Nossa, sinceramente, cada dia que passa gosto mais da parte cinco, completamente injustiçada. Essa parte seis até tenta, mas ela, sei lá, me soa meio desnecessária. Para que fazer mais um filme colocando o Rocky nas mesmas situações? Digo, se tem algo que eu não gosto é quando alguém fala que determinado filme é desnecessário, mas esse daqui me passa um pouco dessa sensação. Está certo que a parte cinco deixa uma sensação de arco inacabado, mas essa aqui não foi satisfatória para mim como conclusão.
Digo, Rocky na parte 2 nem podendo lutar estava, na parte 4 quase morre e por isso na 5 acaba aposentando, aí depois de uns 20 anos aposentado volta para o ringue de novo¿ A parte 5 era boa por ousar não colocar o Rocky em um ringue novamente e continuar sua história como lutador aposentado, aí essa parte 6 tinha que desmontar isso e voltar para o óbvio. E aqui, novamente, Rocky usa a perseverança, o coração, para conseguir vencer as circunstâncias e sair “vencedor” da luta. Digo, pura ficção, na vida real Rocky não teria nem lutado pois a junta médica não teria permitido mas, se tivesse lutado, não teria durado três assaltos. Maaaaaaas, não sou do tipo de querer purismos realistas nas obras de ficção. Suspensão da descrença para um caso desses poderia funcionar, mas os outros quatro filmes anteriores (com exceção do quinto) usaram a mesma trama do underdog, do azarão que supera o desafio e fazer isso de novo em uma situação forçada de um aposentado praticamente idoso ficou demais para mim. Assisti pela primeira vez na época que lançou, com doze anos, sem ter visto as continuações e não lembrava de praticamente nada. Finalmente assisti os originais e são necessários para a trama. Bem, exceto o cinco, que é deixado meio de lado. A cena do discurso do Rocky para o filho é o ponto alto do filme, um dos grandes momentos da franquia tranquilamente. Inclusive, a primeira metade desse filme é até legal. É contida, sem extravagâncias, nostálgica, reflete bem um Rocky que sente saudades do passado, apesar de viver até acertadamente, com emprego e fama. Inclusive colocarem uma personagem feminina sem apagarem a Adrian ou substituí-la, sendo uma personagem que Stalone evitou de cair no lugar comum nesse sentido, sendo o relacionamento entre ambos bem construído. Claro no trecho final ela acaba sendo usada como Adrian, demonstrando que a personagem estava ali para isso, mas de resto foi bem construído. Agora o que não ficou bem construído foi a relação do Rocky com o filho. O relacionamento dele com o filho foi melhor escrito no quinto filme com sobras. Do nada o moleque larga o emprego para ficar acompanhando o pai. Do nada não, depois de um discurso motivacional (ótima cena, isoladamente falando, como disse) que simplesmente resolve todas as desavenças entre os dois. E o filho da substituta da Adrian (esqueci o nome) que tem um rascunho de desenvolvimento mas não finalizam, simplesmente vira equipe de apoio também. E é isso.
O terceiro ato desse filme apressa tudo depois do filme ter tentado manter aquele ritmo e estilo dos anos 1970. Sinceramente, repito, não entendo a rejeição à parte cinco quando ela constrói e se desenvolve de um modo muito melhor que essa parte seis. Na verdade, acho que entendo, o problema é que a parte cinco não é mais do mesmo, toma caminhos que não são decisões populares, enquanto esse aqui entrega as decisões fáceis e agradáveis para o público que, por mais que não sejam interessante no meu ponto de vista, são suficientes para uma maior aceitação. Enfim, minhas ordem de preferência para esses filmes ficam variando um pouco. Mas esse com certeza só não é pior que a parte quatro... que é outro filme bem popular da franquia rs. Nota: 7.2.
É um filme bom, Shyamalan dirige muito bem aqui. Acho que é um dos melhores em matéria de direção que ele lançou nos último anos, em alguns momentos é bem hitchcockiano. Problema do Shyamalan é a cisma em roteirizar também. Ele é até um roteirista razoável, mas sempre passa a sensação que o roteiro poderia ser melhor ou mais trabalhado, algo que um colaborador poderia apontar. Mas como é so ele dirigindo e roteirizando acaba dando essa sensação que faltou pouco para chegar em um filme excelente. Dito isso, o filme tem bons momentos,
a ideia de um protagonista que é o vilão é boa, era algo que poderia ser problemático e comprometer o suspense mas é bem executado, acabamos que nos pegamos torcendo por ele meio que sem querer. Aliás, gostei da atuação do protagonista, passa uma sensação de simpatia, mas ele logo “muda” quando entra em “modo” assassino em série. Bom, em alguns momentos isso é um pouco exagerado e o protagonista é quase sobrenatural na esperteza e na agilidade. Outro problema, a meu ver, foi o último ato do filme. A perseguição que continua fora do estádio é longa demais, deveriam ter focado mais tempo no estádio, cortado dez, quinze minutos desse terceiro ato e colocado outras situações dentro do show. E, no fim, temos a reviravolta obrigatória que é marca do Shyamalan. Eu achei, até mais ou menos metade do filme, que seria que a filha é quem era a assassina e o pai estaria apenas encobrindo os rastros dela para protegê-la, justificaria ele como protagonista. Mas, bem, do meio para frente fica claro que não seria isso e até gostei da reviravolta final
É divertido e cumpre seu papel de comédia, arrancando bons risos e por vezes abraçando o exagerado e o escrachado, e até o absurdo. Gostei muito do personagem do maestro. O problema mesmo, para mim, foi que na última meia hora o filme muda completamente o foco para uma trama que parecia até terciária e se torna o foco principal do filme do nada, sendo, inclusive, a base para o clímax, abandonando a própria temática do filme que deveria servir para esse clímax. Nota: 7.3.
Dirigido e roteirizado pelo roteirista do bom Heathers. E até vejo alguma semelhança entre esses filmes, não só por causa do foco em adolescentes, mas tembém por ter um certo ar de estranheza na forma como a históia é conduzida, em como os personagens se portam em alguns momentos. Ele tem um ar levemente estranho, como Heathers, algo que eu até gosto. E, bem, além do bom roteirista, temos um excelente time de atores promissores. Dominique Swain tinha tido uma excelente atuação em Lolita. Brad Renfro já vinha consolidando uma carreira (O Aprendiz, A Cura), Jaime King (estreante como atriz, mas atua até bem), Keram Sanchéz que já tinha uma carreira com vários créditos e Justin Long, praticamente estreante, mas foi o único que realmente ganhou uma grande fama entre todos os atores. E, mesmo com esse elenco grande e diverso, que atua até bem, temos um filme que é bem desconhecido. 60 avaliações aqui no Filmow, 3.000 no IMDB, e quando você pesquisa o nome original dele no google aparece uma empresa de aluguel da Islândia kkkkk. Enfim, até gostei do filme. A narração, mesmo que por vocês abusem desse recurso, é interessante e com boas falas. A cena do olho do furacão é meio onírica, com a fotografia estilizada, e achei ela até legal. Então, não sei bem dizer qual foi o problema do filme. Acho que a questão é que talvez ele foque demais em um romance que não tem muita graça. Digo, a premissa do acampamento sem um supervisor adulto poderia enveredar por outros temas, mas o foco parece ser apenas a questão sexual. Parece que esse é o único instinto liberado quando os jovens ficam em total liberdade. E, bem, talvez o seja. E outra coisa é o título nacional, que dá ares de comédia escrachada para um filme que, bem, meio que possui elementos de comédia, mas uma comédia séria. Poderia ser melhor, mas até que é legal em sua direção e forma de contar a história um pouco estranha. Nota: 7.2.
Pedrada do Jodorowsky, daqueles filmes que é impossível ver e não se sentir mexido de algum modo. Em alguns momentos é meio caótico, principalmente no começo. Poucas falas (por alguns instantes achei até que o filme nem fala teria) enquanto simbolismos diversos (envolvendo religiões e diferenças socioeconômicas, com críticas aos ricos, às guerras e a hipocrisia de alguns religiosos) são bombardeados sem dó e sem nem deixar tempo para respirarmos.
Aliás, a cena que pegam o cara como molde de crucifixos é muito boa, a quantidade de Cristos me impressionou, o filme parece ter tido uma produção caríssima, vários cenários, vários figurinos, tudo passando em poucos segundos e já troca, com vários personagens também. Aliás, qual o significado dessa cena do molde? Roubaram a força de trabalho dele para lucrar? Enfim, como disse, repleto de simbolismos e interpretações. Já o segundo ato começa a ser mais sobre narração, com alguns simbolismos (um pouco) mais óbvios (vênus luxúria, marte guerra) e ritmo menos frenético. Aliás, tudo que não tinha de fala no primeiro ato tem no segundo, com tudo sendo narrado, deixando bem explicitas as críticas. Acho que esse segundo ato, por mais interessante (narrativa e visualmente) que tenha sido, poderia ter sido encurtado. Incha demais o filme e foi responsável por cair um pouco no meu conceito. E, bem, vemos que o conceito dos Legendários foi criado pelo Jodorowsky. Grupo com características religiosas para moldar o caráter (inclusive abdicando de certos pecados) e formado majoritariamente por pessoas de elite e que buscam seu objetivo subindo montanha kkkkkk.[spoiler]
Aí o terceiro ato mescla um pouco. Temos narração e simbolismos mais equilibrados. E então temos o final que é meio... bom, difícil definir. Niilista, talvez? Ou tudo teria propósito? Buscar alcançar a imortalidade para no fim ser a jornada que importa como fator transformador? Mas, e daí? Já que tudo não passa de um filme, nada aconteceu. Pois é, não sei se esse final de tudo ser um filme foi para ter impacto ou se foi algo orgânico com o propósito de trazer algum ensinamento ou reflexão.[/spoiler] Realmente, não sei ainda o que pensar sobre isso. Por fim, gosto muito da estética psicodélica, mesmo que tenhamos poucos filmes que a usem. E, tenho uma reclamação que, sinceramente, eu mesmo não concordo muito com ela mas tenho que fazer. Talvez eu tivesse gostado mais da estética (e do filme no geral), tivesse achado mais bonita ou agradável de se assistir se tivesse menos gente pelada. Sério, que desconforto, gente pelada toda hora, fica difícil apreciar a estética. Claro, essa reclamação é injusta, já que o pessoal nu faz parte da estética, mas que atrapalhou um pouco de apreciar atrapalhou. Nota: 8.4.
É um filme amarradinho, entretem, mas não me atingiu. A Entidade, do mesmo diretor, é bem superior na minha opinião, embora ache que no geral tenha notas menores. Digo, A Entidade é muito mais climático e assustador, enquanto esse daqui é meio, sei lá, mais blockbuster. Achei que a fotografia quase exagera na ambientação da década que o filme se passa. Aliás, o diretor continua com seu fascínio pelas mídias físicas audiovisuais antigas. Só que em A Entidade isso tinha sentido na narrativa, aqui ele simplesmente emprega câmeras diversas sem qualquer justificativa orgânica.
[/spoiler] Tem o mérito de misturar terror sobrenatural com terror de assassino em série (acho que é algo inédito, pelo menos eu não me lembro de outro filme que faça algo parecido) mas é só isso. Digo, desde o trailer achei sem graça e pouco atrativo e o filme me deu a mesma sensação do trailer (ou seja, ótimo trailer, rs). Algumas coisas soam um pouco forçadas também. Várias crianças já tinham sumido. No início do filme parecia que eram uma ou duas, mas VÁRIAS e mesmo assim os pirralhos andam na rua de boas. E, outra, para que serviu o personagem do irmão? Sei lá, é só um alívio cômico de alguém obcecado pelo assassino mas que mora (mesmo que temporariamente) no mesmo teto e não percebeu? Meio forçado, mas aceitável
. O problema é que é totalmente desnecessário e poderia ser descartado. Nota: 7.2.
Desde 2018 assisto um filme de cada país da Copa do Mundo durante a copa. Infelizmente, agora com 48 seleções fica impossível. Então vou tentar assistir ao longo de um ou dois anos. E, como primeiro filme, escolhi a Turquia, com sua decepcionante campanha na copa. E resolvi pegar algo fácil, na própria Netflix. Pois bem, meu contato com cinema turco foi apenas nas cópias que eles faziam de blockbusters (O Exorcista Turco e o Star Wars Turco). Agora, assisti um filme que não é uma cópia de um blockbuster mas até parece, já que é uma comédia romântica bem pasteurizada. Apesar de que até dá para ver um pouco de Turquia aqui nas locações. E achei que retrata um país que até é bem liberal nessa questão de relacionamento. Enfim, apesar da trama extremamente clichê e previsível, o filme, mais para o fim, parece tentar brincar com o fato de ser clichê, talvez envergonhado com isso, mas vemos que só o faz pela falta de criatividade mesmo. De todo modo, a interação do casal principal (um dos pontos chave em filmes do tipo) funciona muito bem e ajuda a tornar a obra digerível. Também importante comentar como o ator principal é simplesmente HORRÍVEL na primeira metade e na segunda entrega, pelo contrário, uma atuação ÓTIMA. O filme foi gravado na ordem e o cara foi aprendendo a atuar enquanto gravavam, só pode. Enfim, assitível e até divertidinho, mas nada de demais. Simplesmente não tem nenhum momento marcante. Nota: 6.9. Filme 01 de 48 (Turquia).
