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Ótimo filme. Nota: 8,0/10.
É curioso que todos trabalham com profissões que lidam com superfícies (e isto não quer dizer que são profissões superficiais, obviamente): um escreve, para jornal, notas genéricas sobre recém falecidos, sem conhecê-los; outra, é stripper, a que mostra somente o corpo, nunca a alma — e é proibido tocá-la; há também uma fotógrafa, que registra apenas rostos desconhecidos; e, por fim, um médico dermatologista, ou seja, que cuida da camada mais superficial do corpo. Por alguns acasos, todos se conhecem e acabam por ser desafiados por suas próprias essências, por suas profundidades.
Quando as qualidades são tão bem realizadas que eventuais defeitos viram um charme, como um molho de feno cortando o cenário desértico de um duelo de faroeste clichê. Que filme! A excelência das atuações é capaz de te deixar concentrado num zoom do rosto do Charles Bronson por não sei quanto tempo. A história, envolta por uma aura de complexidade, é simples, mas a narrativa a descama com certa paciência, explorando, quase ao exagero, suas melhores virtudes. Não chega a ser um problema, aqui, quando as intenções do diretor se sobressaem, porque tudo é contado numa boa história, com ótimos personagens — a exemplo da ex-prostituta, que é o elo de tudo, como uma ferrovia sobre a qual vão passando por cima, e leva cada um a seu fim. Nota: 9/10.