Filme sobre término/ruptura, não necessariamente da relação do casal que recebe os vizinhos para um jantar (e o fim do filme não nos entrega uma resposta definitiva, às vezes ele parece um recomeço), mas de uma forma de se relacionar deles que (já) não se sustentava; ela, super controladora, não consegue ter empatia pelo marido e este, por sua vez, parece ter se conformado com a vida medíocre que ambos levavam.
O convite é menos sobre sexo e mais sobre a abertura para romper com o que (já) não se sustenta, com a repetição mortífera em que se enroscaram o casa... o ressentimento que ambos carregam como uma pedra, nossa... é terrível... a mulher controladora acha que o problema é falta de sexo, mas não é... era ressentimento, falta de escuta mútua.
Gosto como a diretora explora a ideia de aprisionamento. Tudo acontece num apartamento "grande" que mais parece uma prisão, onde gritos se sobrepõe (e nós também somos convidados a não-entender), onde ambos perderam a capacidade de dialogar, onde tudo dá errado... é curioso como o espanhol aparece também no filme, como uma língua que o outro casal, aparentemente feliz, consegue falar e os protagonistas não...
É uma lição sobre as relações e, principalmente, sobre o casamento. O que fazer quando toda a escuta/cumplicidade que existiu outrora dá lugar apenas ao desentendimento total? Terminar? Tocar uma música? “By Your Side”, da Sade, é a cereja do bolo porque fala disso; "you think I'd leave your side, baby, you know me better than that"... sobre permanecer ao lado de alguém nos momentos difíceis, quando houver medo, solidão ou sofrimento.
Reassisti. É ao mesmo tempo incrível e extremamente desconfortável como Trier representa a violência. Eu acho, na realidade, que ele constrói uma estética da violência; e como ela é burra e desprovida do outro, né? Jack (que em inglês significa macaco e, o que fazem os macacos senão levantar algo?) se acha o "fodão", constrói toda uma teoria sobre o porque de assassinar todas aquelas pessoas enquanto não cessa de dizer para si mesmo o quão é genial, sendo que não, ele nem sabe identificar o que é uma bala "full metal"... mas é isso que é a violência, física ou simbólica, é anular o outro, espancando-o ou reduzindo-o a nada.
Há uma camada que me incomoda nos filmes dele, mas ainda não sei formular. As mulheres são sempre diminuídas, ingênuas, passíveis de ser agredidas... não sei, preciso ver os outros para confirmar.
O "monstro" é só aquilo que eles negam neles mesmos, o desejo de aderir àquilo que a sociedade proíbe. O "monstro" se torna menos poderoso quando os personagens param de temer o próprio desejo homossexual. Sinceramente? É ruim? Não é, mas é roteiro pra adolescente se descobrir e dizer pra si mesmo; "ah, quando eu paro de temer aquilo que eu desejo eu também paro de ser atormentado".
Eu gosto da crítica que o filme endereça a elite frequentadora dos restaurantes; a teatralização/espetacularização da comida e do comer, o aspirante a cozinheiro que adula o chefe de forma indiscriminada (sem sequer entender de cozinha, afinal, quando o pedem para cozinhar ele faz um prato medíocre), a relação com a crítica culinária, as relações de poder entre chefe e subordinado, chefe e clientes, a robotização dos corpos... única coisa que não gostei é que o filme termina com um tom meio moralizante; "não se venda a essa lógica, mocinha, prefira seu hamburguer ou irá acabar morta!". É um filme legal pra gente debater coisas que tem dentro dele, mas sem muita inventividade.
Reassisti com um olhar mais crítico. Miranda é uma cretina, né? Um retrato dos chefes dentro do regime capitalista: narcisista, assediadora, uma pessoa que só se importa consigo mesma (não é à toa que termina só, sem a assistente, sem marido...). Me incomoda reassistir e saber que ri de algumas cenas como a do manuscrito de Harry Potter, que é um assedio absurdo. Me parece que a Andy Sachs experimenta um mundo do qual ela não quer fazer parte, algo que ela recusa ao final, depois de atravessar o seu limite. É uma boa sessão da tarde que termina com tons moralizantes do tipo "nunca perca a sua essência, a sua bondade"... mas ela, aposto, sai transformada, mais quebrada do que qualquer outra coisa...
