Sobre o valor da amizade, da família e, principalmente, da memória. A memória que sintetiza a existência, o viver e as lembranças que levamos em nossa passagem. Filme delicadíssimo, com um final que me tocou bastante.
Ao contrário do que muitas pessoas analisaram sobre o documento, não acho que enaltece lado algum e nem acredito que seja o foco. É um filme que explicita o horror da guerra, que evidencia o papel crucial do jornalismo como meio de denúncia, conscientização. A consequência… civis e profissionais padecem, viram números.
Brent era um homem que deu a vida pra mostrar a realidade do mundo, nua e crua. Seu irmão, Craig, manteve seu legado. E o documentário não poupa de nenhuma maneira, pois aquela é a dura faceta da humanidade. As escolhas, ao meu ver, tiveram propósito e não foram gratuitas.
Filme forte, que não suaviza em nenhum momento e não dialoga com o tendencioso papel ocidental, principalmente, da Guerra na Ucrânia. É sobre o papel daquelas pessoas, sobre a importância deles, representado pelo americano Brent Renaud. E que com certeza olhava e admirava seus companheiros de profissão em outras partes do nosso planeta.
É mais uma jornada pelo interior da pessoa do que do artista. Os demônios, as batalhas internas, o vácuo criativo, o passado que rumina no presente, um sofrimento silencioso. Me impressionou por não seguir um lado mais protocolar e adentrar, aprofundar a condição real, verdadeira, do ser humano.
Bruce é um dos meus artistas favoritos e me deixou muito feliz que ele foi homenageado com uma atuação tão bonita e um filme que respeita sua história, seu legado e, acima de tudo, que respeita o que ele é apesar de sua música.
Não tava muito empolgado mas me surpreendeu demais.
Acima de qualquer coisa, esse filme é um acontecimento. A mistura entre ficção e realidade a princípio me soou gratuita e sensacionalista demais, mas na reta final isso caiu por terra. É tão inacreditável tudo que acontece nessa guerra que parece ficção mesmo, algo criado.. tamanha crueldade e desprezo pela vida que os colonialistas de Israel possuem. E é igualmente inacreditável que isso tudo seja, também, real. Tudo um absurdo imensurável.
Sabemos que não existe humanidade quando crianças são vistas como se fossem qualquer coisa. Basta notar através de uma, com 6 anos, o quanto ela já sabia o que vivenciava. Nasceu, existiu e se foi experienciando uma guerra. Desolador e muito triste, pelo tema e pela forma como utiliza do jogo narrativo para entrelaçar a expressão artística e a realidade nua e crua. Vai ficar na cabeça por um bom tempo.
É menos panfletário e sectário que o seu filme anterior pois foca em uma abordagem que prioriza o sofrimento silencioso, sem o tom apelativo de Mariupol. Independente do lado que o espectador defenda ou da ideia sobre o conflito, é inegável que "A 2000 Metros de Andriivka" se preza a mostrar os horrores e a imbecilidade da guerra. Meninos mortos, vilas destruídas, uma história varrida pra debaixo do tapete.
Muito duro assistir tais cenas, o silêncio seguido pelo barulho das bombas e dos tiros, os corpos estirados ao chão… a destruição parece irreversível. Gostei mais da proposta desse do que do anterior e acho que a narração em off não funciona de uma forma eficiente, mas é um documento forte e interessante da vida levada ali no front, à beira do caos e da destruição.
Esse tom caricato e de humor escrachado não me convenceu nem um pouco (e olha que isso nunca foi problema pra mim). E pra piorar tudo ele tem um ritmo que beira o insuportável. É devagar, transita demais entre uma coisa e outra, dá mil voltas pra não chegar a lugar algum. Com meia hora a gente já sabe tudo e parece que o resto é totalmente desnecessário. Uma estrondosa decepção.
