É o nosso zeitgeist, baby. Será que dá pra passar na sessão da tarde?! hahahaha. Rindo-se castigam-se os costumes, já disseram em latim. É pura diversão e pensamento. Gostosinho e louco. Maior viagem. No tempo, nas ideias. Uma crítica aberta e hilária a nosso tempo que pariu a IA ou teria sido quem sabe por ela parido?! O analógico ilógico abismo absurdo de situações dentro de situações nessa verigem com laivos ora mais abertos, ora mais escancarados de blade runner, black mirror, exterminador , de volta para o futuro, 2001... Uma odisseia na jornada adentro do game, esse cenário real ou irreal chamado vida, essa diatribe chamada cinema.
É um filme de tensão, isto é, que visa e consegue ao longo de suas quase duas horas de duração produzir uma expectativa levada às raias do desespero. Partindo, e respondendo a pergunta: E, se houvesse um ataque nuclear aos Estados Unidos como reagiriam o alto escalão? A resposta é bizarra e temos que verdadeira: Não saberiam exatamente o que fazer. Mostram-se toscos, indecisos, incompetente e humanamente desorientados. Toda a arrogância do império americano parece cair por terra. A película parece nos lembrar num mundo pós guerra fria que a existência humana é muito frágil e depende demais do acaso. Um ataque de uma potência nuclear a outra pode provocar a extinção da raça humana. E, a acreditar que nossos governantes exalam arrogância interesseira e incompetência crônica se vê que estamos realmente em maus lençóis.
A solidão dos postos de gasolina. A solidão das lojas de conveniência. Tua feroz solidão, Melinda! Era só um pouco do bom e velho, amor... Mas, quem foi capaz de te amar, de te compreender?! O fogo purifica as coisas. Pode o fogo purificar tua alma solitária, Melinda!?
O amor é bom. O amor é bobo é tolo..O amor é ridículo e patético não seria amor se não fosse tolo, bobo, ridículo e patético. E bom. E, por vezes acaba. Se desgasta, muda de roupa e de figura num gesto mutante, mirabolante doido de si mesmo. É complicado e difícil o amor. Tudo isso tá no filme.. É clichê, é banal, é tão real e bom.que acontece para além das telas de cinema, para além da ficção a ficção verdadeira do amor.
Desconfiar é preciso e precioso e nem tudo o que parece é, mas às vezes é mesmo. Esse filme dá uma espécie de barato, uma insolação das brabas. Sol demais na cabeça. Confunde e alucina. Um clubinho do bolinha à beira mar revelando a crise da masculinidade. Como ser macho? Ora, rosnar e dar porrada para marcar território. Nossa praia, nossas ondas. Surfar e sofrer urra a seita na busca da virilidade perdida. A coisa então soa como um lamento pelo perda do poder masculino na sociedade. Por isso, possivelmente, mulheres não aparecem no filme. Machos gostam de ficar entre machos. Uma outra coisa: Há uma espécie de batismo que significa a aceitação no clube. E, para a personagem de Cage, isto pode ser entendido como a volta ao lar, ao seu espaço, ao seu lugar. Que talvez, numa outra chave de leitura para além do retorno ao mundo masculino da violência e sua celebração como potência da vida possa ser lido num sentido metafórico: O lar e a casa seriam então a identidade anterior a este mundo. A desconfiança de que tudo é ilusão, de que não pertencemos a este mundo e por isso ele nos é hostil e estranho. A certa altura do filme Cage é destituido de seus bens de consumo: os óculos , o celular, o carro como um modo de purificação e humilhação. Isto ocorre para desnudar o mundo da praia, que apesar de representar o paraíso é duro e cruel , mas é só ao passar por ele que se pode chegar a casa (desejo e recordação) como morada do ser.
O deserto, a identidade, o não pertencimento e a busca. Podemos, por certo, dizer serem estes os motes dessa releitura fílmica do episódio da Odisseia em que o herói grego se vê perdido e achado lá numa ilha, aqui num deserto uma ilha sem limites ou fronteiras. Mais do que espaço físico da imposição de um destino, uma maldição, o deserto como lugar e não lugar, é território anímico por excelência, plenitude de uma interioridade vacilante, dúbia, presa a si do desejo da memória perdida e da volta para uma casa que se pressente sem se saber ao certo. Metáfora da condição humana no mundo que lhe é estranho e mortal. Tema gnóstico? Labirinto sem paredes, prisão sem muros onde se vaga na vã tentativa de um retorno sempre adiado ao lar que se perdeu ou se partiu. Viagem de si a si mesmo: dor mítica, destino, regresso: Ítaca.
