Não resisto ao trocadilho ridículo de afirmar que esse filme é uma especie de coito interrompido. Promete, promete, promete, mas não entrega. Afora isso, a maioria das cenas funcionam melhor se o seu universo estiver mais acostumado com a heteronormatividade e suas questões
Todos já conhecemos alguma Rachel em nossas vidas: a pessoa que causa o maior caos (o drama) por se achar a dona da régua moral do mundo, aquela que acha que está no direito de julgar os outros e o quanto aquela pessoa deve ou não ser condenada pelo grupo. Acho que o filme é também sobre isso
O trágico transformado em cômico nessa Paris ocupada e empobrecida, Jean Gabin brilhando como sempre. Vale cada minuto. As cenas externas são tensas e ao mesmo tempo engraçadas. Um clássico que não envelhece
Em tempos de Neymar, como é bom lembrar que já tivemos Garrincha! Mescla incrível com fotografias do período, entrevista com médicos, entramos inclusive na casa do Garrincha (chocante o quanto a carreira futebolística mudou com o avanço do capitalismo mais que tardio). A cena final com o estádio se esvaziando aos poucos é melancólica e levemente surrealista, silenciosa - mas, ao mesmo tempo, o respiro final é com a esperança e a intensidade tipicamente brasileiras, com os espaços sendo preenchidos e povoados no caminho para o estádio.
Pouco mais de duas horas dificílimas de assistir, de passarem. Estetizar a violência é prática corrente desde algumas vanguardas literárias, mas para mim resta uma experiência que está muito vazia de significado, que não oferece quantidade suficiente de condições de reflexão - e nem se propõe a isso, eu sei, a crítica fica toda a critério do espectador - vivemos apenas nessas duas horas a eterna repetição dos costumes, dos rituais e da formação de mitos vazios. Apesar do fetiche da virilidade - e de sua exposição um tanto crua, um tanto artística -, resta pouco como experiência fílmica, exceto uma aflição imensa, difícil de separar (ao menos para mim). Talvez os historiadores e sociólogos do futuro vejam lá certo valor crítico
A sequência inicial com o jogo de luz na noite acompanhando alguns personagens na descida da escada é de uma beleza infinita. Jean Gabin sempre perfeito como o malandro francês.
Uma espécie de O grande Gatsby do século XVIII, ou um primeiro épico do homem da classe burguesa em tentativa de ascensão, um retrato histórico do início da queda da nobreza para o advento da burguesia
Fazia tempo que eu não assistia um filme com tantas atuações tão bem feitas. A cena final, tudo dito através dos olhares. A intensidade contida dos personagens, a conexão subterrânea entre eles todos, os choques entre gerações, a dificuldade de digerir os traumas acumulados pela família, que ao final está invariavelmente interligada. Vale cada segundo. Perfeito
Atuações impecáveis! O ritmo do filme consegue simular o possível ritmo do que foi o período final da vida de Proust (momentos de agonia associados a momentos de euforia e promessas), nos levando para dentro de sua casa e da relação que estabeleceu com sua empregada.
Uma série muito injustiçada e pouquíssimo comentada. É um entretenimento leve e que instiga quem assiste. Uma pena terem errado a mão em não fazerem publicidade
Essa história é simplesmente perfeita, inspiradora e forte. O documentário é excelente, souberam contar a história do começo ao fim de maneira envolvente. Amei os momentos em que as cenas ficavam mudas. Enfim, assistam, assistam!
Um presente para o cinema documental brasileiro, esse filme tinha que ser mais visto. É crítico, cru, muito imersivo, além de expor todas as camadas da violência que essas famílias sofrem desde sempre.
Afora toda a polêmica em torno do filme, para mim a qualidade dele está concentrada nos 30 minutos finais. Eu achei que o carnaval fosse ser representado em sua grandiosidade, e na verdade foi filmado de maneira - como dizer? - caótica. As pessoas umas por cima das outras, dançando de maneira frenética e sem ritmo, se empurrando. Até porque a proposta era representar o carnaval do morro, e esse pessoal faz o carnaval muito a sério, com muito trabalho ao longo do ano, enfim, eu realmente esperava que a própria visão do carnaval fosse estereotipada, mas mais próxima ao real. Os figurinos e a filmagem a cores acabam não compensando. O que costumamos ver no carnaval é ritmo e cadência, amplitude, coerência, cores. Acho que o filme perdeu muito não mostrando isso - e vejam que essa nem é uma crítica propriamente ao olhar colonialista.