Takeshi Kitano e a reinvenção do seu cinema aos 80 anos. Inacreditável a forma como brinca com o espectador na quebra de expectativa, tanto na primeira quanto na segunda metade. Surpresa atrás de surpresa a cada filme que faz. Sou fã e está facilmente na minha prateleira alta de diretores favoritos.
O cinema de Panahi por si só já é gigantesco pois a coragem que esse homem possui, encarando de frente um regime que o oprime há muito tempo, transcende qualquer tipo de compreensão. Persona non grata no Irã e que continua cutucando, mexendo no enxame, criticando e expondo o autoritarismo arbitrário ao qual não só ele, mas também a população iraniana, estão fadados a encarar.
É um filme que coloca no cerne o contexto vivido pelo próprio Panahi; condenado no Irã, seria preso se voltasse. No filme, a tortura e os traumas vividos pelos personagens são a metáfora para a censura e a ameaça que Panahi vem sofrendo.
E os traumas, as cicatrizes que os personagens possuem, dão direção ao questionamento e ao dilema moral proposto. A dor e o sofrimento devem levar as vítimas a repetir os comportamentos de seus algozes? Não há respostas. O cinema de Panahi não procura essa resposta, ele busca apenas a reflexão.
Fato é que apesar de complexo, o ser humano não foge nunca de sua natureza. Se o mal é intrínseco, ele se manifesta de formas inimagináveis. Mas se a bondade também é parte do indivíduo, as suas ações caminham junto disso. É a famosa linha tênue… e para pender pra um lado ou outro, basta um pequeno gatilho.
Fica num limiar perigoso entre a denúncia, o retrato do horror e da perversidade daqueles crimes e a busca por uma espécie de humanização daqueles criminosos (ou monstros). Ao mesmo tempo em que expõe predadores sexuais cometendo seus atos vis, ele busca um entendimento sobre a psique humana, as causas, os motivos… é o tipo de filme que coloca o espectador num banco moral, como se fizesse parte de um júri em um julgamento.
E num tema extremamente delicado como esse, não se posicionar ao lado das vítimas seria um absurdo. Mas… do outro lado, apesar de tudo, ainda existe um… ser humano? Sinceramente, pra mim, é difícil criar qualquer tipo de compadecimento ou sentimento de pena em relação à quem cometeu tais atos. Estes que, diga-se de passagem, foram devidamente registrados.
E o programa é importante para isso. Mas até onde ele é importante? Até onde o sensacionalismo pode ir? Quando isso vira um circo e quando isso é devidamente colocado em pauta como um assunto necessário? Acho que o documentário tenta colocar em pé de igualdade vítima e agressor e descamba um pouco nessa questão. E o “To Catch a Predator” funciona como uma espécie de roteador para pessoas despejarem seu ódio e raiva, perpetuando um comportamento problemático. E o doc não consegue muito bem dosar os elementos e nem direcionar um ponto de vista necessariamente. Fica sempre a impressão que se isenta da responsabilidade, do posicionamento.
Ainda assim, é interessante o exercício proposto. E chocante tudo que acontece e da forma como acontece. De revirar o estômago.
O novo trabalho de Radu Jude é obsceno, vulgar, desconfortável e hilário num sentido muito positivo. Pra um diretor que não tem nenhum filtro em relação a qualquer assunto que seja, aqui ele extrapola todos os limites e entrega um recorte que trabalha no limiar entre o irônico e o sério. Dentro daquele universo de maluquices, o riso vem naturalmente através do absurdo, da recusa em estabelecer um nexo narrativo ou contextual. Jude não está preocupado em se explicar, ele só quer nos incomodar. Qual seria esse propósito?
Mas o incômodo NUNCA é gratuito. Vem sempre com um propósito. Qual seria esse propósito? Não sei.. mas o que sei é que esse romeno faz um cinema que tira qualquer um da zona de conforto. E isso é maravilhoso.