Isso é arte em seu estágio mais puro. Uma salada nonsense de zero sutileza que flerta com quase todo gênero cinematográfico e homenageia diversos movimentos cinematográficos e emprega vários tons narrativos e mesmo assim funciona. Caótico e organizado, estilizado, extravagante ao extremo mas sem soar exagerado ou desconexo. É um filme extremo no seu estilo mas sem deixar de ser padrão, ou seja, é de uma total dualidade que acho que nunca vi nenhum outro filme alcançar. Normalmente fazer algo muito fora do padrão ou estilizado gera aqueles filmes arte meio não narrativos (Montanha Sagrada, por exemplo), mas este daqui consegue acertar na dose de tudo, para mim. DePalma, nos anos 1970, dirigiu vários suspenses que homenageavam outros estilos do passado, mas eram mais contidos que esse daqui. Quero dizer, ele assimila o Giallo pelas cores fortes e pelo sangue bem vermelho, mas o Giallo ainda era algo novo. Aliás, não seria exagero de chamar isso daqui de um Giallo estadounidense. Além dessas misturas de gênero, temos o título que remete a O Fantasma da Ópera. Entretanto, achei que veria uma versão atualizada da obra, mas ele começa como Fantasma da Ópera (e até continua o homenageando em alguns momentos) mas logo começa a enveredar por outras tramas,
misturando também Fausto e o Retrato de Dorian Gray. E DO NADA nos jogam aquele roqueiro maluco. Arte. Agora, tenho também que tratar de uma das melhores reviravoltas do cinema a meu ver e que curiosamente não me lembro de ter visto em nenhuma lista de reviravoltas. Como disse, é um filme sutil e mesmo assim consegue esconder uma reviravolta fantástica (nos dois sentidos, de ser bem tramada mas também de ser fantasiosa) mesmo nos bombardeando com ela o tempo todo (o fato do personagem não envelhecer, a assinatura com sangue...). Simplesmente genial, brincando, inclusive, com a ideia do “rock demoníaco”. E do nada é adicionado o elemento fantasioso ao filme.
Sinceramente, não entendo toda a adoração à Rocky Horror Picture Show (que saiu um ano depois desse!) que tem lá nos EUA. Só comparando musicais de rock espalhafatosos e com um pé no terror. Esse daqui é muito mais filme e mais coerente na narrativa. Embora, verdade seja dita, achei as músicas dessa aqui fracas e inferiores (não que Rocky Horror tenha músicas excelentes) mas a decepção é maior por serem (até onde sei) do Paul Williams, que tem ótimas músicas (Muppets, Bugsy Malone). Se tivesse músicas melhores talvez eu desse uma nota maior ainda, entrando no rol de filmes que são top 20 na minha opinião. Mas, de todo modo, chegou perto. Sério, não sei como esse filme é mais adorado. (Quase) Zero defeitos. Nota: 9.8.
"Quanto mais subo, mais vejo desonestidade". Não gosto muito de polêmica. Mas, simplesmente não entendo como podem gostar da parte II (que acho infinitamente abaixo da parte I) e não gostarem dessa parte III, que considero muito melhor. Não me acho o dono da razão, mas até hoje não consegui entender. A parte II, na minha visão, é morosa, desinteressante, uma cópia pálida da parte I, suga tudo que ela tinha de bom e suas boas ideias numa execução que não tem metade do impacto. Já essa parte III acho que tentou fugir um pouco disso, e só nisso já tem mais méritos, mesmo que não tenha o mesmo impacto do primeiro, acho ela mais memorável, com momentos que, pelo menos para mim, foram de maior impacto que os da parte II, salvo algumas exceções (por exemplo, a cena final da parte II). Certo, acho que sou a única pessoa que acha essa parte III melhor. Mas ela tem falas bem pensadas (como a que eu citei), desenvolve o Michael para o seu derradeiro fim. O filho do Sonny é um ótimo personagem a meu ver, uma adição melhor que qualquer adição da parte II, como a de espião ou a escolha entre máfia e o amor. As tramas envolvendo a máfia são boas. Já vi que reclamaram da situação que o Michael se encontra, rico e poderoso, mas achei uma boa ideia. Não sei se tem alguma inspiração em coisas que aconteceram com mafiosos reais. Por fim, a direção do Coppola é muito boa e recria de uma forma muito boa o clima de filme dos anos 1970 a meu ver. Sério, tirando o envelhecimento dos atores, poderia muito bem ter sido gravado logo depois da parte II, o clima, construção, gravação, fotografia é de filme dos anos 1970 puro. No fim, tem alguns momentos meio morosos, mas nada tão grave. O ponto fraco mesmo é a Sofia Coppola, com uma atuação horrenda que dá até dó e talvez seja o ponto mais baixo de toda a trilogia. Segunda vez que assisto, desse vez vi a nova versão do Coppola. Nota: 8.6.
No meu comentário do Duna 1 escrevi que “é um filme que realmente carece de emoção no geral, tudo soa meio monocórdico, frio”. Essa parte 2 segue nesse mesmo problema, na minha opinião. Entendo que tenha se empolgado mas pessoalmente o filme não me atingiu. Até achei mais emocionante que o primeiro, os personagens até estão melhores, a questão de um escolhido que não necessariamente é bom é legal também. Enfim, achei esse melhor que o primeiro mas continuo achando ambos morosos, amotivos. Aliás, se rever o primeiro com certeza diminuirei a nota que dei para ele. As falas aqui estão melhores também e igualmente o roteiro de um modo geral. Também escrevi que queria que essa parte 2 justificasse a divisão em duas partes mas, sinceramente, acho que isso é algo que eu deveria avaliar depois de ler o livro. A trilha é muito boa, os aspectos técnicos e efeitos especiais estão impecáveis, como também estavam na primeira parte. Gostei do Feyd-Rautha também, acho que foi a melhor coisa da franquia até aqui. Enfim, é um espetáculo visual, o roteiro melhor, mas continua sendo beeeem mecânico. Nota: 8.0.
Charles Laughton dirigiu esse filmaço? Rapaz, lembro que vi da primeira vez uns dez anos atrás, não sabia quem ele era nem quem era Lillian Gish, que também está aqui. Assisti uns quatro filmes do Laughton (três deles com a Deanna Durbin e um se não me engano com a Vivien Leigh) e acho ele um excelente ator, nunca tinha imaginado que teria um crédito por direção. Aparentemente, foi o único trabalho dele nesse sentido já que, pelo que ouvi falar, o filme não teve uma boa bilheteria. Imagina só se ele tivesse tido mais oportunidades, não sei se estou exagerando mas poderíamos ter um grande rival para Hitchcock. O filme tem uma estrutura um pouco anômala, você acha que está no fim e quando vê ainda faltam meia hora de produção (seria esse o motivo de não ter feito sucesso?) e do nada a Lillian Gish aparece no filme (você provavelmente até já esqueceu que ela aprece rapidamente nos créditos iniciais). Enfim, o filme é até pesado, tem uma estrutura narrativa não muito convencional para a época (pelo menos até onde eu sei), com algumas quebras de expectativa. O suspense dele não é muito de tensão, ele prefere ser mais seco e isso funciona muito bem. Possui diversos takes belíssimos e extremamente inspirados, como o corpo debaixo d’água ou a cena da Lillian de tocaia. Achei apenas que escorregou um pouco no final, delonga muito como se quisesse justificar demais sua mensagem, como se fosse realmente necessário ter uma ou explicitá-la, uma insegurança não condizente com um filme que tinha sido extremamente seguro em sua condução, mesmo quando ousava. Deveria ter terminado uma cena antes da cena final, teria sido melhor. Ah sim, e Robert Mitchum entrega uma excelente atuação também. Nota: 9.3.
Finalmente corrigi um erro enorme na minha lista de filmes assistidos e assisti um filme dirigido por Clint Eastwood pela primeira vez. Assim, ainda não estou familiarizado com o estilo dele como diretor, mas não vi nada de grande destaque aqui em matéria de direção. Achei ajeitada, com boas ideias, mas meio seca. Se não tivesse um bom roteiro talvez não tivesse tanto destaque, mesmo que Clint tenha uma direção segura e ajeitada. Lembro bem desse filme nas locadoras, o pôster dele era bem comum. Uns quinze anos atrás meu pai me recomendou assistir um filme que ele falou que era muito bom, “Pacto dos Lobos”. Fui, aluguei, era um filme de terror meio médio orçamento, nada a ver com o estilo do meu pai, fiquei sem entender, questionei ele e ele também não entendeu. Acredito, pensando depois, que ele errou o título e era esse aqui que ele queria me recomendar rs. E, quinze anos depois, finalmente assisti a recomendação. Gosto como o personagem do Penn vai sendo desenvolvido,
como a trama expõe aos poucos seu passado criminoso. A questão dele já ter sido preso, por exemplo, é colocada e logo vemos que realmente tem importância. Ou o detalhe das vozes da ligação para a polícia falando da garota baleada, que logo esquecemos e depois é retomada. Agora, bem interessante é a cena em que o Jimmy fala sobre sentir como se tivesse culpa na morte da filha. Podemos pensar que é sobre a proibição dela se relacionar com o filho do Ray mas acho que é mais profundo. Envolve o fato de que se o Jimmy não tivesse matado o Ray, a arma jamais teria chegado ao filho dele e, consequentemente, a filha de Jimmy não teria morrido. Bem, apesar da boa trama, algumas conveniências podem incomodar um pouco, embora eu até releve elas. Por exemplo, dos três amigos um ter virado policial, algo essencial para a trama que um deles seja das forças de segurança. Ou o Dave ter resolvido matar um abusador NO EXATO dia em que a filha de um de seus amigos de infância, que é criminoso, morrer acidentalmente, tudo sendo investigado pelo terceiro amigo. Digo, totalmente aceitável achar que o cara era culpado, teria sido até melhor. Maaaas, considerando que coincidências absurdas já aconteceram na vida real, acho isso algo até perdoável. Mais difícil de perdoar mesmo são os últimos minutos do filme. Não sei, parece que não sentiram firmeza na forma como tinha arrematado a trama e ficaram delongando sem saber o que fazer. A cena do Jimmy com a esposa é super esquisita. A cena final não funcionou muito para mim. O filme tinha que ter acabado na cena que os dois param no local onde o Dave tinha sido sequestrado, teria sido melhor
Assisti os dois badalados filmes de terror na mesma semana. Backrooms e Obsessão. De primeira gostei mais do segundo que do primeiro. Entretanto, a cada momento que pensava mais nesses filmes, comecei a achar Obsessão cada vez pior e Backrooms cada vez melhor. Bem, Obsessão continua sendo um ótimo e melhor filme, mas Backrooms não fica muito atrás. Considero esse conceito de Liminal Spaces tão abstrato e sem sentido. Acho que a geração depois da minha talvez consiga entender melhor mas para mim é um conceito que não desce, sinceramente. Nada contra, só não desce muito para mim. Dito isso, assisti o primeiro curta mais ou menos uns 3 anos atrás quando o youtube me recomendou. Achei legal as cores, o found footage, etc. Depois assisti um vídeo sobre a tal foto original do 4Chan que gerou a creepypasta das Backrooms. Uma foto, um comentário anônimo e tivemos um efeito em cadeia bizarro que culminou num dos filmes de terror de maior bilheteria dos últimos anos. Bom, não sou exatamente fã do trabalho do diretor, até gosto de algumas coisas que vi dele e gostei bastante do filme. É, até onde sei, fiel ao material original, possui referências, inclusive visuais (dois momentos do filme são found footage, o primeiro é sem graça, mas o segundo é bem legal), inclusive gerando uma experiência imersiva na tela grande. Talvez o filme tenha um ritmo um pouco lento, mas não foi nada tão preocupante para mim. Talvez, na verdade, a questão seja que em alguns momentos ele delonga demais em diálogos ou falas, poderia ser um pouco enxugado nisso. O maior exemplo é a cena do jantar, longa, expositiva (não particularmente um problema em si) e falha em construir sei lá o que a cena quis dizer. É o momento mais baixo do filme, diga-se de passagem. O filme possui como melhor parte as backrooms, as salas são interessantes, a fotografia amarelada também, as cenas que se passam nesses ambientes são boas (falhou, em alguns momentos, em causar medo ou construir tensão, achei que poderiam ter sido mais assustadoras), a perseguição final, por mais que seja clichê, foi bem executada. Os cenários são bem legais também. E isso não quer dizer que o filme não possua uma história boa e foque apenas no visual. O filme realmente tenta entregar substrato narrativo para sua experiência visual e o faz de forma interessante e até tenta ser sutil, embora em muitos momentos exponha sua trama de um jeito não muito legal, como na dita cena do jantar. Agora, Clark mereceu tudo que passou. Que tipo de pessoa assiste um filme péssimo como Papai Noel Conquista os Marcianos por conta própria? Bem, eu fiz isso, mais de uma vez, mas eu não bato bem mesmo. Falando em referência, o filme toca Ulterior Motives do nada. Legal, gostei, deve ser uma das primeiras vezes que uma lostwave toca em um filme, embora a gente fique questionando por qual motivo uma música de um filme adulto toque em uma festinha, mas tudo bem. Falando no Clark, o cara está falido mas mesmo assim comparece à consulta com a psicóloga, o cara realmente se preocupa com a própria higidez mental, bom saber. Ou, mais provável, depois dos problemas com a esposa talvez o estado tenha o obrigado a fazer isso, sei lá. Levei um tempão para perceber que o filme se passava no início dos anos 1990, mas achei uma boa, principalmente pelas câmeras no found footage. Uma teoria que vi e que parece fazer bastante sentido é que as backrooms são reconstrução apenas de ambientes traumáticos.
