como toda obra do Marcelo Gomes, tem todo um olhar muito contemplativo para a realidade e aqui a gente é posto no papel de observador, somos levados a participar do filme, como quem está ali e apenas contempla, como se olhasse para o mundano com um fascínio carinhoso.
e entre contemplações, uma certa melancolia paira tudo, quando nos sentimos alegres ou confortáveis, efeitos de câmera nos tiram o foco, uma trilha sonora entra. como se nos perdêssemos ao assistir a própria vida, como se nos desassociássemos por um momento do nosso próprio ser individual e olhássemos a realidade em profundidade, mas logo somos puxados novamente por certos sentimentos de desconforto.
e no fim fala sobre a vida mesmo, a vida é isso, muito bonita mesmo em sua melancolia.
sobre o período pós-contracultura dos movimentos hippies em que os integrantes desses movimentos encaravam a desilusão de uma sociedade que não mudou como se imaginava. há tambem um senso de estados unidos caótico, que venceu essa juventude e que parece agora os engolir e se antes as drogas representavam uma expansão de consciência e ir contra o estado americano - agora até esse estado a aceitou a seus termos na cidade de las vegas e em vez de iluminar a mente, o que sobra das drogas é a mais completa alienação possível. pra mim parte desse texto vai de uma crítica ao próprio movimento da contracultura, quando o personagem principal lembra da época ele diz que achava que estavam lutando por algo certo, mas não parece entender muito bem os reais motivos das pautas.
dessa forma, o filme constantemente beira a genialidade e sua primeira metade é incrível. mas então o filme decide se tornar uma das coisas mais nojentas de misoginas que já assisti, com algum fiapo de senso crítico pra questão e que me parece mais uma tentativa de dizer "naooo, vc não entendeu a crítica!". e aí no fim o que sobra é um se beber não case com alguma pretensão intelectual, uma fantasia masculina e problemática que reconhece seus problemas mas decide ignorá-los e abraçar uma diversão alienada. nada me convence de que a trama da Lucy é aceitável.
se assume como um conto infantil e traz uma metalinguagem que explicita o quanto a ficção é artificial por natureza e portanto essa recusa crescente por histórias que fogem do "realismo" (geralmente associado a um realismo cínico mesmo) é algo sem sentido porque no fim o potencial da arte é mesmo o da imaginação, de levar você a acreditar que algo não real é real.
e, enquanto um conto infantil, é bobinho, mas muito lindo e guarda uma sinceridade muito genuína e bonita por trás de tudo, tem paixão pela própria história que tá contando mesmo em seus momentos mais bestinhas. afinal, vá ao inferno a verossimilhança, porque as vezes ela parece mais prender a narrativa e a possibilidade de conceitos do que outra coisa em muitos casos.
edit: aliás eu entendo quem não gosta do shyamalan enquanto roteirista ou mesmo cineasta, mas inegavelmente ele é um bom diretor viu, a forma como ele gerencia a câmera e conduz o ritmo da narrativa é admirável.
o terror e a confusão absoluta de enfrentar o tempo nesse período de transição da adolescência pra fase adulta. a melancolia e a angústia de uma vida sem sentido, de ser cercado por símbolos vazios que tentam significar algo, como a "linha da vida" de amor e medo, assim como todo o moralismo conservador das instituições. a sensação de estar perdido, de não se encaixar em nada, de não ver nenhum sentido, de ser diferente e de não saber seu futuro, de fugir do passado também.
tudo isso cria uma obra profundamente melancólica, uma tristeza desesperadora ainda que muito calma, tudo tem passos lentos mesmo que não haja tempo suficiente para entender as coisas. por isso digo que você não PRECISA entender donnie darko (isso sequer é possível só por esse filme, sem as páginas do livro que só tem no corte do diretor), porque o filme só é tão impactante, sentimental, catártico e melancólico por construir a trama do jeito que constrói.
inegável que o Scorsese é FODA fazendo biografia, toda sua execução técnica é impecável aqui assim como carrega aquela típica maneira (quase sempre) envolvente com a qual ele conta suas histórias.
contudo, me peguei fazendo um GRANDE esforço em me conectar com a história, de forma que a experiência variou entre apreciar a cinematografia e buscar alguma coisa que me despertasse encanto nesse filme. no fim, senti como se tivesse assistido um excepcional filme, em que não gostei de quase nada.
fora isso ainda tem aquela cena de sexo que acho nojentamente dirigida, provavelmente a pior cena que o Scorsese já filmou, completamente desnecessária mesmo que eu entenda qual a intenção do Scorsese com ela, mas tal intenção simplesmente não justifica o quão carregada a direção acaba ficando.
e sim as cenas de luta são absolutamente impecáveis.
podia ser muito melhor enquanto suspense mesmo, achei que foi uma baita desperdício, porque toda a premissa e enredo em si são INCRÍVEIS, mas o que falha é a execução.
a direção acaba sendo operante demais, o ritmo não é bem balanceado e eu acabei achando meio entendiante o que é a última coisa que um THRILLER tem que ser.
Os momentos mais terror até funcionam, a cena da marreta é muito boa e a Kathy Bates é MUITO assustadora no papel, não seria exagero considerar ela uma das melhores vilãs do cinema, simplesmente IMPECÁVEL tudo sobre a personagem.
uma trilha sonora mais decente era fundamental aqui, a trilha é bem genericazinha, assim como a direção em si. no fim, me soa como um thrillerzão de sessão da tarde que tinha potencial pra ser uma baita obra prima. o confronto final é bem empolgante anyway.
incel é um termo muito moderno e por isso não se aplica 100% ao Travis, mas as mesmas premissas de homem branco hétero deslocado da sociedade e que desenvolve uma obsessão pela figura feminina estão aqui. acho justo dizer que Taxi Driver é um estudo sobre o incel mesmo muito antes do termo ser criado.
e a forma como esse estudo é desenvolvido e entramos no mundo do Travis é tão elegante e sutilmente bem feita, as respostas do filme estão nos detalhes e a direção conta TANTO quanto o próprio roteiro.
se em Notas do Subsolo (livro do Dostoievski que o Scorsese se inspirou pra fazer o filme) tudo que há é texto para contar a história, sempre lemos entendendo muito bem a mente deturpada do personagem principal. a escolha de Scorsese então é fazer um filme sobre o mesmo personagem, mas usar dos elementos da sétima arte para expandir até onde percebemos essa pessoa enquanto elemento da sociedade, de forma que o próprio distanciamento nos faz nunca ter certeza ao certo do que ele pensa de fato e assim o Scorsese consegue criar uma dubiedade perigosa que enriquece o filme a outro nível. novamente, as respostas estão nos detalhes.
e o que eu percebo muito revendo esse filme é que a questão central para Travis SEMPRE são as mulheres, e por isso acho ele tão bom quanto um estudo da figura do Incel. ao longo do filme vemos as diferentes facetas por quais Travis enxerga a mulher, mas sempre como uma figura a se conquistar, como se o que ele sentisse de vácuo em sua vida é, de fato, a posse do objeto feminino - quando comenta sempre ser alguém sozinho, fala isso olhando mulheres na rua, a maioria com um namorado. e para conquistar essa mulher Travis sempre vê um homem entre ele e ela, um obstáculo claro que ele precisa superar, alguém que já teria posse daquilo que ele almeja.
seu ato final está bem longe de ser motivado por motivos concretos, Travis sequer entende o real problema que está enfrentando e é motivado 1) por uma espécie de idealização já que ele acredita que aquela menina devia estar vivendo outra vida (e em um momento descreve como deveria ser essa vida idealizada); 2) por ver na menina a mesma Betsy que não conseguiu conquistar, após isso quando se torna violento - violência essa que exatamente surgiu DO ódio e rancor misógino criado pela rejeição da Betsy -, primeiro tenta explodir essa violência matando o candidato a presidência (o que por si parece ter sido feito também pelo rancor da rejeição de Betsy - o candidato sendo outro homem que está entre Trevis e ela), mas quando não consegue, usa da violência para ""salvar"" Iris, entre aspas pois para ele, matar aquelas pessoas significa se livrar dos homens que estão entre ele e a Iris, usando agora da violência para conquistar a mulher que almeja. A Iris até lembra a própria Betsy - o que fica claro na cena final, pra mim completamente um delírio do personagem antes mesmo de realizar o ataque.
um dos maiores erros de interpretação é achar que a jornada de Travis é trágica ou que ele é corrompido, pois desde o início fica claro o quanto Travis é uma pessoa perturbada e tem umas ideias errada demais, suas frustrações sim o fazem ficar mais pirado da cabeça, mas acho uma análise bem rasa dizer que ele foi criado pela sociedade ou algo do tipo.