Essa construção do horror a partir do que não se enxerga possibilita um aumento significativo da tensão como direcional ao que se apresenta. É um filme municiado de adrenalina e estruturado em uma dinâmica que não mostra o resultante pois já sabemos qual o final daquilo tudo. E o ponto está nesse fator. Não é necessário mostrar, tudo que precisamos saber está nas ações e nas consequências dessas ações.
Bigelow tem controle e sabe onde quer chegar. E o filme, apesar de possuir uma quebra de expectativa, cumpre a proposta e quem a compra tem a imersão mais completa. Gostei bastante.
É o famoso CATADO. Não há sustentação contextual que sobreviva a um desleixo estrutural e narrativo como esse aqui. A montagem é tão desastrosa que me deu até tontura. Filme zoado em todos os sentidos possíveis.
Apesar de não cuidar tão bem das subtramas e consequentemente dos personagens inseridos ali, o filme encontra um equilíbrio quando foca no centro do comentário, evidenciando uma radicalização cega que leva a um fim inevitável e com consequências irreversíveis. É redondo e competente quando acerta o direcionamento.
O fanatismo como gatilho. Sofre quem não pediu pra viver o que se foi obrigado a viver. Jacob Tremblay e Nick Offerman estão muito bem.
Me agrada muito quando trata do assunto de forma satírica e bem humorada pois possui unidade fluida no argumento. É coeso e evidencia uma espécie de curiosidade em relação ao que vem a seguir. E o que vem a seguir me agrada também, a violência descambada e desenfreada causada pela instabilidade em um momento de incertezas. Porém a transição é um tanto porca e no fim tudo acaba sendo jogado num lugar desmotivado em relação ao cerne do longa, o que acaba desembocando numa conclusão tola, inerente ao que se apresentou até então. Fiquei um tanto decepcionado com a salada que o Ari Aster tentou aqui. E, apesar da intenção (que acho curiosa e me faz querer revisitar), soa um tanto vazia demais, pra mim.
A violência escancarada de forma velada. Não há nada mais forte do que saber o que está acontecendo e vivenciar, através dos olhares, todo aquele horror. Bem forte. E como precisa ser.
Esse é um dos projetos mais surpreendentes que já vi pois em hipótese alguma imaginaria alguém querendo contar a história do Mark Kerr assim. Acho que quem não conhece ou não está familiarizado com o mundo da luta não se interessaria ou não conseguiria entender o tamanho, a dimensão que a figura dele representou e representa para o esporte. Quando soube do filme, fiquei empolgado e ao mesmo tempo preocupado. A empolgação é por um motivo claro: sou fã do esporte e acompanhei, por muito tempo, ele evoluir. Peguei a reta final do Pride mas a figura do Mark Kerr sempre foi presente pra mim nos vídeos e nas histórias contadas pelo meu pai e tio. Que ele e Mark Coleman eram os maiores, os mais temidos. Então a empolgação era altíssima.
A preocupação veio porque filmes desse tipo, que analisam seres humanos complexos em seus comportamentos e o ambiente que os cerca, costumam tangenciar as escolhas e o desenvolvimento do que se busca abordar como centro. Então havia muito pé atrás da minha parte em relação a isso. As duas coisas acabaram se mostrando reais, na minha experiência com o filme. Me empolgou bastante mas também vi muitos direcionamentos equivocados.
Poder ver tantos lutadores que admiro atuarem tão bem nos papéis dos caras daquela época é algo surreal. E o elenco inteiro está ótimo, do Coleman de Ryan Bader ao Vovchanchyn de Usyk. Mas é o casal que rouba a cena. Dwayne Johnson está inspirado e emula o Kerr de uma forma interessantíssima. Contido, como o lutador sempre foi, mas poderoso. E Emily Blunt faz um esforço estrondoso pra solidificar aquele acontecimentos. Então nesse aspecto as coisas funcionam muito.
