comecei a assistir esse filme de madrugada. precisei interromper e deixar para a manhã seguinte, caso contrário, teria me consumido inteira de tanto chorar. é um filme feito de pausas, de olhares que não sabem pedir desculpas, de diálogos truncados que dizem mais pelo que não é dito. e tem uma coisa quase irônica na relação entre nora e o pai: eles são dolorosamente parecidos. na maneira contida de sentir, na dificuldade de se vulnerabilizar, no orgulho que vira muro e na solidão que pesa tanto. e talvez o filme seja sobre isso, sobre o desconforto de perceber que carregamos traços de quem nos feriu. sobre negar essa semelhança até entender que nossos pais são humanos, falhos, frágeis. e que, gostando ou não, somos feitos dessas heranças também. pra mim, foi um filme sobre luto. mas não só pela mãe. foi sobre o luto da infância que não se teve, do pai que não foi, e da versão idealizada que precisamos deixar morrer para enxergar o que é real.
a atuação do jaffar está macabra e impecável, a julia também foi incrível. me incomodei com alguns furos de roteiro e o ritmo um pouco corrido antes da resolução da história. tive muita dificuldade em odiar o téo em alguns momentos por ser apaixonada pelo ator. mas, ainda assim, senti revolta, raiva, pavor e tudo de pior pelo personagem. as produções da globoplay estão entregando muita qualidade ultimamente.
este é um filme que respira silêncio, desconforto e desejo contido. e eu fiquei fascinada pela atmosfera minimalista e profundamente intimista, onde quase tudo acontece nas pausas, nos olhares e nas confissões sussurradas. o james spader é obviamente o coração estranho e fascinante dessa experiência. fico hipnotizada quando ele está em cena, principalmente fazendo personagens excêntricos e eroticamente deslocados. seu personagem, graham, não seduz pelo toque, mas pela escuta; não pelo corpo, mas pela palavra. e o james transforma a repressão em magnetismo, e o constrangimento em uma forma inusitada de erotismo. ele faz do silêncio um gesto sensual, e da vulnerabilidade um território perigoso. a atmosfera do filme é melancólica, quase claustrofóbica. poucos cenários, diálogos longos, uma câmera discreta que observa sem julgamentos. tudo parece propositalmente despido, como se o filme recusasse qualquer excesso para obrigar o espectador a encarar o essencial: a dificuldade brutal que temos de sermos honestos sobre o que desejamos, sentimos e escondemos. é um filme que não provoca pelo escândalo, mas pela introspecção. um retrato delicado e perturbador da solidão moderna, onde o erotismo nasce menos do corpo e mais da confissão.
esse filme me conquistou demais, não só pela trama em si, mas pela sua atmosfera também. toda a ambientação, a fotografia e a presença tão marcante de cores, luzes e sombras criam um clima envolvente que sustenta o filme do início ao fim. craig entrega mais uma vez um protagonista sólido e cativante, mas é o josh o’connor quem rouba a cena pra mim. sua presença magnética e a química entre os dois atores elevam a narrativa e tornam a dinâmica central extremamente envolvente. o filme transita com naturalidade entre momentos de humor afiado e outros surpreendentemente sensíveis, o que dá humanidade à história. a revelação do mistério foi um pouco confusa pra mim, mas não chega a comprometer a experiência.
p.s.: dei um gritinho quando o andrew scott aparece, apesar de seu personagem não exercer grande destaque na história. na verdade, todo o elenco é simplesmente maravilhoso.
uma mulher livre e segura de si incomoda muita gente, majoritariamente os homens. ângela diniz foi considerada uma mulher provocativa, alguém que “atiçava” os homens, como se a autonomia feminina fosse um convite, como se existir com intensidade fosse uma afronta. mas uma mulher assim não provoca por simplesmente querer provocar. ela provoca porque não se diminui, não se esconde, não pede desculpas por ocupar espaço. ela provoca porque existe inteira. e o problema nunca foi o comportamento dela, mas o desconforto desses homens diante de uma mulher que não cabe nas expectativas, nem aceita o papel que lhe foi imposto. chamar isso de provocação nada mais é do que uma forma muito conveniente de justificar a violência, e silenciar mulheres que ousam ser livres.
