Uma história surreal que bate no liquidificador "Triângulo Da Tristeza", "Midsommar" com uma pitada de "Casamento Sangrento" e "Glass Onion: Um Mistério Knives Out" (Inclusive, saiu no mesmo ano de 'Triângulo', será espionagem industrial? Várias semelhanças). Aquele ar de que algo errado não está certo desde o início e a escalada de eventos cada vez mais estranhos, mas o mimetismo social impede os personagens de dizer ou fazer algo, já que todos em volta parecem estar ok com aquilo (algo que também me remeteu a "O Anjo Exterminador" de Buñuel)... Nada original, não é o melhor exemplo do gênero, mas tem seu charme, e eu gosto dele comédias dark assim.
Achei quase todas as atuações no modo 'camp', senti que ninguém estava levando aquilo ali a sério, meio que como ironia, e gostei da construção que o Nicholas Hoult fez do personagem dele sendo tão patético.
O mais divertido aqui é a sátira com o mundo da gastronomia, desde o entusiasta formado em 10 temporadas de "Masterchef" que acha que entende algo só porque decorou algumas palavras como 'mise en place', passando pelos críticos gastronômicos que se acham os poderosos que constroem ou destroem carreiras, até a figura endeusada do 'Chef', que ninguém ousa contestar e cuja devoção é quase como uma seita. . #Watch
Filme tem o mérito de ter praticamente inaugurado o subgênero 'torture porn', de ter um olhar niilista sobre as relações do final do milênio (a vida é uma merda, etc.), da violência extrema, da submissão da mulher na sociedade japonesa, de ter antecipado uma dinâmica similar à dos sites e apps de relacionamento quase 30 anos antes e pelo frescor que trouxe ao cinema em sua época.
Acho que o problema foi eu ter assistido muitas décadas e muitos filmes similares que beberam dele depois. Seu roteiro não teve o mesmo impacto e até meio que me decepcionou, pois criei expectativas ao longo dos anos.
A trilha sonora me lembrou John Carpenter Murilo me lembrou a máscara de Michael Myers com sua expressão vazia e inquietante; A captação de som direto deixou a desejar, boa parte das falas ficaram difíceis de entender e não tinha legenda no Globoplay. Luciana Paes (Sara) é a grande revelação do filme, eu já amava ela dos seus projetos na comédia. Produção do grande Rodrigo Teixeira, maior produtor BR em Hollywood atualmente, com quem já tive o prazer de trocar uma ideia. A mise en scene remete ao teatro, não me surpreenderia se fosse uma adaptação de uma peça. A diretora Gabriela Amaral faz uma seleção de planos feliz por revelar o que os diálogos nem sempre dizem. A ousadia narrativa é de admirar, porém me deixou muito confuso com sua subjetividade, até eu conseguir concatenar qualquer lógica no que assisti. Na minha interpretação, "O Animal Cordial" é sobre o animal que existe em todos nós enquanto sociedade, aquele nosso ID primitivo que nós não deixamos aparecer pelas regras sociais impostas e que nosso superego reprime. A situação-limite do assalto foi o estopim que entornou o caldo daqueles personagens e despiu o véu social, fazendo todos se mostrarem como são por baixo, principalmente o dono do restaurante e a Sara, cujas atitudes não seguiam uma ordem, nem uma lógica, erráticos em um caos social, como animais.
Além de Luciana, todo o elenco está muito bem, Murilo Benicio, Camila Morgado, Ernani Moraes, Humberto Carrão, Irandhir Santos e Jiddu Pinheiro (que eu era apaixonado como Beto na primeira versão de "Chiquititas").
Uma reencenação sem criatividade dos eventos que levaram ao assassinato de Sharon Tate e seus amigos no final da década de 60, feita em um estilo de jogo de gato e rato irritante, com uma barriga falsa de almofada e uma total falta de capacidade para fazer cenas tensas ou impactantes.
Há algumas poucas escolhas de fotografia interessantes, o elenco até tenta, mas os personagens são péssimos e o roteiro, ignóbil. A curta duração quase não faz diferença, pois além de tudo é chato que dói. . #HBOMax
Traço lindo, animação clássica. Os cães chamando seus humanos de "pets", me pegou demais. A rede social dos animais também é um conceito bem legal. Cruella é uma personagem super expressiva e, francamente, assustadora. Charmoso do início ao fim. . #Stremio
Que filme bem feito e divertido, né? Emma Stone fez um ótimo trabalho trazendo dualidade pra personagem que parecia impossível de amar. Emma Thompson é um ótimo contraponto como a Condessa, gosto especialmente de como ela traz presença para a cena e de como ela evita cair no mesmo lugar da Miranda Pressly de Meryl Streep, o que teria sido um deslize fácil aqui. Os figurinos vencedores do Oscar, bem como cabelos e maquiagem, realmente merecem todos os elogios, pois são incríveis. A trilha sonora e a edição/montagem também me chamaram atenção, pois também enchem a tela e constroem a identidade do filme com um capricho diferenciado para live actions da Disney. O elenco de apoio é adorável, amei os doguinhos. O diretor Craig Gillespie faz uma ótima coordenação de todos os elementos técnicos e artísticos, como um bom maestro. Gostosura de filme.
O que esse filme faz, e faz muito bem, em matéria de ambientação, storytelling, distribuição das batidas de roteiro, crescendo... é algo que poucos conseguiram, e de fácil não tem nada. Temos aqui um sucessor espiritual de "Atividade Paranormal" (2009) e "A Bruxa de Blair" (1999) – para quem viveu em suas respectivas épocas, porque se você não viu no cinema ou ao menos em VHS pré-redes sociais, respectivamente, não funciona do mesmo jeito, não adianta, quem viu, viu).
O uso que ele faz do som é nada menos que brilhante; e se você assistir com fone de ouvido, eu acho que ele fica ainda mais envolvente. A mistura de sons diegéticos e trilha incidental cria um senso de paranoia muito eficaz. Fora que dentro desses sons que estão contidos na cena (diegéticos), temos: os sons e músicas macabras que Evy e Justin estão ouvindo juntos, os sons que Justin está produzindo, os sons da casa da Evy e os sons que nós, os espectadores, achamos que estão ao nosso redor! É arrepiante.
O trabalho de câmera é muito bom, explorando os ambientes, os cantos escuros e os espaços vazios enquanto Evy grava seu podcast, adicionando mais camadas de antecipação e mantendo os nervos de quem assiste à flor da pele.
