Kurosawa conseguiu ser original mesmo adaptando o roteiro. Macbeth é minha peça favorita do Bardo e já assisti praticamente todos os filmes que a adaptaram. Embora ainda prefira a versão do Orson Welles, não tem como essa não estar em um lugar especial. Pra quem gosta de cinema, só a cena das flechas (morte de Washizu) já vale o filme inteiro.
Quando se ver a capa, o trailer e talvez até a sinopse, a primeira coisa que geralmente vem à cabeça é um filme com um suspense e drama pesados, quando na verdade o humor toma conta do filme quase inteiro. Que aula de atuação do Laughton, faz parecer ser fácil atuar. O Plot Twist é excelente. Zero defeitos pra esse filmaço, que está entre meus preferidos do Wilder. Aliás, se tivesse que apontar algum defeito seria o jeito meio exagerado das atuações da Marlene Dietrich, não me incomoda a ponto de desgostar do filme, mas é algo estranho.
O trailer me enganou, achei que seria engraçado como os anteriores (ou pelo menos a maioria dos anteriores). Não acho o humor datado, zoar tudo e todos nunca vai ser datado, só que aqui não funcionou mesmo. Talvez eu é quem esteja ficando veio e mais rigoroso com aquilo que me faz rir.
Lançado três anos depois da impecável versão do Visconti, essa é uma adaptação bem mais fiel ao livro. Uma versão mais teatralizada do que a versão do italiano. O foco aqui é manter o mais fiel possível ao texto do Dostoievski, e nisso essa versão foi realmente perfeita: manteve a essência de tudo que importa e conseguiu adaptar satisfatoriamente para as telas aquilo que, tomada na integralidade, só fica bem no texto, como o longo monólogo do sonhador que no livro é genial mas na tela seria bastante tedioso e, por isso mesmo, foi corretamente encurtado. Embora a versão do Visconti seja uma aula de cinema, esse aqui me agrada tanto quanto ela e o final desse aqui, embora exatamente igual ao do Visconti ( e ambos iguais ao livro), me emocionou um pouco mais. Filmaço!
A adaptação pode desagradar os mais apegados ao livro, mas acredito que o fato de não ser tão fiel à história original dê um charme especial ao filme. Visconti conseguiu transpor bem a atmosfera das noites de verão de São Petersburgo para a noite (escura ao invés de "branca") de Livorno. Temos aqui uma fotografia impecável, atuações também bastante agradáveis e a direção é show como sempre quando se trata do Visconti. Filmaço!
Baita noir. Legal que no começo você meio que tem certeza que a identidade do assassino é óbvia, mas, como acontece com os personagens, vai duvidando cada vez mais, ao longo do filme, devido o comportamento do Dixon. No fim o óbvio se sobrepõe, mas, tanto pra história quanto pro espectador, a identidade do assassino nem tem mais relevância. Excelente roteiro, direção e atuações.
Um dos meus noir favoritos. Aqui todo mundo tem alguma característica entranhada que os fazem tomarem decisões horríveis. Johnny é demasiado narcisista e orgulhoso, além de preguiçoso e boa vida, características essenciais para qualquer explorador de mulheres. Kitty e Chris sofrem dos mesmos males: frustação, medo da solidão e a busca desesperada por um amor que o corresponda, características que, aliás, cegam a ambos, e os nivelam, pois ambos são humilhados e ofendidos com a mesma intensidade, a única diferença é que a Kitty não se importa em ser humilhada, já o Chris nem percebe sua humilhação. É engraçado como o Chris Cross vai me dando pena por ele ser feito de idiota facilmente e ao mesmo tempo raiva pela facilidade com que ele se deixa ser feito de idiota. Pior que é uma situação muito comum e fácil de se ver por aí no mundo real. No geral, o roteiro e direção são impecáveis e as atuações são boas também, mas só o Edward G. Robinson, como sempre, tem um destaque nesse quesito (baita atuação), os outros algumas vezes soam demasiados caricatos, embora no geral mandem bem também. E o final é excelente justamente por não ficar restrito ao clichê esperado pra situações como essa.
