faz mais de década que não assisto a um filme do jacques audiard, mas aqui ele parece um mau contador de histórias com ideias muito simplistas - ou idiotas mesmo - sobre transexualidade, méxico e tudo mais. mas acho que esses defeitos do autor são um pouco encobertos pelo fato de ele ter feito um musical. as duas atrizes no centro são muito boas e produzem coisas com olhar, música e corpo que ultrapassam o próprio roteiro do filme. os sentimentos são gritados e cantados e algo de puro e honesto se produz ali, mesmo que as grandes questões e os personagens sejam tão mal desenvolvidos pelo texto. é uma pena que o filme não invista mais no patético, ou no vigor e na falta de vergonha do elenco. ele insiste em se levar muito a sério a partir de certo ponto, com sequestros e explosões e denúncia social. fora que a trama depois da transição é tão desinteressante e não tem muito pra onde ir. eu saí com uma pessoa ontem que, como boa brasileira, me falou que tudo que sabia sobre emilia pérez era contra a própria vontade. eu pensei que acho que vale a pena ver uma mulher trans articulando sua transição abertamente assim por meio de corpo e voz, mesmo que numa história totalmente equivocada. senti que isso transforma algo na gente, no nosso olhar e no mundo também. tem uma música no filme que fala algo do tipo. na hora achei bobo e cafona, mas talvez tenha algo nessa cafonice aí.
o conceito todo parece um pouco um pretexto pra criar cenas lindas né? o foco mesmo é na independência e golpe no congo, enquanto a visita do louis armstrong e cia, apesar de interessante, é algo meio periférico. mas que cenas lindas. absolutamente tudo é justificado pela sequência que sincroniza o discurso do lumumba com o art blakey batendo pra caralho, momento de tirar o planeta de órbita.
fico fascinado por essas imagens da dissolução do mundo em pixels. lembrei da segunda parte d'a besta do bertrand bonello, e a porosidade da fronteira que separa as ameaças da vida real das da vida virtual. lembrei do trabalho da jane schoenbrun, se apropriando de todo tipo de mídia pra produzir um cinema que confronta a nossa obsessão por telas. lembrei de demonlover, de kimi, de no home movie. é uma história sobre tecnologia falando de coisas que eu não conheço muito (as pessoas são tão jovens), então nem sei avaliar se isso é autêntico ou cringe. mas é eletrizante o leilão de bitcoin. o final é meio explicadinho demais, mas seria mentira se eu dissesse que não estava desesperado por umas respostas.
surpreendentemente se sustenta quase sempre engraçado e inventivo, mesmo sendo assim tão longuíssimo. a comédia física aqui é um negócio absurdo, mágico - principalmente quando envolve pessoas de verdade vestindo aquela roupinha de furry da parmalat. pensei em tanta coisa boa - guy maddin, jackass, buster keaton, tom & jerry. torci pelos castores.
adoro tanto o sean baker orquestrando o caos com esse olhar muito atento pra todos os detalhes mais ridículos que vão surgindo de todos os cantos. e que coisa linda é a mikey madison, parceira de crime ideal bem no meio da bagunça, construindo uma personagem na força bruta, em risadinhas no meio das cenas de sexo.
envelheci um pouco pra passar a amar uma conciliação muito coerente com o olhar empático que o howard hawks dirige a esses homens e a esse coletivo - mas a revolta quando vem é linda também. montgomery clift e joanne dru e seus gestos de intimidade me ensinaram o que é amor e luxúria. como que existem atores tão bons assim? filme perfeito.
não precisava de tanta explicação, tanta coincidência, tanta implausibilidade. principalmente na segunda parte escandalosa, corrida, desastrada. mas bem lindinho no final quando ele quebra a matemática com um pouco de free jazz.
claro que adoro passar quase duas horas vendo a kristen stewart nervosérrima e com tesão numa mulher gigante. mesmo assim isso aqui é desagradável e escandaloso demais, além de incessamente cruel com os próprios personagens. coitada da jena malone
45 anos e uns 10 filmes do david lynch depois, ainda um objeto totalmente singular. graças a deus o homem já chegou fazendo sentido nenhum. pura curtição.
não sei se entendi. acredito que sejam pressupostos: que a luta pela libertação da palestina e dos povos marginalizados é justa e urgente; que os meios usados aqui são frequentemente repugnantes e imorais; que o protagonista é sexy e carismático; que o movimento revolucionário perde sua eficácia e legitimidade em meio a politicagens e brigas de ego.
