Religião, vampiros, Ku Klux Klan, gente boa de bebida e de música, blues contagiantes, tudo junto e misturado até que rendeu um filme intrigante, mas não tão empolgante quanto Uma Batalha Atrás da Outra ou O Agente Secreto. Vi por conta da repercussão no OSCAR e a melhor coisa do filme me pareceu ser mesmo a trilha sonora e alguns diálogos afiados. Mas não conseguiria revê-lo no futuro.
Apesar de envolver tênis de mesa, que não aprecio (tampouco o de quadra) e de imaginar que se o cara era supremo naquilo, então o filme, apesar dos percalços vividos pelo personagem central, Marty, não iria terminar em tragédia, mas em redenção, não havia muito o que esperar dessa história. Mas até que deu muito bem para levar o filme adiante sem bocejar, porque há muitas cenas de ação e as partidas são elétricas (houve ajuda da IA, suponho). E mesmo que não se aprecie muito o Timothée Chalamet, não dá para deixar de reconhecer seu talento (virá um OSCAR agora?).
Li o livro que, claro, é mais complexo que o filme, porque traz o pensamento dos personagens, especialmente de Agnes em seu sofrimento, então é mais triste, poético e bastante imaginativo (as bases históricas, os dados reais acerca das pessoas, lugares e acontecimentos são escassos). Final é ligeiramente diferente, mais adequado para o cinema, mas a adaptação toda é muito boa e em cerca de 2 horas você tem toda a história que levaria alguns dias para ler (levei cinco).
Diretor e ator talentosos (Linklater, Hawke), um dos melhores cancionistas americanos de todos os tempos (Lorenz Hart), trilha sonora maravilhosa, e no entanto, para mim a coisa não funcionou. Fiquei zonzo de tanto ouvir o personagem falar sem parar (algumas coisas engraçadas, irônicas etc. mas nem tudo), cansei de ver aquela careca fake e cabelos tingidos feito petróleo, aquele cenário único de bar e por aí vai. Alguém pode torturar outra pessoa obrigando-a a rever esse filme.
Terceira parceria do grego Yorgos Lanthimos com Emma Stone, essa ficção científica cômica, não é lá muito engraçada, mesmo que não dê para levar a sério alguns personagens da trama ou situações que poderiam render algum riso, mas não. É melhor do que Tipos de Gentileza (2024), mas inferior a Pobres Criaturas (2023), trabalhos anteriores da dupla. Que, espero, tenha chegado ao fim agora.
É um bom filme, chancelado pelo prêmio em Cannes ano passado, mas esperava uma obra mais envolvente. Já conhecemos bastante sobre a repressão no Irã, como mostrada no ótimo A Semente do Fruto Sagrado (2024) e outros filmes de lá. Mas ao mesmo tempo, Panahi trata de um problema sério que ocorre em todas as ditaduras, de esquerda ou direita, então não dá para perdoar, esquecer, simplesmente. E no Irã, mesmo com os recentes protestos, a repressão é braba, continua torturando e matando. Os aiatolás vieram para atolar, não tem jeito, parece.
Comédia dramática que se vale do humor negro para contar uma história do mundo capitalista. Que, por sua vastidão, poderia se passar em qualquer lugar, mas no caso se passa na Coreia do Sul. Com todas as suas idiossincrasias: velocidade no cotidiano, hierarquia e respeito, coletivismo e pressão social etc. Para conseguir o que queria, o desempregado passa por cima de todas as regras sociais e não hesita mesmo em matar. Não dá para criar empatia com nenhum personagem, mas é possível rir com algumas cenas. Começa bem, mas não mantém o pique inicial o tempo todo.
Se 1977 foi um ano de muita pirraça, como diz o letreiro inicial, a baderna ainda não acabou, conforme mostra o caso do banco Master em que "autoridades" dos 3 (podres) poderes estão envolvidas até a medula. Mas vamos ao filme. Diretor de elenco merece ganhar um Oscar porque nunca vi tanta gente feia num único filme. Lugares feios também, o pior do Recife, pelo jeito. Mas, mesmo sendo longo demais, o filme é muito bom, prende nossa atenção o tempo todo, porque todas as histórias que vai contando ao longo da trajetória de Marcelo/Armando em busca da felicidade com o filho num outro lugar que não o Brasil da ditadura militar, são interessantes e se conectam de um modo ou de outro. Gostei das citações a outros filmes, especialmente a Tubarão (1975, Jaws, na verdade, mandíbulas), das canções da época etc. Espero que ganhe o Oscar de Melhor Filme Internacional.