na maior parte do tempo, o filme se torna mais divertido do que tenso. o romance e a tensão sexual são tão exagerados que beiram o caricato, rendendo momentos quase cômicos (na verdade, bem cômicos, porque o que mais escutei na minha sessão foram risadas). quando a história muda de tom, o suspense funciona, mesmo com um toque meio tosco. a adaptação é fiel, porém acrescenta uma coisa ou outra que acho até que traz um charme para a história. destaque absoluto para amanda, que entrega a melhor presença do filme, intensa, magnética e perturbadora na medida certa. sydney sweeney faz o que sabe fazer: presença, sensualidade e charme. no fim, esse filme não reinventa nada, mas diverte, sendo involuntariamente (ou não) engraçado.
esse aqui acabou comigo. passei a primeira parte do filme esperando pela desgraça acontecer na vida desse homem. e ao final, só fiz chorar. lindo demais.
que filme visceral e desconfortável, poético sem ser delicado. a adaptação do livro "morra, amor" não suaviza nada. jennifer lawrence entrega um corpo em combustão, à beira do colapso, enquanto robert pattinson funciona quase como um espelho opaco das expectativas e silêncios que cercam essa mulher. um retrato cru da maternidade, do casamento e da mulher que se recusa a ser domesticada. cinema que incomoda, pulsa e sangra.
belíssimo, meticuloso e incômodo, com uma fotografia deslumbrante e atuações muito intrigantes. não é, de forma alguma, uma história de amor tradicional, mas talvez um retrato quase poético sobre controle. woodcock não ama: ele organiza, impõe, molda. por outro lado, sua musa, alma, acredita que para permanecer e existir naquele espaço é preciso contaminar a ordem com pequenas doses de caos. amar aqui não é ceder. é aprender a desorganizar. e é no desequilíbrio que o afeto entre ambos parece encontrar espaço para existir.
impossível assistir carandiru sem ser afetado e confrontado pela dura realidade do sistema prisional brasileiro. é um filme que expõe com intensidade os momentos de violência, sofrimento e revolta que atravessam a vida dos detentos e denuncia o abuso de poder da polícia e a omissão dos poderes públicos diante de tanta desumanização, além de trazer à tona a vulnerabilidade dos presos em meio a uma epidemia de AIDS. mais do que retratar um massacre, a obra provoca reflexão sobre a negligência social e a urgência de repensar a dignidade humana em contextos de exclusão de indivíduos da sociedade. é um filme do caralho.
que filme brutal, perturbador, doloroso e necessário. é devastador como ele permanece atual na forma como evidencia infâncias roubadas e a inocência esmagada pelo abandono e pela violência estrutural, e tantas outras desigualdades e injustiças que ainda persistem.
nada mais romântico do que caçar a pessoa amada pela floresta ou fazer uma pequena serenata enquanto está algemada e ensanguentada dentro de um freezer.
ousado e visualmente marcante como um sonho febril, mas é tão cafona, exagerado e de mau gosto que vira um grande delírio. é um filme que quer ser muitas coisas e termina ecoando no vazio.
esse filme me marcou pela transformação entre a relação de pai e filho. a cena daquele que seria o último café da manhã dos dois juntos, quando o ted finalmente acerta o prato favorito do billy e eles preparam french toast juntos, em silêncio (um silêncio que diz muita coisa apenas com os olhares trocados entre eles) mostra que o vínculo só floresceu quando ted passou a realmente estar presente. eu chorei com essa cena, inclusive. é uma cena simples, mas simboliza tudo o que mudou entre eles. a partida da mãe não é culpa ou heroísmo, é ruptura. É é a partir dessa ruptura que o pai consegue enxergar tudo o que ignorava: o casamento, a criança, a si mesmo... no fim, ninguém está totalmente certo ou errado na história. e isso é apenas um retrato até bem realista de como muitas relações falham até que algo quebre. e, apesar da dor, das mágoas, das frustrações, é bonito ver o pai finalmente aprender a amar esse filho com atenção. e reconhecer que falhou muitas vezes até esse momento chegar.
entrelaçando momentos de sonho e realidade, "o beijo da mulher-aranha" revela que o poder do cinema e da narrativa não está apenas em entreter, mas também em nos dar fôlego para atravessar tempos sombrios e dolorosos. o filme ressalta como a criação, a imaginação e a fantasia podem ser não apenas refúgios, mas também armas poderosas contra a violência e a opressão. mostra, ainda, que a arte, a beleza e, sobretudo, o amor são capazes de florescer mesmo nos ambientes mais hostis.
