Cara, que surpresa legal esse filme. Adorei! É muito bom que o nome do assassino/monstro seja "Little Death". Em francês "pequena morte"/"la petit mort" é uma expressão pra "orgasmo". Ligação entre sexualidade e terror/morte que atravessa o filme todo. Na verdade, a espacialidade entre as duas personagens e a estadia na casa cria algo tão confortável (no sentido de um espaço que vai se mostrando livre pro fantasiar sexual) que o terror com monstro-vilão parece se converter em algo mais relacionado ao conto de fadas. Os cenários como quadros pintados são lindos! (mas achei pesada a mão nos cenários artificiais parecidos com IA). Um conto de fadas sexual e gore.
Fico com uma ressalva de ser explicativo demais. Dava pra apostar em explicações menos explícitas. Mas, ao mesmo tempo, acho que o filme coloca uma questão com isso: a Billy parece se incomodar com o olhar hiper interpretativo que a cineasta coloca no filme... enquanto ela interpreta a franquia a partir de uma perspectiva de gênero, lendo no filme uma série de alegorias, a Billie diz que o filme é mais simples que isso, ele não "quer dizer" nada, ele é sobre "carne e fluidos". Achei lindo isso. Acho que o filme vai se guiando por essa problemática tb, ao tornar o monstro uma figura de linguagem (qual?) pra algo relativo ao sexual. Isso fica mega explícito. Diferente da franquia Camp Miasma dos anos 80, o filme que vemos no cinema não requer uma interpretação cultural, de gênero, etc etc. Ele já entrega toda a leitura pro espectador. Então, voltando ao início da frase: acho exagerado o didatismo, mas ao mesmo tempo ele corresponde perfeitamente a algo da proposta do filme.
Muitíssimo interessante também o conflito geracional entre as duas. Mas, mais que um conflito geracional que se resuma à diferença de idade, se trata de um conflito de discursos sobre a sexualidade. A cineasta com referências "woke" e "me too", com medo da própria fantasia, que contradiz sua posição política: a fantasia de ser uma vítima, a vontade de gozar nesse lugar, lugar onde se corre com os peitos balançando enquanto o assassino vem chegando. Billy diz: e daí, querida? E o que ela fez, enquanto jovem atriz na franquia Camp Miasma foi transformar o medo e a situação que poderia ter sido facilmente lida como "abusiva" (quando a personagem virgem vai transar sem muita vontade com o boy) em uma ponte pro fantasiar. O filme poderia fazer isso: o olhar de horror da jovem atriz é de medo do assassino/medo do sexo. Ela estava ali numa posição de abusada. Mas faz outra jogada: o olhar é de prazer. Não só de prazer, mas ela diz algo como "nunca mais tive um orgasmo como aquele". Ou seja, pra além de bom ou ruim, a cena meio voyer assassina gore creepy inaugura um jeito possível de gozar.
A moça mais jovem fala que a cena de sua fantasia com filmes slasher, - correr da morte - remete a um grande abandono... algo assim. Bem bonito o que ela fala. Um abandono necessário pro sexo, onde ao mesmo tempo estamos muito dentro do nosso corpo e muito sujeitos ao outro com quem o sexo é compartilhado. É um abandono mesmo... É muito lindo ela contando a fantasia dela! Achei emocionante.
Eu gosto muito do retrato desse tipo de experiência: dos laços improvavéis (como bem usou a esse termo o colega do comentário abaixo). Improvável porque se faz fora do escopo da identificação. Aqui, no caso, há uma radical diferença. De classe, de lugar político no mundo. E o laço se faz porque há curiosidade, porque há uma criança querida por todos que é capaz de unir. Gosto muito dessas histórias. Das relações que se fazem menos pela identificação e mais pela compahia, pelo desejo de compartilhar o tempo, etc. Só achei que mais pro final o filme pareceu apressado em terminar...
Poxa, achei bem chato. O personagem do roteirista vai ficando um pé no saco também, no decorrer da história. Fico achando que o filme auto-representa seu próprio problema: um roteirista com dificuldades de encontrar um fio pra sua história, sai abandonando vários personagens, tenta se agarrar a algum fio que se desfaz a todo momento. Fico com a impressão de que a história da Elsa + boybombeiro + amigas só serve pra compor algo da autobiografia do próprio Almodóvar (o que não é um problema à priori). Digo isso pq (pra mim) a história não funcionou (não achei interessante). Ela não se sustenta porque é toda pelas metades, tem uma inconstância no ir e vir dos personagens que prejudicou minha vontade. Parece tudo quebrado. O eixo Elsa do filme, embora ocupe o maior tempo de tela, não tem força em si mesmo, parece mais servir a um argumento do que de fato transmitir algo.
Adorei. A amiga que foi comigo já não gostou tanto. Ela pontuou o aspecto non-sense e sem propósito do filme. Também disse sobre sentir que o filme fica um tanto "no meio do caminho", não explora com afinco nenhum de seus eixos (poderia ser a rave, a guerra, a relaçãoo pai & filha perdida, ampliar um pouco o léxico dos personagens da rave). Tirando pai e filho, nenuma outra relação é tão explorada.
Também concordo com ela. Mas, eu curti bastante! Achei que os personagens do grupo da rave foram apresentados mais como caricatura do que como indivíduos. Prescindiu de uma apresentação individual: eram um grupo interessado em dançar. Compartilhavam tudo. Um pequeno coletivo em busca de viabilizar alguma experiência sensorial, mesmo com o anúncio de uma guerra. Achei bem nonsense também, sem aparente finalidade rs. Mas isso não me incomodou, pq a experiência de assistir foi tão interessante... Tem uns elementos um tanto absurdos. Mas, meio que nao sao. Acho que joga um pouco com isso da guerra e do prazer num lugar surreal, mas ao mesmo tempo muito plausível. Achei q o filme poderia acreditar mais nele mesmo. Tipo, a icônica cena das explosões no deserto, puts, poderia ter rendido muitos mais minutos de dança ali. Eu pelo menos adoro cenas dançantes. Assistiria por horas. E se o filme aposta na música e na dança como temas, que deixasse esses elementos tbm serem comunicadores de algo. Que deixasse a imagem ter mais tempo de efeito pro espectador. Pq aquilo ali tava demais, aqueles corpos em sofrimento e devastação dançando no deserto. José parecia prestes a dançar a morte do filho quando a cena é interrompida.. enfim, fiquei afim de ver mais dança - acho que esse eixo conseguiria sustentar as outras ausências do filme, pq o ponto era justamente: "não há nada a fazer, vamos dançar". A dança como lugar de exílio. De expoliação da experiência de violência. A cena do carro caindo é MUITO booooa. Fiquei tensa demais. Caceta. E achei uma qualidade do filme nao se manter em um drama extremamente doloroso ali. Pq pelo menos eu nao ia sustentar assistir isso. O impacto tá na imagem, no som, na ação abrupta - e um pouco menos no aspecto pessoal da perda. Embora tenha, ele passa rápido. Intensidade, velocidade... O deserto e a guerra lá fora não pareciam ambientes cabíveis a um luto, ele ficou meio de fora, embora presente na aridez do cenário, no silêncio... no desconforto da falta de intimidade pra viver essa dor tão imensa. Fiquei tao imersa, que é só na cena final que percebo o problema da falta de "propósito". Nao sei se é um problema, exatamente. Talvez tanto uma guerra quanto uma rave sejam nonsense em lugares diferentes.
