É uma série com bom valor de produção, principalmente na recriação de época e na escala do evento que tá retratando. Mas acho bastante irregular, tanto na parte científica quanto na dramática. Na científica, apesar de ser bem explicada, é deveras expositiva hora ou outra, com diálogos que as vezes soam muito professorais e pouco naturais. Já na parte dramática, há núcleos e personagens que funcionam bem, outros beiram o insuportável. Ainda assim, boa série, que fisga e consegue deixar interessado mesmo pra quem conhecia a história.
É estilisticamente bem semelhante aos outros filmes do diretor - como Bom Comportamento e Joias Brutas - mesmo sendo um projeto solo sem seu irmão. Aquela narrativa onde o protagonista vai se enrolando cada vez mais, se enfiando em cada vez mais problemas que geram novos problemas que só aumentam a angústia e desespero de saber como aquilo vai se resolver.
É tecnicamente primoroso, tanto pela trilha sonora, que é magnífica, como pela recriação de época, que é incrível, mas nunca é exibicionista, mas se integra sutilmente a composição dos espaços. Além disso, as atuações de todo elenco de apoio é ótima, destaque pra Odessa A'zion. Mas o filme é mesmo do Chalamet na melhor atuação de sua carreira até agora, criando um personagem que poderia ser um picareta puro, mas ele consegue inserir nuances que manipulam não só os outros personagens como o próprio público.
É um filme que fala bastante do "sonho americano" e essa busca desenfreada pelo sucesso a qualquer custo, mas sinto que o que ele entrega no fim quase um coming of age. O protagonista vai até o inferno atrás do sonho, e no final é obrigado a lidar com a realidade da vida adulta representado no nascimento do filho. E é espetacular como há a alegria de ver o filho, mas também há a tristeza da perda da juventude e da irresponsabilidade. Interessante também é ver como que, apesar de se passar na década de 50, o personagem do Chalamet é um grande reflexo da geração Z. Essa geração que não tem vergonha de ser verdadeiro com o que acredita e que tem coragem de buscar seu sonho sem cinismo independente da opinião alheia.
Enfim, filmaço. É engraçado, caótico, emocionante, levanta discussões sociais e geracionais muito interessantes, e apresenta personagens e momentos memoráveis. Com certeza vai terminar 2026 como um dos melhores do ano.
Confesso que durante os dois primeiros atos o filme não me pegou tanto. Estava admirando mais os aspectos técnicos do que tendo algum envolvimento emocional com a história. Gosto muito da fotografia, e de como a diretora faz composições que remetem a pinturas e consegue comunicar a relação da protagonista com os espaços, seja com a natureza ou a casa que habita. Além disso, as atuações são excelentes. Tanto a Buckley quanto o Mescal entregam grandes performances, tanto na química entre os dois quanto na dor gerada pela tragédia apresentada pelo filme.
Mas pra mim a obra brilha mesmo no terceiro ato, quando a diretora consegue amarrar todo essa construção de uma forma muito tocante com o poder da arte. Me remeteu até a outro filme recente, Valor Sentimental, que trata também sobre como certos sentimentos e experiências só são possíveis de ser expressadas através da arte, e também na união e no compartilhamento de dores comuns que só a arte consegue proporcionar. Essa sequência final conseguiu me fazer entender toda a construção anterior e encerrar de forma impactante.
Até gosto de algumas escolhas de narrativa que a diretora toma aqui, dá pra ver que ela tem olhar próprio, principalmente de ironia e como consegue extrair humor de uns momentos inesperados. Mas sei lá, acho que a temática do filme já tá tão explorada que se não tiver algo de muito inovador, o filme meio que só me perde. Consigo ver o valor, mas não me impactou tanto quanto a outras pessoas.
Pra ser sincero, acho que as cenas de corrida são as que menos me agradam. Acho que as diretoras pecam um pouco no exagero de cores e cortes ali que acaba ficando cansativo e confuso. Mas de resto, adoro toda a narrativa e o estilo do filme. Não tem vergonha de abraçar toda essa estética colorida e animada pra contar uma história que precisa disso. Extremamente divertido e com um visual único, diferente de qualquer outra obra.
Surpreso com o quanto eu gostei desse filme. Parece que vai ser uma comédia romântica simples, mas vai além disso e trata sobre solidão, depressão e exploração no ambiente de trabalho. O roteiro constrói muito bem não só os excelentes protagonistas, mas também todos os coadjuvantes e suas relações. E a direção do Wilder é muito boa em conduzir tudo isso e também na forma como filma os cenários pra refletir o emocional dos personagens é muito certeira. A cena do espelho quebrado é magistral, literalmente tirou meu fôlego. Aquele tipo de filme que tu começa a ver sem esperar nada e termina completamente envolvido.