Faz bastante sentido se pensarmos bem, a sala da cadeira representando o comercial do Clark (e seu atual trabalho), as placas de desaparecidos e a cena do jantar que seria uma representação do momento da separação de Clark de sua esposa. Mas, se bem entendi, o próprio filme parece criticar (pelo menos na minha visão pareceu) o pessoal que fica esmiuçando o filme atrás de teorias para explicar tudo, da mesmo forma que os cientistas fazem com as backrooms, então fazer isso seria cair naquilo que o próprio filme critica. Agora, se Clark e seu arco são um pouco óbvios e expostos demais em alguns momentos, achei o arco da psicóloga (real protagonista na minha visão) um pouco mais bem feito, apesar da atuação sem graça da Reinsve. Tudo nela é sobre estar presa. Presa ao passado (guarda um pedaço do concreto de sua casa que foi demolida), presa dentro de casa pela mãe que era aparentemente esquizofrênica, presa a isso ao escolher uma profissão relacionada a questões mentais. E, no ótimo take final, temos a reconstrução dela pelas backrooms, em que ela está presa também, rimando, inclusive, com a versão dela na vida real que está presa pelos cientistas.
Aqui estou eu, assistindo Premonição 6 quase um ano depois. Gosto da franquia, tinha a intenção de ver todos os lançamentos no cinema (só vi o 5, os outros não tinha idade para entrar no cinema rs) e acabou que por falta de dinheiro e tempo não vi na época, mas fiquei sabendo que estava sendo até elogiado. E, sinceramente, não entendi os elogios, não é ruim, mas é um dos mais fracos da franquia, só não é pior do que o 4. O 5, subestimado, é bem superior na minha opinião. Bem, gostei muito da escolha da trilha sonora (adoro rock clássico), e teria sido interessante ver um Premonição ambientado nos anos 1950 ou 1960 mas não foi essa a proposta. Enfim, sempre comparo três tópicos na franquia. A cena inicial, que normalmente é o ponto alto dos filmes da franquia, as mortes e as reviravoltas na fórmula. A cena inicial aqui é a pior da franquia na minha opinião, empatada com a do quarto filme. A do cinco ainda é uma das melhores nesse quesito. Já as mortes são outro ponto fraco. Não as mortes em si, elas até tem bastante gore, apesar de serem muito digitais (um ponto fraco, aliás). Mas o problema mesmo foi que não senti aquela tensão divertida das mortes da franquia, que sempre te deixa tenso pois você sabe que o tal do “acidente” vai acontecer.
Aqui isso só acontece na ótima (e melhor do filme e uma das melhores da franquia) cena do churrasco, que trás lindamente essa tensão, explorando vários elementos do jardim e o bendito caco de vidro. Já as reviravoltas na fórmula temos um ponto positivo, que é colocar a questão de serem pessoas perseguidas por uma premonição ocorrido muitos anos atrás, uma boa proposta que mantêm a fórmula de Premonição sem soar como mais do mesmo. Temos também a reviravolta padrão do final, em que parece que os personagens escaparam mas não escaparam. Sinceramente, achei que enfraqueceu um pouco o filme, podiam ter evitado isso que está repetitivo, mesmo com a ideia legal de achar que tinha morrido mas não tinha. Por fim, temos a reviravolta do personagem que não possuía grau de parentesco. Tá certo, foi uma reviravolta engraçada, achar que ele tinha morrido no estúdio de tatuagem, embora isso crie um buraco (na verdade, uma situação forçada ao extremo) em que o cara realmente se envolveu em um acidente bizarro, ficando dependurado pelo piercing num ventilador de teto e botando fogo no estabelecimento sem que a morte tivesse qualquer influência. Ok, difícil engolir, mas dá para perdoar pois o filme até se conduz bem.
E falando em condução, comentei que o primeiro e o terceiro eram mais sérios e o segundo e o quarto mais pastelão. Esse daqui pende mais para o estilo do 2 e do 4, mas é mais dosado. Enfim, faltou aquela angústia dos outros filmes, mas tem uma trama que tenta trazer algumas novidade e que funciona sem se distanciar demais das regras da franquia. As mortes não foram tão memoráveis ou bem tramadas como os outros filmes. Aliás, Tony Todd extremamente debilitado, foi triste de se ver. Nota: 8.2.
Acho que o pessoal está superestimando um pouco esse filme. É ótimo, muito bom, mas não entra num top 10 de terror da década na minha opinião, nem justifica a bilheteria alta. Talk To Me e Pearl, por exemplo, achei bem melhores. E o motivo para isso, na verdade, é não ter gostado do rumo que o filme toma. A primeira metade achei excelente. Climática, mesmo nos primeiros dez minutos o filme transmite angústia extrema mesmo que nada de tão ruim tenha acontecido. Deve ser a fotografia dessaturada e o aspect ratio em 4:3, além do protagonista, que transmite muito bem esse sentimento. Aliás, atuações impecáveis do protagonista e da Nikki, injusto se não ganharem prêmios. O ponto mais positivo do filme, para mim, foi exatamente a direção, transmitindo aflição, usando bem a trilha e as cenas escuras e também tudo aquilo que o chamado pós-horror (usando na falta de um termo melhor) estabeleceu para causar aflição. Enfim, nesse quesito o filme é muito bem executado, mesmo que não tenha grandes inovações. Mais do mesmo em matéria de direção, fotografia e trilha de pós-horror, mas executado de forma excelente. Ainda na primeira metade temos os personagens sendo bem estabelecidos. E confesso que dei um enorme sorriso no cinema quando vi sobre o que o filme seria (assisto sem saber sinopse) e vi o salgueiro do desejo e aquela loja e que seria uma trama sobre objetos mágicos que realizam desejo, algo bem oitentista.
Entratanto, estava torcendo para que o filme não caísse no lugar-comum do desejo que dá errado ou que, se caísse, o executasse de forma mais interessante, diferente ou instigante. Infelizmento o filme escolhe o caminho fácil e que para mim não tem sentido. Digo, vi dublado (poucas opções em horários decentes no cinema da minha cidade, mas achei a dublagem até muito boa, não me “tirou” do filme) e na dublagem o protagonista deseja, se bem me lembro, que Nikki o ame mais do que qualquer outra pessoa no mundo. Pois bem, se o salgueiro realmente realiza o desejo, por qual motivo não realizou o desejo do protagonista? O comportamente da Nikki não é o de alguém que ama o protagonista mais do que qualquer outra pessoa. Talvez por amá-lo mais que si mesma? Ora, mais isso não justifica o comportamento dela de fechar a porta com durex ou adquirir superforça e moear a cara de alguém com uma pedra ou ficar um dia inteiro parada no lugar. Ah, um parênteses. O filme só teve uma cena gore abrupta (típico no pós-horror, que coloca gore realista e abrupto uma ou duas vezes em suas produções) e o gore foi bom, a cena foi meio previsível e, sei lá, mulher tava cheirada para ter toda aquela força, mas até gostei da cena. Já a cena que ela fica o dia todo parada foi dirigida de uma forma bem legal, eles demoram para mostrar o escatológico e a gente fica se perguntando durante a cena se eles teriam a ousadia de mostrar. Enfim, acho meio ruim querer dar pitaco em como o filme deveria ser mas, na minha visão, teria sido um filme bem melhor se ele tivesse sido mais sutil, colocado o pedido do Bear resultando em uma Nikki que ainda tivesse o comportamente condizente com a verdadeira e realmente amasse o protagonista, mas de forma obsessiva em razão da forma como foi pedido (e, bem podendo até manter as cenas em que ela dá “tilt” como um efeito colateral). E esse é o problema do filme para mim, o desejo do protagonista não foi realizado e na premissa o salgueiro realiza o desejo. Por qual motivo ela cozinharia o gato da pessoa que ela mais ama no mundo? A não ser que tenha algo que eu estou perdendo. Poderiam justificar isso fácil, sei lá, falando que o problema foi que era um pedido que detonava o mental da pessoal ou algo assim, algo que não deveria se mexer. Acho engraçado também que fizeram toda uma construção para o protagonista fazer o pedido em um momento de raiva e frustração, como se ele estivesse realmente levando a sério um pedaço de graveto que ele comprou numa lojinha. Ora, ele poderia ter feito pedido descontraidamente, não é como se ele levasse aquilo a sério. Mas isso nem é realmente um problema. Me incomoda também que o poia não pediu para alguém aleatório desfazer o desejo dele. Poxa, paga cinquentinha para um morador de rua qualquer fazer o pedido por ele, ou o chefe dele, ou qualquer um. Para mim isso foi falho. O fim é bem legal até, gostei bastante do final. As críticas ao incel ou ao “nice guy”, que parece ser gente boa mas abusaria da mulher foi bem executada. Aliás a melhor cena do filme na minha opinião foi a que o protagonista descobre (ou, melhor, confirma) que a Nikki só está namorando ele por causa do salgueiro e temos um corte brusco para ele e ela na cama. Juro, geralmente acho ruim esses cortes bruscos para cenas de sexo, algo frequente no cinema, e essa daqui foi uma das raras vezes que achei bom. Ele simplesmente dá de ombros e 3stupr4 a Nikki pois é isso que ele efetivamente está fazendo durante o filme, e nesse momento o nosso protagonista é também estabelecido como um enorme vilão. O filme dá a entender que ele gosta dela pela bondade dela (quando ela dá esmola) mas na primeira oportunidade vemos que ele nem se importa com ela de verdade. Uma pena que o filme toma rumos que não gostei muito.
Enfim, achei um filme dirigido de forma excelente, mas um potencial enormemente desperdiçado, começa muito bem e tem um ótimo final. Nota: 8.4.
Caramba, pelo que falavam desse filme eu esperava que fosse ser muito pior. Achei, sei lá, que o Rocky iria trair a esposa, ou bater nela, ou ela separaria dele, ou o Rocky fosse se subjugar para os empresários corruptos e se corromper pelo dinheiro ou algo assim. Juro, não sei o motivo de não gostarem tanto desse filme, é INFINITAMENTE melhor que a parte 4 (que é salva pelo Ivan Drago e só e tem aquele robozão RIDÍCULO). Sério, a estrutura narrativa já estava cansativa (pelo menos para mim) na parte 3 e ainda bem que esse daqui evitou essa repetição de Rocky está mal, busca alguma epifania motivacional e aí temos uma luta livre final que ele ganha. Esse daqui tenta ousar mais e isso é sempre arriscado, mas o filme se sai razoavelmente bem, incluindo a solução para termos uma luta no fim, mesmo que a execução dela tenha sido um pouco longa. E, sinceramente, não sei se realmente substitui efetivamente as lutas finais no padrão dos outros filmes, mas pelo menos é algo diferente, mesmo que acabe sendo uma das lutas finais mais fracas da franquia até aqui (bem, a do 4 tem vários problemas mas é efetiva, e a do 3 deve ser sem graça pois nem estou lembrando dela direito mais). Mas, sinceramente, não é tão pior (talvez seja até mesmo nível, ainda estou pensando) que as partes 2 e 3. A parte 2 é preguiçosa ao colocar o Rocky na mesma posição a parte 1 e colocar Creed “novamente” como vilão quando no primeiro filme ele era um antognista mais bem escrito. A parte 3 tem problemas também, principalmente por não “casar” com a 2. Esse daqui tem algo engraçado também, ele homenageia muito a parte 1, seja nos cenários, montagens e referências no geral, quase como uma sequência legado, e isso no início dos anos 1990, apenas, 14 anos depois do lançamento da primeira parte. E ele é mais lento, tem um ritmo mais dos anos 1970, ao contrário das parte 3 e 4 que eram mais oitentistas.
A trama com o Tommy é muito boa e, na minha opinião, foi a melhor coisa que aconteceu em todas as continuações de Rocky. A forma como o personagem brota no filme do nada, sem nem indicar que seria realmente importante, e do nada ele vira um dos principais motores narrativos. A forma como ele faz o Rocky se sentir como se estivesse no ringue de novo e a forma como também nos decepcionamos com ele pois parecia um bom sujeito. No fim, os problemas desse filme para mim acabam sendo dois. Um deles é a forma como o relacionamento do Rocky com o filho desenvolve. Fica muito forçado ele colocando o filho de lado. O filme tenta justificar, mas não combina em nada com a personalidade do Rocky. E, afinal, claramente dava para conciliar Tommy e o filho do Rocky. E aí temos a cena nada sutil do filho com brinquinho e quando deixa de ficar revoltado tira o brinquinho. Aff. O outro problema para mim é a forma como colocam Rocky novamente na sarjeta. Entendo que a ideia do filme seja retratar o lutador decadente que já bem mais velho e aposentado perde tudo. O problema é que Rocky não é tão velho assim, é popular (poderia fazer comerciais e a justificativa do filme para não fazê-lo é fraca), havia ACABADO de derrotar um sujeito que moía concreto na base do soco (e, bem, as lesões do Rocky fazem sentido e corrigem essa incongruência da batalha final da parte 4), tendo derrotado um super-homem soviético. Simplesmente NÃO TEM COMO o Rocky ficar pobre de novo. Mas a trama precisa do Rocky na sarjeta, então arrumam uma justificativa para ele ficar pobre de novo (e não de forma “natural”, como acontece com outras estrelas do esporte aposentadas) e no fim nem se importam muito em dizer o que aconteceu com o processo contra o contador, que, se resolvido, poderia ajudar a voltar, pelo menos parte, da fortuna do Rocky. E, sério, perdoaram Paulie fácil demais.