Adorei esse! Aquele clima totalmente cafona, anos 90 SBT 00h. Sem receio de soar politicamente incorreto, não tem uma covardia moral. É sobre o desejo excrotinho da personagem, que vai mostrando onde cinde justamente quando alguns vão deixando de topar seu jogo e ela se vê sozinha. Por mais que ela goze só (sozinha e somente) na sua fantasia, percebe que precisa de outro alguém pra poder sustentar a cena. Ela vai caindo toda quando vê que foi desalojada da sua posição (sempre esteve mais ou menos desalojada, não são todos que topam fabricar a fantasia dela junto, sem apontar alguma coisa que desmonta tudo). Tem uma tensão sexual o filme todo - que é o olhar que a personagem da Tilda distribui pras coisas. Pras coisas, objetos, literalmente. Close na roupa dela, na textura do tecido, no jeito que mexe a mão. Bonzão e cafona!
Horrível. Nessa leva de filmes que parecem um vídeo clipe, parece nem que tem roteiro essa bomba. Só cenas "bonitas" sem sustança nenhuma.
Nunca li o livro, mas além do filme ser ruim, parece uma péssima adaptação. Miraram no erotismo sadomaso proibidão e erraram fei. Embelezaram de uma estética comercial o que poderia ser da ordem de um desejo transgressor, e a transgressão vira um pano de fundo irrelevante na narrativa - um mero penduricalho que só serve pra paparicar dois ícones sexuais padrão e com zero química e tesão.
Não sei como é o livro, mas falando do que o filme apresentou, achei que um gancho possível pra explorar a transgressão é o fato de que eles são praticamente irmãos. Inclusive ela nomeia ele com o nome do irmão. Esse componente no jogo erótico deles também ficou totalmente de lado...
Jesuíta arrasou demais como Ney! Gostei bastante do filme, é envolvente, sensual, convocativo, provocador. A cena do primeiro show (Secos & Molhados) é muito boa, ali Ney fazendo sua estréia, parecendo um bicho de outra esfera da terra. Que homi talensoso, criativo. Artista, né. As cenas eróticas são belíssimas, a sensualização do corpo masculino (e do corpo gay masculino) tem uma carga muito massa, em geral é mais comum ver o corpo feminino ocupando esse lugar no cinema. Os soldados no sol, os olhares e bocas muito próximos, coxas, bundas, volume do pênis na sunga, peitorais peludos, etc, achei magnífico. O corpo do Jesuíta encarnando Ney também é pura sensualidade, lindo demais! Poderoso poder colocar essa sensualidade viada masculina na tela dum filme que vai ser visto por bastante gente, como esse. Do meio pro final, talvez, achei que o ritmo do filme acelerou, as cenas tomaram um tom meio vídeo-clipe. Um tanto de imagens sem uma grande carga na história. Parece que quiseram muito fazer algo "completo" demais, mostrar "toda" a história (as partes que acharam relevantes, e de fato foram ótimas escolhas e recortes da vida do Ney), mas nisso achei que perderam algo, também. De repente, poder ir mais devagar, dar foco maior a algum detalhe, a alguma relação... Parece que as pessoas vem e vão com muita facilidade. Enfim, como espectadora senti essa aceleração no ritmo e não me agradou muito. De todo modo, o filme é lindo, gostei bastante. O Brasil tem artistas da música (e outros vários) maravilhosos! Agora quero assistir "Os famosos e os duendes da morte" do mesmo diretor, Esmir Filho.
muitíssimo bom!!! e que humor é esse? achei muito inteligente e bem colocado, ri bastante kkk o diálogo dos dois comparsas no quarto é genial kkkkkk haja choro, pinga e modão.
muito boa a sacada de não ter nenhuma mulher no filme, pq a base do roteiro e da vida deles é isso, se relacionar com as mulheres pela ausência das mesmas ou através das disputas de poder com outros homens, nunca com elas.. até pq a sugestão de um amigo pro outro é quase sempre "pq cê não arranja outra?". denuncia todo esse modus operante de um homem tradicional e interiorano, mas sem colocá-los em um lugar simples de "perversidade". esse respeito e boa construção dos personagens aparece pela via do humor, mas também pelo retrato do sofrimento intenso que todos esses homens estão passando. cara, a cena do senhor contando do trabalho é muuito triste... conta da violência que sofreu (de ser marcado como um boi) como "ah, as brincadeiras do pessoal". essa violência repassada chega a ser invisível de tão cotidiana e natural. como se ser marcado como um boi fizesse parte dessa construção de ser um homem, algo banal.
Cara, jamais achei que gostaria de um filme assim kkkkk mas devo dizer que adorei e me emocionei pra caramba. É horrível, mas muito bom kkkk tem que se deixar levar pela experiência do entretenimento, através dela vem um sentimento de anti-colonialidade muito forte.
A cena do Bheem cantando (quando sendo açoitado em praça pública) e transmitindo o sentimento de revolta pra galera é muiiiito boa! Super cena. A adorei que o Rama é um revolucionário infiltradíssimo, depois ele volta todo metamorfoseado em um arqueiro com flechas de fogo e chinela de couro kkkkk bom demais
Filme bom de ver. Um tanto leite com pêra, considerando a temática (relações de poder capitalismo sexualidade etc). Com esses 3 elementos aí o filme podia ser muyy mais interessante. Tem temáticas supostamente ""polêmicas"" apresentadas de um jeito medroso.
Suaviza o tema e traz algum pingo de normalização pras práticas incomuns no sexo, e acho que isso tem seu valor. Mas esse excesso de querer deixar tudo "normal" tira um pouco da força da crítica dessa sexualidade em sua relação com o capitalismo, o fato de Nicole Kidman ser uma C&O e curtir práticas BDSM na posição masoquista não é nem um pouco atoa ou mera coincidência. Penso também que "normalizar" não parece uma saída interessante, pelo menos esteticamente. Mais envolvente seria colocar em cena justamente o que é abjeto na sexualidade "desviante" (podendo inclusive questionar o que é o desvio, já que a personagem princiapal supostamente se encaixa em tudo que é relativo a norma e ao sucesso).