Aliás também tem um texto muito preciso sobre como Travis enxerga pessoas pretas, como outro tipo de ser humano, com uma violencia inerente e sempre como sendo uma ameaça a vida dele mesmo e de pessoas do bem. Não é acidental que a cena que o faz comprar uma arma é de um homem declarando que vai matar sua mulher porque ela o está traindo com um negro, muito menos acidental que após isso o primeiro assassinato de Travis é de um cara negro.
Taxi Driver é, sobretudo, um filme sobre alienação, extremamente inteligente sagaz e denso.
a primeira metade faz um trabalho impecável de construção de atmosfera de forma bem calma, constrói essa sensação de incômodo, de desconforto nas relações sociais, enquanto o que gera terror - terror genuíno aliás - é a relação de poder pela religião que Carrie tem com sua mãe. Todas as cenas da Carrie em casa causam um sentimento horrível, que pra mim é agravado ainda mais pela inocência da Carrie. Mais assustador que o bullying é estar preso nessa relação abusiva, então o baile surge como a resolução destes dois problemas.
Carrie vai deixar de ser a estranha (kk) e passar a se enxergar como o adolescente normal que ela quer ser, da mesma forma é um enfrentamento da sua mãe, ela busca se distanciar do que a mãe é e logo quebrar esse controle que a mãe exerce sobre ela. Não é tanto sobre a culpa cristã nem sobre pecar ou não pra ela, isso porque a religião é simplesmente a forma pela qual a violência materna se materializa, o que a Carrie quer é se soltar das amarras da mãe.
e é por isso que o terror do ato final é tão forte, porque todos nós sabemos o fim dessa história, e a direção faz o máximo para nós dar tudo, só pra depois tirar da gente. a Carrie tem a melhor noite da vida dela, mas tudo termina onde termina e a gente sempre fica com esse incômodo porque a gente sabe onde termina. uma das cenas mais acertadas do filme é a que Carrie dança, a cena é construída como um lindo momento, a câmera girando em volta do casal, Carrie aprendendo a dançar, aprendendo a viver, a música romântica, eles se beijam, mas então a Carrie endaga mais ele sobre porque chamou ela para a festa. Nesse momento a câmera começa a girar mais e mais rápido a ponto de deixar a gente tonto, ela ainda é bonita, a música está lá e ainda é a mesma cena, mas a gente sente a sensação de desnorteamento da Carrie quando se questiona sobre porque está ali. afinal de contas também, ele não sabia da "pegadinha" mas ele também não a chamou por genuíno interesse, ainda há um grau de falsidade e artificialidade àquilo e a Carrie sente isso por um momento.
Dessa forma, a sequência do baile segue sempre em uma linha tênue entre um sonho realizado e uma mera ilusão, entre ser o dia que vai salvar a Carrie ou o que a condenará. Da mesma forma a Carrie existe sobre linha tênue entre viver e seguir o caminho da fé, nesse conflito entre tentar se separar dos braços da mãe mas ter medo do que as pessoas farão com ela. Ela só enfrenta a mãe de fato quando as coisas parecem melhorar em seu convívio social.
E no fim, como toda boa tragédia, Carrie enfrenta a mãe, se liberta, mas sua noite é destruída pela "pegadinha", numa das melhores cenas da história do cinema de terror. Carrie então, após matar todo mundo, retorna para sua mãe. Mas já é tarde demais, após a tragédia, Carrie não tem mais sequer a ""proteção materna"".
Há também todo um texto bem profundo sobre a religião, sobre o fanatismo e principalmente: sobre o fetiche reprimido, sobre o tesão mesmo, porque sim, o pecado excita muito mais quando você o proíbe a si mesmo, mas quanto mais abafado esse tesão, mais ele se manifesta de outras formas e a cena da morte da mãe dela é exemplo disso, pois não é coincidência que ela morra daquele jeito, replicando um símbolo de redenção pela dor, e que essa dor provoque gemidos que pouco parecem de agonia: o fetiche por definição é um símbolo que é objeto de devoção.
surpreendentemente eu discordei da opinião geral de que o ato final estraga quando aqui eu achei o momento em que o filme se tornou mais interessante. Porque antes o que se tem é uma exploração e replicação bem feita do terror do jogo em si, mas é no último ato que há essa jogada bem interessante de subverter a narrativa, porque não é só uma história de maldição de vingança por uma bruxa queimada, é uma história onde realmente essa vingança é SHOW essa vingança é MASSA. então os monstros extremamente perturbadores aqui deixam de ser o mais assustador (naquelas onda de os verdadeiro demônio é as pessoa ksksks mas funciona) e passam até a não serem tão ameaçadores assim uma vez que a gente entende o que é aquilo tudo e como aquilo tudo existe para se vingar, ou seja, pra matar todos esses crentes fdps.
imagino que o jogo (que não joguei) vá pra um caminho muuito mais pessimista, muito mais mind fuck, muito mais cínico, muito mais niilista e tudo isso deve funcionar bem mais para o terror. e também entendo DEMAIS quem não gosta desse ato final, super compreensível.
also, os fanático religioso é meio tosco hein parece monty python pqp kkkk
o goro nesse filme é o típico jogador de jogo de luta que chama criança pra jogar com ele, desce a porrada no muleque de 5 anos usando algum personagem apelão e depois fica zuando a criança dizendo que ela é ruim.
enquanto terror parte não apenas do medo da morte enquanto uma ansiedade (ainda que seja isso também), mas também de um sentimento adolescente de desconexão com o mundo e principalmente da sensação de uma falta de futuro claro na vida e desse sentimento de desconforto com o futuro vêm essa sensação de que você sequer tem um futuro, a ideia de que você vai morrer então se torna um conceito poderoso e é daí que vêm esse medo da morte iminente que o filme pega pra brincar.
acho legal como o protagonista no início é essa figura deslocada e até por isso rola a conexão dele com a menina, mas conforme a trama passa e ele vai entendendo como "a lista" funciona, e vai conseguindo salvar as pessoas, ele vai ficando cheio de si e ganhando confiança, como se agora sim ele tivesse um objetivo, uma razão, um futuro claro: ele vai derrotar a morte.
não acho que tudo isso seja intencional do filme mas com certeza muito disso é intuitivo e está lá, independentemente, é por estar lá que os elementos desse filme funcionam tão bem.
poderia ser um filme muito consistente e interessante (tem ideias ótimas pra sustentar isso) mas cai em uma auto-indulgência em que constantemente eu sentia um contraste entre o que eu imagino que o diretor queria passar e o que de fato o filme está passando.
