Personagens bem humanos e imperfeitos. Oscar mistura uma vida decadente paralisada pelo ego e o orgulho de algo que ele deixou de ser há tempo. Parece preferir continuar na fantasia do poeta triste e incompreendido do que realmente transformar a própria vida. Essa atitude, entretanto, não prejudica somente a ele, mas também a pessoas da família e as que cruzam seu caminho.
Apesar da aparente boa intenção, o filme me causou um grande incômodo ao transformar a menina em uma espécie de atriz involuntária. A repetição insistente de sua voz, em pedidos de socorro, não ecoa de forma respeitosa, e, apesar de impactante, soa como um loop mecânico, lembrando episódios de Black Mirror, em que alguém fica condenado a reviver para sempre o pior momento da própria vida. Não há humanização, não há construção de história, tudo apenas se repete. A atuação da equipe é desconfortável e o foco narrativo se desloca para a burocracia. O resultado é mais perturbador do que comovente, mas por motivos que parecem éticamente questionáveis. Poderia ter sido um documentário.
Sirât me tocou muito pelo impulso do pai, algo difícil de julgar, mesmo em decisões ou falhas absurdas. A busca não é racional, é a necessidade quase física de saber onde a filha está e se existe, se está bem. Para mim
o filme funciona como um terror psicológico profundo, com uma atuação do pai dolorosamente real. Não é confortável, mas é um filme potente que fica reverberando depois.
O título Bye Bye Brasil é uma despedida irônica e dolorosa de um Brasil mais mágico e popular que estava desaparecendo nos anos 70, atropelado pela modernização. A fantasia que antes vinha das caravanas e do improviso vira produto industrial, padronizado pela televisão e pelo chamado progresso. Uma noatalgia de um Brasil que começa a se despedir de si mesmo, trocando sua identidade pela promessa de um desenvolvimento que parece mais miragem do que realidade.
O filme é impressionante em todos os sentidos. Mesmo mergulhado nos horrores de um sistema repressivo, o diretor consegue, clandestinamente, filmar uma história simples, mas devastadoramente poderosa. É um filme sobre culpa, memória, e o peso de uma violência que continua mesmo quando o agressor desaparece. No fim, fica a pergunta que atravessa tudo: "como se livrar de um trauma que insiste em voltar, mesmo quando a vida tenta seguir em frente?”
“Save the Green Planet!” é insubstituível, mas esta versão consegue algo raro: respeita profundamente o original enquanto adiciona carisma e o toque singular do diretor. Mantém a essência, amplia a emoção e entrega uma releitura envolvente. Uma experiência primorosa de assistir.
O filme escancara o machismo silencioso do lar: um pai que controla, silencia e desvaloriza todos ao redor. Kurosawa mostra como o patriarcado sufoca a família inteira — inclusive o próprio homem que tenta mantê-la.
marido. Ele manipula tudo com frieza, apaga a própria culpa e entrega a esposa como responsável perfeita. A polícia acredita nele porque ele parece “racional” e socialmente aceitável, enquanto ela, sensível e médium, vira a culpada óbvia.
É a violência invisível travestida de normalidade.
O filme convoca dois Leviatãs: o bíblico e o de Hobbes. Do primeiro, só resta a provação sem recompensa alguma; do segundo, o Estado, a quem entregamos nossa liberdade em troca de segurança. O Leviatã como Estado seria o “mal necessário”: um poder absoluto que, em teoria, impede que vivamos na “guerra de todos contra todos” mas que, no caso, em vez de proteger, devora.
Ambos os filmes trabalham com a ideia de realidade distorcida pelo trauma e pela paranoia conjugal, só que em registros diferentes.
No fundo, tanto em Hallow Road quanto em Quem tem medo de Virginia Woolf?, a pergunta central é: até onde os laços familiares (ou conjugais) são sustentados por verdades, e até onde por delírios necessários para sobreviver à dor? O casal inventa fantasmas — porque encarar o vazio seria mais insuportável do que acreditar na mentira.
Pano de fundo do filme, uma evocação sombria do trauma devastador sofrido pelas mulheres nas lavanderias de Magdalene. Esse sofrimento, transmitido de geração em geração, ganha forma como uma psicose palpável, como um delírio herdado.