Revendo consigo perceber que a interpretação de Dustin Hoffman, também a forma como a cara do autismo mudou nas últimas décadas, é um pouco caricata. O filme simplifica e organiza comportamento autista para torná-lo legível ao público. Raymond vira uma figura que representa o autismo para o grande público, e isso inevitavelmente achata a complexidade real.
Gosto do filme, mas não acho a atuação da Jennifer Lawrence tão interessante quanto o papel que escreveram pra ela. Em minha opinião eu acho que é mais fácil ser reconhecido por uma boa atuação quando o papel age fora da curva e mais difícil fazer algo como a Fernanda fez em Ainda estou aqui. O tédio que ela transmite na atuação é tão estereotipado (e as vezes excessivo) que não me convence. O Robert interpreta muito melhor, na minha opinião. No geral é um filme bom, poderia ter pesado menos em algumas coisas...
Um cara que se acha esperto rouba alguns artefatos/quadros de um museu. É bizarro como ele lida com a arte, de forma burocrática (ele não se permite enxergar a beleza deles) e isso é um reflexo de como ele enxerga e lida com o mundo; ele não é atravessado por nada. James é um personagem que acredita que tudo na vida é um grande jogo de estratégia, onde quem vence é quem calcula melhor, manipula melhor e consegue chegar no topo... sozinho. Ele se vê como o cérebro por trás de tudo, o mais esperto, aquele que precisa controlar o tabuleiro (só que não!)...
Reflete o neoliberalismo e o jeitinho norte-americano de enxergar o mundo. Nele, ensina às pessoas que cada um deve cuidar apenas de si, competir o tempo todo e provar que é “o melhor”, como se a vida fosse uma disputa permanente. Quem vence é visto como gênio (um mastermind), e quem perde é tratado como se fosse culpa própria, mesmo quando o jogo já começou injusto.
Há um jogo belíssimo entre Mastermind e Masterpiece (do mundo da arte); o protagonista quer desesperadamente ser o mastermind: o cérebro por trás do plano perfeito, aquele que acredita enxergar vários passos à frente dos outros, o sujeito que imagina controlar as pessoas como peças e os acontecimentos como engrenagens. Ele vive mais na cabeça do que no mundo, mais na estratégia do que no encontro real com a vida. O prazer dele não está no que acontece, mas na sensação de estar no comando da arquitetura invisível.
Mas o filme vai mostrando, pouco a pouco, que a realidade não obedece à mente dele. Os afetos escapam, as pessoas não funcionam como personagens secundários do plano, os imprevistos corroem a fantasia de controle. E é justamente aí que surge o campo da masterpiece: não como obra gloriosa assinada por um gênio, mas como aquilo que emerge do fracasso do controle. Os momentos mais fortes do filme não são quando o plano funciona, mas quando ele racha, quando algo desanda, quando o personagem é obrigado a lidar com o que não pode ser calculado.
Ele expõe como o colonialismo funciona. Os argentinos (e a cultura local) são objetificados o tempo inteiro. É tudo muito ridículo (e talvez isso seja o ponto interessante do filme), os gringos, por sua vez, não estão nada interessados em uma experiência concreta, apenas em filmar algo que eles acham que será interessante, algo "exótico". Amalia Ulman foi eficaz, aqui, em mostrar o gesto colonial, o desconforto é o método dela, mas só mostrar, isto é, só expor a ferida, sem enroscar ela às consequências, não é suficiente, soa raso... e aqui eu acho que ela cai exatamente na estrutura que ela pretendia criticar. Para quem está do lado historicamente olhado, nomeado, confundido, exotizado, tudo não se oferece como comédia, mas como repetição. Para quem já foi objeto desse olhar, não há distância suficiente para rir. O riso exigiria a ilusão de que “não é sobre mim”, e aqui é.
Me encanta como a comunidade acolhe o sofrimento de Lars, que se revela sobretudo na forma como ele adquire e passa a se relacionar com a Bianca. Eu - e aí é minha leitura pessoal - entendo que Lars escolhe ela como uma tentativa de lidar com a sua própria solidão; é como se ele quisesse de alguma forma sair daquela condição (e o final é meio redentor, já que ele "supera" a própria loucura). Eu, particularmente, gosto quando o cinema e a arte me fere um pouco e por isso a nota, acho o filme fofo demais, ...