O filme como um todo é uma espécie de epifania que te pega pela mão e conduz a ver..Mais do que enxergar ver é luminoso. Abre brechas na realidade, ativa a percepção das coisas mínimas e miúdas, a micro floresta que é o musgo; a sopa que se compartilha na busca do encontro do eu ao outro, ao não eu, ao mundo. É esse vagar poético da procura, esse interstício da linguagem que fala mesmo no silêncio que se faz potência estética da harmonia e do equilíbrio com.a natureza circundante. É o dentro e o fora, um mergulho voraz. A madrugada e seu frescor, a cortina do quarto na brisa da manhã. Um frescor do ser que se revitaliza.
Puxa, não queria ter gostado, mas gostei um tantão. Uma comédia romântica delicinha, da melhor estirpe possível para uma pessoa feito eu.. Creio que rolou uma baita identificação, se não com a totalidade do personagem Jesse, mas certamente com o tema. Essa nostalgia tão potente dos tempos da faculdade. Amo livros e eles estáo lá sendo citados, lidos, incompreendidos e fisicamente presentes nas estantes abarrotadas. O ambiente do campus, o silêncio e os sonhos da juventude suas dúvidas e incertezas, seu caminhar vacilante, tateante rumo a uma suposta vida adulta. Vida pra mim é sonho e o resto é sempre poesia. Enfim, gostei demais.
A gente sai desse filme mais humano, mais feliz. Vendo as coisas de um modo mais lírico, mais solto, mais sutil. A obra tem o condão de encantar o olhar. De comover e fazer rir. É o absurdo das coisas, das pessoas, das situações, falas, gestos e olhares. É o absurdo poético e intenso da própria vida. É essa coisa sem rumo certo, sem um manual de instruções a ser consultado. São fatias/fragmentos luminosos da beleza que entretecem e enternecem o coração. É essa fragilidade heroica do tempo que passa e arrasta em seu fluxo avassalador a mais aterradora hecatombe da multiplicidade do abismo que nos sorri, mas para o qual nos entregamos, ou ao menos deveríamos, assim como fazem as personagentes do filme. É desses que a gente guarda na memória e do lado esquerdo do peito.
Dá uma tristeza na gente feito uma coisa entalada na alma. Algo vivo, voraz que devora por dentro e que não devia. Feito um domingo a noite sendo todo dia.Acho que ficaria dá hora se fosse um curta, mas ao mesmo tempo o fato de ser um longo parece distender o silêncio levando-o ao paroxismo da comunicabilidade. O silêncio fala. O silêncio diz. Comunica o indizível da solidão no estranhamento da presença do outro.Sozinho nas ruas, sozinho nas redes. Sozinho aqui como em todo lugar. Sozinho até de si mesmo posto que o eu se perde na metrópole labiríntica de si e do outro. Atomiza-se , pulveriza-se na perda de centro por paisagens vazias, melancólicas reflexo da psique esfacelada na multidão solitária. Um metrô e o vazio. Um apartamento e o vazio. Um homem e uma mulher e o vazio da humanidade inteira.
A ilusão da carne no sensível do corpo do desejo. A percepção mais além do corpo, do gozo, a transcendência do eu ao outro na dor enérgica e inebriante do amor. "Um pássaro vermelho que ninguém jamais viu. Um pedaço de uma estrela que caiu do céu. Um piano de cauda que afundou no rio."
Um clarão no meio da tempestade. O caos cosmo de um humanismo destruído, fragmentado a verdejar na aurora da linguagem cinematográfica. Quando se espraia o esgarçar da história e sua rubra tinta a partitura da película revolve ser e memória, possível e impossível, real e imaginário. Nuances destroçadas na fratura do inferno, purgatório, paraíso. Um exercício pleno, puro, múltiplo da beleza e da dor de tudo isso que nos escapa e nos move. Aquilo que nos humaniza no reverso de uma consciência estilhaçada e brilhante entre os escombros de nós mesmos.