De todo modo, um filme bacana. O fato do boynovinhomagia chegar já propondo de cara os "fetiches" da personagem da Kidman é muito interessante, no mínimo. Ela encontra articulação com esse desvio sexual do qual ela nunca encontrou lugar justamente no trabalho, o lugar mais banal e cotidiano possível. E assim, um tanto do nada isso aparece. Se contrapondo/dialogando justamente com meu argumento anterior aí de cima hahah, talvez os desvios da Kidman não sejam tão desviantes assim... puderam ser encontrados sem que ela os procurasse! Uma "coincidência" que evidencia, a certo modo, a possibilidade de encontro com um modo específico de gozar no laço social, e não só na fantasia. Não apenas sozinha, escondida do marido. Ps: cena dançante do boyzinho uma belezura.
Caraa, muito muito bom! Os silêncios e segredos da casa foram muito bem retratados e são imagem de várias outras famílias por aí, não só iranianas. A autoridade a princípio silenciosa do pai só foi existindo pq estava mediada pela mãe. Não fosse a submissão da esposa ao marido, não haveria autoridade paterna que se sustentasse frente as duas filhas dispostas a questionar a hierarquia que já não cabe mais, que tem argumentos ruins, "pq deus quis" ou "pq sou seu pai".
A justaposição entre o conflito político e o familiar foi mtmt bem colocada, o dilema do país e o dilema da casa não são assim tão distantes. As irmãs se comunicando em silêncio através das mensagens no celular(!!!) achei uma baita cena. A repressão política e materna agindo num só ato.
Acho que o final perdeu um pouco a razão de ser kkk escrachou muito a violência do pai e acho que isso fez perder um pouco a força política da narrativa no nível macro. Tornou íntima demais a questão. O espectador não conhecia tanto o personagem do pai, não achei verossímil ele passar a ser um agressor e sequestrador da família. Até pq no começo do novo emprego como juíz ele estava em alguma medida questionando a pena de morte e a "corrupção" do sistema (que o obrigava a condendar pessoas as cegas). Por não mostrar tanto dele no trabalho, achei abrupta a metamorfose do personagem. Não que não seja plausível na realidade. Super é. Mas enquanto recurso narrativo na história achei que ficou solto.
De todo modo, um filme muito bom, vale a pena ver no cinema. Achei massa que ele dá localidade política ao conflito: as pessoas estão protestando contra a teocracia e a favor de maiores liberdades às mulheres. Alguns filmes deixam solto o motivo da revolução e nem sempre isso é interessante.
Assistiria mais 5horas desse filme. Diálogos fantásticos e tão possíveis, mesmo quando de trata do monólogo de desabafo da Lili relembrando a tragédia familiar da infância (o diretor comentou pós sessão que trabalhou com as falas do texto neuroticamente, tentando deixar o mais natural e mais próximo possível da realidade). A Carol Duarte muda toda a composição das cenas, é muito bom quando ela está. Ora senti raiva das personagens, ora outra coisa – não sei o que, mas algo da ordem de uma estranha admiração pela sinceridade com a qual a Malu toma a palavra, por exemplo. Uma intensidade que arrasta tudo. A cena/fala final putssssss!!!!!!! Me emocionei demais. Uma geração faz revolução, enquanto a outra descansa... e assim vai sendo. Vários sonhos estancados. Vi tanta gente nessa personagem da Malu. Gente que expõe esses sonhos "megalomaníacos" na esperança de que a força, intensidade e vontade com que falam possa por si só já produzir algo na materialidade. Mas não é bem assim... Um furacão violento, Malu. Violência que vem de antes, duma germinação familiar já antiga. Romper é difícil. Joana rompeu com o custo de se separar por muitos anos da mãe. Coragem também. O Tibira, uau!! que personagem e que ator maravilhoso...
Na primeira cena da Joana com a mãe já dá pra ver tanta coisa pqp. Não tem nada fora do lugaí em termos dos diálogos, dos movimentos, dos modos delas se olharem etc tudooo. Ri um riso estranho várias vezes. De desespero kkk
As atrizes estão magníficas e o filme é uma explosão de verdade em forma de violência. Tudo muito bem construído... uma intimidade absurda, realmente quem fez esse filme viveu tudo isso de alguma forma... dá pra sentir que o texto (vocalizados pelo elenco) foi vivido. Não que precise de elementos biográficos pra que esse efeito se opere em um filme, mas acho que nesse caso aqui deu um trem a mais, com certeza.
aaaah, tem uns filmes de viagem tão bons!! essas sequências que vão levando a gente pra sei lá onde, junto dos personagens na curiosidade e incerteza duma viagem desse tipo. fiquei fascinada pelo filme.. me senti uma libanesa indo conhecer o Brasil. essa sensação foi tão interessante, de ir conhecer o Brasil junto com os irmãos... realmente senti que chegaria pela primeira vez no meu próprio país. alguma coisa no modo de construção do filme me causou isso.
esse amor do futuro casal construído aos olhares é uau! a cena deles chupando manga :') o irmão me passou raiva o filme todo, mas no final, quando a raiva dele vai se decompondo em tristeza, é só o que senti também, uma tristeza solidária a ele. as últimas imagens do rosto do Emir, no casamento da irmã, são fortíssimas. dá pra ver toda a contradição do que ele sente ali.. um rosto muito triste, mas também muito feliz pela felicidade da Emilie. parece que ele sabe que é um tipo de alegria que ele não vai conseguir habitar. tem pequenos detalhes incestuosos que vão se insinuando durante filme.. incesto não necessariamente no sentido explícito do desejo sexual, mas da vontade do irmão de fazer dele e da irmã um-só. essa rocha de irmão vai se quebrando frente essa impossibilidade imposta pela própria experiência da vida. pelo desejo da irmã por viver.
