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A estudante Nanda conhece Olívia em Amsterdã, e acabam se tornando grandes amigas. Olívia está na cidade em lua-de-mel com o marido, Sílvio. As duas descobrem forte afinidade por gostarem de arte, sendo Olívia proprietária de uma galeria. Em um desses encontros, Nanda, que estava na cidade estudando línguas, revela à amiga que .está grávida do namorado Léo, mas ele alegou ter um futuro pela frente e não quis saber das crianças, afinal, a jovem está grávida de gêmeos. Nanda fora abandonada grávida. Helena é uma mulher que já perdeu muita coisa na vida, e faz da menina Clara a razão do seu viver. Ela lhe dá muito amor e carinho, uma esmerada educaçã e sólidos valores morais. Mas ela esconde do avô das crianças, Alex, que sua neta está viva, temendo que a criança acabe caindo nas mãos de Marta. Dois homens, seu ex-marido Greg e o ex-namorado de juventude, o infectologista Diogo brigarão pelo amor de Helena, mulher que jamais esqueceram.
O problema é que Helena terá que enfrentar uma batalha com Olívia, que sabia da gravidez da amiga, e que acaba se envolvendo com Léo, 5 anos depois, quando ele retorna ao Brasil e ela está separada de Sílvio. Léo fica sabendo que tem um filho e o dilema de Helena no decorrer da trama será revelar ou não ao pai da criança que a filha dele está viva e é criada por ela. E aí a médica terá que se deparar de novo com Marta, que ao longo da trama, chega a entregar Francisco para Léo em troca de um milhão de reais, atacar Alex com uma faca, colocar uma placa com o nome de Clara no cemitério para falsamente provar a Alex que a neta morreu, e criar uma grande mentira na reta final, o que deixa Helena numa difícil situação. Helena ama a filha Clara, e a defenderá de todos os perigos que surgirem. Um dia, Clara e Francisco ficam amigos, e Helena conhece o pai de Nanda e terá que conviver sempre com esse fantasma em sua vida.
Essa novela é horrível! Na primeira vez que passou eu não gostava, e nas reprises seguintes em que minha mãe e irmão assistiam, eu tive certeza do quão ruim é essa novela, pouquíssima coisa se salva.
A história principal da novela é chatérrima, mas Isabel e Renato é um casal que adoro pra vida!
"Páginas da Vida" marcou o início do declínio de Manoel Carlos
A reprise de "Página da Vida" foi um sucesso, o que reforçou a potência das histórias de Manoel Carlos. Na época, entre 2006 e 2007, a trama também teve um ótimo retorno da audiência, após um início conturbado. No entanto, a história marcou o início do declínio do autor, que já não estava mais tão inspirado quanto antes.
Maneco vinha de três trabalhos que foram, em sequência, um fenômeno de audiência no horário nobre da TV: "Por Amor", em 1997, "Laços de Família", em 2000, e "Mulheres Apaixonadas", em 2003. A trinca de ouro foi sucesso de público e crítica. Mas "Páginas da Vida" acabou marcada por vários problemas observados pela crítica especializada e uma rejeição inicial do público, o que obrigou o autor a mexer na trama. As alterações surtiram o efeito na audiência. Alguns conflitos receberam mais destaque em detrimento de outros.
A maior qualidade da novela foi seu núcleo central. A potência do drama protagonizado por Helena, Marta, Alex e Nanda (Fernanda Vasconcellos) arrebatou o público com um clichê irresistível e bem explorado: a gravidez na adolescência que resultou em uma rejeição antológica e um processo de adoção que esbanjou delicadeza. Nanda engravidou fora do país e sua volta ocasionou um embate com sua mãe que nunca foi esquecido pelos telespectadores.
Tudo ficou ainda mais catastrófico quando a personagem foi atropelada por um carro desgovernado em um ponto de ônibus, no Leblon, e acabou falecendo na hora do parto forçado. A tragédia causou um infarto em Alex e expôs uma frieza assustadora de Marta, que aceitou ficar apenas com Francisco e renegou a neta, Clara, porque o bebê tinha Síndrome de Down. "Eu passo" foi a frase mais chocante dita pela avó. A médica, Helena, então decidiu adotar a menina.
É um mote central que não tinha como não funcionar. E todas as cenas envolvendo os conflitos rendiam grandes atuações. Lilia Cabral viveu seu melhor momento na carreira na pele de Marta, uma personagem complexa, que esbanjava crueldade, mas não podia ser classificada apenas como uma 'vilã'. Não por acaso, a atriz foi indicada ao Emmy Internacional por conta de seu irretocável desempenho. Marcos Caruso foi outro gigante. A sensibilidade de Alex foi defendida com maestria pelo ator que era um parceiro perfeito de Lilia.
O casal se comportava como inimigos mortais e as brigas eram fortes a ponto de Lilia ter sofrido um grave acidente durante uma delas, quando Marta foi empurrada por Alex e bateu com a boca na quina da mesa. Precisou até de cirurgia. A atriz ainda fazia boas cenas com a também talentosa Silvia Salgado, intérprete de Verônica, irmã rica de Marta.
Já os núcleos paralelos foram os responsáveis pelos problemas da trama. Era tanto núcleo e tanto ator que vários nomes de peso foram figurantes de luxo. Mal tinham cenas. Houve um grave excesso no processo de escalação. Tinha mais ator do que história.