tudo isso tá em conflito evidente, mas parece que uma tese desmente a outra. as ideias em contradição perdem força quando colocadas assim todas juntas sem um ponto de vista suficientemente claro por parte do autor. pra além da exuberância da coisa toda, eu fiquei o tempo todo me perguntando o que o assayas estava querendo com isso. qual o propósito de contar essa história desse jeito?
a cabeça a mil. os filmes do hamaguchi são filmados e estruturados de formas tão surpreendentes que parece que sua própria existência é um enigma. esse aqui é lindamente sério e específico no seu olhar sobre uma comunidade ameaçada - e também sobre os coitados dos trabalhadores na ponta executando a ameaça. vou passar muito tempo tentando entender esse final. o mal não existe mesmo? porque tudo é natureza ou porque tudo é trabalho? diante da iminente fúria do planeta que põe em risco o futuro da humanidade, vale mais combater o ser humano predador do que entrar no caminho da natureza. né?
filme gostoso demais pra quem gosta de ver a própria cidade no cinema e pra quem é fã dessa mistura casual e desordenada de documentário e ficção que bagunça tudo que a gente entende por narrativa. só fiquei um pouco decepcionado que a Muleka 100 Calcinha estava visivelmente Com Calcinha.
o adirley enxerga e ouve essa personagens com tanta naturalidade, sem julgamentos e condescendências, encontrando humor e tragédia nelas mas entendendo elas não como piadas ou vítimas, mas como pessoas donas da própria história. como se elas fossem autoras do filme também. ajuda que elas são tão incríveis e falam com esse querido sotaque do df. é o que boa parte do cinema nacional parece tentar fazer, mas não vejo ninguém fotografando e escutando com tanta inteligência. deve ser o maior cineasta do país em atividade.
aliás, alguém proteja a andreia vieira, porque andar num trio elétrico do Partido do Povo Preso pelas ruas do df em outubro de 2018 me parece uma coisa muito perigosa de se fazer.
esperava um filme tardio com alguma incompetência extravagante e peculiaridades autoindulgentes, não esperava harmonização facial e criança anarquista. muito comovente e corajoso o retrato bastante amargo da caça aos comunistas nos estados unidos.
tudo é tão tátil: chuva, rio, lágrima, mijo, peixe, minhoca, terra, lama, abraço, roupas e peles que brilham muito. uma estrutura não cronológica que acentua dissonâncias e enxerga vidas inteiras pelas frestas. uma experiência estética deslumbrante parecida com muita coisa mas igual a nada.
desconfortavelmente coloca a forma cinematográfica em primeiríssimo plano e destrói tudo que é tecnicamente certo e de bom gosto. parece refazer o tempo todo a própria ideia de filme e de adaptação de livro. achei fascinante e sexy. amei a edie segwick sentada lá, merecia um oscar e um framboesa de ouro
estranhei a tensão entre naturalismo de bom gosto e melodrama - tem até tapa na cara. o roteiro acrescenta algo (ruim) de escandaloso e folhetinesco que não está no livro da annie ernaux. mas a diretora é inteligente de não fugir da parte mais física e visceral da situação. quando é pra doer, dói bastante.
o que me impressionou dessa vez é como as composições são realistas e muito bonitas ao mesmo tempo. aquelas paisagens operárias não são obviamente estilizadas mas enchem os olhos em cores primárias. um filme aparentemente pequeno e muito preciso: o kaurismaki sabe exatamente o que quer fazer e vai lá e faz, como se fosse fácil. maravilhosa homenagem ao the dead don't die do jim jarmusch
filme de muito bom gosto que eu gostaria que tivesse mais uma horinha de duração. boa demais a sensação de que tudo pode acontecer, até dei uns gritos. a cena final é ruim demais. espero que o ari aster fique cada vez mais maluco
sedutor demais porque os personagens se movem com tanta liberdade dentro da tela e dentro da narrativa - e ainda por cima fodem gostoso. talvez fosse mais interessante se o franz rogowski fosse um pouco menos um óbvio filho da puta?
Prefiro meus wisemans com um pouco mais de recheio, mas a superfície aqui é especialmente bela. O que chama mais atenção pra um leigo é a aparente excelência com que tudo é feito no restaurante, e como o acesso a essa excelência é sempre intermediado por muito dinheiro. Tudo aqui é tão absurdamente caro que o filme funciona quase como um lobo de wall street.
