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A trama se passa na cidade fictícia de Santana do Agreste e começa quando Antonieta Esteves (Tieta) é expulsa de casa pelo pai Zé Esteves, que irritado com o comportamento literal da filha e influenciado pela filha Perpétua (irmã de Tieta), decide esquecer de vez a filha. Tieta é humilhada e escorraçada de Santana do Agreste.
Vinte e cinco anos se passam e Tieta se tornou uma rica e exuberante mulher, e volta a Santana do Agreste para se vingar da família e de todos que a humilharam no passado. Ao chegar Tieta muda a rotina dos moradores da pequena cidade de Santana do Agreste e será cobiçada por todos que a humilharam no passado pela sua fortuna e exuberância.
Para chocar ainda mais sua família, Tieta se envolve com o filho da rancorosa irmã, o jovem seminarista Ricardo.
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Considerada um fenômeno dos anos 80, a telenovela Tieta que teve sua estreia pela primeira vez em 1989, inspirada do livro Tieta do Agreste e escrita pelo Jorge Amado em 1977, foi reprisada em Vale a Pena Ver em 2025. Não há duvida nenhuma que realmente é uma das maiores telenovela de sucesso da Globo e depois de muitos anos, ainda consegue consagrar seu sucesso. Além de ter um elenco marcante e personagens inesquecíveis, também possui uma história maravilhosa. Resumindo melhor, Tieta é um novelão incrível que nunca sairá de moda!
Dessa vez, eu optei em assistir a novela Tieta, deixar minha opinião sobre a novela e agora, dedicar a história original de Jorge Amado para apreciar a escrita e descobrir as diferenças entre a versão literária e a telenovela. No entanto devo confessar que Tieta contém tantos acontecimentos que uma postagem é pouco para comentar ou deixar uma opinião mencionando todos os personagens. Então aconselho que assista Tieta para descobrir as histórias que enriquece o enredo que consegue emocionar, contento abordagem franca e direta de temas polêmicos, mas também tratados com respeito ao publico, sem medo do cancelamento e principalmente divertir os amantes de telenovela.
A protagonista vivida pela Betty Faria é uma mulher de personalidade forte e à frente do seu tempo. Ela foi expulsa da cidade por causa da sua liberdade sexual numa sociedade bastante conservadora. Vários momentos da novela, Tieta contou que passou por provações impostas na vida para voltar à Santana do Agreste como uma mulher rica para conquistar sua vingança e ter o respeito daquelas pessoas a julgou no passado como uma mulher imoral. É impossível falar de Tieta e não mencionar sobre Zé Esteves, pai de Tieta, que era totalmente avarento e vivia numa completa miséria, mesmo recebendo dinheiro todo mês da filha.
Outra personagem inesquecível em Tieta é a personagem Perpétua que entrou no ranque das melhores vilãs da teledramaturgia brasileira. As cenas interpretadas pela Joana Fomm transformaram a Perpétua numa vilã cômica, especialmente quanto estava armam contra Tieta ou conversando com seu finado Major e na maioria das vezes, batendo de frente com o Padre Mariano. O final de cada personagem é maravilhoso, mas o desfecho de Perpétua sendo desmascarada pela Tieta diante a população dentro da igreja é sensacional. Ah, também não posso esquecer sobre a caixa branca que guarda o grande secreto de Perpétua e o mistério sobre a mulher de branco. Confesso que estou bastante curiosa para descobrir se a Perpétua da literatura contém o mesmo secreto e se existe a mulher de branco que atacava os homens de Santana do Agreste na escrita de Jorge Amado.
Enfim, não adianta eu ficar prolongando minha opinião sobre Tieta. Qualquer hora falo mais sobre Tieta, pois é uma Telenovela que entrou na minha lista de favoritas com muita facilidade e se possível quero rever novamente, porque é ótima. O melhor conselho que posso deixar para quem tem curiosidade pela história é: Assista cada capítulo da novela Tieta, porque vale à pena e principalmente, conheça a história original através da escrita de Jorge Amado. Não importa que seja antes ou depois de conhecer a novela. O importante é conhecer o original também, pois as poucas páginas que eu li Tieta do Agreste, é uma história riquíssima.