Não acho tão tematicamente denso como o anterior, mas de resto, mantém quase todas as qualidades. Ótima história e personagens muito carismáticos, bom humor e diversas referências a outras obras que são muito divertidas. Tudo isso com uma animação belíssima, principalmente no quesito de ambientação.
Primeiro trabalho da diretora que assisto, e fiquei bem impressionado, principalmente pela forma que ela consegue fazer um estudo de fato do que é ser um catador e suas diversas formas e diferenças, e ainda relacionar isso a ela mesma e como enxerga o cineasta como um catador, e acho que a cena dos caminhões é a mais divertida ao representar essa ideia. A Varda diz em um momento que "É sempre um auto-retrato", e acho que isso revela muito de como ela enxerga não só nossa relação com o outro, como também o fazer cinematográfico.
É uma temporada muito ruim, de fato. O roteiro é extremamente incongruente e cheio de furos, sem contar a falta de planejamento, que resulta em 7 episódios repetitivos que pouca coisa acontece, e o último totalmente corrido resolvendo coisas extremamente importantes da forma mais simples possível. O excesso de personagens resulta em vários sendo sendo esquecidos ou mal aproveitados, com arcos sendo mal resolvidos, ou apressados, ou só ignorados. As atuações em sua maioria são fraquíssimas, muito pouca gente se salva ali. E visualmente é pobríssima, a estética da série, que já foi referência, agora só parece plástica e artificial.
Mas deixando tudo isso de lado, Stranger Things meio que virou o MCU das séries de TV. Então mais do que entregar um produto de qualidade, ela está mais preocupada em gerar esse hype e esses momentos isolados que funcionam para os fãs mais engajados. Confesso que eu nunca fui um apreciador da série, gostava até a terceira temporada, mas desde a passada perdeu muito a graça para mim. Mas pra quem tem um carinho mais profundo por aqueles personagens, acho que o final conseguiu entregar, pelo menos a nível emocional, algo satisfatório e até tematicamente condizente com a proposta original da série, já que sempre foi um coming of age onde o fantástico era apenas o pivô para o amadurecimento dos personagens. E acho que toda a sequência final do último episódio conseguiu refletir bem isso. Pena que o resto da temporada tenha sido o pior do que Stranger Things tinha a oferecer.
Obra-prima. Desde o começo já estabelece as regras do novo mundo, e se interessa mais no desenvolvimento da protagonista naquela nova realidade do que ficar se apoiando em mistériozinhos pra manter o espectador engajado. É um sci-fi que confia na capacidade interpretativa de quem assiste e que consegue, a cada episódio, expandir sua premissa e se aprofundar na psique de sua protagonista e de outros personagens. A atuação da Rhea Seehorn é espetacular em como consegue ser insuportável com a sua amargura na fachada, mas carrega uma dor e solidão profunda por trás. Além disso, é tecnicamente e visualmente impecável, como já é padrão do Vince Gilligan, com uma fotografia e uso de cores que servem a um propósito narrativo e que são bonitos sem serem exibicionistas. E é incrível como consegue discutir relações políticas, luto, arte, IA, e pra mim, o principal tema que é individualismo x coletivismo, sem ser dicotômico ou discursivo. Todos esses temas são intrinsicamente ligados ao desenvolvimento e as relações dos personagens. E muita gente reclama do ritmo (que eu particularmente discordo), mas esquecem das outras obras do autor, cuja veracidade das decisões dos personagens e o impacto emocional derivado delas vinham justamente desse desenvolvimento gradual que elas possuíam. E Pluribus não está sendo diferente, visto o impacto emocional dos acontecimentos no final da temporada. Enfim, aquele tipo de série que gera discussões de horas e que coloca o Vince Gilligan como o maior showrunner da história, já que ninguém acertou tanto quanto ele.
Um dos filmes mais complexos e densos do ano. Consegue tratar de uma penca de assuntos, mas principalmente de uma forma muito profunda sobre trauma geracional e o uso da arte e do fazer cinematográfico como forma de expressar sentimentos e tratar conflitos pessoais.
Mas também é um drama simplesmente brilhante, principalmente na forma como trabalha seus personagens e relações. A atuação dos quatro principais são primorosas, poderia facilmente colocar todos num top de melhores do ano. O pai cineasta sofrendo com o envelhecimento, a dificuldade de demonstrar afeto para as filhas e a recusa de se reconhecer na história que está querendo retratar. A filha mais velha que replica o comportamento do pai inconscientemente e que também vê na arte uma forma de escape, mesmo que essa traga a dor de sempre lembra-la do abandono sofrido. A irmã mais nova que serve quase que de elo de união da família, e que lida com o trauma mais pelo resgate histórico, e como isso a leva a ter mais compaixão pelo comportamento do pai. E a atriz, que é uma "intrusa" naquela dinâmica, mas que tem a sensibilidade artística suficiente pra entender que aquela história não é sobre ela.
