Talvez esse seja o primeiro terror incel. "Não Amarás" é uma hora e meia do Kieslowski não entendendo que mulheres em geral não se apaixonam por seus stalkers ou se excitam com a ideia de terem sua privacidade invadida e intimidade observada de perto. Acho que essa é a fantasia de qualquer incel: ter uma mulher atraente caidinha por ele, sem qualquer motivo aparente, e tolerando ser seu objeto de desejo ininterrupto e precoce. Só se consegue amar alguém que a gente conhece. Se não conhece, não é amor, é projeção. Que raiva que eu passei...
"A todos aqueles cujo cérebro se decomporá antes do coração". inspirado na história real de sua mãe, VORTEX, de gaspar noé, é talvez o filme mais verdadeiro e humano do diretor. uma parte do casal de idosos está, gradativamente, perdendo sua memória, sua identidade, sua vida, e ambos precisam lidar com isso da forma como puderem. entre diálogos curtos, cenas "tediosas" da terceira idade e excelentes atuações por parte de todos, o filme se firma como um desamparo silencioso e, infelizmente, inevitável. a tela dividida em dois separa o casal entre a doença e o desespero, entre o medo e a falta, entre a memória e a saudade. é impressionante que noé tenha pedido ao argento que inventasse o personagem na hora, tendo todas as suas falas improvisadas ao longo do filme. VORTEX é muito mais assustador que outras produções do diretor porque é sincero - e parte de uma realidade palpável, gerando identificação com a gente. aqui, não há o intuito de chocar e fazer as pessoas falarem o seu nome; há, em seu lugar, honestidade. foi a primeira vez que saí de um filme dele e tive vontade de chorar, e acho que isso diz muito. um dos melhores do gaspar noé, e certamente um que a gente não vai revisitar tão cedo.
Algumas vezes eu fiquei sem acreditar no texto desse filme. Sem acreditar que alguém - mesmo um roteirista como o Linklater - poderia ter escrito algumas dessas linhas. "Waking Life" é um mosaico de diálogos filosóficos que vão desde o livre-arbítrio à morte, do estado de sonho ao estado desperto. "Acordar para a vida" é estar presente, viver em criatividade, é não estar com sono ao existir - e esse filme passeia por essas ideias como uma pluma ao vento, dando espaços para respirarmos no meio de seus cenários vibrantes e caóticos; existe um problema com as múltiplas técnicas de animação utilizadas aqui, e com a tontura advinda delas, até porque tem cenas em que as coisas flutuam, tudo parece lisérgico e nada está no "chão" - porque nada efetivamente está, não é? "A ideia é permanecer num estado de partida, enquanto se está sempre chegando". Metafísica, sofismas e metáforas: "Waking Life" é recheado dessas reflexões sobre a condição humana, ainda que por vezes nos canse em seus diálogos um pouco longos. Não se trata de um filme para ser visto uma única vez, é um material para ser revisitado a partir da sua curiosidade em acordar com ele. Apesar dessas questões com a animação e a duração de alguns trechos, é certamente um filme que brilha pelo seu texto e extrapola para fora de si, como uma mão animada que se ergue da tela e nos toca na realidade - como toda peça de arte que realmente vale a pena. Eu já imaginava que viveria um amor assim, mas a gente nunca sabe quão fundo vai o sonho enquanto a gente está dormindo - e a gente nunca está, realmente, dormindo. A gente está sempre sonhando.
"Alguns dizem que você não consegue entender a vida e viver simultaneamente. Eu não concordo inteiramente com isso. O que quer dizer, eu não discordo exatamente. Eu diria que a vida entendida é vida vivida."
uau. não sei se são os exageros tecnológicos, o humor refinado ou a produção dúbia, ora apresentando uma clara maquete de papelão, ora trazendo tomadas impressionantes com carros em alta velocidade - o fato é que 'Brazil' é um filme difícil de esquecer. ele parece uma mistura de '1984', do Orwell, com 'O Processo', do Kafka, trazendo um futuro distópico e burocrático em que a tecnologia existe menos para facilitar o progresso humano e mais como uma parafernália inútil no meio do caminho - apesar de estar em todo lugar. a ineficácia dos aparatos do Estado, a hiper-vigilância, o terrorismo, a tortura: 'Brazil' é uma distopia tecnocrática sem um ditador, e se ela tem um vilão, ele só pode ser o conformismo com o regime. este filme não parece fazer uma crítica às ditaduras que, inclusive, estavam ainda em vigência à época de seu lançamento, limitando-se a contar uma história de amor um pouco confusa e também interpelada por todo este universo de papelada e perseguição. não me entenda mal; é um filme excelente nos seus primeiros atos, mas acho que ali pelo último terço ele acaba ficando longo demais para o seu próprio bem - essa história não precisava de duas horas e meia para ser contada, mas entendo a importância de firmar bem o universo em que ela se passa e os personagens excêntricos e desconcertantes que nele habitam. no mais, é criativo a ponto de nos instigar, o que eu sempre acho maravilhoso num filme, e para quem gosta do gênero, é um prato cheio - ainda que eu ache os livros do Orwell e do Kafka obras mais completas sobre os temas da ditadura e da burocracia, respectivamente. ainda assim, vale a conferida, com certeza!
