Muito boa essa primeira temporada. Ela mantém a estética, o valor de produção e a ambientação de Game of Thrones, mas gosto de como a direção consegue dar um tom diferente pra história, fugindo dessa busca pelo épico e apostando em algo mais leve e menor em escala. A dupla de protagonistas funciona muito bem em química, acho que o roteiro consegue construir muito bem essa relação enquanto vai apresentando aquele mundo ao redor deles. É também uma série extremamente fácil de assistir, daquele tipo que tu começa e acaba querendo ver um episódio atrás do outro. No geral, gostei muito. Consegue explorar uma outra faceta sem ser algo que pareça pertencer a outro universo.
A série voltou a fazer muito bem aquilo que eu acho que é o melhor desse universo de Game of Thrones: ser uma grande novela política. E não só pelas mortes e reviravoltas, mas principalmente pela forma como os personagens vão se transformando e como as relações e acordos vão gerando consequências que muitas vezes fogem completamente do que eles queriam inicialmente. Os plot twists surpreendem, mas quando acontecem tu pensa que realmente não poderia ter sido diferente. Pra mim, o maior exemplo é a traição do bastardo no último episódio, totalmente coerente com o desenvolvimento dele e com a relação que foi sendo criada com os outros personagens. Também gostei muito dos novos personagens, principalmente o Lorde Hightower, que pra mim foi a melhor coisa da temporada. Acho muito divertido como ele tenta sempre manter essa postura de cara calculista e esperto, mas basta qualquer coisa sair um pouco dos planos que ele perde completamente a linha. De resto, mantém todo o valor alto de produção que é comum desse universo. No geral, ótima temporada. Muito melhor que a segunda e, pra mim, no mesmo nível da primeira
Gostei dessa temporada como um todo, acho melhor que as duas anteriores. Gosto principalmente da estrutura de concentrar quase tudo em um único acontecimento, naquela noite do restaurante, e de como isso serve pra encerrar os arcos dos personagens e da própria série.
Acho interessante como o sucesso do restaurante vem justamente do equilíbrio entre os pontos fortes do Carmy e da Sydney. Ainda tenho bastante problema com o desenvolvimento dela, porque sinto que a série tenta atribuir um crescimento que nem sempre conseguiu demonstrar de fato. Nesse sentido, acho o arco do Marcus muito mais bem construído, principalmente na evolução dele dentro da profissão.
Também achei uma temporada um pouco menos agressiva no humor e mais focada na tensão, conseguindo equilibrar melhor essas duas coisas. Não chega nos ápices das primeiras temporadas, que pra mim continuam sendo onde The Bear mais brilhou, mas dentro do que vinha sendo construído acho que encerra bem.
E falando da série como um todo, acho que ela consegue fazer um ótimo retrato da vida dentro de uma cozinha e de como aquele ambiente reflete diretamente o estado emocional e as relações sociais dos personagens. O final ainda deixa uma certa abertura, então se resolverem voltar não acho necessariamente um problema, desde que exista uma boa história pra contar. Mas se acabar aqui, pra mim fecha de forma satisfatória.
Gostei bastante. Achei que a expectativa fosse atrapalhar um pouco minha experiência, mas é um filme que funciona muito bem, principalmente nesse terror que brinca com um humor de desconforto e consegue criar cenas realmente tensas e incômodas. E gosto principalmente que o filme não se furta de apostar totalmente no sobrenatural, principalmente na reta final. Achei que ele fosse ficar brincando com isso de forma mais dúbia, mas ele vai com tudo nessa ideia.
A direção é muito precisa, na criação de tensão, no uso das sombras e a forma como algumas cenas são conduzidas são muito eficientes, ainda que eu ache que ele apela um pouco no uso de som pra criar sustos. E as atuações são excelentes. O protagonista é muito bom, mas a atriz que faz a Nikki é espetacular, conseguindo fazer ações que poderiam soar toscas funcionarem dentro da narrativa sem destoar.
Acho que é um filme que pode ser lido pela ótica da obsessão e do abuso no relacionamento, mas sinto que foca mais na crítica a essa passividade do protagonista, como ele é esse cara covarde desde o início, e como ele vai perpetrando esse comportamento até literalmente o fim do filme. Mas não tenta culpar a vítima, e mas retratar como aceitar certas coisas e não agir diante delas é destrutivo nas relações não só amorosas mas como um todo.
No geral, é realmente um ótimo filme de terror. Não acho que seja essa revolução toda que tentaram vender, mas é um filme muito bem executado de fato.
Poderia dizer que fiquei extremamente decepcionado com essa temporada, mas considerando que a quarta já tinha sido bem fraca e a segunda de Gen V também já tinha sido bastante ruim, eu já imaginava que essa temporada final não seria das mais satisfatórias. E realmente não foi. De longe, a pior temporada da série, e um final fraquíssimo para uma obra que já foi excelente.
Uma temporada inteira que fica enrolando em cima de uma solução que, no fim, não serve pra nada, já que a solução final é resolvida de outra forma no penúltimo episódio. Sem contar que a série parece ter esquecido que, antes de qualquer sátira política ou crítica social, você precisa ter uma boa história. A crítica ainda funciona em alguns momentos, mas não sustenta uma temporada inteira cheia de repetição de desenvolvimento de personagem e de tramas. Sem contar as soluções que não fazem sentido com o próprio universo apresentado, personagens que uma hora conseguem fazer coisas absurdas e em outra são completamente inúteis, diálogos toscos e sem sentido. Se salvam um pouco as atuações, mas tu também percebe que tão no automático.
Infelizmente, The Boys entra naquele hall de séries que começam muito bem e vão decaindo temporada após temporada. Nenhuma foi melhor que a anterior, e acho que isso resume bem como os criadores pareciam cada vez mais perdidos no que queriam contar. Falam muito de finais ruins como Game of Thrones ou Stranger Things, mas pra mim esse aqui consegue ser ainda pior.