Esse filme traz uma paz pra morte. Dignifica, tranquiliza e naturaliza... Torna o ato de morrer mais possível de ser vivido. Tanto pra quem vai, quanto pra quem fica. Gostei muito! Detestei "mães paralelas", fui com algum receio por conta disso... Debates atualíssimos. Estreado logo nas mesmas semanas da eutanásia do Antonio Cícero. As falas sobre questões climáticas super localizam o espectador também um tanto perto da morte. Medo compartilhado. Morrer junto me pareceu algo muito digno. Escolher a companhia. Destinar os pertences antes de partir. Ver uns filmes. Passar batom. e ir embora dessa vida.
belíssimo!! já assisti "e então nós dançamos", do mesmo diretor, gostei muito. esse aqui foi uma grata surpresa também. um filme de viagem... eles tinham uma missão, mas a missão não os poupou de experimentar a cidade e o que viesse no caminho - e o diretor também vai tecendo isso, mostrando pequenas tramas com personagens secundários. deu muita vontade de conhecer Istambul. lindo como as amizades são improváveis numa lógica normativa, mas tudo vai encontrando seu lugar, sem que as diferenças se apaguem.
Alice Rohrwacher faz filmes como quem sonha. Sair da sala de cinema é como despertar duma soneca delicada. “La Chimera” traz um tempo deslocalizado – no seu cinema é sempre difícil determinar uma época histórica, um ano, uma década (“Feliz como Lázaro” é feudal & tecno). Isso porque seu sublime dá corda a certa mistura entre memória, corpo, cidade, campo. Uma anti-geografia. Uma estética de tempo indefinido. Em La Chimera, Brasil, Itália e Inglaterra. A senhora na cadeira de rodas falando uma língua matriarcal que se faz através da violência, do permanecimento no espaço da casa – que não deixa de ser o espaço do passado; passado onde as coisas não passam; onde a morte não pode passar, e portanto não pode ir embora. O personagem de Arthur, ladrão-amado e anti-héroi, narrado através dos elementos arqueológicos materiais (recalcados no chão) e imateriais (fossilizados na memória). É indefinido. Indefinido porque não pousa. E não pousa porque não pode pousar – andarilho, itinerante, apátrida. Sem chão – embora extremamente fincado lá, no mais essencial dos solos (o do amor e da morte). Um homem ora bruto ora encantado por um dom que seduz, enigmatiza, desumaniza. Ele e sua quimeras… Seu presente mais íntimo que parece vir com um preço alto, o preço de não poder voar para cima. Ele caminha, caminha, caminha, e só caminha pra trás. Seu andar é sempre um regresso. Ainda quando ele tenta – beijar outra boca que não aquela, primeira – a terra o suga de volta. Como se trabalhasse para a terra, como se impossível fosse seguir a vida, como se o elemento onírico e escavador de recordação fosse seu único possível. Ainda que convidado a estar entre várias outras – mulheres e crianças – numa espécie de lar encantado, há uma imagem que o assombra, uma imagem para a qual não pode deixar de não retornar. Uma tristeza, uma beleza... Poxa, gosto muitíiissimo desse cinema. Graciassssss, Alice
muuyy divertido. cenários do mundo fantástico, "retrô futurista", como disse a pessoa que assistiu comigo. um filme feminista. gosto muito de como a narrativa sexual tem centralidade e é inseparável da descoberta da vida. descobrir o mundo e descobrir o sexo como sendo a mesma coisa, um só ato ou atos simultâneos. por isso acho que as cenas de sexo deveriam ter sido melhor exploradas... foram curtas, um tanto quanto tímidas e tradicionais pensando que o diretor é o Yorgos. é o filme menos estranho dele. não tem aquela marca de personagens com comportamentos absurdos e incompreensíveis, é mais racional, conforme o discurso tradicional da ciência que os personagens pautam. a marca maior do Yorgos aqui talvez tenha ficado p/ trilha sonora. é bem engraçado e bom de ver. os homens tentando aprisioná-la, cada um com seu discuso... discurso amoroso, discurso médico-científico. são marcas fortes do patriarcado que os personagens homens representaram muito bem... figurino chiquérrimo também.
Num consigo dar nota, mas vai 3,8. Gostei bastante desse! Trata de temas bem contemporâneos relacionados ao trabalho e ao uso do tempo. Fiquei pensando nessa intuição de despertencimento às cidades, ao mesmo tempo uma falta de coragem/vontade/possibilidade de sair delas e de fato morar no interior, "longe"... São dilemas de vários de nós, humanos urbanos desse tempo.
Mostram o roubo ao banco como a alternativa mais possível e plausível pra mudar de vida(/viver a vida). É engraçado e trágico. Mas a radicalidade da ideia de roubar o banco (embora seja executada sutilmente e sem grandes alardes) casa bem com a radicalidade do ato de doar metade ou mais da metade do tempo de vida pra um trabalho sem sentido, chato, repetitivo. Também pensei como o bicho homi da cidade é bêsta e carece de experiências de maior carga sensível. No filme o Morán conhece a mina, xona, quer mudar pra cidade de interior e levar uma vida mais próxima a natureza, tudo bem rápido... é como se a gente (bicho homi y mulher da cidade do trabalho etc) tivesse perdido o básico do básico, uma certa fagulha de encantamento, conexão com a vida - nuvens cavalos rios intimidade etc - que qualquer experiência de proximidade com esses elementos é altamente transformadora, catártica. O que não é um problema. Só fiquei pensando nisso agora... no quanto o personagem do Morán é carente de companhias, de experiências significativas. Não mostra muito da vida pregressa dele, mas aparenta ser um cara bem "normal". Isso é legal no filme, é um filme de assalto em que os assaltantes são cidadãos comuns, de vidas pacatas e normais... Só estão cansados de trabalhar, que nem quase todo mundo.
Ah, os diálogos entre eles (cineasta, irmãs e os "protagonistas") são mei esquisitos. Não me convocaram muito... Trilha sonora maravilhosa. Cenas lindas. Tanto de Buenos Aires como da região montanhosa. Talvez a primeira parte tenha me prendido mais, com os personagens do banco. As partes envolvendo a prisão meio méeehh. Mas nada que estragasse a experiência, assisti ao filme bem curiosa e feliz :) e dividi ele em 2 kkk agora num lembro se vi no mesmo dia prolongadamente ou de um dia pro outro. Mas tô aprendendo a fazer isso de cortar o filme sem grandes neuras kk enfim, mó legal o filme
Cashback, Bem-vindo ao Turno da Noite
3.7 529Eu ia ter gostado de assistir com 17 anos
Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte
3.2 79Tem spoilers:
Cara, que surpresa legal esse filme. Adorei! É muito bom que o nome do assassino/monstro seja "Little Death". Em francês "pequena morte"/"la petit mort" é uma expressão pra "orgasmo". Ligação entre sexualidade e terror/morte que atravessa o filme todo. Na verdade, a espacialidade entre as duas personagens e a estadia na casa cria algo tão confortável (no sentido de um espaço que vai se mostrando livre pro fantasiar sexual) que o terror com monstro-vilão parece se converter em algo mais relacionado ao conto de fadas. Os cenários como quadros pintados são lindos! (mas achei pesada a mão nos cenários artificiais parecidos com IA). Um conto de fadas sexual e gore.