Mais um filmaço do De Sica, se fosse ranqueá-lo, ainda o colocaria abaixo de Ladrões de Bicicleta e Umberto D, mas não deixa a dever nada em relação à qualidade que os outros dois naturalmente impõem.
A velhice e suas inerentes dificuldades é um dos meus temas favoritos pra filmes, pela emoção e reflexão que provocam em relação a nossos próprios velhinhos e também com nossa futura velhice. Não à toa o filme A Cruz dos Anos do Leo McCarey (que sem dúvida serviu de inspiração aqui) é um dos meus filmes favoritos de sempre. Aqui Ozu usa todo o seu talento e habilidade de tornar o simples em algo genial; trata-se de um filme belíssimo para se ver e rever sem a pressa que os filmes atuais, cada vez mais, demandam. A frase do Shukishi: "Talvez os dias fiquem mais longos, agora que estou sozinho" tem o mesmo poder de emocionar que a dita pelo Barkley pra sua esposa Lucy enquanto eram obrigados a se separarem em A Cruz dos Anos: " Se por acaso eu não a vir mais... Foi um prazer conhecê-la, Srta. Breckenridge".
Quando alguém achar que pra que a fotografia de um filme seja bonita é necessário muitas cores, mostre esse filme. Que espetáculo foi feito usando apenas luz e sombra. O roteiro é propositalmente simples e alegórico, o que não diminui em nada a qualidade do filme. Acho a direção do Laughton e a atuação do Robert Mitchum muito boas. A cena do corpo no fundo da lagoa é impecável. Filmaço!
Assisti uns 10 anos atrás e reassisti hoje. Ainda acho um ótimo filme, mas me marcou menos do que da primeira vez, talvez por já conhecer o enredo e desfecho. De toda forma, acho que agrada tanto pra quem gosta do Elvis (meu caso) quanto pra quem não gosta. Tudo é muito simples: roteiro, atuações, direção, mas tudo muito bem feito. Interessante que parece que os Argentinos têm uma fórmula própria que os tornam capazes de dar esse toque hollywoodiano aos seus filmes sem perder suas próprias características e estilo, pegando o melhor dos dois mundos, coisa que os brasileiros, em sua maioria, para o bem e para o mal, ainda não conseguem fazer.
Mesmo com algumas falhas de roteiro, o que parece não ter sido uma real preocupação, eis um bom filme e uma grata surpresa. A ideia foi muito bem executada, sobretudo levando em conta que tudo foi feito de modo simples pros padrões atuais. A direção é boa e a compreensão do filme tinha tudo pra ser difícil mas é até relativamente fácil. E quando o final se encaminhava para o cliché de quase todos os filmes de viagem no tempo, ele se revela bem mais interessante. Gostei bastante.
Demorei pra assisti-lo e me arrependi de não tê-lo assistido antes. Tenho feito uma sequência de filmes que tem como principal ou secundário o tema da velhice e suas inerentes dificuldades. Esse aqui trata o tema com beleza e leveza, não é tão pesado e intenso como "Amor" do Haneke, mas igualmente grande filme.
A Ponte do Rio Kwai
4.1 213 Assista AgoraFilmaço que reafirma o David Lean como uma dos maiores da história.
Trono Manchado de Sangue
4.4 123 Assista AgoraKurosawa conseguiu ser original mesmo adaptando o roteiro. Macbeth é minha peça favorita do Bardo e já assisti praticamente todos os filmes que a adaptaram. Embora ainda prefira a versão do Orson Welles, não tem como essa não estar em um lugar especial. Pra quem gosta de cinema, só a cena das flechas (morte de Washizu) já vale o filme inteiro.
Testemunha de Acusação
4.5 384 Assista AgoraQuando se ver a capa, o trailer e talvez até a sinopse, a primeira coisa que geralmente vem à cabeça é um filme com um suspense e drama pesados, quando na verdade o humor toma conta do filme quase inteiro. Que aula de atuação do Laughton, faz parecer ser fácil atuar. O Plot Twist é excelente. Zero defeitos pra esse filmaço, que está entre meus preferidos do Wilder. Aliás, se tivesse que apontar algum defeito seria o jeito meio exagerado das atuações da Marlene Dietrich, não me incomoda a ponto de desgostar do filme, mas é algo estranho.