Ótimo, teve sensibilidade com as vítimas e ainda falou umas verdades que, infelizmente, até hoje precisam ser ouvidas. Há muitos filmes true crimes que mostram ipsis litteris a dinâmica dos fatos. Podemos ter um diferente, por que não?
"Os filmes de ficção são os melhores documentários." Retratos Fantasmas
aparentemente tudo estaria bem. Ou seja, não teria crítica alguma. A culpa foi da ganância da usuária :/
Para além, o efeito gerado pareceu o oposto - Uma pressão para chegar aos 60 anos com a aparência da Demi Moore e a certeza de que se existisse essa "substância" seria um sucesso de vendas.
Homenagem ao Ghostwatch, programa exibido na BBC no Halloween de 1992. https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/neste-halloween-descubra-a-pegadinha-mais-assustadora-da-historia-da-tv/
Entrevista do neto do Rudolf Höss, Rainer Höss, que acrescenta bastante à experiência do filme: expresso.pt/internacional/2016-08-20-Auschwitz-e-para-mim-o-equivalente-a-visitar-a-casa-dos-meus-avos-1
Parece que a terceira luzinha, que chegou brilhante no horizonte, para fazer companhia às outras duas, era a própria Cáit. E, isso alimenta a esperança de poder interpretar um final feliz...
Um Poeta
4.1 6 Assista AgoraPersonagens bem humanos e imperfeitos. Oscar mistura uma vida decadente paralisada pelo ego e o orgulho de algo que ele deixou de ser há tempo.
Parece preferir continuar na fantasia do poeta triste e incompreendido do que realmente transformar a própria vida. Essa atitude, entretanto, não prejudica somente a ele, mas também a pessoas da família e as que cruzam seu caminho.
Não tem mudança na inércia do Oscar, a vida apenas segue.
A Voz de Hind Rajab
4.2 124 Assista AgoraApesar da aparente boa intenção, o filme me causou um grande incômodo ao transformar a menina em uma espécie de atriz involuntária. A repetição insistente de sua voz, em pedidos de socorro, não ecoa de forma respeitosa, e, apesar de impactante, soa como um loop mecânico, lembrando episódios de Black Mirror, em que alguém fica condenado a reviver para sempre o pior momento da própria vida.
Não há humanização, não há construção de história, tudo apenas se repete. A atuação da equipe é desconfortável e o foco narrativo se desloca para a burocracia.
O resultado é mais perturbador do que comovente, mas por motivos que parecem éticamente questionáveis.
Poderia ter sido um documentário.
Sirāt
3.4 171 Assista AgoraSirât me tocou muito pelo impulso do pai, algo difícil de julgar, mesmo em decisões ou falhas absurdas.
A busca não é racional, é a necessidade quase física de saber onde a filha está e se existe, se está bem.
Para mim
para além das bombas
Bye Bye Brasil
3.9 166 Assista AgoraO título Bye Bye Brasil é uma despedida irônica e dolorosa de um Brasil mais mágico e popular que estava desaparecendo nos anos 70, atropelado pela modernização. A fantasia que antes vinha das caravanas e do improviso vira produto industrial, padronizado pela televisão e pelo chamado progresso.
Uma noatalgia de um Brasil que começa a se despedir de si mesmo, trocando sua identidade pela promessa de um desenvolvimento que parece mais miragem do que realidade.
Foi Apenas um Acidente
3.8 190 Assista AgoraO filme é impressionante em todos os sentidos. Mesmo mergulhado nos horrores de um sistema repressivo, o diretor consegue, clandestinamente, filmar uma história simples, mas devastadoramente poderosa. É um filme sobre culpa, memória, e o peso de uma violência que continua mesmo quando o agressor desaparece.
No fim, fica a pergunta que atravessa tudo: "como se livrar de um trauma que insiste em voltar, mesmo quando a vida tenta seguir em frente?”
Bugonia
3.6 430 Assista Agora“Save the Green Planet!” é insubstituível, mas esta versão consegue algo raro: respeita profundamente o original enquanto adiciona carisma e o toque singular do diretor. Mantém a essência, amplia a emoção e entrega uma releitura envolvente. Uma experiência primorosa de assistir.
