Silencioso como Casa Vazia e O Arco, mas sem sua sublimidade. Mesmo com toda a água, aqui reina a aridez. Poucos elementos são trabalhados exaustivamente, postos em variação. Pesca, afogamento, dejetos, amor, prostituição. Expressam muito além da superfície desse lago. O que ansiamos tanto por fisgar? Por que ferimos o que desejamos? Como um peixe que arrancamos da água e apertamos na palma da mão com tanta avidez que terminamos por sufocá-lo. São algumas questões sobre a qual esta obra absolutamente poética medita.
Poucos filmes começam com a energia deste, é uma sequência de absurdos absolutamente enérgicos que te toma já de uma vez. O absurdo segue até um ponto de exaustão no miolo do filme que acaba perdendo um pouco de força, mas o final amarra de tal modo que eleva novamente a obra. Como já foi comentado, é uma fotografia perfeita, estilizado de um modo teatral que é um encanto pros olhos, com cortes invisíveis impecáveis e belíssimos. Com poucos cenários, ele cria um espaço claustrofóbico pras barbaridades do protagonista, como se os personagens fossem prisioneiros daquele homem.
A comida tem papel central aqui. A forma como ela serve pra caracterizar escatologicamente a bestialidade humana, com metáforas visuais caninas, é a grande genialidade filosófica da obra, o luxo e refinamento vazio convivendo lado a lado com a podridão mais baixa, expondo as vísceras da ilusão civilizatória. O final arremata devolvendo àquele personagem toda a barbárie que ele passa o filme vomitando, com uma imagem final da mais pura visceralidade.
Gostei da narrativa elíptica, com seus silêncios e lapsos temporais que deixam tudo mais intrigante. O protagonista é extremamente complexo e interessante, mas achei que o filme leva muito tempo a dizer a que vem e o desfecho pra mim foi bem decepcionante, anticlimático.
Um exercício dialético sobre justiça, classe social, percepção, memória e muitos outros temas num roteiro extremamente denso, expresso por uma montagem brilhante. Mesmo com o roteiro impecável, o filme que se passa num único cenário poderia facilmente se tornar enfadonho com uma direção ruim. Pelo contrário, a montagem aqui dosa tensão e dúvida, conferindo ritmo, alternando entre close-ups, planos médios e gerais no momento mais preciso. As atuações também são excelentes.
Uma atualização brilhante e sóbria de Taxi Driver. Nicolas Winding Refn tem um estilo visual realmente único, com seus zooms sinuosos e trilhas sonoras de neon. O protagonista é encantador com todo seu mistério. Me fascinou a cena do elevador, que expressa a grande tensão dramática do personagem, em que afeição e impiedade convivem intimamente no seu silêncio e rosto impassível. O final foi lindo.
Por essa nota, esperava muito mais. Tedioso a maior parte, demora um século pra engrenar, e não costumo reclamar de implausibilidade, mas foi ridículo demais um dos criminosos mais procurados do mundo passeando pra lá e pra cá sem medo e nada acontecer. O drama da Clarice também não me interessou nem um pouco. Ali pouco antes do final ficou interessante, mas aí o filme acaba do nada sem nenhuma conclusão. Muito ruim.
É incrível como mesmo que apareça por 30 segundos cada personagem do panorama vasto dos filmes do Almodóvar tem seu brilho. Cada personagem desse filme renderia um spin-off próprio. E amo como a sátira nonsense de sua filmografia inicial desafia a sensibilidade moral progressista do século 21.
Começa parecendo um grande besteirol, mas quando você menos percebe está emocionado e torcendo pela expedição. Por trás da comédia leve, aborda casamento, família, morte, nascimento, propósito. Wes Anderson tem aquele mesmo talento do Fellini e do Almodóvar pra criar uma panorama de diversos personagens pitorescos, por mais breve que seja sua aparição, cada um com um brilho próprio.
Mike Flanagan sabe como ninguém partir de uma premissa simples, minimalista, e desenvolvê-la e sustentá-la ao longo de 90 minutos como ninguém, nunca decepciona. Senti falta de um pouco mais de drama entremeando o suspense, como de hábito em sua filmografia, mas o pouco de caracterização psicológica, e a forma como a amarrou entre o início e o fim, foram muito satisfatórios.
Desejamos tanto que nos conheçam como realmente somos, mas às vezes é melhor que nosso lado sombrio fique guardado bem escondido mesmo, debaixo de um tapa-olho ou de uma caixa de vidro. Às vezes, a pessoa é solitária porque tem que estar longe dos outros mesmo também.
