Um verdadeiro perdedor é aquele que tem medo de tentar.
Pequena Miss Sunshine (2006) é um dramédia que toca o coração. Meu deus, eu esqueci o quão eu amo dramédias, eles são tão sinceros e tão verdadeiros, acho que é o gênero cinematográfico que mais se aproxima do que de fato é a vida. Eu adorei cada personagem, cada enredo, cada derrota que os personagens sofrem no decorrer da viagem e como tudo é sobre seguir em frente, pois é aí que se encontram as verdadeiras vitórias. Eu acho que só posso elogiar um filme tão peculiar e honesto como esse.
ps. O fato de terem escolhido crianças que realmente participam de concursos de beleza para estarem ao lado de uma menina tão comum quanto Olive, escancara o que o filme pensa sobre concursos de beleza. FODAM-SE ELES!!!!!!!!
uma jornada de amadurecimento na qual uma menina passa por sete portas que lhes revelam amor, morte, sexo e muito mais. Os cenários e figurinos são interessantes, as formas explicitas também são. Maaaas, e é um grande Mas, o filme não tem personalidade.
Não da pra se afeiçoar ou se sentir cativado pela protagonista, seja a criança ou a adulta, já que ela não apresenta nada, é só uma menina caminhando por tudo isso, como se a diretora não soubesse o que fazer com ela ou para onde a personagem deveria ir. Então, no fim das contas, nós temos a representação da vida, mas sem alguém que pareça estar realmente vivendo para nos guiar.
Narradores de Javé (2003) é o que The Fall (2006) tentou, mas que não conseguiu passar.
A história é maravilhosamente cativante, acho que o grande problema desse longa não é com o roteiro ou direção, mas com o ator principal. Você vê o filme inteiro com um ator/protagonista que sabemos ser um FDP da pior espécie, então isso acaba tirando toda a graça e teor que o filme tem.
Algo de valor que esse filme traz é que não da pra se imaginar o cinema brasileiro atual fazendo algo assim. É tão fascinante como ele retrata a cultura oral e a história vista de baixo, me admira essa obra ser tão desconhecida.
inicialmente é extremamente chato. Nenhum personagem é interessante ou engraçado, todos parecem estar gritando a todo momento e tudo é sempre uma grande confusão.
Acho que no momento em que todos estão na caverna é que filme se torna interessante e os personagens começam a aparecer um pouco mais. Num todo, é quase divertido. Acho que Gordo foi o pior e melhor personagem do filme, sendo que na meia hora inicial eu detestei o personagem com todas as minhas forças, mas, quando ele é pego pelos bandidos trapalhões, o personagem começa a brilhar muito.
É um filme sessão da tarde, só que sem o carisma da sessão da tarde. É como se ele fosse os Batutinhas, só que sem o carisma dos batutinhas, o que faz do filme só algo bem mediano.
Sussurros do Coração (1995) consegue captar a inocência e o amor juvenil por meio das estradas asfaltadas de Tóquio, onde apenas nos breves becos e ao longe, se pode avistar um ponto verde, sempre um futuro esperançoso.
Sabe uma coisa triste que reparei nesse filme? É que, quando eu assisti a primeira vez, pelo olhar da minha adolescência, eu tinha visto o amor de uma maneira. Agora, depois de bem adulto, eu vejo como o amor entre Shizuku e Seiji é absurdamente adolescente, é um amor que a imaginação flutua e que não se pensam em barreiras. É um “casa comigo, Shizuku, um dia vou construir violinos” e um “eu caso, Seiji, um dia serei uma escritora” um dia. São os sonhos adolescentes na sua mais pura essência e, reparando isso, o filme se tornou lindamente triste para mim.
) é um filme que se eleva ao extremo, é um edição politicamente psicodélica e muito bem retratada. O filme passeia pelo ato de se revolucionar, levando tudo ao pé da letra, as vezes parece uma sátira ao extremismo e, nas outras vezes, parece um grande enaltecimento de paradigmas comunistas.
As falas do desgraçado do Bush surgindo enquanto o grupo transa loucamente, mensagens como “FAÇA AMOR (REVOLUCIONÁRIO) E NÃO GUERRA (IMPERIALISTA)” e falas como “A REVOLUÇÃO É O MEU NAMORADO!”, “LIBERTE-SE DA SUA OPRESSÃO HETEROSSEXUAL” e “A propriedade privada não pode ser roubada, só pode ser libertada” me deixaram absurdamente maravilhado!!
Achei interessante, ao menos inicialmente, a maneira com que o filme foi tentando se construir: a ideia de usar aquele roteiro descartado de Pânico 3, mas aos poucos subverter ele e trazer algo novo foi bem interessante, pena essa foi a única coisa pensada aqui.
A metalinguagem morreu kkkkkk; os jovens são absurdamente desinteressantes; mataram a Mckenna Grace bem rápido pra ela não ofuscar a filha da Sidney; os gêmeos Chad e Mindy parecem estar fazendo uma paródia cômica da saga pânico, como se estivessem acima de tudo isso e nem se importando se tem um assassino por ali kkkkkkk.
Eu vi uma crítica que comparou Pânico 7 como se fosse um “Facada” e isso realmente me abriu os olhos para algo: Será que a intenção desse filme é fazer algum fã maluco de Pânico dar uma de Richie e Amber? É pra gente perseguir a Neve Campbell e Courteney Cox e entregar um material bom pra um próximo filme? Kkkkkkkkk
Meio que, se esse filme fosse algo tipo “A Hora do Pesadelo 7”, onde os atores e atrizes reais sofrem perseguições do assassino, com toda uma metalinguagem, ele seria bem interessante. É isso pessoal, o último a sair fecha a porta kkkkkk, possivelmente Pânico 8 vai ter volta no tempo, e eu não tô afim de presenciar isso não kkkkkkkkkkk
Hamnet (2025) demorou pra me cativar, por um tempo pensei que nem ia me adentrar tanto, mas quando dei por mim, já estava com o coração completamente apertado e com os olhos cheios de lágrimas.
Acho que esse é um bom filme, só que, por um tempo, sua caminhada é sem rumo. Seu rumo só fica evidente quando temos a perda dolorosa de Hamnet, mas isto é só próximo ao final. O que nos cativa, nesse tempo, é o cotidiano e a beleza dos cenários, que poderiam ter sido preenchidos com mais talentos bruxescos de Agnes, o que daria mais ênfase nos momentos finais. O filme tem muitos momentos bonitos e atuações estrondosas, mas, em alguns momentos, eu voltava a me perguntar o que esse filme iria passar e isso diz que eu não estava 100% conectado com tal cotidiano.