por que faço isso comigo? uma mensagem possível em 'vagina dentada' é a de que mulheres nunca estão realmente seguras perto de homens, e acho que consigo lê-la aqui, apesar da péssima qualidade em que está escrita. a maldição de Dawn seria, na verdade, uma proteção para ela - uma segurança para mulheres que, como sabemos, passam diariamente por situações de assédio e, por vezes, casos mais extremos de violência, como os retratados aqui. eu honestamente esperava menos deste filme, tendo vivido até agora numa curiosidade mórbida sobre como seria um terror com o tema, mas 'vagina dentada' não chega a ser um terror, e sim um drama com pitadas trash. acho que este filme teve um potencial desperdiçado pela forma como foi dirigido e pela superficialidade com que tratou seu tema fundacional: de que forma homens olham, pensam e interagem com mulheres. não vemos como ficaram os abusadores, não temos um comentário sobre a 'pureza cristã' no contexto de um estupro, não temos o confronto de um abusador com o seu crime - muito do que o filme podia fazer ele desperdiçou contando a história da forma mais plana possível, e com isso fracassando em tudo. acho que os únicos pontos fortes são a atuação da protagonista e a cena final com o seu meio-irmão. de qualquer maneira, é um filme que não vou esquecer tão cedo, e isso talvez não seja ruim.
'cirurgia é o novo sexo'; o retorno do cronenberg ao body horror é uma versão apática das suas obras mais notáveis. 'crimes do futuro' é belissimamente bem-filmado e tem boas atuações, mas o conjunto da obra não se sustenta, e os questionamentos -super pertinentes, aliás- que o filme faz à arte, à cultura, ao sexo e à evolução humana vão por água abaixo nessas duas horas... eu também não curto a nudez feminina desnecessária, e o senso de urgência que ele quer imprimir simplesmente não se justifica (dado o contexto dos personagens). nesse filme rola um deslocamento muito interessante sobre sexo penetrativo, e uma discussão sobre uma espécie de "pós-canibalismo sintético", que eu honestamente nunca tinha visto antes, mas o ineditismo desses temas não justificam uma revisita ao filme, sobretudo pela apatia com que ele "costura" suas entranhas. no mais, achei um pouco tedioso, e saio de novo decepcionado com o tal cinema "de autor" que eu tanto "curto"... não veria de novo. 'não há crime como o presente'.
"a dor é um traje". Handmaiden é uma viagem imprevisível com romance, pólvora e catástrofe, e é um filmaço no que se propõe a ser. as intrigas, reviravoltas e sutilezas deste roteiro são um show à parte, além da edição fluida e precisa, que faz as quase três horas deste filme voarem. confesso que ainda me incomoda o male gaze das cenas íntimas, e para a versão estendida, parece que elas ficaram ainda mais longas (sem necessidade), mas, de qualquer maneira, é uma peça de arte muito sólida para passar batida, e vale muito a pena pelo final retumbante! achei fantástico! "a beleza é cruel por natureza".
a premissa é genial, mas talvez a execução deste filme trabalhe contra ele mesmo. 'primer' cria loops paradoxais e brinca com conceitos super interessantes da física quântica, e toda a aura hermética de seu roteiro funciona bem até a sua metade, por ali - depois disso, parece que a própria história se perde um pouco em si mesma, e as viradas do final acabam tendo menos impacto. parece que a produção independente, fruto da pesquisa do diretor, ator e roteirista Shane Carruth, acabou sufocando uma ideia bastante inovadora, e também por isso, arriscada. trata-se de um bom filme, mas só isso. das películas independentes do mesmo gênero, 'coerência' é uma pedida mais consciente e melhor num geral.
talvez eu tenha ficado mais intolerante a certas violências quando expostas de forma explícita e "chocante"... "Ex Baterista" foi vendido como uma "comédia dark" e é considerado hilário por muitos dos seus fãs, mas com a mudança de percepção sobre enfermidades mentais, histórias de abandono, estupros e discursos de ódio, vários temas que este filme toca perdem a "graça" instantaneamente. não chega a ser um filme ruim, lógico - tem ritmo, é bem-editado, tem inovação estética e no roteiro, e num geral traz uma experiência intensa e impressionante, mas não creio ser moralista ao pensar que, quando vamos abordar certas violências como tema, é preciso ter cuidado para não estetizar tudo, e assim perder o ponto da própria mensagem (seja a da luta de classes, seja o domínio do mais adaptado, seja o subjugo dos miseráveis, etc). o arco do filme é incrível, o final é um plot twist danado, mas, para mim, é desnecessariamente violento - ainda que parte da violência se justifique no contexto, a forma como ela é filmada é violenta conosco, a audiência, e eu já fui muito mais fã deste tipo de cinema; talvez tenha ficado mais intolerante mesmo...
