Nitidamente, deve ter sido uma obra dificílima de ser gravada.
Nasce uma Estrela (1957) é uma obra muito estranha e fiquei um tanto surpreso, mesmo tendo assistido a versão da Gaga de 2018, como o filme é o material inteirinho de inspiração para o um dos meus musicais favoritos: Funny Girl (1968), talvez, e é um talvez bem grande, Hollywood tenha tentado concertar essa obra lançando Funny Girl uns 11 anos depois.
O ator principal é muito feio kkkkkk feio feio mesmo, e não tem um pingo de charme para o filme insinuar que ele ganha muito na lábia, a Judy Garland está caracterizada como uma mulher de 70 anos, sendo que aqui ela tem apenas 35. São os mesmos os penteados e roupas que ela estava usando na época e, logicamente depois de uma vida muito tortuosa, é esperado que ela esteja meio mal, mas a caracterização e maquiagem as vezes parece realmente proposital.
É um musical sem uma única música interessante, com cenas muito boas devido a grandeza de Garland e seu vozeirão incrível, mas sem músicas que cativem fica meio meh. O direcionamento da atriz é meio estranho também, em uma cena em que deveríamos ter uma capacidade de indicação ao Oscar, a atriz é condicionada a manter a cabeça e as feições tão escondidas que até parece que o diretor estava querendo exclui-la da cena.
A pior coisa que foi feita aqui é o trabalho de conservação. O estúdio cortou cenas do filme que seriam importantíssimas para o relacionamento entre os dois protagonistas, o que nos causa muito estranhamento quando eles começam a se amar literalmente do nada. Mas a ideia de louco de, para recuperar a estrutura descartada do filme, postar fotos e os áudios das cenas que conseguiram recuperar, fizeram o filme parecer extremamente picotado e instauraram um sentimento total de frustração. Não que antes não parecesse, já que temos cortes extremamente abruptos dentro de uma mesma cena e cenas musicais que o lypsinc não tá no tempo da música.
É amigos, essa produção parece ter sido muito conturbada.
PENÉLOPE CRUZZZ, CORRE AQUIIII, TÃO HUMILHANDO A ESPANHAAAAAAA!!!
Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (2017) me surpreendeu um pouco. Não é que ele seja bom, chegamos a um nível que não da mais pra recuperar essa saga, mas este aqui é o que mais tenta.
O humor aqui está muito bom, ele conseguiu alcançar o humor que a trilogia original tinha. Cenas como a quase decapitação de Jack e “sua filha faz urologia” são de gargalhar, mas o enredo é totalmente desinteressante e pouco planejado.
A tentativa de se construir uma sequência legado é óbvia, não funciona no caso do filho do Will e da Elizabeth, mas chega quase a dar certo com a filha do Barbossa. PENELOPE CRUZZZZ CORRE AQUI, AA SENHORAAA TA SENDO HUMILHAADAAAAAAAA KKKKKKK, qualquer um prefere uma filha do Barbossa do que a do Barba sla das contas. Uma pena que a tentativa de um casal de nepo babies resultou em um casal sem química alguma.
Agora, apesar da volta do Orlando Bloom no início do filme ser bem meh, quando chega o final e nós vemos aa FUCKING KEIRA KNIGHTLEY, EU SÓ SOUBE BERRAR. MEU DEEEEUS, APELOU PRA NOSTALGIA? SIM, MAAAAAAS QUE CENA, QUE LINDAA MINHA MÃE ELIZABETH, MEU DEEEEUS.
Não preciso me alongar muito sobre esse. Piratas do Caribe Navegando em Águas Misteriosas (2011) tem a falta de um elemento principal, o diretor e corroteirista dos três primeiros filmes, Gore Verbinski. É um filme que começa abrupto e termina em uma cena completamente aleatória que nos leva a nos questionar “Ué, acabou?”
O filme que caga pro desenvolvimento de personagens a longo da saga, colocando Jack e Gibbs como uma dupla inseparável de melhores amigos, onde um se sacrificaria pelo outro, sendo que era uma amizade pirata que tinha resquícios de companheirismo e honra, mas só enquanto o lucro era certo. Outro detalhe foram ter destruído o Barbossa, como se o grande pirata não tivesse nenhuma honra, mesmo sendo um dos que nunca confabulou com a companhia das índias orientais, o que poderia ter feito, mesmo tendo um trato com Calypso.
No final a história é chata, tem pouco humor e a Penélope Cruz está péssima aqui. Coitada, espero que tenha faturado algo.
“— O mundo já foi um lugar muito melhor. — O mundo é o mesmo, há menos razões para se viver.”
Ta, esse é o meu fav. Piratas do Caribe: no Fim do Mundo (2007) é um dos filmes mais complexos da saga, totalmente refém de seu roteiro. Ouso dizer que, se você parar de prestar atenção em uma cena sequer, já não vai entender mais nada, e não é só atenção ao que está sendo dito, mas onde cada personagens está e qual é sua reação ao que se é dito. A complexidade deste é o que o faz com que ele não se torne cansativo no decorrer dos anos.
Todo esse filme é maravilhoso e chega ao ápice de cada desenvolvimento: nós temos a volta de Barbossa, e notamos o quão sua falta afetou a sequência, pois todos os momentos cômicos entre Jack e Barbossa são maravilhosos neste filme; O desenvolvimento da tia Dalma, em seu entendimento como Calypso; Will abraçando inteiramente, pela primeira vez, o seu lado pirata, matando e traindo qualquer um para salvar seu pai; Elizabeth, totalmente corrompida pela sociedade, manipulando, lutando e se tornando Rei dos piratas (NÃO HÁ MELHOR DESENVOLVIMENTO NA HISTÓRIA DO QUE O DE ELIZABETH!!!!!!)
Coisas que eu reparei, que nunca tinha reparado antes durante o filme:
Davy Jones chora ao ouvir sua música e de Calypso, mas isso só ocorre porque Beckett está chegando no Holandês Voador, portando o coração. Conforme o coração se aproxima, Davy fica mais instável e ainda mais perigoso.
Em uma das melhores cenas do filme, onde Elizabeth, Jack e Barbossa se encontram com Will, Beckett e Davy Jones, há toda uma troca de olhares entre Elizabeth, Will e Jack, formando o plano que se seguiria. Na primeira troca de olhares, Will e Jack entram em acordo de que Jack vai furar o coração. Elizabeth, entendendo a troca entre os dois, olha pra Will e ele confirma isso, depois olha pro Jack e demonstra que ela entendeu, realizando a troca do Will pelo Jack e o colocando a bordo do Holandês voador. QUE CENA FODAAAAAA, MEU DEUS, COMO EU NÃO NOTEI ISSO ANTES?????
A canção era um recurso que a população pirata poderia usar, provavelmente quando pilhagens não tinham mais valor, para convocar a corte da irmandade, mas isso fazia com que todas as moedas do mundo vibrassem no tom da canção? Como se fosse um poder convocatório?
Quando for rever novamente, devo ter mais respostas.
Sendo o fav de todos os héteros do mundo, Piratas do Caribe: o Baú da Morte (2006) é uma continuação maravilhosa. Ele pega todos os ganchos que foram apresentados no primeiro filme e criam o melhor vilão que se possa existir. Não, não falo de Davy Jones, por mais que sua figura seja impagável, falo do cabeça da companhia Britânica das Índias orientais, Beckett.
Gostei que a saga manteve seu toque sobrenatural, expandindo a mitologia dos mares. Se o primeiro foi pra se tratar do "que seria um pirata" ou melhor dizendo: "se piratas são bons ou ruins", a sequência tem por definir "O que é a morte" ou melhor dizendo: "o quão temível é o fim para todos nós".