A dinâmica dos apresentadores; um crente e uma cética, apela para todos os públicos e, mais uma vez, faz o espectador ir gradualmente se vendo na posição de Evy, cujo ceticismo é desafiado várias vezes, afinal nós também só estamos vendo um filme certo? Ou será que não?? 👀
No geral, ótimo roteiro e direção de Ian Tuason, cuja história ainda conecta os acontecimentos da vida da protagonista com o que eles estão ouvindo, de forma rimada; faz um excelente uso de locação única, de um elenco reduzido (só vemos duas atrizes em cena, e Nina Kiri é a combinação do carisma e da presença de Jenna Ortega e Neve Campbell), com trabalho de voz fenomenal e uma atmosfera de causar calafrios.
Eu desafio qualquer um que diz não ter se impressionado com o filme, fazer como eu: assistir no fone de ouvido, de madrugada e SOZINHO. Vai lá, bichão. A sensação incômoda de que nós também não queremos continuar a ouvir aqueles áudios e liberar o que quer que seja que o ritual está liberando na nossa vida, é real. Eu tive que assistir em duas sentadas porque bateu cagaço, tá. Máxima eficácia. . #HBOMax
Considerando que é uma adaptação de um desenho dos anos 80 baseado em brinquedos da Mattel... Até que foi bem legal. Boa escalação de elenco, figurinos fiéis, o tom 'camp' certeiro, boas piadas referentes aos nomes dos personagens e à "identidade secreta" do Adam; e a passada de bastão do Dolph Lundgren (que fez o He-Man nos anos 80) foi um fan service maneiro. Senti demais a morte da robô, a duração poderia ser mais curta e a cena pós-créditos serviu tudo. É clichezao mas é uma boa sessão da tarde. . #Prime
Entrega muito na área dos sustos, do gore e dos calafrios. Produção sólida, mesmo com recursos limitados. Atuações convincentes e assustadoras, principalmente de Narilya Gulmongkolpech como Mink. Faltou só uma história mais embasada para sustentar tudo melhor. A direção de Banjong Pisanthanakun, que tem "Espíritos: A Morte Está ao Seu Lado" e sua continuação no currículo, mesmo sendo no estilo "mockumentary", consegue evitar alguns clichês do found footage.
Boa dose de tensão com a direção competente de Jaume Collet-Serra pelos diferentes estágios da luta pela sobrevivência da Nancy (Blake Lively, carismática). O roteiro trabalha bem as situações para manter o interesse, uma vez que o cenário não muda. Eu só não lido bem com personagens que se colocam voluntariamente em situações de perigo de morte como Nancy faz aqui. Foram tantas 'red flags' antes de acontecer o ataque do tubarão (a amiga que não foi, o motorista perguntando como ela sairia dali, ela não saber nem o nome da praia em que estava, o quão deserta era, não ter ido embora com os surfistas...), que em certo momento eu, sinceramente, não conseguia torcer pra ela. Só para Steven Seagull. Melhor personagem, e que nome genial.
Contudo, como eu disse, o diretor faz um bom trabalho, não só em nos agoniar, como em captar imagens belíssimas da natureza e do surf.
Fora que eu tenho dificuldade de comprar a premissa de um animal que faz as coisas por "ruindade", e não por simples instinto, pra se alimentar. Talvez em contexto mais 'trash', como em um "Anaconda" funcione mais para mim, aqui não rolou. Se o tubarão estivesse com fome, comeria sua baleia, e os ataques sequenciais aos surfistas não fariam sentido. E o que foi aquele fim que ela pensou ali no laço para o peixão? Tão cinematograficamente caricato que destoou. . #HBOMax
em dar cabo do Cole (que foi um erro em primeiro lugar)
e na sequência Liu Kang vs Kung Lao. Mas pecou na história que ainda não empolga e carece de desenrolares mais complexos, nos diálogos mega expositivos, no humor oscilante, na coreografia de luta lenta, pouco convincente, e no ritmo, que cai em diversas partes. Queria ter ido ver no cinema, mas que bom que não fui. . #HBOMax
15 anos atrás, quando assisti a "O Grande Truque" pela primeira vez, eu era um fã do frescor que Christopher Nolan trouxe para o cinema, e este filme ficou na minha cabeça por dias; o elenco estelar atuando pra valer, toda a estrutura do seu roteiro, a forma como as reviravoltas vão se desenrolando e aquele desfecho, que foi um dos maiores 'mindfucks' que eu já tive vendo um filme... Chris Nolan era O cara pra mim. Algo que o tempo e suas atitudes, principalmente durante a pandemia, me fizeram repensar se eu gostava tanto assim do diretor e de seus filmes. Mas reassisti há alguns anos e esse aqui permanece excelente.
Eu passei 20 anos sentindo que eu devia uma revisão a este filme, afinal eu era muito jovem quando assisti e apesar de toda a minha turma de cinema (e professores) hyparem ele, eu não senti toda aquela euforia, e sempre achei que eu tinha visto ele errado.
Bom, desta vez, eu percebi alguns dos subtons raciais e de xenofobia que Spike Lee trabalha nele de forma suave e esparsa; a corrupção da polícia, e entendi melhor o choque de interesses entre Clive Owen, Jodie Foster e Denzel Washington. Fora isso, minha experiência foi parecida com a de 2006. É um bom plano de roubo, é bem executado, os atores fazem o que é pedido deles e... é isso. Owen é uma das presenças mais agradáveis em tela nos anos 2000, Foster serve c*nt (farma aura, para os héteros) na pele da personagem mais interessante do longa, e Washington faz o que ele sabe fazer quase no automático. Não há nenhuma grande atuação, roteiro e direção não oferecem um grande momento espetacular, nenhuma grande reviravolta acontece. É um filme que passa de ano com um sólido 7,0.
Talvez a principal diferença seja que o mundo era muito diferente em 2006. No filme, um homem que enriqueceu fazendo negócios com nazistas era o grande bad guy, e ele mesmo sentia tanta vergonha disso que todo o plot orbita em torno do não-vazamento dessa informação. Ele mesmo diz que se arrepende tanto disso, que passou o resto da vida tentando se redimir com a humanidade, fazendo toda sorte de caridade. Hoje, é de conhecimento geral que inúmeras empresas das mais tradicionais do mundo foram fundadas sobre o sangue de pretos escravizados, por exemplo. Hoje, o presidente do país mais poderoso do planeta (o mesmo do filme) é um tirano imperialista pedófilo e estuprador. Hoje, o primeiro trilionário da História é um nazista declarado. Isso pra não dizer que chegamos em um ponto da História em que os principais vitimizados pelo nazismo, hoje, são eles os genocidas. E ninguém é punido, nenhum deles demonstra a menor vergonha ou arrependimento... E nada acontece feijoada. O vilão do filme de 2006, personagem de Christopher Plummer, seria visto como um dos 'mocinhos' pelos vilões do mundo de 2026.