Filme está em várias listas de melhores do ano e até mesmo melhor filme de 2025 para alguns críticos. Mas achei longo demais e com temas já bastante explorados em muitas outras produções, como relacionamento familiar, memórias, arte, especialmente nos filmes originários dos países nórdicos, desde o grande Ingmar Bergman até outros talentosos cineastas mais jovens. Foi curioso ver o produtor de Gustav Borg citar outro cineasta da península, o sueco Lasse Hallström, como aquele que lhe possibilitou com o sucesso de seus filmes, que ele tivesse a bela casa que habita, especialmente Regras da Vida (1999). Hallström equilibrava bem cinema comercial e temas mais elevados, mas ultimamente ele mesmo não vem obtendo muito sucesso com seus filmes mais recentes. Enfim, penso que Valor Sentimental é acima da média, mas não um filme excepcional, inesquecível. Daí, que dificilmente poderia revê-lo no futuro.
Inferior a Vidas Passadas (2023), o outro filme de Celine Song que vi dois anos passados. Diretora é honesta já escolhendo um título que dá uma boa ideia do que vamos encontrar ao vê-lo: quanto você ganha por ano é tão importante quando o amor que possa dar a uma pessoa (ou seria comprar, no caso, como o personagem do Pascal?). Mulheres exigentes, nem sempre bonitas ou interessantes, porque as bonitas, interessantes e inteligentes não precisam de agências matrimoniais e casamenteiras para arranjar-lhes marido. Não me espantaria se uma cliente exigisse um homem que além de muitos atributos tivesse um dick de muitos centímetros. Não me pareceu nem comédia nem romance, apenas materialismo mesmo. Dialético menos ainda...
Roteiro original mas nem tanto assim interessante, a fotografia é mais, mas um filme precisa de história que cative o espectador. No mais, que pena que seja apenas ficção. Senão, pela idade nos livraríamos de muita gente asquerosa: Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro e outros que teriam de deixar o Brasil em paz porque já estariam com o prazo de validade vencido, caducado, e seriam recolhidos pelo cata velho.
Filme com ritmo lento (apesar de tratar de roubo de pinturas, coisa sempre atual), marcado por uma trilha sonora jazzística insistente, sobre um personagem digamos assim, derrotado. Coisa que Josh O'Connor transmite muito bem com seu talento. Mas não apreciamos lá muito gente assim, e além disso o filme traz outros personagens que não transmitem empatia, navega por ambientes escuros, mal-iluminados, pobres, feios mesmo. E a repetição de guardas de museus sempre dormindo não foi uma boa ideia, não. Mas...
Ótimo! Um americano, Linklater, conseguiu entender, captar e transmitir muito bem a atmosfera, condições, situações e retratar pessoas que possibitaram que Acossado (1960) não apenas se tornasse um marco da Nouvelle Vague, mas também do próprio cinema francês. Impressionante como conseguiram juntar tantos atores parecidos com os artistas, diretores e pessoal técnico de então. Gostaria que o filme de Linklater tivesse durado mais algumas horas, isso sim...
Baseado no livro homônimo de Denis Johnson, embora nem todas as histórias vividas pelo personagem Robert Grainier tenham sido transpostas para o cinema, a essência da obra de Johnson está nele presente. E vai fluindo devagar, como um trem antigo...