A direção do Trier é excelente também em conduzir toda essa complexidade de forma fluída e sutil, usando muito do silêncio para revelar muito daquelas relações. E gosto também como é um filme metalinguístico, mas sem ser exagerado, sempre mantendo o foco no drama dos personagens sempre. Um filme tocante, que trata seus temas com muita maturidade, e com diversos momentos extremamente emocionantes. Com certeza um dos melhores do ano.
Comecei a assistir de madrugada, como quem não quer nada, e fui completamente fisgado. Há várias temáticas que o filme aborda, tem criação parental, mas pra metade do filme fala muito sobre luto. Acho que a principal no entanto é como ele aborda essas "ondas" no título, como lidamos com altos e baixos em nossas vidas, e como cabe a nós lidar com esses períodos sem nos deixar levar a decisões que podem definir a nossa existência.
Mas mais do que os temas, o que me pegou foi a história e a direção do Shults, como ele desenvolve e complexifica aqueles personagens e cativar o espectador na situação que está sendo abordada. Confesso que me perdeu um pouco quando há a quebra narrativa, mas ainda assim uma grande experiência, não pensei que fosse gostar tanto.
Consigo ver valor no que a Celine Song faz, principalmente em questão de roteiro. Acho que ela consegue explorar bem as temáticas amorosas, como confundimos conforto com afeto, as dificuldades que o amor verdadeiro enfrenta para funcionar dentro da sociedade atual, como ficamos divididos entro o racional e o passional. Mas sei lá, assim como no filme anterior dela (que eu ainda acho melhor que esse aqui), falta algo na condução narrativa que me impacte mais, acaba tudo soando muito básico. Até a subtrama inserida no meio do filme acaba destoando completamente do tem do resto da história. Entendo o que a diretora quer fazer, mas ela não consegue me fazer sentir o que ela quer passar.
Ótima comédia que funciona principalmente por que extrai humor não só pelo texto, mas muito também pelos elementos visuais e cênicos. A forma que o Leslie Nielsen sempre mantém o semblante de seriedade em meio as maluquices funciona muito bem também. Tem uns momentos que o filme me perdeu, principalmente na sequência de beisebol no final, mas ainda assim um filme de comédia que funciona bem até hoje.
Gosto de como é o que mais trabalha com a questão da espiritualidade e também com o luto dos personagens e a forma como eles lidam com o fim. Acho interessante que conversa com esse ser o fim da trilogia, por enquanto. Além disso, acho os personagens bem desenvolvidos, principalmente o Jake e a Neytiri, como eles lidam com a perda do filho e como um influência o sentimento do outro em relação a isso. Achei a cena da discussão deles na metade do filme a mais tocante do filme nesse sentido.
Mas tratando de história, realmente é o mais fraco dos três. Além de ser repetitiva até em relação aos outros filmes da franquia, tem coisas que são muito mal trabalhadas, como o cientista que surge do nada e só serve como artificio do roteiro pra ajudar o Jake a escapar, ou a nova personagem do reino do fogo, que é totalmente rasa e é resumida a só uma capanga qualquer no fim, perdendo todo o impacto que parecia que ia ter no inicio do filme.
Mas tratando-se de Avatar, o que mais espero de fato é a construção visual, e aqui o James Cameron continua fazendo com maestria. A qualidade do CGI, as texturas, as cores, é um filme bonito pra cacete. Toda a construção visual também, de design de produção e cenários é espetacular, desde o povo que vem voando, ou a parte do fogo, ou até o reino da água que já vinha do filme anterior continua impecável. Além disso, o Cameron é gênio quando se trata de sequências de ação e suspense, e achei as daqui excelentes também. A forma como ele sempre conduz nosso foco mas ao mesmo tempo preenche a tela com vários elementos pra gente explorar, ou como ele seta o ritmo das cenas, é coisa de maluco.
Gostei bastante, é aquele tipo de filme que tem que ser visto no cinema, já que muito do impacto está no visual. Assisti em IMAX 3D e foi incrível. Concordo que tem a melhor história dos três, mas como espetáculo visual, o Cameron continua se superando.
Gosto bastante da condução narrativa do filme, principalmente nessa atmosfera de incerteza que a diretora consegue construir, onde não se sabe o que é perseguição de fato ou apenas uma incerteza angustiante gerada pela hostilidade social em relação as mulheres como a diretora acredita. Mas pra mim o filme peca principalmente na relação da protagonista com o marido, que é previsível e com um texto só bobo mesmo. E o final, eu não acho que condiz com a temática geral da obra, mas entendo o que a diretora busca com ele. No geral, um bom trhiller psicológico, mesmo com seus deslizes.
