Mesmo sendo um grande admirador de Bruce Lee somente fui me dar conta de que não tinha visto seu primeiro filme pós-retorno a Hong Kong agora, ao terminar de ler a biografia escrita por Matthew Polly (que, aliás, recomendo).
E é muito bom ver como fica clara a tentativa de Bruce Lee em alterar o filme, em colocar algo com a sua personalidade e, ao mesmo tempo, sendo limado por Wei Lo. Isso porque era uma história que já existia, que estava em andamento, com outro protagonista e, quase que de uma maneira artesanal, o filme acabou sendo alterado enquanto corriam as gravações, com o protagonista sumindo na meia hora inicial, Bruce Lee tomando a cena mesmo que sem falas e cenas de lutas tendo que ser adaptadas entre aquilo que o público já estava acostumado e o realismo que Bruce Lee queria. Você quase consegue dividir o filme com uma faca.
E isso acaba sendo a resposta visual ao espírito da época: o espectador fica hipnotizado por aquela figura e quer vê-lo lutando, mas não uma luta de pulos e piruetas, mas uma luta real, de socos, chutes e camisas enrolando nos braços. Não à toa que, a partir daqui, o público exigiu mais.
Melhor que o anterior, tanto na criação desse universo quanto nas cenas de luta. No entanto, ainda sofre do mesmo problema ao criar diversas cenas, com introdução de personagens, sem fazer qualquer apresentação, inserindo nomes aleatórios e deixando o espectador deslocado nesse contexto. O plot twist final agrega bastante aos personagens já conhecidos.
A meia hora final é muito boa, com boas cenas de luta, coreografias e com um vilão que realmente torna o desafio difícil. No entanto, até chegar lá o filme acaba se desenrolando desnecessariamente por diversos dramas que poderiam muito bem ser resumidos para não prejudicar o desenvolvimento do personagem. Se tivesse meia hora a menos conseguiria contar a mesma história, com os mesmos acontecimentos e com uma eficácia maior.
É um bom filme, visualmente impecável, excelentes efeitos, personagens e atuações. Mas o excesso de falas rápidas, sempre com nomes e em um curto espaço de tempo deixa o espectador tão confuso que você não consegue ficar imerso na história, sempre tentando lembrar "Quem são essas pessoas????".
Muito extenso além do devido, deixando o filme cansativo por volta de uma hora. Acaba se dedicando à diversas cenas de luta, sempre no estilo de Jackie Chan em misturar humor com Kung Fu. Não é particularmente o tipo de visão que eu gosto para o Kung Fu, longe dos ensinamentos e do crescimento pessoal, mas ainda assim é interessante de ver. Vale como passatempo.
Confesso que considerei sua metade inicial confusa pelo fato de o filme fugir do padrão comum nos filmes de luta. Aqui, diferente do protagonista que utiliza da luta como uma forma de crescimento pessoal, ele inicia de uma forma negativa, pagando o preço pela soberba e é justamente na ausência da luta que começa a olhar a vida com mais leveza e valores.
E é este o ponto que fez o filme funcionar: seu início é propositalmente frenético e incômodo justamente para que nem mesmo o espectador valorize aqueles momentos, contando esta história da mesma forma de uma lenda em que é necessário se analisar o todo para compreender a mensagem. Com isso as lutas iniciais tem diversos cortes e jogos de câmera enquanto as lutas finais tem mais realismo e beleza, como se quisesse mostrar ao espectador a diferença entre briga e esporte. Quando o personagem tem sua pausa e respira, automaticamente ele nos dá a mesma oportunidade e o filme toma uma outra forma.
Acabou me surpreendendo positivamente, seja em questão de técnica de animação (principalmente nos dez minutos iniciais, com muita textura de areia ou do próprio disco de ouro da Voyager) quanto em roteiro. É uma história com uma premissa inicial um pouco diferente apesar de, no seu desenrolar, acabar trazendo mais do mesmo sobre a velha história de se sentir deslocado, família, solidão e etc.
Talvez seu maior problema seja que fiquemos extremamente satisfeitos com o filme até sua primeira hora inicial, em que surgem vários conflitos que vão sendo solucionados, ficando um pouco cansativo quando estes mesmos conflitos vão se estendendo com o intuito de ligar as últimas pontas soltas. Poderia ser melhor trabalhado em sua conclusão.
Quando Hithcock fez Pavor nos Bastidores nos anos 50 após uma série de filmes bons, foi massacrado a ponto de ele próprio afirmar que cometeu um erro grave no filme ao, após sua metade inicial, alterar tudo aquilo que havia mostrado sobre seu protagonista. Isso fez com que o público se afastasse da história por não ter mais nenhum vínculo emocional.
70 anos depois, infelizmente, Bugonia comete o mesmo erro. A história é incrível e o filme é puramente roteiro. No entanto, é impossível querer que o público, em 120 minutos, mantenha o mesmo vínculo e empatia com seus personagens quando altera diretamente a percepção que temos sobre eles a cada 20 minutos. Ele é psicológico, traz temas atuais, conflitos, mas com tanta coisa feita para surpreender que você não se importa com nada disso.
Com isso o filme não só fica lento, mas também faz com que você sequer tenha interesse naquele desfecho visto que não possui a menor ideia do que é verdade ou mentira. A história tem tantas alterações que até mesmo as atuações acabam sendo prejudicadas, visto que você perde até mesmo o norte do que é drama e do que é absurdo.
Funcionaria muito melhor como livro, com um tempo maior para digerir cada acontecimento. Como filme, é ok.