O Galante Mr. Deeds
4.0 70Mais uma boa comédia do Capra, nada extraordinário mas tudo bem feito.
Divórcio à Italiana
4.0 24Comédia tipicamente italiana e muito divertida. Mesmo quando extremamente caricato, é díficil não gostar das atuações do Mastroianni.
Todo Mundo em Pânico
2.6 356O trailer me enganou, achei que seria engraçado como os anteriores (ou pelo menos a maioria dos anteriores). Não acho o humor datado, zoar tudo e todos nunca vai ser datado, só que aqui não funcionou mesmo. Talvez eu é quem esteja ficando veio e mais rigoroso com aquilo que me faz rir.
Laura
4.1 147 Assista AgoraÓtimo noir, com uma bela fotografia e excelente roteiro.
Os Amantes Crucificados
4.4 18 Assista AgoraExcelente filme, incrível como é fácil cair numa espiral de acontecimentos ruins, mesmo que você não tenha culpa nenhuma.
Maldição
3.9 29 Assista AgoraNão chega a ser um "Almas Perversas" mas é mais um bom filme do Fritz Lang. O final apressado decepciona um pouco mas não chega a estragar o filme.
Noites Brancas
4.0 5Lançado três anos depois da impecável versão do Visconti, essa é uma adaptação bem mais fiel ao livro. Uma versão mais teatralizada do que a versão do italiano. O foco aqui é manter o mais fiel possível ao texto do Dostoievski, e nisso essa versão foi realmente perfeita: manteve a essência de tudo que importa e conseguiu adaptar satisfatoriamente para as telas aquilo que, tomada na integralidade, só fica bem no texto, como o longo monólogo do sonhador que no livro é genial mas na tela seria bastante tedioso e, por isso mesmo, foi corretamente encurtado. Embora a versão do Visconti seja uma aula de cinema, esse aqui me agrada tanto quanto ela e o final desse aqui, embora exatamente igual ao do Visconti ( e ambos iguais ao livro), me emocionou um pouco mais. Filmaço!
Noites Brancas
4.0 65A adaptação pode desagradar os mais apegados ao livro, mas acredito que o fato de não ser tão fiel à história original dê um charme especial ao filme. Visconti conseguiu transpor bem a atmosfera das noites de verão de São Petersburgo para a noite (escura ao invés de "branca") de Livorno. Temos aqui uma fotografia impecável, atuações também bastante agradáveis e a direção é show como sempre quando se trata do Visconti. Filmaço!
No Silêncio da Noite
4.1 90 Assista AgoraBaita noir. Legal que no começo você meio que tem certeza que a identidade do assassino é óbvia, mas, como acontece com os personagens, vai duvidando cada vez mais, ao longo do filme, devido o comportamento do Dixon. No fim o óbvio se sobrepõe, mas, tanto pra história quanto pro espectador, a identidade do assassino nem tem mais relevância. Excelente roteiro, direção e atuações.
Almas Perversas
4.1 86 Assista AgoraUm dos meus noir favoritos. Aqui todo mundo tem alguma característica entranhada que os fazem tomarem decisões horríveis. Johnny é demasiado narcisista e orgulhoso, além de preguiçoso e boa vida, características essenciais para qualquer explorador de mulheres. Kitty e Chris sofrem dos mesmos males: frustação, medo da solidão e a busca desesperada por um amor que o corresponda, características que, aliás, cegam a ambos, e os nivelam, pois ambos são humilhados e ofendidos com a mesma intensidade, a única diferença é que a Kitty não se importa em ser humilhada, já o Chris nem percebe sua humilhação. É engraçado como o Chris Cross vai me dando pena por ele ser feito de idiota facilmente e ao mesmo tempo raiva pela facilidade com que ele se deixa ser feito de idiota. Pior que é uma situação muito comum e fácil de se ver por aí no mundo real. No geral, o roteiro e direção são impecáveis e as atuações são boas também, mas só o Edward G. Robinson, como sempre, tem um destaque nesse quesito (baita atuação), os outros algumas vezes soam demasiados caricatos, embora no geral mandem bem também. E o final é excelente justamente por não ficar restrito ao clichê esperado pra situações como essa.