Vineland, que inspirou o filme de PTA, como outros livros de Thomas Pynchon não é lá muito fácil de ler e entender, além ter trechos tediosos. O que não acontece com Uma Batalha após a Outra, que tem ação o tempo todo, humor e ironia. DiCaprio está soberbo (Wagner Moura, se cuide no Oscar!) e Sean Penn talentosamente ridiculo (esquerdista, amigo que é/foi dos abomináveis Maduro e Chávez, além da estocadora de vento Dilma Roussef) fazendo um papel de direitista abominável, metido numa roupa justa que lhe dá um andar característico (ai minhas bolas!). Ele é fortíssimo candidato a melhor ator coadjuvante em 2026. Que bom que PTA afastou-se daquelas chatices que andava dirigindo ultimamente, ainda que visualmente estimulantes.
Filme simpático, com algumas boas cenas e situações, mas nada excepcional. Tem aquela velha história do professor versus classe indisciplinada e desinteressada, que ele consegue mudar com a ajuda de um pinguim. Embora trouxesse como pano de fundo os inícios da ditadura argentina, que me pareceu não muito convincente, foi, todavia, uma boa "sessão da tarde" deste domingo 31/08/2025).
Filme romeno (língua é latina como o português) com várias palavras ou frases que quese entendemos sem tradução. É excessivamente longo, nem sempre interessante e um pouco anárquico, mas tem alguns trechos que compensam essa epopeia taxista e uberística. Melhor coisa: no final um personagem manda que leiam Thomas Bernhard para ver que os austríacos eram nazistas. TB é muito melhor do que isso, deve-se lê-lo porque é alta literatura, isso sim, não apenas porque denuncia seus compatriotas..
Tribunal Reacionário de Teerã, isso sim. Ditadura teocrática iraniana mais um vez em foco, então, como não podia deixar de ser, filme é intensamente dramático, mesmo restrito a maior parte do tempo a um ambiente familiar. Os religiosos destituíram o xá Mohammad Reza Pahlavi, pró-ocidente, colocaram os aiatolás pra atolar de vez o Irã. Nem mesmo EUA e Israel bombardeando o país ainda assim o regime resiste e a juventude se ferra sempre porque sabe que o futuro ali será o mesmo dos pais: cinzento. Um dia sorrir será proibido no Irã, já que uma mulher sem véu cobrindo a cabeça é considerada estar nua? Governo brasileiro atual convidou o Irã para fazer parte do BRICs, tem simpatia por regimes ditatoriais; PT e seus seguidores devem ter tido orgasmos ao ver tanta repressão por lá.
É muito parecido com outros filmes sobre professores dedicados e alunos difíceis (o modelo das últimas décadas parece ter sido mesmo Ao Mestre com Carinho, de 1967). Mas este professor Foucault (não aquele outro, o famoso) xinga seus alunos peoas notas baixas que tiram, ouve comentários interessantes dos próprios alunos e do corpo docente. Uma pérola: alguém diz, parece ter sido o diretor da escola, que os professores franceses (que de fato, como outros trabalhadores fazem greve muitas vezes no ano), que o sindicato da classe é bem capaz de paralisar as aulas se a cor do giz for mudada sem seu consentimento. Boa piada; pior que é verdadeira...
O marinheiro não caiu em desgraça com o mar, mas perdeu as graças dele ao ficar em terra junto à fogosa viúva vivida por Sarah Miles, mãe de um garoto que faz parte de um grupo secreto de garotos mal-intencionados. Adaptação inglesa do livro do japonês Yukio Mishima, que perdeu um tanto de seu encanto ao ser transposto para a tela.
Participação da resistência norueguesa frente aos nazistas na II Guerra. Segue a receita de outros filmes sobre o tema, exalta um herói nacional, que existiu de fato, mas não vai muito além disso. Filme apenas mediano,
Três dias (o terceiro incompleto) da vida rotineira de uma dona de casa belga,viúva e com um filho estudante. Exceto por um detalhe: à tarde prestava favores sexuais remunerados para homens de meia-idade. O acontecimento inesperado do terceiro dia quebra nossa ideia, não totalmente errada, de que estávamos assistindo a um documentário, mas sim a um filme experimental sobre uma mulher, dirigido por outra. Obra que jamais será superior a Cidadão Kane ou Cantando na Chuva e outros filmes notáveis da lista da Sight and Sound inglesa recentemente atualizada (base foi ano de 2022).