Aqui o negócio ficou difícil para Wagner Moura e O Agente Secreto. Isso porque Marty Supreme é uma boa forma de como contar uma história de um protagonista reprovável sem perder o público. Ele dedica boa parte de sua hora inicial colocando esse personagem sofrendo uma série de injustiças para que, quando o filme começa a mudar de figura e ele começa a cometer atos cada vez mais pesados e desprezíveis, mesmo que não o apoiemos, ainda fiquemos com o desejo de que ele não se dê mal na vida por conta de tudo o que sofreu. Talvez o grande trunfo do filme sejam a atuação do Chalamet, que consegue criar esse personagem cativante de uma forma crível e até mesmo lunática, junto com o roteiro e a montagem, dando um aspecto de série ao filme, com blocos de histórias de 30 minutos que vão se unindo e ficando maiores à medida do final. Realmente, se levar, não tem como dizer que foi roubado.
P.S.: O filme quase me perdeu com os acontecimentos do cachorro (animais sofrendo são meu limite em qualquer obra) mas fiquei satisfeito que, no final, ele foi o único que sobreviveu. P.S.2: Impressão minha ou o filme ainda fez uma piada final ao colocar uma criança parecida com o marido traído?
Apesar de ter sua hora final bem interessante, o filme tem um sério problema de excesso em seu roteiro, colocando personagens demais em seu início, diversas tramas paralelas que vão se encontrando e desencontrando, clichês feitos somente para serem desperdiçados e cenas inteiras somente para fazer referência ao Spielberg. Sim, é um filme divertido, bem sessão da tarde daqueles que assistíamos e ficávamos apontando as falhas no estilo de "Como o óculos desse homem ainda está na cara?" ou "Mas o fulano não estava com a perna ruim?", ou seja, não tem como levar a sério (mesmo com o filme se levando a sério, e é por isso que ele não funciona. Até mesmo os efeitos, responsáveis por uma indicação ao Oscar, estão bem ruins, sendo gritante a tela verde.
Li Hamnet há aproximadamente dois anos, quando quis suprir uma lacuna de nunca ter lido Shakespeare na vida e procurei antes ler sobre o próprio autor. E como adaptação acaba sendo uma obra extremamente fiel e, mesmo nos momentos em que transcende a obra, acaba fazendo isso de forma necessária. Afinal, ao dedicar, com muita coragem, toda sua meia hora final para a apresentação, mantendo a dificuldade dos diálogos e evitando ao máximo ser explicativo, estende a ação para além do livro, dando uma dimensão muito maior do impacto e do que é viver para a eternidade. Ainda assim, mesmo tendo uma ótima ambientação, te transmitindo todo o período, sofre do mesmo mal do livro: Agnes é a protagonista. No entanto, pelo pouco que se sabe de sua vida, mesmo sendo uma personagem muito bem construída, ainda não tem peso suficiente para um protagonismo, ficando às sombras de Shakespeare que domina a cena somente com seu peso histórico. Com isso, até mesmo aqui, com Jessie Buckley tendo excelentes momentos, no final você acaba se lembrando mais do Paul Mescal.
Cansativo, mesmo tendo muitas características de Gabriel Garcia Márquez em sua história, um escritor que gosto. É gritante nas referências, como o morto que continua aparecendo sempre calado, ou o realismo fantástico de não saber se algo é real ou imaginário (principalmente próximo ao final), ou ainda o ato de se maravilhar com um voo, remetendo ao mesmo sentimento do Coronel Aureliano com o gelo. Por conta disso, mesmo com uma ambientação muito boa, o filme acabou ficando com um aspecto de repetitivo para mim, sempre remetendo à outra história que já havia visto (e lá de forma muito melhor do que aqui, por sinal). É visualmente bonito e, por ter menos de 120 minutos, não acaba sendo uma perda de tempo, mas é esquecível.
Um ótimo exemplo de um filme que, mesmo tendo sua principal função arrecadar milhões com patrocínios, marcas e incentivar a circulação de dinheiro do próprio esporte, se preocupa ainda em criar um produto de qualidade.
Porque é isso, F1 não é só um macacão de F1 na tela, mas também tem uma boa história, simples ao estilo do Cavaleiro Solitário que chega em algum lugar com uma missão, ajuda a todos e vai embora, aliada a uma técnica surpreendente. Mesmo quem não morre de amores por esporte ou não conhece nada acaba ficando fissurado e a montagem aqui é o que realmente faz tudo brilhar, fazendo 2h:35 passar sem perceber.
Talvez não fique para a história do cinema, talvez seja substituído por algum outro filme de esporte em breve, mas realmente é uma obra que merece ser vista como um exemplo de qualidade.
E para nós, brasileiros, dá uma satisfação ver as diversas menções ao Senna como um dos melhores da história.
Acaba sendo bem agradável de assistir principalmente por corrigir a forma pedante como a mensagem moral era repassada no primeiro filme. Se antes atrapalhava o andamento da história e parecia algo quase pedagógico, aqui faz pleno sentido no contexto e, o principal, não trata o espectador como um idiota.
O ponto alto do filme é a compreensão de que Zootopia, por refletir o mundo animal, sempre pode ser expandido, mostrando novos bairros, territórios e tendo uma possibilidade muito maior em fazer piadas com o comportamento animal.
Este último elemento, aliás, é o que torna gritante a compreensão em como o filme foi feito de fato com amor, por pessoas que amam o cinema e a animação, prontas para mostrar um resultado de qualidade visto ter cenas até mesmo com uma duração razoável que são inseridas unicamente para uma piada ou para uma referência cinematográfica (como a feita sobre O Iluminado ou Ratatouille). Em um mundo em que qualquer cena extra é investimento em funcionários, trabalho, softwares e tempo de exibição, se dedicar alguns minutos a mais unicamente para mostrar algo cinematográfico é extremamente louvável nos dias atuais.