O humor aqui está bom, mas perde o foco central, já que estamos tratando de assuntos bem mais pesados que o antecessor. A vilania tanto de Beckett, que age nos parâmetros governamentais, quanto de Davy Jones, que foge desses parâmetros e regras, é a mesma, só que um lado é muito mais honesto no que faz do que o outro.
É lindo de ver o desenvolvimento de Elizabeth, de como passamos de uma promissora pirata para uma espadachim talentosa que não foge de abraçar o errado se for preciso. E que pena ver Sparrow mais uma vez confiar nas pessoas e ser traído novamente, interessante de ver que ele não perde essa fé no decorrer da saga, mas também aprende a dosá-la cada vez que é traído.
PS.2 . QUE EFEITOS FODAAAA. VOCÊ QUER, 2026??? 2006 TA FAZENDO VOCÊ ANDAR NA PRANCHAAAA!!
"Na rara ocasião em que buscar o caminho certo exija um ato de pirataria, a própria pirataria pode ser o caminho certo."
Eu sempre achei que, da trilogia original, Piratas do Caribe e a Maldição do Pérola Negra (2003) era o menos denso e mais fraco, mas, e é um grande mãããs, me surpreendi com o quão inteligente ele é.
É um filme que não tinha pretensões de continuações, mas mesmo assim, a história de construção de personagens é tão boa que deixa possíveis pontas pra serem aproveitadas em uma possível sequência, ao qual é muito bem aproveitado.
Os diálogos aqui são maravilhosos, o humor é no ponto certo e a história é maravilhosa. Apesar de termos um protagonismo no romance entre Elizabeth e Will, esse filme não consegue se construir sem 3 personagens: Governador Swan, Barbossa e Jack Sparrow... Capitão Jack Sparrow. O humor está com esses três e as trocas de possíveis negociações entre Barbossa e Jack são o que faz esse filme ser tão único.
É uma ótima apresentação de universo e de personagens: o fato de que, em pequenos atos como na falta de decoro dos modos que uma dama aristocrata deveria ter, ser mostrado o quão pirata a Elizabeth é. E, em todas as vezes que Will foge de se aceitar como pirata, visualizando o mundo em preto e branco (os bonzinhos são os que seguem as leis e os malvados são os que desrespeitam elas) enfim entende que a maldade e a bondade pode se encontrar em todo o lugar, que bons homens também podem ser piratas. São esses pequenos detalhes de construção que vão ser muito explorados e muito bem desenvolvidos nos próximos filmes.
Um verdadeiro perdedor é aquele que tem medo de tentar.
Pequena Miss Sunshine (2006) é um dramédia que toca o coração. Meu deus, eu esqueci o quão eu amo dramédias, eles são tão sinceros e tão verdadeiros, acho que é o gênero cinematográfico que mais se aproxima do que de fato é a vida. Eu adorei cada personagem, cada enredo, cada derrota que os personagens sofrem no decorrer da viagem e como tudo é sobre seguir em frente, pois é aí que se encontram as verdadeiras vitórias. Eu acho que só posso elogiar um filme tão peculiar e honesto como esse.
ps. O fato de terem escolhido crianças que realmente participam de concursos de beleza para estarem ao lado de uma menina tão comum quanto Olive, escancara o que o filme pensa sobre concursos de beleza. FODAM-SE ELES!!!!!!!!
uma jornada de amadurecimento na qual uma menina passa por sete portas que lhes revelam amor, morte, sexo e muito mais. Os cenários e figurinos são interessantes, as formas explicitas também são. Maaaas, e é um grande Mas, o filme não tem personalidade.
Não da pra se afeiçoar ou se sentir cativado pela protagonista, seja a criança ou a adulta, já que ela não apresenta nada, é só uma menina caminhando por tudo isso, como se a diretora não soubesse o que fazer com ela ou para onde a personagem deveria ir. Então, no fim das contas, nós temos a representação da vida, mas sem alguém que pareça estar realmente vivendo para nos guiar.
Narradores de Javé (2003) é o que The Fall (2006) tentou, mas que não conseguiu passar.
A história é maravilhosamente cativante, acho que o grande problema desse longa não é com o roteiro ou direção, mas com o ator principal. Você vê o filme inteiro com um ator/protagonista que sabemos ser um FDP da pior espécie, então isso acaba tirando toda a graça e teor que o filme tem.
Algo de valor que esse filme traz é que não da pra se imaginar o cinema brasileiro atual fazendo algo assim. É tão fascinante como ele retrata a cultura oral e a história vista de baixo, me admira essa obra ser tão desconhecida.
inicialmente é extremamente chato. Nenhum personagem é interessante ou engraçado, todos parecem estar gritando a todo momento e tudo é sempre uma grande confusão.
Acho que no momento em que todos estão na caverna é que filme se torna interessante e os personagens começam a aparecer um pouco mais. Num todo, é quase divertido. Acho que Gordo foi o pior e melhor personagem do filme, sendo que na meia hora inicial eu detestei o personagem com todas as minhas forças, mas, quando ele é pego pelos bandidos trapalhões, o personagem começa a brilhar muito.
É um filme sessão da tarde, só que sem o carisma da sessão da tarde. É como se ele fosse os Batutinhas, só que sem o carisma dos batutinhas, o que faz do filme só algo bem mediano.
Sussurros do Coração (1995) consegue captar a inocência e o amor juvenil por meio das estradas asfaltadas de Tóquio, onde apenas nos breves becos e ao longe, se pode avistar um ponto verde, sempre um futuro esperançoso.
Sabe uma coisa triste que reparei nesse filme? É que, quando eu assisti a primeira vez, pelo olhar da minha adolescência, eu tinha visto o amor de uma maneira. Agora, depois de bem adulto, eu vejo como o amor entre Shizuku e Seiji é absurdamente adolescente, é um amor que a imaginação flutua e que não se pensam em barreiras. É um “casa comigo, Shizuku, um dia vou construir violinos” e um “eu caso, Seiji, um dia serei uma escritora” um dia. São os sonhos adolescentes na sua mais pura essência e, reparando isso, o filme se tornou lindamente triste para mim.
) é um filme que se eleva ao extremo, é um edição politicamente psicodélica e muito bem retratada. O filme passeia pelo ato de se revolucionar, levando tudo ao pé da letra, as vezes parece uma sátira ao extremismo e, nas outras vezes, parece um grande enaltecimento de paradigmas comunistas.
As falas do desgraçado do Bush surgindo enquanto o grupo transa loucamente, mensagens como “FAÇA AMOR (REVOLUCIONÁRIO) E NÃO GUERRA (IMPERIALISTA)” e falas como “A REVOLUÇÃO É O MEU NAMORADO!”, “LIBERTE-SE DA SUA OPRESSÃO HETEROSSEXUAL” e “A propriedade privada não pode ser roubada, só pode ser libertada” me deixaram absurdamente maravilhado!!
Achei interessante, ao menos inicialmente, a maneira com que o filme foi tentando se construir: a ideia de usar aquele roteiro descartado de Pânico 3, mas aos poucos subverter ele e trazer algo novo foi bem interessante, pena essa foi a única coisa pensada aqui.
A metalinguagem morreu kkkkkk; os jovens são absurdamente desinteressantes; mataram a Mckenna Grace bem rápido pra ela não ofuscar a filha da Sidney; os gêmeos Chad e Mindy parecem estar fazendo uma paródia cômica da saga pânico, como se estivessem acima de tudo isso e nem se importando se tem um assassino por ali kkkkkkk.