Foi um filme moroso a maior parte do tempo, embora vá te instigando a cada encontro bizarro da protagonista a tentar entender melhor a personagem, mas quando atingiu o clímax e o ponto de virada, até que me surpreendeu.
Tive um stalker parecido com a May e me perturbou um bocado o filme.
Acho que a proposta era ser um filme de invasão contra uma vítima supostamente indefesa e inocente que virava o jogo, mas demorou a chegar nesse ponto, e quando chegou, o ceguinho Chuck Norris e seus dramas e segredos sombrios não me convenceram.
Vejo o velho como alguém que queria proteger a garota do mundo, o que se intensifica a cada homem de fora que tenta abusar dela. Tudo muda, no entanto, quando surge o garoto que a respeita e onde há um sentimento mútuo. Ali surge o conflito e se evidenciam as contradições daquela relação.
Um dos que mais gostei do diretor, praticamente uma meditação. Achei as cenas de adivinhação da sorte sublimes, e a união mística ao fim foi de uma beleza poética indescritível.
Assassinato
3.3 36 Assista AgoraPior filme do Hitchcock, um lixo, absolutamente sem ritmo.
A Ilha
3.6 45 Assista AgoraSilencioso como Casa Vazia e O Arco, mas sem sua sublimidade. Mesmo com toda a água, aqui reina a aridez. Poucos elementos são trabalhados exaustivamente, postos em variação. Pesca, afogamento, dejetos, amor, prostituição. Expressam muito além da superfície desse lago. O que ansiamos tanto por fisgar? Por que ferimos o que desejamos? Como um peixe que arrancamos da água e apertamos na palma da mão com tanta avidez que terminamos por sufocá-lo. São algumas questões sobre a qual esta obra absolutamente poética medita.
De resto, não deixem a Luísa Mell ver este filme.
O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante
4.1 158 Assista AgoraPoucos filmes começam com a energia deste, é uma sequência de absurdos absolutamente enérgicos que te toma já de uma vez. O absurdo segue até um ponto de exaustão no miolo do filme que acaba perdendo um pouco de força, mas o final amarra de tal modo que eleva novamente a obra. Como já foi comentado, é uma fotografia perfeita, estilizado de um modo teatral que é um encanto pros olhos, com cortes invisíveis impecáveis e belíssimos. Com poucos cenários, ele cria um espaço claustrofóbico pras barbaridades do protagonista, como se os personagens fossem prisioneiros daquele homem.
A comida tem papel central aqui. A forma como ela serve pra caracterizar escatologicamente a bestialidade humana, com metáforas visuais caninas, é a grande genialidade filosófica da obra, o luxo e refinamento vazio convivendo lado a lado com a podridão mais baixa, expondo as vísceras da ilusão civilizatória. O final arremata devolvendo àquele personagem toda a barbárie que ele passa o filme vomitando, com uma imagem final da mais pura visceralidade.
Uma pérola escondida.
Um Contratempo
4.2 2,0KPlot twist do caralho!!
Sangue Negro
4.3 1,2K Assista AgoraGostei da narrativa elíptica, com seus silêncios e lapsos temporais que deixam tudo mais intrigante. O protagonista é extremamente complexo e interessante, mas achei que o filme leva muito tempo a dizer a que vem e o desfecho pra mim foi bem decepcionante, anticlimático.
Intolerância
4.0 113 Assista AgoraVontade de guardar a Dear One numa caixinha e proteger do mundo!!
12 Homens e Uma Sentença
4.6 1,3K Assista AgoraUm exercício dialético sobre justiça, classe social, percepção, memória e muitos outros temas num roteiro extremamente denso, expresso por uma montagem brilhante. Mesmo com o roteiro impecável, o filme que se passa num único cenário poderia facilmente se tornar enfadonho com uma direção ruim. Pelo contrário, a montagem aqui dosa tensão e dúvida, conferindo ritmo, alternando entre close-ups, planos médios e gerais no momento mais preciso. As atuações também são excelentes.
E no fim, eu ainda não sei se o réu é culpado ou inocente.
Skinamarink: Canção de Ninar
2.3 255 Assista AgoraTenho pena de quem tem a infelicidade ao acaso de dar play nessa bomba.
Eles Vão Te Matar
3.1 281 Assista AgoraUma mistura de Kill Bill com Casamento Sangrento batida no liquidificador de Bollywood.
O Quarto do Pânico
3.4 971Que marido mais banana, só serve pra atrapalhar.
