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Últimas opiniões enviadas

  • M. Filho

    Deve ter um monte de erro aí, coloquei aqui pra salvar, depois faço uma edição decente no comentário.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Considero Saraband um dos melhores e mais corajosos filmes dos anos 2000. Sendo lançado em 2003, o argumento deve ter vindo um pouco antes disso, profundamente motivado pela virada do milênio. Eu era apenas uma criança, mas sempre recordo como esse evento foi decisivo na cabeça do homem. Eram ares de esperança, renovação e até o planejamento precoce do fim do mundo tinha esse caráter de metáfora: iriam soprar outros ventos. Se esperava de tudo da tecnologia, das relações humanas, do mercado de trabalho, da moda, da arte, enfim... O calendário traria a nós um novo senso individual e coletivo, impulsionado por essa necessidade de encontro com um futuro que sempre se projetava com certa dose de idílico. Bergman voltou à arte pra falar sobre isso. Provavelmente abismado com o que as notícias ao redor de si e no mundo (atentados, guerra, eleição de Bush filho, aumento massivo do uso de drogas no mundo inteiro, depressão em alta, questões ambientais urgentes), ele resolveu voltar a si e a dois de seus principais personagens pra questionar: o que aconteceu?
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    Portanto, o filme se projeta como um balanço das virtudes e dos males dos últimos 30 anos. Eram questões novas, Johann e Marianne já haviam se tornado seres diversos em carcaça e espírito. Uma nova conversa, com a memória variando entre passados mal resolvidos e um presente não menos controverso. Henrik e Karin são justamente os frutos desse balanço que Bergman pretende fazer. Eles estão ali porque precisamos entender o entorno de Johann e Marianne e daquela geração, completamente genial e geniosa. A visão não é boa. Há um pai e um filho que não se tratam com a menor decência. Há um pai e uma filha que desenvolveram uma relação doentia derivada da nostalgia e do apego ao passado. E há uma mulher que quer compreender, mas se sente também colocada em clausura diante dos seus próprios erros e que pretende se redimir ao tentar estancar a dor dos outros que provavelmente fariam parte de sua vida em um outro futuro.
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    Escolhas. Marianne abortou aquele futuro de realidade claustrofóbica. Não era pra ser dela. Mas há um grande prazer em fazer parte daquele universo pelo menos por uma temporada. É assim que seria a velhice: despida de investigar suas velhas fotografias, ouvindo os afagos de uma neta e suportando a má vontade de Johann? Não há como saber. Marianne decidiu tomar o seu próprio rumo e a independência feminina (aparentemente conquistada a dura pena) parece também pesar-lhe os ombros.
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    A geração tão elogiada também havia se tornado doente. Não resolvia suas questões, afogava em silêncio os seus vícios e não tinha mais capacidade de se comunicar. O ambiente é propício: aquela floresta não parece convidativa a amigos e socializações. E de outro lado, melancolia, velhas cartas, uma luz sépia que ilumina os dias.
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    Apesar de tudo: Karin. Nela há uma possibilidade de sair desse circuito. Abandonar as doenças da geração passada, entregar-se aos seus talentos – amedrontados, desprovidos da ousadia sessenta-setentista, é certo -, permitir-se sair do abuso ao qual era obrigada diariamente e conhecer um mundo para além da clausura. Parece o chamamento de Bergman às novas gerações, ao novo milênio: “desrespeitem-nos, nos deixem com nossos problemas e conquistem o mundo”. Karin é a liberdade que ele desejava a esses novos tempos. Queria que aproveitássemos as heranças, mas que nos puséssemos em voo perpétuo. Era o mais importante, uma saída filosófica e espiritual para limar as velhas questões humanas e apresentá-las sob nova forma. O que Bergman não sabia é que nos ateríamos em breve a recrudescimentos. Parecemos ter escarrado na mensagem testamentária do mestre e chafurdamos em uma nostalgia temerária e cada vez mais sectária em relação ao nosso próximo. Deveria ter uma exibição nova do Saraband nos centros de todo o mundo. Talvez aprendêssemos alguma coisa, afinal.

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  • Bruna
    Bruna

    Olá! Obrigada por aceitar. Como você está?

  • Carol
    Carol

    olá!! gostei muito do seu gosto musical e de seus favoritos, está aceito. :)

  • Vitor
    Vitor

    Rapaz, eu não gostei muito não. É esteticamente soberbo, tecnicamente também, mas o roteiro parece ter sido deixado de lado em troca das conquistas em imagem, sabe? Nisso fica bem desbalanceado. Um filme como Daisies também fez isso há quase meio século, mas ali estava latente uma crítica e um espaço político justamente requisitados por esta renúncia ao roteiro. Mas me diga o que tu achou depois.

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