hitler e a mãe esconde uma menina judia em casa. Este filme não poupa o espectador de ver criança usando facas, jogando granada, gente enforcada e demais crueldades inerentes a guerra. O final é um tanto brusco, o que pode frustrar alguns espectadores, mas as atuações ajudam a sustentar o filme, especialmente o Taika e a Scarlet Johansson. E Sam Worthington fazendo papel de tonto de novo. QUASE SPOILER: Mais um filme que exige algum tipo de sacrifício de Scarlet Johansson. Aliás o personagem dela aqui é fantástico. Uma mãe que é mais moleca e brincalhona que o filho. Dá chute em saco de nazista e arrisca a própria pele sem precisar ser antipática ou arrogante (Escuta aí, Brie Larson)
Se não colocarem Jon Favreau para ser o responsável pelos próximos filmes de "Star Wars" ao menos deviam obrigar a Kathleen Kennedy a assistir tudo que é filme de faroeste já feito antes de deixá-la produzir qualquer coisa Essa série e "Cobra Kai" são a prova viva de que toda a criatividade de Hollywood foi drenada para as séries e para o streaming. O que custava fazerem os filmes da nova trilogia com o mesmo respeito à franquia e o mesmo cuidado que tiveram aqui? Pena que Mandalorian e Ep. IX se passam em épocas diferentes pois eu queria muito ver o encontro dos "irmãos" Carl Weathers e Billy Dee Williams. Parabéns a Gina Carano e Ming Na Wen que mandaram bem na série e mereciam oportunidades melhores na tela grande.
Quando assistimos "Cine Holliúdy" e vemos toda aquela preocupação com a chegada da TV talvez não tenhamos ideia do seu impacto. Conforme vamos acompanhando no decorrer das décadas, as adaptações do auto vão ficando cada vez mais próximas do formato de TV, na de 1987 com humoristas da Rede Globo como protagonistas e na de 1999 com formato e edição mais televisivos. Aqui você já tem atores de novela no elenco, mas talvez seja a adaptação com mais cara de peça de teatro, pois além de seu encerramento ser literalmente em cima de um tablado, há momentos bem lúdicos, principalmente a invasão da cidade pelos cangaceiros, que vestem uma roupa meio lilás, dão cambalhotas e sobem uns em cima dos outros na hora do tiroteio. A parte do julgamento também é bastante teatral, mas não deixa de ter as trucagens do vídeo, especialmente o efeito de edição já batido (não naquela época) de desaparecer e reaparecer, sem contar uma parte meio "trevosa" em que os personagens contam seus medos, que me lembrou um pouco Zé do Caixão (assim como as vezes em que o diabo olha para a câmera e fala conosco). O clima do filme é tão folclórico que em determinado momento, os cangaceiros interrompem a execução para passar um boi-bumbá (acho que seja isso). A propósito, o cabra que mata o Severino é Ary Toledo, que b antes da invasão, se disfarça de pedinte pra espionar a cidade, o que prova que é só na versão dos Trapalhões que esse personagem é apagado. Aqui também tem os personagens excluídos (até onde eu lembro) da versão da Globo: o palhaço apresentador e seu assistente Meia-Garrafa, o Sacristão e o Frade, que vira Jesus, aqui representado por Zózimo Bulbul. Fagundes é Chicó, "Zé das Medalhas" é João Grilo e Regina Duarte, bem novinha, é Nossa Senhora, com Felipe Carone de Padre e Jorge Cherques (fez muitos episódios dos Trapalhões)como Bispo. Vale a conferida.
