...eles nunca iam se pegar. Não ter cena de sexo é uma escolha sublime, de acordo com o ritmo delicado do verão deles juntos. A negativa do Eugênio é uma palhaçada, mas uma reação baseada em orgulho, quase que pedante só pra contradizer, sair por cima... E isso eu entendo porque é o que mais vejo no mundo gay.
É uma daquelas metáforas bem literais, na cara, o que pra mim não estraga nem um pouco a premissa do filme. Gostei dessa forma de retratar o masculino que "consome" e sempre consumiu as mulheres implacavelmente e contra a vontade delas.
O masculino está doente, sempre esteve, e a história desse filme é um retrato disso. Deve dialogar diretamente com quem virou alvo de piadas na infância por demonstrar sensibilidade — que não tem nada a ver com a orientação sexual, embora essa seja muitas vezes a atribuição automática. Para mim, foi bom revisitar esse passado doloroso, que felizmente cai no esquecimento com o tempo, mas relembrar esses episódios também é relembrar a força interior que nós passamos a ter pra aguentar a realidade de ser hostilizado e se fechar para ser aceito.
Eu levei literalmente anos pra terminar esse livro, procrastinando porque o tema sempre foi doloroso demais pra mim. O filme só fui ver agora. Essa história toca na ferida de todo gay que foi ensinado desde cedo que nasceu inadequado. Às vezes é na igreja, às vezes na escola, ou em casa. Superar tudo isso é uma jornada bem longa.
A gente poderia florear muito e interpretar metáforas por trás dessa piração em forma de longa-metragem. Eu mesmo me divirto ao pensar que o filme pode ser uma alegoria do ostracismo do próprio Nicolas Cage e daqueles atores que tiveram essa onda de fama seguida de cancelamento e esquecimento. MAS eu ainda acho que é apenas mais um filme tosco do Nicolas Cage.
Uma história sobre ser ouvido e notado pela primeira vez. Sobre conexões de "outros tempos", dessas que custam a existir no mundo gay atual. E sobre dois emocionados, no melhor sentido da palavra, pois transbordar de amor, desejo e saudade não deveria jamais soar pejorativo.
Mais que o tesão da primeira cena, meu maior prazer nesse filme é poder vagar pelas horas silenciosas que antecedem a claridade da cidade, algo que eu faria sempre se pudesse (notívagos e baladeiros, esse filme também é pra vocês).
Nesse intervalo reservado aos gays e às mulheres, como brincou um dos protagonistas, fica mais fácil transitar sem máscaras, falar sem vergonha e retratar temas como o HIV, que nem na recepção da emergência fica totalmente livre de interrupções e preconceitos.
Essa deliciosa ambientação, além de fazer muito sentido para toda a história, colabora para contrabalançar o tom didático e romântico do roteiro. Quando os diálogos abordavam o vírus, eu tinha quase certeza que essa era uma produção feita para educar adolescentes sobre a Aids. A histeria e drama iniciais dos dois personagens reforçaram isso, mas não quebraram o clima e só ajudaram a alimentar a jornada noturna — pois esse ainda é, afinal, um filme sobre dois gays excitados se conhecendo na madruga, mesmo após um pequeno e solucionável imprevisto.
a personagem principal ter sido, até o fim, uma coadjuvante na história dos outros, ainda buscando seu destaque e ponto de virada na vida romântica e profissional.
A farsa do sonho americano (representado especialmente pela presença da série Friends) e a morte da empatia dão o tom do filme pra mim. Gosto de pensar que alguns jogos de câmera (quando os cenários aparecem deitados como se fossem uma imagem vertical feita para celular, por exemplo), são uma maneira de representar a dependência da sociedade nas telas, assim como a extinção da mídia física e a supremacia dos streamings -- uma ironia a mais ter tudo isso em um longa da Netflix. Os movimentos vertiginosos e ângulos vistos de cima, por sua vez, dão a impressão de que os personagens estão sendo observados de longe.