Fiquei extremamente surpreso com essa temporada. Nunca fui grande fã de Euphoria nas duas primeiras, achava uma série com uma estética interessante mas meio perdida como história, sem saber muito bem o que queria contar. Mas essa terceira temporada toma um rumo completamente diferente.
A estética continua ali, principalmente na fotografia, nos enquadramentos e nessa preocupação em criar composições bonitas. Mas o que mais me surpreendeu foi como a história está muito mais bem escrita, tanto no desenvolvimento dos personagens quanto nas situações que vão sendo criadas e na forma como elas se desenrolam, representando muito bem essa ideia de inconsequência juvenil que agora chega na vida adulta e cobra seu preço. E gosto de como a série não perdoa ninguém. Ela traz consequências para as escolhas dos personagens de uma forma realista e condizente com o que vinha sendo construído. E acho curioso como uma série "progressista" nos temas acaba sendo surpreendentemente "conservadora", não como lição de moral barata, mas como um retrato complexo dos caminhos que aqueles personagens tomaram.
Enfim, gostei muito, as atuações são excelentes, é uma temporada que acertou muito no humor em diversas situações, só acho que peca um pouco no pacing em algum momentos que poderiam ser trabalhados melhor na montagem. Não imaginava que fosse gostar tanto, um dos raros casos de séries que finalizam de forma satisfatória e melhor do que começou.
Boa temporada, mas acho um pouco abaixo da primeira. Aqui a série aposta mais na questão da luta de classes e em como isso influencia as relações que criamos, principalmente dentro do trabalho. Era algo que já existia na primeira temporada, mas agora fica bem mais latente por conta do novo cenário apresentado.
As atuações são bem boas no geral, principalmente dos quatro protagonistas, e a primeira metade é bastante cativante, com bons momentos de humor e situações que surpreendem. Mas sinto que, chegando pro final, a série volta a apostar numa escalada mais absurda da trama, algo que já fazia parte do estilo da primeira temporada, mas que aqui não me pegou tanto. Achei que ficou um pouco forçado demais em relação ao cenário mais naturalista que vinha sendo construído.
No geral, ainda é uma boa temporada, mas sem o mesmo impacto da anterior. Funciona bem enquanto assiste, mas ficou tanto comigo assim.
Filme sobre quando tu descobre que sua namorada já teve Onlyfans. Sabia que seria algo diferente pois já assisti outro filme do diretor, Dream Scenario, mas gostei que fui pro filme sem saber nada da trama e me surpreendi demais. As atuações de todos os envolvidos são ótimas, a montagem funciona demais em como mescla passado e futuro, mas também imaginação e realidade. E é tematicamente muito profundo, explorando temas como confiança e amadurecimento, mas principalmente nossa relação com passado daqueles que nos rodeiam, e como que pequenas informações podem mudar completamente nossa percepção de alguém.
É uma série com bom valor de produção, principalmente na recriação de época e na escala do evento que tá retratando. Mas acho bastante irregular, tanto na parte científica quanto na dramática. Na científica, apesar de ser bem explicada, é deveras expositiva hora ou outra, com diálogos que as vezes soam muito professorais e pouco naturais. Já na parte dramática, há núcleos e personagens que funcionam bem, outros beiram o insuportável. Ainda assim, boa série, que fisga e consegue deixar interessado mesmo pra quem conhecia a história.
É estilisticamente bem semelhante aos outros filmes do diretor - como Bom Comportamento e Joias Brutas - mesmo sendo um projeto solo sem seu irmão. Aquela narrativa onde o protagonista vai se enrolando cada vez mais, se enfiando em cada vez mais problemas que geram novos problemas que só aumentam a angústia e desespero de saber como aquilo vai se resolver.
É tecnicamente primoroso, tanto pela trilha sonora, que é magnífica, como pela recriação de época, que é incrível, mas nunca é exibicionista, mas se integra sutilmente a composição dos espaços. Além disso, as atuações de todo elenco de apoio é ótima, destaque pra Odessa A'zion. Mas o filme é mesmo do Chalamet na melhor atuação de sua carreira até agora, criando um personagem que poderia ser um picareta puro, mas ele consegue inserir nuances que manipulam não só os outros personagens como o próprio público.
É um filme que fala bastante do "sonho americano" e essa busca desenfreada pelo sucesso a qualquer custo, mas sinto que o que ele entrega no fim quase um coming of age. O protagonista vai até o inferno atrás do sonho, e no final é obrigado a lidar com a realidade da vida adulta representado no nascimento do filho. E é espetacular como há a alegria de ver o filho, mas também há a tristeza da perda da juventude e da irresponsabilidade. Interessante também é ver como que, apesar de se passar na década de 50, o personagem do Chalamet é um grande reflexo da geração Z. Essa geração que não tem vergonha de ser verdadeiro com o que acredita e que tem coragem de buscar seu sonho sem cinismo independente da opinião alheia.
Enfim, filmaço. É engraçado, caótico, emocionante, levanta discussões sociais e geracionais muito interessantes, e apresenta personagens e momentos memoráveis. Com certeza vai terminar 2026 como um dos melhores do ano.
Confesso que durante os dois primeiros atos o filme não me pegou tanto. Estava admirando mais os aspectos técnicos do que tendo algum envolvimento emocional com a história. Gosto muito da fotografia, e de como a diretora faz composições que remetem a pinturas e consegue comunicar a relação da protagonista com os espaços, seja com a natureza ou a casa que habita. Além disso, as atuações são excelentes. Tanto a Buckley quanto o Mescal entregam grandes performances, tanto na química entre os dois quanto na dor gerada pela tragédia apresentada pelo filme.
Mas pra mim a obra brilha mesmo no terceiro ato, quando a diretora consegue amarrar todo essa construção de uma forma muito tocante com o poder da arte. Me remeteu até a outro filme recente, Valor Sentimental, que trata também sobre como certos sentimentos e experiências só são possíveis de ser expressadas através da arte, e também na união e no compartilhamento de dores comuns que só a arte consegue proporcionar. Essa sequência final conseguiu me fazer entender toda a construção anterior e encerrar de forma impactante.