A dor de perceber que a pessoa amada não tem os mesmos interesses e obsessões que você. Os dois homens conhecem muito pouco da Laura e orientam toda a busca por ela em torno dessa perspectiva limitadíssima. Acham que sabem tudo e parecem incapazes de entender que existe muito mais ali do que flores e cartas. É desaparecendo que ela se torna uma mulher que fez história.
Coisas que eu curti: o primeiro capítulo se chamar La Aventura; a protagonista se chamar Laura; a segunda parte negando e ridicularizando toda a investigação da primeira parte; o quarto do bebê surgindo do nada como um feito de direção de arte; um casal se aproximando bem aos pouquinhos por meio de cartas eróticas alheias; as placas de entrada de cidadezinhas; a música de filme de ovni. Que gostosura mágica. Não sei se fica ridículo eu chamar esse filme de Trenque Lacre.
já adorava o christian petzold obviamente, mas não esperava algo tão apocalíptico, tesudo e rohmeriano. a paula beer recita o mesmo poema duas vezes seguidas!
grande filme, provavelmente. vai de noir trapalhão a conto de fadas bucólico num ritmo que vai e volta, expande e contrai, desordenadamente. um filme desregrado, tanto em tema quanto em execução - inspirador pra todo mundo que odeia trabalhar. isso foi produzido pelo marcos mion?
Um filme sem muita coisa na cabeça, mas comoventemente preocupado com beleza e prazer no estado mais puro. Que gostoso um cineasta que pacientemente mostra o processo de criação das coisas. Podia ter menos trama ainda - sem doença, sem masterchef, sem etc. Pedi um carbonara no ifood pra acompanhar.
Emilia Pérez
2.4 483 Assista Agorafaz mais de década que não assisto a um filme do jacques audiard, mas aqui ele parece um mau contador de histórias com ideias muito simplistas - ou idiotas mesmo - sobre transexualidade, méxico e tudo mais. mas acho que esses defeitos do autor são um pouco encobertos pelo fato de ele ter feito um musical. as duas atrizes no centro são muito boas e produzem coisas com olhar, música e corpo que ultrapassam o próprio roteiro do filme. os sentimentos são gritados e cantados e algo de puro e honesto se produz ali, mesmo que as grandes questões e os personagens sejam tão mal desenvolvidos pelo texto. é uma pena que o filme não invista mais no patético, ou no vigor e na falta de vergonha do elenco. ele insiste em se levar muito a sério a partir de certo ponto, com sequestros e explosões e denúncia social. fora que a trama depois da transição é tão desinteressante e não tem muito pra onde ir.
eu saí com uma pessoa ontem que, como boa brasileira, me falou que tudo que sabia sobre emilia pérez era contra a própria vontade. eu pensei que acho que vale a pena ver uma mulher trans articulando sua transição abertamente assim por meio de corpo e voz, mesmo que numa história totalmente equivocada. senti que isso transforma algo na gente, no nosso olhar e no mundo também. tem uma música no filme que fala algo do tipo. na hora achei bobo e cafona, mas talvez tenha algo nessa cafonice aí.
Trilha Sonora Para Um Golpe de Estado
3.9 51 Assista Agorao conceito todo parece um pouco um pretexto pra criar cenas lindas né? o foco mesmo é na independência e golpe no congo, enquanto a visita do louis armstrong e cia, apesar de interessante, é algo meio periférico. mas que cenas lindas. absolutamente tudo é justificado pela sequência que sincroniza o discurso do lumumba com o art blakey batendo pra caralho, momento de tirar o planeta de órbita.
Red Rooms: Obsessão Doentia
3.5 105 Assista Agorafico fascinado por essas imagens da dissolução do mundo em pixels. lembrei da segunda parte d'a besta do bertrand bonello, e a porosidade da fronteira que separa as ameaças da vida real das da vida virtual. lembrei do trabalho da jane schoenbrun, se apropriando de todo tipo de mídia pra produzir um cinema que confronta a nossa obsessão por telas. lembrei de demonlover, de kimi, de no home movie. é uma história sobre tecnologia falando de coisas que eu não conheço muito (as pessoas são tão jovens), então nem sei avaliar se isso é autêntico ou cringe. mas é eletrizante o leilão de bitcoin. o final é meio explicadinho demais, mas seria mentira se eu dissesse que não estava desesperado por umas respostas.