Pra mim é o seguinte: Nós vamos lembrar, lembrem-se, seria esse o mote, a ordem imprescindível manifestada pelo filme. Ele é, segundo minha pequena e parcial perspectiva um sentimento daquilo que ocorreu e uma memória que reverbera no nosso hoje e em nós. É marco demarcatorio de uma consciência nacional que insiste, por vezes, em esquecer, em distorcer a história, em colocar panos quentes, empurrar a sujeira moral degenerada de ditadores e afins pra debaixo do tapete. Mas, viva a arte cinematográfica e sua força avassaladora que toma mentes e corações num uníssono sem anistia, não como desforra ou vingança, mas como justiça ainda que tardia. Esteticamente, penso não ser o melhor trabalho de Walter Salles, a exemplo de Central do Brasil e Terra estrangeira pra ficar só em dois exemplos, que se afiguram melhores para mim. A trilha sonora é incandescente, transborda a época retratada em toda a sua força cultural e seu alto teor explícito de brasilidade. E, que trabalho sublime de Fernanda Torres, sóbria, equilibrada. Escrevo no calor da hora e o filme pra mim é isso: Fala ao sentimento, ao coração brasileiro que se confrange vendo sua história, nossa história em seus dias mais escuros, mais duros, mais sombrios. Mas, nós não vamos esquecer, lembrem-se: ainda estamos aqui.
Imersão poética na alma do amor. Gracioso, romântico, ingênuo e idealista. Cantiga desarrazoada do coração. Um p&b tudo de bom. É um.filme amoroso. É bonito é bonito e irritante. Você tem que se deixar levar, se deleitar com a fulguração do amor. É uma inquietude, uma solidão compartilhada que arde do lado esquerdo do peito. Vinho inebriante e energético. Crime do qual se precisa de cúmplice para se cumprir. Ritmo marítimo do mistério. Pintura verdadeira de si e do outro. Forma sagrada da beleza: amor
É sobretudo triste. É brega, melancólico, ridículo e patético. Mas, inexoravelmente humano em tudo isso..Essa enfiada de adjetivos perfilados são um modo vão e sacana de me abster realmente daquilo que a obra me disse. Eis, aí um diretor que sempre fere e o admiro por isso. A decadência das coisas, o apodrecimento natural de tudo é um banquete que não podemos degustar sozinhos, ainda que, compartilhar nesse caso, seja mesmo uma necessidade e uma abjeção. O cheiro dos velhos quem suporta? Em sentido amplo, meus amores, temas, vidas, sonhos, corpos e estórias apenas degradam-se pouco a pouco, ao vivo, produzindo essa vileza torpe, mas com muito amor, apesar do riso murcho de uma flor atroz ao fim do dia.
Muito bom!! No começo faz vc pensar através de uma leitura sociológica das coisas: digamos, uma visão macro, uma grande angular. Isto se dá pq temos uma família branca nitidamente abastada passando férias num resort de alto padrão no México..Contrasta, muito fortemente, a riqueza, o ar blasé de uma elite acostumada a ser servida com os traços próprios dos povos latinos que figuram como serviçais dos donos do mundo. O elemento que não se encaixa a esse prisma é justamente Neil, personagem central da trama o qual estabelece uma tensão em seu nítido desajuste a este estilo de vida. Daí, que a mirada mais ampla, sociológica, possa ser uma chave de leitura, contudo, a obra parece revelar-se melhor pela individualidade de Neil. Nele reside a força dissonante e robusta que ao negar, ao colocar em crise sua vida na metrópole longínqua escolhe o mar e o amor que provém de uma jovem local. Seu mal estar parece apontar para o sangue, a riqueza de sua família é fruto de abatedouros de porcos. Ora, isso, pode ser entendido como simbolizando a violência e a morte do qual ele herdeiro natural deste império poderia se valer, mas não o faz na medida em que o renega. O sangue que constrói sua fortuna, e numa chave mais ampla o poderio econômico de países ricos é fruto de exploração, violência e muito sangue derramado. Isso talvez explique, em partes, ao menos, sua crise particular, seu profundo mal estar íntimo.
Gostei do que aqui é sarcasmo, mordacidade e subversão. O filho de Joseph, traz um olhar que reconta a mitologia cristã sob uma ótica disruptiva: a do do filho de Joseph, espécie de anjo e de rebelde. Em busca de conhecer o pai, sua jornada traça uma rica relação entre o discurso pictórico prenhe de simbolismos cristãos e um mundo desencantado, vazio e cínico pq abandonado pela figura paterna. É no contato e contra esse pai ausente que Vincent se rebela refazendo na teatralidade do ato de sacrifício uma forma de vitória humana demasiadamente humana. Seu pai, como já entendemos pelo título da obra é aquele a quem ele tem como amigo e companheiro realizando entre este e sua mãe Maria o milagre do encontro efetivo e afetivo.