A ideia é muito boa, mas infelizmente acaba sendo atrapalhada pelo roteiro. Mostrar Silvio Santos fazendo um paralelo de sua vida com seus programas é bem interessante, mas querer inserir isso uma outra subtrama com a personagem da Manu Gavassi não deu certo. Sempre que o filme estava engrenando aparecia novamente toda uma trama dela com o namorado que fazia você querer acelerar e voltar para o Silvio. E mesmo com a atuação do Hassum não sendo das melhores ao mostrar o Silvio Santos no palco, causando uma estranheza, é quando ele representa o Silvio nos bastidores que a situação melhora. Vale um destaque à Regiane ALves que realmente rouba a cena como Íris Abravanel. Se tivessem trabalhado o filme por mais um ano, arrecadado mais recursos para fotografia e roteiro, tido mais tempo para entrosamento dos atores, seria impecável. No final é divertido, mas você vê que é um produto ainda precipitado.
Acaba sendo um filme agradável, mesmo vazio. Tem boas ideias que são lançadas mas sem ir à profundidade merecida. Você nunca sabe o suficiente sobre os personagens, seja para se apegar ou para odiá-los. Essa concepção é interessante no sentido de demonstrar que não existe certo ou errado nesta história, mas prejudica no ponto de que em nenhum momento você se importa com o drama dos personagens, mesmo com atores ótimos e atuações excelentes. Vale mais pelas referências e críticas ao cinema atual do que como drama familiar em si.
Realmente é gritante a qualidade da Disney na época em que o Lasseter comandava a criação. Zootopia é de fato um exercício criativo, a criação de um universo não unicamente como piada, mas como instrumento para dar credibilidade à história. A ideia é tornar este ambiente crível e com uma função para os personagens, podendo fazer com que todos socializem e, ao mesmo tempo, tenham características bem definidas para que lembremos de cada um deles. Confesso que gostei muito da condução a respeito do mistério, ao contrário dos diversos momentos de redenção pessoal da protagonista, sendo extremamente pedante em algumas falas, por vezes até mesmo sem qualquer contexto com o que estava acontecendo. Ao menos para mim todo o aspecto da infância da personagem acabou sendo irrelevante para a condução da história, tal qual a da Raposa, sendo uma mera repetição dos próprios diálogos dos personagens. Acaba ficando cansativo justamente por querer ser muito repetitivo para o espectador frisar a ideia.
Este aqui acaba sendo um ponto de virada nos filmes sobre a ditadura. Isso porque ele sai da zona de conforto do sequestro, exército, militares e procura tratar mais sobre a opressão do Estado sendo feita de uma forma que poderia (e em alguns locais persiste) se passar nos dias atuais, com perseguições e mortes por encomenda. Ele não quer contar uma história gigantesca, conhecida, de alguém que viraria estátua em praça pública, mas sim de alguém que, ao máximo, seria nota de rodapé no jornal e que, mesmo assim, ainda faz parte deste contexto de ditadura. E acho interessante porque a ideia do filme, ao tratar de uma história que possui diversas lacunas que estão tentando ser reconstruídas, segue propositalmente esta mesma ideia: Ele não quer te dar a resposta pronta. Ele mostra que, tal qual um pesquisador, você também vai precisar preencher os espaços vazios com aquilo que viu ou com o que deduz,
seja na própria morte da companheira de Armando/Marcelo, dito que se tratava de uma pneumonia, mas de uma forma a te deixar com dúvidas, seja no próprio destino do empresário ou tantas outras figuras, como a angolana, a parente desaparecida de Sebastiana e os demais refugiados
É por isso que sempre se frisa a ideia de se preservar a memória. O conhecimento e a abordagem dessa história é limitado pelo pouco que se sabe no próprio contexto do filme. O melhor talvez seja que Kléber consegue sintetizar o Brasil em um filme, com o rádio intercalando músicas bregas com internacionais, as conversas improvisadas, a tentativa de fazer qualquer coisa (sem sucesso) durante o carnaval, os funcionários comissionados, os favores, etc. Ele não foi feito para ser a obra máxima do Brasil. Ele foi feito para entender o Brasil.
Este faz parte das animações que são voltadas a um grupo específico. Apesar de adultos também poderem apreciar, aqui o foco são os pré-adolescentes. Então é normal, para quem não é da idade, se incomodar com os clichês da metade inicial ou achar estranho o estilo de animação, como se os personagens estivessem se movimentando de forma fracionada. Tudo parece ser (e de fato foi) criado para um bom material de merchandising ou para viralizar em rede social. Ainda assim, confesso que acabou me agradando bastante a criação desse universo, principalmente a metade final, mais focada nos vilões. Ao menos para mim o desfecho desta parte acabou sendo fácil demais, podendo ter uma luta que fizesse realmente você perceber a dificuldade que era enfrentar aquele inimigo.
Acabei me surpreendendo com o filme, talvez por não ser fã do Del Toro e com isso já ir esperando algo ruim ou cansativo. Considero ele um cara de excelentes ideias, principalmente no visual, mas com uma péssima execução, tanto que só tem dois filmes dele que realmente gosto: A Espinha do Diabo e o Segundo Hellboy. E por isso levei algum tempo até ver e, de verdade, acabei gostando muito. Óbvio, é visualmente impecável, como já era de se esperar mas o que tornou agradável é que ele busca contar a história de Frankenstein como uma fábula. Então sim, ainda tem a violência (com uma excelente cena inicial, diga-se de passagem), os monstros, coisas estranhas, mulher criando sentimentos por criatura e todas as características comuns do diretor, mas seu foco é contar de maneira extremamente simples uma história sobre escolhas, consequências e perdão, e isso é agradável de se ver. E, ponto relevante, ele não quer ser profundo, filosófico ou trazer temas a debates, algo que até chegou a me incomodar um pouco na primeira hora por não conseguir ver aonde Del Toro queria chegar. Ele só quer que você acompanhe aqueles personagens durante um tempo que, por sinal, passa extremamente rápido (a edição está de parabéns) enquanto esses próprios personagens assemelham esses ensinamentos somente em suas vidas, sem querer dar lição de moral ao espectador. Acaba funcionando justamente por ele ser modesto.
