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Bons filmes!
Equipe Filmow
agora que as férias chegaram os filmes terão mais espaço na minha vida, muita correria e eles ficaram de lado por um tempão :/
Pois é! Tô aqui tentando aceitar e nada hahahahha tem dias já.
Eu cheguei à conclusão de que esta terceira temporada é ótima como uma série desprendida das anteriores. Se esses personagens não fossem quem eram, se tivessem sido criados do zero em uma narrativa nova, seria uma série muito boa. Mas como EUPHORIA, falhou justamente na conexão com quem as personagens eram a princípio. Houve uma perda de profundidade emocional, e eles acabaram ficando rasos.
Primeiro, faltou contexto em pontos importantes. A motivação do Nate em se afundar em dívidas, por exemplo, ficou vaga. No começo da temporada, quando ainda não tinha sido revelada a história da Jules, vi um comentário sugerindo que ele talvez estivesse sustentando ela (seria o 'daddy' dela), e esse caminho faria muito mais sentido, mas o que vimos foi um cenário mal explicado. E isso não é só um detalhe, porque o que aconteceu com ele é central para levar a Cassie até onde ela chegou e ditar todo o desenrolar do arco com a Maddy e o Alamo. A forma como ele morreu, depois de tanta chantagem e tortura, pareceu mais um trauma gratuito do que uma consequência de um roteiro bem construído... (mesmo eu tendo adorado, visualmente falando).
Também senti que a primeira parte da temporada foi focada demais em questões sexuais que, pra mim, não tiveram razão de ser. Não é a questão moral com nudez e sexo (afinal Euphoria sempre teve isso), mas não vi propósito narrativo ali; foi algo explorado sem que eu conseguisse compreender onde o diretor queria chegar. Enquanto isso, o desenvolvimento de personagens como a Jules foi deixado de lado, transformando-a em quase um objeto (porém uma consequência das controvérsias de bastidores, como sabemos).
Ainda assim, não dá para dizer que a série não contou a história que se propôs sobre o vício. No final, fica claro o que o diretor queria mostrar: pessoas como a Rue, naquele meio, muitas vezes não conseguem sair. Como alguém que esteve dentro de grupos de Alcoólicos Anônimos, entendo que a Rue precisava de mais do que apenas largar o vício; ela precisava mudar todo o seu modo de vida, e a fatalidade veio justamente porque, infelizmente, ela ainda estava inserida em um ambiente que a consumia.
A busca da Rue pela religiosidade não me pareceu pregação, mas uma busca por propósito, algo essencial na recuperação. Vi um contraponto ali: a Rue, encantada com a paz daquela família cristã, e a outra moça, que olhava para a Rue com deslumbramento, querendo exatamente a "euforia" daquela vida que a Rue tentava deixar. A morte dela me deixou muito, muito triste mesmo, mas não a achei injusta.
Por outro lado, fico triste pelo desfecho aberto de outros personagens, que mereciam um fechamento melhor. Acho que a escolha da estética "faroeste" foi proposital e irônica, uma subversão da ideia de mocinhos e vilões. Existe um momento em que dizem justamente que a 'Rue é cinza', deixando claro que ela não é boa nem má, ela é simplesmente uma pessoa perdida em seus próprios problemas. É uma estética interessante, meio tarantinesca, focada na crueza e na sobrevivência, mas que em certo ponto atropela a profundidade que a série tinha.
Terminei a temporada pensando que, apesar das falhas, a série tocou em feridas muito reais sobre os ciclos de autodestruição que, muitas vezes, não têm um final feliz mesmo.