Fico com uma ressalva de ser explicativo demais. Dava pra apostar em explicações menos explícitas. Mas, ao mesmo tempo, acho que o filme coloca uma questão com isso: a Billy parece se incomodar com o olhar hiper interpretativo que a cineasta coloca no filme... enquanto ela interpreta a franquia a partir de uma perspectiva de gênero, lendo no filme uma série de alegorias, a Billie diz que o filme é mais simples que isso, ele não "quer dizer" nada, ele é sobre "carne e fluidos". Achei lindo isso. Acho que o filme vai se guiando por essa problemática tb, ao tornar o monstro uma figura de linguagem (qual?) pra algo relativo ao sexual. Isso fica mega explícito. Diferente da franquia Camp Miasma dos anos 80, o filme que vemos no cinema não requer uma interpretação cultural, de gênero, etc etc. Ele já entrega toda a leitura pro espectador. Então, voltando ao início da frase: acho exagerado o didatismo, mas ao mesmo tempo ele corresponde perfeitamente a algo da proposta do filme.
Muitíssimo interessante também o conflito geracional entre as duas. Mas, mais que um conflito geracional que se resuma à diferença de idade, se trata de um conflito de discursos sobre a sexualidade. A cineasta com referências "woke" e "me too", com medo da própria fantasia, que contradiz sua posição política: a fantasia de ser uma vítima, a vontade de gozar nesse lugar, lugar onde se corre com os peitos balançando enquanto o assassino vem chegando. Billy diz: e daí, querida? E o que ela fez, enquanto jovem atriz na franquia Camp Miasma foi transformar o medo e a situação que poderia ter sido facilmente lida como "abusiva" (quando a personagem virgem vai transar sem muita vontade com o boy) em uma ponte pro fantasiar. O filme poderia fazer isso: o olhar de horror da jovem atriz é de medo do assassino/medo do sexo. Ela estava ali numa posição de abusada. Mas faz outra jogada: o olhar é de prazer. Não só de prazer, mas ela diz algo como "nunca mais tive um orgasmo como aquele". Ou seja, pra além de bom ou ruim, a cena meio voyer assassina gore creepy inaugura um jeito possível de gozar.
A moça mais jovem fala que a cena de sua fantasia com filmes slasher, - correr da morte - remete a um grande abandono... algo assim. Bem bonito o que ela fala. Um abandono necessário pro sexo, onde ao mesmo tempo estamos muito dentro do nosso corpo e muito sujeitos ao outro com quem o sexo é compartilhado. É um abandono mesmo... É muito lindo ela contando a fantasia dela! Achei emocionante.
As Pessoas ao Lado
3.1 3 Assista AgoraEu gosto muito do retrato desse tipo de experiência: dos laços improvavéis (como bem usou a esse termo o colega do comentário abaixo). Improvável porque se faz fora do escopo da identificação. Aqui, no caso, há uma radical diferença. De classe, de lugar político no mundo. E o laço se faz porque há curiosidade, porque há uma criança querida por todos que é capaz de unir. Gosto muito dessas histórias. Das relações que se fazem menos pela identificação e mais pela compahia, pelo desejo de compartilhar o tempo, etc. Só achei que mais pro final o filme pareceu apressado em terminar...
Natal Amargo
3.3 34Poxa, achei bem chato. O personagem do roteirista vai ficando um pé no saco também, no decorrer da história. Fico achando que o filme auto-representa seu próprio problema: um roteirista com dificuldades de encontrar um fio pra sua história, sai abandonando vários personagens, tenta se agarrar a algum fio que se desfaz a todo momento. Fico com a impressão de que a história da Elsa + boybombeiro + amigas só serve pra compor algo da autobiografia do próprio Almodóvar (o que não é um problema à priori). Digo isso pq (pra mim) a história não funcionou (não achei interessante). Ela não se sustenta porque é toda pelas metades, tem uma inconstância no ir e vir dos personagens que prejudicou minha vontade. Parece tudo quebrado. O eixo Elsa do filme, embora ocupe o maior tempo de tela, não tem força em si mesmo, parece mais servir a um argumento do que de fato transmitir algo.
Surda
4.0 6Lindo!
Sirāt
3.4 200 Assista AgoraAdorei. A amiga que foi comigo já não gostou tanto. Ela pontuou o aspecto non-sense e sem propósito do filme. Também disse sobre sentir que o filme fica um tanto "no meio do caminho", não explora com afinco nenhum de seus eixos (poderia ser a rave, a guerra, a relaçãoo pai & filha perdida, ampliar um pouco o léxico dos personagens da rave). Tirando pai e filho, nenuma outra relação é tão explorada.
Também concordo com ela. Mas, eu curti bastante! Achei que os personagens do grupo da rave foram apresentados mais como caricatura do que como indivíduos. Prescindiu de uma apresentação individual: eram um grupo interessado em dançar. Compartilhavam tudo. Um pequeno coletivo em busca de viabilizar alguma experiência sensorial, mesmo com o anúncio de uma guerra. Achei bem nonsense também, sem aparente finalidade rs. Mas isso não me incomodou, pq a experiência de assistir foi tão interessante... Tem uns elementos um tanto absurdos. Mas, meio que nao sao. Acho que joga um pouco com isso da guerra e do prazer num lugar surreal, mas ao mesmo tempo muito plausível. Achei q o filme poderia acreditar mais nele mesmo. Tipo, a icônica cena das explosões no deserto, puts, poderia ter rendido muitos mais minutos de dança ali. Eu pelo menos adoro cenas dançantes. Assistiria por horas. E se o filme aposta na música e na dança como temas, que deixasse esses elementos tbm serem comunicadores de algo. Que deixasse a imagem ter mais tempo de efeito pro espectador. Pq aquilo ali tava demais, aqueles corpos em sofrimento e devastação dançando no deserto. José parecia prestes a dançar a morte do filho quando a cena é interrompida.. enfim, fiquei afim de ver mais dança - acho que esse eixo conseguiria sustentar as outras ausências do filme, pq o ponto era justamente: "não há nada a fazer, vamos dançar". A dança como lugar de exílio. De expoliação da experiência de violência. A cena do carro caindo é MUITO booooa. Fiquei tensa demais. Caceta. E achei uma qualidade do filme nao se manter em um drama extremamente doloroso ali. Pq pelo menos eu nao ia sustentar assistir isso. O impacto tá na imagem, no som, na ação abrupta - e um pouco menos no aspecto pessoal da perda. Embora tenha, ele passa rápido. Intensidade, velocidade... O deserto e a guerra lá fora não pareciam ambientes cabíveis a um luto, ele ficou meio de fora, embora presente na aridez do cenário, no silêncio... no desconforto da falta de intimidade pra viver essa dor tão imensa. Fiquei tao imersa, que é só na cena final que percebo o problema da falta de "propósito". Nao sei se é um problema, exatamente. Talvez tanto uma guerra quanto uma rave sejam nonsense em lugares diferentes.