a teologia da violência, a hipervigilância e um corpo que cai; "Miss Violence" é um filme de tema horrível que busca ser sutil, mas que, pros vacinados de Haneke ou Gaspar Noé, tem um final bem previsível, até. o exagero em escancarar a violência parece ter sido moda no cinema alternativo dos anos 2000/2010, com filmes desses diretores chocando mais do que abrindo espaço para uma conversa - o valor de choque é mais importante do que o tema em si, e de todos os seus desdobramentos. dito isso, é um filme marcante, para não ser assistido novamente, mas que certamente muda quem o atravessa. se pegasse mais leve na parte gráfica, em especial na última meia-hora, este filme seria melhor e muito mais efetivo como cinema.
sobre consentimento; não é porque aconteceu uma vez que pode acontecer de novo, e consentimento é agora, não ontem ou antes disso. a cena da cama é muito difícil, mas o final é uma das melhores coisas que eu já vi no cinema: muita esperança; e que diferença faz a direção feminina para um tema como esse... brabo!
Li o livro quase dez anos atrás, e foi espantoso reencontrar cenas que eu já tinha imaginado hoje, na telona. É o tipo de filme que deve ser visto no cinema, de verdade. Esta foi a mais fiel e interessante adaptação de um livro para filme que eu já vi - adaptou, trouxe elementos novos e afirmou o que era canônico das Crônicas de Duna. Espero de coração que o Villeneuve assine as produções subsequentes, caso haja uma franquia, e que este filme jogue luz de volta a essa série de livros tão querida. Mora no meu coração... Assistido em 1/03/2024!
Apesar do sucesso da série, e o humor fino (e ao mesmo tempo escrachado) que desenvolveu nos seus primeiros anos, “31 Minutos - O Filme” não consegue atingir os patamares que a produção para a TV estabeleceu, não funcionando nem como a comédia ‘independente’ que tenta ser... As altivas direções televisivas de Alvaro Díaz e Pedro Peirano não são suficientes para dar conta da linguagem cinematográfica que o filme exige. Depois de assistir ao material original, ver o filme parece uma experiência “menor”, ou pelo menos “pouco proveitosa”, mesmo sem comparar diretamente a episódios ou ápices específicos. Aqui e ali, há piadas características e situações abjetas, claro, mas num geral, o filme não consegue transmitir o timing e a pegada da série que o originou, e acaba fracassando em ambas as coisas. Para além disso, nota-se que, no “casting” dos personagens, alguns clássicos ficaram de fora, como o Super Meia Man; e há, por vezes, fantoches demais (ou elementos demais, por assim dizer) em cada cena, o que bagunça um pouco a compreensão do longa. Com a série, porém, não tem erro! Corre lá!
“Juan Carlos Bodoque: Esto fue mi Nota Verde, soy Juan Carlos Bodoque.”
O supergrupo de K-pop BLACKPINK ganha, pela primeira vez, um documentário sobre o seu início de carreira. “Light Up the Sky” é a primeira produção da Netflix com a Coréia do Sul sobre este gênero musical que, nas últimas décadas, conseguiu criar inúmeros nichos de consumo pelo mundo. E não é para menos. Grupos assinados por gigantes como a YG Entertainment movimentam toda uma economia, e representam, no caso da Coréia, um soft power através da música - o mesmo que o Japão conseguiu, há muitos anos, com os mangás e animes. A cultura não tem barreiras de idioma, e a prova disso é o sucesso absoluto que o quarteto atingiu no ocidente, onde talvez uma parcela relativamente pequena de seus fãs saiba coreano, japonês e/ou tailandês, para poder acompanhar o que dizem... Qualquer que seja o caso, é inegável que BLACKPINK se apresenta como um produto cultural relevante, ainda que nunca se tenha ouvido falar a respeito. Para além disso, o documentário, como uma propaganda positiva, funciona perfeitamente, uma vez que evita, a todo custo, quaisquer partes “ruins” ou “indesejáveis” que envolvam o trabalho que Jisoo, Jennie, Rosé e Lisa fazem desembocar tão arduamente. Ainda que seja explicitamente parcial, trata-se de um bom documentário, ao que vale a pena dar uma chance.
“Jennie: Ser dita na minha cara que não sou boa nas coisas que faço e tentar seguir em frente... É realmente difícil.”