Drive
3.9 3,5KUma atualização brilhante e sóbria de Taxi Driver. Nicolas Winding Refn tem um estilo visual realmente único, com seus zooms sinuosos e trilhas sonoras de neon. O protagonista é encantador com todo seu mistério. Me fascinou a cena do elevador, que expressa a grande tensão dramática do personagem, em que afeição e impiedade convivem intimamente no seu silêncio e rosto impassível. O final foi lindo.
Os Suspeitos
4.1 2,7K Assista AgoraComeçou lento, mas teve um bom desenvolvimento e plot twist.
Ameaça Profunda
3.0 657 Assista AgoraUm Alien no fundo do mar. Uma premissa excelente, tinha tudo pra mexer com a minha talassofobia, mas sei lá, não aconteceu.
No clímax, basicamente o Cthulhu, nada surpreendente.
Hannibal
4.0 1,1K Assista AgoraPor essa nota, esperava muito mais. Tedioso a maior parte, demora um século pra engrenar, e não costumo reclamar de implausibilidade, mas foi ridículo demais um dos criminosos mais procurados do mundo passeando pra lá e pra cá sem medo e nada acontecer. O drama da Clarice também não me interessou nem um pouco. Ali pouco antes do final ficou interessante, mas aí o filme acaba do nada sem nenhuma conclusão. Muito ruim.
O Que Eu Fiz Para Merecer Isto?
3.7 129 Assista AgoraÉ incrível como mesmo que apareça por 30 segundos cada personagem do panorama vasto dos filmes do Almodóvar tem seu brilho. Cada personagem desse filme renderia um spin-off próprio. E amo como a sátira nonsense de sua filmografia inicial desafia a sensibilidade moral progressista do século 21.
1408
3.3 1,4K Assista AgoraUm mini Iluminado.
Gosto de Sangue
3.8 173Uma sucessão de crimes revela o abismo de realidades que a incomunicabilidade cria. Uma estreia do caralho!!
A Mão que Balança o Berço
3.7 936 Assista AgoraUm excelente suspense misógino cheio de rivalidade feminina, saborosamente típico dos anos 90. Só o final achei brega demais.
E pior que tava torcendo pra babá.
O Presente
3.4 841 Assista AgoraUm filme de obsessão e vingança de uma ambiguidade moral quase de feições coreanas.
A Vida Marinha com Steve Zissou
3.8 461 Assista AgoraComeça parecendo um grande besteirol, mas quando você menos percebe está emocionado e torcendo pela expedição. Por trás da comédia leve, aborda casamento, família, morte, nascimento, propósito. Wes Anderson tem aquele mesmo talento do Fellini e do Almodóvar pra criar uma panorama de diversos personagens pitorescos, por mais breve que seja sua aparição, cada um com um brilho próprio.
Hush: A Morte Ouve
3.5 1,5K Assista AgoraMike Flanagan sabe como ninguém partir de uma premissa simples, minimalista, e desenvolvê-la e sustentá-la ao longo de 90 minutos como ninguém, nunca decepciona. Senti falta de um pouco mais de drama entremeando o suspense, como de hábito em sua filmografia, mas o pouco de caracterização psicológica, e a forma como a amarrou entre o início e o fim, foram muito satisfatórios.
May: Obsessão Assassina
3.2 286 Assista AgoraDesejamos tanto que nos conheçam como realmente somos, mas às vezes é melhor que nosso lado sombrio fique guardado bem escondido mesmo, debaixo de um tapa-olho ou de uma caixa de vidro. Às vezes, a pessoa é solitária porque tem que estar longe dos outros mesmo também.
Foi um filme moroso a maior parte do tempo, embora vá te instigando a cada encontro bizarro da protagonista a tentar entender melhor a personagem, mas quando atingiu o clímax e o ponto de virada, até que me surpreendeu.
Tive um stalker parecido com a May e me perturbou um bocado o filme.
O Homem nas Trevas
3.7 1,9K Assista AgoraAcho que a proposta era ser um filme de invasão contra uma vítima supostamente indefesa e inocente que virava o jogo, mas demorou a chegar nesse ponto, e quando chegou, o ceguinho Chuck Norris e seus dramas e segredos sombrios não me convenceram.
O Arco
3.9 80Vejo o velho como alguém que queria proteger a garota do mundo, o que se intensifica a cada homem de fora que tenta abusar dela. Tudo muda, no entanto, quando surge o garoto que a respeita e onde há um sentimento mútuo. Ali surge o conflito e se evidenciam as contradições daquela relação.
Um dos que mais gostei do diretor, praticamente uma meditação. Achei as cenas de adivinhação da sorte sublimes, e a união mística ao fim foi de uma beleza poética indescritível.