(e aqui me permito um certo otimismo: acreditar que, apesar dos finais trágicos de alguns personagens, ainda há espaço para enxergar esperança e liberdade nesses pequenos gestos de resistência)
"Paris, Texas" é um filme tecido de silêncios e feridas abertas. cada cena se revela como uma pintura que expõe a melancolia, o abismo interior dos personagens, os gestos contidos e o peso palpável das memórias que nunca se apagam. a experiência é agridoce; uma tristeza bonita, quase confortável, que reluta em se dissolver. parece abrir dentro de nós um espaço de silêncio, onde coexistem, lado a lado, a dor e a ternura. não é por acaso que se tornou um dos meus favoritos. e o seu impacto é tão absurdo que o filme permanece inesquecível e segue sendo celebrado e revisitado mesmo após quatro décadas de existência.
Juntos
3.3 388estranhamente sexy e tenebroso. fiquei apavorada, entre outras coisas......
Livros Restantes
3.6 27filme com cheiro de praia e livros antigos. 🤍
Valor Sentimental
3.9 364comecei a assistir esse filme de madrugada.
precisei interromper e deixar para a manhã seguinte, caso contrário, teria me consumido inteira de tanto chorar.
é um filme feito de pausas, de olhares que não sabem pedir desculpas, de diálogos truncados que dizem mais pelo que não é dito. e tem uma coisa quase irônica na relação entre nora e o pai: eles são dolorosamente parecidos. na maneira contida de sentir, na dificuldade de se vulnerabilizar, no orgulho que vira muro e na solidão que pesa tanto.
e talvez o filme seja sobre isso, sobre o desconforto de perceber que carregamos traços de quem nos feriu. sobre negar essa semelhança até entender que nossos pais são humanos, falhos, frágeis. e que, gostando ou não, somos feitos dessas heranças também.
pra mim, foi um filme sobre luto. mas não só pela mãe. foi sobre o luto da infância que não se teve, do pai que não foi, e da versão idealizada que precisamos deixar morrer para enxergar o que é real.
Veludo Azul
3.9 816 Assista Agoraachei super desconfortável e um tanto confuso, roteiro e montagem, mas de um jeito sexy e intrigante...
Dias Perfeitos
3.4 86 Assista Agoraa atuação do jaffar está macabra e impecável, a julia também foi incrível. me incomodei com alguns furos de roteiro e o ritmo um pouco corrido antes da resolução da história. tive muita dificuldade em odiar o téo em alguns momentos por ser apaixonada pelo ator. mas, ainda assim, senti revolta, raiva, pavor e tudo de pior pelo personagem. as produções da globoplay estão entregando muita qualidade ultimamente.
Fernanda Young: Foge-me ao Controle
3.8 14fernanda faz muita falta. ela odiaria ainda mais toda a cafonice dos dias atuais.
Sexo, Mentiras e Videotape
3.7 256 Assista Agoraeste é um filme que respira silêncio, desconforto e desejo contido. e eu fiquei fascinada pela atmosfera minimalista e profundamente intimista, onde quase tudo acontece nas pausas, nos olhares e nas confissões sussurradas.
o james spader é obviamente o coração estranho e fascinante dessa experiência. fico hipnotizada quando ele está em cena, principalmente fazendo personagens excêntricos e eroticamente deslocados.
seu personagem, graham, não seduz pelo toque, mas pela escuta; não pelo corpo, mas pela palavra. e o james transforma a repressão em magnetismo, e o constrangimento em uma forma inusitada de erotismo. ele faz do silêncio um gesto sensual, e da vulnerabilidade um território perigoso.
a atmosfera do filme é melancólica, quase claustrofóbica. poucos cenários, diálogos longos, uma câmera discreta que observa sem julgamentos. tudo parece propositalmente despido, como se o filme recusasse qualquer excesso para obrigar o espectador a encarar o essencial: a dificuldade brutal que temos de sermos honestos sobre o que desejamos, sentimos e escondemos.