De Canção em Canção (2017), trabalho anterior de Malick desisti de ver depois de alguns minutos. Mas Uma Vida Oculta, mesmo com seu ritmo lento, contemplativo e meditativo, e sua longa duração (como que para passar o sofrimento e a angústia de Franz e a mulher para o espectador), é bastante interessante, ainda mais que se trata da versão de um drama real. Produção caprichada, como em todo filme do diretor, atores excelentes, paisagens espetaculares, fotografia e trilha sonora impecáveis etc. compensam as 3 horas de projeção, que poderiam ser menos, único senão do filme. Uma frase marcante: "O sol brilha sobre o bem e o mal da mesma forma." Pobre Franz, homem ou deus algum vai mudar isso... Resistiu mas "desperdiçou" sua vida. Sua história não teria chegado até nossos dias se tivesse cooperado com os nazistas; tudo seria diferente então...
Amós Oz se tornou conhecido por ser um dos maiores escritores de Israel. De Amor e Trevas (publicado em 2002) se transformou num enorme best-seller israelense e internacional. E justamente quando o garoto vai para o kibutz depois da morte da mãe e lá escreve seu primeiro livro "Entre Amigos", Natalie Portman nem mostra isso, apenas o encontro com o pai. Quer dizer, cortou a parte mais importante da história do escritor. Também o livro, que tem mais de 600 páginas, daria para dois ou três longas. Ela optou por fazer apenas um, que resultou em pouco mais que mediano.
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraReligião, vampiros, Ku Klux Klan, gente boa de bebida e de música, blues contagiantes, tudo junto e misturado até que rendeu um filme intrigante, mas não tão empolgante quanto Uma Batalha Atrás da Outra ou O Agente Secreto. Vi por conta da repercussão no OSCAR e a melhor coisa do filme me pareceu ser mesmo a trilha sonora e alguns diálogos afiados. Mas não conseguiria revê-lo no futuro.
Marty Supreme
3.7 315 Assista AgoraApesar de envolver tênis de mesa, que não aprecio (tampouco o de quadra) e de imaginar que se o cara era supremo naquilo, então o filme, apesar dos percalços vividos pelo personagem central, Marty, não iria terminar em tragédia, mas em redenção, não havia muito o que esperar dessa história. Mas até que deu muito bem para levar o filme adiante sem bocejar, porque há muitas cenas de ação e as partidas são elétricas (houve ajuda da IA, suponho). E mesmo que não se aprecie muito o Timothée Chalamet, não dá para deixar de reconhecer seu talento (virá um OSCAR agora?).
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.2 409 Assista AgoraLi o livro que, claro, é mais complexo que o filme, porque traz o pensamento dos personagens, especialmente de Agnes em seu sofrimento, então é mais triste, poético e bastante imaginativo (as bases históricas, os dados reais acerca das pessoas, lugares e acontecimentos são escassos). Final é ligeiramente diferente, mais adequado para o cinema, mas a adaptação toda é muito boa e em cerca de 2 horas você tem toda a história que levaria alguns dias para ler (levei cinco).
Blue Moon: Música e Solidão
3.0 80 Assista AgoraDiretor e ator talentosos (Linklater, Hawke), um dos melhores cancionistas americanos de todos os tempos (Lorenz Hart), trilha sonora maravilhosa, e no entanto, para mim a coisa não funcionou. Fiquei zonzo de tanto ouvir o personagem falar sem parar (algumas coisas engraçadas, irônicas etc. mas nem tudo), cansei de ver aquela careca fake e cabelos tingidos feito petróleo, aquele cenário único de bar e por aí vai. Alguém pode torturar outra pessoa obrigando-a a rever esse filme.
Bugonia
3.6 429 Assista AgoraTerceira parceria do grego Yorgos Lanthimos com Emma Stone, essa ficção científica cômica, não é lá muito engraçada, mesmo que não dê para levar a sério alguns personagens da trama ou situações que poderiam render algum riso, mas não. É melhor do que Tipos de Gentileza (2024), mas inferior a Pobres Criaturas (2023), trabalhos anteriores da dupla. Que, espero, tenha chegado ao fim agora.