Se algo mudou na minha percepção sobre o filme, foi perceber como o mundo é outro, como sua problemática parece inofensiva aos olhos atuais e como eu queria que, em um futuro próximo, o mundo voltasse a ser como era, onde ser visto como alguém associado ao nazismo fosse tão indesejável e ultrajante, que até um bilionário tremeria teria medo da repercussão. . #HBOMax
Zoroark e Zorua são pokémon muito legais, no mesmo nível dos lendários de Johto. Mereciam um filme à altura. Mas os produtores dessa franquia de filmes são extremamente preguiçosos e fazem o mesmo filme todo ano, só mudando os bichos. Nem tenho esperança de me surpreender, só vejo para dar check na franquia.
O conto de Nick Lepard ("Backrooms") sobre misoginia secular e masculinidade tóxica tem muito mais a se gostar do que criticar. Temos dois leads magnéticos com a fenomenal Tatiana Maslany e o irresistível Rossif Sutherland; uma cinematografia contrastada, limpa e deslumbrante; uma trilha sonora não só cheia de acertos, como irônica e complementar à diegese do filme; uma edição que abusa de fusões e outros efeitos ópticos para traduzir o estado mental da protagonista, dar migalhas de pão que levam à resolução do mistério e tornar o filme ainda mais bonito...
E tudo isso envelopado na atmosfera incômoda, inquieta, enigmática e sobrenatural criada pelo ótimo diretor que é Osgood Perkins. A forma que ele usa signos como o bolo e o mel, e os subverte, me enfeitiçou. O ritmo, tido como lento pelo meu amigo, apenas me deu mais oportunidades de apreciar os outros elementos dramáticos e técnicos da linguagem cinematográfica que não necessariamente "fazem a história andar", mas que também ajudam a construir a narrativa e os personagens, como a direção de arte, a beleza dos cenários, os objetos de cena, a atuação ora econômica, ora vibrante de Maslany, a edição, a trilha sonora, etc, etc; então eu nem senti essa queda no ritmo.
de Liz contraria o pessimismo sugerido inicialmente, tornando-se maliciosamemte satisfatório, graças à natureza misteriosa e imprevisível daqueles seres (extraterrestres?), nos brindando com um desfecho onde o "Para Sempre Medo" do ótimo título BR é atribuído a quem, afinal, pertence: ao homem.
O charme do elenco é mais eficaz do que as piadas, Steve Carrell está um sabor aqui, tem momentos de brilhantismo na estupidez. Para quem curtiu a série clássica, é um bom reboot com produção caprichada, na mesma pegada de "Mr. Bean" e das comédias do Leslie Nielsen. Dwayne Johnson antes de desistir do cabelo e virar um viciado total em academia, tinha um apelo mais acessível. Anne Hathaway nessa década foi um deleite.
Percebi neste filme que Pedro Pascal é o cara do cinema atual que quando ele chora, eu choro junto. O que esse filme tem de mais legal é o design de produção retro-futurista e a música de Michael Giacchino. E a Surfista Prateada que finalmente é mostrada "surfando" em coisas, rs.
O filme tem profissionais bem capacitados envolvidos, os departamentos de set e art design, VFX e maquiagem construíram um navio bastante crível, além do visual do Drácula e dos diferentes ferimentos, tudo feito com muita técnica e esmero. O elenco se esforça, entrega o que é esperado deles, tem dois nomes conhecidos do grande público em Liam Cunningham (o sor Davos Seaworth de GOT) e David Dastmalchian ("O Esquadrão Suicida", 2021) e um destaque legal para o bom Corey Hawkins. O diretor André Øvredal tem experiência no gênero e serve um arroz com feijão temperado. O problema de tudo para mim, é a história manjada, previsível e desinteressante, por mais que haja algumas tentativas de renová-la.
Botei pra passar enquanto fazia outra coisa no celular pra ficar de white noise, mas o fator camp (ninguém está se levando a sério), o charme do Momoa e do Jack Black me fizeram prestar atenção, mais do que eu gostaria de admitir.
A vilã-porca Malgosha, com voz de Rachel House, movimentação de criatura de Allan Henry e um trabalho de voz BR primoroso de Martha Cohen, também foi outro destaque positivo que me chamou a atenção. O restante do elenco também é legal.
A simplicidade do plot e o tom exagerado dos diálogos, devem-se a um público-alvo mais infantil, e só incomoda a quem não está no demográfico (lembre-se, millennial, nem tudo é feito pra você). Mas o filme é legal, a direção de Jared Hess entrega consistência ao longo da duração, entrega piadas visuais que quase ultrapassam o limiar para faixas etárias mais velhas, porém estacionando na hora certa, e entrega um mundo bem acabado, construído com sequências empolgantes na medida e com personagens que os fãs do jogo curtiram até demais, pelo que vi na época.
Sou fã da trilogia original de livros e das adaptações cinematográficas, mas esses livros novos, eu não tive contato, então entrei aqui tardiamente, e às cegas. A história de origem do presidente Snow não conseguiu me cativar... não curti esses jogos precários, essa arena rudimentar, esse elenco sem star quality, esses protagonistas insossos e sem química, não acreditei no romance deles nem senti qualquer intimidade entre eles; a cinematografia lavada, desbotada e igualmente insossa; a direção de arte até aparece em alguns momentos, mas os efeitos visuais daquela leva péssima pós-pandemia de profissionais com prazos apertados, engolem todo esse trabalho com texturas lisas, sem peso e sem continuidade de iluminação, sendo inferiores ao que foi feito em qualquer um dos filmes passados; esse roteiro sem ritmo nem progressão, quando a história parece que vai fechar, vem um terceiro ato que ninguém pediu (e que, ironicamente, é o terço mais interessante), uma duração esquizofrênica... Achei inacreditável que o mesmo Francis Lawrence dos ótimos filmes anteriores e de "Constantine", dirigiu esse engodo. Não há o mesmo cuidado na direção dos atores, suas ações e reações não emprestam nada às percepções dos personagens dos perigos, o mesmo vale para a forma que Lawrence apresenta as viradas, sem emoção... Deve ter dirigido remotamente, pegou o cheque e deixou o trabalho na mão do assistente de direção. Zero inspirado.