Desejos Femininos
3.3 11 Assista AgoraAdorei esse! Aquele clima totalmente cafona, anos 90 SBT 00h. Sem receio de soar politicamente incorreto, não tem uma covardia moral. É sobre o desejo excrotinho da personagem, que vai mostrando onde cinde justamente quando alguns vão deixando de topar seu jogo e ela se vê sozinha. Por mais que ela goze só (sozinha e somente) na sua fantasia, percebe que precisa de outro alguém pra poder sustentar a cena. Ela vai caindo toda quando vê que foi desalojada da sua posição (sempre esteve mais ou menos desalojada, não são todos que topam fabricar a fantasia dela junto, sem apontar alguma coisa que desmonta tudo). Tem uma tensão sexual o filme todo - que é o olhar que a personagem da Tilda distribui pras coisas. Pras coisas, objetos, literalmente. Close na roupa dela, na textura do tecido, no jeito que mexe a mão. Bonzão e cafona!
O Morro dos Ventos Uivantes
2.9 311 Assista AgoraHorrível. Nessa leva de filmes que parecem um vídeo clipe, parece nem que tem roteiro essa bomba. Só cenas "bonitas" sem sustança nenhuma.
Nunca li o livro, mas além do filme ser ruim, parece uma péssima adaptação. Miraram no erotismo sadomaso proibidão e erraram fei. Embelezaram de uma estética comercial o que poderia ser da ordem de um desejo transgressor, e a transgressão vira um pano de fundo irrelevante na narrativa - um mero penduricalho que só serve pra paparicar dois ícones sexuais padrão e com zero química e tesão.
Não sei como é o livro, mas falando do que o filme apresentou, achei que um gancho possível pra explorar a transgressão é o fato de que eles são praticamente irmãos. Inclusive ela nomeia ele com o nome do irmão. Esse componente no jogo erótico deles também ficou totalmente de lado...
Homem com H
4.2 535 Assista AgoraJesuíta arrasou demais como Ney! Gostei bastante do filme, é envolvente, sensual, convocativo, provocador. A cena do primeiro show (Secos & Molhados) é muito boa, ali Ney fazendo sua estréia, parecendo um bicho de outra esfera da terra. Que homi talensoso, criativo. Artista, né. As cenas eróticas são belíssimas, a sensualização do corpo masculino (e do corpo gay masculino) tem uma carga muito massa, em geral é mais comum ver o corpo feminino ocupando esse lugar no cinema. Os soldados no sol, os olhares e bocas muito próximos, coxas, bundas, volume do pênis na sunga, peitorais peludos, etc, achei magnífico. O corpo do Jesuíta encarnando Ney também é pura sensualidade, lindo demais! Poderoso poder colocar essa sensualidade viada masculina na tela dum filme que vai ser visto por bastante gente, como esse. Do meio pro final, talvez, achei que o ritmo do filme acelerou, as cenas tomaram um tom meio vídeo-clipe. Um tanto de imagens sem uma grande carga na história. Parece que quiseram muito fazer algo "completo" demais, mostrar "toda" a história (as partes que acharam relevantes, e de fato foram ótimas escolhas e recortes da vida do Ney), mas nisso achei que perderam algo, também. De repente, poder ir mais devagar, dar foco maior a algum detalhe, a alguma relação... Parece que as pessoas vem e vão com muita facilidade. Enfim, como espectadora senti essa aceleração no ritmo e não me agradou muito. De todo modo, o filme é lindo, gostei bastante. O Brasil tem artistas da música (e outros vários) maravilhosos! Agora quero assistir "Os famosos e os duendes da morte" do mesmo diretor, Esmir Filho.
Oeste Outra Vez
3.6 106 Assista Agoramuitíssimo bom!!! e que humor é esse? achei muito inteligente e bem colocado, ri bastante kkk o diálogo dos dois comparsas no quarto é genial kkkkkk haja choro, pinga e modão.
muito boa a sacada de não ter nenhuma mulher no filme, pq a base do roteiro e da vida deles é isso, se relacionar com as mulheres pela ausência das mesmas ou através das disputas de poder com outros homens, nunca com elas.. até pq a sugestão de um amigo pro outro é quase sempre "pq cê não arranja outra?". denuncia todo esse modus operante de um homem tradicional e interiorano, mas sem colocá-los em um lugar simples de "perversidade". esse respeito e boa construção dos personagens aparece pela via do humor, mas também pelo retrato do sofrimento intenso que todos esses homens estão passando. cara, a cena do senhor contando do trabalho é muuito triste... conta da violência que sofreu (de ser marcado como um boi) como "ah, as brincadeiras do pessoal". essa violência repassada chega a ser invisível de tão cotidiana e natural. como se ser marcado como um boi fizesse parte dessa construção de ser um homem, algo banal.
RRR: Revolta, Rebelião, Revolução
4.1 357 Assista AgoraCara, jamais achei que gostaria de um filme assim kkkkk mas devo dizer que adorei e me emocionei pra caramba. É horrível, mas muito bom kkkk tem que se deixar levar pela experiência do entretenimento, através dela vem um sentimento de anti-colonialidade muito forte.
A cena do Bheem cantando (quando sendo açoitado em praça pública) e transmitindo o sentimento de revolta pra galera é muiiiito boa! Super cena. A adorei que o Rama é um revolucionário infiltradíssimo, depois ele volta todo metamorfoseado em um arqueiro com flechas de fogo e chinela de couro kkkkk bom demais
Babygirl
2.7 496 Assista AgoraFilme bom de ver. Um tanto leite com pêra, considerando a temática (relações de poder capitalismo sexualidade etc). Com esses 3 elementos aí o filme podia ser muyy mais interessante. Tem temáticas supostamente ""polêmicas"" apresentadas de um jeito medroso.