Deve ser um dos poucos casos em que a versão """nutella""" é melhor que as versões """raiz""" (aqui eu uso os termos "raiz" e "nutella" usando só a idade como critério). A bem da verdade, essa versão é mais fiel a peça do Ariano Suassuna que a do Guel Arraes (que juntou com outras duas obras do autor). O personagem do João Grilo combina com o Didi Mocó (embora o Nachtergale seja muito melhor ator),o Zacarias e a "Edileusa" estão bem como donos da padaria,assim como o "Chalita" de "Tieta" como Bispo, Mussum de Jesus e o Raul Cortez como Diabo. A questão é que tem personagens que crescem bastante na versão do Guel Arraes , a saber: Chicó, Major, Severino e o Cabra. Gosto do Dedé Santana, mesmo sendo o "sem graça" do quarteto, mas a diferença do Chicó dele pro Selton Mello é muito grande e o próprio Manfredi deve saber disso. Raul Cortez e José Dumont são atores excelentes, mas Paulo Goulart e Marco Nanini se superaram na versão de 1999, principalmente o último por conta da caracterização e da maior participação na trama. O "cabra" que mata João Grilo na versão dos Trapas acaba ficando apagado. Na versão do Guel, só de ver a cara do Enrique Diaz você se mija de rir. Essa versão do Roberto Farias é bem fiel ao teatro com atores fazendo 2 personagens e um palhaço que comanda um circo itinerante e apresenta a história (Luiz Armando Queiróz, o "Tuco" original) Como na peça, há personagens que não aparecem na versão da TV como o Sacristão (o taxista de "Os 7 gatinhos), a cozinheira do Major (Betty Gofman, em sua estreia no cinema e que volta como Nossa Sra.) e o frade (também o Mussum). Há também uma versão de 1969 com Antônio Fagundes, Armando Bogus e Regina Duarte, mas essa fica pra depois
Na comédia e no horror o que garante o sucesso é o inesperado. Depois de termos visto "Hereditário" de Ari Aster nos perguntamos se ele conseguirá nos surpreender novamente. Até consegue na primeira metade do filme, mas depois o negócio se perde. Tivesse 40 minutos a menos e personagens com os quais nos importássemos mais (seja para amar ou odiar) seria excelente. O tempo que gastou na segunda metade do filme mostrando todos os rituais do festival poderia ser suprimido em prol de contar a história de forma mais envolvente
O que mais se ouve falar desse novo filme é o tal uso do "fanservice", que seria demais e tal... Ora, em "Vingadores: Eu te mato" havia bastante fanservice e vocês acharam o máximo e aqui não? A questão é que no filme dos Russo, o fanservice é razoavelmente encaixado na trama e minimamente coerente com aproximadamente 20 filmes da franquia. Aqui não se consegue ser coerente com OITO filmes anteriores (sem contar os spin offs). "Ah, pode não fazer sentido dentro da franquia, mas como filme isolado sim... Então, há um excesso de personagens que morrem ou você acha que morrem e depois voltam. Fora o fato de repetir uma mesma luta várias vezes durante o filme porque sim, sem contar o fato de retomar um personagem cuja presença joga no lixo a conclusão do episódio VI. "Ah também, o filme foi coescrito pelo roteirista de Batman v. Superman e Liga da Justiça..." então, mas esse mesmo cara ganhou Oscar de Roteiro Adaptado por "Argo", ou seja, talvez Chris Terrio não seja bom com franquias nerds, embora Jar Jar Abrahams e sua mania de enfiar "mistery boxes" em tudo também não ajude muito. A única coisa boa que essa nova trilogia fez foi fazer os prequels parecerem bons, em comparação. (O mesmo vale para ..."Caravana da Coragem", "Batalha de Endor" e "Star Wars Holiday Special")
Deus Não Está Morto: Uma Luz na Escuridão
3.2 48 Assista AgoraSe a declaração de arrependimento de Tasso Jereissati fosse um filme seria este aqui. É o "Guerra Civil" desta franquia, não só porque é o mais bem feito, mas por conta do clima de conflito que permeia o filme.
Se a mensagem do primeiro filme era "Você só é ateu porque teve um trauma com a religião" e a do segundo era "Vamos defender nossa fé nos tribunais" a desse é "Calma galera, vamos baixar os cartazes e conversar mais, independente de religião". Mesmo tendo ainda algumas limitações vistas nos filmes anteriores, a direção e a interpretação está melhor e o roteiro é mais redondo e bem amarrado. Se os filmes anteriores tinham várias sub-tramas que dificultavam acompanhar o filme, aqui as tramas paralelas estão mais conectadas a trama principal e não cansam o espectador (essa é pra você, Rian Johnson!)