É um filme extremamente autoindulgente, e faz sentido que seja. É quase como uma sessão de terapia do Lars refletindo sobre sua carreira e visão de arte, e também de como é percebido pelo público. Mas me incomoda como o filme é redundante. Quase 3 horas que o filme se repete em ciclos de narração e sequencias longíssimas que antes fossem pretensiosas, mas são só chatas mesmo. Mas ainda assim, gosto de como é um filme bem humorado apesar do gore, e acho que filme ganha uma nova força no final, com a descida ao inferno carregada de autocrítica e reflexiva do Lars sobre sua situação dentro do cinema, onde não há salvação ou redenção.
Um dos mais interessantes retratos sobre a depressão. Gosto de como o Trier divide o filme em duas partes e utiliza cada uma para refletir sobre como essa doença afeta cada uma das irmãs. A primeira é puxa mais pra uma tensão e humor de desconforto nas relações, enquanto a segunda é mais contemplativa e sombria. E essa dualidade das irmãs é o que mais me instigou, porque enquanto para a personagem da Dunst a doença é inerente ao seu ser, para a da Gainsbourg vêm mais pelo medo de perder o que construiu. E isso se reflete até no acontecimento do final: enquanto para uma aquilo é o alívio, para outra é o terror completo. Ótimo filme, atuações excelentes, e um estudo psicológico denso que não se apoia em conclusões simplistas, mas pensa mais em explorar as facetas dessa patologia.
Continua no mesmo nível da primeira, na minha opinião. Não é nada que mude o mundo, mas é uma comédia romântica bem feitinha que é fácil de se assistir.
Animação bem feita, mesmo que esse estilo da Sony esteja ficando batido, e as músicas são legais no geral. Mas é totalmente previsível, cansativo em sua montagem frenética pra agradar um público viciado em vídeos de 30 segundos, e não se esforça em nada em desenvolver algo mais profundo para um público mais velho. Só é interessante se avaliar como uma propaganda da Coréia da Sul contra o regime norte-coreano.
Um fraco exemplar do gênero. Parte de uma premissa interessante no começo, mas que no final se desenvolve pra uma comédia romântica genérica e previsível, que não se destaca nem pelas atuações ou química do casal, nem pelo visual e nem pelo humor.
Aquele tipo de filme que te dá um negócio ruim enquanto assiste, uma sensação de angústia e desconforto, que é muito bem transmitida pela fotografia sem alma e pelos planos abertos onde aparentemente nada acontece. Gosto também de como o filme evolui de uma trama de investigação de suicídio pra um cenário pós apocalíptico, servindo como metáfora de como o isolamento surge como algo pequeno, mas vai corroendo tudo ao redor. E mais foda ainda é como relaciona isso com a tecnologia, que é tanto o meio para a assombração como para o isolamento, e acho que isso conversa muito com a sociedade japonesa da época. Acho que o final se perde um pouco, quando tenta ir pra algo mais "ação", e envelheceu meio mal a estética de alguns efeitos, mas que continua funcionando muito bem ainda hoje.
Gosto que a série consegue manter o mistério constante durante toda a obra, revelando aspectos e desenvolvendo o protagonista e sempre nos fazendo duvidar do envolvimento dele no crime. Fui surpreendido com a revelação no fim, imaginava que deixariam em aberto, o que seria mais previsível, mas seria mais condizente com a temática da obra no geral. Tirando umas subtramas ali desnecessárias que atrasam o andamento da série, acho boa como um todo, mesmo que não seja tão inovadora dentro do gênero.
Boa série de investigação, mas muito superestimada. Acho que faz um bom trabalho com o mistério, principalmente envolvendo o passado dos personagens, e te deixa instigado e surpreso com algumas reviravoltas que tem pro final da série. Mas em questão de narrativa, é muito mais do mesmo, não tenta nada de novo dentro do gênero. As atuações são boas, principalmente do Mark Ruffalo, que pra mim se destaca em relação aos outros. É aquele tipo de série que te prende enquanto assiste, é um thriller eficiente, mas que depois que acaba não deixa quase nenhum impacto.
Emergência Radioativa
3.9 186 Assista AgoraÉ uma série com bom valor de produção, principalmente na recriação de época e na escala do evento que tá retratando. Mas acho bastante irregular, tanto na parte científica quanto na dramática. Na científica, apesar de ser bem explicada, é deveras expositiva hora ou outra, com diálogos que as vezes soam muito professorais e pouco naturais. Já na parte dramática, há núcleos e personagens que funcionam bem, outros beiram o insuportável. Ainda assim, boa série, que fisga e consegue deixar interessado mesmo pra quem conhecia a história.