As coisas que se salvam no filme são os figurinos que sempre servem tudo; Viola Davis - não é minha atuação favorita dela, mas eu adoro vê-la atuando; a voz perfeita de Rachel Zeggler, que me faz entender o porquê de sua figura sem presença estar associada a projetos tão grandes; Jason Schwartzman que eu jurava de pés juntos que era o Stanley Tucci, tão boa ficou a sua caracterização; e certas escolhas de roteiro do quê adaptar do livro e de que forma isso é feito: o interesse que há nessa décima edição dos jogos que está enfrentando dificuldades com a opinião pública, queda de audiência e risco de não continuar, e como seus produtores precisam criar novos 'gags' para prender a atenção, a criação da figura do mentor, há esse entendimento do potencial de espetáculo midiático do jogo, e das próprias práticas que reconhecemos nos reality shows contemporâneos sendo implementadas, como gerar identificação do público com os tributos e a confecção de narrativas. O tema constante de pessoas roubando o crédito de ideias que outros tiveram, foi algo que foi trabalhado como uma rima que surgia aqui e ali, isso me agradou. Também a forma que os pássaros, as serpentes e as canções do título são bem integrados no roteiro e na figura dúbia de Lucy Gray Baird.
E claro que, como fã, curti descobrir a origem de detalhes como a tal 'hanging tree' com os 'jabberjays' ecoando os últimos gritos dos enforcados (assombroso), e que não havia me ocorrido até ver acontecer, que a própria Lucy Gray havia composto a canção que Katniss canta no terceiro livro/filme. As citações ao nome de Katniss eu já achei forçadas. Enfim, espero que o livro seja melhor. Na verdade, acho que vou é ouvir o audiobook. . #Stremio
A estrutura do roteiro é a mesma manjada de sempre e toda a construção das cenas macabras já é beeem telegrafada a esta altura; Os sustos, arrepios e a sensação de agonia raramente são eficazes, mas ainda há bons sustos aqui; O design dos fantasmas é bem genérico; a duração é longa demais; Há várias inconsistências e pontas soltas simplesmente abandonadas pelo roteiro (quem era o tal demônio por trás de tudo? O que havia de tão diferente desta vez? Que últimos rituais são esses? A família Warren botar a mão e gritar com o espelho?? Porque nem a Bíblia tankou...); Retratar os Warren e a igreja católica como os arautos do bem supremo e da caridade, me incomoda um pouco, mesmo sabendo que filme de exorcismo é isso e que este é o quarto filme, achei que, por ter esse aspecto da despedida dos personagens, aqui, pesaram mais a mão no maniqueísmo.
Por outro lado, este aqui retoma alguns acertos dos dois primeiros filmes, e que o terceiro - curiosamente do mesmo diretor, Michael Chaves - não entregou, como o bom casting e a direção de atores decente (apesar de ter um excesso de personagens, os atores que têm alguma relevância são bons, até me impressionei com os jovens Lorraine e Ed, muito bem caracterizados e parecidos); a direção de fotografia também melhorou, emulando os planos longos e travellings que James Wan costumava fazer, dando mais realismo e fluidez à ação; as pitadas de leveza nas cenas envolvendo o casal Warren, Judy e Tony são um respiro bem-vindo; a cena do casamento trazendo de volta personagens dos filmes anteriores junto ao criador James Wan, foi um easter egg inesperado, brega e fofo; e por mais que eu tenha minhas reservas com os Warren da vida real, Vera Farmiga e Patrick Wilson têm química e carisma de sobra, e criaram um laço real com a plateia.
Naturalmente que este capítulo foi uma passagem de bastão para a filha e o futuro marido, pois a New Line/Warner e o criador James Wan se despedem de Ed e Lorraine, mas dificilmente da franquia. . #HBOMax
"Presença" se vale de um elenco reduzido e uma única locação, para maximizar seu orçamento modesto, com uma premissa no mínimo instigante - não é novo, mas é uma maneira inteligente de fazer um longa com pouco recurso. Dito isso, boa parte do filme parece meio sem muito propósito (o que deve mudar em uma revisão) até o terceiro ato, onde ficou clara pra mim a missão da "presença" no primeiro suco de laranja que o loirinho serviu para Chloe.
O elenco funciona bem, Chris, o pai, foi o que mais me chamou atenção com sua ternura e empatia pela filha e sendo a cola emocional da família, Lucy Liu teve apenas uma boa cena, que foi a final, e Ryan, o crush de Chloe, achei bem canastrão.
O drama familiar e o suspense de sabermos algo que os personagens não sabem, são mais proeminente do que o terror propriamente dito, sendo este filme mais um drama sobrenatural.
O final ressignifica o todo e dá novas camadas que tornam a experiência mais interessante, trazendo reflexões naquele estilo quebra-cabeça, o que eu gosto bastante.
O ritmo lento é compensado por uma duração curta (1h24m), quase todas as cenas são planos-sequência, o que dá um ar teatral para a ação e a escolha da lente grande-angular causa um estranhamento que não permite ao espectador se acostumar com a perspectiva do fantasma ao mesmo tempo que imprime uma linguagem própria. A direção de Steven Soderbergh me causou sensação de desconforto e, no fim das contas, tristeza. . #PrimeVideo
Impressionante como a carreira dos ex-youtubers Michael e Danny Philippou em longas começou com o pé direito em "Fale comigo" (2022), e segue intacta neste segundo filme deles, que é ainda melhor. O tema da dificuldade de lidar com a perda de alguém muito amado como força-motriz da história é algo que estabelece várias interseções entre ambos os filmes; contudo, são bem diferentes também em muitos aspectos. Não passam ~exatamente~ a mesma vibe, mas a habilidade dos Philippou em nos fazer sentir penalizados pelos personagens ou causar saltos da poltrona e contorções de nervoso, tem sido a constante até aqui. Os elementos de tragédia e horror são perfeitamente mesclados neste filme que conta com excelentes performances de um elenco afinado, principalmente Sally Hawkins (eu queria voar no pescoço dela) e Jonah Wren Phillips, hipnótico. A maquiagem é outro departamento cujo trabalho merece prêmios - sensacional.
Os diretores têm estilo de sobra e boas histórias para contar, o que me deixa curioso com seus próximos projetos. . #HBOMax
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3.6 1,1K Assista AgoraUma história surreal que bate no liquidificador "Triângulo Da Tristeza", "Midsommar" com uma pitada de "Casamento Sangrento" e "Glass Onion: Um Mistério Knives Out" (Inclusive, saiu no mesmo ano de 'Triângulo', será espionagem industrial? Várias semelhanças). Aquele ar de que algo errado não está certo desde o início e a escalada de eventos cada vez mais estranhos, mas o mimetismo social impede os personagens de dizer ou fazer algo, já que todos em volta parecem estar ok com aquilo (algo que também me remeteu a "O Anjo Exterminador" de Buñuel)... Nada original, não é o melhor exemplo do gênero, mas tem seu charme, e eu gosto dele comédias dark assim.