Eu vi uma crítica que comparou Pânico 7 como se fosse um “Facada” e isso realmente me abriu os olhos para algo: Será que a intenção desse filme é fazer algum fã maluco de Pânico dar uma de Richie e Amber? É pra gente perseguir a Neve Campbell e Courteney Cox e entregar um material bom pra um próximo filme? Kkkkkkkkk
Meio que, se esse filme fosse algo tipo “A Hora do Pesadelo 7”, onde os atores e atrizes reais sofrem perseguições do assassino, com toda uma metalinguagem, ele seria bem interessante. É isso pessoal, o último a sair fecha a porta kkkkkk, possivelmente Pânico 8 vai ter volta no tempo, e eu não tô afim de presenciar isso não kkkkkkkkkkk
Hamnet (2025) demorou pra me cativar, por um tempo pensei que nem ia me adentrar tanto, mas quando dei por mim, já estava com o coração completamente apertado e com os olhos cheios de lágrimas.
Acho que esse é um bom filme, só que, por um tempo, sua caminhada é sem rumo. Seu rumo só fica evidente quando temos a perda dolorosa de Hamnet, mas isto é só próximo ao final. O que nos cativa, nesse tempo, é o cotidiano e a beleza dos cenários, que poderiam ter sido preenchidos com mais talentos bruxescos de Agnes, o que daria mais ênfase nos momentos finais. O filme tem muitos momentos bonitos e atuações estrondosas, mas, em alguns momentos, eu voltava a me perguntar o que esse filme iria passar e isso diz que eu não estava 100% conectado com tal cotidiano.
Não da pra considerar como uma jornada, mas como uma sala de espera até a emoção chegar. O problema é que quando ela chega, você fica completamente acabado kkkkkk. Afirmo que o grito de Agnes perante ao filho morto ainda ecoa nos meus ouvidos e a musica final, ao finalmente Will e Agnes deixarem seu filho ir, é de arrancar lágrimas até mesmo de quem se esforça pra não chorar.
Existem muitos filmes que retratam a dor de perder um ente amado antes do tempo, mas poucos conseguem demonstrar o sentimento de estar tão perdido e desesperado que aqui é demonstrado. Me lembrei de minha mãe, e isso arrancou muitas mais lagrimas após o filme.
C.R.A.Z.Y (2005) É um marco de vivência, é o cotidiano da melhor forma possível e uma luta pela aceitação, o meu único pesar é que a luta vem muito mais de ser aceito do que de se aceitar. O fato de Zachary amar tanto a memória do que o pai já foi pra ele e largar tudo o que há de si para tentar ter aquilo novamente, passando por cima de todo o seu eu, é desesperador, mas extremamente emocionante de se assistir. Em momento algum ele se revolta por o pai odiar o que ele é, mas sim tenta buscar aquele olhar que não via desde que o pai o entendeu pela primeira vez.
Eu adorei o fato de ser um filme bem rock, com uma trilha sonora de invejar, e também ter conceitos religiosos, como o próprio dom de Zachary para cura, onde nunca poderia curar o que era, pois não há como curar o seu eu. Os joguetes com estigmas de jesus, a infância pura e o descobrir da adolescência são tão bem retratados aqui que chegam a dar um nostalgia imensa.
Uma coisa que percebi, ao assistir esse filme, é que ao auge dos meus 27 anos eu tenho me martirizado como um velho. Tenho desperdiçado minha juventude tentando encarar algo que só vai vir daqui a uns 30-40 anos. Esse filme tem o poder de te lembrar que você é jovem e tem que aproveitar bastante esses anos que, infelizmente, passam mais rápido do que aparentam.
Que elenco gostoso, mdsss kkkkkkkkk Aquele irmão mais velho gótico drogado hmmmmm, como diriam no Twitter: Se eu fosse irmão dele, o pau dele não teria descanso.
Aquarius (2016) é um estrondo provocativo. É um filme tão cativante e tão desesperador. É repleto de vida, memória e personalidade. O que mais me chocou foi o fato de Kleber, na metade do seu filme, em uma cena completamente estranha e provocativa, fazer questão de lembrar que todo esse filme é o relato de um problema burguês, é a burguesia contra a burguesia e isso me assustou muito, mas não me impediu de querer justiça tornando essa obra inesquecível pra mim.
As atuações estão no ponto, os conflitos entre a imobiliária e Clara são marcantes, especificamente pelos diálogos passivos agressivos entre Sônia Braga e Humberto Carrão. Acho que a grande lição que sai desse filme e do cinema de Mendonça é que a memória é algo extremamente valioso que não deve ser perdido ou esquecido no decorrer das inovações.
Na minha imaginação, o que ocorreu aqui foi o seguinte:
Em uma sala de reuniões, no meio da tarde, o estúdio precisava urgentemente de uma ideia para o terceiro filme da saga Ginger Snaps e, certo cara, que tinha visto que o terceiro filme de Anjos da Noite foi um prequel medieval, grita:
“Precisamos dessas irmãs lupas no período medieval, é só a gente fazer o primeiro filme inteiro de novo, só que no período medieval E COM INDIGENAS!”
Todos da sala gargalham, mas já era hora de finalizar a reunião e não havia nenhuma outra ideia, então, só pra bater a meta, apresentam esta ideia para os chefões do estúdio, que sem nem um pingo de mentalidade cinéfila, adoram a ideia e começam a produção no dia seguinte.
Isso aconteceu? Possivelmente não, mas espero que tenha sido, pois qualquer pessoa com um pingo de sanidade mental não escolheria um enredo e roteiro tão podres como esses para uma produção de lobas jovens góticas e sensuais.
A Tartaruga Vermelha (2016) é legalzinho, enigmático a princípio, mas depois meio que só vai seguindo, sem nenhum proposito de desenvolver o enigma. É uma animação bonita e calma, uma lagoa azul meio mística. Um cotidiano, simples e com poucos conflitos que resultem em algo realmente pesado. Suave, essa é a palavra, suave.
Ps. Descalça numa ilhaaaaaaa, é tão magicuuuuu, você dizendo que me amaaaaa.
Cabaret (1972) foi algo inesperado. Eu realmente nunca soube os motivos da Liza Minnelli ser tão famosa entre os gays, pensei que fosse só uma atriz bem adorada como Judy Garland, mas na real é porque
é o único musical queer aplaudido por Hollywood que já assisti. É uma história fascinante com personalidades e atuações bem estrondosas, mas poucos hits. Eu gostei que toda a expressão do filme se encontra no Cabaret, onde há uma sátira de tudo que acontece, revelando que os problemas estão do lado de fora e não no Cabaret, mas todas as músicas do filme serem meio que no mesmo tom (o tom de divertimento do Cabaret) me cansou um pouco. Narrativamente isso é excelente, mas sonoramente deixou a desejar.
O mais surpreendente pra mim é que o roteiro corrobora com o público LGBT e, sim, eu sei que se trata de um filme do anos 70, onde logo mais haveria o Rocky Horror e já havia muitos musicais teatrais (tal como Cabaret) que falavam disto, mas ver algo tão escancaradamente LGBT ser aplaudido por Hollywood é algo que não tinha presenciado ainda. O final de Brian é esperançoso, mas em contrapartida o final de Sally é desesperador, nos contando como ela iria dar fim a própria vida e explicando que não existe isso de lá fora é uma coisa e no Cabaret é outra, a vida toda é um grande Cabaret. Definitivamente uma grande obra
O personagem Max, o barão que gosta de se divertir, mas tem muitos posicionamentos nazistas, é o primeiro indício para Sally e Brian de que a vida real não é um elemento separado, como o Cabaret sempre tenta afirmar. O barão adora pegar tanto Sally quanto Brian, mesmo sendo a favor de muitos posicionamentos Nazistas, mas quando o Nazismo aperta de tal maneira, ele percebe que essa dualidade não existe, que não existe só divertimento e vida real, que tudo é vida real. E esse é o primeiro a meter o pé pra Argentina.
