Aline Abrantes
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Últimas opiniões enviadas

Aline Abrantes
2 meses atrás

Isso é sobre planejamento territorial

Aline Abrantes
3 meses atrás

Hoje é o amanhã, porra que sensação!

Aline Abrantes
3 meses atrás

Acho que Almodóvar permanece visceral. Em meio à crise contemporânea da imagem e da palavra, agora mediadas e produzidas algoritmicamente, sua resposta parece ser a busca por um cinema que reafirma ambas. Em um movimento metalinguístico, decide escrever um filme autoficcional, atravessado por si mesmo e por aqueles que o cercam, e lançá-lo ao mundo que, em sua própria lógica, produz e conforma as imagens que consome.

A crise da personagem, cuja história seria exposta ao público, nasce precisamente do pavor diante da possibilidade de que a realidade fantasiada pelo artista, da qual ela própria é leitora voraz, revele um ponto cego, um furo capaz de destruir não apenas a imagem que construiu de si e de sua própria história, mas também os vínculos que a sustentam. O drama da personagem é, em última instância, o drama do próprio artista diante daquilo que escapa quando as palavras necessárias para a crítica que se quer fazer ainda permanecem em movimento, em relação à história.

A narrativa de Natal Amargo é também o filme-produto real que dá corpo às ideias nele discutidas. Almodóvar desmonta e remonta os mecanismos da produção cinematográfica diante do espectador. Trata-se de um filme sobre o dilema de fazer cinema e, simultaneamente, sobre a impossibilidade de dele escapar. Há aí uma espécie de autocrítica do diretor de Tudo Sobre Minha Mãe e Dor e Glória, que revisita seus próprios procedimentos e obsessões. Ao fazer do próprio filme uma reflexão sobre o cinema e sobre as formas contemporâneas de produzir imagens e narrativas, Almodóvar coloca em circulação mais uma obra em permanente conflito com o seu tempo e, justamente por isso, visceral. Um visceral menos histérico, mais obsessivo, marcado pela insistência em retornar sobre os mesmos fantasmas.

A crítica que dirige ao regime contemporâneo das imagens só pode se realizar na forma de mais uma imagem. É dessa contradição que a obra extrai sua força. Mais do que uma resposta, o filme oferece um pequeno tijolo aos conflitos humanos diante da palavra que escapa e do mistério que a imagem preserva.
É pra sair calado rs

  • Filmow 5 dias atrás

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    Bons filmes!
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  • Guilherme Barbosa 4 anos atrás

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  • Francisco Paulo 4 anos atrás

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