se conceitualmente o filme poderia (ou tenta) ser uma viagem riquíssima pela mente de um homem extremamente alienado - meio na vibe de taxi driver mesmo não tem problema, o filme já é obviamente muito inspirado, se fosse bem feito tava ótimo -, em sua realização o que fica é uma obra desconfortável e melancólica de um "trágico herói", não há quase nada de fato no filme que indique uma crítica ao personagem, como se o filme se perdesse na própria estética (que admito ser muito atraente).
pra ser justo, tem duas cenas de muita violência que o filme tenta nos convencer de que talvez esse cara não bata bem da cuca, uma excelente na metade do filme que me fez torcer pra que o filme fosse para um caminho de subversão do gênero de ação - e a outra é a mais famosa do filme mais pro ato final, que acho um grande desperdício de oportunidade.
no fim o que sobra desse filme, além de uma vaga intenção de ter algum tipo de profundidade, é um retrato romantizado dessa fantasia masculina, tudo soa muito ridículo.
um conjunto de tretas de máfia conectadas, uma mais maluca que a outra. é impressionante a narrativa do filme conseguir desenvolver tantos personagens de forma tão ágil e absolutamente caótica e manter a coesão narrativa, o que acredito ser o feito mais impressionante desse filme, unir tantos enredos caóticos por natureza de forma tão perfeita e amarrada onde um evento gera outros eventos que influenciam uns aos outros mesmo que cada grupo de personagem esteja em uma trama própria, nunca vi nada que chegasse perto disso aqui.
é o caos TÃO narrativamente organizado que torna esse filme apaixonante, me parece algo do tipo se pulp fiction fosse escrito pelos irmãos Coen, já que o senso de humor aqui é bem dos Coen (é uma comédia de erros tal qual Fargo).
o final é muito muito bom e ademais alguns momentos me fizeram rir MUITO mesmo.
incrível como a direção e cinematografia nos colocam nesse contexto por um ponto de vista infantil, mas não deixa de nos colocar também no ponto de vista dos adultos de um jeito que o drama ali é dos adultos - e nós conseguimos acompanhar perfeitamente os conflitos - mas a todo momento estamos preocupados com as crianças, não só porque são de fato situações preocupantes, mas porque sempre estamos acompanhando o filme pelos dois pontos de vistas então a gente sabe exatamente como as crianças estão enxergando e interpretando os conflitos adultos. é um feito bem impressionante visto que o caminho mais fácil seria dar mais foco pra um dos lados, mas a direção do filme é apurada o suficiente pra transitar entre a visão infantil e a adulta de forma muito orgânica e sutil.
a primeira metade tem um ritmo impecável, mas na segunda o filme fica um pouco mais perdido. mas continuo amando como o ritmo é trabalhado dessa forma calma e a trama vai avançando boa parte em cenas mundanas, já que, apesar do caos absoluto da vida daquela criança, ela - e as outras - ainda são só crianças e querem só brincar e se divertir, então os problemas que vão acontecendo soam mais como contratempos ou só acontecimentos comuns, "coisa de adulto" ou algo do tipo. Isso faz com que, apesar de ser um filme denso e com forte carga dramática, ele não pareça tão pesado assim de assistir, principalmente nos dois primeiros atos ele tem um tom relativamente leve e divertido.
o final é carregadíssimo de emoção (chorei muito) e o filme te deixa pesado quando acaba, apesar de ser uma ficção ele é muito realista - e tem um toque perfeito nisso, as interações infantis são absolutamente críveis - e isso que desgraça a cabeça.
isso era o que eu queria ter sentido quando fui ver No Way Home.
Um conjunto de ideias excepcionais amarradas em um roteiro impecável e divertido com uma direção artística absolutamente deslumbrante. Me surpreendi bastante em alguns momentos, tem algumas sacadas ótimas.
Acho muito bom também a ideia de fazer um filme de multiverso do aranha pelo Miles Morales, sendo que a própria história do Miles envolve essa questão da identidade e descobrir o que é ser o homem-aranha, então não tem personagem melhor pra protagonizar um filme sobre homens-aranhas de diferentes realidades interagindo.
Eu quase dei uma nota 9, mas a luta final foi tão catártica, tão emocionante, que é um 10 com certeza. Eu amo a trilogia do Sam Raimi por conta de seu caráter emocional, são filmes com muito coração e muito catárticos em seus clímax e quase nenhum filme de herói (que eu tenha visto) chegou perto da trilogia raimi nesse sentido, mas Aranhaverso consegue esse feito e consegue bonito, muito devido a seu roteiro excelente mas principalmente por conta da produção e direção impecáveis. A quantidade de energia desse filme é surreal.
Homem-Aranha no Aranhaverso é, com certeza, o melhor filme do homem-aranha.
- She told him stories. He taught her to fly. How? - You just think happy thoughts. They lift you into the air. - Alas, i have no happy thoughts. - That brings you down.
Eu nem sei o que dizer direito porque esse filme é tão tematicamente perfeito e coerente em todos seus níveis. Ele é sobre o poder do acreditar, da imaginação, sobre palavras e seus significados sentimentais, sobre ser criança e acreditar profundamente nas histórias. E, logicamente, é também sobre o conflito entre a vida adulta e a infância, entendendo que o amadurecimento é inevitável e necessário mas que, quando adultos, deixamos de acreditar no poder da imaginação, na simplicidade das coisas, e isso dá lugar a outras crenças, como status e dinheiro. Não passam de palavras a quais atribuímos significados, como as Fadas, como as Histórias de aventuras e como o Amor. Entre a inocência infantil e a vida adulta cínica, existe um equilíbrio representado pela Wendy nesse período da pré-adolescência.
O filme entende tudo isso perfeitamente e desenvolve a história de forma visualmente linda e apaixonada, acredita muito em todos seus conceitos e tudo evoca um senso infantil de fascínio muito forte. A cena do "Eu acredito em fadas" é o apogeu disso tudo.
Última cena é muito forte e o primeiro ato inteiro é perfeito, mas eu não acho que ele é tão certo assim de seus pontos e navega entre um forte cinismo e momentos mais humanos. Fica um pouco estranho porque é difícil ter empatia com os personagens principais, então momentos mais dramáticos (típicos de filme de guerra) não funcionam tão bem. Fora isso os personagens em si não são muito bem desenvolvidos.
Mas de forma alguma o olhar do filme para a guerra é positivo e o filme é sobre a dessensibilização e cinismo que a guerra cria nos soldados e como ela é desumana, doentia e sem sentido.
Se o filme tivesse ido mais fundo na ironia e no cinismo eu acho que ele funcionaria melhor, continua sendo um filmao de qualquer forma.
encantador no olhar da realidade. é fascinante, não por ser uma história absurda, mas pelos momentos de identificação e correlações que fazemos com nossas vidas. é um documentário que se sente como uma ficção, tão confortável quanto. E é tão profundo e bem feito que acabou se tornando uma experiência de contemplação e reflexão pessoal pra mim. na verdade a vida é bem bonita, apesar de tudo.
É antes de tudo uma obra com paixão pela cidade, tem um olhar muito sensível pros detalhes e com isso explora a cultura, os problemas e as contradições - de Recife, mas também da enorme maioria das cidades metropolitanas no Brasil e na América do Sul.
Tem um olhar desconfiado pra ascenção econômica, pra urbanização, e muito também para o olhar gringo e o que a cidade representa pra turistas.
Acho a parte final do filme com muito menos energia pra ser sincero (os últimos 15 ou 20 minutos), mas é literalmente a única coisa que eu tenho a reclamar desse filme.