É, sem dúvida, uma experiência estética arrebatadora! É se postar diante da beleza. É contemplar cada fragmento, cada quadro, cada segundo com o coração aos solavancos assombrado por aquilo que se vê. É mais do que uma obra fílmica é obra de arte avassaladora. Poesia do instante que se faz eternidade enquanto passagem de uma narratividade inexistente para as potencialidades da lírica. Daí, a circularidade ensimesmada, tentacular a vida que segue nos segundos, nos dias, na sucessão das estações, nas pequenas comemorações, nas alegrias. O tempo, senhor das ilusões humanas, nunca passou, nem passará. Ele fica. Ele permanece. Ele não vai a lugar algum . Ele não passa, somos nós que passamos. Por isso, se pode recordar, que em essência, etimologicamente falando significa "voltar ao coração". Recordar é reviver e mais do que isso é recriar a vida pelos fragmentos, pela memória, as memórias do autor, que como sabemos a memória é uma ilha de edição. Esta obra merece ser vista e revista por todos pelo seu poder de beleza, por sua febricitante felicidade. "A felicidade é a beleza". Recordo, a frase final de Virgínia Woolf na obra " Passeio ao farol" : "Eu tive a minha visão."
Uma delicinha. Leve, divertido, hilário. Uma comédia romântica francesa despretensiosa onde a jornada, o caminho, certamente importam mais que a chegada. Antoinette faz rir e comove sob medida. Ah, e Patrick, o burrinho , é de uma fofura sem par! Ademais, da paisagem que enche os olhos com tamanha beleza. Sem falar naquele "detalhe" poético e real que a trilha existe mesmo e foi percorrida por Robert Louis Stevenson, o escritor, batizada "Chemin de Stevenson" . Sendo que a história contada no filme adere a do autor.
Sensacional! Esse filme provoca um amor à primeira vista. No escurinho do cinema. Na sombria bad city uma garota caminha pela noite. E, paradoxalmente o filme é solar Um pop iraniano gótico feminista. Um ar de graphic novel. Um P&B amanhecendo. Esse jeitinho noir rejuvenescendo um tema de já há muito esbatido. A linguagem descarnada parece agir em quadros movida numa vibe moderna marcada por uma trilha sonora que dá uma tom sem igual a obra.
Para mim funcionou. É um filme que fala para dentro da gente. É sobretudo a permanência desse sentimento de não pertencimento, de não lugar, é quando a gente não se encaixa, não se acha, se perde de si, do mundo e dos outros. Incomunicabilidade e vazio. Um vazio repleto de angústia e desespero. É essa viagem para fora. Para dentro. É esse ônibus que viaja. Sensacional é a fuga. E aquela cena da dança, ah! aquela com a canção "Ana Maria" loucamente pareceu referir-se a de Pulp fiction. Eu gostei! Tem essa poesia que transborda triste e feroz.
"Quando minha viagem findar, assim como o pôr do sol, quero estar diante de você, Grande Espírito, com o coração puro, olhar direto e sem me envergonhar."
Tem esse lance da questão moral, da questão ética, né. Essas coisas de certo e errado. A velhinha é terrível, uma pessoa chata num nível hard. O curta nos diz o pq ela é assim. Contudo, ela parece querer não a justiça e sim a vingança. A dor corrói, vira ira, violência desmedida contra quem a provocou. Mas, o assassino de um assassino não será um assassino tbm ? Se a coisa se der no plano do dente por dente e olho por olho acabaremos todos cegos e banguelas. Gosto de obras assim fortes, duras, sanguíneas onde as palavras são adagas cortando nossa consciência.
Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra
3.3 29É o nosso zeitgeist, baby. Será que dá pra passar na sessão da tarde?! hahahaha. Rindo-se castigam-se os costumes, já disseram em latim. É pura diversão e pensamento. Gostosinho e louco. Maior viagem. No tempo, nas ideias. Uma crítica aberta e hilária a nosso tempo que pariu a IA ou teria sido quem sabe por ela parido?! O analógico ilógico abismo absurdo de situações dentro de situações nessa verigem com laivos ora mais abertos, ora mais escancarados de blade runner, black mirror, exterminador , de volta para o futuro, 2001... Uma odisseia na jornada adentro do game, esse cenário real ou irreal chamado vida, essa diatribe chamada cinema.