Até gosto de algumas escolhas de narrativa que a diretora toma aqui, dá pra ver que ela tem olhar próprio, principalmente de ironia e como consegue extrair humor de uns momentos inesperados. Mas sei lá, acho que a temática do filme já tá tão explorada que se não tiver algo de muito inovador, o filme meio que só me perde. Consigo ver o valor, mas não me impactou tanto quanto a outras pessoas.
Pra ser sincero, acho que as cenas de corrida são as que menos me agradam. Acho que as diretoras pecam um pouco no exagero de cores e cortes ali que acaba ficando cansativo e confuso. Mas de resto, adoro toda a narrativa e o estilo do filme. Não tem vergonha de abraçar toda essa estética colorida e animada pra contar uma história que precisa disso. Extremamente divertido e com um visual único, diferente de qualquer outra obra.
Surpreso com o quanto eu gostei desse filme. Parece que vai ser uma comédia romântica simples, mas vai além disso e trata sobre solidão, depressão e exploração no ambiente de trabalho. O roteiro constrói muito bem não só os excelentes protagonistas, mas também todos os coadjuvantes e suas relações. E a direção do Wilder é muito boa em conduzir tudo isso e também na forma como filma os cenários pra refletir o emocional dos personagens é muito certeira. A cena do espelho quebrado é magistral, literalmente tirou meu fôlego. Aquele tipo de filme que tu começa a ver sem esperar nada e termina completamente envolvido.
Não acho tão tematicamente denso como o anterior, mas de resto, mantém quase todas as qualidades. Ótima história e personagens muito carismáticos, bom humor e diversas referências a outras obras que são muito divertidas. Tudo isso com uma animação belíssima, principalmente no quesito de ambientação.
Primeiro trabalho da diretora que assisto, e fiquei bem impressionado, principalmente pela forma que ela consegue fazer um estudo de fato do que é ser um catador e suas diversas formas e diferenças, e ainda relacionar isso a ela mesma e como enxerga o cineasta como um catador, e acho que a cena dos caminhões é a mais divertida ao representar essa ideia. A Varda diz em um momento que "É sempre um auto-retrato", e acho que isso revela muito de como ela enxerga não só nossa relação com o outro, como também o fazer cinematográfico.
É uma temporada muito ruim, de fato. O roteiro é extremamente incongruente e cheio de furos, sem contar a falta de planejamento, que resulta em 7 episódios repetitivos que pouca coisa acontece, e o último totalmente corrido resolvendo coisas extremamente importantes da forma mais simples possível. O excesso de personagens resulta em vários sendo sendo esquecidos ou mal aproveitados, com arcos sendo mal resolvidos, ou apressados, ou só ignorados. As atuações em sua maioria são fraquíssimas, muito pouca gente se salva ali. E visualmente é pobríssima, a estética da série, que já foi referência, agora só parece plástica e artificial.
Mas deixando tudo isso de lado, Stranger Things meio que virou o MCU das séries de TV. Então mais do que entregar um produto de qualidade, ela está mais preocupada em gerar esse hype e esses momentos isolados que funcionam para os fãs mais engajados. Confesso que eu nunca fui um apreciador da série, gostava até a terceira temporada, mas desde a passada perdeu muito a graça para mim. Mas pra quem tem um carinho mais profundo por aqueles personagens, acho que o final conseguiu entregar, pelo menos a nível emocional, algo satisfatório e até tematicamente condizente com a proposta original da série, já que sempre foi um coming of age onde o fantástico era apenas o pivô para o amadurecimento dos personagens. E acho que toda a sequência final do último episódio conseguiu refletir bem isso. Pena que o resto da temporada tenha sido o pior do que Stranger Things tinha a oferecer.
Obra-prima. Desde o começo já estabelece as regras do novo mundo, e se interessa mais no desenvolvimento da protagonista naquela nova realidade do que ficar se apoiando em mistériozinhos pra manter o espectador engajado. É um sci-fi que confia na capacidade interpretativa de quem assiste e que consegue, a cada episódio, expandir sua premissa e se aprofundar na psique de sua protagonista e de outros personagens. A atuação da Rhea Seehorn é espetacular em como consegue ser insuportável com a sua amargura na fachada, mas carrega uma dor e solidão profunda por trás. Além disso, é tecnicamente e visualmente impecável, como já é padrão do Vince Gilligan, com uma fotografia e uso de cores que servem a um propósito narrativo e que são bonitos sem serem exibicionistas. E é incrível como consegue discutir relações políticas, luto, arte, IA, e pra mim, o principal tema que é individualismo x coletivismo, sem ser dicotômico ou discursivo. Todos esses temas são intrinsicamente ligados ao desenvolvimento e as relações dos personagens. E muita gente reclama do ritmo (que eu particularmente discordo), mas esquecem das outras obras do autor, cuja veracidade das decisões dos personagens e o impacto emocional derivado delas vinham justamente desse desenvolvimento gradual que elas possuíam. E Pluribus não está sendo diferente, visto o impacto emocional dos acontecimentos no final da temporada. Enfim, aquele tipo de série que gera discussões de horas e que coloca o Vince Gilligan como o maior showrunner da história, já que ninguém acertou tanto quanto ele.
Um dos filmes mais complexos e densos do ano. Consegue tratar de uma penca de assuntos, mas principalmente de uma forma muito profunda sobre trauma geracional e o uso da arte e do fazer cinematográfico como forma de expressar sentimentos e tratar conflitos pessoais.