Mary e a Flor da Feiticeira (2017) tem um começo promissor, mas no fundo é chato e mastigado. Ele é feito por um ex produtor da Ghbli, então ele tem a estética similar a Ghibliana, porém sem a emoção, o carisma e a desenvoltura dos personagens. Os personagens são bem poucos e a história é muito longa, os conflitos mágicos das bruxas te deixam entediado e a trilha sonora parece corresponder com esse tédio.
É passável, se eu fosse criança e não tivesse assistido nada da Ghibli eu talvez eu teria achado interessante, mas provavelmente também teria achado meio chato.
Começou como Mansão Hot Boys, depois entrou em um período de transição para A Casa das Sete Mulheres até chegar ao que realmente era: a web série Vida de Garoto.
Taekwondo (2016) é uma grande ovulação, é uma segurada de duas horas de um orgasmo, mas é como se, mesmo depois dessas duas horas onde algumas vezes você se entediou e outras estava muito excitado, acaba gozando antes do que planejava, fazendo com que aquelas duas horas de pré não tenham sido tão excitantes quanto poderiam ser.
O filme é a história de uma pass que se vê em um casarão lindo com um canavial de homem, todos ovulando por sexo, mas nem ela, e nem a outra pass que já era residente na casa, conseguem fazer com que toda essa aura de nudez e sexo seja algo direcionados para elas. Em muitos momentos até vira uma guerra nuclear entre passivas, mas as mapôs chegam e a oportunidade está perdida.
É um filme interessante, a fotografia extremamente gay te prende e a bolha sensual construída é muito deliciosa, mas em certas partes ocorre um leve tedio por o filme não evoluir e seguir os mesmos passos até literalmente o minuto final, onde a gay finalmente consegue e o filme acaba.
Comecei ver os filmes que estão no meu “Quero Ver” no Filmow há mais de uma década e Esteros (2016) foi uma real surpresa.
Há uns tempos, fiz uma crítica sobre como eu não tenho gostado desses novos filmes sobre romance lgbt infantis, de como sempre a direção, roteiro e enredo não parecem ser bem aproveitadas. Naquele tempo tinha me questionado “Depois de anos, eu perdi o sentimento de emoção em ver uma criança se apaixonando e se descobrindo ou todos os filmes lançados atualmente como Young Hearts (2024) e Close (2022) não estão conseguindo transbordar esse sentimento?” e com Esteros tive minha resposta. É, realmente, os atuais estão fazendo cagada mesmo.
Sabe aquela foto onde o minerador desiste de cavar, mas que logo a frente havia milhões de diamantes? Foi o que eu senti ao ter assistido diversos filmes ruins na minha adolescência e ter deixado este de stand by. O filme é uma linha entre Brasil e Argentina, entre um romance infantil do passado com um reencontro no presente, mas de uma maneira tão bem-feita que chegou a me assustar, já que vi muitos filmes com esse enredo e eles não são dos melhores.
O filme é fofo, é romântico, é extremamente delicado, transmite uma calma que a vida no campo na Argentina parece transmitir. Se muitos romances italianos tem o lago azul e bicicletas, aqui temos uma picape velha e um lago pra lá de lamacento que trás toda energia de um lugar tranquilo onde a criançada pode se divertir e se apaixonar. Adoro encontrar diamantes que deixei passar despercebido no meu passado.
Adorei como o filme escolheu, como elemento narrativo, deixar sempre uma criança com blusas de tonalidade azul e outra de tonalidade vermelha, trazendo isto para ao adultos para termos similaridades. Foi um recurso bem natural para entendermos quem é quem quando jovem.
Ligações Perigosas (1988) é um filme interessantíssimo, ele tem uma produção e figurinos excelentes, porém, eu já tinha assistido Segundas Intenções (1999), que é baseado no mesmo livro que deu origem a este filme e, como se tratou exatamente do mesmo enredo, só que um pouco menos dinâmico, deixou um pouco a desejar pra mim.
Acredito que John Malkovich foi uma péssima escolha aqui, e quando digo péssima quero dizer que ele nem chega ao esplendor que o papel deveria ter nos quesitos de dualidade e sem-vergonhice. Contudo, em comparação, nós temos um banho de atuação propostas por Michelle Pfeiffer, que consegue tão suavemente entregar uma donzela cristã que se força ao máximo para não se corromper ao desejo e a paixão, e por a grandiosa Glenn Close, que com os olhares marcantes e um lindo sorriso consegue fazer com que esse filme se eleve de tal maneira que quase coloco como favorito.
Cara, os monólogos incríveis da Glenn Close, os olhares sutis, o sorriso manipulador, os trejeitos e as reações que são mais para nossa percepção do que para os personagens que estão em cena... NOSSA, QUE TRABALHO TRANSCENDENTE.
O Filme em si, muitas das vezes, é anticlímax. E não posso negar que o final foi tão picotado que parecia que só tentaram encaixar correndo para seguir para as premiações, mas num todo, Glenn merece nota altíssima por esse aqui.
Nasce Uma Estrela
4.0 113 Assista AgoraNitidamente, deve ter sido uma obra dificílima de ser gravada.
Nasce uma Estrela (1957) é uma obra muito estranha e fiquei um tanto surpreso, mesmo tendo assistido a versão da Gaga de 2018, como o filme é o material inteirinho de inspiração para o um dos meus musicais favoritos: Funny Girl (1968), talvez, e é um talvez bem grande, Hollywood tenha tentado concertar essa obra lançando Funny Girl uns 11 anos depois.
O ator principal é muito feio kkkkkk feio feio mesmo, e não tem um pingo de charme para o filme insinuar que ele ganha muito na lábia, a Judy Garland está caracterizada como uma mulher de 70 anos, sendo que aqui ela tem apenas 35. São os mesmos os penteados e roupas que ela estava usando na época e, logicamente depois de uma vida muito tortuosa, é esperado que ela esteja meio mal, mas a caracterização e maquiagem as vezes parece realmente proposital.
É um musical sem uma única música interessante, com cenas muito boas devido a grandeza de Garland e seu vozeirão incrível, mas sem músicas que cativem fica meio meh. O direcionamento da atriz é meio estranho também, em uma cena em que deveríamos ter uma capacidade de indicação ao Oscar, a atriz é condicionada a manter a cabeça e as feições tão escondidas que até parece que o diretor estava querendo exclui-la da cena.
A pior coisa que foi feita aqui é o trabalho de conservação. O estúdio cortou cenas do filme que seriam importantíssimas para o relacionamento entre os dois protagonistas, o que nos causa muito estranhamento quando eles começam a se amar literalmente do nada. Mas a ideia de louco de, para recuperar a estrutura descartada do filme, postar fotos e os áudios das cenas que conseguiram recuperar, fizeram o filme parecer extremamente picotado e instauraram um sentimento total de frustração. Não que antes não parecesse, já que temos cortes extremamente abruptos dentro de uma mesma cena e cenas musicais que o lypsinc não tá no tempo da música.