Achei quase todas as atuações no modo 'camp', senti que ninguém estava levando aquilo ali a sério, meio que como ironia, e gostei da construção que o Nicholas Hoult fez do personagem dele sendo tão patético.
O mais divertido aqui é a sátira com o mundo da gastronomia, desde o entusiasta formado em 10 temporadas de "Masterchef" que acha que entende algo só porque decorou algumas palavras como 'mise en place', passando pelos críticos gastronômicos que se acham os poderosos que constroem ou destroem carreiras, até a figura endeusada do 'Chef', que ninguém ousa contestar e cuja devoção é quase como uma seita.
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#Watch
O Teste Decisivo
3.6 415Filme tem o mérito de ter praticamente inaugurado o subgênero 'torture porn', de ter um olhar niilista sobre as relações do final do milênio (a vida é uma merda, etc.), da violência extrema, da submissão da mulher na sociedade japonesa, de ter antecipado uma dinâmica similar à dos sites e apps de relacionamento quase 30 anos antes e pelo frescor que trouxe ao cinema em sua época.
Acho que o problema foi eu ter assistido muitas décadas e muitos filmes similares que beberam dele depois. Seu roteiro não teve o mesmo impacto e até meio que me decepcionou, pois criei expectativas ao longo dos anos.
O Animal Cordial
3.4 630 Assista AgoraA trilha sonora me lembrou John Carpenter
Murilo me lembrou a máscara de Michael Myers com sua expressão vazia e inquietante;
A captação de som direto deixou a desejar, boa parte das falas ficaram difíceis de entender e não tinha legenda no Globoplay.
Luciana Paes (Sara) é a grande revelação do filme, eu já amava ela dos seus projetos na comédia.
Produção do grande Rodrigo Teixeira, maior produtor BR em Hollywood atualmente, com quem já tive o prazer de trocar uma ideia.
A mise en scene remete ao teatro, não me surpreenderia se fosse uma adaptação de uma peça.
A diretora Gabriela Amaral faz uma seleção de planos feliz por revelar o que os diálogos nem sempre dizem.
A ousadia narrativa é de admirar, porém me deixou muito confuso com sua subjetividade, até eu conseguir concatenar qualquer lógica no que assisti.
Na minha interpretação, "O Animal Cordial" é sobre o animal que existe em todos nós enquanto sociedade, aquele nosso ID primitivo que nós não deixamos aparecer pelas regras sociais impostas e que nosso superego reprime. A situação-limite do assalto foi o estopim que entornou o caldo daqueles personagens e despiu o véu social, fazendo todos se mostrarem como são por baixo, principalmente o dono do restaurante e a Sara, cujas atitudes não seguiam uma ordem, nem uma lógica, erráticos em um caos social, como animais.
Além de Luciana, todo o elenco está muito bem, Murilo Benicio, Camila Morgado, Ernani Moraes, Humberto Carrão, Irandhir Santos e Jiddu Pinheiro (que eu era apaixonado como Beto na primeira versão de "Chiquititas").
O Perigo Bate à Porta
2.3 83 Assista AgoraUma reencenação sem criatividade dos eventos que levaram ao assassinato de Sharon Tate e seus amigos no final da década de 60, feita em um estilo de jogo de gato e rato irritante, com uma barriga falsa de almofada e uma total falta de capacidade para fazer cenas tensas ou impactantes.
Há algumas poucas escolhas de fotografia interessantes, o elenco até tenta, mas os personagens são péssimos e o roteiro, ignóbil.
A curta duração quase não faz diferença, pois além de tudo é chato que dói.
.
#HBOMax
101 Dálmatas: A Guerra dos Dálmatas
3.6 399 Assista AgoraTraço lindo, animação clássica. Os cães chamando seus humanos de "pets", me pegou demais. A rede social dos animais também é um conceito bem legal. Cruella é uma personagem super expressiva e, francamente, assustadora. Charmoso do início ao fim.
.
#Stremio
Cruella
4.0 1,4K Assista AgoraQue filme bem feito e divertido, né? Emma Stone fez um ótimo trabalho trazendo dualidade pra personagem que parecia impossível de amar. Emma Thompson é um ótimo contraponto como a Condessa, gosto especialmente de como ela traz presença para a cena e de como ela evita cair no mesmo lugar da Miranda Pressly de Meryl Streep, o que teria sido um deslize fácil aqui.
Os figurinos vencedores do Oscar, bem como cabelos e maquiagem, realmente merecem todos os elogios, pois são incríveis. A trilha sonora e a edição/montagem também me chamaram atenção, pois também enchem a tela e constroem a identidade do filme com um capricho diferenciado para live actions da Disney. O elenco de apoio é adorável, amei os doguinhos. O diretor Craig Gillespie faz uma ótima coordenação de todos os elementos técnicos e artísticos, como um bom maestro. Gostosura de filme.
Undertone
3.0 230 Assista AgoraO que esse filme faz, e faz muito bem, em matéria de ambientação, storytelling, distribuição das batidas de roteiro, crescendo... é algo que poucos conseguiram, e de fácil não tem nada. Temos aqui um sucessor espiritual de "Atividade Paranormal" (2009) e "A Bruxa de Blair" (1999) – para quem viveu em suas respectivas épocas, porque se você não viu no cinema ou ao menos em VHS pré-redes sociais, respectivamente, não funciona do mesmo jeito, não adianta, quem viu, viu).
O uso que ele faz do som é nada menos que brilhante; e se você assistir com fone de ouvido, eu acho que ele fica ainda mais envolvente. A mistura de sons diegéticos e trilha incidental cria um senso de paranoia muito eficaz. Fora que dentro desses sons que estão contidos na cena (diegéticos), temos: os sons e músicas macabras que Evy e Justin estão ouvindo juntos, os sons que Justin está produzindo, os sons da casa da Evy e os sons que nós, os espectadores, achamos que estão ao nosso redor! É arrepiante.
O trabalho de câmera é muito bom, explorando os ambientes, os cantos escuros e os espaços vazios enquanto Evy grava seu podcast, adicionando mais camadas de antecipação e mantendo os nervos de quem assiste à flor da pele.
A dinâmica dos apresentadores; um crente e uma cética, apela para todos os públicos e, mais uma vez, faz o espectador ir gradualmente se vendo na posição de Evy, cujo ceticismo é desafiado várias vezes, afinal nós também só estamos vendo um filme certo? Ou será que não?? 👀
No geral, ótimo roteiro e direção de Ian Tuason, cuja história ainda conecta os acontecimentos da vida da protagonista com o que eles estão ouvindo, de forma rimada; faz um excelente uso de locação única, de um elenco reduzido (só vemos duas atrizes em cena, e Nina Kiri é a combinação do carisma e da presença de Jenna Ortega e Neve Campbell), com trabalho de voz fenomenal e uma atmosfera de causar calafrios.