Marty Supreme
3.7 321 Assista AgoraÉ estilisticamente bem semelhante aos outros filmes do diretor - como Bom Comportamento e Joias Brutas - mesmo sendo um projeto solo sem seu irmão. Aquela narrativa onde o protagonista vai se enrolando cada vez mais, se enfiando em cada vez mais problemas que geram novos problemas que só aumentam a angústia e desespero de saber como aquilo vai se resolver.
É tecnicamente primoroso, tanto pela trilha sonora, que é magnífica, como pela recriação de época, que é incrível, mas nunca é exibicionista, mas se integra sutilmente a composição dos espaços. Além disso, as atuações de todo elenco de apoio é ótima, destaque pra Odessa A'zion. Mas o filme é mesmo do Chalamet na melhor atuação de sua carreira até agora, criando um personagem que poderia ser um picareta puro, mas ele consegue inserir nuances que manipulam não só os outros personagens como o próprio público.
É um filme que fala bastante do "sonho americano" e essa busca desenfreada pelo sucesso a qualquer custo, mas sinto que o que ele entrega no fim quase um coming of age. O protagonista vai até o inferno atrás do sonho, e no final é obrigado a lidar com a realidade da vida adulta representado no nascimento do filho. E é espetacular como há a alegria de ver o filho, mas também há a tristeza da perda da juventude e da irresponsabilidade. Interessante também é ver como que, apesar de se passar na década de 50, o personagem do Chalamet é um grande reflexo da geração Z. Essa geração que não tem vergonha de ser verdadeiro com o que acredita e que tem coragem de buscar seu sonho sem cinismo independente da opinião alheia.
Enfim, filmaço. É engraçado, caótico, emocionante, levanta discussões sociais e geracionais muito interessantes, e apresenta personagens e momentos memoráveis. Com certeza vai terminar 2026 como um dos melhores do ano.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.2 417 Assista AgoraConfesso que durante os dois primeiros atos o filme não me pegou tanto. Estava admirando mais os aspectos técnicos do que tendo algum envolvimento emocional com a história. Gosto muito da fotografia, e de como a diretora faz composições que remetem a pinturas e consegue comunicar a relação da protagonista com os espaços, seja com a natureza ou a casa que habita. Além disso, as atuações são excelentes. Tanto a Buckley quanto o Mescal entregam grandes performances, tanto na química entre os dois quanto na dor gerada pela tragédia apresentada pelo filme.
Mas pra mim a obra brilha mesmo no terceiro ato, quando a diretora consegue amarrar todo essa construção de uma forma muito tocante com o poder da arte. Me remeteu até a outro filme recente, Valor Sentimental, que trata também sobre como certos sentimentos e experiências só são possíveis de ser expressadas através da arte, e também na união e no compartilhamento de dores comuns que só a arte consegue proporcionar. Essa sequência final conseguiu me fazer entender toda a construção anterior e encerrar de forma impactante.
Sorry, Baby
3.7 48 Assista AgoraAté gosto de algumas escolhas de narrativa que a diretora toma aqui, dá pra ver que ela tem olhar próprio, principalmente de ironia e como consegue extrair humor de uns momentos inesperados. Mas sei lá, acho que a temática do filme já tá tão explorada que se não tiver algo de muito inovador, o filme meio que só me perde. Consigo ver o valor, mas não me impactou tanto quanto a outras pessoas.
Speed Racer
2.8 426 Assista AgoraPra ser sincero, acho que as cenas de corrida são as que menos me agradam. Acho que as diretoras pecam um pouco no exagero de cores e cortes ali que acaba ficando cansativo e confuso. Mas de resto, adoro toda a narrativa e o estilo do filme. Não tem vergonha de abraçar toda essa estética colorida e animada pra contar uma história que precisa disso. Extremamente divertido e com um visual único, diferente de qualquer outra obra.
Se Meu Apartamento Falasse
4.3 448 Assista AgoraSurpreso com o quanto eu gostei desse filme. Parece que vai ser uma comédia romântica simples, mas vai além disso e trata sobre solidão, depressão e exploração no ambiente de trabalho. O roteiro constrói muito bem não só os excelentes protagonistas, mas também todos os coadjuvantes e suas relações. E a direção do Wilder é muito boa em conduzir tudo isso e também na forma como filma os cenários pra refletir o emocional dos personagens é muito certeira. A cena do espelho quebrado é magistral, literalmente tirou meu fôlego. Aquele tipo de filme que tu começa a ver sem esperar nada e termina completamente envolvido.
Zootopia 2
3.7 165Não acho tão tematicamente denso como o anterior, mas de resto, mantém quase todas as qualidades. Ótima história e personagens muito carismáticos, bom humor e diversas referências a outras obras que são muito divertidas. Tudo isso com uma animação belíssima, principalmente no quesito de ambientação.