Não da pra considerar como uma jornada, mas como uma sala de espera até a emoção chegar. O problema é que quando ela chega, você fica completamente acabado kkkkkk. Afirmo que o grito de Agnes perante ao filho morto ainda ecoa nos meus ouvidos e a musica final, ao finalmente Will e Agnes deixarem seu filho ir, é de arrancar lágrimas até mesmo de quem se esforça pra não chorar.
Existem muitos filmes que retratam a dor de perder um ente amado antes do tempo, mas poucos conseguem demonstrar o sentimento de estar tão perdido e desesperado que aqui é demonstrado. Me lembrei de minha mãe, e isso arrancou muitas mais lagrimas após o filme.
C.R.A.Z.Y (2005) É um marco de vivência, é o cotidiano da melhor forma possível e uma luta pela aceitação, o meu único pesar é que a luta vem muito mais de ser aceito do que de se aceitar. O fato de Zachary amar tanto a memória do que o pai já foi pra ele e largar tudo o que há de si para tentar ter aquilo novamente, passando por cima de todo o seu eu, é desesperador, mas extremamente emocionante de se assistir. Em momento algum ele se revolta por o pai odiar o que ele é, mas sim tenta buscar aquele olhar que não via desde que o pai o entendeu pela primeira vez.
Eu adorei o fato de ser um filme bem rock, com uma trilha sonora de invejar, e também ter conceitos religiosos, como o próprio dom de Zachary para cura, onde nunca poderia curar o que era, pois não há como curar o seu eu. Os joguetes com estigmas de jesus, a infância pura e o descobrir da adolescência são tão bem retratados aqui que chegam a dar um nostalgia imensa.
Uma coisa que percebi, ao assistir esse filme, é que ao auge dos meus 27 anos eu tenho me martirizado como um velho. Tenho desperdiçado minha juventude tentando encarar algo que só vai vir daqui a uns 30-40 anos. Esse filme tem o poder de te lembrar que você é jovem e tem que aproveitar bastante esses anos que, infelizmente, passam mais rápido do que aparentam.
Que elenco gostoso, mdsss kkkkkkkkk Aquele irmão mais velho gótico drogado hmmmmm, como diriam no Twitter: Se eu fosse irmão dele, o pau dele não teria descanso.
Aquarius (2016) é um estrondo provocativo. É um filme tão cativante e tão desesperador. É repleto de vida, memória e personalidade. O que mais me chocou foi o fato de Kleber, na metade do seu filme, em uma cena completamente estranha e provocativa, fazer questão de lembrar que todo esse filme é o relato de um problema burguês, é a burguesia contra a burguesia e isso me assustou muito, mas não me impediu de querer justiça tornando essa obra inesquecível pra mim.
As atuações estão no ponto, os conflitos entre a imobiliária e Clara são marcantes, especificamente pelos diálogos passivos agressivos entre Sônia Braga e Humberto Carrão. Acho que a grande lição que sai desse filme e do cinema de Mendonça é que a memória é algo extremamente valioso que não deve ser perdido ou esquecido no decorrer das inovações.
Na minha imaginação, o que ocorreu aqui foi o seguinte:
Em uma sala de reuniões, no meio da tarde, o estúdio precisava urgentemente de uma ideia para o terceiro filme da saga Ginger Snaps e, certo cara, que tinha visto que o terceiro filme de Anjos da Noite foi um prequel medieval, grita:
“Precisamos dessas irmãs lupas no período medieval, é só a gente fazer o primeiro filme inteiro de novo, só que no período medieval E COM INDIGENAS!”
Todos da sala gargalham, mas já era hora de finalizar a reunião e não havia nenhuma outra ideia, então, só pra bater a meta, apresentam esta ideia para os chefões do estúdio, que sem nem um pingo de mentalidade cinéfila, adoram a ideia e começam a produção no dia seguinte.
Isso aconteceu? Possivelmente não, mas espero que tenha sido, pois qualquer pessoa com um pingo de sanidade mental não escolheria um enredo e roteiro tão podres como esses para uma produção de lobas jovens góticas e sensuais.
A Tartaruga Vermelha (2016) é legalzinho, enigmático a princípio, mas depois meio que só vai seguindo, sem nenhum proposito de desenvolver o enigma. É uma animação bonita e calma, uma lagoa azul meio mística. Um cotidiano, simples e com poucos conflitos que resultem em algo realmente pesado. Suave, essa é a palavra, suave.
Ps. Descalça numa ilhaaaaaaa, é tão magicuuuuu, você dizendo que me amaaaaa.
Cabaret (1972) foi algo inesperado. Eu realmente nunca soube os motivos da Liza Minnelli ser tão famosa entre os gays, pensei que fosse só uma atriz bem adorada como Judy Garland, mas na real é porque
é o único musical queer aplaudido por Hollywood que já assisti. É uma história fascinante com personalidades e atuações bem estrondosas, mas poucos hits. Eu gostei que toda a expressão do filme se encontra no Cabaret, onde há uma sátira de tudo que acontece, revelando que os problemas estão do lado de fora e não no Cabaret, mas todas as músicas do filme serem meio que no mesmo tom (o tom de divertimento do Cabaret) me cansou um pouco. Narrativamente isso é excelente, mas sonoramente deixou a desejar.
O mais surpreendente pra mim é que o roteiro corrobora com o público LGBT e, sim, eu sei que se trata de um filme do anos 70, onde logo mais haveria o Rocky Horror e já havia muitos musicais teatrais (tal como Cabaret) que falavam disto, mas ver algo tão escancaradamente LGBT ser aplaudido por Hollywood é algo que não tinha presenciado ainda. O final de Brian é esperançoso, mas em contrapartida o final de Sally é desesperador, nos contando como ela iria dar fim a própria vida e explicando que não existe isso de lá fora é uma coisa e no Cabaret é outra, a vida toda é um grande Cabaret. Definitivamente uma grande obra
O personagem Max, o barão que gosta de se divertir, mas tem muitos posicionamentos nazistas, é o primeiro indício para Sally e Brian de que a vida real não é um elemento separado, como o Cabaret sempre tenta afirmar. O barão adora pegar tanto Sally quanto Brian, mesmo sendo a favor de muitos posicionamentos Nazistas, mas quando o Nazismo aperta de tal maneira, ele percebe que essa dualidade não existe, que não existe só divertimento e vida real, que tudo é vida real. E esse é o primeiro a meter o pé pra Argentina.
Mary e a Flor da Feiticeira (2017) tem um começo promissor, mas no fundo é chato e mastigado. Ele é feito por um ex produtor da Ghbli, então ele tem a estética similar a Ghibliana, porém sem a emoção, o carisma e a desenvoltura dos personagens. Os personagens são bem poucos e a história é muito longa, os conflitos mágicos das bruxas te deixam entediado e a trilha sonora parece corresponder com esse tédio.