Mas também é um drama simplesmente brilhante, principalmente na forma como trabalha seus personagens e relações. A atuação dos quatro principais são primorosas, poderia facilmente colocar todos num top de melhores do ano. O pai cineasta sofrendo com o envelhecimento, a dificuldade de demonstrar afeto para as filhas e a recusa de se reconhecer na história que está querendo retratar. A filha mais velha que replica o comportamento do pai inconscientemente e que também vê na arte uma forma de escape, mesmo que essa traga a dor de sempre lembra-la do abandono sofrido. A irmã mais nova que serve quase que de elo de união da família, e que lida com o trauma mais pelo resgate histórico, e como isso a leva a ter mais compaixão pelo comportamento do pai. E a atriz, que é uma "intrusa" naquela dinâmica, mas que tem a sensibilidade artística suficiente pra entender que aquela história não é sobre ela.
A direção do Trier é excelente também em conduzir toda essa complexidade de forma fluída e sutil, usando muito do silêncio para revelar muito daquelas relações. E gosto também como é um filme metalinguístico, mas sem ser exagerado, sempre mantendo o foco no drama dos personagens sempre. Um filme tocante, que trata seus temas com muita maturidade, e com diversos momentos extremamente emocionantes. Com certeza um dos melhores do ano.
Comecei a assistir de madrugada, como quem não quer nada, e fui completamente fisgado. Há várias temáticas que o filme aborda, tem criação parental, mas pra metade do filme fala muito sobre luto. Acho que a principal no entanto é como ele aborda essas "ondas" no título, como lidamos com altos e baixos em nossas vidas, e como cabe a nós lidar com esses períodos sem nos deixar levar a decisões que podem definir a nossa existência.
Mas mais do que os temas, o que me pegou foi a história e a direção do Shults, como ele desenvolve e complexifica aqueles personagens e cativar o espectador na situação que está sendo abordada. Confesso que me perdeu um pouco quando há a quebra narrativa, mas ainda assim uma grande experiência, não pensei que fosse gostar tanto.
Consigo ver valor no que a Celine Song faz, principalmente em questão de roteiro. Acho que ela consegue explorar bem as temáticas amorosas, como confundimos conforto com afeto, as dificuldades que o amor verdadeiro enfrenta para funcionar dentro da sociedade atual, como ficamos divididos entro o racional e o passional. Mas sei lá, assim como no filme anterior dela (que eu ainda acho melhor que esse aqui), falta algo na condução narrativa que me impacte mais, acaba tudo soando muito básico. Até a subtrama inserida no meio do filme acaba destoando completamente do tem do resto da história. Entendo o que a diretora quer fazer, mas ela não consegue me fazer sentir o que ela quer passar.
Ótima comédia que funciona principalmente por que extrai humor não só pelo texto, mas muito também pelos elementos visuais e cênicos. A forma que o Leslie Nielsen sempre mantém o semblante de seriedade em meio as maluquices funciona muito bem também. Tem uns momentos que o filme me perdeu, principalmente na sequência de beisebol no final, mas ainda assim um filme de comédia que funciona bem até hoje.
Gosto de como é o que mais trabalha com a questão da espiritualidade e também com o luto dos personagens e a forma como eles lidam com o fim. Acho interessante que conversa com esse ser o fim da trilogia, por enquanto. Além disso, acho os personagens bem desenvolvidos, principalmente o Jake e a Neytiri, como eles lidam com a perda do filho e como um influência o sentimento do outro em relação a isso. Achei a cena da discussão deles na metade do filme a mais tocante do filme nesse sentido.
Mas tratando de história, realmente é o mais fraco dos três. Além de ser repetitiva até em relação aos outros filmes da franquia, tem coisas que são muito mal trabalhadas, como o cientista que surge do nada e só serve como artificio do roteiro pra ajudar o Jake a escapar, ou a nova personagem do reino do fogo, que é totalmente rasa e é resumida a só uma capanga qualquer no fim, perdendo todo o impacto que parecia que ia ter no inicio do filme.
Mas tratando-se de Avatar, o que mais espero de fato é a construção visual, e aqui o James Cameron continua fazendo com maestria. A qualidade do CGI, as texturas, as cores, é um filme bonito pra cacete. Toda a construção visual também, de design de produção e cenários é espetacular, desde o povo que vem voando, ou a parte do fogo, ou até o reino da água que já vinha do filme anterior continua impecável. Além disso, o Cameron é gênio quando se trata de sequências de ação e suspense, e achei as daqui excelentes também. A forma como ele sempre conduz nosso foco mas ao mesmo tempo preenche a tela com vários elementos pra gente explorar, ou como ele seta o ritmo das cenas, é coisa de maluco.
Gostei bastante, é aquele tipo de filme que tem que ser visto no cinema, já que muito do impacto está no visual. Assisti em IMAX 3D e foi incrível. Concordo que tem a melhor história dos três, mas como espetáculo visual, o Cameron continua se superando.
Gosto bastante da condução narrativa do filme, principalmente nessa atmosfera de incerteza que a diretora consegue construir, onde não se sabe o que é perseguição de fato ou apenas uma incerteza angustiante gerada pela hostilidade social em relação as mulheres como a diretora acredita. Mas pra mim o filme peca principalmente na relação da protagonista com o marido, que é previsível e com um texto só bobo mesmo. E o final, eu não acho que condiz com a temática geral da obra, mas entendo o que a diretora busca com ele. No geral, um bom trhiller psicológico, mesmo com seus deslizes.
O Cavaleiro dos Sete Reinos (1ª Temporada)
4.3 196 Assista AgoraMuito boa essa primeira temporada. Ela mantém a estética, o valor de produção e a ambientação de Game of Thrones, mas gosto de como a direção consegue dar um tom diferente pra história, fugindo dessa busca pelo épico e apostando em algo mais leve e menor em escala. A dupla de protagonistas funciona muito bem em química, acho que o roteiro consegue construir muito bem essa relação enquanto vai apresentando aquele mundo ao redor deles. É também uma série extremamente fácil de assistir, daquele tipo que tu começa e acaba querendo ver um episódio atrás do outro. No geral, gostei muito. Consegue explorar uma outra faceta sem ser algo que pareça pertencer a outro universo.