O maior problema, ao meu ver, é que falta pujança. É um filme que não empolga, não extrapola a emoção, não atinge o ápice em nada e isso é primordial pra construção da imagem dele e do mundo em que ele estava inserido. Realmente senti muita falta das cenas marcantes, da tensão, dos conflitos mais acalorados… tal qual o tema e a vida dele requeriam. Falta peso, contundência. É desses que precisa de qualquer forma ser mais forte, incisivo.. e nada aqui consegue ser. As brigas e os conflitos entre esposa e marido evidenciam essa falta de força. A narrativa é um pouco espaçada e prematura no desenvolvimento.
Mesmo assim, olhando no geral, no resultado total, é um filme que consegue sustentar um certo grau de eficiência pois é tudo muito interessante. Nos importamos com eles e é isso que importa num retrato sobre a pessoa.
Queria que o filme fosse maior, mais à altura do Kerr, mas fico feliz que tenham homenageado um homem tão importante para o esporte ainda em vida. É uma história de superação, perseverança, sobrevivência. De quem lutou as mais difíceis batalhas, e nem estou falando das que travou dentro do ringue. E que superou todas as adversidades que se apresentaram. "The Smashing Machine" é a historia sobre um dos grandes pilares do mundo do MMA e do vale tudo. Uma digna reverência.
Um belo e delicado recorte sobre uma sociedade adoecida. Pelo trabalho, pela rotina, pela enfermidade física e psicológica. Pessoas que se encontram ao acaso e que dividem um mesmo problema, num mesmo sistema, pelos mesmos motivos. É o retrato da vida brasileira… e ainda sobra um tempo pra se conectar e através do acaso, criar vínculos que se transpassam ao cotidiano. Bonito filme
Carece absurdamente de ritmo e tom, e é muito descompassado narrativamente. Os flashbacks não funcionam e a história em si é bem insossa e sem graça. Não criamos vínculo com nenhum personagem e nenhuma trajetória apresentada.
É um filme oco. Vazio no sentido e no sentimento, algo que me surpreende vindo do cinema de Paul Schrader.
É o tipo de filme que possui escolhas muito acertadas principalmente no que tange o mistério todo, que é o cerne aqui. Os flashbacks funcionam bem, puxam o espectador a se posicionar perante os acontecimentos e a colocação de cada personagem é pontual, levando a narrativa a tomar um caminho fluido e sem enrolação. Tudo parecia muito bem estabelecido. Narrativa, argumento, transição naquele vai e volta… mas é quando tudo fica muito evidente e escancarado que o filme perde o brilho. A magia vai embora e só sobra uma conclusão apressada e pouco interessada em fechar as pontas que estão bem soltas.
Tem cenas incríveis e sinto que isso foi extremamente mal disposto no longa quando olho pro resultado geral.
Uma pena que um filme com tanto potencial tenha caído naquele lugar em que tudo precisa ser explicado ou acelerado. 2h pra desenvolver uma ideia pra no fim simplesmente abdicar do que realmente parecia importar. É desses filmes que possuem uma magia, uma energia peculiar.. só que as escolhas que no início eram acertadas, se transformaram, ao final, o calvário do mesmo. Esperava bem mais.
Sirāt
3.4 171 Assista AgoraTudo isso por uma rave, pqp
Arco
3.8 48 Assista AgoraSobre o valor da amizade, da família e, principalmente, da memória. A memória que sintetiza a existência, o viver e as lembranças que levamos em nossa passagem. Filme delicadíssimo, com um final que me tocou bastante.
Armado com uma Câmera: Vida e Morte de Brent Renaud
3.5 30 Assista AgoraAo contrário do que muitas pessoas analisaram sobre o documento, não acho que enaltece lado algum e nem acredito que seja o foco. É um filme que explicita o horror da guerra, que evidencia o papel crucial do jornalismo como meio de denúncia, conscientização. A consequência… civis e profissionais padecem, viram números.