Visitar os spin-offs da superprodução “Invocação do Mal” é, quase sempre, uma experiência mediana. Com “Annabelle 2: A Criação do Mal”, isso já era de se esperar - o que não torna, infelizmente, a visita menos penosa... A segunda instalação da franquia “Annabelle”, iniciada por um filme ainda pior que este, toma lugar num cenário clássico do Terror dos anos 2000: uma casa no meio do nada, um poço misterioso, e uma família em desespero. A questão, como se tem dito, não é a repetição dos elementos, mas a inadaptação deles aos novos formatos que o Terror vem tomando, sobretudo nos últimos anos... O que se tem visto, mundialmente, é uma verdadeira renovação do Terror enquanto gênero, sem perder os seus recursos clássicos, como jumpscares e a mitologia cristã/católica versus o diabo/demônio, por exemplo. O Novo Terror, que gerou filmes como “A Bruxa” (2015), “Hereditário” (2018), e “O Sacrifício do Cervo Sagrado” (2017), tem se valido de elementos semelhantes, porém reinventados a um público que, certamente, já se cansou da fórmula refeita inúmeras vezes, que consagrou filmes parecidos com este. Falo sobre isso sempre: é importante dar uma olhada nos longas que vem sendo produzidos hoje, e que possuem uma roupagem que foge do que se convencionou. Filmes como os da franquia “Annabelle”, se muito, passam longe de marcar positivamente os amantes do gênero. É preciso conhecer novas formas de produzir e se reinventar, sempre e sempre. Se não for isso, será sempre o cansaço da volta, e a espera por algo novo ou diferente que, a depender de direções como esta, nunca vai chegar.
“Janice: Perdoe-me, Pai, pois estou prestes a pecar.”
Clássico do terror dos anos 90, o longa de Neil Jordan explora o universo vampiresco a partir de uma excêntrica dupla de vampiros. Tendo sido roteirizado pela Anne Rice, a autora do livro, "Entrevista com o Vampiro” conta com as irreverentes atuações de Tom Cruise, Brad Pitt e um irreconhecível Antonio Banderas. Para completar, ainda temos a Kirsten Dunst em começo de carreira (literalmente começo, aos 11 anos!), mandando super bem também. Em relação aos aspectos técnicos, trata-se de uma boa montagem, com ágil edição, mas efeitos especiais medianos (sobretudo a maquiagem de Cruise, que é uma verdadeira bola fora nesta produção). E assim como em “Supernatural” e “On The Road”, temos aqui também uma obra em que os dois protagonistas homens exalam uma tensão sexual quase que infinita, ainda que nunca se veja, efetivamente, nada em tela. O elemento da adoção de Claudia torna tudo isso ainda mais implícito, dada a responsabilidade que o casal de vampiros passa a ter ao criar uma “criança que nunca vai crescer”. De qualquer maneira, é uma referência, sem dúvidas. Faz uma boa homenagem aos primeiros contos de vampiros, e adiciona à sua mitologia elementos que realmente funcionam, e que entretém sem grandes dificuldades. Certamente, em relação aos mais recentes livros e filmes que abordam o assunto, este longa dá de dez a zero sem descanso. Assista! Realmente vale a pena.
“Lestat: Ninguém podia resistir a mim, nem mesmo você, Louis. Louis: Eu tentei. Lestat: [sorrindo] E quanto mais você tentava, mais eu te queria.”
A comédia social dirigida por Lucien Jean-Baptiste (que também protagoniza o longa) é definitivamente um must-see. “Ele Tem Mesmo os Seus Olhos” narra a história “invertida” de uma adoção inter-racial, e os excêntricos e curiosos desdobramentos que podem segui-la. O filme, de maneira geral, incute um discurso anti-racista de forma sutil e leve. Apesar de tratar, especialmente, da situação negra numa França politicamente branca, a produção se sobressai por explicitar o fenômeno contrário a esse, em que casais brancos que adotam crianças não-brancas sejam vistos de forma diferente à retratada aqui. O estranhamento, os questionamentos, os comentários são todos pelo menos distintos, o que torna a visita a este filme uma experiência marcante e inesquecível. Aliás, há de se reconhecer a edição finíssima do longa, que garante a dinâmica perfeita, e torna essa hora e meia muito mais ágil e eficaz na entrega de sua mensagem... Incrível!
Container
3.6 16"God transform this prayer into fire. I just want to dance."
E Sua Mãe Também
4.0 543"la vida es como la espuma por eso hay que darse como el mar".
Não Amarás
4.2 301 Assista AgoraTalvez esse seja o primeiro terror incel. "Não Amarás" é uma hora e meia do Kieslowski não entendendo que mulheres em geral não se apaixonam por seus stalkers ou se excitam com a ideia de terem sua privacidade invadida e intimidade observada de perto. Acho que essa é a fantasia de qualquer incel: ter uma mulher atraente caidinha por ele, sem qualquer motivo aparente, e tolerando ser seu objeto de desejo ininterrupto e precoce. Só se consegue amar alguém que a gente conhece. Se não conhece, não é amor, é projeção. Que raiva que eu passei...
Esse Obscuro Objeto do Desejo
4.1 96 Assista AgoraProteja-me do que eu quero
(ou)
Estes prazeres violentos têm fins violentos.