Os Catadores e Eu
4.4 55 Assista AgoraPrimeiro trabalho da diretora que assisto, e fiquei bem impressionado, principalmente pela forma que ela consegue fazer um estudo de fato do que é ser um catador e suas diversas formas e diferenças, e ainda relacionar isso a ela mesma e como enxerga o cineasta como um catador, e acho que a cena dos caminhões é a mais divertida ao representar essa ideia. A Varda diz em um momento que "É sempre um auto-retrato", e acho que isso revela muito de como ela enxerga não só nossa relação com o outro, como também o fazer cinematográfico.
Stranger Things (5ª Temporada)
3.5 511 Assista AgoraÉ uma temporada muito ruim, de fato. O roteiro é extremamente incongruente e cheio de furos, sem contar a falta de planejamento, que resulta em 7 episódios repetitivos que pouca coisa acontece, e o último totalmente corrido resolvendo coisas extremamente importantes da forma mais simples possível. O excesso de personagens resulta em vários sendo sendo esquecidos ou mal aproveitados, com arcos sendo mal resolvidos, ou apressados, ou só ignorados. As atuações em sua maioria são fraquíssimas, muito pouca gente se salva ali. E visualmente é pobríssima, a estética da série, que já foi referência, agora só parece plástica e artificial.
Mas deixando tudo isso de lado, Stranger Things meio que virou o MCU das séries de TV. Então mais do que entregar um produto de qualidade, ela está mais preocupada em gerar esse hype e esses momentos isolados que funcionam para os fãs mais engajados. Confesso que eu nunca fui um apreciador da série, gostava até a terceira temporada, mas desde a passada perdeu muito a graça para mim. Mas pra quem tem um carinho mais profundo por aqueles personagens, acho que o final conseguiu entregar, pelo menos a nível emocional, algo satisfatório e até tematicamente condizente com a proposta original da série, já que sempre foi um coming of age onde o fantástico era apenas o pivô para o amadurecimento dos personagens. E acho que toda a sequência final do último episódio conseguiu refletir bem isso. Pena que o resto da temporada tenha sido o pior do que Stranger Things tinha a oferecer.
Pluribus (1ª Temporada)
4.0 335 Assista AgoraObra-prima. Desde o começo já estabelece as regras do novo mundo, e se interessa mais no desenvolvimento da protagonista naquela nova realidade do que ficar se apoiando em mistériozinhos pra manter o espectador engajado. É um sci-fi que confia na capacidade interpretativa de quem assiste e que consegue, a cada episódio, expandir sua premissa e se aprofundar na psique de sua protagonista e de outros personagens. A atuação da Rhea Seehorn é espetacular em como consegue ser insuportável com a sua amargura na fachada, mas carrega uma dor e solidão profunda por trás. Além disso, é tecnicamente e visualmente impecável, como já é padrão do Vince Gilligan, com uma fotografia e uso de cores que servem a um propósito narrativo e que são bonitos sem serem exibicionistas. E é incrível como consegue discutir relações políticas, luto, arte, IA, e pra mim, o principal tema que é individualismo x coletivismo, sem ser dicotômico ou discursivo. Todos esses temas são intrinsicamente ligados ao desenvolvimento e as relações dos personagens. E muita gente reclama do ritmo (que eu particularmente discordo), mas esquecem das outras obras do autor, cuja veracidade das decisões dos personagens e o impacto emocional derivado delas vinham justamente desse desenvolvimento gradual que elas possuíam. E Pluribus não está sendo diferente, visto o impacto emocional dos acontecimentos no final da temporada. Enfim, aquele tipo de série que gera discussões de horas e que coloca o Vince Gilligan como o maior showrunner da história, já que ninguém acertou tanto quanto ele.
Valor Sentimental
3.9 371 Assista AgoraUm dos filmes mais complexos e densos do ano. Consegue tratar de uma penca de assuntos, mas principalmente de uma forma muito profunda sobre trauma geracional e o uso da arte e do fazer cinematográfico como forma de expressar sentimentos e tratar conflitos pessoais.
Mas também é um drama simplesmente brilhante, principalmente na forma como trabalha seus personagens e relações. A atuação dos quatro principais são primorosas, poderia facilmente colocar todos num top de melhores do ano. O pai cineasta sofrendo com o envelhecimento, a dificuldade de demonstrar afeto para as filhas e a recusa de se reconhecer na história que está querendo retratar. A filha mais velha que replica o comportamento do pai inconscientemente e que também vê na arte uma forma de escape, mesmo que essa traga a dor de sempre lembra-la do abandono sofrido. A irmã mais nova que serve quase que de elo de união da família, e que lida com o trauma mais pelo resgate histórico, e como isso a leva a ter mais compaixão pelo comportamento do pai. E a atriz, que é uma "intrusa" naquela dinâmica, mas que tem a sensibilidade artística suficiente pra entender que aquela história não é sobre ela.
