Ao acompanhar um ano letivo de uma pequena escola comunitária francesa, o documentário consegue colocar uma lupa sobre detalhes muito preciosos no processo de aprendizagem e no gesto - e nos limites - de lecionar, coisas que nos dias de hoje e em outros contextos parecem completamente imprecisos. Todo o doc vale os segundos finais em que o professor se rende pela porta, vendo a turma ir embora em mais um período de férias. Sua expressão, um misto de dever cumprido e apreensão, vale mais que mil palavras.
A ideia não é ruim, mas a execução... por deus. Que Greta Lee e Wagner Moura possam se encontrar novamente sob outra direção porque aqui tiveram a química de dois palitos de dente.
O cinema chinês sempre reserva obras muito tocantes quando o assunto é a vida no campo, seja abordando os efeitos da Revolução Cultural ou, como no caso deste aqui, o impacto das transformações socioeconômicas e tecnológicas nas tradições rurais no início da década de 90. É um filme de formação e também uma aula de antropologia visual, vale muito a pena assistir.
Às vezes eu até tentava dar uma chance, mas só encontro motivos para desprezar Pasolini. Em uma visita à Palestina em busca de locações para a filmagem de “O evangelho segundo São Mateus” em 1963, o cara produziu a mais gratuita propagando colonial que eu já vi na vida. Absolutamente desprezível.
Eu não dava absolutamente nada para esse filme, mas não é que a coisa é boa? Gosto de como a manipulação é trabalhada no filme, assim como do turning point, e fiquei com vontade de ver o original coreano. Voltei a me empolgar com o Lanthimos, que eu havia escanteado desde “Pobres Criaturas”.
A voz da pequena Hind Rajab, clamando horas a fio por uma ajuda que nunca chegou, foi apenas uma das mais de 100 mil crianças assassinadas por 1sr@3l em G4z@ nos últimos 2 anos. Este documentário é também uma denúncia e uma prova inconteste de que falhamos como seres humanos, amordaçados diante da impunidade com a qual governos promovem necropolíticas ao redor do mundo.
Assistindo pela primeira vez e em 16mm. Adoro a magia psicodélica que emana daqui e essa mescla de técnicas artísticas distintas como base da animação.
Estou maratonando a obra literária de Marguerite Duras e “India Song” é o primeiro filme que vejo de sua filmografia. É aterradora e mesmo comovente a maneira como a autora se manteve fiel a um estilo e experimentalismo únicos em todas as linguagens em que atuou, e incluo aqui também o teatro. Adoro as referências diretas a “O Arrebatamento de Lol V. Stein” contidos aqui e a maneira mais durasiana possível de se representar o tédio colonial na figura do desprendimento do tempo, do corpo e da vida. Dito isso, não é lá muito fácil passar duas horas neste onirismo de saleta.
Fazia tempo que eu não via um desses filmes franceses que narram tão bem a arte da vida dos encontros e desencontros, desses com personagens cheios de defeitos e por isso tão humanos, sabe? vale o suspiro.
Um ícone atemporal não-mono, né? Primeira vez que vejo e foi interessante lembrar de todos os filmes franceses que beberam aqui para construir suas narrativas engraçadinhas. Clássico sim, indispensável? Isso não.
A fotografia é linda, mas sinto que a mão pesa na quantidade de momentos contemplativos que deixam o filme totalmente à deriva. Gosto do fardo da violência simbolizada pela esposa do ex-membro do DAESH e a destruição que carrega consigo, mas não acho que a execução do argumento cola, abrindo muitas brechas interpretativas que, para a densidade do tema, pode ser perigoso.
Fazer um bom filme sobre possessão demoníaca que não se fie em jump scares nos dias de hoje é um grande feito. Aqui o horror é explorado por meio de outras texturas e detalhes, arrastando o espectador por uma espécie de lamaçal. A atuação de Sally Hawkins é vertiginosa como sempre e, em determinado ponto, é mesmo difícil saber o que assusta mais, se o demônio que doma ou o seu luto, este indomável, que beira as últimas consequências.
Que coisa mais linda. Kurosawa apresenta uma narrativa sem pressa de ser construída, diálogos precisos e tocantes, uma fotografia magnânima para o P&B e ótimas sequências de batalha. Fico triste pela demora em ver "Os Sete Samurais", mas é certo que se tornou uma definição do que eu entendo por "absolute cinema".