O estilo de Mascaro reaparece aqui sem se refinar. É uma ficção científica brasileira premonitória que tem um ponto de partida mega interessante, porém tudo é marcado por uma frieza e uma rigidez que esmaga toda potência de sentido do filme (o mesmo aparece nas atuações, com exceção da Miriam Socarrás que consegue dar diferentes matizes a sua atuação. Não existem contradições na forma como Mascaro constrói o filme (e isso é terrível para o espectador), é como se colocássemos uma lente e enxergasse apenas aquilo, mesmo diante de cenas que se pressupõem abertas o que temos é uma espécie de certeza sobre o que vemos, mesmo quando é um delírio. É como se víssemos cenas se desdobrando em um fundo branco, sem complexidades e sem contradições que as potencializassem. O tema é muito bom, mas subaproveitado. O fim... o que foi aquilo?
Legal, mas algo que observo é que as cenas são todas contadas na perspectiva masculina e isso cansa; 1) mulher traidora, sedenta, 2) mulher endiabrada-desejante, 3) mulher que trai o marido com o amigo do casal.
Olho pra Erika como uma personagem dura feito pedra, uma mulher que anda na "linha" o tempo inteiro, mas que está ansiando ser açoitada pelo mundo (quer sentir, ser penetrada pelo mundo e não apenas replicar aquilo que foi ensinada, porém é como se não soubesse o caminho). O fim é isso: o autoflagelamento é enigmático, é a ferida que ela carrega tornada visível, mas é também uma espécie de negação de tudo aquilo que a música representa para ela. E aquela mãe, narcicista da poha!!!
Não gostar de um filme porque você não acha a atriz que interpreta a Branca bela. Bah! O problema tá em você. O filme não é ruim, repete as fórmulas da Disney e é isso.
A médica realiza abortos como quem fora incumbida de uma missão (triste e pesada). O tema é bastante relevante e algumas cenas desestabilizam quem assiste, porém o meu problema é com algumas opções da direção.
O tema é interessante, mas não curto as escolhas da direção - o "estatismo" da câmera, por exemplo - e, sinceramente, o texto do Gianfrancesco Guarnieri parece, aqui, meio datado, envelhecido no pior sentido da palavra. Os personagens são muito estáveis, muito "equilibrados", não são apenas certo de suas convicções como são monótonos, vibram na mesma intensidade. No fim do dia parece que a greve é só o pano de fundo para dizer de como diferentes convicções desarmaram uma família. Fotografia linda que, apesar da falta de movimento, parece nos colocar diante de quadros realistas que seguem uns aos outros.
Me identifiquei de cara por ter morado na capital Porto Alegre. É curioso como o filme carrega a mesma energia do rock gaúcho; tem um tom ao mesmo tempo amargurado e irônico na sua exposição de personagens que anseiam e vivem a liberdade (a qualquer custo, por sinal). O "casal" tomando perfume, o chinês que deixa a companheira morta no trem, a mulher que através do sonho dá a ver os seus desejos mais profundos, o professor de piano e a aluna que encaram o flagelo do próprio romance... bah!
O Ensaio (1ª Temporada)
4.0 68 Assista AgoraGenial. Para todos aqueles(as) obcecados por controle... a vida sempre escapa! É poética demais essa série.
O Convite
3.9 336 Assista AgoraFilme sobre término/ruptura, não necessariamente da relação do casal que recebe os vizinhos para um jantar (e o fim do filme não nos entrega uma resposta definitiva, às vezes ele parece um recomeço), mas de uma forma de se relacionar deles que (já) não se sustentava; ela, super controladora, não consegue ter empatia pelo marido e este, por sua vez, parece ter se conformado com a vida medíocre que ambos levavam.
O convite é menos sobre sexo e mais sobre a abertura para romper com o que (já) não se sustenta, com a repetição mortífera em que se enroscaram o casa... o ressentimento que ambos carregam como uma pedra, nossa... é terrível... a mulher controladora acha que o problema é falta de sexo, mas não é... era ressentimento, falta de escuta mútua.