Enfim, se vc não tem paciência para ver esse tipo de filme e manja de inglês veja as críticas aos filmes da franquia no canal do Cinema Snob no YouTube.
Aquaman
3.7 1,7K Assista AgoraSe você costumar ver filmes de heróis com frequência, vai ter várias vezes sensação de "déja vu", pois aqui temos reinos em disputa (Pantera Negra), rivalidade entre irmãos (Ragnarok), um vilão revoltado e com motivos plausíveis que enfrenta o herói em uma batalha mortal(Pantera Negra) numa arena (Ragnarok), um mundo escondido das pessoas comuns (Mulher Maravilha, Pantera Negra, Ragnarok) com uma ponte para se chegar até ele (qualquer filme do Thor) e uma trilha sonora oitentista cheia de sintetizadores (Ragnarok).
Ainda assim o filme busca outras referências menos óbvias quando coloca Aquaman e Mera em uma busca a lá Indiana Jones pelo tridente do primeiro soberano da Atlântida.
Comparando com os demais filmes da DC, esse e o da Amazona são os melhores (com a vantagem do filme com Momoa não ter câmera lenta a lá Zack Snyder, ou pelo menos eu não percebi), mas ainda dá tempo de chamar Brad Bird pra dirigir algum
Bird Box
3.4 2,3K Assista AgoraSim, é cheio de clichês. Sim, a gente já viu vários elementos desse filme em muitos outros como "Ensaio Sobre a Cegueira" e "Um Lugar Silencioso". Sim, Sandra Bullock está novamente fazendo papel de "mulher aventureira", mesmo assim, creio que o filme cumpre minimamente o que pretende (acredite, tem filme que nem isso consegue) fora que tem uma interpretação bacana de John Malkovich (Ok, também fazendo seu papel clássico de filho da puta desagradável) e de outro ator que aparece do meio pra frente na história (tá certo que a aparição dele foi um pouco de conveniência do roteiro, mas eu consegui ficar tenso em algumas situações que ele protagonizou)
Black Mirror: Bandersnatch
3.5 1,4KO problema de um filme cujo foco seja a sua estética é que por muitas vezes a história acaba sendo deixada de lado. Confesso que os personagens são um tanto unidimensionais, mas quando os mesmos suspeitam que tem alguém os controlando faz um certo sentido que eles sejam planos. Além do quê, a graça do negócio é o jogo é a inovação do formato. Nos faz pensar como seriam outros filmes se fossem formatados assim como "Donnie Darko" ou "O Último Grande Herói"
Crimes em Happytime
2.8 49 Assista AgoraDesde que eu assisti "Zootopia" que eu tenhi a convicção de que algumas cenas hoje em dia só podem ser filmadas com bonecos, animação ou, se for com atores reais, em alguma série da HBO. Tirando "Game of Thrones" ou "True Detective" onde mais você imaginaria alguém sendo despedaçado por cachorros? Ou tendo uma ejaculação monstra? Ou ostentando pentelhos de cor exótica? O próprio fato das strippers de carne e osso desse filme mostrarem menos que as bonecas diz muito sobre isso. Ademais, esse filme só não é o melhor feito com bonecos porque Peter Jackson fez "Meet the Feebles". E como o boneco parceiro de Melissa McCarthy é a cara de Harvey Keitel em "Vício Frenético"!
Venom
3.1 1,5K Assista Agora"Ai, a crítica exagerou! Não é igual "Mulher-Gato" não! Maldito dia em que eu acreditei em vocês! Da próxima vez que alguém falar "Ain, a Marvel põe muita piada nos filme" eu vou pedir para ver essa tralha aqui e comparar com "Guardiões da Galáxia", por exemplo.
Para você ter uma ideia, as cenas pós-créditos são melhores que o resto do filme: Um gancho para a sequência (com Woody Harrelson como Carnificina) e um teaser de "Aranhaverso" (ao menos com o Aranha a Sony acerta)
O Predador
2.5 684Não é tão bom quanto os dois primeiros filmes, mas tá longe de ser a merda que falaram. O humor pra mim está bem colocado, o que me incomodou foram as "invencionices". Para quê "Cachorro-Predador" se o monstro tem visão de calor e uma renca de artefatos de caça, inclusive consegue localizar uma máscara há quilômetros de distância? E o "Predador Evoluído" ele só é enorme?
