Após mais de 18 anos vendo e revendo essa filmografia, hoje se tornou meu filme favorito do Lynch. Com 33 anos, bateu de um modo diferente a riqueza incomparável desse filme, mesmo em relação aos antecessores dessa trilogia. Que o grande público repudie um filme como esse é esperado, mas que os próprios fãs o desprezem é revoltante pra mim.
Gostei bem mais ao rever. Se não levar muito a sério e levar na boa o trash estilo MacGyver, é bem divertido. A dualidade do protagonista é muito interessante e o ator fantástico.
Pensei que ia ser um trash estilo Megan, mas me surpreendeu como um filme bastante sensível, com momentos bastante tocantes. Me pareceu uma versão violenta e enérgica de Boneca Inflável, do Hirokazu Koreeda.
A estrutura do roteiro me lembrou muito Stephen King, e o conteúdo, Neil Gaiman. Um enredo básico, que facilmente se tornaria um terror banal, mas nas mãos desse diretor e roteirista virou algo muito interessante e até denso. Mais que se ater à trama principal, ele te deixa curioso sobre a vida de cada habitante daquela cidade, a qual por si só se torna também um personagem. E no fim, acaba entregando um retrato bastante pesado até da complexidade da vivência de uma criança abusada, com todo seu pânico e medo até de quem poderia ajudá-la.
A caracterização camp da antagonista é inesquecível. Expressa bem a essência desse terror que não se preocupa com rótulo, nem se leva a sério, valorizando ainda mais o que despretensiosamente ele tem de denso.
Um retrato profundamente real do desejo em todo seu esplendor criativo e destruidor.
Tenho consciência dos excessos problemáticos do filme, mas confesso que até isso para mim enriquece seu senso de verdade, de perigo real que ronda cada frame. O filme tem uma qualidade muito rara que é de verdadeiramente perturbar ao mesmo tempo que te faz gargalhar, questionando a ambiguidade empática e sádica do próprio espectador.
Destaque para o personagem que começa tímido e frígido e termina além do limite da mania e perversão, o personagem que passa o filme inteiro aprisionado gargalhando, e o inspetor que diante de sua impotência diante do ser humano passa a policiar árvores.
Herzog é realmente um diretor ímpar. Um artista de verdade e da verdade.
Uma das expressões mais radicais de liberdade em toda a arte. Terminei o filme sentindo vontade de sair por aí fazendo o que desse na telha.
A manipulação do espaço entre os cortes é fantástica, a sincronia da sonorização com os movimentos, a colagem de imagens entremeadas nas cenas, a alternância de cores na fotografia, fantástico.
A Substância me faz querer vomitar, chorar e rir ao mesmo tempo, mas principalmente chorar. Sinto profunda compaixão diante do sofrimento da protagonista.
Uma obra de arte pós-moderna sem amarras a qualquer convenção. Coralie Fargeat atinge o cume da perfeição e se joga lá do alto - dando um foda-se aos padrões estéticos, e vomitando no público e na academia - se tornando assim perfeito de fato.
A psicologia dos selfs é duplamente a mais perfeita representação do samsara, o ciclo dos renascimentos nas doutrinas indianas, e da drogadicção. Me emocionei, gargalhei, senti nojo, raiva, compaixão. A referência a Vertigo, de Hitchcock, me fez chorar.
O final iconoclasta, a grande polêmica do filme, homenagem ao cinema trash, é para mim a única conclusão possível de uma obra que critica a rendição à conformidade: uma cereja aberrante lambuzando de sangue e pus uma estética até então apaixonantemente simétrica, quase irritante. Defendo que, após provar seu refinamento técnico, A Substância não poderia não ter um final grotesco e disforme sem trair a si mesmo. Uma ode à liberdade de ser desviante, um dedo no meio bem grande na cara de qualquer expectativa.
Vejo opiniões reducionistas sobre esse filme. Eu particularmente não consigo ver uma moral tão clara de herói e vilão aqui, sobretudo no conjunto da filmografia do diretor, sempre tão crítica da burguesia. Não me parece que Buñuel acreditasse que um pedaço de pão e umas Ave Marias curassem toda uma vida de brutalidade e desgraçamento mental na qual vivem os miseráveis.