É passável, se eu fosse criança e não tivesse assistido nada da Ghibli eu talvez eu teria achado interessante, mas provavelmente também teria achado meio chato.
Começou como Mansão Hot Boys, depois entrou em um período de transição para A Casa das Sete Mulheres até chegar ao que realmente era: a web série Vida de Garoto.
Taekwondo (2016) é uma grande ovulação, é uma segurada de duas horas de um orgasmo, mas é como se, mesmo depois dessas duas horas onde algumas vezes você se entediou e outras estava muito excitado, acaba gozando antes do que planejava, fazendo com que aquelas duas horas de pré não tenham sido tão excitantes quanto poderiam ser.
O filme é a história de uma pass que se vê em um casarão lindo com um canavial de homem, todos ovulando por sexo, mas nem ela, e nem a outra pass que já era residente na casa, conseguem fazer com que toda essa aura de nudez e sexo seja algo direcionados para elas. Em muitos momentos até vira uma guerra nuclear entre passivas, mas as mapôs chegam e a oportunidade está perdida.
É um filme interessante, a fotografia extremamente gay te prende e a bolha sensual construída é muito deliciosa, mas em certas partes ocorre um leve tedio por o filme não evoluir e seguir os mesmos passos até literalmente o minuto final, onde a gay finalmente consegue e o filme acaba.
Comecei ver os filmes que estão no meu “Quero Ver” no Filmow há mais de uma década e Esteros (2016) foi uma real surpresa.
Há uns tempos, fiz uma crítica sobre como eu não tenho gostado desses novos filmes sobre romance lgbt infantis, de como sempre a direção, roteiro e enredo não parecem ser bem aproveitadas. Naquele tempo tinha me questionado “Depois de anos, eu perdi o sentimento de emoção em ver uma criança se apaixonando e se descobrindo ou todos os filmes lançados atualmente como Young Hearts (2024) e Close (2022) não estão conseguindo transbordar esse sentimento?” e com Esteros tive minha resposta. É, realmente, os atuais estão fazendo cagada mesmo.
Sabe aquela foto onde o minerador desiste de cavar, mas que logo a frente havia milhões de diamantes? Foi o que eu senti ao ter assistido diversos filmes ruins na minha adolescência e ter deixado este de stand by. O filme é uma linha entre Brasil e Argentina, entre um romance infantil do passado com um reencontro no presente, mas de uma maneira tão bem-feita que chegou a me assustar, já que vi muitos filmes com esse enredo e eles não são dos melhores.
O filme é fofo, é romântico, é extremamente delicado, transmite uma calma que a vida no campo na Argentina parece transmitir. Se muitos romances italianos tem o lago azul e bicicletas, aqui temos uma picape velha e um lago pra lá de lamacento que trás toda energia de um lugar tranquilo onde a criançada pode se divertir e se apaixonar. Adoro encontrar diamantes que deixei passar despercebido no meu passado.
Adorei como o filme escolheu, como elemento narrativo, deixar sempre uma criança com blusas de tonalidade azul e outra de tonalidade vermelha, trazendo isto para ao adultos para termos similaridades. Foi um recurso bem natural para entendermos quem é quem quando jovem.
Ligações Perigosas (1988) é um filme interessantíssimo, ele tem uma produção e figurinos excelentes, porém, eu já tinha assistido Segundas Intenções (1999), que é baseado no mesmo livro que deu origem a este filme e, como se tratou exatamente do mesmo enredo, só que um pouco menos dinâmico, deixou um pouco a desejar pra mim.
Acredito que John Malkovich foi uma péssima escolha aqui, e quando digo péssima quero dizer que ele nem chega ao esplendor que o papel deveria ter nos quesitos de dualidade e sem-vergonhice. Contudo, em comparação, nós temos um banho de atuação propostas por Michelle Pfeiffer, que consegue tão suavemente entregar uma donzela cristã que se força ao máximo para não se corromper ao desejo e a paixão, e por a grandiosa Glenn Close, que com os olhares marcantes e um lindo sorriso consegue fazer com que esse filme se eleve de tal maneira que quase coloco como favorito.
Cara, os monólogos incríveis da Glenn Close, os olhares sutis, o sorriso manipulador, os trejeitos e as reações que são mais para nossa percepção do que para os personagens que estão em cena... NOSSA, QUE TRABALHO TRANSCENDENTE.
O Filme em si, muitas das vezes, é anticlímax. E não posso negar que o final foi tão picotado que parecia que só tentaram encaixar correndo para seguir para as premiações, mas num todo, Glenn merece nota altíssima por esse aqui.
"Ma mère m'a dit d'adorer le Seigneur et tous ses anges" Disse uma passivinha loira magrela.
Perceval le Gallois (1978) É intrigante, ao menos incialmente. Os cenários são bem interessantes e tem sua marca pessoal, mas depois do encanto inicial, meio que você cansa de vê-los.
O filme tenta ser um épico, só que sem carisma de épico. Você não torce por ninguém, você não se afeiçoa a ninguém e meio que é longo demais. É o primeiro filme que eu vejo que tem um filler dentro e fiquei chocado com isso kkkkkkkkk.
Num todo, foi inicialmente interessante, mas terminou em uma cena
repetida e torturante da crucificação de cristo, no qual eu quase clamei para ele (algo que não faço quase nunca) para que passasse o mais rápido possível.
Então, não é que é ruim, só acho que não é pra mim.
O Agente Secreto (2025) é um filme interessante, ao menos inicialmente. Eu realmente não captei por completo o que fez com que eu não gostasse tanto desta obra.
Acredito que os pontos principais é que o filme tenta vender vida cotidiana, o que muitos vão dizer estar repleto, mas é onde eu mais tive problemas com a obra. Eu não consegui me sentir conectado com as vivências e nem com os personagens que servem para demonstrar esse cotidiano, isto pode ser por serem cenas bem breves, ou que são rapidamente substituídas para o enredo que visava demonstrar como os milicos e as policiais são uns merdas. É como se o filme focasse em mostrar o núcleo da casa dos refugiados só na meia hora inicial, e de maneira bem breve, o que fez até com que eu os esquecesse.
O enredo parece ir morrendo aos poucos, a tensão construída inicialmente desagua conforme o filme segue, retornando apenas no final, quando é cortada abruptamente. O quesito de tempo meio que só serviu para uma única mensagem, a de que os tempos avançam e as antigas locações cheias de memórias se tornam outra coisa, mas nem é tão aprofundada assim. O efeito do gato é bem desnecessário, poderia ser investido em outras ideias como pinturas ou estátuas de gatos de duas cabeças, para demonstrar a dualidade.
Eu não sei se eu não gostei tanto por ter sido o primeiro que vejo do Kleber Mendonça Filho, então irei acompanhar outras obras dele para tecer maiores comentários, mas é como se o filme corresse, só que sem deixar as coisas aceleradas, então meio que ele não para pra respirar e ao mesmo tempo parece que esses pulmões ainda estão cheios de ar.