Gosto como a diretora explora a ideia de aprisionamento. Tudo acontece num apartamento "grande" que mais parece uma prisão, onde gritos se sobrepõe (e nós também somos convidados a não-entender), onde ambos perderam a capacidade de dialogar, onde tudo dá errado... é curioso como o espanhol aparece também no filme, como uma língua que o outro casal, aparentemente feliz, consegue falar e os protagonistas não...
É uma lição sobre as relações e, principalmente, sobre o casamento. O que fazer quando toda a escuta/cumplicidade que existiu outrora dá lugar apenas ao desentendimento total? Terminar? Tocar uma música? “By Your Side”, da Sade, é a cereja do bolo porque fala disso; "you think I'd leave your side, baby, you know me better than that"... sobre permanecer ao lado de alguém nos momentos difíceis, quando houver medo, solidão ou sofrimento.
A Casa Que Jack Construiu
3.5 808 Assista AgoraReassisti. É ao mesmo tempo incrível e extremamente desconfortável como Trier representa a violência. Eu acho, na realidade, que ele constrói uma estética da violência; e como ela é burra e desprovida do outro, né? Jack (que em inglês significa macaco e, o que fazem os macacos senão levantar algo?) se acha o "fodão", constrói toda uma teoria sobre o porque de assassinar todas aquelas pessoas enquanto não cessa de dizer para si mesmo o quão é genial, sendo que não, ele nem sabe identificar o que é uma bala "full metal"... mas é isso que é a violência, física ou simbólica, é anular o outro, espancando-o ou reduzindo-o a nada.
Há uma camada que me incomoda nos filmes dele, mas ainda não sei formular. As mulheres são sempre diminuídas, ingênuas, passíveis de ser agredidas... não sei, preciso ver os outros para confirmar.
Leviticus
3.3 95O "monstro" é só aquilo que eles negam neles mesmos, o desejo de aderir àquilo que a sociedade proíbe. O "monstro" se torna menos poderoso quando os personagens param de temer o próprio desejo homossexual. Sinceramente? É ruim? Não é, mas é roteiro pra adolescente se descobrir e dizer pra si mesmo; "ah, quando eu paro de temer aquilo que eu desejo eu também paro de ser atormentado".
Sessão da tarde/noite com temática gay.
Mulheres e Luzes
3.8 25 Assista AgoraEu achei maravilhoso! Sem mais!
O Menu
3.6 1,1K Assista AgoraEu gosto da crítica que o filme endereça a elite frequentadora dos restaurantes; a teatralização/espetacularização da comida e do comer, o aspirante a cozinheiro que adula o chefe de forma indiscriminada (sem sequer entender de cozinha, afinal, quando o pedem para cozinhar ele faz um prato medíocre), a relação com a crítica culinária, as relações de poder entre chefe e subordinado, chefe e clientes, a robotização dos corpos... única coisa que não gostei é que o filme termina com um tom meio moralizante; "não se venda a essa lógica, mocinha, prefira seu hamburguer ou irá acabar morta!". É um filme legal pra gente debater coisas que tem dentro dele, mas sem muita inventividade.
O Diabo Veste Prada
3.8 2,5K Assista AgoraReassisti com um olhar mais crítico. Miranda é uma cretina, né? Um retrato dos chefes dentro do regime capitalista: narcisista, assediadora, uma pessoa que só se importa consigo mesma (não é à toa que termina só, sem a assistente, sem marido...). Me incomoda reassistir e saber que ri de algumas cenas como a do manuscrito de Harry Potter, que é um assedio absurdo. Me parece que a Andy Sachs experimenta um mundo do qual ela não quer fazer parte, algo que ela recusa ao final, depois de atravessar o seu limite. É uma boa sessão da tarde que termina com tons moralizantes do tipo "nunca perca a sua essência, a sua bondade"... mas ela, aposto, sai transformada, mais quebrada do que qualquer outra coisa...
Rain Man
4.1 801 Assista AgoraRevendo consigo perceber que a interpretação de Dustin Hoffman, também a forma como a cara do autismo mudou nas últimas décadas, é um pouco caricata. O filme simplifica e organiza comportamento autista para torná-lo legível ao público. Raymond vira uma figura que representa o autismo para o grande público, e isso inevitavelmente achata a complexidade real.