É amigos, essa produção parece ter sido muito conturbada.
Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar
3.3 1,1K Assista AgoraPENÉLOPE CRUZZZ, CORRE AQUIIII, TÃO HUMILHANDO A ESPANHAAAAAAA!!!
Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (2017) me surpreendeu um pouco. Não é que ele seja bom, chegamos a um nível que não da mais pra recuperar essa saga, mas este aqui é o que mais tenta.
O humor aqui está muito bom, ele conseguiu alcançar o humor que a trilogia original tinha. Cenas como a quase decapitação de Jack e “sua filha faz urologia” são de gargalhar, mas o enredo é totalmente desinteressante e pouco planejado.
A tentativa de se construir uma sequência legado é óbvia, não funciona no caso do filho do Will e da Elizabeth, mas chega quase a dar certo com a filha do Barbossa. PENELOPE CRUZZZZ CORRE AQUI, AA SENHORAAA TA SENDO HUMILHAADAAAAAAAA KKKKKKK, qualquer um prefere uma filha do Barbossa do que a do Barba sla das contas. Uma pena que a tentativa de um casal de nepo babies resultou em um casal sem química alguma.
Agora, apesar da volta do Orlando Bloom no início do filme ser bem meh, quando chega o final e nós vemos aa FUCKING KEIRA KNIGHTLEY, EU SÓ SOUBE BERRAR. MEU DEEEEUS, APELOU PRA NOSTALGIA? SIM, MAAAAAAS QUE CENA, QUE LINDAA MINHA MÃE ELIZABETH, MEU DEEEEUS.
KEIRA KNIGHTLEY MULHEEEE, ESTÁ NAS SUAS MÃOS A SALVAÇÃO DESTA SAGA, SE VOCÊ APARECE O FILME JÁ GANHA +1 ESTRELA
Ps. Coitado do Javier Bardem, tal como sua esposa, saiu da Espanha atoa também.
Ps.2 A
bússola de Jack foi dada a ele pela Tia Dalma/Calypso, não por um pirata sla das contas, então não destrua o original Mickey, sua ratazana velha.
Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas
3.6 2,7K Assista AgoraAin Penélope Cruz, pra que né?
Não preciso me alongar muito sobre esse. Piratas do Caribe Navegando em Águas Misteriosas (2011) tem a falta de um elemento principal, o diretor e corroteirista dos três primeiros filmes, Gore Verbinski. É um filme que começa abrupto e termina em uma cena completamente aleatória que nos leva a nos questionar “Ué, acabou?”
O filme que caga pro desenvolvimento de personagens a longo da saga, colocando Jack e Gibbs como uma dupla inseparável de melhores amigos, onde um se sacrificaria pelo outro, sendo que era uma amizade pirata que tinha resquícios de companheirismo e honra, mas só enquanto o lucro era certo. Outro detalhe foram ter destruído o Barbossa, como se o grande pirata não tivesse nenhuma honra, mesmo sendo um dos que nunca confabulou com a companhia das índias orientais, o que poderia ter feito, mesmo tendo um trato com Calypso.
No final a história é chata, tem pouco humor e a Penélope Cruz está péssima aqui. Coitada, espero que tenha faturado algo.
Piratas do Caribe: No Fim do Mundo
3.8 965 Assista Agora“— O mundo já foi um lugar muito melhor.
— O mundo é o mesmo, há menos razões para se viver.”
Ta, esse é o meu fav. Piratas do Caribe: no Fim do Mundo (2007) é um dos filmes mais complexos da saga, totalmente refém de seu roteiro. Ouso dizer que, se você parar de prestar atenção em uma cena sequer, já não vai entender mais nada, e não é só atenção ao que está sendo dito, mas onde cada personagens está e qual é sua reação ao que se é dito. A complexidade deste é o que o faz com que ele não se torne cansativo no decorrer dos anos.
Todo esse filme é maravilhoso e chega ao ápice de cada desenvolvimento: nós temos a volta de Barbossa, e notamos o quão sua falta afetou a sequência, pois todos os momentos cômicos entre Jack e Barbossa são maravilhosos neste filme; O desenvolvimento da tia Dalma, em seu entendimento como Calypso; Will abraçando inteiramente, pela primeira vez, o seu lado pirata, matando e traindo qualquer um para salvar seu pai; Elizabeth, totalmente corrompida pela sociedade, manipulando, lutando e se tornando Rei dos piratas (NÃO HÁ MELHOR DESENVOLVIMENTO NA HISTÓRIA DO QUE O DE ELIZABETH!!!!!!)
Coisas que eu reparei, que nunca tinha reparado antes durante o filme:
Davy Jones chora ao ouvir sua música e de Calypso, mas isso só ocorre porque Beckett está chegando no Holandês Voador, portando o coração. Conforme o coração se aproxima, Davy fica mais instável e ainda mais perigoso.
Beckett tem uma leve paixão por Jack, não maior que sua ambição, mas só dá pra catar o envolvimento completo dos dois em cenas cortadas.
Em uma das melhores cenas do filme, onde Elizabeth, Jack e Barbossa se encontram com Will, Beckett e Davy Jones, há toda uma troca de olhares entre Elizabeth, Will e Jack, formando o plano que se seguiria. Na primeira troca de olhares, Will e Jack entram em acordo de que Jack vai furar o coração. Elizabeth, entendendo a troca entre os dois, olha pra Will e ele confirma isso, depois olha pro Jack e demonstra que ela entendeu, realizando a troca do Will pelo Jack e o colocando a bordo do Holandês voador. QUE CENA FODAAAAAA, MEU DEUS, COMO EU NÃO NOTEI ISSO ANTES?????
As questões que ainda tenho:
Os caranguejos que salvam Jack foram a mando da Calypso ou ele acordou o poder dela que jazia no Baú de Davy Jones e assim foi guiado por esse poder?
A canção era um recurso que a população pirata poderia usar, provavelmente quando pilhagens não tinham mais valor, para convocar a corte da irmandade, mas isso fazia com que todas as moedas do mundo vibrassem no tom da canção? Como se fosse um poder convocatório?
Quando for rever novamente, devo ter mais respostas.
PS.
“— Isso é loucura.
— Isso é política” é uma das melhores frases do filme!
Piratas do Caribe: O Baú da Morte
3.9 880 Assista Agora"Você teme a morte ???"
Sendo o fav de todos os héteros do mundo, Piratas do Caribe: o Baú da Morte (2006) é uma continuação maravilhosa. Ele pega todos os ganchos que foram apresentados no primeiro filme e criam o melhor vilão que se possa existir. Não, não falo de Davy Jones, por mais que sua figura seja impagável, falo do cabeça da companhia Britânica das Índias orientais, Beckett.
Gostei que a saga manteve seu toque sobrenatural, expandindo a mitologia dos mares. Se o primeiro foi pra se tratar do "que seria um pirata" ou melhor dizendo: "se piratas são bons ou ruins", a sequência tem por definir "O que é a morte" ou melhor dizendo: "o quão temível é o fim para todos nós".
O humor aqui está bom, mas perde o foco central, já que estamos tratando de assuntos bem mais pesados que o antecessor. A vilania tanto de Beckett, que age nos parâmetros governamentais, quanto de Davy Jones, que foge desses parâmetros e regras, é a mesma, só que um lado é muito mais honesto no que faz do que o outro.
PS.
É lindo de ver o desenvolvimento de Elizabeth, de como passamos de uma promissora pirata para uma espadachim talentosa que não foge de abraçar o errado se for preciso. E que pena ver Sparrow mais uma vez confiar nas pessoas e ser traído novamente, interessante de ver que ele não perde essa fé no decorrer da saga, mas também aprende a dosá-la cada vez que é traído.