Brent era um homem que deu a vida pra mostrar a realidade do mundo, nua e crua. Seu irmão, Craig, manteve seu legado. E o documentário não poupa de nenhuma maneira, pois aquela é a dura faceta da humanidade. As escolhas, ao meu ver, tiveram propósito e não foram gratuitas.
Filme forte, que não suaviza em nenhum momento e não dialoga com o tendencioso papel ocidental, principalmente, da Guerra na Ucrânia. É sobre o papel daquelas pessoas, sobre a importância deles, representado pelo americano Brent Renaud. E que com certeza olhava e admirava seus companheiros de profissão em outras partes do nosso planeta.
Springsteen: Salve-me do Desconhecido
3.1 32 Assista AgoraÉ mais uma jornada pelo interior da pessoa do que do artista. Os demônios, as batalhas internas, o vácuo criativo, o passado que rumina no presente, um sofrimento silencioso. Me impressionou por não seguir um lado mais protocolar e adentrar, aprofundar a condição real, verdadeira, do ser humano.
Bruce é um dos meus artistas favoritos e me deixou muito feliz que ele foi homenageado com uma atuação tão bonita e um filme que respeita sua história, seu legado e, acima de tudo, que respeita o que ele é apesar de sua música.
Não tava muito empolgado mas me surpreendeu demais.
A Voz de Hind Rajab
4.2 123 Assista AgoraAcima de qualquer coisa, esse filme é um acontecimento. A mistura entre ficção e realidade a princípio me soou gratuita e sensacionalista demais, mas na reta final isso caiu por terra. É tão inacreditável tudo que acontece nessa guerra que parece ficção mesmo, algo criado.. tamanha crueldade e desprezo pela vida que os colonialistas de Israel possuem. E é igualmente inacreditável que isso tudo seja, também, real. Tudo um absurdo imensurável.
Sabemos que não existe humanidade quando crianças são vistas como se fossem qualquer coisa. Basta notar através de uma, com 6 anos, o quanto ela já sabia o que vivenciava. Nasceu, existiu e se foi experienciando uma guerra. Desolador e muito triste, pelo tema e pela forma como utiliza do jogo narrativo para entrelaçar a expressão artística e a realidade nua e crua. Vai ficar na cabeça por um bom tempo.
Marty Supreme
3.7 315 Assista AgoraPossui simplesmente a melhor cena de abertura que vejo em muito tempo. E o resto do filme faz jus à sua intro. Insano.
A 2000 Metros de Andriivka
3.5 5É menos panfletário e sectário que o seu filme anterior pois foca em uma abordagem que prioriza o sofrimento silencioso, sem o tom apelativo de Mariupol. Independente do lado que o espectador defenda ou da ideia sobre o conflito, é inegável que "A 2000 Metros de Andriivka" se preza a mostrar os horrores e a imbecilidade da guerra. Meninos mortos, vilas destruídas, uma história varrida pra debaixo do tapete.
Muito duro assistir tais cenas, o silêncio seguido pelo barulho das bombas e dos tiros, os corpos estirados ao chão… a destruição parece irreversível. Gostei mais da proposta desse do que do anterior e acho que a narração em off não funciona de uma forma eficiente, mas é um documento forte e interessante da vida levada ali no front, à beira do caos e da destruição.
A Única Saída
3.7 138 Assista AgoraEsse tom caricato e de humor escrachado não me convenceu nem um pouco (e olha que isso nunca foi problema pra mim). E pra piorar tudo ele tem um ritmo que beira o insuportável. É devagar, transita demais entre uma coisa e outra, dá mil voltas pra não chegar a lugar algum. Com meia hora a gente já sabe tudo e parece que o resto é totalmente desnecessário. Uma estrondosa decepção.
Broken Rage
3.1 3 Assista AgoraTakeshi Kitano e a reinvenção do seu cinema aos 80 anos. Inacreditável a forma como brinca com o espectador na quebra de expectativa, tanto na primeira quanto na segunda metade. Surpresa atrás de surpresa a cada filme que faz. Sou fã e está facilmente na minha prateleira alta de diretores favoritos.