O final sim é bem interessante, com o Orfeu se perdendo nas burocracias e nos labirintos dos cartórios e das delegacias para encontrar Euridice. Ou o momento catártico dentro do terreiro, Orfeu enlouquecendo pelas ruas. Esse final trágico sim, a cena final com as crianças cantando e dançando. Mas quanto ao restante, eu acho que realmente esperava mais.
Mais um dos estereótipos complexos desse filme: a dicotomia de homem (másculo, violento, traficante, poderoso) e mulher (gentil, delicada, generosa, mais calma e controlada). Tudo que o movimento trans e feminista tentam desconstruir. Emilia se torna tudo que Manitas não era, como se sua violência e imposições pela força fossem suprimidas no papel feminino, como se fosse uma alteração de caráter. Olha, complexo
Um dragão sofisticado desses não é para qualquer equipe não. O figurino, os cabelos, perucas e maquiagem me remeteram muito a Bauhaus, escola fundada mais ou menos no mesmo período e de forte característica estética, com assuntos geométricos e coloridos. Um filme escandalosamente lindo, difícil de encontrar tamanho empenho e cuidado ainda nos filmes de hoje.
Fora os cenários deslumbrantes - sem estereótipos como vemos na maioria das vezes - e nos depararmos com o Rio e Brasília nos anos 60, eu sempre gosto de ver heróis mais realistas (como no primeiro 007, nunca mais se fez heróis assim depois). Françoise Dorléac está perfeita e o filme é leve, muito leve e divertido.
Não sou dos filmes de romance, mas esse tem um contexto social do pós-guerra que o torna diferente. A cena em que ambos se conhecem é realmente uma das cenas mais lindas que já vi, inesquecível o olhar do Montand para ela. Depois eles dançando em meio às esculturas, o gatinho com os filhotes, as coincidências que os unem (e posteriormente os desunem também, as mesmas coincidências). A história é linda, poética realmente.
Também o maltrapilho que personifica o destino e sai feito um oráculo avisando das tragédias que todos se negam a reconhecer. As crianças, a família repleta de crianças do pós-guerra. Que filme lindo! O melhor do Carné que assisti até agora.
Ainda não me decidi o quanto esse tom apelativo me incomodou realmente. Era necessário? Não era (sobretudo os últimos 20 minutos). Talvez deixe estupidamente óbvio para o espectador qual a moral da história? Deixa. Mas ninguém vai assistir esse filme enganado, todo mundo sabe que está ali para ver um gore. Então me parece ok o incomodo, mas não se pode chamar de desonesto
A cena em que a tia (de luto? Em busca de redenção?), o menino jovem, esfomeado e desempregado, a advogada trans e uma noiva com seus convidados estão todos dançando juntos no restaurante é tão linda, de uma sensibilidade e delicadeza tão grandes. Achei muito tocante
O subtítulo deveria ser: o quanto um governo pode ser negligente com a vida (humana e não humana) em nome da “liberdade de mercado”. Só consegui pensar: cadê a fiscalização? E as multas? Por que o parque não foi fechado ainda? EUA terra de ninguém, literalmente, qualquer um faz o que quiser, chega a ser ridículo de quão óbvia a resolução da questão poderia ser em algumas das circunstâncias do filme
O Convite
3.9 332 Assista AgoraNão resisto ao trocadilho ridículo de afirmar que esse filme é uma especie de coito interrompido. Promete, promete, promete, mas não entrega. Afora isso, a maioria das cenas funcionam melhor se o seu universo estiver mais acostumado com a heteronormatividade e suas questões
O Drama
3.6 499 Assista AgoraTodos já conhecemos alguma Rachel em nossas vidas: a pessoa que causa o maior caos (o drama) por se achar a dona da régua moral do mundo, aquela que acha que está no direito de julgar os outros e o quanto aquela pessoa deve ou não ser condenada pelo grupo. Acho que o filme é também sobre isso
A Travessia de Paris
3.7 2O trágico transformado em cômico nessa Paris ocupada e empobrecida, Jean Gabin brilhando como sempre. Vale cada minuto. As cenas externas são tensas e ao mesmo tempo engraçadas. Um clássico que não envelhece
Garrincha, Alegria do Povo
3.8 38 Assista AgoraEm tempos de Neymar, como é bom lembrar que já tivemos Garrincha! Mescla incrível com fotografias do período, entrevista com médicos, entramos inclusive na casa do Garrincha (chocante o quanto a carreira futebolística mudou com o avanço do capitalismo mais que tardio). A cena final com o estádio se esvaziando aos poucos é melancólica e levemente surrealista, silenciosa - mas, ao mesmo tempo, o respiro final é com a esperança e a intensidade tipicamente brasileiras, com os espaços sendo preenchidos e povoados no caminho para o estádio.