De resto, obra prima, com certeza um dos melhores filmes de máfia já feitos. Porra como eu amo esse filme.
masculinidade oprimida em sistemas capitalistas modernos que encontra espaço na anarquia para enfrentamento e libertação dessa opressão sistematizada, ao mesmo tempo que uma afirmação de masculinidade através da violência.
É sobre rebelião deturpada, consequência do sistema, construída pelo imaginário da criatura masculina. Em um ambiente masculino, a mulher sendo uma figura intrusa e incômoda. Mas só em uma análise bem rasa pra achar que essa figura masculina é celebrada.
É quase um táxi driver versão surtada, com uma montagem rápida e um enredo que te instiga constantemente a entender o que tá acontecendo. Bem expositivo muitas vezes e eu absolutamente vejo como alguém vai detestar esse filme para além do plot twist final, mas eu acho ele: extremamente divertido; espetacular em direção, filmagem e montagem, riquíssimo em linguagem; com muitas camadas interessantíssimas de discussão; e com uma narrativa excelentemente executada.
Sobretudo é um produto de sua época, super cool e super anos 90, é provavelmente o melhor do Fincher.
O encanto fantástico do lúdico com o muito sombrio, repleto de humor negro, que só o Tim Burton em seu ÁPICE consegue proporcionar.
Melhor em todos os aspectos possíveis se comparado com o primeiro, desenvolve Gotham City com uma paixão e um fascínio que faz de toda a experiência algo tão único, excêntrico e verdadeiramente fascinante que esse não pode deixar de ser meu filme favorito do Batman.
Tem pelo menos meia dúzia de cenas brilhantes aqui, é incrível como tudo tem tanto coração e os momentos sinistros tem o tipo de tom que só o Burton conseguiria colocar e aqui ele tem em suas mãos um universo e personagens perfeitos pra explorar nesse aspecto. O Batman funciona ainda melhor que no primeiro; o Pinguim é uma pedrada de personagem foda que eu AMO, desde o conceito, ao design, à atuação maravilhosa do DeVito e seu conjunto de excelentes cenas; e a Mulher Gato sendo a melhor coisa do filme, eu acho a atuação dela aqui FODA tipo FODA mesmo MUITO FODA, além de ser uma personagem muito bem escrita com um ótimo conflito, tudo é perfeito quanto à ela.
Batman Returns é uma pepita de ouro perfeitamente lapidada para os meus gostos pessoais. Tem um tom que eu amo, uma excentricidade que eu amo, personagens maravilhosos e me desperta um fascínio em várias camadas. Amo, no mínimo, quase tudo nesse filme. Nota: 10.
tim burton trouxe a pegada mais dark do batman que tinha se intensificado nas hqs dos anos 80 unindo com a parte mais cômica e assumidamente boba da série de televisão - a qual era tmb a visão popular do batman até então -, criando assim uma obra absolutamente icônica que, devido também a seu sucesso de bilheteria, conseguiu ressignificar o imaginário comum do Batman na época. nunca tinha havido um filme de herói deste nível até então.
várias ideias funcionam aqui e várias não, quase sempre que o Burton vai mais longe no non Sense é muito bom, na medida em que os momentos mais sérios são bem fracos. o filme é fraco como drama e como suspense, mas ganha em cenas maravilhosas e até surpreendentes, como toda a sequência final, muitas cenas do Coringa e principalmente algumas cenas com um ótimo uso da trilha sonora fantástica do filme que tem muita emoção.
o maior problema do filme é o protagonista não ser o Batman, acho que foi um erro grande porque, mesmo que o roteiro seja até interessante nesse sentido, a atuação da menina lá não ajuda (atrapalha até, horrível) e a personagem dela é péssima MESMO, terrível. Fora isso, o filme é bem desinteressante na primeira metade e só começa a ficar melhor quando a trama começa a focar mais no Batman de fato e no Coringa.
Coringa aqui que, sinceramente, é bem fraco como personagem, mas muito divertido como Jack Nicholson. Especialmente na segunda metade, pq na primeira ainda é estranho, eu sinto que o Nicholson ainda tava experimentando como fazer o personagem, mas cada cena do Coringa que passa é melhor que a anterior, cada vez mais o Nicholson fica mais solto como coringa e mais seguro do personagem até que no final ele tá divertidíssimo e muito bom.
Gosto mt de algumas ideias do filme, como o Coringa se maquiar pra parecer que é alguém normal, aquela cena que a menina joga água na cara dele é perfeita. Também gosto muito do Bruce Wayne do Michael Keaton e até gosto da polêmica decisão da relação anterior (sem spoilers) do coringa c o bruce, mesmo que os fãs odeiem eu acho inofensivo, funciona muito bem mesmo dentro do filme pra mim
enquanto o primeiro explorava as cores pra realçar os sentimentos dos ambientes e das cenas esse segundo explora as cores pra criar uma fotografia absolutamente deslumbrante. os cenários, as composições, são extremamente lindas e conversam muito bem com a construção do mundo, que se torna ainda mais rico e excêntrico aqui, a estética sendo essencial pro sentimento de vivacidade desse universo.
entende que não pode ter uma carga emocional tão forte quanto o primeiro (e nem deve) e faz exatamente o que uma continuação do primeiro deveria fazer: abraça ainda mais sua excentricidade, expande o universo e eleva o nível da ação.
e que expandida de universo, é apaixonante ver toda a mitologia e os detalhes do mundo sendo desenvolvidos em uma trama que não para de apresentar personagens carismáticos, tudo banhado por muita elegância estética e cenas de ação de primeiríssima qualidade (eu destaco o x1 do John com aquele cara pelas ruas de Roma depois caindo pela escada, toda aquela sequência é ABSURDA).
Dito isso, John Wick 2 não é tão engajante quanto o primeiro, obviamente porque o John não tem uma forte motivação dessa vez, entretanto, como eu já disse, eu não acho que teria uma forma plausível de repetir a motivação, então essa sequência lida da melhor forma possível com isso trazendo uma trama congruente com o primeiro, inovando o suficiente para não ficar repetitivo (o que em algum nível ainda é, mas pela própria proposta da franquia não tinha como não ser) e expandindo o universo o suficiente para saciar o desejo e para contar a história.
Sertão de Acrílico Azul Piscina
3.6 13[review feita em 31 de agosto de 2022]
como toda obra do Marcelo Gomes, tem todo um olhar muito contemplativo para a realidade e aqui a gente é posto no papel de observador, somos levados a participar do filme, como quem está ali e apenas contempla, como se olhasse para o mundano com um fascínio carinhoso.
e entre contemplações, uma certa melancolia paira tudo, quando nos sentimos alegres ou confortáveis, efeitos de câmera nos tiram o foco, uma trilha sonora entra. como se nos perdêssemos ao assistir a própria vida, como se nos desassociássemos por um momento do nosso próprio ser individual e olhássemos a realidade em profundidade, mas logo somos puxados novamente por certos sentimentos de desconforto.
e no fim fala sobre a vida mesmo, a vida é isso, muito bonita mesmo em sua melancolia.