é um filme que não provoca pelo escândalo, mas pela introspecção. um retrato delicado e perturbador da solidão moderna, onde o erotismo nasce menos do corpo e mais da confissão.
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out
3.6 240esse filme me conquistou demais, não só pela trama em si, mas pela sua atmosfera também. toda a ambientação, a fotografia e a presença tão marcante de cores, luzes e sombras criam um clima envolvente que sustenta o filme do início ao fim. craig entrega mais uma vez um protagonista sólido e cativante, mas é o josh o’connor quem rouba a cena pra mim. sua presença magnética e a química entre os dois atores elevam a narrativa e tornam a dinâmica central extremamente envolvente. o filme transita com naturalidade entre momentos de humor afiado e outros surpreendentemente sensíveis, o que dá humanidade à história. a revelação do mistério foi um pouco confusa pra mim, mas não chega a comprometer a experiência.
p.s.: dei um gritinho quando o andrew scott aparece, apesar de seu personagem não exercer grande destaque na história. na verdade, todo o elenco é simplesmente maravilhoso.
Ângela Diniz: Assassinada e Condenada
4.0 60 Assista Agorauma mulher livre e segura de si incomoda muita gente, majoritariamente os homens. ângela diniz foi considerada uma mulher provocativa, alguém que “atiçava” os homens, como se a autonomia feminina fosse um convite, como se existir com intensidade fosse uma afronta.
mas uma mulher assim não provoca por simplesmente querer provocar.
ela provoca porque não se diminui, não se esconde, não pede desculpas por ocupar espaço.
ela provoca porque existe inteira.
e o problema nunca foi o comportamento dela, mas o desconforto desses homens diante de uma mulher que não cabe nas expectativas, nem aceita o papel que lhe foi imposto.
chamar isso de provocação nada mais é do que uma forma muito conveniente de justificar a violência, e silenciar mulheres que ousam ser livres.
A Empregada
3.4 524na maior parte do tempo, o filme se torna mais divertido do que tenso. o romance e a tensão sexual são tão exagerados que beiram o caricato, rendendo momentos quase cômicos (na verdade, bem cômicos, porque o que mais escutei na minha sessão foram risadas). quando a história muda de tom, o suspense funciona, mesmo com um toque meio tosco. a adaptação é fiel, porém acrescenta uma coisa ou outra que acho até que traz um charme para a história. destaque absoluto para amanda, que entrega a melhor presença do filme, intensa, magnética e perturbadora na medida certa. sydney sweeney faz o que sabe fazer: presença, sensualidade e charme. no fim, esse filme não reinventa nada, mas diverte, sendo involuntariamente (ou não) engraçado.
Sonhos de Trem
3.7 338esse aqui acabou comigo. passei a primeira parte do filme esperando pela desgraça acontecer na vida desse homem. e ao final, só fiz chorar. lindo demais.
Morra, Amor
3.1 161 Assista Agoraque filme visceral e desconfortável, poético sem ser delicado. a adaptação do livro "morra, amor" não suaviza nada. jennifer lawrence entrega um corpo em combustão, à beira do colapso, enquanto robert pattinson funciona quase como um espelho opaco das expectativas e silêncios que cercam essa mulher. um retrato cru da maternidade, do casamento e da mulher que se recusa a ser domesticada. cinema que incomoda, pulsa e sangra.
Trama Fantasma
3.7 816 Assista Agorabelíssimo, meticuloso e incômodo, com uma fotografia deslumbrante e atuações muito intrigantes. não é, de forma alguma, uma história de amor tradicional, mas talvez um retrato quase poético sobre controle.
woodcock não ama: ele organiza, impõe, molda. por outro lado, sua musa, alma, acredita que para permanecer e existir naquele espaço é preciso contaminar a ordem com pequenas doses de caos. amar aqui não é ceder. é aprender a desorganizar. e é no desequilíbrio que o afeto entre ambos parece encontrar espaço para existir.