Apesar disso é um filme que tem todo o "gore" que filmes como "Venom" deveria ter e tem uma cara de filme oitentista, ainda que sem o mesmo talento e liberdade da época.
Caça-Fantasmas
3.2 1,3K Assista AgoraNa faculdade eu ouvi que comédia boa é aquela que o timing do comediante é usado a favor do filme. Geralmente nesse gênero os atores tem mais destaque que os diretores e mesmo alguns diretores que se destacam tem experiência de atuação (Chaplin, Woody Allen... até Blake Edwards já foi ator).
O problema deste filme é o mesmo de filmes dos Trapalhões, Sergio Mallandro ou outros comediantes homens: muita piada fora de hora e que acaba travando a ação. Tudo é motivo pra fazer uma graça desnecessária. Faltou Paul Feig fazer o trabalho para qual ele foi contratado: dirigir.
Como política de contenção de danos, a produtora Sony deu muito mais destaque às babaquices ditas para as garotas do que aos problemas reais do filme a fim de se eximir da culpa e pregar a pecha de "machista" em qualquer um que o criticasse. O nome disso é cortina de fumaça e parece que tá na moda por aqui. Por falar em moda, nesse filme as meninas usam marrom claro (acho).
LEGO Batman: O Filme
3.9 390 Assista AgoraConforme escrevi na crítica de "Crimes em Happytime" tem coisas que só são possíveis em animação. Como reunir em um filme "live action" todos os vilões do Batman mais Gremilins, King Kong, Drácula e Voldemort? (aqui em dose dupla, pois seu intérprete no cinema, Ralph Fiennes é quem faz a voz do Comissário Gordon).
Só não digo que é a melhor animação do Batman porque existe "A Máscara do Fantasma", mas aqui também se aventa a possibilidade de Bruce Wayne mudar de vida, deixar de ser sozinho e constituir uma família. Também tem o mérito de unir o Batman mais ingênuo dos anos 60 com sua porção mais obsessiva e psicótica dos dias atuais.
Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas
3.5 177 Assista AgoraDe tanto falarem que os diretores e roteiristas dos filmes da DC deveriam aprender com as animações o filme recente do Aquaman saiu colorido e mais aventureiro. Pois bem, ainda falta a DC um filme live action com o mesmo espírito anárquico e debochado desse dos Titãs (a Marvel tem "Deadpool", embora tenha sido feito pela Fox). Os caras tiveram a moral até de sacanear os próprios filmes da produtora como "Batman v. Superman" (Marthaaaaa!) e "Lanterna Verde" (esse o próprio Ryan Reynolds sacaneou em "Deadpool" outro filme citado nessa animação).
É um filme tão bom que até o Stan Lee quis aparecer nele. E não tem vergonha de se assumir como um filme musical, provando que o gênero não vive só de "La, la, land" e "Mamma Mia". E um dos produtores é Will Arnett, que fez a voz do Batman em sua versão Lego. Enfim, falta ainda a DC a coragem de fazer algo parecido só que com atores reais (Lobo?)
Mindhunter (1ª Temporada)
4.4 813 Assista AgoraA gente pode falar o que for da Netflix e suas séries meio parecidas e feitas com base no algoritmo, mas quando ela acerta, acerta com gosto. Ainda que o tema "quando você olha para o abismo,o abismo olha de volta" seja meio batido, bem como investigador criminal com problemas de relacionamento, aqui a produção conseguiu praticamente estender um filme de duas horas do David Fincher por quase 20 episódios de 40-50 minutos sem que isso canse o espectador ou que seja preciso encher linguiça demais.
É a melhor "série da HBO" que a Netflix poderia fazer, não te poupando de nada e te fazendo imergir no tema dos assassinatos em série bem quando o tema começou a ser estudado a fundo.
Se eu vir alguém que curtir essa série reclamar do filme sobre a Richtofen, eu vou trancafiar na cela do Ed Kemper.