Fiquei reticente em ir ver o terceiro Avatar por dois motivos: eu odiei o segundo filme, mera repetição da história do primeiro (inclusive com a mesma estrutura e o mesmo vilão), e incompreensivelmente só encontrar Avatar 3 em sessões dubladas. No entanto, como normalmente vejo os filmes indicados ao Oscar (e Avatar sempre concorre, principalmente na categoria de efeitos especiais), acabei indo ver. E confesso que foi uma grata surpresa. Ele não é uma obra – prima do cinema mas ao menos é um filme bem mais honesto que o anterior. Sim, ele ainda é clichê, ainda repete o vilão (e, ao que tudo indica, James Cameron vai continuar insistindo no mesmo sujeito por mais alguns filmes na tentativa de transformá-lo em um dos grandes vilões do cinema ao estilo de um Darth Vader ou Thanos), mas ao menos aqui há uma criatividade, e isso que torna o filme interessante. Isso porque ele toma algumas decisões que, ainda que sejam óbvias no contexto, ampliam um pouco as características de Avatar, sendo diferente do costumeiro Fugir-conhecer novo povo- se adaptar – proteger esse povo. Aqui os próprios Na’vi são inimigos, e em uma composição bem interessante. Essa composição dos habitantes do fogo é muito boa, mesmo com a líder lembrando a Caipora e por vezes eu ficar falando na minha cabeça "Cracatau, a caipora vai embora". Mesmo com mais de três horas de duração o filme tem um bom ritmo, principalmente por usar uma técnica de colocar sempre três conflitos ao mesmo tempo para serem resolvidos, te deixando apreensivo em querer saber como será solucionado e, quando isto ocorre, vem um novo conflito para substituí-lo. Como o filme é bem entretenimento, mesmo a dublagem ruim da chefe Na’vi não chega a atrapalhar a história. E, óbvio, a qualidade técnica do filme é maravilhosa. Você percebe que James Cameron sabe que os efeitos de água dele são impecáveis, então usa várias vezes, basicamente jogando ondas na tela do espectador. Veria de novo? Não. Mas valeu muito ter visto no cinema, a forma como ele foi feita para ser visto.
Ele é um filme muito melhor enquanto você está assistindo. Ele tem uma boa história, ótimas atuações, um bom ritmo, é engraçado e non sense quando precisa, mas depois que termina, quando você vai se lembrando de tudo o que viu, acaba pensando "Ok, será que precisava de tudo isso mesmo para contar essa história?'. E o interessante é que você não vê nada que possa ser retirado ou cortado do filme, mas mesmo assim parece que ele peca pelo excesso. Afora isso é delicioso de assistir. O personagem do Sensei rouba a cena sempre que aparece e Del Toro consegue dominar o público bem mais que o Di Caprio (talvez pelo fato de que o seu personagem acabe nos inspirando mais revolta do que afeto). É político mas não a ponto de se comprometer: seus herois também são extremamente falhos e hipócritas, deixando a critério do espectador se quer vê-los como um exemplo ou como uma crítica. Tem uma sequência de perseguição final que é MUITO Hitchcock, cinema de alto nível, e também se utiliza da trilha para dar as respostas que o filme não consegue (ou, na verdade, sequer pretende) a dar,
Faz parte daquela nova leva de filmes em que se verifica uma decepção e um pessimismo americano. O movimento Hippie acabou, Charles Manson cometeu seus crimes, havia Guerra no Vietnã e o público se via imerso em um desabamento da forma como via o mundo e o futuro. Dirty Harry acaba sendo a personificação do americano naquele período misturado com o pessimismo máximo do que poderia se tornar, afinal ele é um sujeito que inicialmente quer fazer o certo, que já está amargo pelas perdas que teve mas que, ainda assim, busca fazer o que ninguém mais faz, seja como uma autopunição, seja por ser aquilo que é certo. No entanto, ele acaba ficando tão soterrado neste trabalho de enxugar gelo que acaba sendo engolido pela própria decepção. É um filme que, mesmo tendo um final "feliz", te deixa com uma carga pesada nas costas.
Acho que a falha desse filme é que ele é muito curto. Com dois momentos distintos, os dois são incríveis, seja na ambientação da primeira metade, com várias referências ao Delta Blues (fãs de Robert Jhonson não podem deixar de lembrar do cantor em nenhum momento), tanto quanto na segunda metade em que repentinamente o filme muda de figura e, confesso, quando vi isso acontecendo abri um largo sorriso no rosto e pensei "Eu já vi isso antes, e sei que vai ser excelente".
Porque é isso, mesmo ele tendo uma virada que não é uma ideia nova ainda assim acaba te prendendo. Você quer ver o que aqueles personagens irão fazer e se conseguirão sair dessa, se possível. Como dito, poderia facilmente ser mais longo, principalmente neste segmento final, a fim de tornar o conflito mais pesado do que ele é, mais perigoso e, claro, para perceber como uma noite toda demora para passar.
O Dragão Chinês
3.6 113 Assista AgoraMesmo sendo um grande admirador de Bruce Lee somente fui me dar conta de que não tinha visto seu primeiro filme pós-retorno a Hong Kong agora, ao terminar de ler a biografia escrita por Matthew Polly (que, aliás, recomendo).