Mas, mesmo esses problemas são menores que os problemas das partes 2, 3 e 4. Eu fico flutuando em decidir qual é melhor, se a parte 2 ou a 3. Estou convencido agora que a parte 3 é melhor e que essa parte 5 é melhor que a 2 e mesmo nível que a 3. Mas estão todas praticamente no mesmo nível. Nota: 8.3.
Precisei cadastrar aqui. Assistido como o filme para a Croácia no meu desafio de assistir um filme para cada país da Copa de 2022 (que atrasou bastante rs). É um "found footage" e não é de terror, foi lançado antes do boom do estilo em 2009, ocasionado por Atividade Paranormal e Cloverfield. O estilo "found footage" normalmente tem um proposta de imersão e por isso acaba focado no terror, sendo o gênero dominante nesse estilo, então é incomum um drama/comédia em "found footage" (esse é o primeiro que assisto) e por isso acaba tendo um compromisso com o realismo, afinal, se se trata apenas de uma gravação supostamente real, ela tem que ser convincente como uma gravação. Mesmo assim o diretor consegue inserir um pouco de narrativa, embora eu tenha achado desinteressante em vários momentos. Tem boas situações que até convencem como gravações caseiras reais mas no geral não empolga muito. Filme 32 de 32. Nota: 7.2.
Essas continuações que remakizan o filme original dificilmente funcionam. São os mesmo conflitos, as mesmas situações, a mesma trama mas sem a qualidade da primeira parte, tudo muito sem graça. As corridas e a ação não são tão boas quanto o primeiro (a primeira corrida é pavorosa) e até temos um pouco mais de ação aqui (ou estão melhor distribuídas, um ponto negativo do primeiro que apontei no meu comentário) mas as cenas nem são tão boas. Temos, aliás, a cena do rato, que é boa mas totalmente deslocada. O protagonista era algo que não me agradava muito no primeiro e aqui continua na mesma. Roman até é uma adição boa, embora em alguns momentos perca um pouco o tom na chatura. Aliás, o conflito dele com o O’Conner também não é legal, e o romance do protagonista também é sem graça, não leva a lugar nenhum e nem tem função. Enfim, além de ter zero originalidade, o filme não executa bem essa remakização, sendo uma cópia pálida do primeito. Mesmo assim, pelo menos, consegue entregar um passatempo razoável (os carros são legais) embora, se eu rever, provavelmente vou diminuir a nota. Nota: 6.7.
Os caras cometeram O MESMO erro do filme anterior. No American Pie 3 Stifler não serve para ser protagonista (bem, o Jim é o protagonista, mas Stifler chega a quase ser o protagonista em alguns momentos). Agora, temos o irmão do Stifler que é a cara dele (o ator copiou todos os trejeitos num nível quase absurdo, com resultados questionáveis) protagonizando o filme e isso obviamente não dá certo. Temos aqui também as tradicionais cenas constrangedoras que normalmente eram protagonizados pelo loser do Jim, mas que, na falta dele, acabam recaindo no Stiffler, o que não combina muito. O filme tem ares completamente amadores. Na minha memória é o pior da franquia (ainda não assisti o último) e, inclusive, isso se dava por ter menos baixaria e pelos cenários não condizentes com o acampamento visto nos filmes anteriores. Curioso como a memória engana, pois os cenários são claramente os do acampamento da trilogia original e temos, sim, cenas apelativas, embora elas sejam, realmente, as menos explícitas da franquia até onde me lembro. O que leva a outro problema, que é o humor. Aqui ele não funciona, o filme não tem cena nenhuma que é realmente engraçada, seja pela própria escrita, seja por timming dos atores (a maioria é péssima, mas a Elyse entrega uma das piores performances da história horrível), seja pela direção ruim. E falhar no humor é um pecado. Mas, de todo modo, o filme até tem alguns momentos de leve entretenimento e a trama, por mais que seja batida, óbvia, básica e sem inspiração, é um lugar-comum que se sustenta. Capengando, mas se sustenta. A forma como o romance vai sendo construído entre Sitfler e Elyse é bem feita, inclusive na cena excelente do beijo entre os dois, que é bem filmada, bem roteirizada e bem atuada. Parece até de um outro filme kkkkkkkkk. Outro bom momento é a segunda conversa que o Stifler tem com o Sherminator. Já o pai do Jim, aqui, tem seu momento mais apagado na franquia, até onde me lembro, sendo mal aproveitado. Nota: 6.7.
Não dava nada para esse filme, seja pelas notas ou pelo início dele, que parecia que ia entregar algo sem graça. Mas, passados os vinte minutos inciais ele começa a ficar interessante, e não é só pela ação ou pelos conflitos sangrentos que se desenvolvem (personagens morrem como moscas), mas também por entregar bons diálogos e uma boa trama geral. Aliás, por isso que costumo dizer que é sempre bom assistir o filme sabendo o mínimo possível, se eu já soubesse dos conflitos da sinopse talvez não fosse tão bom. A produção é boa também, no início parecia que não ia ser, mas as locações são interessantes, os efeitos e as cenas de ação são bem filmadas (exceto, infelizmente, a última que, sinceramente, nem precisava existir, é curta e nem deu tanta emoção e não foi tão bem executada). O filme trata alguns temas do islamismo de forma interessante (melhor coisa que fiz foi essa ideia de assistir um filme para cada país da Copa de 2022, bem interessante ver visões de mundo de outros países). As atuações dão para o gasto, mas são um ponto fraco. Achei Antonio Banderas uma decepção, ele parece querer a todo custo entregar dubiedade ao personagem dele e exagera, perde a mão. Falando em dubiedade, é algo que me agradou no filme.
Ambos os sultões estão certos e errados. Digo, fico do lado do Banderas tranquilamente, pessoal morrendo de fome e doença, pobreza no meio do deserto, tu acha petróleo e vai poder substituir o papel higiênico por nota de cem dólares, aí vai deixar de fazer isso¿ Problema mesmo foi que ele já foi usando os lucros e quebrou o tratado, devia ter ido com mais calma. E, bem, acho que tinha um elemento de ganância em seu personagem, mas era apenas uma de suas facetas. No fim, tem um clichê, mas um clichê muito bom, que funciona e eu gosto, que é o do personagem protagonista, que tem um pouco dos dois mundos rivais, e os concilia na conclusão. Para mim, o maior problema mesmo foi aquela parte no deserto, é longa e meio sem propósito (bem, o protagonista reúne exércitos nessa parte) e quase me fez esquecer o tema central do filme, deixa muito de lado a trama principal por um tempo muito longo.
Vi como o filme do Catar. E, bem, infelizmente acabou sendo o filme do Catar mesmo não sendo exatamente um filme feito só pelo Catar. Só existem dois filmes inteiramente cataris pelo que pesquisei, mas nenhum dos dois achei na internet ao longo desses quase quatro anos, desde a copa de 2022. Como a copa de 2026 já está aí, tive que ir nesse que, pelo menos, até onde sei, foi gravado inteiramente no Catar, mesmo sendo uma produção de vários países. Filme 31 de 32. Nota: 8.4.
Minha noiva fez um comentário pertinente: “os atores eram tão mais expressivos nessa época”. Pensando aqui, é verdade, a atuação era mais expressiva, mais preto no branco. Tenho que ser vilão, ajo como vilão. Sou covarde, vou ficar agindo como covarde. Hoje em dia, no cinema, parece que se aprecia mais os tons cinzentos. A atuação não pode te entregar de bandeja quem é quem, o sentimento exato do personagem, tudo tem que ser interpretado, zero preto no branco. Bom, apenas expondo uma reflexão, nem sei se tem muita veracidade nisso. Mas, dito isso, o filme é ousado em sua proposta. Fico refletindo se Hitchcock teria gravado tudo num take só se a tecnologia da época permitisse (o rolo de filme tinha duração limitada), pois esse daqui, mesmo com poucos cortes, já deve ter sido um desafio tremendo. No início a falta de corte talvez cause uma estranheza, ver algo contínuo da uma sensação de que não tem ritmo, mas logo engrena. Revendo agora uns dez anos depois de ver pela primeira vez, matenho a sensação de que delongou demais no último take. Poderia ter sido de uma tacada só, mas ficou longo. E acho que a proposta de ser mais longo era exatamente tentar criar uma tensão, mas acho que falhou um pouco nisso. Embora, claro, é um Hitchcock e temos uma cena muito boa de tensão (a da governanta tirando a “mesa”), da qual, inclusive, eu não me lembrava. Outra coisa que eu não me lembrava (ou, talvez, não tenha notado) é o quanto esse filme é mais pegado para uma comédia de humor mórbido. Em vários momentos eles citam o David como forma de piada. Juro, vejo esse filme mais como “dark comedy” do que como suspense. E um humor mórbido de qualidade, diga-se de passagem. Outra coisa que não tinha notado é o ar de casal dos dois protagonistas. Ainda tem um espaço para discussões políticas e filosóficas, incluindo sobre nazismo (e ficavam falando para Hitchcock fazer um filme político, pois bem, olha ele aqui). Enfim, filme do Hitchcock é sempre uma boa pedida. Nota: 9.1.
Minha nota para esse filme está flutuando um pouco. Quando terminei pensei na faixa de 8.0, depois 9.0, voltei para 8.0 e agora volta para a faixa 9.0. Acho que vou em um meio termo. Digo, em si o filme é muito bom, toda a situação de fuga (tem algum filme de fuga de prisão antes desse ou ele foi o primeiro¿), a inventividade e paciência do protagonista, a proposta mais minimalista e mais “vazia”, com pouca trilha sonora, é algo interessante. Maaaaaas, quando pensamos nisso, o filme meio que “mata” seu potencial. Quero dizer, qual o sentido de se esforçar para o filme ser “amotivo” quando o que normalente queremos quando vamos assistir algo é emoção¿ Pensa num potencial desperdiçado, de quanto a cena final poderia ser tensa, por exemplo. Mas, essa não é a proposta do filme, que, inclusive, possui spolier em seu título (que é o mesmo título do livro). Eu até tinha pensado que era um daqueles casos de traduções bizarras que eram bem comuns nos títulos brasileiro antigamente, mas esse também o título original mesmo. Agora, qual é a dessa narração? Sério, por qual motivo Bresson pode enfiar narração à rodo, mesmo quando não é necessária, mas Nolan botar algum personagem explicando algum conceito é algo expositivo e ruim? Juro, não costumo entender essas padronizações da crítica, que quer colocar algumas situações cinematográficas como ruins, mas depende. Quando Nolan é supostamente expostivo (e o é pois é necessário para sua narrativa) é visto como algo ruim, mas quando algum diretor europeu faz não tem problema. Eu até defendo esse tanto de narração nesse filme, mas se é um filme de Hollywood iam chamar de adaptação preguiçosa do livro. Nota: 8.6.
Fascinante ver como alguns temas e conflitos são frequentes em qualquer que seja a cultura. Mesmo sendo uma obra baseada em um roteiro de um dramaturgo espanhol, ela se insere em um contexto de uma cultura bem diferente no Marrocos. A história é até legal, mas a parte interessante é ver os costumes, as locações, a música e os vestuários do local, inclusive a cerimônia de casamento. Essa cena, aliás, é a melho do filme na minha opinião. A direção é muito boa também. Visto como o filme do Marrocos para meu desafio de ver um filme para cada país da Copa de 2022 (que infelizmente atrasou por não achar filme do Catar e do País de Gales). Filme 30 de 32. Nota: 7.8.
As cenas de humor são muito boas, com boas tiradas. A cena dos espelhos é bem feita, assim como a cena do trapézio, e, embora esta seja engraçada, é meio que previsível. A cena da jaula é a melhor do filme na minha opinião. Sobre a trama, segue o tema de exploração e de personagens com pouco dinheiro. Agora, um apontamento aqui. É horrível ver a forma como a mulher era enxegada como um objeto na época. A partir do momento em que ela casa, o dono do circo para de maltrata-la, pois agora ela é “propriedade” do novo marido. A mentalidade da época em relação às mulheres era algo surreal para os dias de hoje
Rocky Balboa
3.8 584 Assista AgoraNossa, sinceramente, cada dia que passa gosto mais da parte cinco, completamente injustiçada. Essa parte seis até tenta, mas ela, sei lá, me soa meio desnecessária. Para que fazer mais um filme colocando o Rocky nas mesmas situações? Digo, se tem algo que eu não gosto é quando alguém fala que determinado filme é desnecessário, mas esse daqui me passa um pouco dessa sensação. Está certo que a parte cinco deixa uma sensação de arco inacabado, mas essa aqui não foi satisfatória para mim como conclusão.