A direção do Trier é excelente também em conduzir toda essa complexidade de forma fluída e sutil, usando muito do silêncio para revelar muito daquelas relações. E gosto também como é um filme metalinguístico, mas sem ser exagerado, sempre mantendo o foco no drama dos personagens sempre. Um filme tocante, que trata seus temas com muita maturidade, e com diversos momentos extremamente emocionantes. Com certeza um dos melhores do ano.
As Ondas
3.9 185Comecei a assistir de madrugada, como quem não quer nada, e fui completamente fisgado. Há várias temáticas que o filme aborda, tem criação parental, mas pra metade do filme fala muito sobre luto. Acho que a principal no entanto é como ele aborda essas "ondas" no título, como lidamos com altos e baixos em nossas vidas, e como cabe a nós lidar com esses períodos sem nos deixar levar a decisões que podem definir a nossa existência.
Mas mais do que os temas, o que me pegou foi a história e a direção do Shults, como ele desenvolve e complexifica aqueles personagens e cativar o espectador na situação que está sendo abordada. Confesso que me perdeu um pouco quando há a quebra narrativa, mas ainda assim uma grande experiência, não pensei que fosse gostar tanto.
Amores Materialistas
3.1 389 Assista AgoraConsigo ver valor no que a Celine Song faz, principalmente em questão de roteiro. Acho que ela consegue explorar bem as temáticas amorosas, como confundimos conforto com afeto, as dificuldades que o amor verdadeiro enfrenta para funcionar dentro da sociedade atual, como ficamos divididos entro o racional e o passional. Mas sei lá, assim como no filme anterior dela (que eu ainda acho melhor que esse aqui), falta algo na condução narrativa que me impacte mais, acaba tudo soando muito básico. Até a subtrama inserida no meio do filme acaba destoando completamente do tem do resto da história. Entendo o que a diretora quer fazer, mas ela não consegue me fazer sentir o que ela quer passar.
Corra Que a Polícia Vem Aí!
3.5 381 Assista AgoraÓtima comédia que funciona principalmente por que extrai humor não só pelo texto, mas muito também pelos elementos visuais e cênicos. A forma que o Leslie Nielsen sempre mantém o semblante de seriedade em meio as maluquices funciona muito bem também. Tem uns momentos que o filme me perdeu, principalmente na sequência de beisebol no final, mas ainda assim um filme de comédia que funciona bem até hoje.
Avatar: Fogo e Cinzas
3.5 286 Assista AgoraGosto de como é o que mais trabalha com a questão da espiritualidade e também com o luto dos personagens e a forma como eles lidam com o fim. Acho interessante que conversa com esse ser o fim da trilogia, por enquanto. Além disso, acho os personagens bem desenvolvidos, principalmente o Jake e a Neytiri, como eles lidam com a perda do filho e como um influência o sentimento do outro em relação a isso. Achei a cena da discussão deles na metade do filme a mais tocante do filme nesse sentido.
Mas tratando de história, realmente é o mais fraco dos três. Além de ser repetitiva até em relação aos outros filmes da franquia, tem coisas que são muito mal trabalhadas, como o cientista que surge do nada e só serve como artificio do roteiro pra ajudar o Jake a escapar, ou a nova personagem do reino do fogo, que é totalmente rasa e é resumida a só uma capanga qualquer no fim, perdendo todo o impacto que parecia que ia ter no inicio do filme.
Mas tratando-se de Avatar, o que mais espero de fato é a construção visual, e aqui o James Cameron continua fazendo com maestria. A qualidade do CGI, as texturas, as cores, é um filme bonito pra cacete. Toda a construção visual também, de design de produção e cenários é espetacular, desde o povo que vem voando, ou a parte do fogo, ou até o reino da água que já vinha do filme anterior continua impecável. Além disso, o Cameron é gênio quando se trata de sequências de ação e suspense, e achei as daqui excelentes também. A forma como ele sempre conduz nosso foco mas ao mesmo tempo preenche a tela com vários elementos pra gente explorar, ou como ele seta o ritmo das cenas, é coisa de maluco.
Gostei bastante, é aquele tipo de filme que tem que ser visto no cinema, já que muito do impacto está no visual. Assisti em IMAX 3D e foi incrível. Concordo que tem a melhor história dos três, mas como espetáculo visual, o Cameron continua se superando.
Observador
3.3 410 Assista AgoraGosto bastante da condução narrativa do filme, principalmente nessa atmosfera de incerteza que a diretora consegue construir, onde não se sabe o que é perseguição de fato ou apenas uma incerteza angustiante gerada pela hostilidade social em relação as mulheres como a diretora acredita. Mas pra mim o filme peca principalmente na relação da protagonista com o marido, que é previsível e com um texto só bobo mesmo. E o final, eu não acho que condiz com a temática geral da obra, mas entendo o que a diretora busca com ele. No geral, um bom trhiller psicológico, mesmo com seus deslizes.