Vortex
4.0 79"A todos aqueles cujo cérebro se decomporá antes do coração".
inspirado na história real de sua mãe, VORTEX, de gaspar noé, é talvez o filme mais verdadeiro e humano do diretor. uma parte do casal de idosos está, gradativamente, perdendo sua memória, sua identidade, sua vida, e ambos precisam lidar com isso da forma como puderem. entre diálogos curtos, cenas "tediosas" da terceira idade e excelentes atuações por parte de todos, o filme se firma como um desamparo silencioso e, infelizmente, inevitável. a tela dividida em dois separa o casal entre a doença e o desespero, entre o medo e a falta, entre a memória e a saudade. é impressionante que noé tenha pedido ao argento que inventasse o personagem na hora, tendo todas as suas falas improvisadas ao longo do filme. VORTEX é muito mais assustador que outras produções do diretor porque é sincero - e parte de uma realidade palpável, gerando identificação com a gente. aqui, não há o intuito de chocar e fazer as pessoas falarem o seu nome; há, em seu lugar, honestidade. foi a primeira vez que saí de um filme dele e tive vontade de chorar, e acho que isso diz muito. um dos melhores do gaspar noé, e certamente um que a gente não vai revisitar tão cedo.
Acordar para a Vida
4.3 783SONHO É DESTINO.
Algumas vezes eu fiquei sem acreditar no texto desse filme. Sem acreditar que alguém - mesmo um roteirista como o Linklater - poderia ter escrito algumas dessas linhas. "Waking Life" é um mosaico de diálogos filosóficos que vão desde o livre-arbítrio à morte, do estado de sonho ao estado desperto. "Acordar para a vida" é estar presente, viver em criatividade, é não estar com sono ao existir - e esse filme passeia por essas ideias como uma pluma ao vento, dando espaços para respirarmos no meio de seus cenários vibrantes e caóticos; existe um problema com as múltiplas técnicas de animação utilizadas aqui, e com a tontura advinda delas, até porque tem cenas em que as coisas flutuam, tudo parece lisérgico e nada está no "chão" - porque nada efetivamente está, não é? "A ideia é permanecer num estado de partida, enquanto se está sempre chegando". Metafísica, sofismas e metáforas: "Waking Life" é recheado dessas reflexões sobre a condição humana, ainda que por vezes nos canse em seus diálogos um pouco longos. Não se trata de um filme para ser visto uma única vez, é um material para ser revisitado a partir da sua curiosidade em acordar com ele. Apesar dessas questões com a animação e a duração de alguns trechos, é certamente um filme que brilha pelo seu texto e extrapola para fora de si, como uma mão animada que se ergue da tela e nos toca na realidade - como toda peça de arte que realmente vale a pena. Eu já imaginava que viveria um amor assim, mas a gente nunca sabe quão fundo vai o sonho enquanto a gente está dormindo - e a gente nunca está, realmente, dormindo.
A gente está sempre sonhando.
"Alguns dizem que você não consegue entender a vida e viver simultaneamente. Eu não concordo inteiramente com isso. O que quer dizer, eu não discordo exatamente. Eu diria que a vida entendida é vida vivida."
Brazil, o Filme
3.8 419 Assista Agorauau. não sei se são os exageros tecnológicos, o humor refinado ou a produção dúbia, ora apresentando uma clara maquete de papelão, ora trazendo tomadas impressionantes com carros em alta velocidade - o fato é que 'Brazil' é um filme difícil de esquecer. ele parece uma mistura de '1984', do Orwell, com 'O Processo', do Kafka, trazendo um futuro distópico e burocrático em que a tecnologia existe menos para facilitar o progresso humano e mais como uma parafernália inútil no meio do caminho - apesar de estar em todo lugar. a ineficácia dos aparatos do Estado, a hiper-vigilância, o terrorismo, a tortura: 'Brazil' é uma distopia tecnocrática sem um ditador, e se ela tem um vilão, ele só pode ser o conformismo com o regime. este filme não parece fazer uma crítica às ditaduras que, inclusive, estavam ainda em vigência à época de seu lançamento, limitando-se a contar uma história de amor um pouco confusa e também interpelada por todo este universo de papelada e perseguição. não me entenda mal; é um filme excelente nos seus primeiros atos, mas acho que ali pelo último terço ele acaba ficando longo demais para o seu próprio bem - essa história não precisava de duas horas e meia para ser contada, mas entendo a importância de firmar bem o universo em que ela se passa e os personagens excêntricos e desconcertantes que nele habitam. no mais, é criativo a ponto de nos instigar, o que eu sempre acho maravilhoso num filme, e para quem gosta do gênero, é um prato cheio - ainda que eu ache os livros do Orwell e do Kafka obras mais completas sobre os temas da ditadura e da burocracia, respectivamente. ainda assim, vale a conferida, com certeza!
assistido em 30/07/2025!