Eu desafio qualquer um que diz não ter se impressionado com o filme, fazer como eu: assistir no fone de ouvido, de madrugada e SOZINHO. Vai lá, bichão. A sensação incômoda de que nós também não queremos continuar a ouvir aqueles áudios e liberar o que quer que seja que o ritual está liberando na nossa vida, é real. Eu tive que assistir em duas sentadas porque bateu cagaço, tá. Máxima eficácia.
.
#HBOMax
Mestres do Universo
3.2 462 Assista AgoraConsiderando que é uma adaptação de um desenho dos anos 80 baseado em brinquedos da Mattel... Até que foi bem legal. Boa escalação de elenco, figurinos fiéis, o tom 'camp' certeiro, boas piadas referentes aos nomes dos personagens e à "identidade secreta" do Adam; e a passada de bastão do Dolph Lundgren (que fez o He-Man nos anos 80) foi um fan service maneiro. Senti demais a morte da robô, a duração poderia ser mais curta e a cena pós-créditos serviu tudo.
É clichezao mas é uma boa sessão da tarde.
.
#Prime
A Médium
3.4 395 Assista AgoraEntrega muito na área dos sustos, do gore e dos calafrios. Produção sólida, mesmo com recursos limitados. Atuações convincentes e assustadoras, principalmente de Narilya Gulmongkolpech como Mink. Faltou só uma história mais embasada para sustentar tudo melhor. A direção de Banjong Pisanthanakun, que tem "Espíritos: A Morte Está ao Seu Lado" e sua continuação no currículo, mesmo sendo no estilo "mockumentary", consegue evitar alguns clichês do found footage.
Corrente do Mal
3.2 1,8K Assista AgoraDireção, trilha sonora, argumento, atuações, atmosfera... Tudo nesse filme é FODA. Simplesmente icônico.
Águas Rasas
3.4 1,3KBoa dose de tensão com a direção competente de Jaume Collet-Serra pelos diferentes estágios da luta pela sobrevivência da Nancy (Blake Lively, carismática). O roteiro trabalha bem as situações para manter o interesse, uma vez que o cenário não muda. Eu só não lido bem com personagens que se colocam voluntariamente em situações de perigo de morte como Nancy faz aqui. Foram tantas 'red flags' antes de acontecer o ataque do tubarão (a amiga que não foi, o motorista perguntando como ela sairia dali, ela não saber nem o nome da praia em que estava, o quão deserta era, não ter ido embora com os surfistas...), que em certo momento eu, sinceramente, não conseguia torcer pra ela. Só para Steven Seagull. Melhor personagem, e que nome genial.
Contudo, como eu disse, o diretor faz um bom trabalho, não só em nos agoniar, como em captar imagens belíssimas da natureza e do surf.
Fora que eu tenho dificuldade de comprar a premissa de um animal que faz as coisas por "ruindade", e não por simples instinto, pra se alimentar. Talvez em contexto mais 'trash', como em um "Anaconda" funcione mais para mim, aqui não rolou. Se o tubarão estivesse com fome, comeria sua baleia, e os ataques sequenciais aos surfistas não fariam sentido. E o que foi aquele fim que ela pensou ali no laço para o peixão? Tão cinematograficamente caricato que destoou.
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#HBOMax
Mortal Kombat 2
3.2 345 Assista AgoraO filme acertou no casting, na caracterização e nos golpes dos personagens, nas ambientações dos cenários clássicos,
em dar cabo do Cole (que foi um erro em primeiro lugar)
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#HBOMax
O Grande Truque
4.2 2,0K15 anos atrás, quando assisti a "O Grande Truque" pela primeira vez, eu era um fã do frescor que Christopher Nolan trouxe para o cinema, e este filme ficou na minha cabeça por dias; o elenco estelar atuando pra valer, toda a estrutura do seu roteiro, a forma como as reviravoltas vão se desenrolando e aquele desfecho, que foi um dos maiores 'mindfucks' que eu já tive vendo um filme... Chris Nolan era O cara pra mim. Algo que o tempo e suas atitudes, principalmente durante a pandemia, me fizeram repensar se eu gostava tanto assim do diretor e de seus filmes.
Mas reassisti há alguns anos e esse aqui permanece excelente.
O Plano Perfeito
3.8 670 Assista AgoraEu passei 20 anos sentindo que eu devia uma revisão a este filme, afinal eu era muito jovem quando assisti e apesar de toda a minha turma de cinema (e professores) hyparem ele, eu não senti toda aquela euforia, e sempre achei que eu tinha visto ele errado.
Bom, desta vez, eu percebi alguns dos subtons raciais e de xenofobia que Spike Lee trabalha nele de forma suave e esparsa; a corrupção da polícia, e entendi melhor o choque de interesses entre Clive Owen, Jodie Foster e Denzel Washington. Fora isso, minha experiência foi parecida com a de 2006. É um bom plano de roubo, é bem executado, os atores fazem o que é pedido deles e... é isso. Owen é uma das presenças mais agradáveis em tela nos anos 2000, Foster serve c*nt (farma aura, para os héteros) na pele da personagem mais interessante do longa, e Washington faz o que ele sabe fazer quase no automático. Não há nenhuma grande atuação, roteiro e direção não oferecem um grande momento espetacular, nenhuma grande reviravolta acontece. É um filme que passa de ano com um sólido 7,0.
Talvez a principal diferença seja que o mundo era muito diferente em 2006. No filme, um homem que enriqueceu fazendo negócios com nazistas era o grande bad guy, e ele mesmo sentia tanta vergonha disso que todo o plot orbita em torno do não-vazamento dessa informação. Ele mesmo diz que se arrepende tanto disso, que passou o resto da vida tentando se redimir com a humanidade, fazendo toda sorte de caridade. Hoje, é de conhecimento geral que inúmeras empresas das mais tradicionais do mundo foram fundadas sobre o sangue de pretos escravizados, por exemplo. Hoje, o presidente do país mais poderoso do planeta (o mesmo do filme) é um tirano imperialista pedófilo e estuprador. Hoje, o primeiro trilionário da História é um nazista declarado. Isso pra não dizer que chegamos em um ponto da História em que os principais vitimizados pelo nazismo, hoje, são eles os genocidas. E ninguém é punido, nenhum deles demonstra a menor vergonha ou arrependimento... E nada acontece feijoada. O vilão do filme de 2006, personagem de Christopher Plummer, seria visto como um dos 'mocinhos' pelos vilões do mundo de 2026.