A Casa Que Jack Construiu
3.5 808 Assista AgoraÉ um filme extremamente autoindulgente, e faz sentido que seja. É quase como uma sessão de terapia do Lars refletindo sobre sua carreira e visão de arte, e também de como é percebido pelo público. Mas me incomoda como o filme é redundante. Quase 3 horas que o filme se repete em ciclos de narração e sequencias longíssimas que antes fossem pretensiosas, mas são só chatas mesmo. Mas ainda assim, gosto de como é um filme bem humorado apesar do gore, e acho que filme ganha uma nova força no final, com a descida ao inferno carregada de autocrítica e reflexiva do Lars sobre sua situação dentro do cinema, onde não há salvação ou redenção.
Melancolia
3.8 3,1KUm dos mais interessantes retratos sobre a depressão. Gosto de como o Trier divide o filme em duas partes e utiliza cada uma para refletir sobre como essa doença afeta cada uma das irmãs. A primeira é puxa mais pra uma tensão e humor de desconforto nas relações, enquanto a segunda é mais contemplativa e sombria. E essa dualidade das irmãs é o que mais me instigou, porque enquanto para a personagem da Dunst a doença é inerente ao seu ser, para a da Gainsbourg vêm mais pelo medo de perder o que construiu. E isso se reflete até no acontecimento do final: enquanto para uma aquilo é o alívio, para outra é o terror completo. Ótimo filme, atuações excelentes, e um estudo psicológico denso que não se apoia em conclusões simplistas, mas pensa mais em explorar as facetas dessa patologia.
Ninguém Quer (2ª Temporada)
3.3 51Continua no mesmo nível da primeira, na minha opinião. Não é nada que mude o mundo, mas é uma comédia romântica bem feitinha que é fácil de se assistir.
Guerreiras do K-Pop
3.7 213 Assista AgoraAnimação bem feita, mesmo que esse estilo da Sony esteja ficando batido, e as músicas são legais no geral. Mas é totalmente previsível, cansativo em sua montagem frenética pra agradar um público viciado em vídeos de 30 segundos, e não se esforça em nada em desenvolver algo mais profundo para um público mais velho. Só é interessante se avaliar como uma propaganda da Coréia da Sul contra o regime norte-coreano.
Amizade Colorida
3.5 3,0K Assista AgoraUm fraco exemplar do gênero. Parte de uma premissa interessante no começo, mas que no final se desenvolve pra uma comédia romântica genérica e previsível, que não se destaca nem pelas atuações ou química do casal, nem pelo visual e nem pelo humor.
Kairo
3.4 192Aquele tipo de filme que te dá um negócio ruim enquanto assiste, uma sensação de angústia e desconforto, que é muito bem transmitida pela fotografia sem alma e pelos planos abertos onde aparentemente nada acontece. Gosto também de como o filme evolui de uma trama de investigação de suicídio pra um cenário pós apocalíptico, servindo como metáfora de como o isolamento surge como algo pequeno, mas vai corroendo tudo ao redor. E mais foda ainda é como relaciona isso com a tecnologia, que é tanto o meio para a assombração como para o isolamento, e acho que isso conversa muito com a sociedade japonesa da época. Acho que o final se perde um pouco, quando tenta ir pra algo mais "ação", e envelheceu meio mal a estética de alguns efeitos, mas que continua funcionando muito bem ainda hoje.
Acima de Qualquer Suspeita (1ª Temporada)
3.8 154 Assista AgoraGosto que a série consegue manter o mistério constante durante toda a obra, revelando aspectos e desenvolvendo o protagonista e sempre nos fazendo duvidar do envolvimento dele no crime. Fui surpreendido com a revelação no fim, imaginava que deixariam em aberto, o que seria mais previsível, mas seria mais condizente com a temática da obra no geral. Tirando umas subtramas ali desnecessárias que atrasam o andamento da série, acho boa como um todo, mesmo que não seja tão inovadora dentro do gênero.
Task: Unidade Especial (1ª Temporada)
4.0 76 Assista AgoraBoa série de investigação, mas muito superestimada. Acho que faz um bom trabalho com o mistério, principalmente envolvendo o passado dos personagens, e te deixa instigado e surpreso com algumas reviravoltas que tem pro final da série. Mas em questão de narrativa, é muito mais do mesmo, não tenta nada de novo dentro do gênero. As atuações são boas, principalmente do Mark Ruffalo, que pra mim se destaca em relação aos outros. É aquele tipo de série que te prende enquanto assiste, é um thriller eficiente, mas que depois que acaba não deixa quase nenhum impacto.