A Grande Inundação
2.7 152 Assista AgoraQueimar a palma da mão com um ferro fervendo é menos doloroso do que assistir isso aqui.
Foi Apenas um Acidente
3.8 187 Assista AgoraO cinema de Panahi por si só já é gigantesco pois a coragem que esse homem possui, encarando de frente um regime que o oprime há muito tempo, transcende qualquer tipo de compreensão. Persona non grata no Irã e que continua cutucando, mexendo no enxame, criticando e expondo o autoritarismo arbitrário ao qual não só ele, mas também a população iraniana, estão fadados a encarar.
É um filme que coloca no cerne o contexto vivido pelo próprio Panahi; condenado no Irã, seria preso se voltasse. No filme, a tortura e os traumas vividos pelos personagens são a metáfora para a censura e a ameaça que Panahi vem sofrendo.
E os traumas, as cicatrizes que os personagens possuem, dão direção ao questionamento e ao dilema moral proposto. A dor e o sofrimento devem levar as vítimas a repetir os comportamentos de seus algozes? Não há respostas. O cinema de Panahi não procura essa resposta, ele busca apenas a reflexão.
Fato é que apesar de complexo, o ser humano não foge nunca de sua natureza. Se o mal é intrínseco, ele se manifesta de formas inimagináveis. Mas se a bondade também é parte do indivíduo, as suas ações caminham junto disso. É a famosa linha tênue… e para pender pra um lado ou outro, basta um pequeno gatilho.
Predators
2.8 10 Assista AgoraFica num limiar perigoso entre a denúncia, o retrato do horror e da perversidade daqueles crimes e a busca por uma espécie de humanização daqueles criminosos (ou monstros). Ao mesmo tempo em que expõe predadores sexuais cometendo seus atos vis, ele busca um entendimento sobre a psique humana, as causas, os motivos… é o tipo de filme que coloca o espectador num banco moral, como se fizesse parte de um júri em um julgamento.
E num tema extremamente delicado como esse, não se posicionar ao lado das vítimas seria um absurdo. Mas… do outro lado, apesar de tudo, ainda existe um… ser humano? Sinceramente, pra mim, é difícil criar qualquer tipo de compadecimento ou sentimento de pena em relação à quem cometeu tais atos. Estes que, diga-se de passagem, foram devidamente registrados.
E o programa é importante para isso. Mas até onde ele é importante? Até onde o sensacionalismo pode ir? Quando isso vira um circo e quando isso é devidamente colocado em pauta como um assunto necessário? Acho que o documentário tenta colocar em pé de igualdade vítima e agressor e descamba um pouco nessa questão. E o “To Catch a Predator” funciona como uma espécie de roteador para pessoas despejarem seu ódio e raiva, perpetuando um comportamento problemático. E o doc não consegue muito bem dosar os elementos e nem direcionar um ponto de vista necessariamente. Fica sempre a impressão que se isenta da responsabilidade, do posicionamento.
Ainda assim, é interessante o exercício proposto. E chocante tudo que acontece e da forma como acontece. De revirar o estômago.
Dracula
3.2 2O novo trabalho de Radu Jude é obsceno, vulgar, desconfortável e hilário num sentido muito positivo. Pra um diretor que não tem nenhum filtro em relação a qualquer assunto que seja, aqui ele extrapola todos os limites e entrega um recorte que trabalha no limiar entre o irônico e o sério. Dentro daquele universo de maluquices, o riso vem naturalmente através do absurdo, da recusa em estabelecer um nexo narrativo ou contextual. Jude não está preocupado em se explicar, ele só quer nos incomodar. Qual seria esse propósito?