Foi Apenas um Acidente
3.8 187 Assista AgoraÉ um bom filme, chancelado pelo prêmio em Cannes ano passado, mas esperava uma obra mais envolvente. Já conhecemos bastante sobre a repressão no Irã, como mostrada no ótimo A Semente do Fruto Sagrado (2024) e outros filmes de lá. Mas ao mesmo tempo, Panahi trata de um problema sério que ocorre em todas as ditaduras, de esquerda ou direita, então não dá para perdoar, esquecer, simplesmente. E no Irã, mesmo com os recentes protestos, a repressão é braba, continua torturando e matando. Os aiatolás vieram para atolar, não tem jeito, parece.
A Única Saída
3.7 138 Assista AgoraComédia dramática que se vale do humor negro para contar uma história do mundo capitalista. Que, por sua vastidão, poderia se passar em qualquer lugar, mas no caso se passa na Coreia do Sul. Com todas as suas idiossincrasias: velocidade no cotidiano, hierarquia e respeito, coletivismo e pressão social etc. Para conseguir o que queria, o desempregado passa por cima de todas as regras sociais e não hesita mesmo em matar. Não dá para criar empatia com nenhum personagem, mas é possível rir com algumas cenas. Começa bem, mas não mantém o pique inicial o tempo todo.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraSe 1977 foi um ano de muita pirraça, como diz o letreiro inicial, a baderna ainda não acabou, conforme mostra o caso do banco Master em que "autoridades" dos 3 (podres) poderes estão envolvidas até a medula. Mas vamos ao filme. Diretor de elenco merece ganhar um Oscar porque nunca vi tanta gente feia num único filme. Lugares feios também, o pior do Recife, pelo jeito. Mas, mesmo sendo longo demais, o filme é muito bom, prende nossa atenção o tempo todo, porque todas as histórias que vai contando ao longo da trajetória de Marcelo/Armando em busca da felicidade com o filho num outro lugar que não o Brasil da ditadura militar, são interessantes e se conectam de um modo ou de outro. Gostei das citações a outros filmes, especialmente a Tubarão (1975, Jaws, na verdade, mandíbulas), das canções da época etc. Espero que ganhe o Oscar de Melhor Filme Internacional.
Valor Sentimental
3.9 366 Assista AgoraFilme está em várias listas de melhores do ano e até mesmo melhor filme de 2025 para alguns críticos. Mas achei longo demais e com temas já bastante explorados em muitas outras produções, como relacionamento familiar, memórias, arte, especialmente nos filmes originários dos países nórdicos, desde o grande Ingmar Bergman até outros talentosos cineastas mais jovens. Foi curioso ver o produtor de Gustav Borg citar outro cineasta da península, o sueco Lasse Hallström, como aquele que lhe possibilitou com o sucesso de seus filmes, que ele tivesse a bela casa que habita, especialmente Regras da Vida (1999). Hallström equilibrava bem cinema comercial e temas mais elevados, mas ultimamente ele mesmo não vem obtendo muito sucesso com seus filmes mais recentes. Enfim, penso que Valor Sentimental é acima da média, mas não um filme excepcional, inesquecível. Daí, que dificilmente poderia revê-lo no futuro.
Amores Materialistas
3.1 388 Assista AgoraInferior a Vidas Passadas (2023), o outro filme de Celine Song que vi dois anos passados. Diretora é honesta já escolhendo um título que dá uma boa ideia do que vamos encontrar ao vê-lo: quanto você ganha por ano é tão importante quando o amor que possa dar a uma pessoa (ou seria comprar, no caso, como o personagem do Pascal?). Mulheres exigentes, nem sempre bonitas ou interessantes, porque as bonitas, interessantes e inteligentes não precisam de agências matrimoniais e casamenteiras para arranjar-lhes marido. Não me espantaria se uma cliente exigisse um homem que além de muitos atributos tivesse um dick de muitos centímetros. Não me pareceu nem comédia nem romance, apenas materialismo mesmo. Dialético menos ainda...