A Casa do Dragão (3ª Temporada)
3.7 155 Assista AgoraA série voltou a fazer muito bem aquilo que eu acho que é o melhor desse universo de Game of Thrones: ser uma grande novela política. E não só pelas mortes e reviravoltas, mas principalmente pela forma como os personagens vão se transformando e como as relações e acordos vão gerando consequências que muitas vezes fogem completamente do que eles queriam inicialmente. Os plot twists surpreendem, mas quando acontecem tu pensa que realmente não poderia ter sido diferente. Pra mim, o maior exemplo é a traição do bastardo no último episódio, totalmente coerente com o desenvolvimento dele e com a relação que foi sendo criada com os outros personagens. Também gostei muito dos novos personagens, principalmente o Lorde Hightower, que pra mim foi a melhor coisa da temporada. Acho muito divertido como ele tenta sempre manter essa postura de cara calculista e esperto, mas basta qualquer coisa sair um pouco dos planos que ele perde completamente a linha. De resto, mantém todo o valor alto de produção que é comum desse universo. No geral, ótima temporada. Muito melhor que a segunda e, pra mim, no mesmo nível da primeira
O Urso (5ª Temporada)
4.2 73 Assista AgoraGostei dessa temporada como um todo, acho melhor que as duas anteriores. Gosto principalmente da estrutura de concentrar quase tudo em um único acontecimento, naquela noite do restaurante, e de como isso serve pra encerrar os arcos dos personagens e da própria série.
Acho interessante como o sucesso do restaurante vem justamente do equilíbrio entre os pontos fortes do Carmy e da Sydney. Ainda tenho bastante problema com o desenvolvimento dela, porque sinto que a série tenta atribuir um crescimento que nem sempre conseguiu demonstrar de fato. Nesse sentido, acho o arco do Marcus muito mais bem construído, principalmente na evolução dele dentro da profissão.
Também achei uma temporada um pouco menos agressiva no humor e mais focada na tensão, conseguindo equilibrar melhor essas duas coisas. Não chega nos ápices das primeiras temporadas, que pra mim continuam sendo onde The Bear mais brilhou, mas dentro do que vinha sendo construído acho que encerra bem.
E falando da série como um todo, acho que ela consegue fazer um ótimo retrato da vida dentro de uma cozinha e de como aquele ambiente reflete diretamente o estado emocional e as relações sociais dos personagens. O final ainda deixa uma certa abertura, então se resolverem voltar não acho necessariamente um problema, desde que exista uma boa história pra contar. Mas se acabar aqui, pra mim fecha de forma satisfatória.
Obsessão
3.9 927 Assista AgoraGostei bastante. Achei que a expectativa fosse atrapalhar um pouco minha experiência, mas é um filme que funciona muito bem, principalmente nesse terror que brinca com um humor de desconforto e consegue criar cenas realmente tensas e incômodas. E gosto principalmente que o filme não se furta de apostar totalmente no sobrenatural, principalmente na reta final. Achei que ele fosse ficar brincando com isso de forma mais dúbia, mas ele vai com tudo nessa ideia.
A direção é muito precisa, na criação de tensão, no uso das sombras e a forma como algumas cenas são conduzidas são muito eficientes, ainda que eu ache que ele apela um pouco no uso de som pra criar sustos. E as atuações são excelentes. O protagonista é muito bom, mas a atriz que faz a Nikki é espetacular, conseguindo fazer ações que poderiam soar toscas funcionarem dentro da narrativa sem destoar.
Acho que é um filme que pode ser lido pela ótica da obsessão e do abuso no relacionamento, mas sinto que foca mais na crítica a essa passividade do protagonista, como ele é esse cara covarde desde o início, e como ele vai perpetrando esse comportamento até literalmente o fim do filme. Mas não tenta culpar a vítima, e mas retratar como aceitar certas coisas e não agir diante delas é destrutivo nas relações não só amorosas mas como um todo.
No geral, é realmente um ótimo filme de terror. Não acho que seja essa revolução toda que tentaram vender, mas é um filme muito bem executado de fato.
The Boys (5ª Temporada)
2.9 317 Assista AgoraPoderia dizer que fiquei extremamente decepcionado com essa temporada, mas considerando que a quarta já tinha sido bem fraca e a segunda de Gen V também já tinha sido bastante ruim, eu já imaginava que essa temporada final não seria das mais satisfatórias. E realmente não foi. De longe, a pior temporada da série, e um final fraquíssimo para uma obra que já foi excelente.
Uma temporada inteira que fica enrolando em cima de uma solução que, no fim, não serve pra nada, já que a solução final é resolvida de outra forma no penúltimo episódio. Sem contar que a série parece ter esquecido que, antes de qualquer sátira política ou crítica social, você precisa ter uma boa história. A crítica ainda funciona em alguns momentos, mas não sustenta uma temporada inteira cheia de repetição de desenvolvimento de personagem e de tramas. Sem contar as soluções que não fazem sentido com o próprio universo apresentado, personagens que uma hora conseguem fazer coisas absurdas e em outra são completamente inúteis, diálogos toscos e sem sentido. Se salvam um pouco as atuações, mas tu também percebe que tão no automático.
Infelizmente, The Boys entra naquele hall de séries que começam muito bem e vão decaindo temporada após temporada. Nenhuma foi melhor que a anterior, e acho que isso resume bem como os criadores pareciam cada vez mais perdidos no que queriam contar. Falam muito de finais ruins como Game of Thrones ou Stranger Things, mas pra mim esse aqui consegue ser ainda pior.
Euphoria (3ª Temporada)
2.9 196 Assista AgoraFiquei extremamente surpreso com essa temporada. Nunca fui grande fã de Euphoria nas duas primeiras, achava uma série com uma estética interessante mas meio perdida como história, sem saber muito bem o que queria contar. Mas essa terceira temporada toma um rumo completamente diferente.