Comecei assistindo novelas de um tempo pra cá, depois que minha mãe assinou o Globoplay, foi uma grata surpresa, principalmente Tieta, que parece que não acontece muita coisa, mas ao contrário graças aos diálogos excelentes e o elenco pra lá de competente, consigo entender porque minha geração de agora não gosta de novelas, dessa década de 2020 em diante e tudo muito ruim e precário.
Considerando o tema, é melhor do que deveria ser – melhor atuado, melhor dirigido, melhor escrito.
Uma novela que poderia ser lançada hoje e as pessoas ainda a adorariam, se por acaso tivesse um elenco realmente bom, coisa que duvido muito. Que clássico encantador!
Destaque para Betty Faria (num papel que quase foi da lendária Sophia Loren), não sabia que a Betty foi tão linda assim, nasceu para o papel; Joana Fomm (um tanto caricata demais, mas hilária mesmo assim), Cássio Gabus Mendes, Lídia Brondi (apesar da profissão que a gente sempre imagina de ser de mulheres muito fortes e calejadas, ela consegue passar o lado inocente e puro, que realmente deve existir na vida real, afinal são seres humanos como outro qualquer, além de ser a profissão mais antiga do mundo), Yoná Magalhães, Luciana Braga, Arlete Salles, Miriam Pires, Ary Fontoura, Sebastião Vasconcelos, Bete Mendes, Rosane Gofman, Lília Cabral, Ana Lúcia Torre, Cláudio Corrêa e Castro, Elias Gleizer, Andrea Paola, Sônia Barbosa (que linda e talentosa, e eu nunca vi em outro papel)...
Uma das melhores novelas já feitas. Bela adaptação da obra de Jorge Amado, elenco primoroso, trilha sonora marcante e com final enigmático. Foi díficil parar de assistir. As participações especiais foram essenciais para uma certa "quebra" da quarta parede, um charme. Quem já morou no interior da Bahia, tem um pouco de Santana de Agreste no coração.
Revisto em Vale a Pena Ver de Novo entre 2024/2025.
Em tempos de novelas ruins e medianas, só nos resta as Edições Especiais e o Vale a Pena pra podermos assistir as grandes novelas.
Tudo funciona bem: elenco, direção, texto inspirado, a caracterização, trilha sonora.
Novela excelente e de qualidade feito numa época com bem menos recursos e pessoas trabalhando. Não à toa que passado mais de 30 anos ainda faz sucesso, coisa boa é atemporal.
"Tieta" repetiu o sucesso no "Vale a Pena Ver de Novo"
O imenso sucesso da reprise de "Alma Gêmea" no "Vale a Pena Ver de Novo" jogou pressão na escolha da sua substituta. Afinal, a Globo precisava manter os elevados índices alcançados pelo fenômeno de Walcyr Carrasco, ainda mais no ano em que a emissora completa 60 anos de existência. Não à toa, houve uma demora no anúncio e certamente por conta da indecisão da equipe responsável. Mas a espera valeu a pena e a produção selecionada foi "Tieta", uma das melhores obras da história da teledramaturgia.
A trama de Aguinaldo Silva, escrita com Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn ---- dirigida pelo saudoso Paulo Ubiratan ---- foi um marco da teledramaturgia e um dos maiores sucessos da Globo, o que consagrou o autor como novelista. Exibido entre agosto de 1989 e março de 1990, o enredo foi uma livre adaptação do romance "Tieta do Agreste", de Jorge Amado, publicado em 1977. Mas apenas o mote inicial e o perfil dos personagens foram utilizados com fidelidade, pois a liberdade dos autores foi total, transformando o conjunto em um folhetim original, repleto de tiradas cômicas e situações polêmicas, onde o moralismo e o conservadorismo, tão em voga atualmente diante de determinadas situações, tinha quase desaparecido com o fim da ditadura militar.