Tardes de solitude
3.3 4Pouco mais de duas horas dificílimas de assistir, de passarem. Estetizar a violência é prática corrente desde algumas vanguardas literárias, mas para mim resta uma experiência que está muito vazia de significado, que não oferece quantidade suficiente de condições de reflexão - e nem se propõe a isso, eu sei, a crítica fica toda a critério do espectador - vivemos apenas nessas duas horas a eterna repetição dos costumes, dos rituais e da formação de mitos vazios. Apesar do fetiche da virilidade - e de sua exposição um tanto crua, um tanto artística -, resta pouco como experiência fílmica, exceto uma aflição imensa, difícil de separar (ao menos para mim). Talvez os historiadores e sociólogos do futuro vejam lá certo valor crítico
A Tragédia de Moriah Wilson
3.5 14 Assista AgoraQue documentário sensível e respeitoso. A família é tão tocante, tão bem retratada, achei de uma amorosidade única. Caindo em lágrimas aqui
Sublime Obsessão
3.8 46 Assista AgoraAquele melodrama que a gente gosta!
O Submundo
4.0 5A sequência inicial com o jogo de luz na noite acompanhando alguns personagens na descida da escada é de uma beleza infinita. Jean Gabin sempre perfeito como o malandro francês.
Barry Lyndon
4.2 417Uma espécie de O grande Gatsby do século XVIII, ou um primeiro épico do homem da classe burguesa em tentativa de ascensão, um retrato histórico do início da queda da nobreza para o advento da burguesia
Valor Sentimental
3.9 403 Assista AgoraFazia tempo que eu não assistia um filme com tantas atuações tão bem feitas. A cena final, tudo dito através dos olhares. A intensidade contida dos personagens, a conexão subterrânea entre eles todos, os choques entre gerações, a dificuldade de digerir os traumas acumulados pela família, que ao final está invariavelmente interligada. Vale cada segundo. Perfeito
Céleste
3.8 1Atuações impecáveis! O ritmo do filme consegue simular o possível ritmo do que foi o período final da vida de Proust (momentos de agonia associados a momentos de euforia e promessas), nos levando para dentro de sua casa e da relação que estabeleceu com sua empregada.
Sunny
3.3 7Uma série muito injustiçada e pouquíssimo comentada. É um entretenimento leve e que instiga quem assiste. Uma pena terem errado a mão em não fazerem publicidade
O Presidente Surdo
4.1 3 Assista AgoraEssa história é simplesmente perfeita, inspiradora e forte. O documentário é excelente, souberam contar a história do começo ao fim de maneira envolvente. Amei os momentos em que as cenas ficavam mudas. Enfim, assistam, assistam!
Wilsinho Galiléia
4.0 7Um presente para o cinema documental brasileiro, esse filme tinha que ser mais visto. É crítico, cru, muito imersivo, além de expor todas as camadas da violência que essas famílias sofrem desde sempre.
Orfeu do Carnaval
3.7 134 Assista AgoraAfora toda a polêmica em torno do filme, para mim a qualidade dele está concentrada nos 30 minutos finais. Eu achei que o carnaval fosse ser representado em sua grandiosidade, e na verdade foi filmado de maneira - como dizer? - caótica. As pessoas umas por cima das outras, dançando de maneira frenética e sem ritmo, se empurrando. Até porque a proposta era representar o carnaval do morro, e esse pessoal faz o carnaval muito a sério, com muito trabalho ao longo do ano, enfim, eu realmente esperava que a própria visão do carnaval fosse estereotipada, mas mais próxima ao real. Os figurinos e a filmagem a cores acabam não compensando. O que costumamos ver no carnaval é ritmo e cadência, amplitude, coerência, cores. Acho que o filme perdeu muito não mostrando isso - e vejam que essa nem é uma crítica propriamente ao olhar colonialista.