Não é à toa que Jafar Panahi foi condenado mais uma vez após a repercussão do filme. Seu argumento aborda a impossibilidade de retomar uma vida normal sob um regime que um dia te prendeu e te torturou. Detalhes como o rangido de uma prótese ocultam um terror absoluto que nos acompanham até o final do filme e a mensagem está posta na boca do personagem Hamid: "são eles ou somos nós".
Um título bem distinto para a filmografia do Aronofksy, chamando a atenção a sua direção contida (até pelo menos o desenlace final do filme) e a opção por manter a clausura do personagem, respeitando assim toda a ambientação da dramaturgia original. Gosto muito da forma como a sexualidade do protagonista é trabalhada aqui e o laço que o prende à sua cunhada e amiga. Por outro lado, detesto profundamente a sua filha, nossa...
Eu realmente penso que o filme poderia ser muito mais interessante se saísse um pouco mais da corte e investigasse melhor a centralidade dos protestos, uma vez que 1968 marca uma escalada importante na manifestação civil contra a invasão estadunidense ao Vietnã.
Em meio a uma brutal violência, o diretor consegue apresentar momentos de uma poética precária que são tocantes e belos. Gosto muito do fato de que a ONU não é retratada com o convicto endeusamento, mas sim como parte do jogo político local em que ainda imperam a subaltenização e a violação dos direitos humanos da população.
Ser e Ter
4.1 40Ao acompanhar um ano letivo de uma pequena escola comunitária francesa, o documentário consegue colocar uma lupa sobre detalhes muito preciosos no processo de aprendizagem e no gesto - e nos limites - de lecionar, coisas que nos dias de hoje e em outros contextos parecem completamente imprecisos. Todo o doc vale os segundos finais em que o professor se rende pela porta, vendo a turma ir embora em mais um período de férias. Sua expressão, um misto de dever cumprido e apreensão, vale mais que mil palavras.
- visto na Mostra Ciranda de Filmes 2026
Giraffada
3.7 2A tristeza que é qualquer produção árabe assinada por uma direção francesa 😒
visto na Mostra Ciranda de Filmes 2026
Morbius
2.3 544Existe fórmula mais batida que essa aqui?
A Última Casa
2.6 398 Assista AgoraA ideia não é ruim, mas a execução... por deus. Que Greta Lee e Wagner Moura possam se encontrar novamente sob outra direção porque aqui tiveram a química de dois palitos de dente.
Vivendo a Terra
3.6 6 Assista AgoraO cinema chinês sempre reserva obras muito tocantes quando o assunto é a vida no campo, seja abordando os efeitos da Revolução Cultural ou, como no caso deste aqui, o impacto das transformações socioeconômicas e tecnológicas nas tradições rurais no início da década de 90. É um filme de formação e também uma aula de antropologia visual, vale muito a pena assistir.
O Último Azul
3.7 225 Assista AgoraFilmes que por mim teriam facilmente 5 horas de duração. Que fotografia mais radiante!
Locações na Palestina
3.7 3Às vezes eu até tentava dar uma chance, mas só encontro motivos para desprezar Pasolini. Em uma visita à Palestina em busca de locações para a filmagem de “O evangelho segundo São Mateus” em 1963, o cara produziu a mais gratuita propagando colonial que eu já vi na vida. Absolutamente desprezível.
Bugonia
3.6 569 Assista AgoraEu não dava absolutamente nada para esse filme, mas não é que a coisa é boa? Gosto de como a manipulação é trabalhada no filme, assim como do turning point, e fiquei com vontade de ver o original coreano. Voltei a me empolgar com o Lanthimos, que eu havia escanteado desde “Pobres Criaturas”.
A Voz de Hind Rajab
4.2 151 Assista AgoraA voz da pequena Hind Rajab, clamando horas a fio por uma ajuda que nunca chegou, foi apenas uma das mais de 100 mil crianças assassinadas por 1sr@3l em G4z@ nos últimos 2 anos. Este documentário é também uma denúncia e uma prova inconteste de que falhamos como seres humanos, amordaçados diante da impunidade com a qual governos promovem necropolíticas ao redor do mundo.
O Esquema Fenício
3.1 90 Assista AgoraHesitei em comprovar, mas realmente não tenho mais paciência para as piras do Wes Anderson.
Yellow Submarine
4.2 227Assistindo pela primeira vez e em 16mm. Adoro a magia psicodélica que emana daqui e essa mescla de técnicas artísticas distintas como base da animação.