A estética continua ali, principalmente na fotografia, nos enquadramentos e nessa preocupação em criar composições bonitas. Mas o que mais me surpreendeu foi como a história está muito mais bem escrita, tanto no desenvolvimento dos personagens quanto nas situações que vão sendo criadas e na forma como elas se desenrolam, representando muito bem essa ideia de inconsequência juvenil que agora chega na vida adulta e cobra seu preço. E gosto de como a série não perdoa ninguém. Ela traz consequências para as escolhas dos personagens de uma forma realista e condizente com o que vinha sendo construído. E acho curioso como uma série "progressista" nos temas acaba sendo surpreendentemente "conservadora", não como lição de moral barata, mas como um retrato complexo dos caminhos que aqueles personagens tomaram.
Enfim, gostei muito, as atuações são excelentes, é uma temporada que acertou muito no humor em diversas situações, só acho que peca um pouco no pacing em algum momentos que poderiam ser trabalhados melhor na montagem. Não imaginava que fosse gostar tanto, um dos raros casos de séries que finalizam de forma satisfatória e melhor do que começou.
Treta (2ª Temporada)
3.4 66 Assista AgoraBoa temporada, mas acho um pouco abaixo da primeira. Aqui a série aposta mais na questão da luta de classes e em como isso influencia as relações que criamos, principalmente dentro do trabalho. Era algo que já existia na primeira temporada, mas agora fica bem mais latente por conta do novo cenário apresentado.
As atuações são bem boas no geral, principalmente dos quatro protagonistas, e a primeira metade é bastante cativante, com bons momentos de humor e situações que surpreendem. Mas sinto que, chegando pro final, a série volta a apostar numa escalada mais absurda da trama, algo que já fazia parte do estilo da primeira temporada, mas que aqui não me pegou tanto. Achei que ficou um pouco forçado demais em relação ao cenário mais naturalista que vinha sendo construído.
No geral, ainda é uma boa temporada, mas sem o mesmo impacto da anterior. Funciona bem enquanto assiste, mas ficou tanto comigo assim.
O Drama
3.6 494 Assista AgoraFilme sobre quando tu descobre que sua namorada já teve Onlyfans. Sabia que seria algo diferente pois já assisti outro filme do diretor, Dream Scenario, mas gostei que fui pro filme sem saber nada da trama e me surpreendi demais. As atuações de todos os envolvidos são ótimas, a montagem funciona demais em como mescla passado e futuro, mas também imaginação e realidade. E é tematicamente muito profundo, explorando temas como confiança e amadurecimento, mas principalmente nossa relação com passado daqueles que nos rodeiam, e como que pequenas informações podem mudar completamente nossa percepção de alguém.
Emergência Radioativa
3.9 221 Assista AgoraÉ uma série com bom valor de produção, principalmente na recriação de época e na escala do evento que tá retratando. Mas acho bastante irregular, tanto na parte científica quanto na dramática. Na científica, apesar de ser bem explicada, é deveras expositiva hora ou outra, com diálogos que as vezes soam muito professorais e pouco naturais. Já na parte dramática, há núcleos e personagens que funcionam bem, outros beiram o insuportável. Ainda assim, boa série, que fisga e consegue deixar interessado mesmo pra quem conhecia a história.
Marty Supreme
3.6 377 Assista AgoraÉ estilisticamente bem semelhante aos outros filmes do diretor - como Bom Comportamento e Joias Brutas - mesmo sendo um projeto solo sem seu irmão. Aquela narrativa onde o protagonista vai se enrolando cada vez mais, se enfiando em cada vez mais problemas que geram novos problemas que só aumentam a angústia e desespero de saber como aquilo vai se resolver.
É tecnicamente primoroso, tanto pela trilha sonora, que é magnífica, como pela recriação de época, que é incrível, mas nunca é exibicionista, mas se integra sutilmente a composição dos espaços. Além disso, as atuações de todo elenco de apoio é ótima, destaque pra Odessa A'zion. Mas o filme é mesmo do Chalamet na melhor atuação de sua carreira até agora, criando um personagem que poderia ser um picareta puro, mas ele consegue inserir nuances que manipulam não só os outros personagens como o próprio público.
É um filme que fala bastante do "sonho americano" e essa busca desenfreada pelo sucesso a qualquer custo, mas sinto que o que ele entrega no fim quase um coming of age. O protagonista vai até o inferno atrás do sonho, e no final é obrigado a lidar com a realidade da vida adulta representado no nascimento do filho. E é espetacular como há a alegria de ver o filho, mas também há a tristeza da perda da juventude e da irresponsabilidade. Interessante também é ver como que, apesar de se passar na década de 50, o personagem do Chalamet é um grande reflexo da geração Z. Essa geração que não tem vergonha de ser verdadeiro com o que acredita e que tem coragem de buscar seu sonho sem cinismo independente da opinião alheia.
Enfim, filmaço. É engraçado, caótico, emocionante, levanta discussões sociais e geracionais muito interessantes, e apresenta personagens e momentos memoráveis. Com certeza vai terminar 2026 como um dos melhores do ano.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 485 Assista AgoraConfesso que durante os dois primeiros atos o filme não me pegou tanto. Estava admirando mais os aspectos técnicos do que tendo algum envolvimento emocional com a história. Gosto muito da fotografia, e de como a diretora faz composições que remetem a pinturas e consegue comunicar a relação da protagonista com os espaços, seja com a natureza ou a casa que habita. Além disso, as atuações são excelentes. Tanto a Buckley quanto o Mescal entregam grandes performances, tanto na química entre os dois quanto na dor gerada pela tragédia apresentada pelo filme.
Mas pra mim a obra brilha mesmo no terceiro ato, quando a diretora consegue amarrar todo essa construção de uma forma muito tocante com o poder da arte. Me remeteu até a outro filme recente, Valor Sentimental, que trata também sobre como certos sentimentos e experiências só são possíveis de ser expressadas através da arte, e também na união e no compartilhamento de dores comuns que só a arte consegue proporcionar. Essa sequência final conseguiu me fazer entender toda a construção anterior e encerrar de forma impactante.