Suaviza o tema e traz algum pingo de normalização pras práticas incomuns no sexo, e acho que isso tem seu valor. Mas esse excesso de querer deixar tudo "normal" tira um pouco da força da crítica dessa sexualidade em sua relação com o capitalismo, o fato de Nicole Kidman ser uma C&O e curtir práticas BDSM na posição masoquista não é nem um pouco atoa ou mera coincidência. Penso também que "normalizar" não parece uma saída interessante, pelo menos esteticamente. Mais envolvente seria colocar em cena justamente o que é abjeto na sexualidade "desviante" (podendo inclusive questionar o que é o desvio, já que a personagem princiapal supostamente se encaixa em tudo que é relativo a norma e ao sucesso).
De todo modo, um filme bacana. O fato do boynovinhomagia chegar já propondo de cara os "fetiches" da personagem da Kidman é muito interessante, no mínimo. Ela encontra articulação com esse desvio sexual do qual ela nunca encontrou lugar justamente no trabalho, o lugar mais banal e cotidiano possível. E assim, um tanto do nada isso aparece. Se contrapondo/dialogando justamente com meu argumento anterior aí de cima hahah, talvez os desvios da Kidman não sejam tão desviantes assim... puderam ser encontrados sem que ela os procurasse! Uma "coincidência" que evidencia, a certo modo, a possibilidade de encontro com um modo específico de gozar no laço social, e não só na fantasia. Não apenas sozinha, escondida do marido. Ps: cena dançante do boyzinho uma belezura.
A Semente do Fruto Sagrado
3.9 160 Assista AgoraCaraa, muito muito bom! Os silêncios e segredos da casa foram muito bem retratados e são imagem de várias outras famílias por aí, não só iranianas. A autoridade a princípio silenciosa do pai só foi existindo pq estava mediada pela mãe. Não fosse a submissão da esposa ao marido, não haveria autoridade paterna que se sustentasse frente as duas filhas dispostas a questionar a hierarquia que já não cabe mais, que tem argumentos ruins, "pq deus quis" ou "pq sou seu pai".
A justaposição entre o conflito político e o familiar foi mtmt bem colocada, o dilema do país e o dilema da casa não são assim tão distantes. As irmãs se comunicando em silêncio através das mensagens no celular(!!!) achei uma baita cena. A repressão política e materna agindo num só ato.
Acho que o final perdeu um pouco a razão de ser kkk escrachou muito a violência do pai e acho que isso fez perder um pouco a força política da narrativa no nível macro. Tornou íntima demais a questão. O espectador não conhecia tanto o personagem do pai, não achei verossímil ele passar a ser um agressor e sequestrador da família. Até pq no começo do novo emprego como juíz ele estava em alguma medida questionando a pena de morte e a "corrupção" do sistema (que o obrigava a condendar pessoas as cegas). Por não mostrar tanto dele no trabalho, achei abrupta a metamorfose do personagem. Não que não seja plausível na realidade. Super é. Mas enquanto recurso narrativo na história achei que ficou solto.
De todo modo, um filme muito bom, vale a pena ver no cinema. Achei massa que ele dá localidade política ao conflito: as pessoas estão protestando contra a teocracia e a favor de maiores liberdades às mulheres. Alguns filmes deixam solto o motivo da revolução e nem sempre isso é interessante.
Baby
3.5 89 Assista AgoraUau! Quanta coisa acontece aqui. Vários lares em meio a vulnerabilidade queer e de classe.
Anora
3.4 1,2K Assista Agorari bastante
Malu
4.1 73 Assista AgoraMUITOooooo bom.
Assistiria mais 5horas desse filme. Diálogos fantásticos e tão possíveis, mesmo quando de trata do monólogo de desabafo da Lili relembrando a tragédia familiar da infância (o diretor comentou pós sessão que trabalhou com as falas do texto neuroticamente, tentando deixar o mais natural e mais próximo possível da realidade). A Carol Duarte muda toda a composição das cenas, é muito bom quando ela está. Ora senti raiva das personagens, ora outra coisa – não sei o que, mas algo da ordem de uma estranha admiração pela sinceridade com a qual a Malu toma a palavra, por exemplo. Uma intensidade que arrasta tudo. A cena/fala final putssssss!!!!!!! Me emocionei demais. Uma geração faz revolução, enquanto a outra descansa... e assim vai sendo. Vários sonhos estancados. Vi tanta gente nessa personagem da Malu. Gente que expõe esses sonhos "megalomaníacos" na esperança de que a força, intensidade e vontade com que falam possa por si só já produzir algo na materialidade. Mas não é bem assim... Um furacão violento, Malu. Violência que vem de antes, duma germinação familiar já antiga. Romper é difícil. Joana rompeu com o custo de se separar por muitos anos da mãe. Coragem também. O Tibira, uau!! que personagem e que ator maravilhoso...
Na primeira cena da Joana com a mãe já dá pra ver tanta coisa pqp. Não tem nada fora do lugaí em termos dos diálogos, dos movimentos, dos modos delas se olharem etc tudooo. Ri um riso estranho várias vezes. De desespero kkk
Retrato de um Certo Oriente
3.7 14aaaah, tem uns filmes de viagem tão bons!! essas sequências que vão levando a gente pra sei lá onde, junto dos personagens na curiosidade e incerteza duma viagem desse tipo. fiquei fascinada pelo filme.. me senti uma libanesa indo conhecer o Brasil. essa sensação foi tão interessante, de ir conhecer o Brasil junto com os irmãos... realmente senti que chegaria pela primeira vez no meu próprio país. alguma coisa no modo de construção do filme me causou isso.
esse amor do futuro casal construído aos olhares é uau! a cena deles chupando manga :') o irmão me passou raiva o filme todo, mas no final, quando a raiva dele vai se decompondo em tristeza, é só o que senti também, uma tristeza solidária a ele. as últimas imagens do rosto do Emir, no casamento da irmã, são fortíssimas. dá pra ver toda a contradição do que ele sente ali.. um rosto muito triste, mas também muito feliz pela felicidade da Emilie. parece que ele sabe que é um tipo de alegria que ele não vai conseguir habitar. tem pequenos detalhes incestuosos que vão se insinuando durante filme.. incesto não necessariamente no sentido explícito do desejo sexual, mas da vontade do irmão de fazer dele e da irmã um-só. essa rocha de irmão vai se quebrando frente essa impossibilidade imposta pela própria experiência da vida. pelo desejo da irmã por viver.
avee, lindo demais da conta!!
Sidonie no Japão
3.3 9 Assista Agoraaaaaah...<3
O Quarto ao Lado
3.6 192 Assista AgoraLindo lindo lindo...
Tilda Swinton a melhor inteligência artificial que temos.
Esse filme traz uma paz pra morte. Dignifica, tranquiliza e naturaliza... Torna o ato de morrer mais possível de ser vivido. Tanto pra quem vai, quanto pra quem fica. Gostei muito! Detestei "mães paralelas", fui com algum receio por conta disso...