O foco principal é um dos maiores clichês da ficção: a vingança. No primeiro capítulo, Tieta, vivida por Cláudia Ohana, é escorraçada de casa pelo pai, o conservador José Esteves (Sebastião Vasconcelos), que não tolera o comportamento 'libertino' da protagonista e ainda é influenciado pelas intrigas da outra filha, a amargurada Perpétua.
Todos da fictícia Santana do Agreste também se mostram horrorizados com o comportamento da menina. A mulher viaja para São Paulo, mas promete voltar para se vingar de todos que a humilharam.
Vinte e cinco anos se passam e Tieta (agora Betty Faria) reaparece, rica e deslumbrante, com o objetivo de executar sua missão prometida no passado. Esse retorno é uma das cenas mais lembradas da novela, principalmente em função da emoção de Tonha (Yoná Magalhães grandiosa), madrasta querida da protagonista. E o retorno ocorre justamente quando a cidade inteira está rezando uma missa, organizada por Perpétua (Joana Fomm), em sua memória. Outro momento marcante da volta é a 'recepção' do bebum Bafo de Bode (Benvindo Siqueira), que se impressiona com o quadril ("Derrière", como diz Tieta) da ricaça e ainda fala que aquilo é uma "plantação inteira de xibiu." O curioso é que, com o tempo, a vingança acabou se diluindo, mas sem afetar a qualidade da obra. A protagonista não se vinga diretamente de ninguém e opta por algo mais genérico, como a vinda do progresso para a cidade, o que traz como consequência a poluição, sujeira nas praias e coisas do tipo.
A história é repleta de tipos caricatos que esbanjam carisma e ainda contém situações polêmicas, vide o romance de Tieta com o sobrinho Ricardo (Cássio Gabus Mendes), filho de Perpétua, que até então planejava ser padre. O romance incestuoso implicou em problemas com a Igreja Católica e a Justiça na época. Outra trama que despertou incômodo foi a protagonizada pelo coronel Artur da Pitanga (Ary Fontoura, genial). Afinal, retratava a pedofilia de forma levemente cômica. O poderoso homem seduzia menores em troca de comida e alfabetização. A única que o enfrentava era Maria Imaculada (Luciana Braga). O núcleo ficou marcado pelo nome que fazendeiro dava a elas: 'rolinhas'. Hoje em dia, com razão, o contexto seria alterado e tratado com mais seriedade.
Curiosamente, uma situação que passou sem problemas na época seria censurada hoje: a abertura. Se por um lado o país avançou na discussão de temas importantes, em outros retrocedeu muito. A linda abertura que mesclou elementos da natureza com a beleza da mulher (no corpo nu de Isadora Ribeiro) não seria liberada nos tempos atuais. A alegação seria a "presença de crianças vendo televisão com a família e atentado ao pudor antes das dez da noite." Com certeza a modelo estaria vestida. Tanto que a produção caprichada de Hans Donner (o maior designer gráfico que a Globo já teve) nem foi exibida na reprise da novela no "Vale A Pena Ver De Novo", assim como ocorreu em 1994. Nas duas reexibições, a emissora preferiu eliminar a abertura e exibi-la rapidamente no encerramento dos capítulos e com os nomes do elenco creditados quase que de uma vez só.
Deixando as polêmicas de lado, é preciso elogiar os vários tipos marcantes da trama. Além da própria Tieta (Betty Faria em seu melhor momento na carreira) e da icônica Perpétua (maior papel de Joana Fomm e uma das mais lembradas vilãs da teledramaturgia), a história também contou com uma dupla maravilhosa: Cinira e Amorzinho. As discípulas de Perpétua eram coadjuvantes, porém, foram crescendo cada vez mais graças ao imenso talento de Rosane Gofman e Lilia Cabral. As devotas bancavam as puras, mas não podiam ver um homem que sentiam um fogo nas ventas, com direito a tremeliques inesquecíveis de Cinira. Outro perfil que conquistou o público foi a Dona Milú (saudosa Miriam Pires), cujo bordão ---- "Mistéééééééério!" ---- caiu no gosto popular.
