Últimas opiniões enviadas
Gosto da estética do absurdo e do humor negro nesse filme tão bizarro. Além de nos convidar a pensar, é muito divertido. Pelo menos pra quem tem um senso de humor estranho como o meu (as pessoas que assistiram comigo não viram tanta graça).
"- Joãozinho? Tenho um soneto que 'és muy simpatico'. Porque pertenço a um grupo de seres malditos...
- Não, isso não precisa."
É doloroso testemunhar um diálogo assim. Por isso muitos se indignam frente ao mau tratamento do diretor em relação à pessoa do mordomo. Mas João Moreira Salles não tem ao menos o mérito de humildemente se expor a esses julgamentos? Ele podia ter ocultado essas atitudes suas e ter se passado por um sujeito mais benevolente. Mas ele conscientemente escolhe não fazer isso, o que revela honestidade.
Acusam o diretor de ser "pretensioso", mas ele reconhece, já numa fase mais madura da sua carreira, o certo esnobismo que ele tinha (como pesssoa e como artista) e trata dessa faceta sua com distância irônica e auto-consciência (o que não deve ser confundido com auto-complacência).
Eu vejo o filme, na verdade, como um belo (ainda que tardio) pedido de desculpas. Uma busca genuína com e pela empatia, por parte de um ser humano que, como todo ser humano, erra e pode mudar, Olhando por esse lado, será que nossos juízos moralistas cabem aqui?
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Apesar de ser um desfaçatoso instrumento de propaganda político-ideológica, cheio de estereótipos e caricaturas do que seria o comunismo (até a famosa "esquerda-caviar" entra em cena para reforçar o argumento), Ninotchka merece aplausos pela obra de arte que é: uma comédia elegante e espirituosa.