Ps. Uma das coisas que não entendi é o sexo usado aqui, algo que parece se complementar em um padrão que vai desde a transa no arquivo para o boquete no cinema e a surubona na praça. Meio que se torna um padrão, mas não é exemplificado motivos para. Talvez para demonstrar como o publico dos anos 70, sofrendo de tamanha repressão, ainda é tão liberto? Para demonstrar como o carnaval é um período em que a ditadura não consegue controlar? Não sei o propósito. Uma vez li, em meus estudos históricos, de que havia uma crença cristã de que o carnaval era feito como um proposito católico de se expressar e depois rapidamente se arrepender, uma válvula de escape, mas isso não parece ser demonstrado aqui, soando ser algo jogado mesmo.
Pele de Asno (1970) foi uma surpresa incrivelmente polêmica e gostosa. Eu jurava que este filme seria algo como uma vertente mais contos de fadas clássico, com uns frufrus aqui e alí, como foi o caso da produção soviética de Cinderella (1947), que é extremamente encantadora. Mas, Pele de Asno tem algo a mais, tem POLÊMICA!
O fato de o conto ser sobre um pai querendo casar-se com a filha, e todo um conceito de certo ou errado ser construído, tanto na mentalidade da jovem quanto na de todos à volta, é algo fascinante. Os rumos que a história leva é semelhante a um rumo de contos clássicos, mas sempre com um tempero a mais em cada ocasião, como se a cada instante tivessem pequenos plots que podem parecer bem comuns, mas mexem com a nossa concepção.
É uma produção maravilhosa e extremamente criativa. Vou me aventurar mais nesse cinema francês dos anos 70.
A cena final, da fada safada, conseguindo tudo que ela sempre queria me deixou CHO-CA-DO. Foi como se o filme quisesse fazer com que eu fosse a donzela inocente, que não sabe se quer ou não casar com o pai.
BeetleJuice (1988) está na minha lista há um bom tempo e, agora que finalmente assisti, não posso negar que me senti um pouco mal por alguns motivos: Primeiro, por ter demorado tanto a assistir. Segundo, por perceber que o Tim Burton dos anos 80 à 2000 não é mais o mesmo atualmente, e é uma pena que ele tenha se perdido tanto assim ao se render para a indústria.
Achei o filme extremamente criativo e com um tom cativante ao horror e esquisitice, algo padrão de Burton. O filme encanta e, por mais que tenha maior foco no casal principal e não na família creep ou no BeetleJuice, não tem como reclamar de um filme como este. É como se Burton soubesse as medidas certas e nos deixasse com muito, e digo muito mesmo, gostinho na boca, doidos por mais desse universo MARAVILHOSO.
Espero muito que a sequência não tenha destruído essa obra, esperemos que Burton consiga resgatar o que tem de melhor, o que parece aos poucos estar se esvaindo com sua ligação a grandes indústrias que podam suas loucuras. Burton, por maior que tenha sido o apavoro que você tomou da Disney, saiba que nós, seres do submundo, gostamos muito mais quando você dá a louca e coloca um animação que mostra para as crianças que ressuscitar o cachorro morto é algo legal e que deve ser feito, do que séries netflixianas que só mostram pequenos vislumbres do que você pode alcançar de verdade.
Neo Tokyo (1987) é uma antologia com dois curtas muito bons e um mediano, mas todos com tremenda personalidade.
Adorei como tudo parecia um grande pesadelo, me lembrou muito os meus próprios pesadelos. O segundo e terceiro curta: “O Corredor" e “Ordem Para Cancelar a Construção”, renderiam maravilhosos longas. Eles grudaram na minha cabeça, de tal maneira, que acredito ser dificílimo de sair.
Acho que já é considerado por todos que Drácula de Bram Stoker é um livro muito complicado de se adaptar em um longa-metragem devido os diversos enredos que apenas um livro traz, então quando se vai adaptar Drácula, tem de ter algo bem interessante para manter o espectador interessado no filme o suficiente para aturar as barrigas inevitáveis, e Drácula de Bram Stoker de 1992 tem isso de sobra.
É fascinante todo o figurino, maquiagem e maravilhas que Coppola faz aqui com um baixíssimo orçamento, os personagens são bem fascinantes e o horror vampírico é bem retratado aqui, só revelo que senti bastante falta de um homoerotismo entre o Conde e Jonathan, mas assisti recentemente Núpcias de Drácula, então tô bem servido nesse aspecto.
Keanu Reeves está uma delicinha aqui como Jonathan. Anthony Hopkins como Van Helsing é interessante, mas não me cativou tanto. Billy Campbell como Quincey = GOSTOSO. Sadie Frost como Lucy está maravilhosa no papel da ricona safada, me tirou várias gargalhadas quando ela estava indo com a criança para o túmulo kkkkkkkk.
Winona Ryder como Mina está deslumbrante, que atriz cativante! Gary Oldman como Conde Drácula me tirou caras de nojo e gemidões bem altos kkkkkk belíssimo o trabalho.
Pequena Miss Sunshine
4.1 2,8K Assista AgoraUm verdadeiro perdedor é aquele que tem medo de tentar.
Pequena Miss Sunshine (2006) é um dramédia que toca o coração. Meu deus, eu esqueci o quão eu amo dramédias, eles são tão sinceros e tão verdadeiros, acho que é o gênero cinematográfico que mais se aproxima do que de fato é a vida.
Eu adorei cada personagem, cada enredo, cada derrota que os personagens sofrem no decorrer da viagem e como tudo é sobre seguir em frente, pois é aí que se encontram as verdadeiras vitórias. Eu acho que só posso elogiar um filme tão peculiar e honesto como esse.
ps. O fato de terem escolhido crianças que realmente participam de concursos de beleza para estarem ao lado de uma menina tão comum quanto Olive, escancara o que o filme pensa sobre concursos de beleza. FODAM-SE ELES!!!!!!!!
Un Rêve Plus Long que la Nuit
3.1 2Então, eu entendi toda a proposta, mas a falta de personalidade acaba não cativando.
A Dream Longer Than the Night (1976) tem uma ideia interessante, é
uma jornada de amadurecimento na qual uma menina passa por sete portas que lhes revelam amor, morte, sexo e muito mais. Os cenários e figurinos são interessantes, as formas explicitas também são. Maaaas, e é um grande Mas, o filme não tem personalidade.
Não da pra se afeiçoar ou se sentir cativado pela protagonista, seja a criança ou a adulta, já que ela não apresenta nada, é só uma menina caminhando por tudo isso, como se a diretora não soubesse o que fazer com ela ou para onde a personagem deveria ir. Então, no fim das contas, nós temos a representação da vida, mas sem alguém que pareça estar realmente vivendo para nos guiar.