Morra, Amor
3.1 193 Assista AgoraGosto do filme, mas não acho a atuação da Jennifer Lawrence tão interessante quanto o papel que escreveram pra ela. Em minha opinião eu acho que é mais fácil ser reconhecido por uma boa atuação quando o papel age fora da curva e mais difícil fazer algo como a Fernanda fez em Ainda estou aqui. O tédio que ela transmite na atuação é tão estereotipado (e as vezes excessivo) que não me convence. O Robert interpreta muito melhor, na minha opinião. No geral é um filme bom, poderia ter pesado menos em algumas coisas...
The Mastermind
3.0 34 Assista AgoraUm cara que se acha esperto rouba alguns artefatos/quadros de um museu. É bizarro como ele lida com a arte, de forma burocrática (ele não se permite enxergar a beleza deles) e isso é um reflexo de como ele enxerga e lida com o mundo; ele não é atravessado por nada. James é um personagem que acredita que tudo na vida é um grande jogo de estratégia, onde quem vence é quem calcula melhor, manipula melhor e consegue chegar no topo... sozinho. Ele se vê como o cérebro por trás de tudo, o mais esperto, aquele que precisa controlar o tabuleiro (só que não!)...
Reflete o neoliberalismo e o jeitinho norte-americano de enxergar o mundo. Nele, ensina às pessoas que cada um deve cuidar apenas de si, competir o tempo todo e provar que é “o melhor”, como se a vida fosse uma disputa permanente. Quem vence é visto como gênio (um mastermind), e quem perde é tratado como se fosse culpa própria, mesmo quando o jogo já começou injusto.
Há um jogo belíssimo entre Mastermind e Masterpiece (do mundo da arte); o protagonista quer desesperadamente ser o mastermind: o cérebro por trás do plano perfeito, aquele que acredita enxergar vários passos à frente dos outros, o sujeito que imagina controlar as pessoas como peças e os acontecimentos como engrenagens. Ele vive mais na cabeça do que no mundo, mais na estratégia do que no encontro real com a vida. O prazer dele não está no que acontece, mas na sensação de estar no comando da arquitetura invisível.
Mas o filme vai mostrando, pouco a pouco, que a realidade não obedece à mente dele. Os afetos escapam, as pessoas não funcionam como personagens secundários do plano, os imprevistos corroem a fantasia de controle. E é justamente aí que surge o campo da masterpiece: não como obra gloriosa assinada por um gênio, mas como aquilo que emerge do fracasso do controle. Os momentos mais fortes do filme não são quando o plano funciona, mas quando ele racha, quando algo desanda, quando o personagem é obrigado a lidar com o que não pode ser calculado.
Mussolini: O Filho do Século
4.3 8 Assista AgoraUm estudo épico-dialético do fascismo a partir de sua figura mais emblemática. Não terminei ainda mais vim aqui dizer: é GENIAL, GE-NI-AL.
Magic Farm
3.1 14 Assista AgoraEle expõe como o colonialismo funciona. Os argentinos (e a cultura local) são objetificados o tempo inteiro. É tudo muito ridículo (e talvez isso seja o ponto interessante do filme), os gringos, por sua vez, não estão nada interessados em uma experiência concreta, apenas em filmar algo que eles acham que será interessante, algo "exótico". Amalia Ulman foi eficaz, aqui, em mostrar o gesto colonial, o desconforto é o método dela, mas só mostrar, isto é, só expor a ferida, sem enroscar ela às consequências, não é suficiente, soa raso... e aqui eu acho que ela cai exatamente na estrutura que ela pretendia criticar. Para quem está do lado historicamente olhado, nomeado, confundido, exotizado, tudo não se oferece como comédia, mas como repetição. Para quem já foi objeto desse olhar, não há distância suficiente para rir. O riso exigiria a ilusão de que “não é sobre mim”, e aqui é.
A Garota Ideal
3.8 1,2K Assista grátisMe encanta como a comunidade acolhe o sofrimento de Lars, que se revela sobretudo na forma como ele adquire e passa a se relacionar com a Bianca. Eu - e aí é minha leitura pessoal - entendo que Lars escolhe ela como uma tentativa de lidar com a sua própria solidão; é como se ele quisesse de alguma forma sair daquela condição (e o final é meio redentor, já que ele "supera" a própria loucura). Eu, particularmente, gosto quando o cinema e a arte me fere um pouco e por isso a nota, acho o filme fofo demais, ...