Aliás, belo trabalho de caracterização de personagem. Todo assassino aqui está bem próximo de sua contra parte real, especialmente o Filho de Sam e o Ed, que rendeu a seu intérprete, Cameron Britton, indicação ao Primetime Emmy e agora fará o papel de Richard Jewell na segunda temporada de "Manhunter" (não confunda).
Dead Set
3.8 180Hoje em dia zumbi já é uma coisa mais do que batida. Com exceção de "One cut of the dead" e "Train to busan" não se produz mas nada surpreendente sobre o tema.
Acrescente aí câmera tremida, vários cortes, baixa iluminação, e traminhas correndo em paralelo e que depois se entrelaçam. Tá feito o combo da desgraça das obras audiovisuais das primeiras década do século XXI e é isso que compõe essa minissérie do criador de "Black Mirror". Pelo menos na segunda metade da obra, depois que as tramas se unem, a obra fica até interessante.
Só isso e a performance de Andy Nyman como um produtor extremamente cusão, que te faz TORCER para que morra logo, salvam esta série de ser uma merda completa para mim (lembrando aqui que os zumbis correm assim como em "Extermínio"). Talvez na época esses clichês funcionassem, mas para mim já deu faz tempo.
Esquadrão Suicida
2.8 4,0K Assista AgoraQuando vocês falam que tal filme é ruim, é ruim eu fico com preguiça de conferir. Está sendo assim com "Solo" e "Terminator: Dark Fate" que eu não tive coragem de conferir até hoje e foi assim com "Pixels" e este aqui, os quais, talvez pela baixa expectativa eu achei menos ruins do que o que vocês dizem.
Não me levem a mal, isso aqui continua sendo uma porcaria, mas ao menos não é megalomaníaca como "Batman v. Superman" (até pela pouca relevância dos personagens) e é um tiquinho (só um pouquinho) mais coesa que "Liga da Justiça" (até porque só tem um diretor pra fazer merda em vez de dois no caso da LJ)
No entanto continua sendo um filme para espectadores com déficit de atenção (chegando ao cúmulo de repetir toda uma cena quando um personagem conta ao grupo porque estão lá), em que os clichês não funcionam, piegas (principalmente no terceiro ato), com personagens bastante planos, exceto pela Arlequina, Pistoleiro e um pouco, a Amanda Waller e um desespero tremendo para ser "Guardiões da Galáxia" porém sem o mesmo talento (não à toa chamaram James Gunn para a sequência).
Isso é tão evidente, que encheram o filme de músicas pop, mas de forma muito jogada e que não encaixa de forma natural como no filme da Marvel. Enquanto no filme de Gunn os personagens são apresentados de forma simples, sucinta e sem travar a história, aqui é exatamente o contrário. Chega no meio ainda com personagem sendo (mal) apresentado, quando é apresentado, o que não acontece com um personagem do grupo que morre logo de cara.
Para não dizer que o filme não tem qualidades, a interação entre os personagens é muito boa, o problema é que é boa até demais, haja vista que eles se conhecem a menos de 24h e são os vilões da história (e caso você não tenha se convencido os personagens repetem isso diversas vezes durante a obra).
Para piorar, ainda enfiam no filme um Coringa exageradíssimo e cuja relação com a Arlequina é bastante romantizada, diferente da animação, mídia de origem dela, e que se torna tão obsoleta quanto o namoro de Carla Perez e Alexandre Pires em "Cinderela Bahiana", pois ambos os casais se separaram depois dos filmes. Agora Arlequina protagoniza sua versão de "Minha vida em Marte", pois assim como Mônica Martelli ela resolve viver a solteirice em uma sequência do filme de origem.
Don't F**k With Cats: Uma Caçada Online
4.2 331 Assista AgoraLado bom: Nossa, como tem gente preocupada com outros na internet
Lado ruim: NOSSA, COMO TEM GENTE PREOCUPADA COM OUTROS NA INTERNET
Ok, aqui as pessoas usam seu talento de "stalker" para algo bom, mas fico pensando o perigo dessa galera usando esse talento para prejudicar alguém. Até agora fico de cara em como essa galera consegue prestar atenção em pequeníssimos detalhes e usa isso a favor da lei
Confissões
4.2 865Queria ter gostado, mas é tanto plot twist que até Shyamalan se confundiria.