Sonata de Tóquio
4.1 69 Assista AgoraO filme escancara o machismo silencioso do lar: um pai que controla, silencia e desvaloriza todos ao redor. Kurosawa mostra como o patriarcado sufoca a família inteira — inclusive o próprio homem que tenta mantê-la.
Sessão Espírita
3.6 7O terror final de Séance não é o fantasma — é o
marido. Ele manipula tudo com frieza, apaga a própria culpa e entrega a esposa como responsável perfeita. A polícia acredita nele porque ele parece “racional” e socialmente aceitável, enquanto ela, sensível e médium, vira a culpada óbvia.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraGostaria muito de saber o que foi a "coisa" vista e o que foram as três "coisas" feitas.
Possessão
3.9 644Uma explicação plausível: https://filmcolossus.com/possession-explained-1981
Leviatã
3.8 304 Assista AgoraO filme convoca dois Leviatãs: o bíblico e o de Hobbes. Do primeiro, só resta a provação sem recompensa alguma; do segundo, o Estado, a quem entregamos nossa liberdade em troca de segurança.
O Leviatã como Estado seria o “mal necessário”: um poder absoluto que, em teoria, impede que vivamos na “guerra de todos contra todos” mas que, no caso, em vez de proteger, devora.
Hallow Road: Caminho Sem Volta
3.2 65 Assista AgoraPartindo da interpretação de que
seria o caso de uma alucinação conjunta dos pais
Ambos os filmes trabalham com a ideia de realidade distorcida pelo trauma e pela paranoia conjugal, só que em registros diferentes.
No fundo, tanto em Hallow Road quanto em Quem tem medo de Virginia Woolf?, a pergunta central é: até onde os laços familiares (ou conjugais) são sustentados por verdades, e até onde por delírios necessários para sobreviver à dor?
O casal inventa fantasmas — porque encarar o vazio seria mais insuportável do que acreditar na mentira.
Dr. Fantástico
4.2 684 Assista AgoraO nazismo já estava voltando a ficar de pé…
Flow
4.2 576Uma teoria de que a viagem possa ter sido um
sonho
Fréwaka
3.1 21 Assista AgoraPano de fundo do filme, uma evocação sombria do trauma devastador sofrido pelas mulheres nas lavanderias de Magdalene. Esse sofrimento, transmitido de geração em geração, ganha forma como uma psicose palpável, como um delírio herdado.
O Fantasma de Peter Sellers
3.8 1O diretor sofreu mais que o Inspetor Dreyfus.
Piano de Família
3.0 32Final emocionante!
Maníaco do Parque
2.4 351 Assista AgoraÓtimo, teve sensibilidade com as vítimas e ainda falou umas verdades que, infelizmente, até hoje precisam ser ouvidas.
Há muitos filmes true crimes que mostram ipsis litteris a dinâmica dos fatos. Podemos ter um diferente, por que não?
"Os filmes de ficção são os melhores documentários." Retratos Fantasmas
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraNão sei... a mensagem que ficou para mim foi de que as coisas são assim e fim. Não recebi como disruptiva ou antissistema. Porque se
a versão mais jovem respeitasse os 7 dias
Para além, o efeito gerado pareceu o oposto - Uma pressão para chegar aos 60 anos com a aparência da Demi Moore e a certeza de que se existisse essa "substância" seria um sucesso de vendas.
Lapso Temporal
3.2 412 Assista AgoraSomos, ao mesmo tempo, presente, passado e futuro...
Tipos de Gentileza
3.2 246Holiday!
Entrevista com o Demônio
3.4 770 Assista AgoraHomenagem ao Ghostwatch, programa exibido na BBC no Halloween de 1992. https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/neste-halloween-descubra-a-pegadinha-mais-assustadora-da-historia-da-tv/
Zona de Interesse
3.6 694 Assista AgoraEntrevista do neto do Rudolf Höss, Rainer Höss, que acrescenta bastante à experiência do filme:
expresso.pt/internacional/2016-08-20-Auschwitz-e-para-mim-o-equivalente-a-visitar-a-casa-dos-meus-avos-1
A Menina Silenciosa
4.0 162Parece que a terceira luzinha, que chegou brilhante no horizonte, para fazer companhia às
outras duas, era a própria Cáit.
E, isso alimenta a esperança de poder interpretar um final feliz...