Digo, Rocky na parte 2 nem podendo lutar estava, na parte 4 quase morre e por isso na 5 acaba aposentando, aí depois de uns 20 anos aposentado volta para o ringue de novo¿ A parte 5 era boa por ousar não colocar o Rocky em um ringue novamente e continuar sua história como lutador aposentado, aí essa parte 6 tinha que desmontar isso e voltar para o óbvio. E aqui, novamente, Rocky usa a perseverança, o coração, para conseguir vencer as circunstâncias e sair “vencedor” da luta. Digo, pura ficção, na vida real Rocky não teria nem lutado pois a junta médica não teria permitido mas, se tivesse lutado, não teria durado três assaltos.
Maaaaaaas, não sou do tipo de querer purismos realistas nas obras de ficção. Suspensão da descrença para um caso desses poderia funcionar, mas os outros quatro filmes anteriores (com exceção do quinto) usaram a mesma trama do underdog, do azarão que supera o desafio e fazer isso de novo em uma situação forçada de um aposentado praticamente idoso ficou demais para mim.
Assisti pela primeira vez na época que lançou, com doze anos, sem ter visto as continuações e não lembrava de praticamente nada. Finalmente assisti os originais e são necessários para a trama. Bem, exceto o cinco, que é deixado meio de lado.
A cena do discurso do Rocky para o filho é o ponto alto do filme, um dos grandes momentos da franquia tranquilamente. Inclusive, a primeira metade desse filme é até legal. É contida, sem extravagâncias, nostálgica, reflete bem um Rocky que sente saudades do passado, apesar de viver até acertadamente, com emprego e fama.
Inclusive colocarem uma personagem feminina sem apagarem a Adrian ou substituí-la, sendo uma personagem que Stalone evitou de cair no lugar comum nesse sentido, sendo o relacionamento entre ambos bem construído. Claro no trecho final ela acaba sendo usada como Adrian, demonstrando que a personagem estava ali para isso, mas de resto foi bem construído.
Agora o que não ficou bem construído foi a relação do Rocky com o filho. O relacionamento dele com o filho foi melhor escrito no quinto filme com sobras. Do nada o moleque larga o emprego para ficar acompanhando o pai. Do nada não, depois de um discurso motivacional (ótima cena, isoladamente falando, como disse) que simplesmente resolve todas as desavenças entre os dois. E o filho da substituta da Adrian (esqueci o nome) que tem um rascunho de desenvolvimento mas não finalizam, simplesmente vira equipe de apoio também. E é isso.
Sinceramente, repito, não entendo a rejeição à parte cinco quando ela constrói e se desenvolve de um modo muito melhor que essa parte seis. Na verdade, acho que entendo, o problema é que a parte cinco não é mais do mesmo, toma caminhos que não são decisões populares, enquanto esse aqui entrega as decisões fáceis e agradáveis para o público que, por mais que não sejam interessante no meu ponto de vista, são suficientes para uma maior aceitação.
Enfim, minhas ordem de preferência para esses filmes ficam variando um pouco. Mas esse com certeza só não é pior que a parte quatro... que é outro filme bem popular da franquia rs.
Nota: 7.2.
Armadilha
2.7 880 Assista AgoraÉ um filme bom, Shyamalan dirige muito bem aqui. Acho que é um dos melhores em matéria de direção que ele lançou nos último anos, em alguns momentos é bem hitchcockiano. Problema do Shyamalan é a cisma em roteirizar também. Ele é até um roteirista razoável, mas sempre passa a sensação que o roteiro poderia ser melhor ou mais trabalhado, algo que um colaborador poderia apontar. Mas como é so ele dirigindo e roteirizando acaba dando essa sensação que faltou pouco para chegar em um filme excelente.
Dito isso, o filme tem bons momentos,
a ideia de um protagonista que é o vilão é boa, era algo que poderia ser problemático e comprometer o suspense mas é bem executado, acabamos que nos pegamos torcendo por ele meio que sem querer. Aliás, gostei da atuação do protagonista, passa uma sensação de simpatia, mas ele logo “muda” quando entra em “modo” assassino em série.
Bom, em alguns momentos isso é um pouco exagerado e o protagonista é quase sobrenatural na esperteza e na agilidade. Outro problema, a meu ver, foi o último ato do filme. A perseguição que continua fora do estádio é longa demais, deveriam ter focado mais tempo no estádio, cortado dez, quinze minutos desse terceiro ato e colocado outras situações dentro do show.
E, no fim, temos a reviravolta obrigatória que é marca do Shyamalan. Eu achei, até mais ou menos metade do filme, que seria que a filha é quem era a assassina e o pai estaria apenas encobrindo os rastros dela para protegê-la, justificaria ele como protagonista. Mas, bem, do meio para frente fica claro que não seria isso e até gostei da reviravolta final
Nota: 7.4.
Um Dia a Casa Cai
3.5 300É divertido e cumpre seu papel de comédia, arrancando bons risos e por vezes abraçando o exagerado e o escrachado, e até o absurdo. Gostei muito do personagem do maestro. O problema mesmo, para mim, foi que na última meia hora o filme muda completamente o foco para uma trama que parecia até terciária e se torna o foco principal do filme do nada, sendo, inclusive, a base para o clímax, abandonando a própria temática do filme que deveria servir para esse clímax.
Nota: 7.3.
Um Acampamento Muito Louco
2.5 7Dirigido e roteirizado pelo roteirista do bom Heathers. E até vejo alguma semelhança entre esses filmes, não só por causa do foco em adolescentes, mas tembém por ter um certo ar de estranheza na forma como a históia é conduzida, em como os personagens se portam em alguns momentos. Ele tem um ar levemente estranho, como Heathers, algo que eu até gosto.
E, bem, além do bom roteirista, temos um excelente time de atores promissores. Dominique Swain tinha tido uma excelente atuação em Lolita. Brad Renfro já vinha consolidando uma carreira (O Aprendiz, A Cura), Jaime King (estreante como atriz, mas atua até bem), Keram Sanchéz que já tinha uma carreira com vários créditos e Justin Long, praticamente estreante, mas foi o único que realmente ganhou uma grande fama entre todos os atores.
E, mesmo com esse elenco grande e diverso, que atua até bem, temos um filme que é bem desconhecido. 60 avaliações aqui no Filmow, 3.000 no IMDB, e quando você pesquisa o nome original dele no google aparece uma empresa de aluguel da Islândia kkkkk.
Enfim, até gostei do filme. A narração, mesmo que por vocês abusem desse recurso, é interessante e com boas falas. A cena do olho do furacão é meio onírica, com a fotografia estilizada, e achei ela até legal. Então, não sei bem dizer qual foi o problema do filme.
Acho que a questão é que talvez ele foque demais em um romance que não tem muita graça. Digo, a premissa do acampamento sem um supervisor adulto poderia enveredar por outros temas, mas o foco parece ser apenas a questão sexual. Parece que esse é o único instinto liberado quando os jovens ficam em total liberdade. E, bem, talvez o seja.
E outra coisa é o título nacional, que dá ares de comédia escrachada para um filme que, bem, meio que possui elementos de comédia, mas uma comédia séria.
Poderia ser melhor, mas até que é legal em sua direção e forma de contar a história um pouco estranha.
Nota: 7.2.
A Montanha Sagrada
4.2 483 Assista AgoraPedrada do Jodorowsky, daqueles filmes que é impossível ver e não se sentir mexido de algum modo. Em alguns momentos é meio caótico, principalmente no começo. Poucas falas (por alguns instantes achei até que o filme nem fala teria) enquanto simbolismos diversos (envolvendo religiões e diferenças socioeconômicas, com críticas aos ricos, às guerras e a hipocrisia de alguns religiosos) são bombardeados sem dó e sem nem deixar tempo para respirarmos.
Aliás, a cena que pegam o cara como molde de crucifixos é muito boa, a quantidade de Cristos me impressionou, o filme parece ter tido uma produção caríssima, vários cenários, vários figurinos, tudo passando em poucos segundos e já troca, com vários personagens também. Aliás, qual o significado dessa cena do molde? Roubaram a força de trabalho dele para lucrar? Enfim, como disse, repleto de simbolismos e interpretações.
Já o segundo ato começa a ser mais sobre narração, com alguns simbolismos (um pouco) mais óbvios (vênus luxúria, marte guerra) e ritmo menos frenético. Aliás, tudo que não tinha de fala no primeiro ato tem no segundo, com tudo sendo narrado, deixando bem explicitas as críticas. Acho que esse segundo ato, por mais interessante (narrativa e visualmente) que tenha sido, poderia ter sido encurtado. Incha demais o filme e foi responsável por cair um pouco no meu conceito.
E, bem, vemos que o conceito dos Legendários foi criado pelo Jodorowsky. Grupo com características religiosas para moldar o caráter (inclusive abdicando de certos pecados) e formado majoritariamente por pessoas de elite e que buscam seu objetivo subindo montanha kkkkkk.[spoiler]
Aí o terceiro ato mescla um pouco. Temos narração e simbolismos mais equilibrados. E então temos o final que é meio... bom, difícil definir. Niilista, talvez? Ou tudo teria propósito? Buscar alcançar a imortalidade para no fim ser a jornada que importa como fator transformador? Mas, e daí? Já que tudo não passa de um filme, nada aconteceu. Pois é, não sei se esse final de tudo ser um filme foi para ter impacto ou se foi algo orgânico com o propósito de trazer algum ensinamento ou reflexão.[/spoiler] Realmente, não sei ainda o que pensar sobre isso.
Por fim, gosto muito da estética psicodélica, mesmo que tenhamos poucos filmes que a usem. E, tenho uma reclamação que, sinceramente, eu mesmo não concordo muito com ela mas tenho que fazer. Talvez eu tivesse gostado mais da estética (e do filme no geral), tivesse achado mais bonita ou agradável de se assistir se tivesse menos gente pelada. Sério, que desconforto, gente pelada toda hora, fica difícil apreciar a estética. Claro, essa reclamação é injusta, já que o pessoal nu faz parte da estética, mas que atrapalhou um pouco de apreciar atrapalhou.
Nota: 8.4.
O Telefone Preto
3.5 1,2K Assista AgoraÉ um filme amarradinho, entretem, mas não me atingiu. A Entidade, do mesmo diretor, é bem superior na minha opinião, embora ache que no geral tenha notas menores. Digo, A Entidade é muito mais climático e assustador, enquanto esse daqui é meio, sei lá, mais blockbuster.
Achei que a fotografia quase exagera na ambientação da década que o filme se passa. Aliás, o diretor continua com seu fascínio pelas mídias físicas audiovisuais antigas. Só que em A Entidade isso tinha sentido na narrativa, aqui ele simplesmente emprega câmeras diversas sem qualquer justificativa orgânica.
[/spoiler]
Tem o mérito de misturar terror sobrenatural com terror de assassino em série (acho que é algo inédito, pelo menos eu não me lembro de outro filme que faça algo parecido) mas é só isso. Digo, desde o trailer achei sem graça e pouco atrativo e o filme me deu a mesma sensação do trailer (ou seja, ótimo trailer, rs).
Algumas coisas soam um pouco forçadas também. Várias crianças já tinham sumido. No início do filme parecia que eram uma ou duas, mas VÁRIAS e mesmo assim os pirralhos andam na rua de boas.
E, outra, para que serviu o personagem do irmão? Sei lá, é só um alívio cômico de alguém obcecado pelo assassino mas que mora (mesmo que temporariamente) no mesmo teto e não percebeu? Meio forçado, mas aceitável
Nota: 7.2.
Táticas do Amor
3.2 60 Assista AgoraDesde 2018 assisto um filme de cada país da Copa do Mundo durante a copa. Infelizmente, agora com 48 seleções fica impossível. Então vou tentar assistir ao longo de um ou dois anos. E, como primeiro filme, escolhi a Turquia, com sua decepcionante campanha na copa. E resolvi pegar algo fácil, na própria Netflix.
Pois bem, meu contato com cinema turco foi apenas nas cópias que eles faziam de blockbusters (O Exorcista Turco e o Star Wars Turco). Agora, assisti um filme que não é uma cópia de um blockbuster mas até parece, já que é uma comédia romântica bem pasteurizada. Apesar de que até dá para ver um pouco de Turquia aqui nas locações. E achei que retrata um país que até é bem liberal nessa questão de relacionamento. Enfim, apesar da trama extremamente clichê e previsível, o filme, mais para o fim, parece tentar brincar com o fato de ser clichê, talvez envergonhado com isso, mas vemos que só o faz pela falta de criatividade mesmo.
De todo modo, a interação do casal principal (um dos pontos chave em filmes do tipo) funciona muito bem e ajuda a tornar a obra digerível. Também importante comentar como o ator principal é simplesmente HORRÍVEL na primeira metade e na segunda entrega, pelo contrário, uma atuação ÓTIMA. O filme foi gravado na ordem e o cara foi aprendendo a atuar enquanto gravavam, só pode.
Enfim, assitível e até divertidinho, mas nada de demais. Simplesmente não tem nenhum momento marcante.
Nota: 6.9.
Filme 01 de 48 (Turquia).
O Fantasma do Paraíso
3.8 108Isso é arte em seu estágio mais puro. Uma salada nonsense de zero sutileza que flerta com quase todo gênero cinematográfico e homenageia diversos movimentos cinematográficos e emprega vários tons narrativos e mesmo assim funciona. Caótico e organizado, estilizado, extravagante ao extremo mas sem soar exagerado ou desconexo. É um filme extremo no seu estilo mas sem deixar de ser padrão, ou seja, é de uma total dualidade que acho que nunca vi nenhum outro filme alcançar. Normalmente fazer algo muito fora do padrão ou estilizado gera aqueles filmes arte meio não narrativos (Montanha Sagrada, por exemplo), mas este daqui consegue acertar na dose de tudo, para mim.