Se algo mudou na minha percepção sobre o filme, foi perceber como o mundo é outro, como sua problemática parece inofensiva aos olhos atuais e como eu queria que, em um futuro próximo, o mundo voltasse a ser como era, onde ser visto como alguém associado ao nazismo fosse tão indesejável e ultrajante, que até um bilionário tremeria teria medo da repercussão.
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#HBOMax
Pokémon, O Filme 13: Zoroark, Mestre das Ilusões
3.6 12 Assista AgoraZoroark e Zorua são pokémon muito legais, no mesmo nível dos lendários de Johto. Mereciam um filme à altura. Mas os produtores dessa franquia de filmes são extremamente preguiçosos e fazem o mesmo filme todo ano, só mudando os bichos. Nem tenho esperança de me surpreender, só vejo para dar check na franquia.
Para Sempre Medo
2.4 94 Assista AgoraO conto de Nick Lepard ("Backrooms") sobre misoginia secular e masculinidade tóxica tem muito mais a se gostar do que criticar. Temos dois leads magnéticos com a fenomenal Tatiana Maslany e o irresistível Rossif Sutherland; uma cinematografia contrastada, limpa e deslumbrante; uma trilha sonora não só cheia de acertos, como irônica e complementar à diegese do filme; uma edição que abusa de fusões e outros efeitos ópticos para traduzir o estado mental da protagonista, dar migalhas de pão que levam à resolução do mistério e tornar o filme ainda mais bonito...
E tudo isso envelopado na atmosfera incômoda, inquieta, enigmática e sobrenatural criada pelo ótimo diretor que é Osgood Perkins. A forma que ele usa signos como o bolo e o mel, e os subverte, me enfeitiçou. O ritmo, tido como lento pelo meu amigo, apenas me deu mais oportunidades de apreciar os outros elementos dramáticos e técnicos da linguagem cinematográfica que não necessariamente "fazem a história andar", mas que também ajudam a construir a narrativa e os personagens, como a direção de arte, a beleza dos cenários, os objetos de cena, a atuação ora econômica, ora vibrante de Maslany, a edição, a trilha sonora, etc, etc; então eu nem senti essa queda no ritmo.
E mesmo que
os visuais de suas criaturas sejam algo bizarro,
e o filme abraça esse ridículo na figura de Liz, que gargalha enquanto é engolfada pelos "filhos",
nunca desrespeitam suas criaturas, tratando-as mais com curiosidade do que escárnio.
O final
de Liz contraria o pessimismo sugerido inicialmente, tornando-se maliciosamemte satisfatório, graças à natureza misteriosa e imprevisível daqueles seres (extraterrestres?), nos brindando com um desfecho onde o "Para Sempre Medo" do ótimo título BR é atribuído a quem, afinal, pertence: ao homem.
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#PrimeVideo
Agente 86
3.1 599 Assista AgoraO charme do elenco é mais eficaz do que as piadas, Steve Carrell está um sabor aqui, tem momentos de brilhantismo na estupidez. Para quem curtiu a série clássica, é um bom reboot com produção caprichada, na mesma pegada de "Mr. Bean" e das comédias do Leslie Nielsen. Dwayne Johnson antes de desistir do cabelo e virar um viciado total em academia, tinha um apelo mais acessível. Anne Hathaway nessa década foi um deleite.
Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
3.4 566 Assista AgoraPercebi neste filme que Pedro Pascal é o cara do cinema atual que quando ele chora, eu choro junto.
O que esse filme tem de mais legal é o design de produção retro-futurista e a música de Michael Giacchino. E a Surfista Prateada que finalmente é mostrada "surfando" em coisas, rs.
Drácula: A Última Viagem do Deméter
2.9 277O filme tem profissionais bem capacitados envolvidos, os departamentos de set e art design, VFX e maquiagem construíram um navio bastante crível, além do visual do Drácula e dos diferentes ferimentos, tudo feito com muita técnica e esmero. O elenco se esforça, entrega o que é esperado deles, tem dois nomes conhecidos do grande público em Liam Cunningham (o sor Davos Seaworth de GOT) e David Dastmalchian ("O Esquadrão Suicida", 2021) e um destaque legal para o bom Corey Hawkins. O diretor André Øvredal tem experiência no gênero e serve um arroz com feijão temperado. O problema de tudo para mim, é a história manjada, previsível e desinteressante, por mais que haja algumas tentativas de renová-la.
Um Filme Minecraft
2.6 209 Assista AgoraBotei pra passar enquanto fazia outra coisa no celular pra ficar de white noise, mas o fator camp (ninguém está se levando a sério), o charme do Momoa e do Jack Black me fizeram prestar atenção, mais do que eu gostaria de admitir.
A vilã-porca Malgosha, com voz de Rachel House, movimentação de criatura de Allan Henry e um trabalho de voz BR primoroso de Martha Cohen, também foi outro destaque positivo que me chamou a atenção. O restante do elenco também é legal.
A simplicidade do plot e o tom exagerado dos diálogos, devem-se a um público-alvo mais infantil, e só incomoda a quem não está no demográfico (lembre-se, millennial, nem tudo é feito pra você). Mas o filme é legal, a direção de Jared Hess entrega consistência ao longo da duração, entrega piadas visuais que quase ultrapassam o limiar para faixas etárias mais velhas, porém estacionando na hora certa, e entrega um mundo bem acabado, construído com sequências empolgantes na medida e com personagens que os fãs do jogo curtiram até demais, pelo que vi na época.
Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes
3.6 443 Assista AgoraSou fã da trilogia original de livros e das adaptações cinematográficas, mas esses livros novos, eu não tive contato, então entrei aqui tardiamente, e às cegas. A história de origem do presidente Snow não conseguiu me cativar... não curti esses jogos precários, essa arena rudimentar, esse elenco sem star quality, esses protagonistas insossos e sem química, não acreditei no romance deles nem senti qualquer intimidade entre eles; a cinematografia lavada, desbotada e igualmente insossa; a direção de arte até aparece em alguns momentos, mas os efeitos visuais daquela leva péssima pós-pandemia de profissionais com prazos apertados, engolem todo esse trabalho com texturas lisas, sem peso e sem continuidade de iluminação, sendo inferiores ao que foi feito em qualquer um dos filmes passados; esse roteiro sem ritmo nem progressão, quando a história parece que vai fechar, vem um terceiro ato que ninguém pediu (e que, ironicamente, é o terço mais interessante), uma duração esquizofrênica... Achei inacreditável que o mesmo Francis Lawrence dos ótimos filmes anteriores e de "Constantine", dirigiu esse engodo. Não há o mesmo cuidado na direção dos atores, suas ações e reações não emprestam nada às percepções dos personagens dos perigos, o mesmo vale para a forma que Lawrence apresenta as viradas, sem emoção... Deve ter dirigido remotamente, pegou o cheque e deixou o trabalho na mão do assistente de direção. Zero inspirado.