O carismático Modesto Pires (saudoso Armando Bógus), a querida Carmosina (Arlete Salles em grande momento) ---- agente dos correios que abria as cartas de todos da cidade usando o vapor da chaleira ---- , o afetado Timóteo (ótimo Paulo Betti), o já citado Bafo de Bode, o bonachão Jairo (querido Elias Gleizer) e o malicioso Osnar (José Mayer) foram outros perfis que agradaram. E vale uma menção especial a Tonha, a personagem mais doce da história. Quase uma Cinderela do nordeste. Maltratada pela vida e sempre com um olhar melancólico, a madrasta de Tieta protagonizou uma das melhores cenas da novela, quando voltou a Santana do Agreste toda elegante, semanas depois de finalmente ter se livrado da opressão de Zé Esteves, aconselhada pela enteada e amiga. Ela retornando triunfante e linda, desfilando pelos lençóis maranhenses ao som de "Uma Nova Mulher", cantada por Simone, foi de uma sensibilidade ímpar.
Outro boa lembrança da trama era o enigma em torno da Mulher de Branco. A figura feminina só aparecia em noites de lua cheia e sempre escolhia os homens 'indefesos' para atacar sexualmente. Ela era Laura (Cláudia Alencar), a esposa do Comandante Dário (Flávio Galvão). A revelação, no entanto, decepcionou. Ficou claro que o autor inventou aquela solução às pressas porque não fez qualquer sentido. A personagem era uma das únicas da cidade com um comportamento livre e não se esconderia para a realização de seus desejos. Aliás, é importante ressaltar que a novela tem seus problemas. Há uma ausência de acontecimentos ao longo dos meses e o enredo se sustenta por esquetes pontuais. A barriga (período em que nada de relevante acontece na história) é algo comum na teledramaturgia e ainda mais na época, já que não havia preocupação com a divisão da atenção do telespectador com outras telas e o próprio ritmo de vida era mais devagar. A vingança de Tieta também merecia um cuidado maior para a movimentação da trama e a perda de destaque de Bafo de Bode, principalmente quando virou evangélico, tirou a força de um dos perfis mais divertidos da produção. Mas são falhas que não afetam o conjunto bem-sucedido da obra.
Lídia Brondi (Leonora), Françoise Fourton (Helena), Tássia Camargo (Elisa), Bete Mendes (Aída), Roberto Bonfim (Amintas), Cláudio Corrêa e Castro (Padre Mariano), Renato Consorte (Seu Chalita), Marcos Paulo (Arthuzinho), Liana Durval (Rafaella), Paulo José (Gladstone), Ana Lucia Torre ---- que divertia com a mania de limpeza de Juracy, hoje certamente diagnosticada com TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) ----, Otávio Augusto (Marcolino), Luiza Tomé (Carol), Cidinha Milan (Cora), Cristina Galvão (Filó), Danton Mello (Cupertino), foram mais alguns nomes do ótimo elenco que brilharam, além das luxuosas participações de Rogéria (Ninete), Iara Jamra (Assuntinha) e Jorge Dória (Pastor Hilário).
"Tieta" foi uma das grandes novelas da história da teledramaturgia e repetiu o sucesso na sua segunda reprise no "Vale a Pena Ver de Novo". A trama também foi exibida no Canal Viva em 2017. O êxito atemporal é fruto do reconhecimento do público, reforçando todas as qualidade desse clássico. A história é querida por todos os fãs de um bom folhetim e se eternizou na memória do brasileiro.