Antônio Calloni chegou a pedir para sair da trama diante do descontentamento com seu personagem, que mal aparecia. Sônia Braga, figura raríssima em novelas e até em produções nacionais, estava totalmente deslocada em um núcleo que não tinha qualquer conexão com os outros. Renata Sorrah tinha poucas sequências na pele da juíza Tereza e só teve um breve momento de destaque quando o filho da personagem, Luciano, foi sequestrado pelo próprio pai, Nestor, que acabou morto na hora do resgate. O núcleo protagonizado por Leo, e depois Olívia (Ana Paula Arósio), tinha a grande Nathalia Timberg como Hortência, a avó do rapaz, que era mera 'orelha' para os desabafos do neto. Regiane Alves ganhou uma personagem que lembrava Clara e Dóris, personagens vividas por ela em "Laços de Família" e "Mulheres Apaixonadas". Alice parecia um clone delas. Edson Celulari foi perdendo a função ao longo dos meses até Silvio praticamente desaparecer da narrativa. Marcos Paulo (o médico Diogo) foi outro grande ator que não teve seu talento valorizado, assim como Christine Fernandes, Leandra Leal, Ângela Leal, Fernando Eiras, Buza Ferraz, Xuxa Lopes, Lígia Cortez, Umberto Magnani, Walderez de Barros, Louise Cardoso (a trama de Diana, professora que tinha tesão por um aluno mais jovem, era cansativa ao extremo), Tato Gabus Mendes, Helena Ranaldi, entre tantos mais. Até o grande Tarcísio Meira acabou desperdiçado. Tide, o patriarca da família, perdeu a função logo no início da história, quando sua esposa, Lalinha, faleceu.
Vivianne Pasmanter e Caco Ciocler tiveram química de sobra e o casal Isabel e Renato funcionava, mas a trama andava em círculos e se esgotou com o tempo. Eram tantas idas e vindas que tiravam a paciência do telespectador.
O conflito envolvendo a bulimia de Gisele gerou uma boa repercussão e destacou o talento de Deborah Evelyn, que brilhou na pele da mãe que sufocava a filha e era obcecada pela magreza. Mas também se arrastou ao longo da trama e não teve fôlego. Já Jorge era um personagem que não tinha rumo. Ficava claro que o autor não sabia muito bem o que fazer com ele, até que decidiu colocá-lo apaixonado por Thelminha (Grazi Massafera em sua primeira novela). Ali o galã começou a ter um norte, só que ainda assim protagonizando situações que não saíam do lugar. O noivado de Thelma com Dorival (André Frateschi) parecia oriundo de algum folhetim de época.
Por falar em sexíssimo, o autor sempre demonstrou essa característica em suas obras, até as mais elogiadas. Não foi diferente em "Páginas da Vida". Tudo o que envolvia Greg (José Mayer, como sempre) era problemático.
O sujeito desviava dinheiro da empresa do sogro, colecionava amantes e era tratado como galã. Aliás, o tapa que ele dá em Márcia na última semana da novela, 'devolvendo' a agressão sofrida anteriormente em uma discussão, como se tivesse empatado a briga, foi absurdo. E o personagem ---- que se comportava como príncipe com Helena ---- protagonizava sequências repetitivas envolvendo seu caso com Sandra (Danielle Winits), que só foi descoberto por Carmem na última semana. Outro drama que se arrastou na história foi o 'amor' de Lavínia (Letícia Sabatella mal aproveitada), uma freira do hospital, e seu paciente que era portador do vírus HIV. Além da temática ter sido pessimamente abordada, Gabriel ficou a novela toda deitado em uma cama.
No entanto, dois núcleos secundários renderam boas situações. O drama do
alcoolismo
racismo
preconceito
onde a atriz era a madrasta desprezada pela filha de seu marido.
A novela ao menos tem uma última semana marcada por vários acontecimentos por conta do vício do escritor em deixar tudo para o final.
A disputa pela guarda de Francisco é decidida com momentos emocionantes, enquanto o flagra de Carmem em Greg e Sandra rende uma catarse aguardada com direito a muitos tiros. Alex também só descobre que sua neta, Clara, está viva nos instantes decisivos. A sequência em que Nanda impede Marta de cometer suicídio é outra marcante.
quando Helena e Alex observam Clara e Francisco brincando com o espírito de Nanda enquanto passeiam pelo Jardim Botânico, mesmo cenário onde Helena (Regina Duarte), Atílio (Antônio Fagundes), Eduarda (Gabriela Duarte) e Marcelo (Fábio Assunção) fecham
"Páginas da Vida" é uma novela marcante de Manoel Carlos, mas com muitos altos e baixos. Ficou visível que o veterano enfrentava uma maior dificuldade no desenvolvimento de uma boa história. Já era um indício do que estaria por vir na problemática "Viver a Vida", de 2009, e no imenso fracasso "Em Família", de 2014. Porém, a reprise do Canal Viva foi muito acertada justamente para rever o que deu certo e observar melhor todas as suas falhas.
Nanda é a verdadeira protagonista da novela, a Helena aqui é coprotagonista.
Apesar do enorme elenco e da trama desacelerar após a morte da Nanda, ainda sim é uma ótima novela, com cenas memoráveis (sobretudo os embates entre a vilã Marta com o Alex, a Nanda e a Helena) com o texto sensível do Maneco e com uma temática poucas vezes vista na TV, mas muito bem trabalhada: a Síndrome de Down.
Outra boa ideia foram os depoimentos ao final de cada capítulo (menos o da babá polêmica rsrsrs).
As obras do Maneco não ficam boas sob a direção do Jayme (opnião minha), mas acredito que "Páginas" seja, dos 4 trabalhos feitos juntos, a melhor.
Alguém sabe onde eu poderia assistir essa novela?