PS.2 . QUE EFEITOS FODAAAA. VOCÊ QUER, 2026??? 2006 TA FAZENDO VOCÊ ANDAR NA PRANCHAAAA!!
Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra
4.1 1,1K Assista Agora"Na rara ocasião em que buscar o caminho certo exija um ato de pirataria, a própria pirataria pode ser o caminho certo."
Eu sempre achei que, da trilogia original, Piratas do Caribe e a Maldição do Pérola Negra (2003) era o menos denso e mais fraco, mas, e é um grande mãããs, me surpreendi com o quão inteligente ele é.
É um filme que não tinha pretensões de continuações, mas mesmo assim, a história de construção de personagens é tão boa que deixa possíveis pontas pra serem aproveitadas em uma possível sequência, ao qual é muito bem aproveitado.
Os diálogos aqui são maravilhosos, o humor é no ponto certo e a história é maravilhosa. Apesar de termos um protagonismo no romance entre Elizabeth e Will, esse filme não consegue se construir sem 3 personagens: Governador Swan, Barbossa e Jack Sparrow... Capitão Jack Sparrow. O humor está com esses três e as trocas de possíveis negociações entre Barbossa e Jack são o que faz esse filme ser tão único.
É uma ótima apresentação de universo e de personagens: o fato de que, em pequenos atos como na falta de decoro dos modos que uma dama aristocrata deveria ter, ser mostrado o quão pirata a Elizabeth é. E, em todas as vezes que Will foge de se aceitar como pirata, visualizando o mundo em preto e branco (os bonzinhos são os que seguem as leis e os malvados são os que desrespeitam elas) enfim entende que a maldade e a bondade pode se encontrar em todo o lugar, que bons homens também podem ser piratas. São esses pequenos detalhes de construção que vão ser muito explorados e muito bem desenvolvidos nos próximos filmes.
Pequena Miss Sunshine
4.1 2,8K Assista AgoraUm verdadeiro perdedor é aquele que tem medo de tentar.
Pequena Miss Sunshine (2006) é um dramédia que toca o coração. Meu deus, eu esqueci o quão eu amo dramédias, eles são tão sinceros e tão verdadeiros, acho que é o gênero cinematográfico que mais se aproxima do que de fato é a vida.
Eu adorei cada personagem, cada enredo, cada derrota que os personagens sofrem no decorrer da viagem e como tudo é sobre seguir em frente, pois é aí que se encontram as verdadeiras vitórias. Eu acho que só posso elogiar um filme tão peculiar e honesto como esse.
ps. O fato de terem escolhido crianças que realmente participam de concursos de beleza para estarem ao lado de uma menina tão comum quanto Olive, escancara o que o filme pensa sobre concursos de beleza. FODAM-SE ELES!!!!!!!!
Un Rêve Plus Long que la Nuit
3.1 2Então, eu entendi toda a proposta, mas a falta de personalidade acaba não cativando.
A Dream Longer Than the Night (1976) tem uma ideia interessante, é
uma jornada de amadurecimento na qual uma menina passa por sete portas que lhes revelam amor, morte, sexo e muito mais. Os cenários e figurinos são interessantes, as formas explicitas também são. Maaaas, e é um grande Mas, o filme não tem personalidade.
Não da pra se afeiçoar ou se sentir cativado pela protagonista, seja a criança ou a adulta, já que ela não apresenta nada, é só uma menina caminhando por tudo isso, como se a diretora não soubesse o que fazer com ela ou para onde a personagem deveria ir. Então, no fim das contas, nós temos a representação da vida, mas sem alguém que pareça estar realmente vivendo para nos guiar.
Se o filme fosse só a câmera indo por essas portas, teria transparecido muito mais.
Narradores de Javé
3.9 278A cultura oral prevalece.
Narradores de Javé (2003) é o que The Fall (2006) tentou, mas que não conseguiu passar.
A história é maravilhosamente cativante, acho que o grande problema desse longa não é com o roteiro ou direção, mas com o ator principal. Você vê o filme inteiro com um ator/protagonista que sabemos ser um FDP da pior espécie, então isso acaba tirando toda a graça e teor que o filme tem.
Algo de valor que esse filme traz é que não da pra se imaginar o cinema brasileiro atual fazendo algo assim. É tão fascinante como ele retrata a cultura oral e a história vista de baixo, me admira essa obra ser tão desconhecida.
Os Goonies
4.1 1,3K Assista AgoraTaí um filme bem estranho.
Os Goonies (1985)
inicialmente é extremamente chato. Nenhum personagem é interessante ou engraçado, todos parecem estar gritando a todo momento e tudo é sempre uma grande confusão.
Acho que no momento em que todos estão na caverna é que filme se torna interessante e os personagens começam a aparecer um pouco mais. Num todo, é quase divertido. Acho que Gordo foi o pior e melhor personagem do filme, sendo que na meia hora inicial eu detestei o personagem com todas as minhas forças, mas, quando ele é pego pelos bandidos trapalhões, o personagem começa a brilhar muito.
É um filme sessão da tarde, só que sem o carisma da sessão da tarde. É como se ele fosse os Batutinhas, só que sem o carisma dos batutinhas, o que faz do filme só algo bem mediano.
Sussurros do Coração
4.3 501 Assista AgoraNão tem jeito, esse é o meu favorito da Ghibli
Sussurros do Coração (1995) consegue captar a inocência e o amor juvenil por meio das estradas asfaltadas de Tóquio, onde apenas nos breves becos e ao longe, se pode avistar um ponto verde, sempre um futuro esperançoso.
Sabe uma coisa triste que reparei nesse filme? É que, quando eu assisti a primeira vez, pelo olhar da minha adolescência, eu tinha visto o amor de uma maneira. Agora, depois de bem adulto, eu vejo como o amor entre Shizuku e Seiji é absurdamente adolescente, é um amor que a imaginação flutua e que não se pensam em barreiras. É um “casa comigo, Shizuku, um dia vou construir violinos” e um “eu caso, Seiji, um dia serei uma escritora” um dia. São os sonhos adolescentes na sua mais pura essência e, reparando isso, o filme se tornou lindamente triste para mim.
Grandiosíssimo trabalho do Yoshifumi Kondo.
O Exército dos Frutas
3.4 77ISSO É HISTÓRIA, ISSO É REVOLUÇÃO E EU PRECISO FAZER PARTE DELAAA!!
The Raspberry Reich (2004
) é um filme que se eleva ao extremo, é um edição politicamente psicodélica e muito bem retratada. O filme passeia pelo ato de se revolucionar, levando tudo ao pé da letra, as vezes parece uma sátira ao extremismo e, nas outras vezes, parece um grande enaltecimento de paradigmas comunistas.
As falas do desgraçado do Bush surgindo enquanto o grupo transa loucamente, mensagens como “FAÇA AMOR (REVOLUCIONÁRIO) E NÃO GUERRA (IMPERIALISTA)” e falas como “A REVOLUÇÃO É O MEU NAMORADO!”, “LIBERTE-SE DA SUA OPRESSÃO HETEROSSEXUAL” e “A propriedade privada não pode ser roubada, só pode ser libertada” me deixaram absurdamente maravilhado!!
Pânico 7
2.7 384 Assista AgoraEntão, eu não estava esperando nada, até curti alguns momentos, mas algo me deixou realmente feliz: A FRANQUIA PÂNICO MORREEEEEU!!!!!!