Vagina Dentada
2.7 587por que faço isso comigo? uma mensagem possível em 'vagina dentada' é a de que mulheres nunca estão realmente seguras perto de homens, e acho que consigo lê-la aqui, apesar da péssima qualidade em que está escrita. a maldição de Dawn seria, na verdade, uma proteção para ela - uma segurança para mulheres que, como sabemos, passam diariamente por situações de assédio e, por vezes, casos mais extremos de violência, como os retratados aqui. eu honestamente esperava menos deste filme, tendo vivido até agora numa curiosidade mórbida sobre como seria um terror com o tema, mas 'vagina dentada' não chega a ser um terror, e sim um drama com pitadas trash. acho que este filme teve um potencial desperdiçado pela forma como foi dirigido e pela superficialidade com que tratou seu tema fundacional: de que forma homens olham, pensam e interagem com mulheres. não vemos como ficaram os abusadores, não temos um comentário sobre a 'pureza cristã' no contexto de um estupro, não temos o confronto de um abusador com o seu crime - muito do que o filme podia fazer ele desperdiçou contando a história da forma mais plana possível, e com isso fracassando em tudo. acho que os únicos pontos fortes são a atuação da protagonista e a cena final com o seu meio-irmão. de qualquer maneira, é um filme que não vou esquecer tão cedo, e isso talvez não seja ruim.
assistido em 29-07-2025!
Crimes do Futuro
3.2 280 Assista Agora'cirurgia é o novo sexo'; o retorno do cronenberg ao body horror é uma versão apática das suas obras mais notáveis. 'crimes do futuro' é belissimamente bem-filmado e tem boas atuações, mas o conjunto da obra não se sustenta, e os questionamentos -super pertinentes, aliás- que o filme faz à arte, à cultura, ao sexo e à evolução humana vão por água abaixo nessas duas horas... eu também não curto a nudez feminina desnecessária, e o senso de urgência que ele quer imprimir simplesmente não se justifica (dado o contexto dos personagens). nesse filme rola um deslocamento muito interessante sobre sexo penetrativo, e uma discussão sobre uma espécie de "pós-canibalismo sintético", que eu honestamente nunca tinha visto antes, mas o ineditismo desses temas não justificam uma revisita ao filme, sobretudo pela apatia com que ele "costura" suas entranhas. no mais, achei um pouco tedioso, e saio de novo decepcionado com o tal cinema "de autor" que eu tanto "curto"... não veria de novo.
'não há crime como o presente'.
A Criada
4.4 1,4K Assista Agora"a dor é um traje". Handmaiden é uma viagem imprevisível com romance, pólvora e catástrofe, e é um filmaço no que se propõe a ser. as intrigas, reviravoltas e sutilezas deste roteiro são um show à parte, além da edição fluida e precisa, que faz as quase três horas deste filme voarem. confesso que ainda me incomoda o male gaze das cenas íntimas, e para a versão estendida, parece que elas ficaram ainda mais longas (sem necessidade), mas, de qualquer maneira, é uma peça de arte muito sólida para passar batida, e vale muito a pena pelo final retumbante! achei fantástico! "a beleza é cruel por natureza".
Primer
3.5 510a premissa é genial, mas talvez a execução deste filme trabalhe contra ele mesmo. 'primer' cria loops paradoxais e brinca com conceitos super interessantes da física quântica, e toda a aura hermética de seu roteiro funciona bem até a sua metade, por ali - depois disso, parece que a própria história se perde um pouco em si mesma, e as viradas do final acabam tendo menos impacto. parece que a produção independente, fruto da pesquisa do diretor, ator e roteirista Shane Carruth, acabou sufocando uma ideia bastante inovadora, e também por isso, arriscada. trata-se de um bom filme, mas só isso. das películas independentes do mesmo gênero, 'coerência' é uma pedida mais consciente e melhor num geral.
Ex Baterista
3.8 321talvez eu tenha ficado mais intolerante a certas violências quando expostas de forma explícita e "chocante"... "Ex Baterista" foi vendido como uma "comédia dark" e é considerado hilário por muitos dos seus fãs, mas com a mudança de percepção sobre enfermidades mentais, histórias de abandono, estupros e discursos de ódio, vários temas que este filme toca perdem a "graça" instantaneamente. não chega a ser um filme ruim, lógico - tem ritmo, é bem-editado, tem inovação estética e no roteiro, e num geral traz uma experiência intensa e impressionante, mas não creio ser moralista ao pensar que, quando vamos abordar certas violências como tema, é preciso ter cuidado para não estetizar tudo, e assim perder o ponto da própria mensagem (seja a da luta de classes, seja o domínio do mais adaptado, seja o subjugo dos miseráveis, etc). o arco do filme é incrível, o final é um plot twist danado, mas, para mim, é desnecessariamente violento - ainda que parte da violência se justifique no contexto, a forma como ela é filmada é violenta conosco, a audiência, e eu já fui muito mais fã deste tipo de cinema; talvez tenha ficado mais intolerante mesmo...