Mary Poppins
4.0 621 Assista AgoraUm surto psicótico chamado “Mary Poppins”. Nunca mais digo que as produções infantis atuais são de alto estímulo.
India Song
3.3 22Estou maratonando a obra literária de Marguerite Duras e “India Song” é o primeiro filme que vejo de sua filmografia. É aterradora e mesmo comovente a maneira como a autora se manteve fiel a um estilo e experimentalismo únicos em todas as linguagens em que atuou, e incluo aqui também o teatro. Adoro as referências diretas a “O Arrebatamento de Lol V. Stein” contidos aqui e a maneira mais durasiana possível de se representar o tédio colonial na figura do desprendimento do tempo, do corpo e da vida. Dito isso, não é lá muito fácil passar duas horas neste onirismo de saleta.
O Apego
3.5 6Fazia tempo que eu não via um desses filmes franceses que narram tão bem a arte da vida dos encontros e desencontros, desses com personagens cheios de defeitos e por isso tão humanos, sabe? vale o suspiro.
Jules e Jim - Uma Mulher Para Dois
4.1 339 Assista AgoraUm ícone atemporal não-mono, né? Primeira vez que vejo e foi interessante lembrar de todos os filmes franceses que beberam aqui para construir suas narrativas engraçadinhas. Clássico sim, indispensável? Isso não.
A Hora do Mal
3.7 1,1K Assista AgoraA prova que uma boa campanha publicitária pode sim alavancar - e muito - filmes medianos.
A Quem Eu Pertenço
3.2 3 Assista AgoraA fotografia é linda, mas sinto que a mão pesa na quantidade de momentos contemplativos que deixam o filme totalmente à deriva. Gosto do fardo da violência simbolizada pela esposa do ex-membro do DAESH e a destruição que carrega consigo, mas não acho que a execução do argumento cola, abrindo muitas brechas interpretativas que, para a densidade do tema, pode ser perigoso.
Faça Ela Voltar
3.8 794 Assista AgoraFazer um bom filme sobre possessão demoníaca que não se fie em jump scares nos dias de hoje é um grande feito. Aqui o horror é explorado por meio de outras texturas e detalhes, arrastando o espectador por uma espécie de lamaçal. A atuação de Sally Hawkins é vertiginosa como sempre e, em determinado ponto, é mesmo difícil saber o que assusta mais, se o demônio que doma ou o seu luto, este indomável, que beira as últimas consequências.
Os Sete Samurais
4.5 423 Assista AgoraQue coisa mais linda. Kurosawa apresenta uma narrativa sem pressa de ser construída, diálogos precisos e tocantes, uma fotografia magnânima para o P&B e ótimas sequências de batalha. Fico triste pela demora em ver "Os Sete Samurais", mas é certo que se tornou uma definição do que eu entendo por "absolute cinema".
Foi Apenas um Acidente
3.8 207 Assista AgoraNão é à toa que Jafar Panahi foi condenado mais uma vez após a repercussão do filme. Seu argumento aborda a impossibilidade de retomar uma vida normal sob um regime que um dia te prendeu e te torturou. Detalhes como o rangido de uma prótese ocultam um terror absoluto que nos acompanham até o final do filme e a mensagem está posta na boca do personagem Hamid: "são eles ou somos nós".
A Baleia
4.0 1,2K Assista AgoraUm título bem distinto para a filmografia do Aronofksy, chamando a atenção a sua direção contida (até pelo menos o desenlace final do filme) e a opção por manter a clausura do personagem, respeitando assim toda a ambientação da dramaturgia original. Gosto muito da forma como a sexualidade do protagonista é trabalhada aqui e o laço que o prende à sua cunhada e amiga. Por outro lado, detesto profundamente a sua filha, nossa...
Os 7 de Chicago
4.0 590 Assista AgoraEu realmente penso que o filme poderia ser muito mais interessante se saísse um pouco mais da corte e investigasse melhor a centralidade dos protestos, uma vez que 1968 marca uma escalada importante na manifestação civil contra a invasão estadunidense ao Vietnã.
Venom: Tempo de Carnificina
2.7 664 Assista AgoraAssistir um filme ruim, mas assistir com convicção.
Beasts of No Nation
4.3 834 Assista AgoraEm meio a uma brutal violência, o diretor consegue apresentar momentos de uma poética precária que são tocantes e belos. Gosto muito do fato de que a ONU não é retratada com o convicto endeusamento, mas sim como parte do jogo político local em que ainda imperam a subaltenização e a violação dos direitos humanos da população.