É um quadro de situações que leva uma personagem de mente plana a perceber as complexidades da vida fora dos muros do convento, se entregando no fim às ambiguidades e contradições dos próprios desejos.
Viridiana não é nenhuma santinha coitada. Vejo sua jornada também como libertação de sua própria mediocridade e auto-idealização hipócrita.
É uma narrativa bastante elíptica. Pode-se apreciar melhor já conhecendo de antemão o mito. A aridez dos grandes planos e da trilha sonora nos transportam para uma antiguidade mítica e a atuação de Callas nos faz sofrer de pensar no quanto perdemos por ela não ter feito mais cinema.
Alguém precisa salvar o Shyamalan de si próprio. O cara é brilhante, não tenho dúvida, mas precisa de alguém pra polir as mil ideias malucas dele. O mote do filme é excelente, mas é tanta invenção, que fica totalmente implausível.
Império dos Sonhos
3.8 441Após mais de 18 anos vendo e revendo essa filmografia, hoje se tornou meu filme favorito do Lynch. Com 33 anos, bateu de um modo diferente a riqueza incomparável desse filme, mesmo em relação aos antecessores dessa trilogia. Que o grande público repudie um filme como esse é esperado, mas que os próprios fãs o desprezem é revoltante pra mim.
Armadilha
2.7 870 Assista AgoraGostei bem mais ao rever. Se não levar muito a sério e levar na boa o trash estilo MacGyver, é bem divertido. A dualidade do protagonista é muito interessante e o ator fantástico.
A Meia-Irmã Feia
3.8 428 Assista Agora"O que importa é o que você tem por dentro."
Skyscraper Live
3.7 3 Assista AgoraQue agoniaaa
Acompanhante Perfeita
3.4 563 Assista AgoraPensei que ia ser um trash estilo Megan, mas me surpreendeu como um filme bastante sensível, com momentos bastante tocantes. Me pareceu uma versão violenta e enérgica de Boneca Inflável, do Hirokazu Koreeda.
A Hora do Vampiro
2.7 254 Assista AgoraGostei da atmosfera, mas não aprofunda nos personagens como no livro.
Invocação do Mal 4: O Último Ritual
3.0 466 Assista AgoraCoitada da Vera Farmiga ter que se submeter a isso.
Bugonia
3.6 430 Assista AgoraO que dizer desse filme que ainda nem vi mas já amo.
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraA estrutura do roteiro me lembrou muito Stephen King, e o conteúdo, Neil Gaiman. Um enredo básico, que facilmente se tornaria um terror banal, mas nas mãos desse diretor e roteirista virou algo muito interessante e até denso. Mais que se ater à trama principal, ele te deixa curioso sobre a vida de cada habitante daquela cidade, a qual por si só se torna também um personagem. E no fim, acaba entregando um retrato bastante pesado até da complexidade da vivência de uma criança abusada, com todo seu pânico e medo até de quem poderia ajudá-la.
A caracterização camp da antagonista é inesquecível. Expressa bem a essência desse terror que não se preocupa com rótulo, nem se leva a sério, valorizando ainda mais o que despretensiosamente ele tem de denso.
Os Anões Também Começaram Pequenos
3.5 40Um retrato profundamente real do desejo em todo seu esplendor criativo e destruidor.
Tenho consciência dos excessos problemáticos do filme, mas confesso que até isso para mim enriquece seu senso de verdade, de perigo real que ronda cada frame. O filme tem uma qualidade muito rara que é de verdadeiramente perturbar ao mesmo tempo que te faz gargalhar, questionando a ambiguidade empática e sádica do próprio espectador.
Destaque para o personagem que começa tímido e frígido e termina além do limite da mania e perversão, o personagem que passa o filme inteiro aprisionado gargalhando, e o inspetor que diante de sua impotência diante do ser humano passa a policiar árvores.
Herzog é realmente um diretor ímpar. Um artista de verdade e da verdade.
Bramayugam
3.6 28E enquanto as castas superiores lutam pra manter seu poder de opressão sobre as inferiores, os colonizadores europeus vêm e tocam o terror geral.