O pior de você ter um diretor que também é roteirista é quando ele tem ganas de querer colocar reviravoltas na história e aí não tem alguém pra cortá-lo e botá-lo nos eixos. Uma coisa é ser cirúrgico e usar a reviravolta no roteiro com parcimônia e no momento certo a outra é usar como se fosse enfeite em árvore de natal. Mais do que nunca, é previso saber contar bem uma boa história e muitas vezes o roteiro cheio de viradas acaba confundindo o espectador ou o irritando, tamanha a suspensão de descrença a ser exigida.
A única qualidade que eu destaco aqui é o fato de o cinema japonês não poupar jovens e crianças de se darem mal e sofrerem em filmes de terror. Mas não me desceu.
À Meia-Noite Levarei Sua Alma
3.9 300Falar sobre a genialidade deste filme é chover no molhado. Só queria destacar como mesmo com poucos o Zé conseguiu lançar um filme, de um gênero pouco explorado no país e ao mesmo tempo estar atualizado com as suas tendências mundo afora, pois tinha um pé no sobrenatural (embora o personagem não o seja) e outro no torture porn de uma pessoa comum (o que se tornaria mais forte com o passar do tempo, mas já se manifestava naquela década com "Peeping Tom" e "The Blood Feast").
E o melhor de tudo: com uma cara brasileira, o que é acentuado pelo fato de se passar em uma cidade do interior.
E como aquilo que é regional também se torna original, o Cinema Snob acabou por dar o devido reconhecimento ao filme
Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver
3.9 116 Assista AgoraJá que o primeiro filme deu certo, por que não voltar com o personagem? (No Terror isso é até comum, mas no Brasil, nem o Terror, nem as continuações provavelmente, eram comuns) Em vez de fazer o filme inteiro colorido, por que não fazer apenas uma parte, mas que seja marcante e explore bem as cores? Já que não dá para fazer um inferno com fogo, por que não fazê-lo gelado? (Acho que no "Inferno" de Dante Alighieri tem algo assim) Já que não tem neve, por que não usar pipoca?
E é assim aos trancos e barrancos que Mojica dá continuidade à saga de seu personagem e vai fixando-o no imaginário do brasileiro, ainda fazendo a transição do campo para a cidade e aqui novamente temos a história se passando em uma cidade do interior (com cenas que teriam sido gravadas em Bonsucesso, Guarulhos, bem como "As aventuras de Pedro Malasarte" do Mazarópi).
Infelizmente levaria 40 anos para o diretor concluir a trilogia.
O enterro da cafetina
3.0 7Ainda na brincadeira de "Parasita" ser cópia de "Sonho de Verão" o Pedro Ivo perguntou ao Louis Chilson qual filme nacional ele compararia com o "Coringa" e este aqui foi citado. Mais pelo figurino do Jece Valadão do que pelo seu personagem porque enquanto no filme de Joaquim Phoenix o protagonista é perturbado,feito de trouxa e acaba surtando aqui o Jece já é um sacana libertino logo de cara, mais preocupado em deflorar mulheres do que em propagar o caos social, o que não o deixa menos subversivo, pois toda vez que o personagem tenta empreender (quase sempre um negócio ligado à sacanagem) acaba preso.
Por influência de um amigo cantor lírico comunista (Paulo Fortes, roubando a cena) acaba conhecendo alguns revolucionários e o modo como os planos pessoais do protagonista e os objetivos do grupo se entrelaçam é hilário. Mas não se enganem: Não é só o Valadão que é sacana aqui. Todo mundo, com exceção talvez de uma personagem importante para o desfecho da trama do protagonista no filme, apresenta um desvio de conduta em algum momento do filme.