Carandiru
3.7 773 Assista Agoraimpossível assistir carandiru sem ser afetado e confrontado pela dura realidade do sistema prisional brasileiro. é um filme que expõe com intensidade os momentos de violência, sofrimento e revolta que atravessam a vida dos detentos e denuncia o abuso de poder da polícia e a omissão dos poderes públicos diante de tanta desumanização, além de trazer à tona a vulnerabilidade dos presos em meio a uma epidemia de AIDS. mais do que retratar um massacre, a obra provoca reflexão sobre a negligência social e a urgência de repensar a dignidade humana em contextos de exclusão de indivíduos da sociedade. é um filme do caralho.
Pixote: A Lei do Mais Fraco
4.0 495que filme brutal, perturbador, doloroso e necessário. é devastador como ele permanece atual na forma como evidencia infâncias roubadas e a inocência esmagada pelo abandono e pela violência estrutural, e tantas outras desigualdades e injustiças que ainda persistem.
Faça Ela Voltar
3.8 753 Assista Agorafazia tempo que eu não sentia uma aflição quase insuportável com um filme. amei.
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista Agoralonglegs, what are you doing here?
Caramelo
3.6 235 Assista AgoraO filme é tecnicamente ruinzinho e surfa nos cliches mas tem um coração enorme!
Ps: chorei igual uma corna no final!
Bom Menino
2.9 155 Assista Agoradrinking game: toda vez que você fala "ai, tadinho", você bebe.
Desconhecidos
3.5 309 Assista Agoranada mais romântico do que caçar a pessoa amada pela floresta ou fazer uma pequena serenata enquanto está algemada e ensanguentada dentro de um freezer.
Emilia Pérez
2.4 483 Assista Agoraousado e visualmente marcante como um sonho febril, mas é tão cafona, exagerado e de mau gosto que vira um grande delírio. é um filme que quer ser muitas coisas e termina ecoando no vazio.
Kramer vs. Kramer
4.1 581 Assista Agoraesse filme me marcou pela transformação entre a relação de pai e filho. a cena daquele que seria o último café da manhã dos dois juntos, quando o ted finalmente acerta o prato favorito do billy e eles preparam french toast juntos, em silêncio (um silêncio que diz muita coisa apenas com os olhares trocados entre eles) mostra que o vínculo só floresceu quando ted passou a realmente estar presente. eu chorei com essa cena, inclusive. é uma cena simples, mas simboliza tudo o que mudou entre eles. a partida da mãe não é culpa ou heroísmo, é ruptura. É é a partir dessa ruptura que o pai consegue enxergar tudo o que ignorava: o casamento, a criança, a si mesmo... no fim, ninguém está totalmente certo ou errado na história. e isso é apenas um retrato até bem realista de como muitas relações falham até que algo quebre. e, apesar da dor, das mágoas, das frustrações, é bonito ver o pai finalmente aprender a amar esse filho com atenção. e reconhecer que falhou muitas vezes até esse momento chegar.
O Beijo da Mulher-Aranha
3.9 270 Assista Agoraentrelaçando momentos de sonho e realidade, "o beijo da mulher-aranha" revela que o poder do cinema e da narrativa não está apenas em entreter, mas também em nos dar fôlego para atravessar tempos sombrios e dolorosos. o filme ressalta como a criação, a imaginação e a fantasia podem ser não apenas refúgios, mas também armas poderosas contra a violência e a opressão. mostra, ainda, que a arte, a beleza e, sobretudo, o amor são capazes de florescer mesmo nos ambientes mais hostis.
(e aqui me permito um certo otimismo: acreditar que, apesar dos finais trágicos de alguns personagens, ainda há espaço para enxergar esperança e liberdade nesses pequenos gestos de resistência)
Paris, Texas
4.3 757 Assista Agora"Paris, Texas" é um filme tecido de silêncios e feridas abertas. cada cena se revela como uma pintura que expõe a melancolia, o abismo interior dos personagens, os gestos contidos e o peso palpável das memórias que nunca se apagam.
a experiência é agridoce; uma tristeza bonita, quase confortável, que reluta em se dissolver. parece abrir dentro de nós um espaço de silêncio, onde coexistem, lado a lado, a dor e a ternura.
não é por acaso que se tornou um dos meus favoritos. e o seu impacto é tão absurdo que o filme permanece inesquecível e segue sendo celebrado e revisitado mesmo após quatro décadas de existência.