DePalma, nos anos 1970, dirigiu vários suspenses que homenageavam outros estilos do passado, mas eram mais contidos que esse daqui. Quero dizer, ele assimila o Giallo pelas cores fortes e pelo sangue bem vermelho, mas o Giallo ainda era algo novo. Aliás, não seria exagero de chamar isso daqui de um Giallo estadounidense. Além dessas misturas de gênero, temos o título que remete a O Fantasma da Ópera. Entretanto, achei que veria uma versão atualizada da obra, mas ele começa como Fantasma da Ópera (e até continua o homenageando em alguns momentos) mas logo começa a enveredar por outras tramas,
misturando também Fausto e o Retrato de Dorian Gray. E DO NADA nos jogam aquele roqueiro maluco. Arte.
Agora, tenho também que tratar de uma das melhores reviravoltas do cinema a meu ver e que curiosamente não me lembro de ter visto em nenhuma lista de reviravoltas. Como disse, é um filme sutil e mesmo assim consegue esconder uma reviravolta fantástica (nos dois sentidos, de ser bem tramada mas também de ser fantasiosa) mesmo nos bombardeando com ela o tempo todo (o fato do personagem não envelhecer, a assinatura com sangue...). Simplesmente genial, brincando, inclusive, com a ideia do “rock demoníaco”. E do nada é adicionado o elemento fantasioso ao filme.
Sinceramente, não entendo toda a adoração à Rocky Horror Picture Show (que saiu um ano depois desse!) que tem lá nos EUA. Só comparando musicais de rock espalhafatosos e com um pé no terror. Esse daqui é muito mais filme e mais coerente na narrativa. Embora, verdade seja dita, achei as músicas dessa aqui fracas e inferiores (não que Rocky Horror tenha músicas excelentes) mas a decepção é maior por serem (até onde sei) do Paul Williams, que tem ótimas músicas (Muppets, Bugsy Malone). Se tivesse músicas melhores talvez eu desse uma nota maior ainda, entrando no rol de filmes que são top 20 na minha opinião. Mas, de todo modo, chegou perto.
Sério, não sei como esse filme é mais adorado. (Quase) Zero defeitos.
Nota: 9.8.
O Poderoso Chefão: Parte III
4.2 1,1K Assista Agora"Quanto mais subo, mais vejo desonestidade".
Não gosto muito de polêmica. Mas, simplesmente não entendo como podem gostar da parte II (que acho infinitamente abaixo da parte I) e não gostarem dessa parte III, que considero muito melhor. Não me acho o dono da razão, mas até hoje não consegui entender. A parte II, na minha visão, é morosa, desinteressante, uma cópia pálida da parte I, suga tudo que ela tinha de bom e suas boas ideias numa execução que não tem metade do impacto. Já essa parte III acho que tentou fugir um pouco disso, e só nisso já tem mais méritos, mesmo que não tenha o mesmo impacto do primeiro, acho ela mais memorável, com momentos que, pelo menos para mim, foram de maior impacto que os da parte II, salvo algumas exceções (por exemplo, a cena final da parte II).
Certo, acho que sou a única pessoa que acha essa parte III melhor. Mas ela tem falas bem pensadas (como a que eu citei), desenvolve o Michael para o seu derradeiro fim. O filho do Sonny é um ótimo personagem a meu ver, uma adição melhor que qualquer adição da parte II, como a de espião ou a escolha entre máfia e o amor. As tramas envolvendo a máfia são boas. Já vi que reclamaram da situação que o Michael se encontra, rico e poderoso, mas achei uma boa ideia. Não sei se tem alguma inspiração em coisas que aconteceram com mafiosos reais.
Por fim, a direção do Coppola é muito boa e recria de uma forma muito boa o clima de filme dos anos 1970 a meu ver. Sério, tirando o envelhecimento dos atores, poderia muito bem ter sido gravado logo depois da parte II, o clima, construção, gravação, fotografia é de filme dos anos 1970 puro.
No fim, tem alguns momentos meio morosos, mas nada tão grave. O ponto fraco mesmo é a Sofia Coppola, com uma atuação horrenda que dá até dó e talvez seja o ponto mais baixo de toda a trilogia.
Segunda vez que assisto, desse vez vi a nova versão do Coppola.
Nota: 8.6.
Duna: Parte Dois
4.2 867 Assista AgoraNo meu comentário do Duna 1 escrevi que “é um filme que realmente carece de emoção no geral, tudo soa meio monocórdico, frio”. Essa parte 2 segue nesse mesmo problema, na minha opinião. Entendo que tenha se empolgado mas pessoalmente o filme não me atingiu. Até achei mais emocionante que o primeiro, os personagens até estão melhores, a questão de um escolhido que não necessariamente é bom é legal também. Enfim, achei esse melhor que o primeiro mas continuo achando ambos morosos, amotivos. Aliás, se rever o primeiro com certeza diminuirei a nota que dei para ele.
As falas aqui estão melhores também e igualmente o roteiro de um modo geral. Também escrevi que queria que essa parte 2 justificasse a divisão em duas partes mas, sinceramente, acho que isso é algo que eu deveria avaliar depois de ler o livro. A trilha é muito boa, os aspectos técnicos e efeitos especiais estão impecáveis, como também estavam na primeira parte. Gostei do Feyd-Rautha também, acho que foi a melhor coisa da franquia até aqui.
Enfim, é um espetáculo visual, o roteiro melhor, mas continua sendo beeeem mecânico.
Nota: 8.0.
O Mensageiro do Diabo
4.1 301 Assista AgoraCharles Laughton dirigiu esse filmaço? Rapaz, lembro que vi da primeira vez uns dez anos atrás, não sabia quem ele era nem quem era Lillian Gish, que também está aqui. Assisti uns quatro filmes do Laughton (três deles com a Deanna Durbin e um se não me engano com a Vivien Leigh) e acho ele um excelente ator, nunca tinha imaginado que teria um crédito por direção. Aparentemente, foi o único trabalho dele nesse sentido já que, pelo que ouvi falar, o filme não teve uma boa bilheteria. Imagina só se ele tivesse tido mais oportunidades, não sei se estou exagerando mas poderíamos ter um grande rival para Hitchcock.
O filme tem uma estrutura um pouco anômala, você acha que está no fim e quando vê ainda faltam meia hora de produção (seria esse o motivo de não ter feito sucesso?) e do nada a Lillian Gish aparece no filme (você provavelmente até já esqueceu que ela aprece rapidamente nos créditos iniciais).
Enfim, o filme é até pesado, tem uma estrutura narrativa não muito convencional para a época (pelo menos até onde eu sei), com algumas quebras de expectativa. O suspense dele não é muito de tensão, ele prefere ser mais seco e isso funciona muito bem. Possui diversos takes belíssimos e extremamente inspirados, como o corpo debaixo d’água ou a cena da Lillian de tocaia.
Achei apenas que escorregou um pouco no final, delonga muito como se quisesse justificar demais sua mensagem, como se fosse realmente necessário ter uma ou explicitá-la, uma insegurança não condizente com um filme que tinha sido extremamente seguro em sua condução, mesmo quando ousava. Deveria ter terminado uma cena antes da cena final, teria sido melhor. Ah sim, e Robert Mitchum entrega uma excelente atuação também.
Nota: 9.3.
Sobre Meninos e Lobos
4.1 1,6K Assista AgoraFinalmente corrigi um erro enorme na minha lista de filmes assistidos e assisti um filme dirigido por Clint Eastwood pela primeira vez. Assim, ainda não estou familiarizado com o estilo dele como diretor, mas não vi nada de grande destaque aqui em matéria de direção. Achei ajeitada, com boas ideias, mas meio seca. Se não tivesse um bom roteiro talvez não tivesse tanto destaque, mesmo que Clint tenha uma direção segura e ajeitada.
Lembro bem desse filme nas locadoras, o pôster dele era bem comum. Uns quinze anos atrás meu pai me recomendou assistir um filme que ele falou que era muito bom, “Pacto dos Lobos”. Fui, aluguei, era um filme de terror meio médio orçamento, nada a ver com o estilo do meu pai, fiquei sem entender, questionei ele e ele também não entendeu. Acredito, pensando depois, que ele errou o título e era esse aqui que ele queria me recomendar rs. E, quinze anos depois, finalmente assisti a recomendação.
Gosto como o personagem do Penn vai sendo desenvolvido,
como a trama expõe aos poucos seu passado criminoso. A questão dele já ter sido preso, por exemplo, é colocada e logo vemos que realmente tem importância. Ou o detalhe das vozes da ligação para a polícia falando da garota baleada, que logo esquecemos e depois é retomada.
Agora, bem interessante é a cena em que o Jimmy fala sobre sentir como se tivesse culpa na morte da filha. Podemos pensar que é sobre a proibição dela se relacionar com o filho do Ray mas acho que é mais profundo. Envolve o fato de que se o Jimmy não tivesse matado o Ray, a arma jamais teria chegado ao filho dele e, consequentemente, a filha de Jimmy não teria morrido.
Bem, apesar da boa trama, algumas conveniências podem incomodar um pouco, embora eu até releve elas. Por exemplo, dos três amigos um ter virado policial, algo essencial para a trama que um deles seja das forças de segurança. Ou o Dave ter resolvido matar um abusador NO EXATO dia em que a filha de um de seus amigos de infância, que é criminoso, morrer acidentalmente, tudo sendo investigado pelo terceiro amigo. Digo, totalmente aceitável achar que o cara era culpado, teria sido até melhor. Maaaas, considerando que coincidências absurdas já aconteceram na vida real, acho isso algo até perdoável.
Mais difícil de perdoar mesmo são os últimos minutos do filme. Não sei, parece que não sentiram firmeza na forma como tinha arrematado a trama e ficaram delongando sem saber o que fazer. A cena do Jimmy com a esposa é super esquisita. A cena final não funcionou muito para mim. O filme tinha que ter acabado na cena que os dois param no local onde o Dave tinha sido sequestrado, teria sido melhor
Nota: 8.5.
Backrooms: Um Não-Lugar
3.2 460 Assista AgoraAssisti os dois badalados filmes de terror na mesma semana. Backrooms e Obsessão. De primeira gostei mais do segundo que do primeiro. Entretanto, a cada momento que pensava mais nesses filmes, comecei a achar Obsessão cada vez pior e Backrooms cada vez melhor. Bem, Obsessão continua sendo um ótimo e melhor filme, mas Backrooms não fica muito atrás.
Considero esse conceito de Liminal Spaces tão abstrato e sem sentido. Acho que a geração depois da minha talvez consiga entender melhor mas para mim é um conceito que não desce, sinceramente. Nada contra, só não desce muito para mim. Dito isso, assisti o primeiro curta mais ou menos uns 3 anos atrás quando o youtube me recomendou. Achei legal as cores, o found footage, etc. Depois assisti um vídeo sobre a tal foto original do 4Chan que gerou a creepypasta das Backrooms. Uma foto, um comentário anônimo e tivemos um efeito em cadeia bizarro que culminou num dos filmes de terror de maior bilheteria dos últimos anos.
Bom, não sou exatamente fã do trabalho do diretor, até gosto de algumas coisas que vi dele e gostei bastante do filme. É, até onde sei, fiel ao material original, possui referências, inclusive visuais (dois momentos do filme são found footage, o primeiro é sem graça, mas o segundo é bem legal), inclusive gerando uma experiência imersiva na tela grande.
Talvez o filme tenha um ritmo um pouco lento, mas não foi nada tão preocupante para mim. Talvez, na verdade, a questão seja que em alguns momentos ele delonga demais em diálogos ou falas, poderia ser um pouco enxugado nisso. O maior exemplo é a cena do jantar, longa, expositiva (não particularmente um problema em si) e falha em construir sei lá o que a cena quis dizer. É o momento mais baixo do filme, diga-se de passagem.
O filme possui como melhor parte as backrooms, as salas são interessantes, a fotografia amarelada também, as cenas que se passam nesses ambientes são boas (falhou, em alguns momentos, em causar medo ou construir tensão, achei que poderiam ter sido mais assustadoras), a perseguição final, por mais que seja clichê, foi bem executada. Os cenários são bem legais também.
E isso não quer dizer que o filme não possua uma história boa e foque apenas no visual. O filme realmente tenta entregar substrato narrativo para sua experiência visual e o faz de forma interessante e até tenta ser sutil, embora em muitos momentos exponha sua trama de um jeito não muito legal, como na dita cena do jantar.
Agora, Clark mereceu tudo que passou. Que tipo de pessoa assiste um filme péssimo como Papai Noel Conquista os Marcianos por conta própria? Bem, eu fiz isso, mais de uma vez, mas eu não bato bem mesmo. Falando em referência, o filme toca Ulterior Motives do nada. Legal, gostei, deve ser uma das primeiras vezes que uma lostwave toca em um filme, embora a gente fique questionando por qual motivo uma música de um filme adulto toque em uma festinha, mas tudo bem.
Falando no Clark, o cara está falido mas mesmo assim comparece à consulta com a psicóloga, o cara realmente se preocupa com a própria higidez mental, bom saber. Ou, mais provável, depois dos problemas com a esposa talvez o estado tenha o obrigado a fazer isso, sei lá.
