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Maratonei em duas noites. E olha que isso raramente acontece. A 2ª temporada de "The Chestnut Man" mantém aquele clima nórdico que parece nascer do frio, da neblina e da incapacidade coletiva de sorrir por mais de três segundos. A sisudez quase institucional do povo da Dinamarca dá à série uma identidade muito própria: tudo parece contido, silencioso, desconfortável… e justamente por isso tão envolvente.
Entre os pontos altos, está a tensão constante, sem precisar apelar para exageros ou reviravoltas absurdas. Nem fiquei cogitando quem era o assassino (apesar de desconfiar). A investigação prende, os personagens continuam carregando seus fantasmas sem transformar trauma em novela, e a fotografia cinzenta ajuda a construir um suspense elegante, daqueles que inquietam mais pela atmosfera do que pelo choque. Série fria, pesada, inteligente.
Agora, preciso reclamar de uma coisa: achei irritante (e francamente burra) a atitude do policial Mike Hess.
O sujeito SABE que está lidando com uma mulher calculista, fria e violenta, vai até a casa dela desarmado (já que sua arma havia sido retida) e ainda entra pedindo documentos como se estivesse numa visita burocrática. Em nenhum momento cogita que poderia levar um golpe? Pois levou.
Belíssimo. Até agora, um dos melhores do ano.
François Ozon constrói, em "O Estrangeiro" uma adaptação fidelíssima do romance de Albert Camus, preservando a espinha dorsal da obra e mantendo a história intacta, enquanto descarta com precisão as divagações mais difíceis de traduzir para o cinema.
A opção pela fotografia em preto e branco é particularmente feliz: elegante e rigorosa, ela reforça a aridez emocional e o distanciamento do protagonista, sem recorrer a excessos estilísticos. Nota-se, ao longo de todo o filme, que Ozon ama o seu protagonista. Há um olhar atento, quase compassivo, que busca compreendê-lo sem jamais absolvê-lo.
Benjamin Voisin está magnífico no papel. E lindo, também.
Camus afirmou que sua obra tratava de um homem que não “joga o jogo”, alguém que acaba condenado não apenas por seu crime, mas por não ter chorado no funeral da mãe. O filme incorpora essa ideia com notável clareza, evidenciando a lógica absurda de uma sociedade que exige performances emocionais como prova de humanidade.
O resultado é um filme austero, coerente e profundamente inquietante, que honra a essência do texto original ao mesmo tempo em que encontra sua própria força no silêncio e na imagem.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Eu entro no grupo de filmes e cá está esse robô mais gato do universo. Esse I.A. politicamente incorreto que nem eu... rsrs... É a Dri Mucharra, carioca lá dos grupos de adivinhar fimes lá do FB.
Agradecido Jair. Que bom que gostou.
Que horror! Um desses caras que cria vídeos no Facebook indicando filmes (alguns deles são simplesmente insuportáveis) fez uma lista com filmes com finais surpreendentes e colocou este. Eu não conhecia. Pensei "porque não arriscar?". Bastaram 10 minutos de filme para ver onde fui me meter. Atuações ridículas, parecia um vídeo amador, fotografia de filme pra TV, mas fui até o final. Vai que surpreendesse, né? Mas, não. Só ridículo mesmo. Assim como o cara que indicou.