Miss Violence
3.9 1,1K Assista Agoraa teologia da violência, a hipervigilância e um corpo que cai; "Miss Violence" é um filme de tema horrível que busca ser sutil, mas que, pros vacinados de Haneke ou Gaspar Noé, tem um final bem previsível, até. o exagero em escancarar a violência parece ter sido moda no cinema alternativo dos anos 2000/2010, com filmes desses diretores chocando mais do que abrindo espaço para uma conversa - o valor de choque é mais importante do que o tema em si, e de todos os seus desdobramentos. dito isso, é um filme marcante, para não ser assistido novamente, mas que certamente muda quem o atravessa. se pegasse mais leve na parte gráfica, em especial na última meia-hora, este filme seria melhor e muito mais efetivo como cinema.
How to Have Sex
3.5 159 Assista Agorasobre consentimento; não é porque aconteceu uma vez que pode acontecer de novo, e consentimento é agora, não ontem ou antes disso. a cena da cama é muito difícil, mas o final é uma das melhores coisas que eu já vi no cinema: muita esperança; e que diferença faz a direção feminina para um tema como esse... brabo!
visto em 31 de março de 2025
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraDITADURA NUNCA MAIS.
Buffalo '66
4.0 327 Assista Agora"I Can Fix Him (No Really I Can)"
Duna: Parte Dois
4.2 867 Assista AgoraLi o livro quase dez anos atrás, e foi espantoso reencontrar cenas que eu já tinha imaginado hoje, na telona. É o tipo de filme que deve ser visto no cinema, de verdade. Esta foi a mais fiel e interessante adaptação de um livro para filme que eu já vi - adaptou, trouxe elementos novos e afirmou o que era canônico das Crônicas de Duna. Espero de coração que o Villeneuve assine as produções subsequentes, caso haja uma franquia, e que este filme jogue luz de volta a essa série de livros tão querida. Mora no meu coração... Assistido em 1/03/2024!
Pobres Criaturas
4.1 1,3K Assista AgoraVi no festival de cinema do Rio, duas semanas atrás.
Acho que nunca vou conseguir esquecer esse filme. É realmente impressionante, e o maior trabalho do Yorgos desde o Kinodontas.
Attenberg
3.3 76 Assista AgoraAcho que estou envelhecendo rsrsrs
31 Minutos - O Filme
3.3 82 Assista AgoraApesar do sucesso da série, e o humor fino (e ao mesmo tempo escrachado) que desenvolveu nos seus primeiros anos, “31 Minutos - O Filme” não consegue atingir os patamares que a produção para a TV estabeleceu, não funcionando nem como a comédia ‘independente’ que tenta ser...
As altivas direções televisivas de Alvaro Díaz e Pedro Peirano não são suficientes para dar conta da linguagem cinematográfica que o filme exige. Depois de assistir ao material original, ver o filme parece uma experiência “menor”, ou pelo menos “pouco proveitosa”, mesmo sem comparar diretamente a episódios ou ápices específicos. Aqui e ali, há piadas características e situações abjetas, claro, mas num geral, o filme não consegue transmitir o timing e a pegada da série que o originou, e acaba fracassando em ambas as coisas.
Para além disso, nota-se que, no “casting” dos personagens, alguns clássicos ficaram de fora, como o Super Meia Man; e há, por vezes, fantoches demais (ou elementos demais, por assim dizer) em cada cena, o que bagunça um pouco a compreensão do longa.
Com a série, porém, não tem erro!
Corre lá!
“Juan Carlos Bodoque: Esto fue mi Nota Verde, soy Juan Carlos Bodoque.”
BLACKPINK: Light Up the Sky
3.9 83O supergrupo de K-pop BLACKPINK ganha, pela primeira vez, um documentário sobre o seu início de carreira. “Light Up the Sky” é a primeira produção da Netflix com a Coréia do Sul sobre este gênero musical que, nas últimas décadas, conseguiu criar inúmeros nichos de consumo pelo mundo.
E não é para menos. Grupos assinados por gigantes como a YG Entertainment movimentam toda uma economia, e representam, no caso da Coréia, um soft power através da música - o mesmo que o Japão conseguiu, há muitos anos, com os mangás e animes. A cultura não tem barreiras de idioma, e a prova disso é o sucesso absoluto que o quarteto atingiu no ocidente, onde talvez uma parcela relativamente pequena de seus fãs saiba coreano, japonês e/ou tailandês, para poder acompanhar o que dizem...
Qualquer que seja o caso, é inegável que BLACKPINK se apresenta como um produto cultural relevante, ainda que nunca se tenha ouvido falar a respeito. Para além disso, o documentário, como uma propaganda positiva, funciona perfeitamente, uma vez que evita, a todo custo, quaisquer partes “ruins” ou “indesejáveis” que envolvam o trabalho que Jisoo, Jennie, Rosé e Lisa fazem desembocar tão arduamente.