Se o filme fosse só a câmera indo por essas portas, teria transparecido muito mais.
Narradores de Javé
3.9 278A cultura oral prevalece.
Narradores de Javé (2003) é o que The Fall (2006) tentou, mas que não conseguiu passar.
A história é maravilhosamente cativante, acho que o grande problema desse longa não é com o roteiro ou direção, mas com o ator principal. Você vê o filme inteiro com um ator/protagonista que sabemos ser um FDP da pior espécie, então isso acaba tirando toda a graça e teor que o filme tem.
Algo de valor que esse filme traz é que não da pra se imaginar o cinema brasileiro atual fazendo algo assim. É tão fascinante como ele retrata a cultura oral e a história vista de baixo, me admira essa obra ser tão desconhecida.
Os Goonies
4.1 1,3K Assista AgoraTaí um filme bem estranho.
Os Goonies (1985)
inicialmente é extremamente chato. Nenhum personagem é interessante ou engraçado, todos parecem estar gritando a todo momento e tudo é sempre uma grande confusão.
Acho que no momento em que todos estão na caverna é que filme se torna interessante e os personagens começam a aparecer um pouco mais. Num todo, é quase divertido. Acho que Gordo foi o pior e melhor personagem do filme, sendo que na meia hora inicial eu detestei o personagem com todas as minhas forças, mas, quando ele é pego pelos bandidos trapalhões, o personagem começa a brilhar muito.
É um filme sessão da tarde, só que sem o carisma da sessão da tarde. É como se ele fosse os Batutinhas, só que sem o carisma dos batutinhas, o que faz do filme só algo bem mediano.
Sussurros do Coração
4.3 500 Assista AgoraNão tem jeito, esse é o meu favorito da Ghibli
Sussurros do Coração (1995) consegue captar a inocência e o amor juvenil por meio das estradas asfaltadas de Tóquio, onde apenas nos breves becos e ao longe, se pode avistar um ponto verde, sempre um futuro esperançoso.
Sabe uma coisa triste que reparei nesse filme? É que, quando eu assisti a primeira vez, pelo olhar da minha adolescência, eu tinha visto o amor de uma maneira. Agora, depois de bem adulto, eu vejo como o amor entre Shizuku e Seiji é absurdamente adolescente, é um amor que a imaginação flutua e que não se pensam em barreiras. É um “casa comigo, Shizuku, um dia vou construir violinos” e um “eu caso, Seiji, um dia serei uma escritora” um dia. São os sonhos adolescentes na sua mais pura essência e, reparando isso, o filme se tornou lindamente triste para mim.
Grandiosíssimo trabalho do Yoshifumi Kondo.
O Exército dos Frutas
3.4 77ISSO É HISTÓRIA, ISSO É REVOLUÇÃO E EU PRECISO FAZER PARTE DELAAA!!
The Raspberry Reich (2004
) é um filme que se eleva ao extremo, é um edição politicamente psicodélica e muito bem retratada. O filme passeia pelo ato de se revolucionar, levando tudo ao pé da letra, as vezes parece uma sátira ao extremismo e, nas outras vezes, parece um grande enaltecimento de paradigmas comunistas.
As falas do desgraçado do Bush surgindo enquanto o grupo transa loucamente, mensagens como “FAÇA AMOR (REVOLUCIONÁRIO) E NÃO GUERRA (IMPERIALISTA)” e falas como “A REVOLUÇÃO É O MEU NAMORADO!”, “LIBERTE-SE DA SUA OPRESSÃO HETEROSSEXUAL” e “A propriedade privada não pode ser roubada, só pode ser libertada” me deixaram absurdamente maravilhado!!
Pânico 7
2.7 373 Assista AgoraEntão, eu não estava esperando nada, até curti alguns momentos, mas algo me deixou realmente feliz: A FRANQUIA PÂNICO MORREEEEEU!!!!!!
Achei interessante, ao menos inicialmente, a maneira com que o filme foi tentando se construir: a ideia de usar aquele roteiro descartado de Pânico 3, mas aos poucos subverter ele e trazer algo novo foi bem interessante, pena essa foi a única coisa pensada aqui.
A metalinguagem morreu kkkkkk; os jovens são absurdamente desinteressantes; mataram a Mckenna Grace bem rápido pra ela não ofuscar a filha da Sidney; os gêmeos Chad e Mindy parecem estar fazendo uma paródia cômica da saga pânico, como se estivessem acima de tudo isso e nem se importando se tem um assassino por ali kkkkkkk.
Eu vi uma crítica que comparou Pânico 7 como se fosse um “Facada” e isso realmente me abriu os olhos para algo: Será que a intenção desse filme é fazer algum fã maluco de Pânico dar uma de Richie e Amber? É pra gente perseguir a Neve Campbell e Courteney Cox e entregar um material bom pra um próximo filme? Kkkkkkkkk
Meio que, se esse filme fosse algo tipo “A Hora do Pesadelo 7”, onde os atores e atrizes reais sofrem perseguições do assassino, com toda uma metalinguagem, ele seria bem interessante.
É isso pessoal, o último a sair fecha a porta kkkkkk, possivelmente Pânico 8 vai ter volta no tempo, e eu não tô afim de presenciar isso não kkkkkkkkkkk
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.2 420 Assista AgoraHamnet (2025) demorou pra me cativar, por um tempo pensei que nem ia me adentrar tanto, mas quando dei por mim, já estava com o coração completamente apertado e com os olhos cheios de lágrimas.
Acho que esse é um bom filme, só que, por um tempo, sua caminhada é sem rumo. Seu rumo só fica evidente quando temos a perda dolorosa de Hamnet, mas isto é só próximo ao final. O que nos cativa, nesse tempo, é o cotidiano e a beleza dos cenários, que poderiam ter sido preenchidos com mais talentos bruxescos de Agnes, o que daria mais ênfase nos momentos finais. O filme tem muitos momentos bonitos e atuações estrondosas, mas, em alguns momentos, eu voltava a me perguntar o que esse filme iria passar e isso diz que eu não estava 100% conectado com tal cotidiano.
Não da pra considerar como uma jornada, mas como uma sala de espera até a emoção chegar. O problema é que quando ela chega, você fica completamente acabado kkkkkk. Afirmo que o grito de Agnes perante ao filho morto ainda ecoa nos meus ouvidos e a musica final, ao finalmente Will e Agnes deixarem seu filho ir, é de arrancar lágrimas até mesmo de quem se esforça pra não chorar.
Existem muitos filmes que retratam a dor de perder um ente amado antes do tempo, mas poucos conseguem demonstrar o sentimento de estar tão perdido e desesperado que aqui é demonstrado. Me lembrei de minha mãe, e isso arrancou muitas mais lagrimas após o filme.