Casa de Dinamite
2.9 179 Assista AgoraÉ um filme de tensão, isto é, que visa e consegue ao longo de suas quase duas horas de duração produzir uma expectativa levada às raias do desespero. Partindo, e respondendo a pergunta: E, se houvesse um ataque nuclear aos Estados Unidos como reagiriam o alto escalão? A resposta é bizarra e temos que verdadeira: Não saberiam exatamente o que fazer. Mostram-se toscos, indecisos, incompetente e humanamente desorientados. Toda a arrogância do império americano parece cair por terra. A película parece nos lembrar num mundo pós guerra fria que a existência humana é muito frágil e depende demais do acaso. Um ataque de uma potência nuclear a outra pode provocar a extinção da raça humana. E, a acreditar que nossos governantes exalam arrogância interesseira e incompetência crônica se vê que estamos realmente em maus lençóis.
Uma Noite Infernal
2.5 99A solidão dos postos de gasolina. A solidão das lojas de conveniência. Tua feroz solidão, Melinda! Era só um pouco do bom e velho, amor... Mas, quem foi capaz de te amar, de te compreender?! O fogo purifica as coisas. Pode o fogo purificar tua alma solitária, Melinda!?
Jantar com Amigos
2.9 27 Assista AgoraO amor é bom. O amor é bobo é tolo..O amor é ridículo e patético não seria amor se não fosse tolo, bobo, ridículo e patético. E bom. E, por vezes acaba. Se desgasta, muda de roupa e de figura num gesto mutante, mirabolante doido de si mesmo. É complicado e difícil o amor. Tudo isso tá no filme.. É clichê, é banal, é tão real e bom.que acontece para além das telas de cinema, para além da ficção a ficção verdadeira do amor.
O Surfista
3.1 26Desconfiar é preciso e precioso e nem tudo o que parece é, mas às vezes é mesmo. Esse filme dá uma espécie de barato, uma insolação das brabas. Sol demais na cabeça. Confunde e alucina. Um clubinho do bolinha à beira mar revelando a crise da masculinidade. Como ser macho? Ora, rosnar e dar porrada para marcar território. Nossa praia, nossas ondas. Surfar e sofrer urra a seita na busca da virilidade perdida. A coisa então soa como um lamento pelo perda do poder masculino na sociedade. Por isso, possivelmente, mulheres não aparecem no filme. Machos gostam de ficar entre machos. Uma outra coisa: Há uma espécie de batismo que significa a aceitação no clube. E, para a personagem de Cage, isto pode ser entendido como a volta ao lar, ao seu espaço, ao seu lugar. Que talvez, numa outra chave de leitura para além do retorno ao mundo masculino da violência e sua celebração como potência da vida possa ser lido num sentido metafórico: O lar e a casa seriam então a identidade anterior a este mundo. A desconfiança de que tudo é ilusão, de que não pertencemos a este mundo e por isso ele nos é hostil e estranho. A certa altura do filme Cage é destituido de seus bens de consumo: os óculos , o celular, o carro como um modo de purificação e humilhação. Isto ocorre para desnudar o mundo da praia, que apesar de representar o paraíso é duro e cruel , mas é só ao passar por ele que se pode chegar a casa (desejo e recordação) como morada do ser.
Calypso
3.0 1O deserto, a identidade, o não pertencimento e a busca. Podemos, por certo, dizer serem estes os motes dessa releitura fílmica do episódio da Odisseia em que o herói grego se vê perdido e achado lá numa ilha, aqui num deserto uma ilha sem limites ou fronteiras. Mais do que espaço físico da imposição de um destino, uma maldição, o deserto como lugar e não lugar, é território anímico por excelência, plenitude de uma interioridade vacilante, dúbia, presa a si do desejo da memória perdida e da volta para uma casa que se pressente sem se saber ao certo. Metáfora da condição humana no mundo que lhe é estranho e mortal. Tema gnóstico? Labirinto sem paredes, prisão sem muros onde se vaga na vã tentativa de um retorno sempre adiado ao lar que se perdeu ou se partiu. Viagem de si a si mesmo: dor mítica, destino, regresso: Ítaca.