As Pequenas Margaridas
4.2 278Uma das expressões mais radicais de liberdade em toda a arte. Terminei o filme sentindo vontade de sair por aí fazendo o que desse na telha.
A manipulação do espaço entre os cortes é fantástica, a sincronia da sonorização com os movimentos, a colagem de imagens entremeadas nas cenas, a alternância de cores na fotografia, fantástico.
Satyricon de Fellini
3.8 151 Assista AgoraÉ um filme que vai te levando em seu labirinto surreal. Ou você se entrega e se perde nele, ou se frustra.
Tenet
3.4 1,3KNão entendi nada, mas gostei.
Interestelar
4.4 5,8K Assista AgoraUma experiência verdadeiramente divina ver esta obra no IMAX. Por um momento acreditei que estava realmente num foguete nos confins do universo.
Os 7 Gatinhos
3.2 179É uma pornochanchada, mas ainda assim uma das melhores adaptações que já vi de Nelson pro cinema.
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraA Substância me faz querer vomitar, chorar e rir ao mesmo tempo, mas principalmente chorar. Sinto profunda compaixão diante do sofrimento da protagonista.
O Poço 2
2.4 339 Assista AgoraAs crianças estão sempre sendo salvas para depois novamente descerem pelo poço onde se tornarão os prisioneiros de amanhã.
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraUma obra de arte pós-moderna sem amarras a qualquer convenção. Coralie Fargeat atinge o cume da perfeição e se joga lá do alto - dando um foda-se aos padrões estéticos, e vomitando no público e na academia - se tornando assim perfeito de fato.
A psicologia dos selfs é duplamente a mais perfeita representação do samsara, o ciclo dos renascimentos nas doutrinas indianas, e da drogadicção. Me emocionei, gargalhei, senti nojo, raiva, compaixão. A referência a Vertigo, de Hitchcock, me fez chorar.
O final iconoclasta, a grande polêmica do filme, homenagem ao cinema trash, é para mim a única conclusão possível de uma obra que critica a rendição à conformidade: uma cereja aberrante lambuzando de sangue e pus uma estética até então apaixonantemente simétrica, quase irritante. Defendo que, após provar seu refinamento técnico, A Substância não poderia não ter um final grotesco e disforme sem trair a si mesmo. Uma ode à liberdade de ser desviante, um dedo no meio bem grande na cara de qualquer expectativa.
"Ela poderia ter peitos no lugar da cara."
Viridiana
4.2 143Vejo opiniões reducionistas sobre esse filme. Eu particularmente não consigo ver uma moral tão clara de herói e vilão aqui, sobretudo no conjunto da filmografia do diretor, sempre tão crítica da burguesia. Não me parece que Buñuel acreditasse que um pedaço de pão e umas Ave Marias curassem toda uma vida de brutalidade e desgraçamento mental na qual vivem os miseráveis.
É um quadro de situações que leva uma personagem de mente plana a perceber as complexidades da vida fora dos muros do convento, se entregando no fim às ambiguidades e contradições dos próprios desejos.
Viridiana não é nenhuma santinha coitada. Vejo sua jornada também como libertação de sua própria mediocridade e auto-idealização hipócrita.
Álbum de Família
2.3 9Esse Nonô tá muito angelicalzinho estilo elenco de Malhação pra alguém que vive como um selvagem.
Medéia, A Feiticeira do Amor
3.7 41É uma narrativa bastante elíptica. Pode-se apreciar melhor já conhecendo de antemão o mito. A aridez dos grandes planos e da trilha sonora nos transportam para uma antiguidade mítica e a atuação de Callas nos faz sofrer de pensar no quanto perdemos por ela não ter feito mais cinema.
Armadilha
2.7 870 Assista AgoraAlguém precisa salvar o Shyamalan de si próprio. O cara é brilhante, não tenho dúvida, mas precisa de alguém pra polir as mil ideias malucas dele. O mote do filme é excelente, mas é tanta invenção, que fica totalmente implausível.
Entrevista com o Demônio
3.4 770 Assista AgoraA premissa e o formato foram muito interessantes, mas o desenvolvimento e o final decepcionaram bastante.