O Último Azul
3.7 209 Assista AgoraRoteiro original mas nem tanto assim interessante, a fotografia é mais, mas um filme precisa de história que cative o espectador. No mais, que pena que seja apenas ficção. Senão, pela idade nos livraríamos de muita gente asquerosa: Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro e outros que teriam de deixar o Brasil em paz porque já estariam com o prazo de validade vencido, caducado, e seriam recolhidos pelo cata velho.
The Mastermind
3.0 31 Assista AgoraFilme com ritmo lento (apesar de tratar de roubo de pinturas, coisa sempre atual), marcado por uma trilha sonora jazzística insistente, sobre um personagem digamos assim, derrotado. Coisa que Josh O'Connor transmite muito bem com seu talento. Mas não apreciamos lá muito gente assim, e além disso o filme traz outros personagens que não transmitem empatia, navega por ambientes escuros, mal-iluminados, pobres, feios mesmo. E a repetição de guardas de museus sempre dormindo não foi uma boa ideia, não. Mas...
Nouvelle Vague
3.6 30 Assista AgoraÓtimo! Um americano, Linklater, conseguiu entender, captar e transmitir muito bem a atmosfera, condições, situações e retratar pessoas que possibitaram que Acossado (1960) não apenas se tornasse um marco da Nouvelle Vague, mas também do próprio cinema francês. Impressionante como conseguiram juntar tantos atores parecidos com os artistas, diretores e pessoal técnico de então. Gostaria que o filme de Linklater tivesse durado mais algumas horas, isso sim...
Sonhos de Trem
3.7 340 Assista AgoraBaseado no livro homônimo de Denis Johnson, embora nem todas as histórias vividas pelo personagem Robert Grainier tenham sido transpostas para o cinema, a essência da obra de Johnson está nele presente. E vai fluindo devagar, como um trem antigo...
Uma Batalha Após a Outra
3.7 652 Assista AgoraVineland, que inspirou o filme de PTA, como outros livros de Thomas Pynchon não é lá muito fácil de ler e entender, além ter trechos tediosos. O que não acontece com Uma Batalha após a Outra, que tem ação o tempo todo, humor e ironia. DiCaprio está soberbo (Wagner Moura, se cuide no Oscar!) e Sean Penn talentosamente ridiculo (esquerdista, amigo que é/foi dos abomináveis Maduro e Chávez, além da estocadora de vento Dilma Roussef) fazendo um papel de direitista abominável, metido numa roupa justa que lhe dá um andar característico (ai minhas bolas!). Ele é fortíssimo candidato a melhor ator coadjuvante em 2026. Que bom que PTA afastou-se daquelas chatices que andava dirigindo ultimamente, ainda que visualmente estimulantes.
Lições de Liberdade
3.4 19 Assista AgoraFilme simpático, com algumas boas cenas e situações, mas nada excepcional. Tem aquela velha história do professor versus classe indisciplinada e desinteressada, que ele consegue mudar com a ajuda de um pinguim. Embora trouxesse como pano de fundo os inícios da ditadura argentina, que me pareceu não muito convincente, foi, todavia, uma boa "sessão da tarde" deste domingo 31/08/2025).
Não Espere Muito do Fim do Mundo
3.8 24Filme romeno (língua é latina como o português) com várias palavras ou frases que quese entendemos sem tradução. É excessivamente longo, nem sempre interessante e um pouco anárquico, mas tem alguns trechos que compensam essa epopeia taxista e uberística. Melhor coisa: no final um personagem manda que leiam Thomas Bernhard para ver que os austríacos eram nazistas. TB é muito melhor do que isso, deve-se lê-lo porque é alta literatura, isso sim, não apenas porque denuncia seus compatriotas..
A Semente do Fruto Sagrado
3.9 155 Assista AgoraTribunal Reacionário de Teerã, isso sim. Ditadura teocrática iraniana mais um vez em foco, então, como não podia deixar de ser, filme é intensamente dramático, mesmo restrito a maior parte do tempo a um ambiente familiar. Os religiosos destituíram o xá Mohammad Reza Pahlavi, pró-ocidente, colocaram os aiatolás pra atolar de vez o Irã. Nem mesmo EUA e Israel bombardeando o país ainda assim o regime resiste e a juventude se ferra sempre porque sabe que o futuro ali será o mesmo dos pais: cinzento. Um dia sorrir será proibido no Irã, já que uma mulher sem véu cobrindo a cabeça é considerada estar nua? Governo brasileiro atual convidou o Irã para fazer parte do BRICs, tem simpatia por regimes ditatoriais; PT e seus seguidores devem ter tido orgasmos ao ver tanta repressão por lá.