Mas o incômodo NUNCA é gratuito. Vem sempre com um propósito. Qual seria esse propósito? Não sei.. mas o que sei é que esse romeno faz um cinema que tira qualquer um da zona de conforto. E isso é maravilhoso.
Yunan
3.0 1"Você será esquecido como se nunca tivesse existido"
Casa de Dinamite
2.9 178 Assista AgoraEssa construção do horror a partir do que não se enxerga possibilita um aumento significativo da tensão como direcional ao que se apresenta. É um filme municiado de adrenalina e estruturado em uma dinâmica que não mostra o resultante pois já sabemos qual o final daquilo tudo. E o ponto está nesse fator. Não é necessário mostrar, tudo que precisamos saber está nas ações e nas consequências dessas ações.
Bigelow tem controle e sabe onde quer chegar. E o filme, apesar de possuir uma quebra de expectativa, cumpre a proposta e quem a compra tem a imersão mais completa. Gostei bastante.
Malês
3.4 36 Assista AgoraÉ o famoso CATADO. Não há sustentação contextual que sobreviva a um desleixo estrutural e narrativo como esse aqui. A montagem é tão desastrosa que me deu até tontura. Filme zoado em todos os sentidos possíveis.
Soberano
3.2 16 Assista AgoraApesar de não cuidar tão bem das subtramas e consequentemente dos personagens inseridos ali, o filme encontra um equilíbrio quando foca no centro do comentário, evidenciando uma radicalização cega que leva a um fim inevitável e com consequências irreversíveis. É redondo e competente quando acerta o direcionamento.
O fanatismo como gatilho. Sofre quem não pediu pra viver o que se foi obrigado a viver. Jacob Tremblay e Nick Offerman estão muito bem.
Eddington
3.1 107Me agrada muito quando trata do assunto de forma satírica e bem humorada pois possui unidade fluida no argumento. É coeso e evidencia uma espécie de curiosidade em relação ao que vem a seguir. E o que vem a seguir me agrada também, a violência descambada e desenfreada causada pela instabilidade em um momento de incertezas. Porém a transição é um tanto porca e no fim tudo acaba sendo jogado num lugar desmotivado em relação ao cerne do longa, o que acaba desembocando numa conclusão tola, inerente ao que se apresentou até então. Fiquei um tanto decepcionado com a salada que o Ari Aster tentou aqui. E, apesar da intenção (que acho curiosa e me faz querer revisitar), soa um tanto vazia demais, pra mim.
Manas
4.2 136 Assista AgoraA violência escancarada de forma velada. Não há nada mais forte do que saber o que está acontecendo e vivenciar, através dos olhares, todo aquele horror. Bem forte. E como precisa ser.
Coração de Lutador: The Smashing Machine
3.0 132 Assista AgoraEsse é um dos projetos mais surpreendentes que já vi pois em hipótese alguma imaginaria alguém querendo contar a história do Mark Kerr assim. Acho que quem não conhece ou não está familiarizado com o mundo da luta não se interessaria ou não conseguiria entender o tamanho, a dimensão que a figura dele representou e representa para o esporte. Quando soube do filme, fiquei empolgado e ao mesmo tempo preocupado. A empolgação é por um motivo claro: sou fã do esporte e acompanhei, por muito tempo, ele evoluir. Peguei a reta final do Pride mas a figura do Mark Kerr sempre foi presente pra mim nos vídeos e nas histórias contadas pelo meu pai e tio. Que ele e Mark Coleman eram os maiores, os mais temidos. Então a empolgação era altíssima.
A preocupação veio porque filmes desse tipo, que analisam seres humanos complexos em seus comportamentos e o ambiente que os cerca, costumam tangenciar as escolhas e o desenvolvimento do que se busca abordar como centro. Então havia muito pé atrás da minha parte em relação a isso. As duas coisas acabaram se mostrando reais, na minha experiência com o filme. Me empolgou bastante mas também vi muitos direcionamentos equivocados.