Ótimo toque construir o arquétipo de "Karen" na personagem de Julia Roberts, com o racismo ao atender a porta e ao ameaçar entrar no notebook sem internet para verificar os "termos e condições". O marido completa o combo com sua inutilidade de homem urbano moderno (que ele mesmo admite) e com a hipocrisia típica de um hétero branco jurássico (como quando demonstra, em conversa com a esposa, mais preocupação ao pensar na possibilidade de o filho ser molestado pelo dono da casa do que se fosse com a filha).
Quase desisti de ver por causa dos comentários de gente chatérrima daqui, mas que surpresa gostosa! Filme sem pretensão, leve, boas cenas de humor e ação e o elenco excelente pra completar.
Havaí
3.7 198Que filme lindo, gente. Fiquei nervoso achando que...
...eles nunca iam se pegar. Não ter cena de sexo é uma escolha sublime, de acordo com o ritmo delicado do verão deles juntos. A negativa do Eugênio é uma palhaçada, mas uma reação baseada em orgulho, quase que pedante só pra contradizer, sair por cima... E isso eu entendo porque é o que mais vejo no mundo gay.
Caracóis Na Chuva
3.2 44História bem contada, imprevisível e envolvente. Vale avisar que o protagonista lindo aparece bastante sem camisa, o que é um plus.
Pillion
3.2 70Call Me By Your Name versão leather
Apenas uma Questão de Amor
3.9 152Apenas uma questão de amor... E, no meu caso, de obsessão por Cédric. Carinha de bravo cult e com nariz adunco? Husband material
Frankenstein
3.7 600 Assista AgoraNaaaaada demais. E longo.
Fresh
3.5 570 Assista AgoraÉ uma daquelas metáforas bem literais, na cara, o que pra mim não estraga nem um pouco a premissa do filme. Gostei dessa forma de retratar o masculino que "consome" e sempre consumiu as mulheres implacavelmente e contra a vontade delas.
O Sol Por Testemunha
4.2 108 Assista AgoraVi no Festival Varilux em São Paulo, maravilhoso.
Close
4.2 661 Assista AgoraO masculino está doente, sempre esteve, e a história desse filme é um retrato disso. Deve dialogar diretamente com quem virou alvo de piadas na infância por demonstrar sensibilidade — que não tem nada a ver com a orientação sexual, embora essa seja muitas vezes a atribuição automática. Para mim, foi bom revisitar esse passado doloroso, que felizmente cai no esquecimento com o tempo, mas relembrar esses episódios também é relembrar a força interior que nós passamos a ter pra aguentar a realidade de ser hostilizado e se fechar para ser aceito.
Boy Erased: Uma Verdade Anulada
3.6 421 Assista AgoraEu levei literalmente anos pra terminar esse livro, procrastinando porque o tema sempre foi doloroso demais pra mim. O filme só fui ver agora. Essa história toca na ferida de todo gay que foi ensinado desde cedo que nasceu inadequado. Às vezes é na igreja, às vezes na escola, ou em casa. Superar tudo isso é uma jornada bem longa.
À Procura de Mr. Goodbar
3.9 56Cheguei nesse filme depois de encontrar no Instagram a cena do Richard Gere fazendo flexões só de jockstrap e a bunda de fora xD
Saí desse filme traumatizado e em posição fetal no chuveiro
Ao Seu Lado
3.0 93 Assista AgoraNão é TÃO ruim, mas chega de padrão, né?
Em Outros Tempos
3.4 33 Assista AgoraTem um clima daqueles filmes feitos para a televisão, sem muita maquiagem ou produção. É leve e sem excesso de romantismo, exatamente como
a relação efêmera (mas marcante) vivida entre os dois.
O Homem dos Sonhos
3.4 204A gente poderia florear muito e interpretar metáforas por trás dessa piração em forma de longa-metragem. Eu mesmo me divirto ao pensar que o filme pode ser uma alegoria do ostracismo do próprio Nicolas Cage e daqueles atores que tiveram essa onda de fama seguida de cancelamento e esquecimento. MAS eu ainda acho que é apenas mais um filme tosco do Nicolas Cage.