Here
3.2 11O filme como um todo é uma espécie de epifania que te pega pela mão e conduz a ver..Mais do que enxergar ver é luminoso. Abre brechas na realidade, ativa a percepção das coisas mínimas e miúdas, a micro floresta que é o musgo; a sopa que se compartilha na busca do encontro do eu ao outro, ao não eu, ao mundo. É esse vagar poético da procura, esse interstício da linguagem que fala mesmo no silêncio que se faz potência estética da harmonia e do equilíbrio com.a natureza circundante. É o dentro e o fora, um mergulho voraz. A madrugada e seu frescor, a cortina do quarto na brisa da manhã. Um frescor do ser que se revitaliza.
Histórias de Amor
3.5 357 Assista AgoraPuxa, não queria ter gostado, mas gostei um tantão. Uma comédia romântica delicinha, da melhor estirpe possível para uma pessoa feito eu.. Creio que rolou uma baita identificação, se não com a totalidade do personagem Jesse, mas certamente com o tema. Essa nostalgia tão potente dos tempos da faculdade. Amo livros e eles estáo lá sendo citados, lidos, incompreendidos e fisicamente presentes nas estantes abarrotadas. O ambiente do campus, o silêncio e os sonhos da juventude suas dúvidas e incertezas, seu caminhar vacilante, tateante rumo a uma suposta vida adulta. Vida pra mim é sonho e o resto é sempre poesia. Enfim, gostei demais.
Fire Supply
4.9 1A gente sai desse filme mais humano, mais feliz. Vendo as coisas de um modo mais lírico, mais solto, mais sutil. A obra tem o condão de encantar o olhar. De comover e fazer rir. É o absurdo das coisas, das pessoas, das situações, falas, gestos e olhares. É o absurdo poético e intenso da própria vida. É essa coisa sem rumo certo, sem um manual de instruções a ser consultado. São fatias/fragmentos luminosos da beleza que entretecem e enternecem o coração. É essa fragilidade heroica do tempo que passa e arrasta em seu fluxo avassalador a mais aterradora hecatombe da multiplicidade do abismo que nos sorri, mas para o qual nos entregamos, ou ao menos deveríamos, assim como fazem as personagentes do filme. É desses que a gente guarda na memória e do lado esquerdo do peito.
O Homem das Multidões
3.4 108Dá uma tristeza na gente feito uma coisa entalada na alma. Algo vivo, voraz que devora por dentro e que não devia. Feito um domingo a noite sendo todo dia.Acho que ficaria dá hora se fosse um curta, mas ao mesmo tempo o fato de ser um longo parece distender o silêncio levando-o ao paroxismo da comunicabilidade. O silêncio fala. O silêncio diz. Comunica o indizível da solidão no estranhamento da presença do outro.Sozinho nas ruas, sozinho nas redes. Sozinho aqui como em todo lugar. Sozinho até de si mesmo posto que o eu se perde na metrópole labiríntica de si e do outro. Atomiza-se , pulveriza-se na perda de centro por paisagens vazias, melancólicas reflexo da psique esfacelada na multidão solitária. Um metrô e o vazio. Um apartamento e o vazio. Um homem e uma mulher e o vazio da humanidade inteira.
Os Frutos da Paixão
3.1 17 Assista AgoraA ilusão da carne no sensível do corpo do desejo. A percepção mais além do corpo, do gozo, a transcendência do eu ao outro na dor enérgica e inebriante do amor. "Um pássaro vermelho que ninguém jamais viu. Um pedaço de uma estrela que caiu do céu. Um piano de cauda que afundou no rio."