Achei interessante, ao menos inicialmente, a maneira com que o filme foi tentando se construir: a ideia de usar aquele roteiro descartado de Pânico 3, mas aos poucos subverter ele e trazer algo novo foi bem interessante, pena essa foi a única coisa pensada aqui.
A metalinguagem morreu kkkkkk; os jovens são absurdamente desinteressantes; mataram a Mckenna Grace bem rápido pra ela não ofuscar a filha da Sidney; os gêmeos Chad e Mindy parecem estar fazendo uma paródia cômica da saga pânico, como se estivessem acima de tudo isso e nem se importando se tem um assassino por ali kkkkkkk.
Eu vi uma crítica que comparou Pânico 7 como se fosse um “Facada” e isso realmente me abriu os olhos para algo: Será que a intenção desse filme é fazer algum fã maluco de Pânico dar uma de Richie e Amber? É pra gente perseguir a Neve Campbell e Courteney Cox e entregar um material bom pra um próximo filme? Kkkkkkkkk
Meio que, se esse filme fosse algo tipo “A Hora do Pesadelo 7”, onde os atores e atrizes reais sofrem perseguições do assassino, com toda uma metalinguagem, ele seria bem interessante.
É isso pessoal, o último a sair fecha a porta kkkkkk, possivelmente Pânico 8 vai ter volta no tempo, e eu não tô afim de presenciar isso não kkkkkkkkkkk
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 425 Assista AgoraHamnet (2025) demorou pra me cativar, por um tempo pensei que nem ia me adentrar tanto, mas quando dei por mim, já estava com o coração completamente apertado e com os olhos cheios de lágrimas.
Acho que esse é um bom filme, só que, por um tempo, sua caminhada é sem rumo. Seu rumo só fica evidente quando temos a perda dolorosa de Hamnet, mas isto é só próximo ao final. O que nos cativa, nesse tempo, é o cotidiano e a beleza dos cenários, que poderiam ter sido preenchidos com mais talentos bruxescos de Agnes, o que daria mais ênfase nos momentos finais. O filme tem muitos momentos bonitos e atuações estrondosas, mas, em alguns momentos, eu voltava a me perguntar o que esse filme iria passar e isso diz que eu não estava 100% conectado com tal cotidiano.
Não da pra considerar como uma jornada, mas como uma sala de espera até a emoção chegar. O problema é que quando ela chega, você fica completamente acabado kkkkkk. Afirmo que o grito de Agnes perante ao filho morto ainda ecoa nos meus ouvidos e a musica final, ao finalmente Will e Agnes deixarem seu filho ir, é de arrancar lágrimas até mesmo de quem se esforça pra não chorar.
Existem muitos filmes que retratam a dor de perder um ente amado antes do tempo, mas poucos conseguem demonstrar o sentimento de estar tão perdido e desesperado que aqui é demonstrado. Me lembrei de minha mãe, e isso arrancou muitas mais lagrimas após o filme.
Ps.
Jessie buckley, esse Oscar já ta com o teu nome.
C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor
4.2 712THIS IS GROOOOUND CONTROOOOL TO MAJOR TOOOOM
C.R.A.Z.Y (2005) É um marco de vivência, é o cotidiano da melhor forma possível e uma luta pela aceitação, o meu único pesar é que a luta vem muito mais de ser aceito do que de se aceitar.
O fato de Zachary amar tanto a memória do que o pai já foi pra ele e largar tudo o que há de si para tentar ter aquilo novamente, passando por cima de todo o seu eu, é desesperador, mas extremamente emocionante de se assistir. Em momento algum ele se revolta por o pai odiar o que ele é, mas sim tenta buscar aquele olhar que não via desde que o pai o entendeu pela primeira vez.
Eu adorei o fato de ser um filme bem rock, com uma trilha sonora de invejar, e também ter conceitos religiosos, como o próprio dom de Zachary para cura, onde nunca poderia curar o que era, pois não há como curar o seu eu. Os joguetes com estigmas de jesus, a infância pura e o descobrir da adolescência são tão bem retratados aqui que chegam a dar um nostalgia imensa.
Uma coisa que percebi, ao assistir esse filme, é que ao auge dos meus 27 anos eu tenho me martirizado como um velho. Tenho desperdiçado minha juventude tentando encarar algo que só vai vir daqui a uns 30-40 anos. Esse filme tem o poder de te lembrar que você é jovem e tem que aproveitar bastante esses anos que, infelizmente, passam mais rápido do que aparentam.
ps.
Que elenco gostoso, mdsss kkkkkkkkk Aquele irmão mais velho gótico drogado hmmmmm, como diriam no Twitter: Se eu fosse irmão dele, o pau dele não teria descanso.
Aquarius
4.2 1,9K Assista AgoraEU NÃO TÔ BRINCANDO, EU SÓ SAIO DAQUI MORTA!
Bem que me falaram que pra gostar do cinema do Kleber Mendonça Filho era só assistir esse aqui.
Aquarius (2016) é um estrondo provocativo. É um filme tão cativante e tão desesperador. É repleto de vida, memória e personalidade. O que mais me chocou foi o fato de Kleber, na metade do seu filme, em uma cena completamente estranha e provocativa, fazer questão de lembrar que todo esse filme é o relato de um problema burguês, é a burguesia contra a burguesia e isso me assustou muito, mas não me impediu de querer justiça tornando essa obra inesquecível pra mim.
As atuações estão no ponto, os conflitos entre a imobiliária e Clara são marcantes, especificamente pelos diálogos passivos agressivos entre Sônia Braga e Humberto Carrão. Acho que a grande lição que sai desse filme e do cinema de Mendonça é que a memória é algo extremamente valioso que não deve ser perdido ou esquecido no decorrer das inovações.
Twitches - As Bruxinhas Gêmeas
2.2 168Realeza preta! Eu só queria viver em Coventry e me chamar Apola.
Possuída 3: O Início
2.8 111 Assista AgoraNa minha imaginação, o que ocorreu aqui foi o seguinte:
Em uma sala de reuniões, no meio da tarde, o estúdio precisava urgentemente de uma ideia para o terceiro filme da saga Ginger Snaps e, certo cara, que tinha visto que o terceiro filme de Anjos da Noite foi um prequel medieval, grita:
“Precisamos dessas irmãs lupas no período medieval, é só a gente fazer o primeiro filme inteiro de novo, só que no período medieval E COM INDIGENAS!”
Todos da sala gargalham, mas já era hora de finalizar a reunião e não havia nenhuma outra ideia, então, só pra bater a meta, apresentam esta ideia para os chefões do estúdio, que sem nem um pingo de mentalidade cinéfila, adoram a ideia e começam a produção no dia seguinte.
Isso aconteceu? Possivelmente não, mas espero que tenha sido, pois qualquer pessoa com um pingo de sanidade mental não escolheria um enredo e roteiro tão podres como esses para uma produção de lobas jovens góticas e sensuais.
A Tartaruga Vermelha
4.1 400 Assista AgoraEEEEEEEEEEI
A Tartaruga Vermelha (2016) é legalzinho, enigmático a princípio, mas depois meio que só vai seguindo, sem nenhum proposito de desenvolver o enigma. É uma animação bonita e calma, uma lagoa azul meio mística. Um cotidiano, simples e com poucos conflitos que resultem em algo realmente pesado. Suave, essa é a palavra, suave.
Ps. Descalça numa ilhaaaaaaa, é tão magicuuuuu, você dizendo que me amaaaaa.
Cabaret
4.2 261É, Liza, a vida é um Cabaret.