O Melhor Professor da Minha Vida
3.5 18 Assista AgoraÉ muito parecido com outros filmes sobre professores dedicados e alunos difíceis (o modelo das últimas décadas parece ter sido mesmo Ao Mestre com Carinho, de 1967). Mas este professor Foucault (não aquele outro, o famoso) xinga seus alunos peoas notas baixas que tiram, ouve comentários interessantes dos próprios alunos e do corpo docente. Uma pérola: alguém diz, parece ter sido o diretor da escola, que os professores franceses (que de fato, como outros trabalhadores fazem greve muitas vezes no ano), que o sindicato da classe é bem capaz de paralisar as aulas se a cor do giz for mudada sem seu consentimento. Boa piada; pior que é verdadeira...
O Marinheiro Que Caiu em Desgraça com o Mar
3.7 2 Assista AgoraO marinheiro não caiu em desgraça com o mar, mas perdeu as graças dele ao ficar em terra junto à fogosa viúva vivida por Sarah Miles, mãe de um garoto que faz parte de um grupo secreto de garotos mal-intencionados. Adaptação inglesa do livro do japonês Yukio Mishima, que perdeu um tanto de seu encanto ao ser transposto para a tela.
Número 24
3.6 42 Assista AgoraParticipação da resistência norueguesa frente aos nazistas na II Guerra. Segue a receita de outros filmes sobre o tema, exalta um herói nacional, que existiu de fato, mas não vai muito além disso. Filme apenas mediano,
Jeanne Dielman
4.1 126 Assista AgoraTrês dias (o terceiro incompleto) da vida rotineira de uma dona de casa belga,viúva e com um filho estudante. Exceto por um detalhe: à tarde prestava favores sexuais remunerados para homens de meia-idade. O acontecimento inesperado do terceiro dia quebra nossa ideia, não totalmente errada, de que estávamos assistindo a um documentário, mas sim a um filme experimental sobre uma mulher, dirigido por outra. Obra que jamais será superior a Cidadão Kane ou Cantando na Chuva e outros filmes notáveis da lista da Sight and Sound inglesa recentemente atualizada (base foi ano de 2022).
Uma Vida Oculta
3.9 162De Canção em Canção (2017), trabalho anterior de Malick desisti de ver depois de alguns minutos. Mas Uma Vida Oculta, mesmo com seu ritmo lento, contemplativo e meditativo, e sua longa duração (como que para passar o sofrimento e a angústia de Franz e a mulher para o espectador), é bastante interessante, ainda mais que se trata da versão de um drama real. Produção caprichada, como em todo filme do diretor, atores excelentes, paisagens espetaculares, fotografia e trilha sonora impecáveis etc. compensam as 3 horas de projeção, que poderiam ser menos, único senão do filme. Uma frase marcante: "O sol brilha sobre o bem e o mal da mesma forma." Pobre Franz, homem ou deus algum vai mudar isso... Resistiu mas "desperdiçou" sua vida. Sua história não teria chegado até nossos dias se tivesse cooperado com os nazistas; tudo seria diferente então...
De Amor e Trevas
3.6 90 Assista AgoraAmós Oz se tornou conhecido por ser um dos maiores escritores de Israel. De Amor e Trevas (publicado em 2002) se transformou num enorme best-seller israelense e internacional. E justamente quando o garoto vai para o kibutz depois da morte da mãe e lá escreve seu primeiro livro "Entre Amigos", Natalie Portman nem mostra isso, apenas o encontro com o pai. Quer dizer, cortou a parte mais importante da história do escritor. Também o livro, que tem mais de 600 páginas, daria para dois ou três longas. Ela optou por fazer apenas um, que resultou em pouco mais que mediano.