Debates atualíssimos. Estreado logo nas mesmas semanas da eutanásia do Antonio Cícero.
As falas sobre questões climáticas super localizam o espectador também um tanto perto da morte. Medo compartilhado. Morrer junto me pareceu algo muito digno. Escolher a companhia. Destinar os pertences antes de partir. Ver uns filmes. Passar batom. e ir embora dessa vida.
Caminhos Cruzados
4.1 49 Assista Agorabelíssimo!! já assisti "e então nós dançamos", do mesmo diretor, gostei muito. esse aqui foi uma grata surpresa também. um filme de viagem... eles tinham uma missão, mas a missão não os poupou de experimentar a cidade e o que viesse no caminho - e o diretor também vai tecendo isso, mostrando pequenas tramas com personagens secundários. deu muita vontade de conhecer Istambul. lindo como as amizades são improváveis numa lógica normativa, mas tudo vai encontrando seu lugar, sem que as diferenças se apaguem.
La Chimera
3.8 49 Assista AgoraAlice Rohrwacher faz filmes como quem sonha. Sair da sala de cinema é como despertar duma soneca delicada. “La Chimera” traz um tempo deslocalizado – no seu cinema é sempre difícil determinar uma época histórica, um ano, uma década (“Feliz como Lázaro” é feudal & tecno). Isso porque seu sublime dá corda a certa mistura entre memória, corpo, cidade, campo. Uma anti-geografia. Uma estética de tempo indefinido. Em La Chimera, Brasil, Itália e Inglaterra. A senhora na cadeira de rodas falando uma língua matriarcal que se faz através da violência, do permanecimento no espaço da casa – que não deixa de ser o espaço do passado;
passado onde as coisas não passam;
onde a morte não pode passar, e portanto não pode ir embora. O personagem de Arthur, ladrão-amado e anti-héroi, narrado através dos elementos arqueológicos materiais (recalcados no chão) e imateriais (fossilizados na memória). É indefinido. Indefinido porque não pousa. E não pousa porque não pode pousar – andarilho, itinerante, apátrida. Sem chão – embora extremamente fincado lá, no mais essencial dos solos (o do amor e da morte). Um homem ora bruto ora encantado por um dom que seduz, enigmatiza, desumaniza. Ele e sua quimeras… Seu presente mais íntimo que parece vir com um preço alto, o preço de não poder voar para cima. Ele caminha, caminha, caminha, e só caminha pra trás. Seu andar é sempre um regresso. Ainda quando ele tenta – beijar outra boca que não aquela, primeira – a terra o suga de volta. Como se trabalhasse para a terra, como se impossível fosse seguir a vida, como se o elemento onírico e escavador de recordação fosse seu único possível. Ainda que convidado a estar entre várias outras – mulheres e crianças – numa espécie de lar encantado, há uma imagem que o assombra, uma imagem para a qual não pode deixar de não retornar. Uma tristeza, uma beleza... Poxa, gosto muitíiissimo desse cinema. Graciassssss, Alice
Pobres Criaturas
4.1 1,3K Assista Agoramuuyy divertido. cenários do mundo fantástico, "retrô futurista", como disse a pessoa que assistiu comigo. um filme feminista. gosto muito de como a narrativa sexual tem centralidade e é inseparável da descoberta da vida. descobrir o mundo e descobrir o sexo como sendo a mesma coisa, um só ato ou atos simultâneos. por isso acho que as cenas de sexo deveriam ter sido melhor exploradas... foram curtas, um tanto quanto tímidas e tradicionais pensando que o diretor é o Yorgos. é o filme menos estranho dele. não tem aquela marca de personagens com comportamentos absurdos e incompreensíveis, é mais racional, conforme o discurso tradicional da ciência que os personagens pautam. a marca maior do Yorgos aqui talvez tenha ficado p/ trilha sonora. é bem engraçado e bom de ver. os homens tentando aprisioná-la, cada um com seu discuso... discurso amoroso, discurso médico-científico. são marcas fortes do patriarcado que os personagens homens representaram muito bem... figurino chiquérrimo também.
Os Delinquentes
3.3 26 Assista AgoraNum consigo dar nota, mas vai 3,8. Gostei bastante desse! Trata de temas bem contemporâneos relacionados ao trabalho e ao uso do tempo. Fiquei pensando nessa intuição de despertencimento às cidades, ao mesmo tempo uma falta de coragem/vontade/possibilidade de sair delas e de fato morar no interior, "longe"... São dilemas de vários de nós, humanos urbanos desse tempo.
Mostram o roubo ao banco como a alternativa mais possível e plausível pra mudar de vida(/viver a vida). É engraçado e trágico. Mas a radicalidade da ideia de roubar o banco (embora seja executada sutilmente e sem grandes alardes) casa bem com a radicalidade do ato de doar metade ou mais da metade do tempo de vida pra um trabalho sem sentido, chato, repetitivo. Também pensei como o bicho homi da cidade é bêsta e carece de experiências de maior carga sensível. No filme o Morán conhece a mina, xona, quer mudar pra cidade de interior e levar uma vida mais próxima a natureza, tudo bem rápido... é como se a gente (bicho homi y mulher da cidade do trabalho etc) tivesse perdido o básico do básico, uma certa fagulha de encantamento, conexão com a vida - nuvens cavalos rios intimidade etc - que qualquer experiência de proximidade com esses elementos é altamente transformadora, catártica. O que não é um problema. Só fiquei pensando nisso agora... no quanto o personagem do Morán é carente de companhias, de experiências significativas. Não mostra muito da vida pregressa dele, mas aparenta ser um cara bem "normal". Isso é legal no filme, é um filme de assalto em que os assaltantes são cidadãos comuns, de vidas pacatas e normais... Só estão cansados de trabalhar, que nem quase todo mundo.
Ah, os diálogos entre eles (cineasta, irmãs e os "protagonistas") são mei esquisitos. Não me convocaram muito... Trilha sonora maravilhosa. Cenas lindas. Tanto de Buenos Aires como da região montanhosa. Talvez a primeira parte tenha me prendido mais, com os personagens do banco. As partes envolvendo a prisão meio méeehh. Mas nada que estragasse a experiência, assisti ao filme bem curiosa e feliz :) e dividi ele em 2 kkk agora num lembro se vi no mesmo dia prolongadamente ou de um dia pro outro. Mas tô aprendendo a fazer isso de cortar o filme sem grandes neuras kk enfim, mó legal o filme
Rotting in the Sun
3.5 103 Assista AgoraQue claustrofobia
Personagens detestáveis