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Os empecilhos que fazem com que "Kong: A Ilha da Caveira" de Jordan Vogt-Roberts não seja interessante é, principalmente, seu texto mal escrito.
Com uma estória bem simples, com argumento de John Gatins, e roteiro de Dan Gilroy, Max Borenstein e Derek Connolly, o grande male do filme é como metade da expedição que vai pra Ilha da Caveira são personagens completamente irrelevantes pra trama, principalmente os protagonistas James Conrad e Mason Weaver, não só irrelevantes, mas tomando decisões completamente questionáveis e forçadas no terceiro ato do filme. O que funciona no texto é o arco do Tenente-Coronel Preston Packard e seus soldados, que amargurado por prévias derrotas na guerra, vê em Kong a chance de provar a si mesmo como um militar.
O tom estabelecido no filme também é caricato demais, Vogt-Roberts prefere botar uma mão pesada em uma comédia completamente forçada, e se esquece de colocar a comoção e o sentimento, vide como os personagens concebem a existência de Kong - até então uma criatura desconhecida, - como algo completamente normal em questão de segundos.
Entretanto, a parte técnica do diretor impressiona. Aqui as cenas de ação e lutas do Kong são um espetáculo visual, com Vogt-Roberts manipulando a câmera e criando uma dinâmica absurda com variados movimentos e planos. O visual ainda enriquece com efeitos especiais belíssimos e uma fotografia maravilhosa de Larry Gong, usando uma extensa paleta de cores e uma saturação gritante que transita entre homenagear os filmes de guerra e trazer o fantástico para a experiência.
No que tange as atuação, é tudo extremamente limitado. Tom Hiddleston e Brie Larson estão dissimulados demais, são as grandes decepções; Já Samuel L. Jackson está unilateral demais, mas funciona dentro da proposta do personagem; John C. Reilly está bem como um cômico veterano; e John Goodman também cumpre um bom papel como um obcecado oficial de expedições. Tudo bem dentro da caixa.
Em um balanço geral, é um filme visualmente incrível, mas enfraquecido por um roteiro desleixado e mal desenvolvimento de personagens.
Com a proposta de ser um filme de ação simples e despretensioso, "De Volta Ao Jogo" de Chad Stahelski e David Leitch é um filme que carece de substância textual para que o torne minimamente interessante.
Há de se dizer que o visual e a direção são ótimos. As sequências de ação de Stahelski e Leitch são bem coreografadas, John Wick assassinando os capangas um por um sob os cortes e ligeiros movimentos da câmera é um visual expressivo. A fotografia de Jonathan Sela possui tons azuis escuros e uma paleta neon que invocam a frieza do personagem e o mundo criminoso que o permeia.
O Keanu Reeves está completamente engessado, mas não é um problema, uma vez que é um personagem frio e que dispensa um trabalho provido de dramatização, é uma atuação cabível. O Michael Nyqvist está fazendo um bom papel, trazendo uma figura que possui influência e ao mesmo tempo inseguranças. Já o Williem Dafoe está bem limitado e esquecível devido ao roteiro.
E o que não funciona aqui é o roteiro. O único conceito do texto de Derek Kolstad que carrega alguma autenticidade é o hotel que abriga criminosos, aqui existe uma interessante tirada cômica ao se institucionalizar o crime e aplicar regras aos criminosos. Mas, infelizmente, o conceito não sustenta a pobrice da trama em todos os seus outros aspectos, com uma estória clichê sobre um assassino que procura vingança contra uma máfia russa.
Um bom visual para um filme vazio e necessitado de autenticidade.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Um dos grandes problemas de Baby Driver é como o filme não vai um pouco mais a fundo na piração de mixar a música, a edição e as sequências de ação, que é o que de fato há de melhor neste filme de Edgar Wright.
A direção de Wright é incrível, suas cenas de ações são energéticas e extremamente bem editadas com a música, aliado a isto, Wright cria planos sequências tornando uma simples caminhada divertida e giros de câmera pra criar toda uma atmosfera romântica em torno do casal principal que são ótimas.
Contudo, não é o bastante pra se dizer que é uma originalidade absurdamente criativa e que se permita fechar os olhos para o clichê textual e alguns outros problemas.
A trama de Wright é óbvia demais, é uma sequência de assaltos a bancos aonde um protagonista se vê preso nessa vida criminal e refém nas mãos de um chefe do crime, dali a pouco o protagonista acha em uma parceira romântica um refúgio. Tudo incansavelmente explorado no cinema.
Há um forte mal desenvolvimento de personagem em relação ao Doc interpretado pelo Kevin Spacey, aonde o personagem muda sua postura no terceiro ato por um motivo muito pouco convincente.
Outro problema é a maneira que o Wright posiciona seus personagens em algumas cenas de ação no terceiro ato, que acaba sendo questionável, aqui ninguém se esconde atrás de um carro se não é figurante.
Em relação as atuações, o Kevin Spacey faz um vilão unilateral demais, mas que funciona; a Lily James também não faz nada que valhe um destaque, mas trabalha bem dentro do arquétipo da mocinha inocente que serve como refúgio; o John Hamm faz igualmente um bom trabalho interpretando um vilão com uma veia mais charmosa; e o Ansel Elgort faz um bom tímido e bondoso protagonista. Quem vale a o destaque é o Jamie Foxx, os traços de psicose e humor que ele confere ao seu personagem são ótimos.
Faltou entrar mais no frenesi de misturar a edição e a música, e claro, de escrever um texto menos preguiçoso.