Medo e Delírio
3.7 566[review feita em 31 de agosto de 2022]
sobre o período pós-contracultura dos movimentos hippies em que os integrantes desses movimentos encaravam a desilusão de uma sociedade que não mudou como se imaginava. há tambem um senso de estados unidos caótico, que venceu essa juventude e que parece agora os engolir e se antes as drogas representavam uma expansão de consciência e ir contra o estado americano - agora até esse estado a aceitou a seus termos na cidade de las vegas e em vez de iluminar a mente, o que sobra das drogas é a mais completa alienação possível. pra mim parte desse texto vai de uma crítica ao próprio movimento da contracultura, quando o personagem principal lembra da época ele diz que achava que estavam lutando por algo certo, mas não parece entender muito bem os reais motivos das pautas.
dessa forma, o filme constantemente beira a genialidade e sua primeira metade é incrível. mas então o filme decide se tornar uma das coisas mais nojentas de misoginas que já assisti, com algum fiapo de senso crítico pra questão e que me parece mais uma tentativa de dizer "naooo, vc não entendeu a crítica!". e aí no fim o que sobra é um se beber não case com alguma pretensão intelectual, uma fantasia masculina e problemática que reconhece seus problemas mas decide ignorá-los e abraçar uma diversão alienada. nada me convence de que a trama da Lucy é aceitável.
nota: 3.0
A Dama na Água
2.8 790 Assista Agora[review feita em 28 de julho de 2022]
se assume como um conto infantil e traz uma metalinguagem que explicita o quanto a ficção é artificial por natureza e portanto essa recusa crescente por histórias que fogem do "realismo" (geralmente associado a um realismo cínico mesmo) é algo sem sentido porque no fim o potencial da arte é mesmo o da imaginação, de levar você a acreditar que algo não real é real.
e, enquanto um conto infantil, é bobinho, mas muito lindo e guarda uma sinceridade muito genuína e bonita por trás de tudo, tem paixão pela própria história que tá contando mesmo em seus momentos mais bestinhas. afinal, vá ao inferno a verossimilhança, porque as vezes ela parece mais prender a narrativa e a possibilidade de conceitos do que outra coisa em muitos casos.
edit: aliás eu entendo quem não gosta do shyamalan enquanto roteirista ou mesmo cineasta, mas inegavelmente ele é um bom diretor viu, a forma como ele gerencia a câmera e conduz o ritmo da narrativa é admirável.
nota: 6.7
obs.: marcelo tas tava bem no filme.
Donnie Darko
4.2 3,9K Assista Agora[review feita em 28 de julho de 2022]
o terror e a confusão absoluta de enfrentar o tempo nesse período de transição da adolescência pra fase adulta. a melancolia e a angústia de uma vida sem sentido, de ser cercado por símbolos vazios que tentam significar algo, como a "linha da vida" de amor e medo, assim como todo o moralismo conservador das instituições. a sensação de estar perdido, de não se encaixar em nada, de não ver nenhum sentido, de ser diferente e de não saber seu futuro, de fugir do passado também.
tudo isso cria uma obra profundamente melancólica, uma tristeza desesperadora ainda que muito calma, tudo tem passos lentos mesmo que não haja tempo suficiente para entender as coisas. por isso digo que você não PRECISA entender donnie darko (isso sequer é possível só por esse filme, sem as páginas do livro que só tem no corte do diretor), porque o filme só é tão impactante, sentimental, catártico e melancólico por construir a trama do jeito que constrói.
masterpiece demais.
Touro Indomável
4.2 722 Assista Agora[review feita em 17 de julho de 2022]
inegável que o Scorsese é FODA fazendo biografia, toda sua execução técnica é impecável aqui assim como carrega aquela típica maneira (quase sempre) envolvente com a qual ele conta suas histórias.
contudo, me peguei fazendo um GRANDE esforço em me conectar com a história, de forma que a experiência variou entre apreciar a cinematografia e buscar alguma coisa que me despertasse encanto nesse filme. no fim, senti como se tivesse assistido um excepcional filme, em que não gostei de quase nada.
fora isso ainda tem aquela cena de sexo que acho nojentamente dirigida, provavelmente a pior cena que o Scorsese já filmou, completamente desnecessária mesmo que eu entenda qual a intenção do Scorsese com ela, mas tal intenção simplesmente não justifica o quão carregada a direção acaba ficando.
e sim as cenas de luta são absolutamente impecáveis.
Louca Obsessão
4.1 1,3K Assista Agora[review feita em 10 de julho de 2022]
podia ser muito melhor enquanto suspense mesmo, achei que foi uma baita desperdício, porque toda a premissa e enredo em si são INCRÍVEIS, mas o que falha é a execução.
a direção acaba sendo operante demais, o ritmo não é bem balanceado e eu acabei achando meio entendiante o que é a última coisa que um THRILLER tem que ser.
Os momentos mais terror até funcionam, a cena da marreta é muito boa e a Kathy Bates é MUITO assustadora no papel, não seria exagero considerar ela uma das melhores vilãs do cinema, simplesmente IMPECÁVEL tudo sobre a personagem.
uma trilha sonora mais decente era fundamental aqui, a trilha é bem genericazinha, assim como a direção em si. no fim, me soa como um thrillerzão de sessão da tarde que tinha potencial pra ser uma baita obra prima. o confronto final é bem empolgante anyway.
nota: 6.4
Taxi Driver
4.2 2,6K Assista Agora[review feita em 06 de julho de 2022]
incel é um termo muito moderno e por isso não se aplica 100% ao Travis, mas as mesmas premissas de homem branco hétero deslocado da sociedade e que desenvolve uma obsessão pela figura feminina estão aqui. acho justo dizer que Taxi Driver é um estudo sobre o incel mesmo muito antes do termo ser criado.
e a forma como esse estudo é desenvolvido e entramos no mundo do Travis é tão elegante e sutilmente bem feita, as respostas do filme estão nos detalhes e a direção conta TANTO quanto o próprio roteiro.
se em Notas do Subsolo (livro do Dostoievski que o Scorsese se inspirou pra fazer o filme) tudo que há é texto para contar a história, sempre lemos entendendo muito bem a mente deturpada do personagem principal. a escolha de Scorsese então é fazer um filme sobre o mesmo personagem, mas usar dos elementos da sétima arte para expandir até onde percebemos essa pessoa enquanto elemento da sociedade, de forma que o próprio distanciamento nos faz nunca ter certeza ao certo do que ele pensa de fato e assim o Scorsese consegue criar uma dubiedade perigosa que enriquece o filme a outro nível. novamente, as respostas estão nos detalhes.
e o que eu percebo muito revendo esse filme é que a questão central para Travis SEMPRE são as mulheres, e por isso acho ele tão bom quanto um estudo da figura do Incel. ao longo do filme vemos as diferentes facetas por quais Travis enxerga a mulher, mas sempre como uma figura a se conquistar, como se o que ele sentisse de vácuo em sua vida é, de fato, a posse do objeto feminino - quando comenta sempre ser alguém sozinho, fala isso olhando mulheres na rua, a maioria com um namorado. e para conquistar essa mulher Travis sempre vê um homem entre ele e ela, um obstáculo claro que ele precisa superar, alguém que já teria posse daquilo que ele almeja.
seu ato final está bem longe de ser motivado por motivos concretos, Travis sequer entende o real problema que está enfrentando e é motivado 1) por uma espécie de idealização já que ele acredita que aquela menina devia estar vivendo outra vida (e em um momento descreve como deveria ser essa vida idealizada); 2) por ver na menina a mesma Betsy que não conseguiu conquistar, após isso quando se torna violento - violência essa que exatamente surgiu DO ódio e rancor misógino criado pela rejeição da Betsy -, primeiro tenta explodir essa violência matando o candidato a presidência (o que por si parece ter sido feito também pelo rancor da rejeição de Betsy - o candidato sendo outro homem que está entre Trevis e ela), mas quando não consegue, usa da violência para ""salvar"" Iris, entre aspas pois para ele, matar aquelas pessoas significa se livrar dos homens que estão entre ele e a Iris, usando agora da violência para conquistar a mulher que almeja. A Iris até lembra a própria Betsy - o que fica claro na cena final, pra mim completamente um delírio do personagem antes mesmo de realizar o ataque.
um dos maiores erros de interpretação é achar que a jornada de Travis é trágica ou que ele é corrompido, pois desde o início fica claro o quanto Travis é uma pessoa perturbada e tem umas ideias errada demais, suas frustrações sim o fazem ficar mais pirado da cabeça, mas acho uma análise bem rasa dizer que ele foi criado pela sociedade ou algo do tipo.