Nossa Música
3.8 35Um clarão no meio da tempestade. O caos cosmo de um humanismo destruído, fragmentado a verdejar na aurora da linguagem cinematográfica. Quando se espraia o esgarçar da história e sua rubra tinta a partitura da película revolve ser e memória, possível e impossível, real e imaginário. Nuances destroçadas na fratura do inferno, purgatório, paraíso. Um exercício pleno, puro, múltiplo da beleza e da dor de tudo isso que nos escapa e nos move. Aquilo que nos humaniza no reverso de uma consciência estilhaçada e brilhante entre os escombros de nós mesmos.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraPra mim é o seguinte: Nós vamos lembrar, lembrem-se, seria esse o mote, a ordem imprescindível manifestada pelo filme. Ele é, segundo minha pequena e parcial perspectiva um sentimento daquilo que ocorreu e uma memória que reverbera no nosso hoje e em nós. É marco demarcatorio de uma consciência nacional que insiste, por vezes, em esquecer, em distorcer a história, em colocar panos quentes, empurrar a sujeira moral degenerada de ditadores e afins pra debaixo do tapete. Mas, viva a arte cinematográfica e sua força avassaladora que toma mentes e corações num uníssono sem anistia, não como desforra ou vingança, mas como justiça ainda que tardia. Esteticamente, penso não ser o melhor trabalho de Walter Salles, a exemplo de Central do Brasil e Terra estrangeira pra ficar só em dois exemplos, que se afiguram melhores para mim. A trilha sonora é incandescente, transborda a época retratada em toda a sua força cultural e seu alto teor explícito de brasilidade. E, que trabalho sublime de Fernanda Torres, sóbria, equilibrada. Escrevo no calor da hora e o filme pra mim é isso: Fala ao sentimento, ao coração brasileiro que se confrange vendo sua história, nossa história em seus dias mais escuros, mais duros, mais sombrios. Mas, nós não vamos esquecer, lembrem-se: ainda estamos aqui.
Tempo de Amar
3.8 10 Assista AgoraImersão poética na alma do amor. Gracioso, romântico, ingênuo e idealista. Cantiga desarrazoada do coração. Um p&b tudo de bom. É um.filme amoroso. É bonito é bonito e irritante. Você tem que se deixar levar, se deleitar com a fulguração do amor. É uma inquietude, uma solidão compartilhada que arde do lado esquerdo do peito. Vinho inebriante e energético. Crime do qual se precisa de cúmplice para se cumprir. Ritmo marítimo do mistério. Pintura verdadeira de si e do outro. Forma sagrada da beleza: amor
Rimini
3.5 5 Assista AgoraÉ sobretudo triste. É brega, melancólico, ridículo e patético. Mas, inexoravelmente humano em tudo isso..Essa enfiada de adjetivos perfilados são um modo vão e sacana de me abster realmente daquilo que a obra me disse. Eis, aí um diretor que sempre fere e o admiro por isso. A decadência das coisas, o apodrecimento natural de tudo é um banquete que não podemos degustar sozinhos, ainda que, compartilhar nesse caso, seja mesmo uma necessidade e uma abjeção. O cheiro dos velhos quem suporta? Em sentido amplo, meus amores, temas, vidas, sonhos, corpos e estórias apenas degradam-se pouco a pouco, ao vivo, produzindo essa vileza torpe, mas com muito amor, apesar do riso murcho de uma flor atroz ao fim do dia.
Ao Cair do Sol
3.5 15Muito bom!! No começo faz vc pensar através de uma leitura sociológica das coisas: digamos, uma visão macro, uma grande angular. Isto se dá pq temos uma família branca nitidamente abastada passando férias num resort de alto padrão no México..Contrasta, muito fortemente, a riqueza, o ar blasé de uma elite acostumada a ser servida com os traços próprios dos povos latinos que figuram como serviçais dos donos do mundo. O elemento que não se encaixa a esse prisma é justamente Neil, personagem central da trama o qual estabelece uma tensão em seu nítido desajuste a este estilo de vida. Daí, que a mirada mais ampla, sociológica, possa ser uma chave de leitura, contudo, a obra parece revelar-se melhor pela individualidade de Neil. Nele reside a força dissonante e robusta que ao negar, ao colocar em crise sua vida na metrópole longínqua escolhe o mar e o amor que provém de uma jovem local. Seu mal estar parece apontar para o sangue, a riqueza de sua família é fruto de abatedouros de porcos. Ora, isso, pode ser entendido como simbolizando a violência e a morte do qual ele herdeiro natural deste império poderia se valer, mas não o faz na medida em que o renega. O sangue que constrói sua fortuna, e numa chave mais ampla o poderio econômico de países ricos é fruto de exploração, violência e muito sangue derramado. Isso talvez explique, em partes, ao menos, sua crise particular, seu profundo mal estar íntimo.
O Filho de Joseph
3.4 17Gostei do que aqui é sarcasmo, mordacidade e subversão. O filho de Joseph, traz um olhar que reconta a mitologia cristã sob uma ótica disruptiva: a do do filho de Joseph, espécie de anjo e de rebelde. Em busca de conhecer o pai, sua jornada traça uma rica relação entre o discurso pictórico prenhe de simbolismos cristãos e um mundo desencantado, vazio e cínico pq abandonado pela figura paterna. É no contato e contra esse pai ausente que Vincent se rebela refazendo na teatralidade do ato de sacrifício uma forma de vitória humana demasiadamente humana. Seu pai, como já entendemos pelo título da obra é aquele a quem ele tem como amigo e companheiro realizando entre este e sua mãe Maria o milagre do encontro efetivo e afetivo.