Três Meses
3.6 31 Assista AgoraRoteiro leve, um grande respiro com clima adolescente abordando um tema sério e necessário, o HIV. Fiquei ainda mais fã de Troye Sivan 💜
Divinas
4.2 220 Assista AgoraFiquei surpreso com o rumo altamente obscuro que a história tomou, mas o filme é excelente.
Em Outros Tempos
3.4 33 Assista AgoraUma história sobre ser ouvido e notado pela primeira vez. Sobre conexões de "outros tempos", dessas que custam a existir no mundo gay atual. E sobre dois emocionados, no melhor sentido da palavra, pois transbordar de amor, desejo e saudade não deveria jamais soar pejorativo.
Théo e Hugo
3.3 34 Assista AgoraMais que o tesão da primeira cena, meu maior prazer nesse filme é poder vagar pelas horas silenciosas que antecedem a claridade da cidade, algo que eu faria sempre se pudesse (notívagos e baladeiros, esse filme também é pra vocês).
Nesse intervalo reservado aos gays e às mulheres, como brincou um dos protagonistas, fica mais fácil transitar sem máscaras, falar sem vergonha e retratar temas como o HIV, que nem na recepção da emergência fica totalmente livre de interrupções e preconceitos.
Essa deliciosa ambientação, além de fazer muito sentido para toda a história, colabora para contrabalançar o tom didático e romântico do roteiro. Quando os diálogos abordavam o vírus, eu tinha quase certeza que essa era uma produção feita para educar adolescentes sobre a Aids. A histeria e drama iniciais dos dois personagens reforçaram isso, mas não quebraram o clima e só ajudaram a alimentar a jornada noturna — pois esse ainda é, afinal, um filme sobre dois gays excitados se conhecendo na madruga, mesmo após um pequeno e solucionável imprevisto.
A Pior Pessoa do Mundo
4.0 702 Assista AgoraEmbora eu não tenha amado quando vi no cinema, pra mim o filme fez sentido ao pensar que a grande questão era
a personagem principal ter sido, até o fim, uma coadjuvante na história dos outros, ainda buscando seu destaque e ponto de virada na vida romântica e profissional.
O Mundo Depois de Nós
3.2 990 Assista AgoraA farsa do sonho americano (representado especialmente pela presença da série Friends) e a morte da empatia dão o tom do filme pra mim. Gosto de pensar que alguns jogos de câmera (quando os cenários aparecem deitados como se fossem uma imagem vertical feita para celular, por exemplo), são uma maneira de representar a dependência da sociedade nas telas, assim como a extinção da mídia física e a supremacia dos streamings -- uma ironia a mais ter tudo isso em um longa da Netflix. Os movimentos vertiginosos e ângulos vistos de cima, por sua vez, dão a impressão de que os personagens estão sendo observados de longe.
Ótimo toque construir o arquétipo de "Karen" na personagem de Julia Roberts, com o racismo ao atender a porta e ao ameaçar entrar no notebook sem internet para verificar os "termos e condições". O marido completa o combo com sua inutilidade de homem urbano moderno (que ele mesmo admite) e com a hipocrisia típica de um hétero branco jurássico (como quando demonstra, em conversa com a esposa, mais preocupação ao pensar na possibilidade de o filho ser molestado pelo dono da casa do que se fosse com a filha).
Aftersun
4.0 793Bem desavisado, escolhi ver esse filme num domingo à noite e fui dormir devastado... Apenas mais um domingo normal.
Saída à Francesa
2.9 47 Assista AgoraSe um filme fosse aquariano, ele seria mais ou menos assim. E é divertidíssimo, mesmo que nonsense e sem clímax.
As Ladras
3.2 73 Assista AgoraQuase desisti de ver por causa dos comentários de gente chatérrima daqui, mas que surpresa gostosa! Filme sem pretensão, leve, boas cenas de humor e ação e o elenco excelente pra completar.
Agente Infiltrado
3.3 40 Assista AgoraIgnore quem reclamou dos "muitos clichês", esse filme entrega tudo e mais um pouco do que um bom filme de ação precisa ter.
A Crônica Francesa
3.5 290 Assista AgoraChato demais, não tem nem como passar pano pra elogiar.