Sorry, Baby
3.7 59 Assista AgoraAté gosto de algumas escolhas de narrativa que a diretora toma aqui, dá pra ver que ela tem olhar próprio, principalmente de ironia e como consegue extrair humor de uns momentos inesperados. Mas sei lá, acho que a temática do filme já tá tão explorada que se não tiver algo de muito inovador, o filme meio que só me perde. Consigo ver o valor, mas não me impactou tanto quanto a outras pessoas.
Speed Racer
2.8 427 Assista AgoraPra ser sincero, acho que as cenas de corrida são as que menos me agradam. Acho que as diretoras pecam um pouco no exagero de cores e cortes ali que acaba ficando cansativo e confuso. Mas de resto, adoro toda a narrativa e o estilo do filme. Não tem vergonha de abraçar toda essa estética colorida e animada pra contar uma história que precisa disso. Extremamente divertido e com um visual único, diferente de qualquer outra obra.
Se Meu Apartamento Falasse
4.3 450 Assista AgoraSurpreso com o quanto eu gostei desse filme. Parece que vai ser uma comédia romântica simples, mas vai além disso e trata sobre solidão, depressão e exploração no ambiente de trabalho. O roteiro constrói muito bem não só os excelentes protagonistas, mas também todos os coadjuvantes e suas relações. E a direção do Wilder é muito boa em conduzir tudo isso e também na forma como filma os cenários pra refletir o emocional dos personagens é muito certeira. A cena do espelho quebrado é magistral, literalmente tirou meu fôlego. Aquele tipo de filme que tu começa a ver sem esperar nada e termina completamente envolvido.
Zootopia 2
3.7 188 Assista AgoraNão acho tão tematicamente denso como o anterior, mas de resto, mantém quase todas as qualidades. Ótima história e personagens muito carismáticos, bom humor e diversas referências a outras obras que são muito divertidas. Tudo isso com uma animação belíssima, principalmente no quesito de ambientação.
Os Catadores e Eu
4.4 56 Assista AgoraPrimeiro trabalho da diretora que assisto, e fiquei bem impressionado, principalmente pela forma que ela consegue fazer um estudo de fato do que é ser um catador e suas diversas formas e diferenças, e ainda relacionar isso a ela mesma e como enxerga o cineasta como um catador, e acho que a cena dos caminhões é a mais divertida ao representar essa ideia. A Varda diz em um momento que "É sempre um auto-retrato", e acho que isso revela muito de como ela enxerga não só nossa relação com o outro, como também o fazer cinematográfico.
Stranger Things (5ª Temporada)
3.5 517 Assista AgoraÉ uma temporada muito ruim, de fato. O roteiro é extremamente incongruente e cheio de furos, sem contar a falta de planejamento, que resulta em 7 episódios repetitivos que pouca coisa acontece, e o último totalmente corrido resolvendo coisas extremamente importantes da forma mais simples possível. O excesso de personagens resulta em vários sendo sendo esquecidos ou mal aproveitados, com arcos sendo mal resolvidos, ou apressados, ou só ignorados. As atuações em sua maioria são fraquíssimas, muito pouca gente se salva ali. E visualmente é pobríssima, a estética da série, que já foi referência, agora só parece plástica e artificial.
Mas deixando tudo isso de lado, Stranger Things meio que virou o MCU das séries de TV. Então mais do que entregar um produto de qualidade, ela está mais preocupada em gerar esse hype e esses momentos isolados que funcionam para os fãs mais engajados. Confesso que eu nunca fui um apreciador da série, gostava até a terceira temporada, mas desde a passada perdeu muito a graça para mim. Mas pra quem tem um carinho mais profundo por aqueles personagens, acho que o final conseguiu entregar, pelo menos a nível emocional, algo satisfatório e até tematicamente condizente com a proposta original da série, já que sempre foi um coming of age onde o fantástico era apenas o pivô para o amadurecimento dos personagens. E acho que toda a sequência final do último episódio conseguiu refletir bem isso. Pena que o resto da temporada tenha sido o pior do que Stranger Things tinha a oferecer.
Pluribus (1ª Temporada)
4.0 354 Assista AgoraObra-prima. Desde o começo já estabelece as regras do novo mundo, e se interessa mais no desenvolvimento da protagonista naquela nova realidade do que ficar se apoiando em mistériozinhos pra manter o espectador engajado. É um sci-fi que confia na capacidade interpretativa de quem assiste e que consegue, a cada episódio, expandir sua premissa e se aprofundar na psique de sua protagonista e de outros personagens. A atuação da Rhea Seehorn é espetacular em como consegue ser insuportável com a sua amargura na fachada, mas carrega uma dor e solidão profunda por trás. Além disso, é tecnicamente e visualmente impecável, como já é padrão do Vince Gilligan, com uma fotografia e uso de cores que servem a um propósito narrativo e que são bonitos sem serem exibicionistas. E é incrível como consegue discutir relações políticas, luto, arte, IA, e pra mim, o principal tema que é individualismo x coletivismo, sem ser dicotômico ou discursivo. Todos esses temas são intrinsicamente ligados ao desenvolvimento e as relações dos personagens. E muita gente reclama do ritmo (que eu particularmente discordo), mas esquecem das outras obras do autor, cuja veracidade das decisões dos personagens e o impacto emocional derivado delas vinham justamente desse desenvolvimento gradual que elas possuíam. E Pluribus não está sendo diferente, visto o impacto emocional dos acontecimentos no final da temporada. Enfim, aquele tipo de série que gera discussões de horas e que coloca o Vince Gilligan como o maior showrunner da história, já que ninguém acertou tanto quanto ele.