Ps.
Jessie buckley, esse Oscar já ta com o teu nome.
C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor
4.2 712THIS IS GROOOOUND CONTROOOOL TO MAJOR TOOOOM
C.R.A.Z.Y (2005) É um marco de vivência, é o cotidiano da melhor forma possível e uma luta pela aceitação, o meu único pesar é que a luta vem muito mais de ser aceito do que de se aceitar.
O fato de Zachary amar tanto a memória do que o pai já foi pra ele e largar tudo o que há de si para tentar ter aquilo novamente, passando por cima de todo o seu eu, é desesperador, mas extremamente emocionante de se assistir. Em momento algum ele se revolta por o pai odiar o que ele é, mas sim tenta buscar aquele olhar que não via desde que o pai o entendeu pela primeira vez.
Eu adorei o fato de ser um filme bem rock, com uma trilha sonora de invejar, e também ter conceitos religiosos, como o próprio dom de Zachary para cura, onde nunca poderia curar o que era, pois não há como curar o seu eu. Os joguetes com estigmas de jesus, a infância pura e o descobrir da adolescência são tão bem retratados aqui que chegam a dar um nostalgia imensa.
Uma coisa que percebi, ao assistir esse filme, é que ao auge dos meus 27 anos eu tenho me martirizado como um velho. Tenho desperdiçado minha juventude tentando encarar algo que só vai vir daqui a uns 30-40 anos. Esse filme tem o poder de te lembrar que você é jovem e tem que aproveitar bastante esses anos que, infelizmente, passam mais rápido do que aparentam.
ps.
Que elenco gostoso, mdsss kkkkkkkkk Aquele irmão mais velho gótico drogado hmmmmm, como diriam no Twitter: Se eu fosse irmão dele, o pau dele não teria descanso.
Aquarius
4.2 1,9K Assista AgoraEU NÃO TÔ BRINCANDO, EU SÓ SAIO DAQUI MORTA!
Bem que me falaram que pra gostar do cinema do Kleber Mendonça Filho era só assistir esse aqui.
Aquarius (2016) é um estrondo provocativo. É um filme tão cativante e tão desesperador. É repleto de vida, memória e personalidade. O que mais me chocou foi o fato de Kleber, na metade do seu filme, em uma cena completamente estranha e provocativa, fazer questão de lembrar que todo esse filme é o relato de um problema burguês, é a burguesia contra a burguesia e isso me assustou muito, mas não me impediu de querer justiça tornando essa obra inesquecível pra mim.
As atuações estão no ponto, os conflitos entre a imobiliária e Clara são marcantes, especificamente pelos diálogos passivos agressivos entre Sônia Braga e Humberto Carrão. Acho que a grande lição que sai desse filme e do cinema de Mendonça é que a memória é algo extremamente valioso que não deve ser perdido ou esquecido no decorrer das inovações.
Twitches - As Bruxinhas Gêmeas
2.2 168Realeza preta! Eu só queria viver em Coventry e me chamar Apola.
Possuída 3: O Início
2.8 110 Assista AgoraNa minha imaginação, o que ocorreu aqui foi o seguinte:
Em uma sala de reuniões, no meio da tarde, o estúdio precisava urgentemente de uma ideia para o terceiro filme da saga Ginger Snaps e, certo cara, que tinha visto que o terceiro filme de Anjos da Noite foi um prequel medieval, grita:
“Precisamos dessas irmãs lupas no período medieval, é só a gente fazer o primeiro filme inteiro de novo, só que no período medieval E COM INDIGENAS!”
Todos da sala gargalham, mas já era hora de finalizar a reunião e não havia nenhuma outra ideia, então, só pra bater a meta, apresentam esta ideia para os chefões do estúdio, que sem nem um pingo de mentalidade cinéfila, adoram a ideia e começam a produção no dia seguinte.
Isso aconteceu? Possivelmente não, mas espero que tenha sido, pois qualquer pessoa com um pingo de sanidade mental não escolheria um enredo e roteiro tão podres como esses para uma produção de lobas jovens góticas e sensuais.
A Tartaruga Vermelha
4.1 400 Assista AgoraEEEEEEEEEEI
A Tartaruga Vermelha (2016) é legalzinho, enigmático a princípio, mas depois meio que só vai seguindo, sem nenhum proposito de desenvolver o enigma. É uma animação bonita e calma, uma lagoa azul meio mística. Um cotidiano, simples e com poucos conflitos que resultem em algo realmente pesado. Suave, essa é a palavra, suave.
Ps. Descalça numa ilhaaaaaaa, é tão magicuuuuu, você dizendo que me amaaaaa.
Cabaret
4.2 261É, Liza, a vida é um Cabaret.
Cabaret (1972) foi algo inesperado. Eu realmente nunca soube os motivos da Liza Minnelli ser tão famosa entre os gays, pensei que fosse só uma atriz bem adorada como Judy Garland, mas na real é porque
ela pega uma gay, tira-o das amarras da sociedade e o deixa ir.
Cabaret
é o único musical queer aplaudido por Hollywood que já assisti. É uma história fascinante com personalidades e atuações bem estrondosas, mas poucos hits. Eu gostei que toda a expressão do filme se encontra no Cabaret, onde há uma sátira de tudo que acontece, revelando que os problemas estão do lado de fora e não no Cabaret, mas todas as músicas do filme serem meio que no mesmo tom (o tom de divertimento do Cabaret) me cansou um pouco. Narrativamente isso é excelente, mas sonoramente deixou a desejar.
O mais surpreendente pra mim é que o roteiro corrobora com o público LGBT e, sim, eu sei que se trata de um filme do anos 70, onde logo mais haveria o Rocky Horror e já havia muitos musicais teatrais (tal como Cabaret) que falavam disto, mas ver algo tão escancaradamente LGBT ser aplaudido por Hollywood é algo que não tinha presenciado ainda. O final de Brian é esperançoso, mas em contrapartida o final de Sally é desesperador, nos contando como ela iria dar fim a própria vida e explicando que não existe isso de lá fora é uma coisa e no Cabaret é outra, a vida toda é um grande Cabaret. Definitivamente uma grande obra
Ps.
O personagem Max, o barão que gosta de se divertir, mas tem muitos posicionamentos nazistas, é o primeiro indício para Sally e Brian de que a vida real não é um elemento separado, como o Cabaret sempre tenta afirmar. O barão adora pegar tanto Sally quanto Brian, mesmo sendo a favor de muitos posicionamentos Nazistas, mas quando o Nazismo aperta de tal maneira, ele percebe que essa dualidade não existe, que não existe só divertimento e vida real, que tudo é vida real. E esse é o primeiro a meter o pé pra Argentina.