Vale lembrar que o argumento original do filme é texto do Marcos Rey, autor de vários livros da Série Vagalume e também da obra que originou "Paty, a mulher proibida" recomendado pelo Debandalarga em seu canal. Muito do mérito do filme se deve a esse material de origem
Jojo Rabbit
4.2 1,6K Assista AgoraSe Roberto Benigni fosse menos bufão e mais sarcástico era capaz de "A vida é bela" ser mais parecido com este aqui. Aqui também vemos a Segunda Guerra pela ótica de uma criança só que dessa vez, do lado contrário.
Em vez de uma criança judia, temos um membro da Juventude Nazista, cujo amigo imaginário assume a figura do Hitler e a mãe esconde uma menina judia em casa. Este filme não poupa o espectador de ver criança usando facas, jogando granada, gente enforcada e demais crueldades inerentes a guerra. O final é um tanto brusco, o que pode frustrar alguns espectadores, mas as atuações ajudam a sustentar o filme, especialmente o Taika e a Scarlet Johansson. E Sam Worthington fazendo papel de tonto de novo.
QUASE SPOILER: Mais um filme que exige algum tipo de sacrifício de Scarlet Johansson.
Aliás o personagem dela aqui é fantástico. Uma mãe que é mais moleca e brincalhona que o filho. Dá chute em saco de nazista e arrisca a própria pele sem precisar ser antipática ou arrogante (Escuta aí, Brie Larson)
O Mandaloriano: Star Wars (1ª Temporada)
4.4 535 Assista AgoraSe não colocarem Jon Favreau para ser o responsável pelos próximos filmes de "Star Wars" ao menos deviam obrigar a Kathleen Kennedy a assistir tudo que é filme de faroeste já feito antes de deixá-la produzir qualquer coisa
Essa série e "Cobra Kai" são a prova viva de que toda a criatividade de Hollywood foi drenada para as séries e para o streaming. O que custava fazerem os filmes da nova trilogia com o mesmo respeito à franquia e o mesmo cuidado que tiveram aqui? Pena que Mandalorian e Ep. IX se passam em épocas diferentes pois eu queria muito ver o encontro dos "irmãos" Carl Weathers e Billy Dee Williams.
Parabéns a Gina Carano e Ming Na Wen que mandaram bem na série e mereciam oportunidades melhores na tela grande.
A Compadecida
3.1 13Quando assistimos "Cine Holliúdy" e vemos toda aquela preocupação com a chegada da TV talvez não tenhamos ideia do seu impacto. Conforme vamos acompanhando no decorrer das décadas, as adaptações do auto vão ficando cada vez mais próximas do formato de TV, na de 1987 com humoristas da Rede Globo como protagonistas e na de 1999 com formato e edição mais televisivos.
Aqui você já tem atores de novela no elenco, mas talvez seja a adaptação com mais cara de peça de teatro, pois além de seu encerramento ser literalmente em cima de um tablado, há momentos bem lúdicos, principalmente a invasão da cidade pelos cangaceiros, que vestem uma roupa meio lilás, dão cambalhotas e sobem uns em cima dos outros na hora do tiroteio.
A parte do julgamento também é bastante teatral, mas não deixa de ter as trucagens do vídeo, especialmente o efeito de edição já batido (não naquela época) de desaparecer e reaparecer, sem contar uma parte meio "trevosa" em que os personagens contam seus medos, que me lembrou um pouco Zé do Caixão (assim como as vezes em que o diabo olha para a câmera e fala conosco).
O clima do filme é tão folclórico que em determinado momento, os cangaceiros interrompem a execução para passar um boi-bumbá (acho que seja isso). A propósito, o cabra que mata o Severino é Ary Toledo, que b antes da invasão, se disfarça de pedinte pra espionar a cidade, o que prova que é só na versão dos Trapalhões que esse personagem é apagado.
Aqui também tem os personagens excluídos (até onde eu lembro) da versão da Globo: o palhaço apresentador e seu assistente Meia-Garrafa, o Sacristão e o Frade, que vira Jesus, aqui representado por Zózimo Bulbul. Fagundes é Chicó, "Zé das Medalhas" é João Grilo e Regina Duarte, bem novinha, é Nossa Senhora, com Felipe Carone de Padre e Jorge Cherques (fez muitos episódios dos Trapalhões)como Bispo. Vale a conferida.