Aliás também tem um texto muito preciso sobre como Travis enxerga pessoas pretas, como outro tipo de ser humano, com uma violencia inerente e sempre como sendo uma ameaça a vida dele mesmo e de pessoas do bem. Não é acidental que a cena que o faz comprar uma arma é de um homem declarando que vai matar sua mulher porque ela o está traindo com um negro, muito menos acidental que após isso o primeiro assassinato de Travis é de um cara negro.
Taxi Driver é, sobretudo, um filme sobre alienação, extremamente inteligente sagaz e denso.
Carrie, a Estranha
3.7 1,5K Assista Agora[review feita em 24 de junho de 2022]
a primeira metade faz um trabalho impecável de construção de atmosfera de forma bem calma, constrói essa sensação de incômodo, de desconforto nas relações sociais, enquanto o que gera terror - terror genuíno aliás - é a relação de poder pela religião que Carrie tem com sua mãe. Todas as cenas da Carrie em casa causam um sentimento horrível, que pra mim é agravado ainda mais pela inocência da Carrie. Mais assustador que o bullying é estar preso nessa relação abusiva, então o baile surge como a resolução destes dois problemas.
Carrie vai deixar de ser a estranha (kk) e passar a se enxergar como o adolescente normal que ela quer ser, da mesma forma é um enfrentamento da sua mãe, ela busca se distanciar do que a mãe é e logo quebrar esse controle que a mãe exerce sobre ela. Não é tanto sobre a culpa cristã nem sobre pecar ou não pra ela, isso porque a religião é simplesmente a forma pela qual a violência materna se materializa, o que a Carrie quer é se soltar das amarras da mãe.
e é por isso que o terror do ato final é tão forte, porque todos nós sabemos o fim dessa história, e a direção faz o máximo para nós dar tudo, só pra depois tirar da gente. a Carrie tem a melhor noite da vida dela, mas tudo termina onde termina e a gente sempre fica com esse incômodo porque a gente sabe onde termina. uma das cenas mais acertadas do filme é a que Carrie dança, a cena é construída como um lindo momento, a câmera girando em volta do casal, Carrie aprendendo a dançar, aprendendo a viver, a música romântica, eles se beijam, mas então a Carrie endaga mais ele sobre porque chamou ela para a festa. Nesse momento a câmera começa a girar mais e mais rápido a ponto de deixar a gente tonto, ela ainda é bonita, a música está lá e ainda é a mesma cena, mas a gente sente a sensação de desnorteamento da Carrie quando se questiona sobre porque está ali. afinal de contas também, ele não sabia da "pegadinha" mas ele também não a chamou por genuíno interesse, ainda há um grau de falsidade e artificialidade àquilo e a Carrie sente isso por um momento.
Dessa forma, a sequência do baile segue sempre em uma linha tênue entre um sonho realizado e uma mera ilusão, entre ser o dia que vai salvar a Carrie ou o que a condenará. Da mesma forma a Carrie existe sobre linha tênue entre viver e seguir o caminho da fé, nesse conflito entre tentar se separar dos braços da mãe mas ter medo do que as pessoas farão com ela. Ela só enfrenta a mãe de fato quando as coisas parecem melhorar em seu convívio social.
E no fim, como toda boa tragédia, Carrie enfrenta a mãe, se liberta, mas sua noite é destruída pela "pegadinha", numa das melhores cenas da história do cinema de terror. Carrie então, após matar todo mundo, retorna para sua mãe. Mas já é tarde demais, após a tragédia, Carrie não tem mais sequer a ""proteção materna"".
Há também todo um texto bem profundo sobre a religião, sobre o fanatismo e principalmente: sobre o fetiche reprimido, sobre o tesão mesmo, porque sim, o pecado excita muito mais quando você o proíbe a si mesmo, mas quanto mais abafado esse tesão, mais ele se manifesta de outras formas e a cena da morte da mãe dela é exemplo disso, pois não é coincidência que ela morra daquele jeito, replicando um símbolo de redenção pela dor, e que essa dor provoque gemidos que pouco parecem de agonia: o fetiche por definição é um símbolo que é objeto de devoção.
Terror em Silent Hill
3.5 1,5K Assista Agora[review feita em 23 de junho de 2022]
da pra sentir o peso negativo dos executivos aqui, a cena do flashback por exemplo tem uma narração mega desnecessária em cima.
surpreendentemente eu discordei da opinião geral de que o ato final estraga quando aqui eu achei o momento em que o filme se tornou mais interessante. Porque antes o que se tem é uma exploração e replicação bem feita do terror do jogo em si, mas é no último ato que há essa jogada bem interessante de subverter a narrativa, porque não é só uma história de maldição de vingança por uma bruxa queimada, é uma história onde realmente essa vingança é SHOW essa vingança é MASSA. então os monstros extremamente perturbadores aqui deixam de ser o mais assustador (naquelas onda de os verdadeiro demônio é as pessoa ksksks mas funciona) e passam até a não serem tão ameaçadores assim uma vez que a gente entende o que é aquilo tudo e como aquilo tudo existe para se vingar, ou seja, pra matar todos esses crentes fdps.
imagino que o jogo (que não joguei) vá pra um caminho muuito mais pessimista, muito mais mind fuck, muito mais cínico, muito mais niilista e tudo isso deve funcionar bem mais para o terror. e também entendo DEMAIS quem não gosta desse ato final, super compreensível.
also, os fanático religioso é meio tosco hein parece monty python pqp kkkk
nota: 6.5
Mortal Kombat
3.0 615 Assista Agora[review feita em 15 de maio de 2022]
o goro nesse filme é o típico jogador de jogo de luta que chama criança pra jogar com ele, desce a porrada no muleque de 5 anos usando algum personagem apelão e depois fica zuando a criança dizendo que ela é ruim.
Premonição
3.3 1,3K Assista Agora[review feita em 15 de maio de 2022]
enquanto terror parte não apenas do medo da morte enquanto uma ansiedade (ainda que seja isso também), mas também de um sentimento adolescente de desconexão com o mundo e principalmente da sensação de uma falta de futuro claro na vida e desse sentimento de desconforto com o futuro vêm essa sensação de que você sequer tem um futuro, a ideia de que você vai morrer então se torna um conceito poderoso e é daí que vêm esse medo da morte iminente que o filme pega pra brincar.
acho legal como o protagonista no início é essa figura deslocada e até por isso rola a conexão dele com a menina, mas conforme a trama passa e ele vai entendendo como "a lista" funciona, e vai conseguindo salvar as pessoas, ele vai ficando cheio de si e ganhando confiança, como se agora sim ele tivesse um objetivo, uma razão, um futuro claro: ele vai derrotar a morte.
não acho que tudo isso seja intencional do filme mas com certeza muito disso é intuitivo e está lá, independentemente, é por estar lá que os elementos desse filme funcionam tão bem.