Mary e a Flor da Feiticeira
3.7 95Mary e a Flor da Feiticeira (2017) tem um começo promissor, mas no fundo é chato e mastigado. Ele é feito por um ex produtor da Ghbli, então ele tem a estética similar a Ghibliana, porém sem a emoção, o carisma e a desenvoltura dos personagens. Os personagens são bem poucos e a história é muito longa, os conflitos mágicos das bruxas te deixam entediado e a trilha sonora parece corresponder com esse tédio.
É passável, se eu fosse criança e não tivesse assistido nada da Ghibli eu talvez eu teria achado interessante, mas provavelmente também teria achado meio chato.
Taekwondo
2.9 55Começou como Mansão Hot Boys, depois entrou em um período de transição para A Casa das Sete Mulheres até chegar ao que realmente era: a web série Vida de Garoto.
Taekwondo (2016) é uma grande ovulação, é uma segurada de duas horas de um orgasmo, mas é como se, mesmo depois dessas duas horas onde algumas vezes você se entediou e outras estava muito excitado, acaba gozando antes do que planejava, fazendo com que aquelas duas horas de pré não tenham sido tão excitantes quanto poderiam ser.
O filme é a história de uma pass que se vê em um casarão lindo com um canavial de homem, todos ovulando por sexo, mas nem ela, e nem a outra pass que já era residente na casa, conseguem fazer com que toda essa aura de nudez e sexo seja algo direcionados para elas. Em muitos momentos até vira uma guerra nuclear entre passivas, mas as mapôs chegam e a oportunidade está perdida.
É um filme interessante, a fotografia extremamente gay te prende e a bolha sensual construída é muito deliciosa, mas em certas partes ocorre um leve tedio por o filme não evoluir e seguir os mesmos passos até literalmente o minuto final, onde a gay finalmente consegue e o filme acaba.
Apesar de tudo, é uma experiência interessante.
Ps.
A gay traficante amiga da pass protagonista rouba a cena, se fosse ela naquela casa nós teríamos um filme totalmente diferente.
Ps.2
Peço a deus todos os dias para não me tornar uma passiva tão burra e obcecada que tem que inventar lorota por ciúme de macho.
Estuários
3.4 116 Assista AgoraComecei ver os filmes que estão no meu “Quero Ver” no Filmow há mais de uma década e Esteros (2016) foi uma real surpresa.
Há uns tempos, fiz uma crítica sobre como eu não tenho gostado desses novos filmes sobre romance lgbt infantis, de como sempre a direção, roteiro e enredo não parecem ser bem aproveitadas. Naquele tempo tinha me questionado “Depois de anos, eu perdi o sentimento de emoção em ver uma criança se apaixonando e se descobrindo ou todos os filmes lançados atualmente como Young Hearts (2024) e Close (2022) não estão conseguindo transbordar esse sentimento?” e com Esteros tive minha resposta. É, realmente, os atuais estão fazendo cagada mesmo.
Sabe aquela foto onde o minerador desiste de cavar, mas que logo a frente havia milhões de diamantes? Foi o que eu senti ao ter assistido diversos filmes ruins na minha adolescência e ter deixado este de stand by. O filme é uma linha entre Brasil e Argentina, entre um romance infantil do passado com um reencontro no presente, mas de uma maneira tão bem-feita que chegou a me assustar, já que vi muitos filmes com esse enredo e eles não são dos melhores.
O filme é fofo, é romântico, é extremamente delicado, transmite uma calma que a vida no campo na Argentina parece transmitir. Se muitos romances italianos tem o lago azul e bicicletas, aqui temos uma picape velha e um lago pra lá de lamacento que trás toda energia de um lugar tranquilo onde a criançada pode se divertir e se apaixonar. Adoro encontrar diamantes que deixei passar despercebido no meu passado.
Ps.
Adorei como o filme escolheu, como elemento narrativo, deixar sempre uma criança com blusas de tonalidade azul e outra de tonalidade vermelha, trazendo isto para ao adultos para termos similaridades. Foi um recurso bem natural para entendermos quem é quem quando jovem.
Ligações Perigosas
4.0 355 Assista AgoraOk Glenn Close, isso aqui foi visceral.
Ligações Perigosas (1988) é um filme interessantíssimo, ele tem uma produção e figurinos excelentes, porém, eu já tinha assistido Segundas Intenções (1999), que é baseado no mesmo livro que deu origem a este filme e, como se tratou exatamente do mesmo enredo, só que um pouco menos dinâmico, deixou um pouco a desejar pra mim.
Acredito que John Malkovich foi uma péssima escolha aqui, e quando digo péssima quero dizer que ele nem chega ao esplendor que o papel deveria ter nos quesitos de dualidade e sem-vergonhice. Contudo, em comparação, nós temos um banho de atuação propostas por Michelle Pfeiffer, que consegue tão suavemente entregar uma donzela cristã que se força ao máximo para não se corromper ao desejo e a paixão, e por a grandiosa Glenn Close, que com os olhares marcantes e um lindo sorriso consegue fazer com que esse filme se eleve de tal maneira que quase coloco como favorito.
Cara, os monólogos incríveis da Glenn Close, os olhares sutis, o sorriso manipulador, os trejeitos e as reações que são mais para nossa percepção do que para os personagens que estão em cena... NOSSA, QUE TRABALHO TRANSCENDENTE.
O Filme em si, muitas das vezes, é anticlímax. E não posso negar que o final foi tão picotado que parecia que só tentaram encaixar correndo para seguir para as premiações, mas num todo, Glenn merece nota altíssima por esse aqui.
Perceval, o Galês
3.5 5"Ma mère m'a dit d'adorer le Seigneur et tous ses anges"
Disse uma passivinha loira magrela.
Perceval le Gallois (1978) É intrigante, ao menos incialmente. Os cenários são bem interessantes e tem sua marca pessoal, mas depois do encanto inicial, meio que você cansa de vê-los.
O filme tenta ser um épico, só que sem carisma de épico. Você não torce por ninguém, você não se afeiçoa a ninguém e meio que é longo demais. É o primeiro filme que eu vejo que tem um filler dentro e fiquei chocado com isso kkkkkkkkk.
Num todo, foi inicialmente interessante, mas terminou em uma cena
repetida e torturante da crucificação de cristo, no qual eu quase clamei para ele (algo que não faço quase nunca) para que passasse o mais rápido possível.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraEntão, não é que é ruim, só acho que não é pra mim.
O Agente Secreto (2025) é um filme interessante, ao menos inicialmente. Eu realmente não captei por completo o que fez com que eu não gostasse tanto desta obra.