E é muito bom ver como fica clara a tentativa de Bruce Lee em alterar o filme, em colocar algo com a sua personalidade e, ao mesmo tempo, sendo limado por Wei Lo. Isso porque era uma história que já existia, que estava em andamento, com outro protagonista e, quase que de uma maneira artesanal, o filme acabou sendo alterado enquanto corriam as gravações, com o protagonista sumindo na meia hora inicial, Bruce Lee tomando a cena mesmo que sem falas e cenas de lutas tendo que ser adaptadas entre aquilo que o público já estava acostumado e o realismo que Bruce Lee queria. Você quase consegue dividir o filme com uma faca.
E isso acaba sendo a resposta visual ao espírito da época: o espectador fica hipnotizado por aquela figura e quer vê-lo lutando, mas não uma luta de pulos e piruetas, mas uma luta real, de socos, chutes e camisas enrolando nos braços. Não à toa que, a partir daqui, o público exigiu mais.
New Kung Fu Cult Master 2
3.5 1Melhor que o anterior, tanto na criação desse universo quanto nas cenas de luta. No entanto, ainda sofre do mesmo problema ao criar diversas cenas, com introdução de personagens, sem fazer qualquer apresentação, inserindo nomes aleatórios e deixando o espectador deslocado nesse contexto. O plot twist final agrega bastante aos personagens já conhecidos.
Espadachim de um Braço
3.9 21 Assista AgoraA meia hora final é muito boa, com boas cenas de luta, coreografias e com um vilão que realmente torna o desafio difícil. No entanto, até chegar lá o filme acaba se desenrolando desnecessariamente por diversos dramas que poderiam muito bem ser resumidos para não prejudicar o desenvolvimento do personagem. Se tivesse meia hora a menos conseguiria contar a mesma história, com os mesmos acontecimentos e com uma eficácia maior.
New Kung Fu Cult Master 1
3.2 1É um bom filme, visualmente impecável, excelentes efeitos, personagens e atuações. Mas o excesso de falas rápidas, sempre com nomes e em um curto espaço de tempo deixa o espectador tão confuso que você não consegue ficar imerso na história, sempre tentando lembrar "Quem são essas pessoas????".
O Mestre Invencível
3.9 109Muito extenso além do devido, deixando o filme cansativo por volta de uma hora. Acaba se dedicando à diversas cenas de luta, sempre no estilo de Jackie Chan em misturar humor com Kung Fu. Não é particularmente o tipo de visão que eu gosto para o Kung Fu, longe dos ensinamentos e do crescimento pessoal, mas ainda assim é interessante de ver. Vale como passatempo.
O Mestre das Armas
3.8 234Confesso que considerei sua metade inicial confusa pelo fato de o filme fugir do padrão comum nos filmes de luta. Aqui, diferente do protagonista que utiliza da luta como uma forma de crescimento pessoal, ele inicia de uma forma negativa, pagando o preço pela soberba e é justamente na ausência da luta que começa a olhar a vida com mais leveza e valores.
E é este o ponto que fez o filme funcionar: seu início é propositalmente frenético e incômodo justamente para que nem mesmo o espectador valorize aqueles momentos, contando esta história da mesma forma de uma lenda em que é necessário se analisar o todo para compreender a mensagem. Com isso as lutas iniciais tem diversos cortes e jogos de câmera enquanto as lutas finais tem mais realismo e beleza, como se quisesse mostrar ao espectador a diferença entre briga e esporte. Quando o personagem tem sua pausa e respira, automaticamente ele nos dá a mesma oportunidade e o filme toma uma outra forma.
Elio
3.3 129Acabou me surpreendendo positivamente, seja em questão de técnica de animação (principalmente nos dez minutos iniciais, com muita textura de areia ou do próprio disco de ouro da Voyager) quanto em roteiro. É uma história com uma premissa inicial um pouco diferente apesar de, no seu desenrolar, acabar trazendo mais do mesmo sobre a velha história de se sentir deslocado, família, solidão e etc.
Talvez seu maior problema seja que fiquemos extremamente satisfeitos com o filme até sua primeira hora inicial, em que surgem vários conflitos que vão sendo solucionados, ficando um pouco cansativo quando estes mesmos conflitos vão se estendendo com o intuito de ligar as últimas pontas soltas. Poderia ser melhor trabalhado em sua conclusão.
Bugonia
3.6 428 Assista AgoraQuando Hithcock fez Pavor nos Bastidores nos anos 50 após uma série de filmes bons, foi massacrado a ponto de ele próprio afirmar que cometeu um erro grave no filme ao, após sua metade inicial, alterar tudo aquilo que havia mostrado sobre seu protagonista. Isso fez com que o público se afastasse da história por não ter mais nenhum vínculo emocional.
70 anos depois, infelizmente, Bugonia comete o mesmo erro. A história é incrível e o filme é puramente roteiro. No entanto, é impossível querer que o público, em 120 minutos, mantenha o mesmo vínculo e empatia com seus personagens quando altera diretamente a percepção que temos sobre eles a cada 20 minutos. Ele é psicológico, traz temas atuais, conflitos, mas com tanta coisa feita para surpreender que você não se importa com nada disso.
Com isso o filme não só fica lento, mas também faz com que você sequer tenha interesse naquele desfecho visto que não possui a menor ideia do que é verdade ou mentira. A história tem tantas alterações que até mesmo as atuações acabam sendo prejudicadas, visto que você perde até mesmo o norte do que é drama e do que é absurdo.
Funcionaria muito melhor como livro, com um tempo maior para digerir cada acontecimento. Como filme, é ok.
Marty Supreme
3.7 315 Assista AgoraAqui o negócio ficou difícil para Wagner Moura e O Agente Secreto. Isso porque Marty Supreme é uma boa forma de como contar uma história de um protagonista reprovável sem perder o público. Ele dedica boa parte de sua hora inicial colocando esse personagem sofrendo uma série de injustiças para que, quando o filme começa a mudar de figura e ele começa a cometer atos cada vez mais pesados e desprezíveis, mesmo que não o apoiemos, ainda fiquemos com o desejo de que ele não se dê mal na vida por conta de tudo o que sofreu.