Drive
3.9 3,5K[review feita em 09 de maio de 2022]
poderia ser um filme muito consistente e interessante (tem ideias ótimas pra sustentar isso) mas cai em uma auto-indulgência em que constantemente eu sentia um contraste entre o que eu imagino que o diretor queria passar e o que de fato o filme está passando.
se conceitualmente o filme poderia (ou tenta) ser uma viagem riquíssima pela mente de um homem extremamente alienado - meio na vibe de taxi driver mesmo não tem problema, o filme já é obviamente muito inspirado, se fosse bem feito tava ótimo -, em sua realização o que fica é uma obra desconfortável e melancólica de um "trágico herói", não há quase nada de fato no filme que indique uma crítica ao personagem, como se o filme se perdesse na própria estética (que admito ser muito atraente).
pra ser justo, tem duas cenas de muita violência que o filme tenta nos convencer de que talvez esse cara não bata bem da cuca, uma excelente na metade do filme que me fez torcer pra que o filme fosse para um caminho de subversão do gênero de ação - e a outra é a mais famosa do filme mais pro ato final, que acho um grande desperdício de oportunidade.
no fim o que sobra desse filme, além de uma vaga intenção de ter algum tipo de profundidade, é um retrato romantizado dessa fantasia masculina, tudo soa muito ridículo.
nota: 5.0
Snatch: Porcos e Diamantes
4.2 1,1K Assista Agora[review feita em 05 de maio de 2022]
um conjunto de tretas de máfia conectadas, uma mais maluca que a outra. é impressionante a narrativa do filme conseguir desenvolver tantos personagens de forma tão ágil e absolutamente caótica e manter a coesão narrativa, o que acredito ser o feito mais impressionante desse filme, unir tantos enredos caóticos por natureza de forma tão perfeita e amarrada onde um evento gera outros eventos que influenciam uns aos outros mesmo que cada grupo de personagem esteja em uma trama própria, nunca vi nada que chegasse perto disso aqui.
é o caos TÃO narrativamente organizado que torna esse filme apaixonante, me parece algo do tipo se pulp fiction fosse escrito pelos irmãos Coen, já que o senso de humor aqui é bem dos Coen (é uma comédia de erros tal qual Fargo).
o final é muito muito bom e ademais alguns momentos me fizeram rir MUITO mesmo.
Projeto Flórida
4.1 1,1K[review 30 de Abril de 2022]
incrível como a direção e cinematografia nos colocam nesse contexto por um ponto de vista infantil, mas não deixa de nos colocar também no ponto de vista dos adultos de um jeito que o drama ali é dos adultos - e nós conseguimos acompanhar perfeitamente os conflitos - mas a todo momento estamos preocupados com as crianças, não só porque são de fato situações preocupantes, mas porque sempre estamos acompanhando o filme pelos dois pontos de vistas então a gente sabe exatamente como as crianças estão enxergando e interpretando os conflitos adultos. é um feito bem impressionante visto que o caminho mais fácil seria dar mais foco pra um dos lados, mas a direção do filme é apurada o suficiente pra transitar entre a visão infantil e a adulta de forma muito orgânica e sutil.
a primeira metade tem um ritmo impecável, mas na segunda o filme fica um pouco mais perdido. mas continuo amando como o ritmo é trabalhado dessa forma calma e a trama vai avançando boa parte em cenas mundanas, já que, apesar do caos absoluto da vida daquela criança, ela - e as outras - ainda são só crianças e querem só brincar e se divertir, então os problemas que vão acontecendo soam mais como contratempos ou só acontecimentos comuns, "coisa de adulto" ou algo do tipo. Isso faz com que, apesar de ser um filme denso e com forte carga dramática, ele não pareça tão pesado assim de assistir, principalmente nos dois primeiros atos ele tem um tom relativamente leve e divertido.
o final é carregadíssimo de emoção (chorei muito) e o filme te deixa pesado quando acaba, apesar de ser uma ficção ele é muito realista - e tem um toque perfeito nisso, as interações infantis são absolutamente críveis - e isso que desgraça a cabeça.
Homem-Aranha: No Aranhaverso
4.4 1,5K Assista Agora[review feita em 20 de Abril de 2022]
isso era o que eu queria ter sentido quando fui ver No Way Home.
Um conjunto de ideias excepcionais amarradas em um roteiro impecável e divertido com uma direção artística absolutamente deslumbrante. Me surpreendi bastante em alguns momentos, tem algumas sacadas ótimas.
Acho muito bom também a ideia de fazer um filme de multiverso do aranha pelo Miles Morales, sendo que a própria história do Miles envolve essa questão da identidade e descobrir o que é ser o homem-aranha, então não tem personagem melhor pra protagonizar um filme sobre homens-aranhas de diferentes realidades interagindo.
Eu quase dei uma nota 9, mas a luta final foi tão catártica, tão emocionante, que é um 10 com certeza. Eu amo a trilogia do Sam Raimi por conta de seu caráter emocional, são filmes com muito coração e muito catárticos em seus clímax e quase nenhum filme de herói (que eu tenha visto) chegou perto da trilogia raimi nesse sentido, mas Aranhaverso consegue esse feito e consegue bonito, muito devido a seu roteiro excelente mas principalmente por conta da produção e direção impecáveis. A quantidade de energia desse filme é surreal.
Homem-Aranha no Aranhaverso é, com certeza, o melhor filme do homem-aranha.
Peter Pan
3.5 499 Assista Agora[review feita em 19 de abril de 2022]
- She told him stories. He taught her to fly. How?
- You just think happy thoughts. They lift you into the air.
- Alas, i have no happy thoughts.
- That brings you down.
Eu nem sei o que dizer direito porque esse filme é tão tematicamente perfeito e coerente em todos seus níveis. Ele é sobre o poder do acreditar, da imaginação, sobre palavras e seus significados sentimentais, sobre ser criança e acreditar profundamente nas histórias. E, logicamente, é também sobre o conflito entre a vida adulta e a infância, entendendo que o amadurecimento é inevitável e necessário mas que, quando adultos, deixamos de acreditar no poder da imaginação, na simplicidade das coisas, e isso dá lugar a outras crenças, como status e dinheiro. Não passam de palavras a quais atribuímos significados, como as Fadas, como as Histórias de aventuras e como o Amor. Entre a inocência infantil e a vida adulta cínica, existe um equilíbrio representado pela Wendy nesse período da pré-adolescência.
O filme entende tudo isso perfeitamente e desenvolve a história de forma visualmente linda e apaixonada, acredita muito em todos seus conceitos e tudo evoca um senso infantil de fascínio muito forte. A cena do "Eu acredito em fadas" é o apogeu disso tudo.
Nascido Para Matar
4.3 1,2K Assista Agora[review feita em 16 de abril de 2022]
Última cena é muito forte e o primeiro ato inteiro é perfeito, mas eu não acho que ele é tão certo assim de seus pontos e navega entre um forte cinismo e momentos mais humanos. Fica um pouco estranho porque é difícil ter empatia com os personagens principais, então momentos mais dramáticos (típicos de filme de guerra) não funcionam tão bem. Fora isso os personagens em si não são muito bem desenvolvidos.
Mas de forma alguma o olhar do filme para a guerra é positivo e o filme é sobre a dessensibilização e cinismo que a guerra cria nos soldados e como ela é desumana, doentia e sem sentido.
Se o filme tivesse ido mais fundo na ironia e no cinismo eu acho que ele funcionaria melhor, continua sendo um filmao de qualquer forma.
Nota: 8.6
Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar
4.3 215[review feita em 01 de Abril de 2022]
encantador no olhar da realidade. é fascinante, não por ser uma história absurda, mas pelos momentos de identificação e correlações que fazemos com nossas vidas. é um documentário que se sente como uma ficção, tão confortável quanto. E é tão profundo e bem feito que acabou se tornando uma experiência de contemplação e reflexão pessoal pra mim. na verdade a vida é bem bonita, apesar de tudo.
