Isabela

Usuária desde Setembro de 2017


Últimas opiniões enviadas

Isabela
3 horas atrás

“Não, ele não foi o que eu imaginava.”

Foi a primeira coisa que disse quando Chungking Express terminou. E talvez ainda esteja tentando compreender o que, exatamente, esperava encontrar.

Há algo de profundamente perturbador nessa estética tão cativante quanto inebriante. As cores sangram, os corpos se esbarram, a cidade pulsa numa velocidade quase obscena, enquanto alguma coisa dentro de cada personagem permanece imóvel. Como se Hong Kong inteira estivesse correndo para não precisar encarar a própria solidão.

E eu fiquei com uma saudade esquisita. Não de alguém, nem de algum lugar identificável. Uma saudade sem certidão de nascimento. Daquilo que talvez nunca tenha vivido, de uma intimidade que não chegou a acontecer, ou de alguma coisa que um dia foi encapsulada, enfiada numa garrafa de vidro e atirada ao mar sem destinatário. O mais cruel é não saber se espero que alguém a encontre ou se tenho medo de reconhecer a minha própria letra dentro dela.

Wong Kar-wai parece filmar justamente essa região indizível da experiência humana: o intervalo entre desejar ser encontrado e tornar-se incapaz de permanecer quando alguém chega. Há uma ternura quase patológica na maneira como seus personagens se agarram a objetos, hábitos, alimentos, músicas, datas. Pequenos relicários de um afeto que já não sabe onde morar. Como se a matéria pudesse guardar aquilo que as pessoas não conseguiram sustentar.

O tempo, ali, não passa. Ele fermenta. Azeda dentro das latas, impregna os corredores, repete-se nas canções até que a melodia deixe de ser música e se transforme numa espécie de memória implantada. E o que deveria ser banal adquire a violência silenciosa das coisas que sobrevivem aos seus significados.

Talvez seja isso que tenha me incomodado: a suspeita de que passamos a vida atribuindo eternidade a experiências que mal chegaram a existir. Que às vezes sentimos mais falta da possibilidade de alguém do que da pessoa propriamente dita. Que a nostalgia também pode ser uma forma de luto pelo que nunca aconteceu.

Saí do filme como quem abre, por acidente, uma página do Dicionário das Tristezas Obscuras e encontra uma palavra que ainda não foi inventada para uma sensação que conhece intimamente.

E continuo ouvindo aquela pergunta, agora com um gosto metálico na boca:

“Há alguma coisa nesse mundo que não expire?”

Isabela
6 meses atrás

Eu teria gostado mais se não tivesse estipulado o gênero como terror.

A visceralidade do cotidiano e o incômodo dos escombros e toda sujeira acerca de várias formas, me trouxe um incômodo que era esperado, em contraponto, acredito que o filme se perdeu com elementos sobrenaturais, poderia ter explorado mais dentro do próprio drama a perturbação sem a apelação do sobrenatural entre simbologias, arquétipos e um esforço que parece que morreu na praia, deixou a desejar.

Isabela
6 meses atrás

[spoiler][/spoiler] Só eu fiquei tensa na cena do mel esperando um canibalismo?

  • Filmow 1 mês atrás

    O novo app do Filmow é oficial!

    Olá, cinéfilo!

    Depois de 2 meses em beta, o novo app do Filmow agora é oficial e 100% funcional.

    Baixe aqui:
    Android: https://filmow.s.gy/vIEnVo
    iPhone: https://filmow.s.gy/esyxMU

    Queremos ouvir você: gostou? O que falta? Como melhoramos?

    Chama no WhatsApp +55 11 97103-8686 ou avalia direto na loja.

    Bons filmes!
    Equipe Filmow

  • Apesar de ter perdido já um canal no youtube por falta de um descuido meu***
    https://www.youtube.com/results?search_query=tikoo+2021
    Se interessar tem alguns filmes Raros neste canal antigo

    realmente pensei em voltar com as postagens e dar continuidade com os conteúdos em este meu novo Canal ,...
    seja bem vinda novamente...A .....👉 🔞{Extreme gore}🔞

    Novo canal - https://www.youtube.com/watchv=SwdiupkBCqM&t=138s&ab_channel=eniodias