Talvez o grande trunfo do filme sejam a atuação do Chalamet, que consegue criar esse personagem cativante de uma forma crível e até mesmo lunática, junto com o roteiro e a montagem, dando um aspecto de série ao filme, com blocos de histórias de 30 minutos que vão se unindo e ficando maiores à medida do final.
Realmente, se levar, não tem como dizer que foi roubado.
P.S.: O filme quase me perdeu com os acontecimentos do cachorro (animais sofrendo são meu limite em qualquer obra) mas fiquei satisfeito que, no final, ele foi o único que sobreviveu.
P.S.2: Impressão minha ou o filme ainda fez uma piada final ao colocar uma criança parecida com o marido traído?
Jurassic World: Recomeço
2.7 452 Assista AgoraApesar de ter sua hora final bem interessante, o filme tem um sério problema de excesso em seu roteiro, colocando personagens demais em seu início, diversas tramas paralelas que vão se encontrando e desencontrando, clichês feitos somente para serem desperdiçados e cenas inteiras somente para fazer referência ao Spielberg.
Sim, é um filme divertido, bem sessão da tarde daqueles que assistíamos e ficávamos apontando as falhas no estilo de "Como o óculos desse homem ainda está na cara?" ou "Mas o fulano não estava com a perna ruim?", ou seja, não tem como levar a sério (mesmo com o filme se levando a sério, e é por isso que ele não funciona.
Até mesmo os efeitos, responsáveis por uma indicação ao Oscar, estão bem ruins, sendo gritante a tela verde.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.2 407 Assista AgoraLi Hamnet há aproximadamente dois anos, quando quis suprir uma lacuna de nunca ter lido Shakespeare na vida e procurei antes ler sobre o próprio autor. E como adaptação acaba sendo uma obra extremamente fiel e, mesmo nos momentos em que transcende a obra, acaba fazendo isso de forma necessária. Afinal, ao dedicar, com muita coragem, toda sua meia hora final para a apresentação, mantendo a dificuldade dos diálogos e evitando ao máximo ser explicativo, estende a ação para além do livro, dando uma dimensão muito maior do impacto e do que é viver para a eternidade.
Ainda assim, mesmo tendo uma ótima ambientação, te transmitindo todo o período, sofre do mesmo mal do livro: Agnes é a protagonista. No entanto, pelo pouco que se sabe de sua vida, mesmo sendo uma personagem muito bem construída, ainda não tem peso suficiente para um protagonismo, ficando às sombras de Shakespeare que domina a cena somente com seu peso histórico. Com isso, até mesmo aqui, com Jessie Buckley tendo excelentes momentos, no final você acaba se lembrando mais do Paul Mescal.
Sonhos de Trem
3.7 339 Assista AgoraCansativo, mesmo tendo muitas características de Gabriel Garcia Márquez em sua história, um escritor que gosto. É gritante nas referências, como o morto que continua aparecendo sempre calado, ou o realismo fantástico de não saber se algo é real ou imaginário (principalmente próximo ao final), ou ainda o ato de se maravilhar com um voo, remetendo ao mesmo sentimento do Coronel Aureliano com o gelo. Por conta disso, mesmo com uma ambientação muito boa, o filme acabou ficando com um aspecto de repetitivo para mim, sempre remetendo à outra história que já havia visto (e lá de forma muito melhor do que aqui, por sinal). É visualmente bonito e, por ter menos de 120 minutos, não acaba sendo uma perda de tempo, mas é esquecível.
F1: O Filme
3.7 439 Assista AgoraUm ótimo exemplo de um filme que, mesmo tendo sua principal função arrecadar milhões com patrocínios, marcas e incentivar a circulação de dinheiro do próprio esporte, se preocupa ainda em criar um produto de qualidade.
Porque é isso, F1 não é só um macacão de F1 na tela, mas também tem uma boa história, simples ao estilo do Cavaleiro Solitário que chega em algum lugar com uma missão, ajuda a todos e vai embora, aliada a uma técnica surpreendente. Mesmo quem não morre de amores por esporte ou não conhece nada acaba ficando fissurado e a montagem aqui é o que realmente faz tudo brilhar, fazendo 2h:35 passar sem perceber.
Talvez não fique para a história do cinema, talvez seja substituído por algum outro filme de esporte em breve, mas realmente é uma obra que merece ser vista como um exemplo de qualidade.
E para nós, brasileiros, dá uma satisfação ver as diversas menções ao Senna como um dos melhores da história.
Zootopia 2
3.7 163Acaba sendo bem agradável de assistir principalmente por corrigir a forma pedante como a mensagem moral era repassada no primeiro filme. Se antes atrapalhava o andamento da história e parecia algo quase pedagógico, aqui faz pleno sentido no contexto e, o principal, não trata o espectador como um idiota.
O ponto alto do filme é a compreensão de que Zootopia, por refletir o mundo animal, sempre pode ser expandido, mostrando novos bairros, territórios e tendo uma possibilidade muito maior em fazer piadas com o comportamento animal.
Este último elemento, aliás, é o que torna gritante a compreensão em como o filme foi feito de fato com amor, por pessoas que amam o cinema e a animação, prontas para mostrar um resultado de qualidade visto ter cenas até mesmo com uma duração razoável que são inseridas unicamente para uma piada ou para uma referência cinematográfica (como a feita sobre O Iluminado ou Ratatouille). Em um mundo em que qualquer cena extra é investimento em funcionários, trabalho, softwares e tempo de exibição, se dedicar alguns minutos a mais unicamente para mostrar algo cinematográfico é extremamente louvável nos dias atuais.