Pense Como um Cão
2.7 19 Assista AgoraTirando a ideia de "pensar como um cachorro", todo o resto é muito ruim. As atuações são péssimas e forçadas.
O Último Azul
3.7 225 Assista AgoraO estilo de Mascaro reaparece aqui sem se refinar. É uma ficção científica brasileira premonitória que tem um ponto de partida mega interessante, porém tudo é marcado por uma frieza e uma rigidez que esmaga toda potência de sentido do filme (o mesmo aparece nas atuações, com exceção da Miriam Socarrás que consegue dar diferentes matizes a sua atuação. Não existem contradições na forma como Mascaro constrói o filme (e isso é terrível para o espectador), é como se colocássemos uma lente e enxergasse apenas aquilo, mesmo diante de cenas que se pressupõem abertas o que temos é uma espécie de certeza sobre o que vemos, mesmo quando é um delírio. É como se víssemos cenas se desdobrando em um fundo branco, sem complexidades e sem contradições que as potencializassem. O tema é muito bom, mas subaproveitado. O fim... o que foi aquilo?
Traição
3.6 44 Assista AgoraLegal, mas algo que observo é que as cenas são todas contadas na perspectiva masculina e isso cansa; 1) mulher traidora, sedenta, 2) mulher endiabrada-desejante, 3) mulher que trai o marido com o amigo do casal.
Extraordinário
4.3 2,1K Assista AgoraFilme pra passar na escola. Acho o personagem conformado e pouco combativo, talvez um produto da superproteção dos pais.
A Professora de Piano
4.0 746 Assista AgoraOlho pra Erika como uma personagem dura feito pedra, uma mulher que anda na "linha" o tempo inteiro, mas que está ansiando ser açoitada pelo mundo (quer sentir, ser penetrada pelo mundo e não apenas replicar aquilo que foi ensinada, porém é como se não soubesse o caminho). O fim é isso: o autoflagelamento é enigmático, é a ferida que ela carrega tornada visível, mas é também uma espécie de negação de tudo aquilo que a música representa para ela. E aquela mãe, narcicista da poha!!!
Crash: No Limite
3.9 1,2K Assista AgoraTem um tom melodramático e é bastante perspicaz ao mostrar as performances do racismo na sociedade americana. Eu achei impactante.
Branca de Neve
2.1 336 Assista AgoraNão gostar de um filme porque você não acha a atriz que interpreta a Branca bela. Bah! O problema tá em você. O filme não é ruim, repete as fórmulas da Disney e é isso.
The White Lotus (3ª Temporada)
3.6 245 Assista AgoraDegringola no último episódio. Mas é legal vê toda a hipocrisia da elite mundial.
April
3.4 9 Assista AgoraA médica realiza abortos como quem fora incumbida de uma missão (triste e pesada). O tema é bastante relevante e algumas cenas desestabilizam quem assiste, porém o meu problema é com algumas opções da direção.
Eles Não Usam Black-Tie
4.3 321O tema é interessante, mas não curto as escolhas da direção - o "estatismo" da câmera, por exemplo - e, sinceramente, o texto do Gianfrancesco Guarnieri parece, aqui, meio datado, envelhecido no pior sentido da palavra. Os personagens são muito estáveis, muito "equilibrados", não são apenas certo de suas convicções como são monótonos, vibram na mesma intensidade. No fim do dia parece que a greve é só o pano de fundo para dizer de como diferentes convicções desarmaram uma família. Fotografia linda que, apesar da falta de movimento, parece nos colocar diante de quadros realistas que seguem uns aos outros.
Ainda Orangotangos
3.7 37Me identifiquei de cara por ter morado na capital Porto Alegre. É curioso como o filme carrega a mesma energia do rock gaúcho; tem um tom ao mesmo tempo amargurado e irônico na sua exposição de personagens que anseiam e vivem a liberdade (a qualquer custo, por sinal). O "casal" tomando perfume, o chinês que deixa a companheira morta no trem, a mulher que através do sonho dá a ver os seus desejos mais profundos, o professor de piano e a aluna que encaram o flagelo do próprio romance... bah!