Cabaret (1972) foi algo inesperado. Eu realmente nunca soube os motivos da Liza Minnelli ser tão famosa entre os gays, pensei que fosse só uma atriz bem adorada como Judy Garland, mas na real é porque
ela pega uma gay, tira-o das amarras da sociedade e o deixa ir.
Cabaret
é o único musical queer aplaudido por Hollywood que já assisti. É uma história fascinante com personalidades e atuações bem estrondosas, mas poucos hits. Eu gostei que toda a expressão do filme se encontra no Cabaret, onde há uma sátira de tudo que acontece, revelando que os problemas estão do lado de fora e não no Cabaret, mas todas as músicas do filme serem meio que no mesmo tom (o tom de divertimento do Cabaret) me cansou um pouco. Narrativamente isso é excelente, mas sonoramente deixou a desejar.
O mais surpreendente pra mim é que o roteiro corrobora com o público LGBT e, sim, eu sei que se trata de um filme do anos 70, onde logo mais haveria o Rocky Horror e já havia muitos musicais teatrais (tal como Cabaret) que falavam disto, mas ver algo tão escancaradamente LGBT ser aplaudido por Hollywood é algo que não tinha presenciado ainda. O final de Brian é esperançoso, mas em contrapartida o final de Sally é desesperador, nos contando como ela iria dar fim a própria vida e explicando que não existe isso de lá fora é uma coisa e no Cabaret é outra, a vida toda é um grande Cabaret. Definitivamente uma grande obra
Ps.
O personagem Max, o barão que gosta de se divertir, mas tem muitos posicionamentos nazistas, é o primeiro indício para Sally e Brian de que a vida real não é um elemento separado, como o Cabaret sempre tenta afirmar. O barão adora pegar tanto Sally quanto Brian, mesmo sendo a favor de muitos posicionamentos Nazistas, mas quando o Nazismo aperta de tal maneira, ele percebe que essa dualidade não existe, que não existe só divertimento e vida real, que tudo é vida real. E esse é o primeiro a meter o pé pra Argentina.
Mary e a Flor da Feiticeira
3.7 95Mary e a Flor da Feiticeira (2017) tem um começo promissor, mas no fundo é chato e mastigado. Ele é feito por um ex produtor da Ghbli, então ele tem a estética similar a Ghibliana, porém sem a emoção, o carisma e a desenvoltura dos personagens. Os personagens são bem poucos e a história é muito longa, os conflitos mágicos das bruxas te deixam entediado e a trilha sonora parece corresponder com esse tédio.
É passável, se eu fosse criança e não tivesse assistido nada da Ghibli eu talvez eu teria achado interessante, mas provavelmente também teria achado meio chato.
Taekwondo
2.9 55Começou como Mansão Hot Boys, depois entrou em um período de transição para A Casa das Sete Mulheres até chegar ao que realmente era: a web série Vida de Garoto.
Taekwondo (2016) é uma grande ovulação, é uma segurada de duas horas de um orgasmo, mas é como se, mesmo depois dessas duas horas onde algumas vezes você se entediou e outras estava muito excitado, acaba gozando antes do que planejava, fazendo com que aquelas duas horas de pré não tenham sido tão excitantes quanto poderiam ser.
O filme é a história de uma pass que se vê em um casarão lindo com um canavial de homem, todos ovulando por sexo, mas nem ela, e nem a outra pass que já era residente na casa, conseguem fazer com que toda essa aura de nudez e sexo seja algo direcionados para elas. Em muitos momentos até vira uma guerra nuclear entre passivas, mas as mapôs chegam e a oportunidade está perdida.
É um filme interessante, a fotografia extremamente gay te prende e a bolha sensual construída é muito deliciosa, mas em certas partes ocorre um leve tedio por o filme não evoluir e seguir os mesmos passos até literalmente o minuto final, onde a gay finalmente consegue e o filme acaba.
Apesar de tudo, é uma experiência interessante.
Ps.
A gay traficante amiga da pass protagonista rouba a cena, se fosse ela naquela casa nós teríamos um filme totalmente diferente.
Ps.2
Peço a deus todos os dias para não me tornar uma passiva tão burra e obcecada que tem que inventar lorota por ciúme de macho.
Estuários
3.4 116 Assista AgoraComecei ver os filmes que estão no meu “Quero Ver” no Filmow há mais de uma década e Esteros (2016) foi uma real surpresa.
Há uns tempos, fiz uma crítica sobre como eu não tenho gostado desses novos filmes sobre romance lgbt infantis, de como sempre a direção, roteiro e enredo não parecem ser bem aproveitadas. Naquele tempo tinha me questionado “Depois de anos, eu perdi o sentimento de emoção em ver uma criança se apaixonando e se descobrindo ou todos os filmes lançados atualmente como Young Hearts (2024) e Close (2022) não estão conseguindo transbordar esse sentimento?” e com Esteros tive minha resposta. É, realmente, os atuais estão fazendo cagada mesmo.
Sabe aquela foto onde o minerador desiste de cavar, mas que logo a frente havia milhões de diamantes? Foi o que eu senti ao ter assistido diversos filmes ruins na minha adolescência e ter deixado este de stand by. O filme é uma linha entre Brasil e Argentina, entre um romance infantil do passado com um reencontro no presente, mas de uma maneira tão bem-feita que chegou a me assustar, já que vi muitos filmes com esse enredo e eles não são dos melhores.
O filme é fofo, é romântico, é extremamente delicado, transmite uma calma que a vida no campo na Argentina parece transmitir. Se muitos romances italianos tem o lago azul e bicicletas, aqui temos uma picape velha e um lago pra lá de lamacento que trás toda energia de um lugar tranquilo onde a criançada pode se divertir e se apaixonar. Adoro encontrar diamantes que deixei passar despercebido no meu passado.
Ps.
Adorei como o filme escolheu, como elemento narrativo, deixar sempre uma criança com blusas de tonalidade azul e outra de tonalidade vermelha, trazendo isto para ao adultos para termos similaridades. Foi um recurso bem natural para entendermos quem é quem quando jovem.
Ligações Perigosas
4.0 355 Assista AgoraOk Glenn Close, isso aqui foi visceral.
Ligações Perigosas (1988) é um filme interessantíssimo, ele tem uma produção e figurinos excelentes, porém, eu já tinha assistido Segundas Intenções (1999), que é baseado no mesmo livro que deu origem a este filme e, como se tratou exatamente do mesmo enredo, só que um pouco menos dinâmico, deixou um pouco a desejar pra mim.
Acredito que John Malkovich foi uma péssima escolha aqui, e quando digo péssima quero dizer que ele nem chega ao esplendor que o papel deveria ter nos quesitos de dualidade e sem-vergonhice. Contudo, em comparação, nós temos um banho de atuação propostas por Michelle Pfeiffer, que consegue tão suavemente entregar uma donzela cristã que se força ao máximo para não se corromper ao desejo e a paixão, e por a grandiosa Glenn Close, que com os olhares marcantes e um lindo sorriso consegue fazer com que esse filme se eleve de tal maneira que quase coloco como favorito.
Cara, os monólogos incríveis da Glenn Close, os olhares sutis, o sorriso manipulador, os trejeitos e as reações que são mais para nossa percepção do que para os personagens que estão em cena... NOSSA, QUE TRABALHO TRANSCENDENTE.
O Filme em si, muitas das vezes, é anticlímax. E não posso negar que o final foi tão picotado que parecia que só tentaram encaixar correndo para seguir para as premiações, mas num todo, Glenn merece nota altíssima por esse aqui.