Jejum de Amor
3.9 98 Assista AgoraDiálogo rápidos, inteligentes e divertidos, e as atuações impecáveis da dupla Grant e Russell abrilhantam essa ótima comédia.
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraAgora que a cerimônia acabou podem admitir sem temor: o filme é bem fraquinho.
Vítimas da Tormenta
4.4 49Mais um filmaço do De Sica, se fosse ranqueá-lo, ainda o colocaria abaixo de Ladrões de Bicicleta e Umberto D, mas não deixa a dever nada em relação à qualidade que os outros dois naturalmente impõem.
Era uma Vez em Tóquio
4.4 200 Assista AgoraA velhice e suas inerentes dificuldades é um dos meus temas favoritos pra filmes, pela emoção e reflexão que provocam em relação a nossos próprios velhinhos e também com nossa futura velhice. Não à toa o filme A Cruz dos Anos do Leo McCarey (que sem dúvida serviu de inspiração aqui) é um dos meus filmes favoritos de sempre. Aqui Ozu usa todo o seu talento e habilidade de tornar o simples em algo genial; trata-se de um filme belíssimo para se ver e rever sem a pressa que os filmes atuais, cada vez mais, demandam. A frase do Shukishi: "Talvez os dias fiquem mais longos, agora que estou sozinho" tem o mesmo poder de emocionar que a dita pelo Barkley pra sua esposa Lucy enquanto eram obrigados a se separarem em A Cruz dos Anos: " Se por acaso eu não a vir mais... Foi um prazer conhecê-la, Srta. Breckenridge".
Marty
3.9 72 Assista AgoraApesar do final apressado, é um ótimo filme. Roteiro, cenário, fotografia, atuações, tudo feito com simplicidade mas muito bem executados.
O Mensageiro do Diabo
4.1 301 Assista AgoraQuando alguém achar que pra que a fotografia de um filme seja bonita é necessário muitas cores, mostre esse filme. Que espetáculo foi feito usando apenas luz e sombra. O roteiro é propositalmente simples e alegórico, o que não diminui em nada a qualidade do filme. Acho a direção do Laughton e a atuação do Robert Mitchum muito boas. A cena do corpo no fundo da lagoa é impecável. Filmaço!
O Último Elvis
3.7 79Assisti uns 10 anos atrás e reassisti hoje. Ainda acho um ótimo filme, mas me marcou menos do que da primeira vez, talvez por já conhecer o enredo e desfecho. De toda forma, acho que agrada tanto pra quem gosta do Elvis (meu caso) quanto pra quem não gosta. Tudo é muito simples: roteiro, atuações, direção, mas tudo muito bem feito. Interessante que parece que os Argentinos têm uma fórmula própria que os tornam capazes de dar esse toque hollywoodiano aos seus filmes sem perder suas próprias características e estilo, pegando o melhor dos dois mundos, coisa que os brasileiros, em sua maioria, para o bem e para o mal, ainda não conseguem fazer.
A Máquina do Tempo
3.4 15Mesmo com algumas falhas de roteiro, o que parece não ter sido uma real preocupação, eis um bom filme e uma grata surpresa. A ideia foi muito bem executada, sobretudo levando em conta que tudo foi feito de modo simples pros padrões atuais. A direção é boa e a compreensão do filme tinha tudo pra ser difícil mas é até relativamente fácil. E quando o final se encaminhava para o cliché de quase todos os filmes de viagem no tempo, ele se revela bem mais interessante. Gostei bastante.
Vá e Veja
4.5 809Um resumo da humanidade: O horror! O horror!
Melhor filme de guerra já feito.
Amor
4.2 2,2K Assista AgoraIntenso, pesado e dramático. A velhice é um mal terrível que só o amor pode atenuá-lo. Filmaço pra ver e rever. Aula de cinema e atuação.
O Filho da Noiva
4.1 300Demorei pra assisti-lo e me arrependi de não tê-lo assistido antes. Tenho feito uma sequência de filmes que tem como principal ou secundário o tema da velhice e suas inerentes dificuldades. Esse aqui trata o tema com beleza e leveza, não é tão pesado e intenso como "Amor" do Haneke, mas igualmente grande filme.