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Deitada na cama, Sandra conversa com o marido enquanto a luz refletida em sua pele atrai os olhares para seu dorso que a toalha de banho não cobriu. A beleza pesada e a pose de Sandra remetem às estátuas gregas. Quase animalesca, a personagem surge sempre com o ar sombrio e a testa marcada. Ela e o irmão, Gianni, são os únicos a se desnudar no filme (algo que, de certa forma, os aproxima), em oposição ao corpo ausente do pai. A semelhança entre eles é o eixo da história, a figura por excelência do incesto, da atração pelo mesmo.
Na cena em que os dois irmãos se encontram na cisterna de Volterra, por exemplo, tive a impressão que aqueles dois rostos substituíssem um ao outro.
Outra coisa que me chama atenção, aproveitando o spoiler, é a presença do ato de velar e desvelar no gestual de todo o filme. Como no final do final, quando Gianni agoniza após ingerir veneno e seu corpo é coberto por Fornari, invertendo o movimento de Sandra, que naquele mesmo instante durante a cerimônia retira o lençol que recobre o busto do pai.
Grandíssima atuação de Cardinale num dos mais belos (e subestimados) filmes de Luchino Visconti.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Algo que me lembrarei mesmo depois de esquecer do filme: Se não consegue filmar uma pessoa, filme o fim do mundo.