Acredito que os pontos principais é que o filme tenta vender vida cotidiana, o que muitos vão dizer estar repleto, mas é onde eu mais tive problemas com a obra. Eu não consegui me sentir conectado com as vivências e nem com os personagens que servem para demonstrar esse cotidiano, isto pode ser por serem cenas bem breves, ou que são rapidamente substituídas para o enredo que visava demonstrar como os milicos e as policiais são uns merdas. É como se o filme focasse em mostrar o núcleo da casa dos refugiados só na meia hora inicial, e de maneira bem breve, o que fez até com que eu os esquecesse.
O enredo parece ir morrendo aos poucos, a tensão construída inicialmente desagua conforme o filme segue, retornando apenas no final, quando é cortada abruptamente. O quesito de tempo meio que só serviu para uma única mensagem, a de que os tempos avançam e as antigas locações cheias de memórias se tornam outra coisa, mas nem é tão aprofundada assim. O efeito do gato é bem desnecessário, poderia ser investido em outras ideias como pinturas ou estátuas de gatos de duas cabeças, para demonstrar a dualidade.
Eu não sei se eu não gostei tanto por ter sido o primeiro que vejo do Kleber Mendonça Filho, então irei acompanhar outras obras dele para tecer maiores comentários, mas é como se o filme corresse, só que sem deixar as coisas aceleradas, então meio que ele não para pra respirar e ao mesmo tempo parece que esses pulmões ainda estão cheios de ar.
Ps. Uma das coisas que não entendi é o sexo usado aqui, algo que parece se complementar em um padrão que vai desde a transa no arquivo para o boquete no cinema e a surubona na praça. Meio que se torna um padrão, mas não é exemplificado motivos para. Talvez para demonstrar como o publico dos anos 70, sofrendo de tamanha repressão, ainda é tão liberto? Para demonstrar como o carnaval é um período em que a ditadura não consegue controlar? Não sei o propósito. Uma vez li, em meus estudos históricos, de que havia uma crença cristã de que o carnaval era feito como um proposito católico de se expressar e depois rapidamente se arrepender, uma válvula de escape, mas isso não parece ser demonstrado aqui, soando ser algo jogado mesmo.
Pele de Asno
3.8 86 Assista AgoraQUE FADA SAFADA!
Pele de Asno (1970) foi uma surpresa incrivelmente polêmica e gostosa. Eu jurava que este filme seria algo como uma vertente mais contos de fadas clássico, com uns frufrus aqui e alí, como foi o caso da produção soviética de Cinderella (1947), que é extremamente encantadora. Mas, Pele de Asno tem algo a mais, tem POLÊMICA!
O fato de o conto ser sobre um pai querendo casar-se com a filha, e todo um conceito de certo ou errado ser construído, tanto na mentalidade da jovem quanto na de todos à volta, é algo fascinante. Os rumos que a história leva é semelhante a um rumo de contos clássicos, mas sempre com um tempero a mais em cada ocasião, como se a cada instante tivessem pequenos plots que podem parecer bem comuns, mas mexem com a nossa concepção.
É uma produção maravilhosa e extremamente criativa. Vou me aventurar mais nesse cinema francês dos anos 70.
Ps.
A cena final, da fada safada, conseguindo tudo que ela sempre queria me deixou CHO-CA-DO. Foi como se o filme quisesse fazer com que eu fosse a donzela inocente, que não sabe se quer ou não casar com o pai.
Os Fantasmas Se Divertem
3.9 1,8K Assista AgoraBEETLEJUICE, BEETLEJUICE, BEE...
BeetleJuice (1988) está na minha lista há um bom tempo e, agora que finalmente assisti, não posso negar que me senti um pouco mal por alguns motivos: Primeiro, por ter demorado tanto a assistir. Segundo, por perceber que o Tim Burton dos anos 80 à 2000 não é mais o mesmo atualmente, e é uma pena que ele tenha se perdido tanto assim ao se render para a indústria.
Achei o filme extremamente criativo e com um tom cativante ao horror e esquisitice, algo padrão de Burton. O filme encanta e, por mais que tenha maior foco no casal principal e não na família creep ou no BeetleJuice, não tem como reclamar de um filme como este. É como se Burton soubesse as medidas certas e nos deixasse com muito, e digo muito mesmo, gostinho na boca, doidos por mais desse universo MARAVILHOSO.
Espero muito que a sequência não tenha destruído essa obra, esperemos que Burton consiga resgatar o que tem de melhor, o que parece aos poucos estar se esvaindo com sua ligação a grandes indústrias que podam suas loucuras.
Burton, por maior que tenha sido o apavoro que você tomou da Disney, saiba que nós, seres do submundo, gostamos muito mais quando você dá a louca e coloca um animação que mostra para as crianças que ressuscitar o cachorro morto é algo legal e que deve ser feito, do que séries netflixianas que só mostram pequenos vislumbres do que você pode alcançar de verdade.
Ps.
Eu comecei a me questionar se eu casaria ou não com o Beetle, e isso está me deixando bem preocupado kkkkkkk
Manie-Manie: Histórias do Labirinto
3.9 17 Assista AgoraNeo Tokyo (1987) é uma antologia com dois curtas muito bons e um mediano, mas todos com tremenda personalidade.
Adorei como tudo parecia um grande pesadelo, me lembrou muito os meus próprios pesadelos. O segundo e terceiro curta: “O Corredor" e “Ordem Para Cancelar a Construção”, renderiam maravilhosos longas. Eles grudaram na minha cabeça, de tal maneira, que acredito ser dificílimo de sair.
Drácula de Bram Stoker
4.0 1,4K Assista AgoraAcho que já é considerado por todos que Drácula de Bram Stoker é um livro muito complicado de se adaptar em um longa-metragem devido os diversos enredos que apenas um livro traz, então quando se vai adaptar Drácula, tem de ter algo bem interessante para manter o espectador interessado no filme o suficiente para aturar as barrigas inevitáveis, e Drácula de Bram Stoker de 1992 tem isso de sobra.
É fascinante todo o figurino, maquiagem e maravilhas que Coppola faz aqui com um baixíssimo orçamento, os personagens são bem fascinantes e o horror vampírico é bem retratado aqui, só revelo que senti bastante falta de um homoerotismo entre o Conde e Jonathan, mas assisti recentemente Núpcias de Drácula, então tô bem servido nesse aspecto.
Keanu Reeves está uma delicinha aqui como Jonathan. Anthony Hopkins como Van Helsing é interessante, mas não me cativou tanto. Billy Campbell como Quincey = GOSTOSO. Sadie Frost como Lucy está maravilhosa no papel da ricona safada, me tirou várias gargalhadas quando ela estava indo com a criança para o túmulo kkkkkkkk.
Winona Ryder como Mina está deslumbrante, que atriz cativante! Gary Oldman como Conde Drácula me tirou caras de nojo e gemidões bem altos kkkkkk belíssimo o trabalho.