Ainda que seja explicitamente parcial, trata-se de um bom documentário, ao que vale a pena dar uma chance.
“Jennie: Ser dita na minha cara que não sou boa nas coisas que faço e tentar seguir em frente... É realmente difícil.”
Annabelle 2: A Criação do Mal
3.3 1,1K Assista AgoraVisitar os spin-offs da superprodução “Invocação do Mal” é, quase sempre, uma experiência mediana. Com “Annabelle 2: A Criação do Mal”, isso já era de se esperar - o que não torna, infelizmente, a visita menos penosa...
A segunda instalação da franquia “Annabelle”, iniciada por um filme ainda pior que este, toma lugar num cenário clássico do Terror dos anos 2000: uma casa no meio do nada, um poço misterioso, e uma família em desespero. A questão, como se tem dito, não é a repetição dos elementos, mas a inadaptação deles aos novos formatos que o Terror vem tomando, sobretudo nos últimos anos...
O que se tem visto, mundialmente, é uma verdadeira renovação do Terror enquanto gênero, sem perder os seus recursos clássicos, como jumpscares e a mitologia cristã/católica versus o diabo/demônio, por exemplo. O Novo Terror, que gerou filmes como “A Bruxa” (2015), “Hereditário” (2018), e “O Sacrifício do Cervo Sagrado” (2017), tem se valido de elementos semelhantes, porém reinventados a um público que, certamente, já se cansou da fórmula refeita inúmeras vezes, que consagrou filmes parecidos com este.
Falo sobre isso sempre: é importante dar uma olhada nos longas que vem sendo produzidos hoje, e que possuem uma roupagem que foge do que se convencionou. Filmes como os da franquia “Annabelle”, se muito, passam longe de marcar positivamente os amantes do gênero. É preciso conhecer novas formas de produzir e se reinventar, sempre e sempre.
Se não for isso, será sempre o cansaço da volta, e a espera por algo novo ou diferente que, a depender de direções como esta, nunca vai chegar.
“Janice: Perdoe-me, Pai, pois estou prestes a pecar.”
Entrevista Com o Vampiro
4.1 2,2KClássico do terror dos anos 90, o longa de Neil Jordan explora o universo vampiresco a partir de uma excêntrica dupla de vampiros.
Tendo sido roteirizado pela Anne Rice, a autora do livro, "Entrevista com o Vampiro” conta com as irreverentes atuações de Tom Cruise, Brad Pitt e um irreconhecível Antonio Banderas. Para completar, ainda temos a Kirsten Dunst em começo de carreira (literalmente começo, aos 11 anos!), mandando super bem também.
Em relação aos aspectos técnicos, trata-se de uma boa montagem, com ágil edição, mas efeitos especiais medianos (sobretudo a maquiagem de Cruise, que é uma verdadeira bola fora nesta produção). E assim como em “Supernatural” e “On The Road”, temos aqui também uma obra em que os dois protagonistas homens exalam uma tensão sexual quase que infinita, ainda que nunca se veja, efetivamente, nada em tela. O elemento da adoção de Claudia torna tudo isso ainda mais implícito, dada a responsabilidade que o casal de vampiros passa a ter ao criar uma “criança que nunca vai crescer”.
De qualquer maneira, é uma referência, sem dúvidas. Faz uma boa homenagem aos primeiros contos de vampiros, e adiciona à sua mitologia elementos que realmente funcionam, e que entretém sem grandes dificuldades. Certamente, em relação aos mais recentes livros e filmes que abordam o assunto, este longa dá de dez a zero sem descanso.
Assista! Realmente vale a pena.
“Lestat: Ninguém podia resistir a mim, nem mesmo você, Louis.
Louis: Eu tentei.
Lestat: [sorrindo] E quanto mais você tentava, mais eu te queria.”
Ele Tem Mesmo os Seus Olhos
3.6 54A comédia social dirigida por Lucien Jean-Baptiste (que também protagoniza o longa) é definitivamente um must-see. “Ele Tem Mesmo os Seus Olhos” narra a história “invertida” de uma adoção inter-racial, e os excêntricos e curiosos desdobramentos que podem segui-la.
O filme, de maneira geral, incute um discurso anti-racista de forma sutil e leve. Apesar de tratar, especialmente, da situação negra numa França politicamente branca, a produção se sobressai por explicitar o fenômeno contrário a esse, em que casais brancos que adotam crianças não-brancas sejam vistos de forma diferente à retratada aqui. O estranhamento, os questionamentos, os comentários são todos pelo menos distintos, o que torna a visita a este filme uma experiência marcante e inesquecível.
Aliás, há de se reconhecer a edição finíssima do longa, que garante a dinâmica perfeita, e torna essa hora e meia muito mais ágil e eficaz na entrega de sua mensagem...
Incrível!