Valor Sentimental
3.9 403 Assista AgoraUm dos filmes mais complexos e densos do ano. Consegue tratar de uma penca de assuntos, mas principalmente de uma forma muito profunda sobre trauma geracional e o uso da arte e do fazer cinematográfico como forma de expressar sentimentos e tratar conflitos pessoais.
Mas também é um drama simplesmente brilhante, principalmente na forma como trabalha seus personagens e relações. A atuação dos quatro principais são primorosas, poderia facilmente colocar todos num top de melhores do ano. O pai cineasta sofrendo com o envelhecimento, a dificuldade de demonstrar afeto para as filhas e a recusa de se reconhecer na história que está querendo retratar. A filha mais velha que replica o comportamento do pai inconscientemente e que também vê na arte uma forma de escape, mesmo que essa traga a dor de sempre lembra-la do abandono sofrido. A irmã mais nova que serve quase que de elo de união da família, e que lida com o trauma mais pelo resgate histórico, e como isso a leva a ter mais compaixão pelo comportamento do pai. E a atriz, que é uma "intrusa" naquela dinâmica, mas que tem a sensibilidade artística suficiente pra entender que aquela história não é sobre ela.
A direção do Trier é excelente também em conduzir toda essa complexidade de forma fluída e sutil, usando muito do silêncio para revelar muito daquelas relações. E gosto também como é um filme metalinguístico, mas sem ser exagerado, sempre mantendo o foco no drama dos personagens sempre. Um filme tocante, que trata seus temas com muita maturidade, e com diversos momentos extremamente emocionantes. Com certeza um dos melhores do ano.
As Ondas
3.9 185Comecei a assistir de madrugada, como quem não quer nada, e fui completamente fisgado. Há várias temáticas que o filme aborda, tem criação parental, mas pra metade do filme fala muito sobre luto. Acho que a principal no entanto é como ele aborda essas "ondas" no título, como lidamos com altos e baixos em nossas vidas, e como cabe a nós lidar com esses períodos sem nos deixar levar a decisões que podem definir a nossa existência.
Mas mais do que os temas, o que me pegou foi a história e a direção do Shults, como ele desenvolve e complexifica aqueles personagens e cativar o espectador na situação que está sendo abordada. Confesso que me perdeu um pouco quando há a quebra narrativa, mas ainda assim uma grande experiência, não pensei que fosse gostar tanto.
Amores Materialistas
3.1 405 Assista AgoraConsigo ver valor no que a Celine Song faz, principalmente em questão de roteiro. Acho que ela consegue explorar bem as temáticas amorosas, como confundimos conforto com afeto, as dificuldades que o amor verdadeiro enfrenta para funcionar dentro da sociedade atual, como ficamos divididos entro o racional e o passional. Mas sei lá, assim como no filme anterior dela (que eu ainda acho melhor que esse aqui), falta algo na condução narrativa que me impacte mais, acaba tudo soando muito básico. Até a subtrama inserida no meio do filme acaba destoando completamente do tem do resto da história. Entendo o que a diretora quer fazer, mas ela não consegue me fazer sentir o que ela quer passar.
Corra Que a Polícia Vem Aí!
3.5 385 Assista AgoraÓtima comédia que funciona principalmente por que extrai humor não só pelo texto, mas muito também pelos elementos visuais e cênicos. A forma que o Leslie Nielsen sempre mantém o semblante de seriedade em meio as maluquices funciona muito bem também. Tem uns momentos que o filme me perdeu, principalmente na sequência de beisebol no final, mas ainda assim um filme de comédia que funciona bem até hoje.
Avatar: Fogo e Cinzas
3.5 355 Assista AgoraGosto de como é o que mais trabalha com a questão da espiritualidade e também com o luto dos personagens e a forma como eles lidam com o fim. Acho interessante que conversa com esse ser o fim da trilogia, por enquanto. Além disso, acho os personagens bem desenvolvidos, principalmente o Jake e a Neytiri, como eles lidam com a perda do filho e como um influência o sentimento do outro em relação a isso. Achei a cena da discussão deles na metade do filme a mais tocante do filme nesse sentido.
Mas tratando de história, realmente é o mais fraco dos três. Além de ser repetitiva até em relação aos outros filmes da franquia, tem coisas que são muito mal trabalhadas, como o cientista que surge do nada e só serve como artificio do roteiro pra ajudar o Jake a escapar, ou a nova personagem do reino do fogo, que é totalmente rasa e é resumida a só uma capanga qualquer no fim, perdendo todo o impacto que parecia que ia ter no inicio do filme.
Mas tratando-se de Avatar, o que mais espero de fato é a construção visual, e aqui o James Cameron continua fazendo com maestria. A qualidade do CGI, as texturas, as cores, é um filme bonito pra cacete. Toda a construção visual também, de design de produção e cenários é espetacular, desde o povo que vem voando, ou a parte do fogo, ou até o reino da água que já vinha do filme anterior continua impecável. Além disso, o Cameron é gênio quando se trata de sequências de ação e suspense, e achei as daqui excelentes também. A forma como ele sempre conduz nosso foco mas ao mesmo tempo preenche a tela com vários elementos pra gente explorar, ou como ele seta o ritmo das cenas, é coisa de maluco.
Gostei bastante, é aquele tipo de filme que tem que ser visto no cinema, já que muito do impacto está no visual. Assisti em IMAX 3D e foi incrível. Concordo que tem a melhor história dos três, mas como espetáculo visual, o Cameron continua se superando.
Observador
3.3 416Gosto bastante da condução narrativa do filme, principalmente nessa atmosfera de incerteza que a diretora consegue construir, onde não se sabe o que é perseguição de fato ou apenas uma incerteza angustiante gerada pela hostilidade social em relação as mulheres como a diretora acredita. Mas pra mim o filme peca principalmente na relação da protagonista com o marido, que é previsível e com um texto só bobo mesmo. E o final, eu não acho que condiz com a temática geral da obra, mas entendo o que a diretora busca com ele. No geral, um bom trhiller psicológico, mesmo com seus deslizes.