Silvio Santos Vem Aí
2.4 43A ideia é muito boa, mas infelizmente acaba sendo atrapalhada pelo roteiro. Mostrar Silvio Santos fazendo um paralelo de sua vida com seus programas é bem interessante, mas querer inserir isso uma outra subtrama com a personagem da Manu Gavassi não deu certo. Sempre que o filme estava engrenando aparecia novamente toda uma trama dela com o namorado que fazia você querer acelerar e voltar para o Silvio. E mesmo com a atuação do Hassum não sendo das melhores ao mostrar o Silvio Santos no palco, causando uma estranheza, é quando ele representa o Silvio nos bastidores que a situação melhora. Vale um destaque à Regiane ALves que realmente rouba a cena como Íris Abravanel.
Se tivessem trabalhado o filme por mais um ano, arrecadado mais recursos para fotografia e roteiro, tido mais tempo para entrosamento dos atores, seria impecável. No final é divertido, mas você vê que é um produto ainda precipitado.
Valor Sentimental
3.9 366 Assista AgoraAcaba sendo um filme agradável, mesmo vazio. Tem boas ideias que são lançadas mas sem ir à profundidade merecida. Você nunca sabe o suficiente sobre os personagens, seja para se apegar ou para odiá-los. Essa concepção é interessante no sentido de demonstrar que não existe certo ou errado nesta história, mas prejudica no ponto de que em nenhum momento você se importa com o drama dos personagens, mesmo com atores ótimos e atuações excelentes. Vale mais pelas referências e críticas ao cinema atual do que como drama familiar em si.
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho
4.2 1,5K Assista AgoraRealmente é gritante a qualidade da Disney na época em que o Lasseter comandava a criação. Zootopia é de fato um exercício criativo, a criação de um universo não unicamente como piada, mas como instrumento para dar credibilidade à história. A ideia é tornar este ambiente crível e com uma função para os personagens, podendo fazer com que todos socializem e, ao mesmo tempo, tenham características bem definidas para que lembremos de cada um deles.
Confesso que gostei muito da condução a respeito do mistério, ao contrário dos diversos momentos de redenção pessoal da protagonista, sendo extremamente pedante em algumas falas, por vezes até mesmo sem qualquer contexto com o que estava acontecendo.
Ao menos para mim todo o aspecto da infância da personagem acabou sendo irrelevante para a condução da história, tal qual a da Raposa, sendo uma mera repetição dos próprios diálogos dos personagens. Acaba ficando cansativo justamente por querer ser muito repetitivo para o espectador frisar a ideia.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraEste aqui acaba sendo um ponto de virada nos filmes sobre a ditadura. Isso porque ele sai da zona de conforto do sequestro, exército, militares e procura tratar mais sobre a opressão do Estado sendo feita de uma forma que poderia (e em alguns locais persiste) se passar nos dias atuais, com perseguições e mortes por encomenda. Ele não quer contar uma história gigantesca, conhecida, de alguém que viraria estátua em praça pública, mas sim de alguém que, ao máximo, seria nota de rodapé no jornal e que, mesmo assim, ainda faz parte deste contexto de ditadura.
E acho interessante porque a ideia do filme, ao tratar de uma história que possui diversas lacunas que estão tentando ser reconstruídas, segue propositalmente esta mesma ideia: Ele não quer te dar a resposta pronta. Ele mostra que, tal qual um pesquisador, você também vai precisar preencher os espaços vazios com aquilo que viu ou com o que deduz,
seja na própria morte da companheira de Armando/Marcelo, dito que se tratava de uma pneumonia, mas de uma forma a te deixar com dúvidas, seja no próprio destino do empresário ou tantas outras figuras, como a angolana, a parente desaparecida de Sebastiana e os demais refugiados
O melhor talvez seja que Kléber consegue sintetizar o Brasil em um filme, com o rádio intercalando músicas bregas com internacionais, as conversas improvisadas, a tentativa de fazer qualquer coisa (sem sucesso) durante o carnaval, os funcionários comissionados, os favores, etc.
Ele não foi feito para ser a obra máxima do Brasil. Ele foi feito para entender o Brasil.
Guerreiras do K-Pop
3.7 211 Assista AgoraEste faz parte das animações que são voltadas a um grupo específico. Apesar de adultos também poderem apreciar, aqui o foco são os pré-adolescentes. Então é normal, para quem não é da idade, se incomodar com os clichês da metade inicial ou achar estranho o estilo de animação, como se os personagens estivessem se movimentando de forma fracionada. Tudo parece ser (e de fato foi) criado para um bom material de merchandising ou para viralizar em rede social.
Ainda assim, confesso que acabou me agradando bastante a criação desse universo, principalmente a metade final, mais focada nos vilões. Ao menos para mim o desfecho desta parte acabou sendo fácil demais, podendo ter uma luta que fizesse realmente você perceber a dificuldade que era enfrentar aquele inimigo.
Frankenstein
3.7 596 Assista AgoraAcabei me surpreendendo com o filme, talvez por não ser fã do Del Toro e com isso já ir esperando algo ruim ou cansativo. Considero ele um cara de excelentes ideias, principalmente no visual, mas com uma péssima execução, tanto que só tem dois filmes dele que realmente gosto: A Espinha do Diabo e o Segundo Hellboy.
E por isso levei algum tempo até ver e, de verdade, acabei gostando muito. Óbvio, é visualmente impecável, como já era de se esperar mas o que tornou agradável é que ele busca contar a história de Frankenstein como uma fábula. Então sim, ainda tem a violência (com uma excelente cena inicial, diga-se de passagem), os monstros, coisas estranhas, mulher criando sentimentos por criatura e todas as características comuns do diretor, mas seu foco é contar de maneira extremamente simples uma história sobre escolhas, consequências e perdão, e isso é agradável de se ver.