Os Trapalhões no Auto da Compadecida
3.4 64 Assista AgoraDeve ser um dos poucos casos em que a versão """nutella""" é melhor que as versões """raiz""" (aqui eu uso os termos "raiz" e "nutella" usando só a idade como critério).
A bem da verdade, essa versão é mais fiel a peça do Ariano Suassuna que a do Guel Arraes (que juntou com outras duas obras do autor). O personagem do João Grilo combina com o Didi Mocó (embora o Nachtergale seja muito melhor ator),o Zacarias e a "Edileusa" estão bem como donos da padaria,assim como o "Chalita" de "Tieta" como Bispo, Mussum de Jesus e o Raul Cortez como Diabo.
A questão é que tem personagens que crescem bastante na versão do Guel Arraes , a saber: Chicó, Major, Severino e o Cabra. Gosto do Dedé Santana, mesmo sendo o "sem graça" do quarteto, mas a diferença do Chicó dele pro Selton Mello é muito grande e o próprio Manfredi deve saber disso. Raul Cortez e José Dumont são atores excelentes, mas Paulo Goulart e Marco Nanini se superaram na versão de 1999, principalmente o último por conta da caracterização e da maior participação na trama. O "cabra" que mata João Grilo na versão dos Trapas acaba ficando apagado. Na versão do Guel, só de ver a cara do Enrique Diaz você se mija de rir.
Essa versão do Roberto Farias é bem fiel ao teatro com atores fazendo 2 personagens e um palhaço que comanda um circo itinerante e apresenta a história (Luiz Armando Queiróz, o "Tuco" original)
Como na peça, há personagens que não aparecem na versão da TV como o Sacristão (o taxista de "Os 7 gatinhos), a cozinheira do Major (Betty Gofman, em sua estreia no cinema e que volta como Nossa Sra.) e o frade (também o Mussum). Há também uma versão de 1969 com Antônio Fagundes, Armando Bogus e Regina Duarte, mas essa fica pra depois
Midsommar: O Mal Não Espera a Noite
3.6 2,9K Assista AgoraNa comédia e no horror o que garante o sucesso é o inesperado. Depois de termos visto "Hereditário" de Ari Aster nos perguntamos se ele conseguirá nos surpreender novamente. Até consegue na primeira metade do filme, mas depois o negócio se perde.
Tivesse 40 minutos a menos e personagens com os quais nos importássemos mais (seja para amar ou odiar) seria excelente.
O tempo que gastou na segunda metade do filme mostrando todos os rituais do festival poderia ser suprimido em prol de contar a história de forma mais envolvente
Star Wars, Episódio IX: A Ascensão Skywalker
3.1 1,3K Assista AgoraO que mais se ouve falar desse novo filme é o tal uso do "fanservice", que seria demais e tal... Ora, em "Vingadores: Eu te mato" havia bastante fanservice e vocês acharam o máximo e aqui não?
A questão é que no filme dos Russo, o fanservice é razoavelmente encaixado na trama e minimamente coerente com aproximadamente 20 filmes da franquia. Aqui não se consegue ser coerente com OITO filmes anteriores (sem contar os spin offs).
"Ah, pode não fazer sentido dentro da franquia, mas como filme isolado sim... Então, há um excesso de personagens que morrem ou você acha que morrem e depois voltam. Fora o fato de repetir uma mesma luta várias vezes durante o filme porque sim, sem contar o fato de retomar um personagem cuja presença joga no lixo a conclusão do episódio VI.
"Ah também, o filme foi coescrito pelo roteirista de Batman v. Superman e Liga da Justiça..." então, mas esse mesmo cara ganhou Oscar de Roteiro Adaptado por "Argo", ou seja, talvez Chris Terrio não seja bom com franquias nerds, embora Jar Jar Abrahams e sua mania de enfiar "mistery boxes" em tudo também não ajude muito.
A única coisa boa que essa nova trilogia fez foi fazer os prequels parecerem bons, em comparação. (O mesmo vale para ..."Caravana da Coragem", "Batalha de Endor" e "Star Wars Holiday Special")