Levei um tempão para perceber que o filme se passava no início dos anos 1990, mas achei uma boa, principalmente pelas câmeras no found footage.
Uma teoria que vi e que parece fazer bastante sentido é que as backrooms são reconstrução apenas de ambientes traumáticos.
Faz bastante sentido se pensarmos bem, a sala da cadeira representando o comercial do Clark (e seu atual trabalho), as placas de desaparecidos e a cena do jantar que seria uma representação do momento da separação de Clark de sua esposa.
Mas, se bem entendi, o próprio filme parece criticar (pelo menos na minha visão pareceu) o pessoal que fica esmiuçando o filme atrás de teorias para explicar tudo, da mesmo forma que os cientistas fazem com as backrooms, então fazer isso seria cair naquilo que o próprio filme critica.
Agora, se Clark e seu arco são um pouco óbvios e expostos demais em alguns momentos, achei o arco da psicóloga (real protagonista na minha visão) um pouco mais bem feito, apesar da atuação sem graça da Reinsve. Tudo nela é sobre estar presa. Presa ao passado (guarda um pedaço do concreto de sua casa que foi demolida), presa dentro de casa pela mãe que era aparentemente esquizofrênica, presa a isso ao escolher uma profissão relacionada a questões mentais. E, no ótimo take final, temos a reconstrução dela pelas backrooms, em que ela está presa também, rimando, inclusive, com a versão dela na vida real que está presa pelos cientistas.
Nota: 8.4.
Premonição 6: Laços de Sangue
3.3 743 Assista AgoraAqui estou eu, assistindo Premonição 6 quase um ano depois. Gosto da franquia, tinha a intenção de ver todos os lançamentos no cinema (só vi o 5, os outros não tinha idade para entrar no cinema rs) e acabou que por falta de dinheiro e tempo não vi na época, mas fiquei sabendo que estava sendo até elogiado. E, sinceramente, não entendi os elogios, não é ruim, mas é um dos mais fracos da franquia, só não é pior do que o 4. O 5, subestimado, é bem superior na minha opinião.
Bem, gostei muito da escolha da trilha sonora (adoro rock clássico), e teria sido interessante ver um Premonição ambientado nos anos 1950 ou 1960 mas não foi essa a proposta. Enfim, sempre comparo três tópicos na franquia. A cena inicial, que normalmente é o ponto alto dos filmes da franquia, as mortes e as reviravoltas na fórmula.
A cena inicial aqui é a pior da franquia na minha opinião, empatada com a do quarto filme. A do cinco ainda é uma das melhores nesse quesito. Já as mortes são outro ponto fraco. Não as mortes em si, elas até tem bastante gore, apesar de serem muito digitais (um ponto fraco, aliás). Mas o problema mesmo foi que não senti aquela tensão divertida das mortes da franquia, que sempre te deixa tenso pois você sabe que o tal do “acidente” vai acontecer.
Aqui isso só acontece na ótima (e melhor do filme e uma das melhores da franquia) cena do churrasco, que trás lindamente essa tensão, explorando vários elementos do jardim e o bendito caco de vidro.
Já as reviravoltas na fórmula temos um ponto positivo, que é colocar a questão de serem pessoas perseguidas por uma premonição ocorrido muitos anos atrás, uma boa proposta que mantêm a fórmula de Premonição sem soar como mais do mesmo.
Temos também a reviravolta padrão do final, em que parece que os personagens escaparam mas não escaparam. Sinceramente, achei que enfraqueceu um pouco o filme, podiam ter evitado isso que está repetitivo, mesmo com a ideia legal de achar que tinha morrido mas não tinha. Por fim, temos a reviravolta do personagem que não possuía grau de parentesco. Tá certo, foi uma reviravolta engraçada, achar que ele tinha morrido no estúdio de tatuagem, embora isso crie um buraco (na verdade, uma situação forçada ao extremo) em que o cara realmente se envolveu em um acidente bizarro, ficando dependurado pelo piercing num ventilador de teto e botando fogo no estabelecimento sem que a morte tivesse qualquer influência. Ok, difícil engolir, mas dá para perdoar pois o filme até se conduz bem.
E falando em condução, comentei que o primeiro e o terceiro eram mais sérios e o segundo e o quarto mais pastelão. Esse daqui pende mais para o estilo do 2 e do 4, mas é mais dosado. Enfim, faltou aquela angústia dos outros filmes, mas tem uma trama que tenta trazer algumas novidade e que funciona sem se distanciar demais das regras da franquia. As mortes não foram tão memoráveis ou bem tramadas como os outros filmes. Aliás, Tony Todd extremamente debilitado, foi triste de se ver.
Nota: 8.2.
Obsessão
3.9 933 Assista AgoraAcho que o pessoal está superestimando um pouco esse filme. É ótimo, muito bom, mas não entra num top 10 de terror da década na minha opinião, nem justifica a bilheteria alta. Talk To Me e Pearl, por exemplo, achei bem melhores. E o motivo para isso, na verdade, é não ter gostado do rumo que o filme toma.
A primeira metade achei excelente. Climática, mesmo nos primeiros dez minutos o filme transmite angústia extrema mesmo que nada de tão ruim tenha acontecido. Deve ser a fotografia dessaturada e o aspect ratio em 4:3, além do protagonista, que transmite muito bem esse sentimento. Aliás, atuações impecáveis do protagonista e da Nikki, injusto se não ganharem prêmios. O ponto mais positivo do filme, para mim, foi exatamente a direção, transmitindo aflição, usando bem a trilha e as cenas escuras e também tudo aquilo que o chamado pós-horror (usando na falta de um termo melhor) estabeleceu para causar aflição. Enfim, nesse quesito o filme é muito bem executado, mesmo que não tenha grandes inovações. Mais do mesmo em matéria de direção, fotografia e trilha de pós-horror, mas executado de forma excelente.
Ainda na primeira metade temos os personagens sendo bem estabelecidos. E confesso que dei um enorme sorriso no cinema quando vi sobre o que o filme seria (assisto sem saber sinopse) e vi o salgueiro do desejo e aquela loja e que seria uma trama sobre objetos mágicos que realizam desejo, algo bem oitentista.
Entratanto, estava torcendo para que o filme não caísse no lugar-comum do desejo que dá errado ou que, se caísse, o executasse de forma mais interessante, diferente ou instigante. Infelizmento o filme escolhe o caminho fácil e que para mim não tem sentido.
Digo, vi dublado (poucas opções em horários decentes no cinema da minha cidade, mas achei a dublagem até muito boa, não me “tirou” do filme) e na dublagem o protagonista deseja, se bem me lembro, que Nikki o ame mais do que qualquer outra pessoa no mundo. Pois bem, se o salgueiro realmente realiza o desejo, por qual motivo não realizou o desejo do protagonista? O comportamente da Nikki não é o de alguém que ama o protagonista mais do que qualquer outra pessoa. Talvez por amá-lo mais que si mesma? Ora, mais isso não justifica o comportamento dela de fechar a porta com durex ou adquirir superforça e moear a cara de alguém com uma pedra ou ficar um dia inteiro parada no lugar.
Ah, um parênteses. O filme só teve uma cena gore abrupta (típico no pós-horror, que coloca gore realista e abrupto uma ou duas vezes em suas produções) e o gore foi bom, a cena foi meio previsível e, sei lá, mulher tava cheirada para ter toda aquela força, mas até gostei da cena. Já a cena que ela fica o dia todo parada foi dirigida de uma forma bem legal, eles demoram para mostrar o escatológico e a gente fica se perguntando durante a cena se eles teriam a ousadia de mostrar.
Enfim, acho meio ruim querer dar pitaco em como o filme deveria ser mas, na minha visão, teria sido um filme bem melhor se ele tivesse sido mais sutil, colocado o pedido do Bear resultando em uma Nikki que ainda tivesse o comportamente condizente com a verdadeira e realmente amasse o protagonista, mas de forma obsessiva em razão da forma como foi pedido (e, bem podendo até manter as cenas em que ela dá “tilt” como um efeito colateral).
E esse é o problema do filme para mim, o desejo do protagonista não foi realizado e na premissa o salgueiro realiza o desejo. Por qual motivo ela cozinharia o gato da pessoa que ela mais ama no mundo? A não ser que tenha algo que eu estou perdendo. Poderiam justificar isso fácil, sei lá, falando que o problema foi que era um pedido que detonava o mental da pessoal ou algo assim, algo que não deveria se mexer.
Acho engraçado também que fizeram toda uma construção para o protagonista fazer o pedido em um momento de raiva e frustração, como se ele estivesse realmente levando a sério um pedaço de graveto que ele comprou numa lojinha. Ora, ele poderia ter feito pedido descontraidamente, não é como se ele levasse aquilo a sério. Mas isso nem é realmente um problema.
Me incomoda também que o poia não pediu para alguém aleatório desfazer o desejo dele. Poxa, paga cinquentinha para um morador de rua qualquer fazer o pedido por ele, ou o chefe dele, ou qualquer um. Para mim isso foi falho.
O fim é bem legal até, gostei bastante do final. As críticas ao incel ou ao “nice guy”, que parece ser gente boa mas abusaria da mulher foi bem executada. Aliás a melhor cena do filme na minha opinião foi a que o protagonista descobre (ou, melhor, confirma) que a Nikki só está namorando ele por causa do salgueiro e temos um corte brusco para ele e ela na cama. Juro, geralmente acho ruim esses cortes bruscos para cenas de sexo, algo frequente no cinema, e essa daqui foi uma das raras vezes que achei bom. Ele simplesmente dá de ombros e 3stupr4 a Nikki pois é isso que ele efetivamente está fazendo durante o filme, e nesse momento o nosso protagonista é também estabelecido como um enorme vilão. O filme dá a entender que ele gosta dela pela bondade dela (quando ela dá esmola) mas na primeira oportunidade vemos que ele nem se importa com ela de verdade. Uma pena que o filme toma rumos que não gostei muito.
Enfim, achei um filme dirigido de forma excelente, mas um potencial enormemente desperdiçado, começa muito bem e tem um ótimo final.
Nota: 8.4.
Rocky V
3.1 332 Assista AgoraCaramba, pelo que falavam desse filme eu esperava que fosse ser muito pior. Achei, sei lá, que o Rocky iria trair a esposa, ou bater nela, ou ela separaria dele, ou o Rocky fosse se subjugar para os empresários corruptos e se corromper pelo dinheiro ou algo assim. Juro, não sei o motivo de não gostarem tanto desse filme, é INFINITAMENTE melhor que a parte 4 (que é salva pelo Ivan Drago e só e tem aquele robozão RIDÍCULO).
Sério, a estrutura narrativa já estava cansativa (pelo menos para mim) na parte 3 e ainda bem que esse daqui evitou essa repetição de Rocky está mal, busca alguma epifania motivacional e aí temos uma luta livre final que ele ganha. Esse daqui tenta ousar mais e isso é sempre arriscado, mas o filme se sai razoavelmente bem, incluindo a solução para termos uma luta no fim, mesmo que a execução dela tenha sido um pouco longa. E, sinceramente, não sei se realmente substitui efetivamente as lutas finais no padrão dos outros filmes, mas pelo menos é algo diferente, mesmo que acabe sendo uma das lutas finais mais fracas da franquia até aqui (bem, a do 4 tem vários problemas mas é efetiva, e a do 3 deve ser sem graça pois nem estou lembrando dela direito mais).
Mas, sinceramente, não é tão pior (talvez seja até mesmo nível, ainda estou pensando) que as partes 2 e 3. A parte 2 é preguiçosa ao colocar o Rocky na mesma posição a parte 1 e colocar Creed “novamente” como vilão quando no primeiro filme ele era um antognista mais bem escrito. A parte 3 tem problemas também, principalmente por não “casar” com a 2.
Esse daqui tem algo engraçado também, ele homenageia muito a parte 1, seja nos cenários, montagens e referências no geral, quase como uma sequência legado, e isso no início dos anos 1990, apenas, 14 anos depois do lançamento da primeira parte. E ele é mais lento, tem um ritmo mais dos anos 1970, ao contrário das parte 3 e 4 que eram mais oitentistas.
A trama com o Tommy é muito boa e, na minha opinião, foi a melhor coisa que aconteceu em todas as continuações de Rocky. A forma como o personagem brota no filme do nada, sem nem indicar que seria realmente importante, e do nada ele vira um dos principais motores narrativos. A forma como ele faz o Rocky se sentir como se estivesse no ringue de novo e a forma como também nos decepcionamos com ele pois parecia um bom sujeito.
No fim, os problemas desse filme para mim acabam sendo dois. Um deles é a forma como o relacionamento do Rocky com o filho desenvolve. Fica muito forçado ele colocando o filho de lado. O filme tenta justificar, mas não combina em nada com a personalidade do Rocky. E, afinal, claramente dava para conciliar Tommy e o filho do Rocky. E aí temos a cena nada sutil do filho com brinquinho e quando deixa de ficar revoltado tira o brinquinho. Aff.
O outro problema para mim é a forma como colocam Rocky novamente na sarjeta. Entendo que a ideia do filme seja retratar o lutador decadente que já bem mais velho e aposentado perde tudo. O problema é que Rocky não é tão velho assim, é popular (poderia fazer comerciais e a justificativa do filme para não fazê-lo é fraca), havia ACABADO de derrotar um sujeito que moía concreto na base do soco (e, bem, as lesões do Rocky fazem sentido e corrigem essa incongruência da batalha final da parte 4), tendo derrotado um super-homem soviético. Simplesmente NÃO TEM COMO o Rocky ficar pobre de novo.