Poder ver tantos lutadores que admiro atuarem tão bem nos papéis dos caras daquela época é algo surreal. E o elenco inteiro está ótimo, do Coleman de Ryan Bader ao Vovchanchyn de Usyk. Mas é o casal que rouba a cena. Dwayne Johnson está inspirado e emula o Kerr de uma forma interessantíssima. Contido, como o lutador sempre foi, mas poderoso. E Emily Blunt faz um esforço estrondoso pra solidificar aquele acontecimentos. Então nesse aspecto as coisas funcionam muito.
O maior problema, ao meu ver, é que falta pujança. É um filme que não empolga, não extrapola a emoção, não atinge o ápice em nada e isso é primordial pra construção da imagem dele e do mundo em que ele estava inserido. Realmente senti muita falta das cenas marcantes, da tensão, dos conflitos mais acalorados… tal qual o tema e a vida dele requeriam. Falta peso, contundência. É desses que precisa de qualquer forma ser mais forte, incisivo.. e nada aqui consegue ser. As brigas e os conflitos entre esposa e marido evidenciam essa falta de força. A narrativa é um pouco espaçada e prematura no desenvolvimento.
Mesmo assim, olhando no geral, no resultado total, é um filme que consegue sustentar um certo grau de eficiência pois é tudo muito interessante. Nos importamos com eles e é isso que importa num retrato sobre a pessoa.
Queria que o filme fosse maior, mais à altura do Kerr, mas fico feliz que tenham homenageado um homem tão importante para o esporte ainda em vida. É uma história de superação, perseverança, sobrevivência. De quem lutou as mais difíceis batalhas, e nem estou falando das que travou dentro do ringue. E que superou todas as adversidades que se apresentaram. "The Smashing Machine" é a historia sobre um dos grandes pilares do mundo do MMA e do vale tudo. Uma digna reverência.
Ladrões
3.4 205 Assista AgoraAronofsky emulando Guy Ritchie? Temos.
O Dia Que Te Conheci
3.6 48Um belo e delicado recorte sobre uma sociedade adoecida. Pelo trabalho, pela rotina, pela enfermidade física e psicológica. Pessoas que se encontram ao acaso e que dividem um mesmo problema, num mesmo sistema, pelos mesmos motivos. É o retrato da vida brasileira… e ainda sobra um tempo pra se conectar e através do acaso, criar vínculos que se transpassam ao cotidiano. Bonito filme
Oh, Canadá
2.5 14 Assista AgoraCarece absurdamente de ritmo e tom, e é muito descompassado narrativamente. Os flashbacks não funcionam e a história em si é bem insossa e sem graça. Não criamos vínculo com nenhum personagem e nenhuma trajetória apresentada.
É um filme oco. Vazio no sentido e no sentimento, algo que me surpreende vindo do cinema de Paul Schrader.
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraÉ o tipo de filme que possui escolhas muito acertadas principalmente no que tange o mistério todo, que é o cerne aqui. Os flashbacks funcionam bem, puxam o espectador a se posicionar perante os acontecimentos e a colocação de cada personagem é pontual, levando a narrativa a tomar um caminho fluido e sem enrolação. Tudo parecia muito bem estabelecido. Narrativa, argumento, transição naquele vai e volta… mas é quando tudo fica muito evidente e escancarado que o filme perde o brilho. A magia vai embora e só sobra uma conclusão apressada e pouco interessada em fechar as pontas que estão bem soltas.
Tem cenas incríveis e sinto que isso foi extremamente mal disposto no longa quando olho pro resultado geral.
Uma pena que um filme com tanto potencial tenha caído naquele lugar em que tudo precisa ser explicado ou acelerado. 2h pra desenvolver uma ideia pra no fim simplesmente abdicar do que realmente parecia importar. É desses filmes que possuem uma magia, uma energia peculiar.. só que as escolhas que no início eram acertadas, se transformaram, ao final, o calvário do mesmo. Esperava bem mais.