As coisas que se salvam no filme são os figurinos que sempre servem tudo; Viola Davis - não é minha atuação favorita dela, mas eu adoro vê-la atuando; a voz perfeita de Rachel Zeggler, que me faz entender o porquê de sua figura sem presença estar associada a projetos tão grandes; Jason Schwartzman que eu jurava de pés juntos que era o Stanley Tucci, tão boa ficou a sua caracterização; e certas escolhas de roteiro do quê adaptar do livro e de que forma isso é feito: o interesse que há nessa décima edição dos jogos que está enfrentando dificuldades com a opinião pública, queda de audiência e risco de não continuar, e como seus produtores precisam criar novos 'gags' para prender a atenção, a criação da figura do mentor, há esse entendimento do potencial de espetáculo midiático do jogo, e das próprias práticas que reconhecemos nos reality shows contemporâneos sendo implementadas, como gerar identificação do público com os tributos e a confecção de narrativas. O tema constante de pessoas roubando o crédito de ideias que outros tiveram, foi algo que foi trabalhado como uma rima que surgia aqui e ali, isso me agradou. Também a forma que os pássaros, as serpentes e as canções do título são bem integrados no roteiro e na figura dúbia de Lucy Gray Baird.
E claro que, como fã, curti descobrir a origem de detalhes como a tal 'hanging tree' com os 'jabberjays' ecoando os últimos gritos dos enforcados (assombroso), e que não havia me ocorrido até ver acontecer, que a própria Lucy Gray havia composto a canção que Katniss canta no terceiro livro/filme. As citações ao nome de Katniss eu já achei forçadas. Enfim, espero que o livro seja melhor. Na verdade, acho que vou é ouvir o audiobook.
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#Stremio
Invocação do Mal 4: O Último Ritual
2.9 480 Assista AgoraA estrutura do roteiro é a mesma manjada de sempre e toda a construção das cenas macabras já é beeem telegrafada a esta altura; Os sustos, arrepios e a sensação de agonia raramente são eficazes, mas ainda há bons sustos aqui; O design dos fantasmas é bem genérico; a duração é longa demais; Há várias inconsistências e pontas soltas simplesmente abandonadas pelo roteiro (quem era o tal demônio por trás de tudo? O que havia de tão diferente desta vez? Que últimos rituais são esses? A família Warren botar a mão e gritar com o espelho?? Porque nem a Bíblia tankou...); Retratar os Warren e a igreja católica como os arautos do bem supremo e da caridade, me incomoda um pouco, mesmo sabendo que filme de exorcismo é isso e que este é o quarto filme, achei que, por ter esse aspecto da despedida dos personagens, aqui, pesaram mais a mão no maniqueísmo.
Por outro lado, este aqui retoma alguns acertos dos dois primeiros filmes, e que o terceiro - curiosamente do mesmo diretor, Michael Chaves - não entregou, como o bom casting e a direção de atores decente (apesar de ter um excesso de personagens, os atores que têm alguma relevância são bons, até me impressionei com os jovens Lorraine e Ed, muito bem caracterizados e parecidos); a direção de fotografia também melhorou, emulando os planos longos e travellings que James Wan costumava fazer, dando mais realismo e fluidez à ação; as pitadas de leveza nas cenas envolvendo o casal Warren, Judy e Tony são um respiro bem-vindo; a cena do casamento trazendo de volta personagens dos filmes anteriores junto ao criador James Wan, foi um easter egg inesperado, brega e fofo; e por mais que eu tenha minhas reservas com os Warren da vida real, Vera Farmiga e Patrick Wilson têm química e carisma de sobra, e criaram um laço real com a plateia.
Naturalmente que este capítulo foi uma passagem de bastão para a filha e o futuro marido, pois a New Line/Warner e o criador James Wan se despedem de Ed e Lorraine, mas dificilmente da franquia.
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#HBOMax
Presença
2.8 270 Assista Agora"Presença" se vale de um elenco reduzido e uma única locação, para maximizar seu orçamento modesto, com uma premissa no mínimo instigante - não é novo, mas é uma maneira inteligente de fazer um longa com pouco recurso. Dito isso, boa parte do filme parece meio sem muito propósito (o que deve mudar em uma revisão) até o terceiro ato, onde ficou clara pra mim a missão da "presença" no primeiro suco de laranja que o loirinho serviu para Chloe.
O elenco funciona bem, Chris, o pai, foi o que mais me chamou atenção com sua ternura e empatia pela filha e sendo a cola emocional da família, Lucy Liu teve apenas uma boa cena, que foi a final, e Ryan, o crush de Chloe, achei bem canastrão.
O drama familiar e o suspense de sabermos algo que os personagens não sabem, são mais proeminente do que o terror propriamente dito, sendo este filme mais um drama sobrenatural.
O final ressignifica o todo e dá novas camadas que tornam a experiência mais interessante, trazendo reflexões naquele estilo quebra-cabeça, o que eu gosto bastante.
O ritmo lento é compensado por uma duração curta (1h24m), quase todas as cenas são planos-sequência, o que dá um ar teatral para a ação e a escolha da lente grande-angular causa um estranhamento que não permite ao espectador se acostumar com a perspectiva do fantasma ao mesmo tempo que imprime uma linguagem própria. A direção de Steven Soderbergh me causou sensação de desconforto e, no fim das contas, tristeza.
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#PrimeVideo
Faça Ela Voltar
3.8 792 Assista AgoraImpressionante como a carreira dos ex-youtubers Michael e Danny Philippou em longas começou com o pé direito em "Fale comigo" (2022), e segue intacta neste segundo filme deles, que é ainda melhor. O tema da dificuldade de lidar com a perda de alguém muito amado como força-motriz da história é algo que estabelece várias interseções entre ambos os filmes; contudo, são bem diferentes também em muitos aspectos. Não passam ~exatamente~ a mesma vibe, mas a habilidade dos Philippou em nos fazer sentir penalizados pelos personagens ou causar saltos da poltrona e contorções de nervoso, tem sido a constante até aqui. Os elementos de tragédia e horror são perfeitamente mesclados neste filme que conta com excelentes performances de um elenco afinado, principalmente Sally Hawkins (eu queria voar no pescoço dela) e Jonah Wren Phillips, hipnótico. A maquiagem é outro departamento cujo trabalho merece prêmios - sensacional.
Os diretores têm estilo de sobra e boas histórias para contar, o que me deixa curioso com seus próximos projetos.
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#HBOMax