Mas a trama precisa do Rocky na sarjeta, então arrumam uma justificativa para ele ficar pobre de novo (e não de forma “natural”, como acontece com outras estrelas do esporte aposentadas) e no fim nem se importam muito em dizer o que aconteceu com o processo contra o contador, que, se resolvido, poderia ajudar a voltar, pelo menos parte, da fortuna do Rocky. E, sério, perdoaram Paulie fácil demais.
Mas, mesmo esses problemas são menores que os problemas das partes 2, 3 e 4. Eu fico flutuando em decidir qual é melhor, se a parte 2 ou a 3. Estou convencido agora que a parte 3 é melhor e que essa parte 5 é melhor que a 2 e mesmo nível que a 3. Mas estão todas praticamente no mesmo nível.
Nota: 8.3.
What Iva Recorded
3.5 1Precisei cadastrar aqui. Assistido como o filme para a Croácia no meu desafio de assistir um filme para cada país da Copa de 2022 (que atrasou bastante rs). É um "found footage" e não é de terror, foi lançado antes do boom do estilo em 2009, ocasionado por Atividade Paranormal e Cloverfield. O estilo "found footage" normalmente tem um proposta de imersão e por isso acaba focado no terror, sendo o gênero dominante nesse estilo, então é incomum um drama/comédia em "found footage" (esse é o primeiro que assisto) e por isso acaba tendo um compromisso com o realismo, afinal, se se trata apenas de uma gravação supostamente real, ela tem que ser convincente como uma gravação. Mesmo assim o diretor consegue inserir um pouco de narrativa, embora eu tenha achado desinteressante em vários momentos. Tem boas situações que até convencem como gravações caseiras reais mas no geral não empolga muito.
Filme 32 de 32.
Nota: 7.2.
+Velozes +Furiosos
3.1 524 Assista AgoraEssas continuações que remakizan o filme original dificilmente funcionam. São os mesmo conflitos, as mesmas situações, a mesma trama mas sem a qualidade da primeira parte, tudo muito sem graça. As corridas e a ação não são tão boas quanto o primeiro (a primeira corrida é pavorosa) e até temos um pouco mais de ação aqui (ou estão melhor distribuídas, um ponto negativo do primeiro que apontei no meu comentário) mas as cenas nem são tão boas. Temos, aliás, a cena do rato, que é boa mas totalmente deslocada. O protagonista era algo que não me agradava muito no primeiro e aqui continua na mesma. Roman até é uma adição boa, embora em alguns momentos perca um pouco o tom na chatura. Aliás, o conflito dele com o O’Conner também não é legal, e o romance do protagonista também é sem graça, não leva a lugar nenhum e nem tem função. Enfim, além de ter zero originalidade, o filme não executa bem essa remakização, sendo uma cópia pálida do primeito. Mesmo assim, pelo menos, consegue entregar um passatempo razoável (os carros são legais) embora, se eu rever, provavelmente vou diminuir a nota.
Nota: 6.7.
American Pie: Tocando a Maior Zona
2.6 377Os caras cometeram O MESMO erro do filme anterior. No American Pie 3 Stifler não serve para ser protagonista (bem, o Jim é o protagonista, mas Stifler chega a quase ser o protagonista em alguns momentos). Agora, temos o irmão do Stifler que é a cara dele (o ator copiou todos os trejeitos num nível quase absurdo, com resultados questionáveis) protagonizando o filme e isso obviamente não dá certo. Temos aqui também as tradicionais cenas constrangedoras que normalmente eram protagonizados pelo loser do Jim, mas que, na falta dele, acabam recaindo no Stiffler, o que não combina muito.
O filme tem ares completamente amadores. Na minha memória é o pior da franquia (ainda não assisti o último) e, inclusive, isso se dava por ter menos baixaria e pelos cenários não condizentes com o acampamento visto nos filmes anteriores. Curioso como a memória engana, pois os cenários são claramente os do acampamento da trilogia original e temos, sim, cenas apelativas, embora elas sejam, realmente, as menos explícitas da franquia até onde me lembro.
O que leva a outro problema, que é o humor. Aqui ele não funciona, o filme não tem cena nenhuma que é realmente engraçada, seja pela própria escrita, seja por timming dos atores (a maioria é péssima, mas a Elyse entrega uma das piores performances da história horrível), seja pela direção ruim. E falhar no humor é um pecado.
Mas, de todo modo, o filme até tem alguns momentos de leve entretenimento e a trama, por mais que seja batida, óbvia, básica e sem inspiração, é um lugar-comum que se sustenta. Capengando, mas se sustenta. A forma como o romance vai sendo construído entre Sitfler e Elyse é bem feita, inclusive na cena excelente do beijo entre os dois, que é bem filmada, bem roteirizada e bem atuada. Parece até de um outro filme kkkkkkkkk. Outro bom momento é a segunda conversa que o Stifler tem com o Sherminator. Já o pai do Jim, aqui, tem seu momento mais apagado na franquia, até onde me lembro, sendo mal aproveitado.
Nota: 6.7.
O Príncipe do Deserto
3.6 131Não dava nada para esse filme, seja pelas notas ou pelo início dele, que parecia que ia entregar algo sem graça. Mas, passados os vinte minutos inciais ele começa a ficar interessante, e não é só pela ação ou pelos conflitos sangrentos que se desenvolvem (personagens morrem como moscas), mas também por entregar bons diálogos e uma boa trama geral. Aliás, por isso que costumo dizer que é sempre bom assistir o filme sabendo o mínimo possível, se eu já soubesse dos conflitos da sinopse talvez não fosse tão bom.
A produção é boa também, no início parecia que não ia ser, mas as locações são interessantes, os efeitos e as cenas de ação são bem filmadas (exceto, infelizmente, a última que, sinceramente, nem precisava existir, é curta e nem deu tanta emoção e não foi tão bem executada).
O filme trata alguns temas do islamismo de forma interessante (melhor coisa que fiz foi essa ideia de assistir um filme para cada país da Copa de 2022, bem interessante ver visões de mundo de outros países). As atuações dão para o gasto, mas são um ponto fraco. Achei Antonio Banderas uma decepção, ele parece querer a todo custo entregar dubiedade ao personagem dele e exagera, perde a mão.
Falando em dubiedade, é algo que me agradou no filme.
Ambos os sultões estão certos e errados. Digo, fico do lado do Banderas tranquilamente, pessoal morrendo de fome e doença, pobreza no meio do deserto, tu acha petróleo e vai poder substituir o papel higiênico por nota de cem dólares, aí vai deixar de fazer isso¿ Problema mesmo foi que ele já foi usando os lucros e quebrou o tratado, devia ter ido com mais calma. E, bem, acho que tinha um elemento de ganância em seu personagem, mas era apenas uma de suas facetas. No fim, tem um clichê, mas um clichê muito bom, que funciona e eu gosto, que é o do personagem protagonista, que tem um pouco dos dois mundos rivais, e os concilia na conclusão. Para mim, o maior problema mesmo foi aquela parte no deserto, é longa e meio sem propósito (bem, o protagonista reúne exércitos nessa parte) e quase me fez esquecer o tema central do filme, deixa muito de lado a trama principal por um tempo muito longo.
Vi como o filme do Catar. E, bem, infelizmente acabou sendo o filme do Catar mesmo não sendo exatamente um filme feito só pelo Catar. Só existem dois filmes inteiramente cataris pelo que pesquisei, mas nenhum dos dois achei na internet ao longo desses quase quatro anos, desde a copa de 2022. Como a copa de 2026 já está aí, tive que ir nesse que, pelo menos, até onde sei, foi gravado inteiramente no Catar, mesmo sendo uma produção de vários países.
Filme 31 de 32.
Nota: 8.4.
Festim Diabólico
4.3 910 Assista AgoraMinha noiva fez um comentário pertinente: “os atores eram tão mais expressivos nessa época”. Pensando aqui, é verdade, a atuação era mais expressiva, mais preto no branco. Tenho que ser vilão, ajo como vilão. Sou covarde, vou ficar agindo como covarde. Hoje em dia, no cinema, parece que se aprecia mais os tons cinzentos. A atuação não pode te entregar de bandeja quem é quem, o sentimento exato do personagem, tudo tem que ser interpretado, zero preto no branco. Bom, apenas expondo uma reflexão, nem sei se tem muita veracidade nisso.
Mas, dito isso, o filme é ousado em sua proposta. Fico refletindo se Hitchcock teria gravado tudo num take só se a tecnologia da época permitisse (o rolo de filme tinha duração limitada), pois esse daqui, mesmo com poucos cortes, já deve ter sido um desafio tremendo. No início a falta de corte talvez cause uma estranheza, ver algo contínuo da uma sensação de que não tem ritmo, mas logo engrena.
Revendo agora uns dez anos depois de ver pela primeira vez, matenho a sensação de que delongou demais no último take. Poderia ter sido de uma tacada só, mas ficou longo. E acho que a proposta de ser mais longo era exatamente tentar criar uma tensão, mas acho que falhou um pouco nisso. Embora, claro, é um Hitchcock e temos uma cena muito boa de tensão (a da governanta tirando a “mesa”), da qual, inclusive, eu não me lembrava.
Outra coisa que eu não me lembrava (ou, talvez, não tenha notado) é o quanto esse filme é mais pegado para uma comédia de humor mórbido. Em vários momentos eles citam o David como forma de piada. Juro, vejo esse filme mais como “dark comedy” do que como suspense. E um humor mórbido de qualidade, diga-se de passagem. Outra coisa que não tinha notado é o ar de casal dos dois protagonistas.
Ainda tem um espaço para discussões políticas e filosóficas, incluindo sobre nazismo (e ficavam falando para Hitchcock fazer um filme político, pois bem, olha ele aqui). Enfim, filme do Hitchcock é sempre uma boa pedida.
Nota: 9.1.
Um Condenado à Morte Escapou
4.3 73 Assista AgoraMinha nota para esse filme está flutuando um pouco. Quando terminei pensei na faixa de 8.0, depois 9.0, voltei para 8.0 e agora volta para a faixa 9.0. Acho que vou em um meio termo. Digo, em si o filme é muito bom, toda a situação de fuga (tem algum filme de fuga de prisão antes desse ou ele foi o primeiro¿), a inventividade e paciência do protagonista, a proposta mais minimalista e mais “vazia”, com pouca trilha sonora, é algo interessante. Maaaaaas, quando pensamos nisso, o filme meio que “mata” seu potencial. Quero dizer, qual o sentido de se esforçar para o filme ser “amotivo” quando o que normalente queremos quando vamos assistir algo é emoção¿ Pensa num potencial desperdiçado, de quanto a cena final poderia ser tensa, por exemplo.
Mas, essa não é a proposta do filme, que, inclusive, possui spolier em seu título (que é o mesmo título do livro). Eu até tinha pensado que era um daqueles casos de traduções bizarras que eram bem comuns nos títulos brasileiro antigamente, mas esse também o título original mesmo.
Agora, qual é a dessa narração? Sério, por qual motivo Bresson pode enfiar narração à rodo, mesmo quando não é necessária, mas Nolan botar algum personagem explicando algum conceito é algo expositivo e ruim? Juro, não costumo entender essas padronizações da crítica, que quer colocar algumas situações cinematográficas como ruins, mas depende. Quando Nolan é supostamente expostivo (e o é pois é necessário para sua narrativa) é visto como algo ruim, mas quando algum diretor europeu faz não tem problema. Eu até defendo esse tanto de narração nesse filme, mas se é um filme de Hollywood iam chamar de adaptação preguiçosa do livro.
Nota: 8.6.
Noces De Sang
4.0 1Fascinante ver como alguns temas e conflitos são frequentes em qualquer que seja a cultura. Mesmo sendo uma obra baseada em um roteiro de um dramaturgo espanhol, ela se insere em um contexto de uma cultura bem diferente no Marrocos. A história é até legal, mas a parte interessante é ver os costumes, as locações, a música e os vestuários do local, inclusive a cerimônia de casamento. Essa cena, aliás, é a melho do filme na minha opinião. A direção é muito boa também. Visto como o filme do Marrocos para meu desafio de ver um filme para cada país da Copa de 2022 (que infelizmente atrasou por não achar filme do Catar e do País de Gales).
Filme 30 de 32.
Nota: 7.8.
O Circo
4.4 234 Assista AgoraChaplin é sempre bom. Aqui temos mais um ótimo exemplar de sua filmografia. Embora a história não seja nada tão mirabolante, ela cumpre bem seu papel.
As cenas de humor são muito boas, com boas tiradas. A cena dos espelhos é bem feita, assim como a cena do trapézio, e, embora esta seja engraçada, é meio que previsível. A cena da jaula é a melhor do filme na minha opinião.
Sobre a trama, segue o tema de exploração e de personagens com pouco dinheiro. Agora, um apontamento aqui. É horrível ver a forma como a mulher era enxegada como um objeto na época. A partir do momento em que ela casa, o dono do circo para de maltrata-la, pois agora ela é “propriedade” do novo marido. A mentalidade da época em relação às mulheres era algo surreal para os dias de hoje
Nota: 8.9.