Recife Frio
4.3 326[review feita em 23 de março de 2022]
É antes de tudo uma obra com paixão pela cidade, tem um olhar muito sensível pros detalhes e com isso explora a cultura, os problemas e as contradições - de Recife, mas também da enorme maioria das cidades metropolitanas no Brasil e na América do Sul.
Tem um olhar desconfiado pra ascenção econômica, pra urbanização, e muito também para o olhar gringo e o que a cidade representa pra turistas.
Os Bons Companheiros
4.4 1,2K Assista Agora[review feita em 20 de março de 2022]
Acho a parte final do filme com muito menos energia pra ser sincero (os últimos 15 ou 20 minutos), mas é literalmente a única coisa que eu tenho a reclamar desse filme.
De resto, obra prima, com certeza um dos melhores filmes de máfia já feitos. Porra como eu amo esse filme.
Clube da Luta
4.5 4,9K Assista Agora[review feita em 19 de março de 2022]
masculinidade oprimida em sistemas capitalistas modernos que encontra espaço na anarquia para enfrentamento e libertação dessa opressão sistematizada, ao mesmo tempo que uma afirmação de masculinidade através da violência.
É sobre rebelião deturpada, consequência do sistema, construída pelo imaginário da criatura masculina. Em um ambiente masculino, a mulher sendo uma figura intrusa e incômoda. Mas só em uma análise bem rasa pra achar que essa figura masculina é celebrada.
É quase um táxi driver versão surtada, com uma montagem rápida e um enredo que te instiga constantemente a entender o que tá acontecendo. Bem expositivo muitas vezes e eu absolutamente vejo como alguém vai detestar esse filme para além do plot twist final, mas eu acho ele: extremamente divertido; espetacular em direção, filmagem e montagem, riquíssimo em linguagem; com muitas camadas interessantíssimas de discussão; e com uma narrativa excelentemente executada.
Sobretudo é um produto de sua época, super cool e super anos 90, é provavelmente o melhor do Fincher.
Nota: 9.2
Batman: O Retorno
3.5 868 Assista Agora[review feita em 14 de março de 2022]
O encanto fantástico do lúdico com o muito sombrio, repleto de humor negro, que só o Tim Burton em seu ÁPICE consegue proporcionar.
Melhor em todos os aspectos possíveis se comparado com o primeiro, desenvolve Gotham City com uma paixão e um fascínio que faz de toda a experiência algo tão único, excêntrico e verdadeiramente fascinante que esse não pode deixar de ser meu filme favorito do Batman.
Tem pelo menos meia dúzia de cenas brilhantes aqui, é incrível como tudo tem tanto coração e os momentos sinistros tem o tipo de tom que só o Burton conseguiria colocar e aqui ele tem em suas mãos um universo e personagens perfeitos pra explorar nesse aspecto. O Batman funciona ainda melhor que no primeiro; o Pinguim é uma pedrada de personagem foda que eu AMO, desde o conceito, ao design, à atuação maravilhosa do DeVito e seu conjunto de excelentes cenas; e a Mulher Gato sendo a melhor coisa do filme, eu acho a atuação dela aqui FODA tipo FODA mesmo MUITO FODA, além de ser uma personagem muito bem escrita com um ótimo conflito, tudo é perfeito quanto à ela.
Batman Returns é uma pepita de ouro perfeitamente lapidada para os meus gostos pessoais. Tem um tom que eu amo, uma excentricidade que eu amo, personagens maravilhosos e me desperta um fascínio em várias camadas. Amo, no mínimo, quase tudo nesse filme. Nota: 10.
Batman
3.5 861 Assista Agora[review feita em 12 de março de 2022]
tim burton trouxe a pegada mais dark do batman que tinha se intensificado nas hqs dos anos 80 unindo com a parte mais cômica e assumidamente boba da série de televisão - a qual era tmb a visão popular do batman até então -, criando assim uma obra absolutamente icônica que, devido também a seu sucesso de bilheteria, conseguiu ressignificar o imaginário comum do Batman na época. nunca tinha havido um filme de herói deste nível até então.
várias ideias funcionam aqui e várias não, quase sempre que o Burton vai mais longe no non Sense é muito bom, na medida em que os momentos mais sérios são bem fracos. o filme é fraco como drama e como suspense, mas ganha em cenas maravilhosas e até surpreendentes, como toda a sequência final, muitas cenas do Coringa e principalmente algumas cenas com um ótimo uso da trilha sonora fantástica do filme que tem muita emoção.
o maior problema do filme é o protagonista não ser o Batman, acho que foi um erro grande porque, mesmo que o roteiro seja até interessante nesse sentido, a atuação da menina lá não ajuda (atrapalha até, horrível) e a personagem dela é péssima MESMO, terrível. Fora isso, o filme é bem desinteressante na primeira metade e só começa a ficar melhor quando a trama começa a focar mais no Batman de fato e no Coringa.
Coringa aqui que, sinceramente, é bem fraco como personagem, mas muito divertido como Jack Nicholson. Especialmente na segunda metade, pq na primeira ainda é estranho, eu sinto que o Nicholson ainda tava experimentando como fazer o personagem, mas cada cena do Coringa que passa é melhor que a anterior, cada vez mais o Nicholson fica mais solto como coringa e mais seguro do personagem até que no final ele tá divertidíssimo e muito bom.
Gosto mt de algumas ideias do filme, como o Coringa se maquiar pra parecer que é alguém normal, aquela cena que a menina joga água na cara dele é perfeita. Também gosto muito do Bruce Wayne do Michael Keaton e até gosto da polêmica decisão da relação anterior (sem spoilers) do coringa c o bruce, mesmo que os fãs odeiem eu acho inofensivo, funciona muito bem mesmo dentro do filme pra mim
Nota: 7.2
John Wick: Um Novo Dia Para Matar
3.9 1,1K Assista Agora[review feita em 06 de fevereiro de 2022]
enquanto o primeiro explorava as cores pra realçar os sentimentos dos ambientes e das cenas esse segundo explora as cores pra criar uma fotografia absolutamente deslumbrante. os cenários, as composições, são extremamente lindas e conversam muito bem com a construção do mundo, que se torna ainda mais rico e excêntrico aqui, a estética sendo essencial pro sentimento de vivacidade desse universo.
entende que não pode ter uma carga emocional tão forte quanto o primeiro (e nem deve) e faz exatamente o que uma continuação do primeiro deveria fazer: abraça ainda mais sua excentricidade, expande o universo e eleva o nível da ação.
e que expandida de universo, é apaixonante ver toda a mitologia e os detalhes do mundo sendo desenvolvidos em uma trama que não para de apresentar personagens carismáticos, tudo banhado por muita elegância estética e cenas de ação de primeiríssima qualidade (eu destaco o x1 do John com aquele cara pelas ruas de Roma depois caindo pela escada, toda aquela sequência é ABSURDA).
Dito isso, John Wick 2 não é tão engajante quanto o primeiro, obviamente porque o John não tem uma forte motivação dessa vez, entretanto, como eu já disse, eu não acho que teria uma forma plausível de repetir a motivação, então essa sequência lida da melhor forma possível com isso trazendo uma trama congruente com o primeiro, inovando o suficiente para não ficar repetitivo (o que em algum nível ainda é, mas pela própria proposta da franquia não tinha como não ser) e expandindo o universo o suficiente para saciar o desejo e para contar a história.
Nota: 8.0