O final sim é bem interessante, com o Orfeu se perdendo nas burocracias e nos labirintos dos cartórios e das delegacias para encontrar Euridice. Ou o momento catártico dentro do terreiro, Orfeu enlouquecendo pelas ruas. Esse final trágico sim, a cena final com as crianças cantando e dançando. Mas quanto ao restante, eu acho que realmente esperava mais.
Emilia Pérez
2.4 484 Assista AgoraMais um dos estereótipos complexos desse filme: a dicotomia de homem (másculo, violento, traficante, poderoso) e mulher (gentil, delicada, generosa, mais calma e controlada). Tudo que o movimento trans e feminista tentam desconstruir. Emilia se torna tudo que Manitas não era, como se sua violência e imposições pela força fossem suprimidas no papel feminino, como se fosse uma alteração de caráter. Olha, complexo
Os Nibelungos Parte 1 - A Morte de Siegfried
4.3 29 Assista AgoraUm dragão sofisticado desses não é para qualquer equipe não. O figurino, os cabelos, perucas e maquiagem me remeteram muito a Bauhaus, escola fundada mais ou menos no mesmo período e de forte característica estética, com assuntos geométricos e coloridos. Um filme escandalosamente lindo, difícil de encontrar tamanho empenho e cuidado ainda nos filmes de hoje.
O Homem do Rio
3.5 23Fora os cenários deslumbrantes - sem estereótipos como vemos na maioria das vezes - e nos depararmos com o Rio e Brasília nos anos 60, eu sempre gosto de ver heróis mais realistas (como no primeiro 007, nunca mais se fez heróis assim depois). Françoise Dorléac está perfeita e o filme é leve, muito leve e divertido.
Portas da Noite
3.7 5 Assista AgoraNão sou dos filmes de romance, mas esse tem um contexto social do pós-guerra que o torna diferente. A cena em que ambos se conhecem é realmente uma das cenas mais lindas que já vi, inesquecível o olhar do Montand para ela. Depois eles dançando em meio às esculturas, o gatinho com os filhotes, as coincidências que os unem (e posteriormente os desunem também, as mesmas coincidências). A história é linda, poética realmente.
Também o maltrapilho que personifica o destino e sai feito um oráculo avisando das tragédias que todos se negam a reconhecer. As crianças, a família repleta de crianças do pós-guerra. Que filme lindo! O melhor do Carné que assisti até agora.
Ela
4.2 5,8K Assista AgoraUm filme com essa proposta de filmagem tinha que ter um ator de alto calibre para dar conta. Joaquin Phoenix, perfeito
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraAinda não me decidi o quanto esse tom apelativo me incomodou realmente. Era necessário? Não era (sobretudo os últimos 20 minutos). Talvez deixe estupidamente óbvio para o espectador qual a moral da história? Deixa. Mas ninguém vai assistir esse filme enganado, todo mundo sabe que está ali para ver um gore. Então me parece ok o incomodo, mas não se pode chamar de desonesto
Apollo 13: Sobrevivendo no Espaço
3.8 12Sufocante do início ao fim, vamos até o espaço e voltamos. Nossa
Caminhos Cruzados
4.1 49 Assista AgoraA cena em que a tia (de luto? Em busca de redenção?), o menino jovem, esfomeado e desempregado, a advogada trans e uma noiva com seus convidados estão todos dançando juntos no restaurante é tão linda, de uma sensibilidade e delicadeza tão grandes. Achei muito tocante
Blackfish: Fúria Animal
4.4 461O subtítulo deveria ser: o quanto um governo pode ser negligente com a vida (humana e não humana) em nome da “liberdade de mercado”. Só consegui pensar: cadê a fiscalização? E as multas? Por que o parque não foi fechado ainda? EUA terra de ninguém, literalmente, qualquer um faz o que quiser, chega a ser ridículo de quão óbvia a resolução da questão poderia ser em algumas das circunstâncias do filme