Centenas de Castores
3.9 19 Assista Agorasurpreendentemente se sustenta quase sempre engraçado e inventivo, mesmo sendo assim tão longuíssimo. a comédia física aqui é um negócio absurdo, mágico - principalmente quando envolve pessoas de verdade vestindo aquela roupinha de furry da parmalat. pensei em tanta coisa boa - guy maddin, jackass, buster keaton, tom & jerry. torci pelos castores.
Anora
3.4 1,2K Assista Agoraadoro tanto o sean baker orquestrando o caos com esse olhar muito atento pra todos os detalhes mais ridículos que vão surgindo de todos os cantos. e que coisa linda é a mikey madison, parceira de crime ideal bem no meio da bagunça, construindo uma personagem na força bruta, em risadinhas no meio das cenas de sexo.
Rio Vermelho
4.0 87 Assista Agoraenvelheci um pouco pra passar a amar uma conciliação muito coerente com o olhar empático que o howard hawks dirige a esses homens e a esse coletivo - mas a revolta quando vem é linda também. montgomery clift e joanne dru e seus gestos de intimidade me ensinaram o que é amor e luxúria. como que existem atores tão bons assim? filme perfeito.
Monstro
4.2 389 Assista Agoranão precisava de tanta explicação, tanta coincidência, tanta implausibilidade. principalmente na segunda parte escandalosa, corrida, desastrada. mas bem lindinho no final quando ele quebra a matemática com um pouco de free jazz.
Love Lies Bleeding: O Amor Sangra
3.5 276 Assista Agoraclaro que adoro passar quase duas horas vendo a kristen stewart nervosérrima e com tesão numa mulher gigante. mesmo assim isso aqui é desagradável e escandaloso demais, além de incessamente cruel com os próprios personagens. coitada da jena malone
Eraserhead
3.8 953 Assista Agora45 anos e uns 10 filmes do david lynch depois, ainda um objeto totalmente singular. graças a deus o homem já chegou fazendo sentido nenhum. pura curtição.
Carlos, o Chacal
4.2 50não sei se entendi. acredito que sejam pressupostos: que a luta pela libertação da palestina e dos povos marginalizados é justa e urgente; que os meios usados aqui são frequentemente repugnantes e imorais; que o protagonista é sexy e carismático; que o movimento revolucionário perde sua eficácia e legitimidade em meio a politicagens e brigas de ego.
tudo isso tá em conflito evidente, mas parece que uma tese desmente a outra. as ideias em contradição perdem força quando colocadas assim todas juntas sem um ponto de vista suficientemente claro por parte do autor. pra além da exuberância da coisa toda, eu fiquei o tempo todo me perguntando o que o assayas estava querendo com isso. qual o propósito de contar essa história desse jeito?
O Mal Não Existe
3.6 58 Assista Agoraa cabeça a mil. os filmes do hamaguchi são filmados e estruturados de formas tão surpreendentes que parece que sua própria existência é um enigma. esse aqui é lindamente sério e específico no seu olhar sobre uma comunidade ameaçada - e também sobre os coitados dos trabalhadores na ponta executando a ameaça. vou passar muito tempo tentando entender esse final. o mal não existe mesmo? porque tudo é natureza ou porque tudo é trabalho? diante da iminente fúria do planeta que põe em risco o futuro da humanidade, vale mais combater o ser humano predador do que entrar no caminho da natureza. né?
Mato Seco em Chamas
3.7 29 Assista Agorafilme gostoso demais pra quem gosta de ver a própria cidade no cinema e pra quem é fã dessa mistura casual e desordenada de documentário e ficção que bagunça tudo que a gente entende por narrativa. só fiquei um pouco decepcionado que a Muleka 100 Calcinha estava visivelmente Com Calcinha.
o adirley enxerga e ouve essa personagens com tanta naturalidade, sem julgamentos e condescendências, encontrando humor e tragédia nelas mas entendendo elas não como piadas ou vítimas, mas como pessoas donas da própria história. como se elas fossem autoras do filme também. ajuda que elas são tão incríveis e falam com esse querido sotaque do df. é o que boa parte do cinema nacional parece tentar fazer, mas não vejo ninguém fotografando e escutando com tanta inteligência. deve ser o maior cineasta do país em atividade.
aliás, alguém proteja a andreia vieira, porque andar num trio elétrico do Partido do Povo Preso pelas ruas do df em outubro de 2018 me parece uma coisa muito perigosa de se fazer.
Um Rei em Nova York
3.9 31 Assista Agoraesperava um filme tardio com alguma incompetência extravagante e peculiaridades autoindulgentes, não esperava harmonização facial e criança anarquista. muito comovente e corajoso o retrato bastante amargo da caça aos comunistas nos estados unidos.
Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal
3.2 9tudo é tão tátil: chuva, rio, lágrima, mijo, peixe, minhoca, terra, lama, abraço, roupas e peles que brilham muito. uma estrutura não cronológica que acentua dissonâncias e enxerga vidas inteiras pelas frestas. uma experiência estética deslumbrante parecida com muita coisa mas igual a nada.
Vinyl
2.9 27desconfortavelmente coloca a forma cinematográfica em primeiríssimo plano e destrói tudo que é tecnicamente certo e de bom gosto. parece refazer o tempo todo a própria ideia de filme e de adaptação de livro. achei fascinante e sexy. amei a edie segwick sentada lá, merecia um oscar e um framboesa de ouro
O Acontecimento
4.0 88estranhei a tensão entre naturalismo de bom gosto e melodrama - tem até tapa na cara. o roteiro acrescenta algo (ruim) de escandaloso e folhetinesco que não está no livro da annie ernaux. mas a diretora é inteligente de não fugir da parte mais física e visceral da situação. quando é pra doer, dói bastante.
Folhas de Outono
3.8 127 Assista Agorao que me impressionou dessa vez é como as composições são realistas e muito bonitas ao mesmo tempo. aquelas paisagens operárias não são obviamente estilizadas mas enchem os olhos em cores primárias. um filme aparentemente pequeno e muito preciso: o kaurismaki sabe exatamente o que quer fazer e vai lá e faz, como se fosse fácil. maravilhosa homenagem ao the dead don't die do jim jarmusch
Beau Tem Medo
3.2 442filme de muito bom gosto que eu gostaria que tivesse mais uma horinha de duração. boa demais a sensação de que tudo pode acontecer, até dei uns gritos. a cena final é ruim demais. espero que o ari aster fique cada vez mais maluco
Passagens
3.4 96 Assista Agorasedutor demais porque os personagens se movem com tanta liberdade dentro da tela e dentro da narrativa - e ainda por cima fodem gostoso. talvez fosse mais interessante se o franz rogowski fosse um pouco menos um óbvio filho da puta?
Menu Prazer – Les Troisgros
4.0 2Prefiro meus wisemans com um pouco mais de recheio, mas a superfície aqui é especialmente bela. O que chama mais atenção pra um leigo é a aparente excelência com que tudo é feito no restaurante, e como o acesso a essa excelência é sempre intermediado por muito dinheiro. Tudo aqui é tão absurdamente caro que o filme funciona quase como um lobo de wall street.
Trenque Lauquen - Parte I
3.9 5A dor de perceber que a pessoa amada não tem os mesmos interesses e obsessões que você. Os dois homens conhecem muito pouco da Laura e orientam toda a busca por ela em torno dessa perspectiva limitadíssima. Acham que sabem tudo e parecem incapazes de entender que existe muito mais ali do que flores e cartas. É desaparecendo que ela se torna uma mulher que fez história.
Coisas que eu curti: o primeiro capítulo se chamar La Aventura; a protagonista se chamar Laura; a segunda parte negando e ridicularizando toda a investigação da primeira parte; o quarto do bebê surgindo do nada como um feito de direção de arte; um casal se aproximando bem aos pouquinhos por meio de cartas eróticas alheias; as placas de entrada de cidadezinhas; a música de filme de ovni. Que gostosura mágica. Não sei se fica ridículo eu chamar esse filme de Trenque Lacre.
Afire
3.8 64 Assista Agorajá adorava o christian petzold obviamente, mas não esperava algo tão apocalíptico, tesudo e rohmeriano. a paula beer recita o mesmo poema duas vezes seguidas!
Os Delinquentes
3.3 26 Assista Agoragrande filme, provavelmente. vai de noir trapalhão a conto de fadas bucólico num ritmo que vai e volta, expande e contrai, desordenadamente. um filme desregrado, tanto em tema quanto em execução - inspirador pra todo mundo que odeia trabalhar. isso foi produzido pelo marcos mion?
O Sabor da Vida
3.8 91 Assista AgoraUm filme sem muita coisa na cabeça, mas comoventemente preocupado com beleza e prazer no estado mais puro. Que gostoso um cineasta que pacientemente mostra o processo de criação das coisas. Podia ter menos trama ainda - sem doença, sem masterchef, sem etc. Pedi um carbonara no ifood pra acompanhar.