E, ponto relevante, ele não quer ser profundo, filosófico ou trazer temas a debates, algo que até chegou a me incomodar um pouco na primeira hora por não conseguir ver aonde Del Toro queria chegar. Ele só quer que você acompanhe aqueles personagens durante um tempo que, por sinal, passa extremamente rápido (a edição está de parabéns) enquanto esses próprios personagens assemelham esses ensinamentos somente em suas vidas, sem querer dar lição de moral ao espectador.
Acaba funcionando justamente por ele ser modesto.
Avatar: Fogo e Cinzas
3.5 273 Assista AgoraFiquei reticente em ir ver o terceiro Avatar por dois motivos: eu odiei o segundo filme, mera repetição da história do primeiro (inclusive com a mesma estrutura e o mesmo vilão), e incompreensivelmente só encontrar Avatar 3 em sessões dubladas. No entanto, como normalmente vejo os filmes indicados ao Oscar (e Avatar sempre concorre, principalmente na categoria de efeitos especiais), acabei indo ver.
E confesso que foi uma grata surpresa. Ele não é uma obra – prima do cinema mas ao menos é um filme bem mais honesto que o anterior. Sim, ele ainda é clichê, ainda repete o vilão (e, ao que tudo indica, James Cameron vai continuar insistindo no mesmo sujeito por mais alguns filmes na tentativa de transformá-lo em um dos grandes vilões do cinema ao estilo de um Darth Vader ou Thanos), mas ao menos aqui há uma criatividade, e isso que torna o filme interessante.
Isso porque ele toma algumas decisões que, ainda que sejam óbvias no contexto, ampliam um pouco as características de Avatar, sendo diferente do costumeiro Fugir-conhecer novo povo- se adaptar – proteger esse povo. Aqui os próprios Na’vi são inimigos, e em uma composição bem interessante. Essa composição dos habitantes do fogo é muito boa, mesmo com a líder lembrando a Caipora e por vezes eu ficar falando na minha cabeça "Cracatau, a caipora vai embora".
Mesmo com mais de três horas de duração o filme tem um bom ritmo, principalmente por usar uma técnica de colocar sempre três conflitos ao mesmo tempo para serem resolvidos, te deixando apreensivo em querer saber como será solucionado e, quando isto ocorre, vem um novo conflito para substituí-lo.
Como o filme é bem entretenimento, mesmo a dublagem ruim da chefe Na’vi não chega a atrapalhar a história. E, óbvio, a qualidade técnica do filme é maravilhosa. Você percebe que James Cameron sabe que os efeitos de água dele são impecáveis, então usa várias vezes, basicamente jogando ondas na tela do espectador.
Veria de novo? Não. Mas valeu muito ter visto no cinema, a forma como ele foi feita para ser visto.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 650 Assista AgoraEle é um filme muito melhor enquanto você está assistindo. Ele tem uma boa história, ótimas atuações, um bom ritmo, é engraçado e non sense quando precisa, mas depois que termina, quando você vai se lembrando de tudo o que viu, acaba pensando "Ok, será que precisava de tudo isso mesmo para contar essa história?'. E o interessante é que você não vê nada que possa ser retirado ou cortado do filme, mas mesmo assim parece que ele peca pelo excesso.
Afora isso é delicioso de assistir. O personagem do Sensei rouba a cena sempre que aparece e Del Toro consegue dominar o público bem mais que o Di Caprio (talvez pelo fato de que o seu personagem acabe nos inspirando mais revolta do que afeto). É político mas não a ponto de se comprometer: seus herois também são extremamente falhos e hipócritas, deixando a critério do espectador se quer vê-los como um exemplo ou como uma crítica.
Tem uma sequência de perseguição final que é MUITO Hitchcock, cinema de alto nível, e também se utiliza da trilha para dar as respostas que o filme não consegue (ou, na verdade, sequer pretende) a dar,
como por exemplo, ao invés de revelar quem matou LockJaw, coloca sua morte ocorrendo ao som de Perfídia, dando a resposta para quem tem a referência.
Perseguidor Implacável
3.9 278 Assista AgoraFaz parte daquela nova leva de filmes em que se verifica uma decepção e um pessimismo americano. O movimento Hippie acabou, Charles Manson cometeu seus crimes, havia Guerra no Vietnã e o público se via imerso em um desabamento da forma como via o mundo e o futuro. Dirty Harry acaba sendo a personificação do americano naquele período misturado com o pessimismo máximo do que poderia se tornar, afinal ele é um sujeito que inicialmente quer fazer o certo, que já está amargo pelas perdas que teve mas que, ainda assim, busca fazer o que ninguém mais faz, seja como uma autopunição, seja por ser aquilo que é certo. No entanto, ele acaba ficando tão soterrado neste trabalho de enxugar gelo que acaba sendo engolido pela própria decepção. É um filme que, mesmo tendo um final "feliz", te deixa com uma carga pesada nas costas.
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraAcho que a falha desse filme é que ele é muito curto. Com dois momentos distintos, os dois são incríveis, seja na ambientação da primeira metade, com várias referências ao Delta Blues (fãs de Robert Jhonson não podem deixar de lembrar do cantor em nenhum momento), tanto quanto na segunda metade em que repentinamente o filme muda de figura e, confesso, quando vi isso acontecendo abri um largo sorriso no rosto e pensei "Eu já vi isso antes, e sei que vai ser excelente".
Porque é isso, mesmo ele tendo uma virada que não é uma ideia nova ainda assim acaba te prendendo. Você quer ver o que aqueles personagens irão fazer e se conseguirão sair dessa, se possível. Como dito, poderia facilmente ser mais longo, principalmente neste segmento final, a fim de tornar o conflito mais pesado do que ele é, mais perigoso e, claro, para perceber como uma noite toda demora para passar.