Ao Caminhar Entrevi Lampejos de Beleza
4.6 34É, sem dúvida, uma experiência estética arrebatadora! É se postar diante da beleza. É contemplar cada fragmento, cada quadro, cada segundo com o coração aos solavancos assombrado por aquilo que se vê. É mais do que uma obra fílmica é obra de arte avassaladora. Poesia do instante que se faz eternidade enquanto passagem de uma narratividade inexistente para as potencialidades da lírica. Daí, a circularidade ensimesmada, tentacular a vida que segue nos segundos, nos dias, na sucessão das estações, nas pequenas comemorações, nas alegrias. O tempo, senhor das ilusões humanas, nunca passou, nem passará. Ele fica. Ele permanece. Ele não vai a lugar algum . Ele não passa, somos nós que passamos. Por isso, se pode recordar, que em essência, etimologicamente falando significa "voltar ao coração". Recordar é reviver e mais do que isso é recriar a vida pelos fragmentos, pela memória, as memórias do autor, que como sabemos a memória é uma ilha de edição. Esta obra merece ser vista e revista por todos pelo seu poder de beleza, por sua febricitante felicidade. "A felicidade é a beleza". Recordo, a frase final de Virgínia Woolf na obra " Passeio ao farol" : "Eu tive a minha visão."
Minhas Férias com Patrick
3.4 12 Assista AgoraUma delicinha. Leve, divertido, hilário. Uma comédia romântica francesa despretensiosa onde a jornada, o caminho, certamente importam mais que a chegada. Antoinette faz rir e comove sob medida. Ah, e Patrick, o burrinho , é de uma fofura sem par! Ademais, da paisagem que enche os olhos com tamanha beleza. Sem falar naquele "detalhe" poético e real que a trilha existe mesmo e foi percorrida por Robert Louis Stevenson, o escritor, batizada "Chemin de Stevenson" . Sendo que a história contada no filme adere a do autor.
Garota Sombria Caminha Pela Noite
3.7 357Sensacional! Esse filme provoca um amor à primeira vista. No escurinho do cinema. Na sombria bad city uma garota caminha pela noite. E, paradoxalmente o filme é solar Um pop iraniano gótico feminista. Um ar de graphic novel. Um P&B amanhecendo. Esse jeitinho noir rejuvenescendo um tema de já há muito esbatido. A linguagem descarnada parece agir em quadros movida numa vibe moderna marcada por uma trilha sonora que dá uma tom sem igual a obra.
Cowboy Dave
3.8 2"Ouça... Há apenas uma parte do universo que você pode melhorar, e é você mesmo."
Desterro
2.8 13Para mim funcionou. É um filme que fala para dentro da gente. É sobretudo a permanência desse sentimento de não pertencimento, de não lugar, é quando a gente não se encaixa, não se acha, se perde de si, do mundo e dos outros. Incomunicabilidade e vazio. Um vazio repleto de angústia e desespero. É essa viagem para fora. Para dentro. É esse ônibus que viaja. Sensacional é a fuga. E aquela cena da dança, ah! aquela com a canção "Ana Maria" loucamente pareceu referir-se a de Pulp fiction. Eu gostei! Tem essa poesia que transborda triste e feroz.
America
3.2 3 Assista Agora"Quando minha viagem findar, assim como o pôr do sol, quero estar diante de você, Grande Espírito, com o coração puro, olhar direto e sem me envergonhar."
November 1st
3.6 2Tem esse lance da questão moral, da questão ética, né. Essas coisas de certo e errado. A velhinha é terrível, uma pessoa chata num nível hard. O curta nos diz o pq ela é assim. Contudo, ela parece querer não a justiça e sim a vingança. A dor corrói, vira ira, violência desmedida contra quem a provocou. Mas, o assassino de um assassino não será um assassino tbm ? Se a coisa se der no plano do dente por dente e olho por olho acabaremos todos cegos e banguelas. Gosto de obras assim fortes, duras, sanguíneas onde as palavras são adagas cortando nossa consciência.